"E aqueles que pensam em Me procurar, saibam que a vossa busca e vosso anseio devem beneficiar-vos apenas se vós souberdes o Mistério; se o que vós procurardes, vós não achardes dentro de vós mesmos, então nunca encontrarão fora. Pois eu tenho estado convosco desde o Início e Eu Sou Aquela que é alcançada ao final do desejo"


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quarta-feira, 26 de maio de 2010

A DEUSA TERRA COMO DEIDADE SUPREMA


MÃE TERRA – DEUSA MÃE


Terra, Divina Mãe, que gera todos os seres e cria todas as coisas, cuja influência desperta, acalenta e adormece a natureza. Mãe que fornece a nutrição da vida e a protege com um abraço sustentador. Mãe amorosa que recebe o corpo do homem quando o seu espírito se afasta, chamada com razão a Grande Mãe, fonte de poder de deuses e mortais, indispensável para tudo o que nasce ou morre. Senhora, Mãe , Deusa eu A reverencio e invoco Seu sagrado nome para abençoar a minha vida, lhe agradeço pelas dádivas e por me receber no fim da minha jornada!


Prece inglesa do século XII



A reverência da Terra como Deusa Mãe era um costume universal e ancestral, tendo sido encontrado em todas as antigas civilizações e culturas, que A invocavam por nomes específicos e cultuavam de maneiras diversas.

O historiador romano Tácito afirmou nos seus livros que as tribos européias consideravam a Mãe Terra como uma divindade toda abrangente, a que todos os seres humanos, sobrenaturais e divinos obedeciam.O conceito de uma Mãe Terra foi definido pelos gregos, cujo poeta Hesíodo chamou a Terra de Gaia ou Gea, a Deusa com amplos seios, morada segura para todos os seres, que depois de emergir do caos primordial, criou o céu, Urano, e junto com ele procriou os Titãs, as montanhas e florestas, os campos, mares, rios e todos os seres vivos.Os romanos a chamaram de Tellus ou Terra Mater, a Grande Mãe, criadora dos homens, da natureza e dos animais.

A Terra tanto dava a vida, como propiciava e acolhia a morte, por isso os povos antigos da Ásia, África e América consideravam os enterros ritos de plantio, o espírito sendo regenerado no ventre da terra e depois renascendo em um corpo de mulher.Os nativos norte-americanos acreditavam que os seres humanos e os animais emergiam das aberturas no corpo da Mãe Terra, pois era no seu ventre que eles eram gerados. A doutrina central da religião ameríndia era a reencarnação em um novo corpo do espírito criado pela Mãe Terra, que por isso deveria ser respeitada, honrada e cuidada. Pinturas rupestres da Austrália e lendas dos nativos norte-americanos representam a Mãe Terra parindo os primeiros seres ancestrais, que saiam do Seu ventre ctônico pelas aberturas no solo como grutas e fendas. Na Índia os sacerdotes hindus falavam para os mortos se deixarem cobrir pela terra como se fossem crianças acolchoadas pelo manto materno, silencioso, escuro e macio.

Os filósofos romanos atribuíam à Mãe Terra o misterioso poder que despertava e sustentava a vida, tudo vindo Dela e a Ela retornando, pois ela era o começo e o fim, o nascimento e a morte. Preces romanas do século III pediam à Mãe Terra que recebesse o corpo quando a alma dele se retirasse e enquanto vivo, que o nutrisse e protegesse. Mesmo séculos mais tarde, nos túmulos cristãos da Alemanha se lia:"aqui jaz no ventre de Erda (a Mãe Terra) o corpo de...."; até o século XII os camponeses europeus continuavam invocando as bênçãos da Mãe Terra nos plantios, para que as colheitas fossem protegidas e abundantes e nas construções, para que elas durassem.

Para os povos eslavos Mayca Vlazna Zemlja ou Mati Syra Zemia (A úmida Mãe Terra) era a mais antiga e importante divindade, reverenciada até o século X - mesmo depois da cristianização - e descrita como a força Doadora da Vida, responsável pela fertilidade, reprodução humana e animal e pela abundância da natureza. Seu culto era muito antigo e Ela jamais foi personificada por uma figura humana, mas reverenciada como a própria terra. Seu animal sagrado era a vaca, por terem em comum a fertilidade e a abundância da nutrição.Os camponeses se dirigiam diretamente à Mãe Terra, sem precisarem da intermediação de sacerdotes ou padres e tinham por ela um profundo respeito, amor e gratidão, pedindo suas bênçãos para plantios, suas casas, crianças e animais.Era invocada como conselheira, protetora, testemunha e juíza nas disputas de terras e propriedades e era em Seu nome que eram feitos os juramentos (engolindo um pouco de terra) e abençoados os noivos (colocando um pedaço de terra sobre suas cabeças). Após a cristianização, o seu culto persistiu alguns séculos até que aos poucos, Seus atributos e qualidades foram atribuídos para a Virgem Maria e manifestados nas mulheres.

Os povos bálticos acreditavam que o mundo e a vida eram manifestações de uma força sagrada que tudo permeava e que existia em todos os seres, animados ou não, sendo a fonte do universo e da existência e que era reverenciada como a Grande Mãe sob diversos nomes como Zemyna, Laima, Gabija. Apesar da perseguição cristã, as antigas tradições pagãs que cultuavam a Mãe Divina –cósmica e telúrica - continuaram ocultas em lendas, canções (chamadas dainas) e costumes populares mantidos pelas mulheres.

Na Rússia, em lugar de usar a bíblia para juramentos, os camponeses colocavam terra sobre suas cabeças invocando a Mãe Terra como testemunha. As boas vindas para os visitantes eram acompanhadas do tradicional prato de pão com sal (produtos da terra) e continuam até hoje, porém desprovidas do seu antigo significado sagrado.

Na antiga Grécia os mitos contam como até mesmo os deuses olímpicos invocavam Gea ou Rhea, a mais antiga das divindades, para testemunhar e selar juramentos e pactos, sabendo que todos os seres vivos eram sujeitos às Suas leis.

“Lar“ e “mãe” eram noções idênticas para os povos antigos, que as uniram na imagem de uma Deusa Senhora da Terra; eles acreditavam que deviam ser enterrados no solo onde nasceram e viveram e se recusavam abandonar suas terras mesmo perante as invasões inimigas ou em situações de calamidades. Se por acaso estivessem longe da terra natal e sentissem a proximidade da morte, voltavam o mais rápido possível.

