"E aqueles que pensam em Me procurar, saibam que a vossa busca e vosso anseio devem beneficiar-vos apenas se vós souberdes o Mistério; se o que vós procurardes, vós não achardes dentro de vós mesmos, então nunca encontrarão fora. Pois eu tenho estado convosco desde o Início e Eu Sou Aquela que é alcançada ao final do desejo"


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terça-feira, 2 de março de 2010

DEUSA DA SABEDORIA LUMINOSA E NATURAL


A MULHER BÚFALA BRANCA

Muito tempo atrás, a tribo nativa norte-americana Lakota (ou Sioux) vivia de forma simples, caçando búfalos nas campinas para sua sobrevivência. Um dia, dois jovens índios saíram a caminhar, atentos a qualquer movimento, quando vislumbraram no horizonte algo se movendo com rapidez. Chegando mais perto viram que era uma linda mulher, envolta por uma luz brilhante. Os jovens tinham índoles diferentes: um deles apenas apreciou a beleza da mulher, mas o outro dela se aproximou, com intenções de violentá-la. A mulher abriu seus braços e cobriu o conquistador com seu xale, ambos ficando dentro de uma névoa. Quando a neblina se dissipou, o outro jovem viu com espanto, saindo do xale da mulher o esqueleto do seu companheiro, que logo se transformou em poeira soprada pelo vento. Comovido, o jovem se ajoelhou perante a misteriosa mulher e pediu-lhe que fosse com ele para ensinar à sua tribo os mistérios da vida e da morte. Ela concordou e pediu que preparassem uma grande tenda onde toda a tribo pudesse se reunir. Lá a mulher mostrou um cachimbo feito de argila vermelha com um longo cabo de madeira, e pediu que este cachimbo fosse usado em ritos sagrados para lembrar e honrar a ligação dos seres humanos com todas as outras formas de vida, além de reverenciar a Mãe Terra, pois cada passo que fosse dado sobre seu solo seria como uma oração. Após estes ensinamentos a mulher se afastou e foi se transformando lentamente em uma vitela de búfalo branco. Foi por isso que esta misteriosa mestra foi denominada Mulher Búfala Branco, detentora do cachimbo sagrado e de seus mistérios.

Na antiga tradição Lakota a causa primeva de tudo, o princípio primordial da criação era Wakan, o ventre da Mulher Búfalo. Reverenciado como o vazio cósmico, um receptáculo de infinitas possibilidades de criação, Wakan era descrito como um grande recipiente estrelado, contendo inúmeras centelhas de vida adormecidas, esperando serem ativadas para se integrarem à realidade terrena. O principio ativo e co-procriador era Skan, que, semelhante a um relâmpago cósmico, mergulhava no receptáculo sagrado e acordava as centelhas para a luz da existência.

Nas tradições nativas a mulher era a representante de Wakan na Terra, responsável pela continuação da vida humana, sendo um ser sagrado e por todos respeitado. Ela também tinha a missão de preservar e cuidar da paz e da harmonia dos relacionamentos, entre os membros do clã, com as outras tribos e com os reinos da criação. Eram as mulheres que criavam e cuidavam da complexa teia das atividades e relacionamentos humanos, evitando conflitos e divisões e ensinando como “caminhar suavemente sobre a terra”. Mesmo quando a chegada dos conquistadores europeus despertou a cobiça, rivalidade e violência entre as tribos, os Conselhos das Matriarcas dos clãs e das Avós se empenhavam para restabelecer a paz e relembrar a suprema lei da Criação: ”viver em harmonia com todos os seres do círculo da vida”. Competiam às avós as decisões finais por desfrutarem de muito respeito e honra pela sua sabedoria ancestral e experiência de vida. Desde uma tenra idade os meninos eram ensinados pelas mães a respeitar e vivenciar as qualidades femininas; eles viviam no meio das mulheres até os sete anos e aprendiam qualidades e artes femininas como gentileza, respeito, compaixão, cozinhar, costurar, plantar, colher, bem como manter as tradições e a harmonia, natural e humana. Quando passavam para o círculo dos homens aprendiam as atividades masculinas, mas jamais lhes era incutida a violência ou falta de respeito para com a Natureza, mulheres, crianças, idosos ou doentes. Um homem de respeito e autoridade era aquele que cuidava bem da sua família e da sua tribo, preservava os reinos da Criação e honrava as tradições e os ritos sagrados.