Em certos lugares nos Bálcãs, o encontro post-mortem dos homens com a Mãe era visto como um casamento, a morte sendo um rito sagrado de união com a terra e por isso os mortos eram vestidos como noivos que iam ser recebidos no leito da Mãe Negra.

A imagem arquetípica do casamento com a terra teve uma estranha interpretação na Renascença, com a aparição da pornotopia, poemas vitorianos em que o autor reduzido a um inseto ou ser minúsculo, percorria minuciosamente o corpo feminino descrito como uma paisagem, com vales sinuosos, colinas atraentes, bosques, córregos e uma misteriosa e aveludada gruta avermelhada, em cujo interior era experimentado o êxtase sublime. Este tipo de manifestação artística foi interpretado posteriormente como uma carência espiritual ligada à negação da Mãe Terra no simbolismo religioso e à repressão sexual pelo puritanismo vitoriano.

A gruta é uma associação universal com o ventre da Mãe Terra, local simbólico de nascimento e regeneração; a palavra sânscrita garbha significava “santuário” e “ventre”.Os locais sagrados hindus eram as grutas, representando a yoni da Grande Mãe e nelas foram criados altares para peregrinações e oferendas, muitas delas tornando-se moradas dos eremitas e mestres espirituais. Nos templos etruscos e romanos existiam câmaras subterrâneas chamadas mundus, termo equivalente a ”terra” e “ventre”. Rhea era a Mãe Terra cretense, Criadora de Toda a Vida, que tinha surgido da gruta uterina do Monte Dikte, onde Ela deu à luz a Zeus, que depois foi aclamado como o Pai dos deuses olímpicos.

Mesmo com o advento do cristianismo o culto das grutas continuou com os rituais nelas celebrados. Por não ter sido possível extinguir a reverência às grutas, a igreja passou a usar motivos nelas inspirados para a construção das criptas e câmaras subterrâneas nas igrejas e catedrais. Inspiradas nas antigas lendas dos casamentos sagrados e na conexão com a terra, após a desaparição dos cultos pagãos, as grutas passaram a servir como alcovas de amor nos encontros dos casais e muitas delas foram nomeadas em homenagem a Afrodite como sendo a sua padroeira. As fontes curativas da Europa nasciam nos antigos locais sagrados das deusas pagãs ou nas grutas consideradas portais de acesso para o ventre da Mãe Terra, e por isso foram destinadas para a regeneração e cura, bem como para comunicação com o mundo ancestral e os seres sobrenaturais.

Os nossos ancestrais viviam em grutas e nelas foram encontrados os mais antigos achados arqueológicos e antropológicos datados de 700.000 anos, assim como indícios do uso mágico do fogo para proteção, como comprovam as pesquisas feitas na gruta de Petralona no Norte da Grécia. A partir de 40.000 a.C. existiram altares dedicados à Mãe Ursa, a mais antiga representação da Senhora dos Animais e inúmeras pinturas de animais nas paredes, que depois foram substituídos pelos desenhos mais rebuscados de cenas de caça, luta e danças rituais, mulheres grávidas ou parindo. As inscrições rupestres comprovam a sacralidade das grutas do período paleolítico e neolítico e, mesmo antes das figuras de mulheres apareceram nos desenhos, a sua presença era indicada por animais prenhes, mãos, barcos, inúmeras reproduções de seios aproveitando as formações das rochas, triângulos púbicos e ferraduras invertidas (símbolos universais da vulva), pintados com ocre vermelho. Foram encontradas figuras femininas grávidas esculpidas na entrada das grutas ou estatuetas sem rosto, mas com traços bem elaborados como as famosas Vênus das grutas de Willendorf, Laussel e d’Aurignac, com seios, vulvas, ventres proeminentes e símbolos lunares, revelando a sua conexão com fertilidade, vida e abundância. Em muitas grutas foram encontradas além das figuras femininas ossadas humanas pintadas de vermelho e em posição fetal, demonstrando a função complementar das grutas como locais de nascimento e morte, os moribundos sendo levados para o mesmo lugar onde tinham nascido.Outras grutas eram usadas para rituais de celebração e ritos de passagem, conforme se deduz dos achados e inscrições encontradas nas grutas de Peche Merle e Madeleine na França.

O mais antigo culto europeu era do urso, comprovado pelos crânios arrumados de forma cerimonial e cercados por círculos de pedras nas grutas da Suíça, onde se originou o culto de Dea Artio, a “Mãe Ursa”, Senhora da Caça e da proteção das florestas, equivalente ancestral de Ártemis e Diana como Potnia Theron, a “Mãe dos Animais”, associada aos nascimentos e à proteção dos recém-nascidos. Nos países eslavos as anciãs colocavam os recém nascidos sobre peles de urso e pediam a proteção das deusas correspondentes: Devana, Dziewona e Diwica. Talvez este culto se devesse à semelhança do esqueleto do urso com o humano e ao seu andar em duas patas, atribuindo-lhe o papel de mediador entre o mundo humano, animal e espiritual, sendo que, em algumas culturas antigas, o urso era o guardião ou totem do clã, dando assim origem ao culto da “Mãe Ursa”. Estatuetas de ursos em barro e imagens gravadas nas paredes foram achadas nas grutas de Creta, em uma delas sendo erguida uma capela cristã para Maria na sua representação de Panatya Arkoudiotissa, a "Mãe Ursa".

Reproduções de grutas foram encontradas nas “câmaras de incubação de sonhos” dos antigos templos de Mesopotâmia, China, Egito e Europa, a mais famosa sendo a de Creta, o Hypogeum, datado de 5000 a.C. e tendo uma câmara circular com um estrado de pedra em que se deitava a sacerdotisa oracular, conforme comprovam as estatuetas “da Senhora adormecida”.Dormir no ventre da Mãe Terra era um método ancestral de cura, com recebimento de mensagens sobrenaturais ou de sonhos (interpretados depois pelos sacerdotes) ou um rito de passagem, em que os doentes permaneciam deitados à espera da cura, da vida ou da morte. Estes antigos rituais foram comprovados nos templos das ilhas de Malta e Gozo, onde os peregrinos passavam por experiências profundas ao se conectar com a Mãe Terra, os espíritos sobrenaturais e os ancestrais.

As grutas continuam sendo lugares poderosos para nos conectarmos com a Mãe Terra, mergulhar nas memórias subconscientes e nos deslocar para os mundos sutis, em busca de mensagens, sonhos reveladores, cura e regeneração. Reverenciar o princípio sagrado da Terra nos auxilia na conexão com a beleza e a magia da natureza e com todos os seres da criação, nossos irmãos. Reconhecer a Natureza como a nossa Mãe, nos permite expandir o respeito e os cuidados com o meio-ambiente, a busca do nosso alinhamento energético e espiritual e uma maior e permanente parceria em lugar da atual competição, poluição e profanação do corpo sagrado da nossa Mãe Terra, primordial e eterna.

Mirella Faur

IN: http://sitioremanso.multiply.com/journal/item/91

domingo, 14 de fevereiro de 2010

AS CULTURAS DA TERRA MÃE



O QUE FAZ SENTIDO E O QUE NÃO FAZ SENTIDO

Naturalmente faz sentido que a antiga representação do poder divino em forma humana tenha sido de fêmea, e não de macho. Quando nossos ancestrais começaram a se fazer as eternas perguntas (De onde viemos antes de nascer? Para onde vamos depois que morrermos?), devem ter percebido que a vida emerge do corpo de uma mulher. Teria sido natural para eles imaginar o universo como uma Mãe Generosa de cujo Útero surge toda vida e para onde, assim como nos ciclos da vegetação, ela retoma após a morte, para renascer. Também faz sentido que sociedades com esta imagem dos poderes que governam o universo tivessem uma estrutura social muito diferente das sociedades que adoram um Pai divino, o qual empunha um raio e/ou uma espada.
Parece lógico não fossem elas consideradas subservientes em sociedades que conceptualizavam os poderes que governam o universo em forma de fêmea — e que qualidades "femininas" tais como cuidado, compaixão e não-violência fossem altamente valorizadas nestas sociedades. O que não faz sentido é concluir que as sociedades em que os homens não dominavam as mulheres eram sociedades em que as mulheres dominavam os homens.


AS VÊNUS PALEOLÍTICAS

Em suma, em vez de materiais fortuitos e desconexos, os vestígios paleolíticos de estatuetas femininas, o ocre vermelho em câmaras mortuárias e as conchas cauris em formato de vagina parecem constituir antigas manifestações do que mais tarde se desenvolveria em uma complexa religião centrada no culto a uma Deusa-Mãe como fonte e regeneradora de todas as formas de vida. Este culto à Deusa, como observaram James e outros estudiosos, sobreviveu a períodos históricos, "na figura múltipla da Magna Mater dos Bálcãs e do mundo greco-romano".15Percebemos com nitidez esta continuidade religiosa em deidades tão conhecidas quanto Ísis, Nut e Maat, no Egito; Ishtar, Astarte e Lilith, no Crescente Fértil; Deméter, Core e Hera, na Grécia; e Atárgatis, Ceres e Cibele, em Roma. Mesmo depois, em nossa própria herança judaico-cristã,ainda podemos identificá-la na Rainha dos Céus, cujos arvoredos são queimados na Bíblia, na Shekhina da tradição cabalística hebraica e na Virgem Maria Católica, a Sagrada Mãe de Deus.

enxertos de O Cálice e a Espada - Riane Eisler

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

A RELIGIÃO DA DEUSA


A Deusa

A Deusa foi a primeira divindade cultuada pelo ser humano* pré-histórico. As suas inúmeras imagens encontradas em vários sítios históricos e arqueológicos do mundo inteiro representavam a fertilidade - da Mulher e da Terra. Por ser a mulher a Doadora da Vida atribuiu-se à Fonte Criadora Universal a condição feminina e a Mãe Terra tornou-se o primeiro contato da raça humana com o divino.

A Grande Mãe representa a totalidade da criação e a dualidade vida/morte, pois sua essência é imanente e permanente em todos os seres e em todo o Universo. Seus múltiplos aspectos e manifestações representam e reproduzem o ciclo de nascimento, crescimento, florescimento, decadência, morte e renascimento da eterna dança espiral das vidas.

A Deusa Mãe foi a Suprema divindade do planeta durante pelo menos trinta milênios, reverenciada por seu poder de gerar, criar, nutrir, proteger e sustentar todos os seres. Conhecida sob inúmeros nomes e representações de acordo com a cultura e a época, a Deusa era a própria Mãe Terra, a energia da vida e morte do planeta, venerada no ciclo das estações, nos fenômenos da Natureza, na riqueza e na beleza da terra, do céu, das estrelas, das montanhas, das águas, das plantas e dos animais.

Dois Princípios Básicos na Bruxaria

A Bruxaria, sendo caracterizada pela liberdade de pensamento, acaba por apresentar um amplo leque de linhas de pensamento e de vertentes de características bastante distintas, entretanto, alguns elementos em comum podem ser apresentados a fim de que se tenha melhor compreensão do significado da bruxaria. Elencamos dois princípios comuns, em especial, que ao mesmo tempo que ajudam a compreensão, afastam conceitos equivocados calcados em histórias infantis e preconceitos medievais à prática da bruxaria.

O Respeito ao Livre-Arbítrio - Nenhum verdadeiro bruxo buscará doutrinar aqueles que têm outro credo. Para os bruxos, a fé só é verdadeira se resulta de escolha individual e espontânea. Nenhum verdadeiro bruxo realizará qualquer tipo de magia no intuito de se beneficiar de algo que prejudicará outra pessoa. Para os bruxos, cada um tem seu próprio desafio a enfrentar. Usar de qualquer subterfúgio para escapar dos desafios que se apresentam é apenas adiar uma luta que terá de ter lugar nesta ou em outras vidas. Adiar problemas é o mesmo que acumulá-los para as próximas encarnações.

A Comunhão com a Natureza - O verdadeiro bruxo respeita a natureza, e por natureza ele entende absolutamente tudo o que não é feito pelo homem, inclusive os minerais. Quando preserva a natureza, suas preocupações não são a viabilidade da manutenção da vida humana na Terra, o verdadeiro bruxo respeita a natureza simplesmente porque se sente parte dela, porque a ama. Os bruxos não acham que a natureza está à sua disposição. Os homens, os minerais, os vegetais e toda a espécie de animal são apenas colegas de caminhada, nenhum mais ou menos importante que o outro. Ainda assim, matam insetos que lhes incomodam e arrancam mato que cresce nos canteiros de flores sem dramas de consciência. Não são falsos em suas crenças nem românticos idealistas. Acreditam que conflitos fazem parte da natureza.