A mensagem que a Mulher Búfala Branca trouxe para o mundo contemporâneo é lembrar que todos nós humanos, independentemente de cor, origem, gênero ou situação social, fazemos parte da complexa teia da vida e somente vivendo com respeito, harmonia e paz, poderemos atravessar os períodos cruciais que nos aguardam. A lição da Mulher Búfalo Branco foi: "viver em paz com todas as nossas relações" e “tudo o que fizermos à grande teia da criação faremos a nós mesmos, pois somos um só ser vivo”. A expressão ”todas as nossas relações” é usada para representar o círculo da vida a qual todos nós pertencemos, simbolizado pelo cachimbo sagrado. Seu bojo feito de argila vermelha representa a Terra, no seu interior está gravado um búfalo, significando todos os seres de quatro patas, e também a abundância da Terra que sustenta toda a vida. O cabo ou tubo do cachimbo, feito de madeira, simboliza tudo o que cresce sobre a terra. As doze penas que o enfeitam são de águia e descrevem as criaturas que voam, enquanto as conchas representam o reino aquático. Ao acender e fumar o cachimbo reunem-se os elementos (associados com as ervas, a chama e fumaça, as cinzas) e também todos os reinos da criação. A oração que acompanha o ato de fumar o cachimbo é direcionada em benefício de todos e do Todo e é o objetivo principal deste rito sagrado.

A Mulher Búfala Branca continua se comunicando conosco através das visões e mensagens recebidas por muitas mulheres contemporâneas. Um comovente testemunho é encontrado nesta linda canção, recebida em uma visão pela xamã, compositora e divulgadora dos antigos rituais sagrados, Brooke Medicine Eagle. Vamos refletir e colocar em prática estes atuais e necessários conselhos:


Buffalo Woman is calling. Will you answer Her?
She’s calling light, she’s calling peace
She’s calling spirit, she’s calling you
Buffalo Woman is calling. Will you answer Her?
I will answer Her. We will answer Her!



Tradução:

A mulher do búfalo está chamando. Você responder-lhe-á? Está chamando a luz, ela está chamando a paz que está chamando o espírito, ela está chamando-o búfalo a mulher está chamando. Você responder-lhe-á? Eu responder-lhe-ei. Nós responder-lhe-emos!



Mirella Faur
IN:
http://www.teiadethea.org/?q=node/53



sábado, 7 de fevereiro de 2009

SÁBIA MULHER FILHOTE DE BÚFALO BRANCO






A MULHER FILHOTE DE BÚFALO BRANCO





O nome sioux é uma corruptela francesa de um termo algoquim de reprovação, que significa “serpente” ou “inimigo” Os sioux são identificados com as pradarias e as planícies. Em 1600 eles viviam nas cabeceiras do rio Mississipi. Antes de 1700, começaram a migrar para as planícies e pradarias a partir das áreas das Woodlands, no Meio-Oeste. Este povo é famoso por sua busca de visões, sua dança do sol e seus homens santos.



A primeira figura santa é a Mulher Filhote de Búfalo Branco. Ela é uma heroína cultural. Foi ela quem trouxe aos sioux o cachimbo sagrado. Fonte de profundo conhecimento espiritual, a Mulher Filhote de Búfalo Branco é uma poderosa mensageira de “Wakan-Tanka”, o Grande Espírito. Ela mesma é chamada de “wakan”, que pode significar “sagrada” e “poderosa”, além de “antiga”, “velha” e “resistente”. Esta personagem lendária tem a beleza da juventude e a sabedoria da eternidade.



Segundo Black Elk:



Há muito tempo atrás, dois batedores haviam saído para procurar um bisão e quando chegam ao topo de uma colina, olhando para o norte, viram que vinha de muito longe alguém. Quando chegou mais perto, gritaram:

-“É uma mulher!”, e era.

Então um dos batedores, tolo que era, teve maus pensamentos e os disse. Mas o outro respondeu:

-“Esta é uma mulher sagrada, jogue fora todos os maus pensamentos”.