SAGRADO FEMININO - PALESTRAS







vídeos encontrados, por acaso, no web site de uma leitora (Viviane - http://wiccabrasil.ning.com/video/sagrado-feminino-parte-1)
*Eu troquei a palavra homem por ser humano.


*

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

AS MULHERES PRECISAM DA DEUSA


AS MULHERES E A DEUSA

Na busca da Deusa as mulheres encontram a si mesmas. Conhecendo as antigas tradições matrifocais elas despertam o arquétipo da Grande Mãe guardado no inconsciente.

Durante milênios a Grande Mãe e suas manifestações arquétipicas como deusas ocuparam em várias culturas o centro da vida humana. Suas representações honravam e celebravam a fertilidade, a dança da vida e da morte, os ciclos da lua, as energias e os seres da natureza.

Por que as mulheres precisam da Deusa:

1. Sentem-se desnutridas espiritualmente, tendo sido alimentadas nos últimos 4000 anos somente por imagens e valores do divino masculino.

2. Precisam de imagens que reconheçam e honrem a complexidade, riqueza, beleza, poder gerador e nutridor da sagrada energia feminina, a conexão com os ciclos da lua, as energias da terra, e que celebrem os laços de sangue que ligam entre si todas as mulheres.

3. Além das imagens, necessitam também de mitos, histórias, relatos, estudos e experiências que afirmem qualidades femininas de coragem, força, criatividade, visão, paixão, cura, sabedoria, parceria, reavaliando e corrigindo a história antes escrita apenas por homens.

Mirella Faur

http://www.teiadethea.org/?q=node/102


AMARGI


Esses são apenas alguns dos motivos pelos quais as mulheres precisam resgatar o Feminino Sagrado, não apenas para devolver lhes a alma (esta que foi sufocada e oprimida pelo patriarcado) como também reconhecer suas outras polaridades e forças que vão para muito além da santa e da prostituta, ou da mulher casada e da solteira...Reconhecer a força da Grande Mãe existente no seu corpo, seu poder não apenas de gerar a vida mas como de abençoar com a morte , que no fim é apenas um novo começo e um salto para uma nova existência e revelação. A Deusa volta com sua força total não apenas como uma Mãe bondosa mas também como Senhora do Caos e das águas, a Mãe Serpente telúrica, que como a Terra estéril e seca guarda em seu interior os segredos de deis de antes do inicio dos Tempos.
Como disse uma sacerdotisa uma vez, aquela que nunca nasceu nunca poderá morrer , voltando sempre e sempre com a sua mensagem de esperança e renovação, com sua mensagem de aceitação da vida corpórea e da Alma da Mulher Terra, a Grande Mãe que vive deis do mais profundo magma no centro da Terra, como na mais longincoa parte do cosmos, sendo Éter e Matéria ao mesmo tempo, em todo lugar Criadora e Criatura ao mesmo tempo.
Urge o resgate daquela antiga mulher que em Creta deis dos tempos antigos levanta o labrys (machado-duplo ritual da Deusa Mãe em forma de borboleta) acima da cabeça em direção ao altar em gesto de bênção, urge a volta daquele homem, o filho da Deusa Terra, seu consorte e amante, filho da Deusa da Criação.Urge a volto desse homem pacifico que adorava a Terra junto com a mulher nos tempos antigos.
Urge em fim uma nova consciência da Divindade Primordial, que ao invés de ser um pai distante e transcendente lá no céu, seja uma Mãe que impregna toda a Criação.
Urge a liberdade para amar o ser amado independente de seu corpo.

Gaia Lil
Nota:
Amargi possui duplo significado em sumérico "liberdade", e "retorno a Mãe"...

domingo, 27 de dezembro de 2009

TRADIÇÃO DIÂNICA

Por Z Budapest

(Traduzido por Aphrodisiastes)


Eu tenho falado sobre o Nascimento do Movimento de Espiritualidade das Mulheres em meus discursos. Descrevi nosso primeiro Sabbath, no Solstício de Inverno, em 21 de Dezembro de 1971, em Hollywood, Califórnia; é deste ponto que eu dato o começo da espiritualidade das mulheres. Essa história está em meus livros, The Grandmother of Time (A Avó do Tempo) e Grandmother Moon (Avó Lua).

Um assunto sobre o qual eu nunca falei foi como eu estive lá. O que me fez levantar esta bandeira da Deusa? O que me mantém conduzindo-a por todos esses anos? O que eu tirei disto, pessoalmente? É mais difícil falar sobre mim do que falar sobre filosofia, teologia, política, feminismo, qualquer coisa exceto minha jornada pessoal. Por que tenho sido tão tímida? Estou com vergonha? Por que?

Mesmo agora, quando tento olhar pra trás e organizar minhas memórias, eu sinto uma pontada de “Humm, eu não importo, tudo que importa é a Causa.” Mas eu sei que estou mentindo. Esta mulher, eu, importava sim. Esta pessoa, a habitante deste corpo que é meu fiel esposo, merece um amoroso exame. Eu tenho que verter meu medo de minha própria humanidade e dizer toda a verdade que possa recordar.

Como um fenômeno começa? Leva-se a mudança dos ventos históricos, primeiro do que tudo. A sub-era de Aquário que começou em 1962 deu-nos os ventos, idéias, sentimentos, e os Beatles, que colocaram isto na música. A Música se tornou um ato político. Sim, aqueles decisivos ventos históricos, controlados por ninguém, tinham que começar soprando, decidindo quais canções se tornariam as primeiras nas paradas de sucesso. Forças coletivas invisíveis estão trabalhando quando os ventos mudam, e nós os inalamos como a doce fumaça das ervas sagradas, sentindo-os expandir nossas mentes e horizontes, sentindo o vento alcançar uma geração viva e erguê-la. Foi um vento, e foi uma onda. Surfar na história é uma experiência pesada, especialmente quando isto conduz uma geração inteira de jovens a um mundo novo.

Onde nós estávamos? Nós tínhamos acabado de sair dos anos Sessenta. A América estava mudando. Deus estava morto e as mulheres estavam marchando. Mulheres estavam marchando pela paz e liberdade para controlarem seus corpos, e eu estava marchando pela paz e pela liberdade da alma. Eu absorvi o passado feminista, li Susan B. Anthony, mas acima de tudo me modelei segundo Elisabeth Cady Stanton, a rebelde espiritual do século 19. Sua notável vida produtiva, um milagre por si só, fascinou-me. Esta mulher gerou sete crianças e escreveu todos os discursos para Susan B., sua melhor amiga. Uma solteirona, Tia Susan cozinhava e ajudava a cuidar de muitas crianças, apenas para deixar claro, ela fez com que um ótimo discurso sobre a luta pelos direitos de voto para as mulheres fosse levado às ruas. Eu li a respeito destas mulheres que tinham trabalhado muito por um direito que as demais mulheres deveriam agradecer agora, e gradativamente comecei a perceber que eu, também, tinha um destino.

Também se leva um ano fatídico para uma única mulher gerar mudança. Para continuar nesta jornada uma mulher precisa de um desejo que seja incontrolável, um profundo desejo que se alimente na mais profunda fonte da psique humana, nas cavernas das Moiras. Daí em diante ela deve desistir de tudo que não a conduz a sua meta. Ela deve ter uma mudança total das circunstâncias, deixando para trás família e casa. Ela deve encarnar esta alta meta, respirá-la, vivê-la, manifestá-la. E ao fazer isso, ela dá a luz a si mesma. Para mim, isso significou deixar meu casamento, a Costa Leste, e a Cidade de Nova York.

Eu tinha trinta anos de idade. A ignorância paralisante tinha feito do meu progresso através do meu primeiro Retorno de Saturno, uma batalha dolorosa. Eu não sabia que era normal na vida de alguém ficar preocupado aos vinte, pois todas as certezas se dissolvem. Eu não sabia nada do poder dos desígnios do destino. Eu estava mudando, mas não sabia como. Eu tive que deixar Nova York, a maravilha super-povoada, sem árvores e barulhenta na maioria das vezes. Nova York, aonde ir do ponto A ao ponto B era um esforço diário enorme, arremessando o corpo de alguém contra os tubos escuros de metal sob a estrondosa terra. No fedor de um lugar, onde os homens se aliviam na escuridão das ladeiras e corredores, qualquer um podia sentir o mau cheiro agressivo do patriarcado. O fato disto ser “normal”, permitido, e tolerado era profundamente ofensivo pra mim. Se mulheres tivessem urinado por todos os metrôs de Nova York, teria havia um protesto público por civilidade. Mas estava tudo bem para os homens. Não havia civilidade em Nova York. Ver um homem qualquer se expondo quando o trem se afasta, olhando diretamente em seu rosto, era quase preferível ao fedor de urina (especialmente no Verão).

Eu não achei ninguém que me amasse em Nova York. Estava preparada para ter relacionamentos amorosos, para ser satisfeita na cama. A cultura encorajava o sexo. Sexo era glorificado em canções e em peças. Eu estava no auge da minha beleza, e ainda não conseguia achar uma parceira para amar. Verdade, eu fui casada, mas era o tipo de casamento Europeu, um de conveniência, no qual nós eramos livres para fazer o que desejássemos, romanticamente e sexualmente. Na Europa isto teria sido ideal. Lá, ter casos era o que mantinha os cônjugues juntos. Eu estudei teatro na Academia Americana de Artes Dramáticas e estava lendo tudo do Young, Kerenyi, Adler. Gradualmente comecei a entender bastante o significado da magia popular que havia encontrado na Hungria quando era criança. Minha mãe foi uma psíquica, e eu percebi que eu era a herdeira de uma tradição de poder feminino. Fui lentamente descobrindo o princípio feminino em minha própria pessoa. Ser uma mulher nunca foi uma dúvida pra mim, eu era feminina e esperta. Mas agora eu pertencia a um grupo maior de mulheres, o qual seus destinos afetavam o meu. O que quer que tivesse acontecido a este grupo de mulheres certamente estava acontecendo a mim. Que estranho. Ser mulher era agora uma coisa complexa, de fato, era totalmente revolucionário. Quem teria pensado que esta coisa simples, minha identidade feminina, poderia tornar-se tanto! Eu fiquei encantada com isto, aproveitei a atenção, e senti que estava ganhando confiança.

Precisa-se de vontade comum de um pequeno grupo, que está de acordo com a mulher personificando a vontade, para criar uma “meta sagrada” ou uma “missão”. Mulheres são feitas para missões, ninguém pode advogar melhor do que uma mulher. Quando uma mulher começa alguma coisa, centenas de mulheres começam alguma coisa, milhares de mulheres começam alguma coisa, e isso cresce, e o fenômeno se revela. Uma missão é alimento para a vida – o alimento da alma. É quando a alma é reconhecida pela mulher vigorosa e é bem-vinda. Missões são história. Missões são necessárias. Se você não tem a energia para advogar por si mesma, ninguém mais o fará. É por isso que as mulheres devem advogar elas mesmas: os homens nunca farão isto (veja na própria história). Muitos pensam que nós já conseguimos ir muito longe com esta coisa de “liberação das mulheres”. Eu digo que não fomos longe o suficiente.

Qual era a missão? Quando todos aqueles fatores se uniram – o novo movimento de Liberação das mulheres, minhas leituras sobre o Movimento de Direitos das Mulheres, psicologia Jungiana e mitologia – eu percebi que o que o Movimento estava precisando era de uma dimensão espiritual. Nós precisavamos recuperar a Deusa para as mulheres e gerar uma nova cultura pacífica que incluísse as artes sagradas. Nós precisavamos suscitar os veneradores da natureza, devotos da Deusa, e encher essas atividades com energia. Trazer recurso para as mulheres assim como fazer das mulheres um importante recurso para o país. Trazer devolta a Senhora, a Grande Deusa que eu tinha venerado como a “Mulher Feliz” e “Boldogasszony” quando era criança.

Não poderia fazer isso em Nova York. Deixando tudo pra trás, eu parti para a Costa Oeste e terminei no Sul da Califórnia. Quando coloquei meus pés pela primeira vez no primeiro Centro de Mulheres (apenas com seis meses de inaugurado), em Crenshaw Boulevard em Los Angeles, um evento histórico e decisivo aconteceu. O Feminismo encontrou a Bruxaria. Deveria ter havia um rufar de tambor quando eu entrei , uma bruxa hereditária da Europa Central onde as fadas uma vez dançaram. A arte popular e as canções populares com as quais eu fui criada reverberaram em minha memória quando escutei música Mexicana nos arredores do Mission District no centro da cidade de Los Angeles. Esta fusão do antigo e do novo – da tradição da bruxa Européia e do feminismo do século vinte – foi uma audaciosa mistura. Isto deu dentes ao feminismo e relevância à bruxaria. Nunca houve uma bruxa feminista antes.