Quando ela chegou mais perto, viram que usava um traje de couro branco que brilhava ao sol. Ele estava bordado com lindos desenhos sagrados de espinhos do porco-espinho, em cores tão radiantes que nenhuma mulher seria capaz de fazer. Em suas mãos ela levava um fardo grande e um leque de folhas de sálvia. Tinha seus cabelos soltos exceto por uma trança no lado esquerdo que era amarrada com pele de búfalo. Seus olhos eram negros e brilhantes, com grande poder neles. E ela sabia os pensamentos deles e disse em uma voz que era como cantasse:

-“Vocês não me conhecem, mas se quiserem fazer o que pensam, podem vir”. E o tolo foi, mas quando chegou perto dela, surgiu uma nuvem branca que o envolveu. E a linda mulher saiu da nuvem, e quando ela se afastou o homem tolo era um esqueleto coberto de vermes.



Então ela falou com o homem que não era tolo:

-“Você voltará para casa e contará ao seu povo que eu estou chegando e que uma grande tenda deverá ser construída para mim no centro da nação.” E o rapaz, que estava com muito medo, foi rapidamente avisar seu povo, que imediatamente fez o que lhe fora dito. E lá, ao redor da grande tenda, eles esperaram a mulher sagrada. E depois de algum tempo ela veio, muito bonita e cantando e...entrou na tenda... E, enquanto cantava, de sua boca saía uma nuvem branca de cheiro bom. Então ela deu algo ao chefe: um cachimbo.

-“Olhem”, disse ela. “Com isto vocês se multiplicarão e serão uma boa nação. Nada que não seja bom sairá disto. Somente as mãos dos bons deverão cuidar dele e os maus não poderão sequer olhar para ele.”

A mulher colocou uma lasca de búfalo seco no fogo e acendeu o cachimbo com ela. Este era peta-owihankeshni, o fogo sem fim, a chama a ser passada de geração a geração. E então falou:

“Aqui se encontra o cachimbo sagrado, com ele, nos invernos futuros, enviarás vossa voz a Wakan-Tanka, vosso Avô e Pai. Com este cachimbo de mistério caminharás pela Terra, pois a terra é vossa Avó e Mãe e é sagrada. O fornilho desse cachimbo é de pedra vermelha. É a Terra. Este jovem bisonte que está cravado na pedra, e que olha para o centro, representa os quadrúpedes que vivem sobre vossa mãe. A haste do cachimbo é de madeira, e isto representa tudo o que cresce sobre a Terra. E estas doze plumas que caem do local onde a haste se encaixa no fornilho são de Águia Pintada e representam a Águia e todos os seres alados. Todos estes povos e todas as coisa do Universo estão vinculadas a ti que fumas o cachimbo; todos enviam suas vozes a Wakan-Tanka, o Grande Espírito. Quando orais com este cachimbo, orais por todas as coisa e com elas.”

"Com este cachimbo sagrado," ela continuou,"vocês caminharão como uma prece viva. Com seus pés descansando sobre a terra e a haste do cachimbo alcançando os céus, os seus corpos formam uma ponte viva entre o Sagrado Abaixo e o Sagrado Acima. Wakan Tanka sorri para vocês, porque agora nós somos um: terra, céu, todas as coisas vivas, os seres de duas pernas, os de quatro pernas e os de asas, as árvores, as ervas. Juntos com o povo, estão todos relacionados, uma família. O cachimbo os mantém todos juntos.”

Portanto, fumar o cachimbo é um meio de se unir com a terra e todas as suas criaturas: é um modo de enviar a voz de alguém ao Grande Espírito. Quando você reza com o cachimbo se une a todas as criaturas vivas: cada uma delas é seu parente. Todas as coisas do Universo se ligam horizontalmente à haste do cachimbo. O fogo, alimentado pelo sopro do vento e dos homens, queima dentro do fornilho e as ervas do chão são símbolos do mundo terrestre. Aromas, fumaça e vozes sobem na verticalidade ao Grande Espírito.