O conceito foi tão estranho, e ainda tão natural. Todos viam a bruxa como um arquétipo, uma megera com um chapéu pontudo voando em uma vassoura. O arquétipo feminista não era mais animador, a imagem de uma “Mulher Libertária” era a de uma mulher nada atraente com uma grande boca, um monte de palavras sabichonas, com confortáveis sapatos. Mulheres fora de controle. Irmandade, um grupo de lésbicas. Lugar onde os “espadas” vão para morrer. Primeiramente, Feminismo e Bruxaria não gostaram um do outro. As feministas diziam que elas não precisavam de nenhuma religião – que religião é sempre ruim. As bruxas diziam que elas não precisavam de políticas, muito obrigada. Eu estava ficando entre elas, internalizando ambas sem qualquer problema, e sabia que elas teriam que se misturar umas as outras se a revolução das mulheres desejasse durar.

Políticas/ativismo como um modo de vida é importante, mas acaba com as pessoas. É onde os movimentos mais erram. Conseqüentemente, há muito trabalho e nenhum divertimento, e as pessoas voltam para casa. O que uma mulher faz depois de panfletos e tumultos e de trabalho duro? Vai beber? Fumar um “baseado”? Isto vai preencher o vazio? Dificilmente.

Eu já tinha visto mais história de perto do que muitos. A Segunda Guerra Mundial aconteceu antes que eu aprendesse a andar. O ambiente sustentador de minha infância foi destruído. Eu aprendi a andar e a falar em um abrigo subterrâneo, o lugar onde nós habitualmente guardavamos nosso carvão para o inverno. Nós éramos bombardeados várias vezes ao dia. De manhã, eram os Alemães, de tarde os Russos. Por volta das 4:00 da madrugada, os pesados aviões Americanos de bombardeio voavam sobre nossa cidade como se fossem a própria morte com asas. Eu me deitei rezando para que eles não destruíssem nada na minha casa, para que então, um dia, pudessemos sair dali. Sim, eu conhecia a história e o que estas decisões significavam, humanos contra humanos, fogo e pobreza, mulheres arrastadas para serem estupradas, água suja, diarréia, pessoas como minha avó morrendo de fome. Eu estava muito ciente da história.

Eu cresci durante a Ocupação Comunista da Hungria. Quando a Revolução Húngara rompeu em 1956, eu tinha desesseis anos. Compartilhe da excitação extasiante de se erguer contra o oppressor e o horror de ver meus colegas de classe assassinados quando os Comunistas revidaram. Eu sai da Hungria e escapei pela fronteira, determinada a ser livre.

Embora muitas das pessoas que eu conheci em Los Angeles naqueles dias não tivessem tido uma infância tão excitante, nós fomos uma interessante geração. John Lennon, dos Beatles, nasceu no mesmo ano que eu, Ringo Starr também, foi um ano decisivo para muitos de nós. Nós éramos a Geração da Semente. Nossos pensamentos e sentimentos sobrevivem nas canções dos Baby Boomers¹. Foi esta geração semeadura que criou o conteúdo emocional para a vinda da enorme explosão musical, cultural e sexual.

Assim como muitas coisas, nosso movimento não foi planejado. Ele apenas brotou. Uma semente sabe que vai ser uma árvore quando brota no solo? Foi assim conosco. As mulheres que vieram à loja de velas Feminist Wicca estavam famintas por conhecimento, por poder, por ritual. Nós costumávamos converser sobre como seria celebrar os Mistérios das Mulheres do jeito que nossas antigas mães celebravam há muito tempo atrás. Pessoas diziam que não se podia mas fazer isto nos dias de hoje, mas por que não?

Eu decide que havia chegado a hora. Em 21 de Dezembro de 1971 eu disse que ia fazer um ritual para celebrar o retorno da luz. Mulheres que quisessem se juntar a mim deveriam ir ao meu flat em Hollywood ao pôr-do-sol. Eu não sabia quem apareceria, mas a Deusa sabia. Quando começou a escurecer havia seis mulheres na sala, seis ótimas amigas trançando as cintas das bruxas com lã vermelha, a cor da vida e do sangue. Minha mãe tinha me ensinado a fazer um círculo, a dar as mãos e deixar a energia crescer. Nós chamamos as ancestrais para se juntarem a nós. Uma das mulheres começou a cantar.

Juntas, nós rezamos e nós cantamos, chamando a Deusa para pegar a semente dos mistérios das mulheres do passado e cultivá-la como uma religião de mulheres indígenas. Nós rezávamos por justiça social e pelas bênçãos da terra. Queríamos alguma coisa que fosse ao mesmo tempo tradicional e revolucionária. Nós estávamos removendo o antigo poder do deus masculino sobre as mulheres. Quando tínhamos terminado de abençoar todas e tudo nós podíamos perceber que aquilo era necessário, nós saímos ao ar livre. Até então não tivemos nenhuma chuva naquele inverno, mas naquele momento conseguímos ver que as nuvens estavam sobre nossas cabeças. Eram lindas, girando com as formas de espíritos. Nós levantamos nossas mãos ao céu, e uma suave e saudável chuva começou a cair.

Depois disso, nós sabíamos que tivemos alguma coisa boa. Aquele primeiro ritual deixou-nos elevadas por dias. O que falavam era que bruxas davam ótimas festas, mas nós todas sabíamos que estavamos fazendo algo mais. Um pequeno grupo de nós começou a se reunir para rituais e cada vez que nos encontrávamos, haviam mais mulheres. Quando super-lotamos o apartamento, começamos a realizar rituais ao ar livre. Costumávamos nos encontrar na praia. Cavavamos a areia e colocavamos nossas velas lá, protegidas do vento. As mulheres trouxeram flores, cristais, fotos de antepassados falecidos.

A Deusa nos ensinou como venerá-la e nós ensinamos umas as outras. Eu aprendi como esclarecer o que era necessário, e a necessidade me ensinou como ser uma sacerdotisa. Nenhuma de nós queria uma hierarquia – este era o antigo estilo masculino do qual nós estavamos tentando nos livrar. Não seria bom se eu tentasse dizer a alguém o que fazer. Mas eu achei que podia conseguir com que todas participassem, observando a energia coletiva, aceitando o que as diferentes mulheres estavam fazendo e liderando o grupo para apoiá-las. “A Deusa está viva!” eu gritava, “A Magia está em ação!” A Religião não deveria ser séria; deveria ser extasiante. Deveria ser um poder que queima em seu ventre e canta em sua alma. Nós gritávamos, nós uivávamos, nós cantávamos. Sentíamos o poder da face feminina de Deus e Ela era impressionante. Tivemos um ótimo tempo, e nossos números cresceram e cresceram.

Este foi o começo. Muitos livros depois, publiquei Summoning the Fates (Convocando as Deusas do Destino²), no qual eu entendi muito mais sobre como a mão das Deusas do Destino organizam a vida de alguém de acordo com a missão destinada. Destinos e vida são conceitos permutáveis. Podemos fazer planos; as Deusas do Destinos vêm de qualquer jeito e finalizam.

Desde que eu entrei no terceiro destino em minha vida, as Deusas do Destino se tornaram entidades confortantes. Quanto mais você aprende sobre elas, mais você aprecia a si mesma, e mais felicidade e paz metal você alcança.

Nota da Tradução:

¹ Pessoas que nasceram durante o período democrático após a Segunda Guerra Mundial.

² Conhecidas em Inglês como Fates, Moiras na mitologia grega e Parcas na mitologia Romana, eram três Deusas mitológicas que regiam os destinos das pessoas e dos Deuses.


IN: http://escritosdezbudapest.blogspot.com/



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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

O MITO DA RODA DO ANO


Em Samhain, o Festival do retorno da Morte, os portões dos mundos se abrem e a Deusa transforma-se na Velha Sábia, a Senhora do Caldeirão, e o Deus é o Rei da Morte que guia as almas perdidas através dos dias escuros de Inverno.

Em Yule, a escuridão reina como se estivéssemos no caldeirão da Deusa. Assim, o Rei das sombras transforma-se na Criança da Promessa, o Filho do sol, que deverá nascer para restaurar a Natureza.

Em Candlemas, a luz cresce, o Deus nascido em Yule se manifesta com todo seu vigor, e a Criança da Promessa cresce com a vitalidade e é festejada, pois os dias tornam-se visivelmente mais longos e renova-se a esperança.

Em Ostara, luz e sombras são equilibradas. A luz da vida se eleva e o Deus quebra as correntes do inverno. A Deusa é a Virgem e o Deus renascido é jovem e vigoroso. O amor sagrado da Deusa e do Deus é a promessa do crescimento e da fertilidade.

Em Beltane, a Deusa se transforma em um lindo Cervo Branco e o jovem Deus é o Caçador alado. Ao ser perseguida pela floresta, o Cervo Branco se transforma em uma linda mulher, e assim Eles se unem e a sua paixão sustenta o mundo.

Chega então Litha, a Deusa é a Rainha do Verão e o Deus, um homem de extrema força e virilidade. O Sol começa a minguar e o Deus começa a seguir rumo ao País de Verão. A Deusa é pura satisfação e demonstra isso através das folhas verdes e das lindas flores do verão.

Em lammas, a Deusa dá a luz e o Deus novamente morre pela Deusa. A Deusa precisa de sua energia de vida para que a vida possa crescer e prosseguir. O Deus se sacrifica para que a humanidade seja nutrida, mas através do grão Ele renasce. No ápice de sua abundância, ele retira através Dela.

Em Mabon, as luzes e as trevas se equilibram novamente; porém o Sol começa a minguar mais rapidamente. O Deus torna-se então o Ancião, o Senhor das Sombras.

Chega novamente Samhain e então o ciclo recomeça, e assim tudo retorna à Deusa. Assim sempre foi e será!

IN: http://www.circulosagrado.com/
SABBATHS

No decorrer do ano lunar, ou 13 lunações, as Bruxas comemoram 8 Sabbaths, ou seja, rituais associados ao nascimento do Deus Cornífero, seu casamento com a Deusa e, posteriormente sua morte. O conceito de morte, para nós, representa a renovação da vida, e é tão somente, a passagem do plano material para o espiritual.

Estas celebrações também apresentam correspondência com as quatro estações do ano:

Na Primavera, comemora-se o renascimento da Natureza, que após ter passado longo período na escuridão do Inverno.

Já no Verão cultua-se a Natureza, que agora se apresenta exuberante e o Sol que posiciona-se alto e forte no céu.

Com a entrada do Outono e os dias menores, é hora de se preparar para enfrentar a noite e a morte do Inverno que se aproxima.

Logo abaixo farei uma descrição mais minuciosa sobre cada data, convém que você leia se realmente quiser fazer parte deste Mundo Novo das Bruxas. Você além de adquirir cultura geral, vai precisar deste conhecimento para tornar-se bruxa. É bem interessante!

Obs: Como pertencemos ao Hemisfério Sul, as Festividades devem obedecer as suas datas correspondentes.

LAMMAS

Data: 01 de fevereiro(HS)/01 de agosto(HN)

Nomes alternativos: Lughnashad, Elembious

Cor: cinza, ouro, verde, amarelo, laranja

Símbolo: pães, grãos

Deuses: da colheita, fartura, grãos. O principal Deus cultuado neste Sabbath é Lugh

Cristais: citrino, peridoto e topázio

Alimentos: pães, nozes, e milho (sementes e cereais)

Bebida: vinho, chá de camomila

Frutas: melão, laranjas, bananas e abacaxi

Incenso: aloés, rosas e sândalos.

Este é o primeiro dos três SABBATHS da colheita.

Lammas ou Lughnasad é tipicamente agrícola, onde se agradece ao deus celta “Lugh”e as deusas do grão. Lugh é o Deus do Sol, na Mitologia Celta. Grande guerreiro, derrotou gigantes que exigiam sacrifícios humanos.A Tradição Wicca pede que neste Festival sejam confeccionados bonecos com espigas de milho ou ramas de trigo, representando os Deuses, que são chamados de Senhor e Senhora do Milho. Nesta data agradecemos a primeira colheita do ano, sejam elas boas ou más, pois sabemos nem só de felicidade vive o homem, e que os problemas auxiliam em nossa evolução.

O outro nome de Sabbath é Lamas, que significa "A massa de Lugh". Isso se deve ao antigo costume de se colher os primeiros grãos e fazer um pão que era dividido entre todos. Se você pertence a um coven, peça para que todos os membros façam um pão comunitário que deverá ser consagrado junto com o vinho e repartido dentro do círculo. NÃO ESQUEÇA que o primeiro gole de vinho e o primeiro pedaço de pão devem ser jogados dentro do CALDEIRÃO juntamente com papéis onde serão escritos os agradecimentos e grãos de cereais.O boneco representando o Deus do Milho também é queimado, para nos lembrar que devemos nos livrar de tudo que é antigo e desgastado para que possamos colher uma nova vida.