Enquanto ela estava dentro da tenda, a Mulher Filhote de Búfalo Branco revelou ao povo que:

“Todo amanhecer é um acontecimento sagrado, e todo dia é sagrado, pois a luz vem de seu Pai “Wakan-Tanka”; e também vocês devem sempre se lembrar de que os de duas pernas e todos os outros povos que habitam esta terra são sagrados e devem ser tratados como tais”.



Ela ensinou também, a eles as sete cerimônias sagradas. Uma delas foi a Tenda do Suor, ou Cerimônia d Purificação. A outra foi a Cerimônia de Nomeação, dando nomes às crianças. A terceira foi a Cerimônia de cura. A quarta foi a criação de parentesco ou Cerimônia de adoção.A quinta foi a Cerimônia de casamento. A sexta foi a Busca de Visão e a sétima foi a Cerimônia da Dança do Sol, a Cerimônia do povo de todas as nações.



Ao deixar o povo, ela disse:



“Olhem este cachimbo! Sempre se lembrem de como ele é sagrado. Tratem-no como tal e ele irá com vocês até o fim. Lembrem-se, em mim existem quatro eras. Estou partindo agora, mas voltarei para seu povo a cada era, e no fim eu voltarei.”



Ao deixar a tenda, ela caminhou uma curta distância, sentou-se e ergueu-se na forma de um filhote de búfalo marrom e vermelho. Caminhou mais um pouco, deitou-se mais uma vez e ergueu-se como um búfalo preto. Nesta forma, ela se afastou ainda mais do povo. Então curvou-se para cada um dos cantos do universo e desapareceu no alto da colina.



Você deve estar se perguntando por que esta mulher é chamada de “Mulher Filhote de Búfalo Branco”. Conforme já falamos, ela é uma figura que dá vida a seu povo e está identificada com o búfalo porque representa toda a criação, assim como o búfalo para o sioux. É este animal mais importante para este povo, pois dava-lhes comida, roupas e até mesmo casas, que eram feitas de peles curtidas. Como o búfalo continha todas estas coisas em si e, por muitas outras razões, ele era um símbolo natural do universo, a totalidade de todas as formas manifestas. Tudo está simbolicamente contido neste animal: a terra e tudo que cresce nela, todos os animais e até mesmo os povos de duas pernas; e cada parte específica do animal representa para o índio uma dessas “partes” da criação. E também o búfalo tem quatro patas, e elas representam as quatro eras, que são uma condição integral da criação.



E ainda, quando a Mulher Filhote de Búfalo Branco prometeu voltar, ela fez umas profecias. Uma delas foi o nascimento de um novilho de búfalo branco que seria um sinal de que estaria próximo o dia de sua volta para purificar o mundo novamente, trazendo harmonia e equilíbrio espiritual. Três destes animais já nasceram desde 1995. Um morreu logo após seu nascimento. o último nasceu em Dakota do Sul, EUA. Este filhote de búfalo é considerado como um presente para todos os indígenas e pessoas do mundo, capaz de unir todas as crenças no ideal de harmonia e de amor universal.



O cachimbo do Filhote de Búfalo Branco está em um lugar sagrado (Green Grass) em uma Reserva Indígena do Rio Cheyenne na Dakota do Sul mantido por um homem que é conhecido como o Guardador do Cachimbo do Novilho de Búfalo Branco, Arvol Looking Horse.Ele diz que está escrito que na próxima vez em que houver caos e disparidade, a Mulher Filhote Búfalo Branco retornará.

A Mulher Filhote de Búfalo Branco representa o conhecimento cósmico e a energia; como o bisão, ela representa a totalidade como o universo; e também a totalidade como as quatro eras. Em um certo sentido, podemos ver a Mulher Filhote de Búfalo Branco como aquela parte sábia porém oculta de nós mesmos que sempre tem acesso ao conhecimento sagrado e transcendente, conhecimento que, paradoxalmente, está relacionado às nossas vidas no mundo cotidiano.





De Wakan-Tanga, o Grande Mistério, vem todo o poder. É de Wakan-Tanga que o homem santo tem sabedoria e poder para curar e para fazer amuletos santos. O homem sabe que todas as plantas que curam são dadas por Wakan-Tanga. Também assim é com o Búfalo Sagrado, pois ele é um presente de Wakan-Tanga”.
Flat-Iron (Maza Blaska) OglalaSioux
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