O altar deve ser enfeitado com sementes, ramos de trigo, espigas de milho e frutas da época.

Todos estes rituais tinham uma conotação maior para época em que foram criados. Hoje vivemos em pleno século XXI, em grandes centros urbanos, uma realidade totalmente distinta de 4.000 anos atrás. Não plantamos, nem colhemos, compramos nossa alimentação diretamente de supermercados, mas o que não podemos esquecer é de agradecer aos Deuses a comida que chega até nossa mesa. Ela é também fruto de muito trabalho, mesmo que não seja arando a Terra.



RITUAL DE LAMMAS

MATERIAL:

Muitos pães

Porções de cereais e sementes

Cesta de fibra natural

Boneco de Lammas. (você mesmo pode faze-lo)

Trace o círculo de proteção e organize o altar. Dentro da cesta coloque os pães e os cereais; ao lado coloque o boneco de Lammas (feito de pano branco e recheado com grãos de milho) e o vinho.

Cada ano se faz um boneco novo e queima-se o do ano anterior.

Agradeça com suas palavras os deuses por tudo que a natureza fornece para a nossa sobrevivência.

Neste dia são feitos feitiços voltados para o benefício de toda a humanidade e não pessoal.

Ao encerrar, não esqueça de fechar o círculo de proteção.

SAMHAIN

Data: 01 de maio(HS)/31 de outubro(HN)

Nomes alternativos: Halloween, Noite de Saman, Samana, Samaine, Hallowmas, Hallow'sEve

Cor: preto e laranja

Símbolo: Caldeirão, Jack o' lantern (lanternas de abóboras)

Deuses: velhos, da morte, Deuses do sacrifício e sabedoria, principalmente Saman, o Deus Celta da morte

Cristais: obsidiana, turmalina negra, ônix

Alimentos: tortas, bolos, maçãs e milho

Bebidas: vinho, champanhe, chás de ervas e flores

Frutas: abóboras, maçãs, ameixas e romã

Incenso: menta, maçã, sálvia, noz-moscada, heliotrópo

A palavra “Samhaim” é uma palavra celta que se deriva de “Samana, o Deus da Morte" . Considerada como a noite de todas as almas, é quando as fronteiras entre o mundo físico e o espiritual se abrem, permitindo a comunicação entre eles. É o tempo ideal para nos comunicarmos com nossos mortos. O sentido do Hallowenn é nos sincronizarmos com quem já partiu para enviar-lhes mensagens de amor e paz. Os nomes das pessoas que já se foram devem ser queimados no Caldeirão, mas nunca com sentimento de tristeza, pois nós Wiccanos, sabemos que, aqueles que perdemos nesta vida, irão renascer e, um dia, iremos nos encontrar novamente nesta jornada de evolução. NÃO ESQUEÇA de colocar as tradicionais máscaras de abóbora com vela dentro nos quadrantes. Antigamente as pessoas colocavam essas abóboras na janela para espantar os maus espíritos e os duendes que vagavam pela noite do Samhain .

É também,quando a Deusa se despede do Deus Cornífero, que deixa o mundo físico para se tornar a semente de seu próprio renascimento em Yule (próximo Sabbath).

Esta data marca o início e o fim do calendário Celta (ano-novo). É, portanto, uma noite de alegria e festa, pois marca o início de um novo ano e conseqüentemente novas esperanças. Devemos comemorar com muito ponche, bolos e doces.

A cor deste Sabbath é negro, sendo que o altar deve ser adornado com muitas maçãs, o símbolo da Vida Eterna.



RITUAL DE SAMHAIN



MATERIAL:

Vela Preta

Caldeirão

Água Mieral

Abóbora, maçã, romã e ameixa

Ponche e Doces

Trace o círculo de proteção e erga o altar. Acenda a vela preta e coloque-a dentro do caldeirão; coloque água até a metade do comprimento da vela. Em torno do caldeirão coloque as frutas próprias para Samhain.

Recite uma mensagem aos deuses esquecidos e aos mortos. Inicie a festa servindo todos os alimentos típicos para a ocasião.

Ao encerrar, feche o círculo de proteção.



CONSAGRAÇÃO DE INSTRUMENTOS



Acenda as velas e o incenso. Trace o círculo de pedras. Apóie o instrumento sobre o pentagrama, ou em uma tigela com sal. Toque-o e diga com a ponta do punhal mágico e diga:

“Eu o consagro, ó punhal de aço (ou vara de madeira), para limpá-lo e purifica-lo para que me sirva dentro do Círculo de Pedras. Em nome da Deusa Mãe e do Deus Pai, eu te consagro.Envie a energia de proteção do instrumento, livrando-o de qualquer negatividade. Apanhe-o e borrife sal sobre ele, passe-o em meio a fumaça do incenso, através da chama da vela e borrife-o com água, chamando pelos Espíritos da Pedras para consagra-lo.

Erga aos céus o instrumento e recite:

EU o carrego pelos Antigos: pela Deusa e pelo Deus onipotente: pelas virtudes do Sol, da Lua e das Estrelas: pelos poderes da Terra, do Ar, do Fogo e da Água, para que eu obtenha tudo o que desejo por meio de vocês. Consagre isto com seus poderes, ó Antigos.



Obs: as palavras usadas neste rito baseiam-se em “A Chave de Salomão”.



RITUAL SAMHAIN –31 DE OUTUBRO

Decore o altar com romãs, abóboras e outros frutos de outono. Flores do campo e crisântemos podem também ornamentar o altar. Escreva num papel branco tudo que você deseja livrar-se: da ira, doenças, relacionamentos errados, hábitos negativos (como cigarro, bebida,etc). Coloque o caldeirão no altar com os papeis de pedidos dentro. Na sua frente, deposite um prato raso branco com o símbolo da roda do ano. Você pode pintar no prato um círculo grande com um ponto no centro. Deste ponto trace oito raios e uma ao traçado do círculo. Está feita sua roda do ano.

Antes do Ritual sente-se em silêncio e pense em seus ancestrais e amigos que já não se encontram entre nós.

Prepare o altar, acenda as velas pretas, o incenso e forme o círculo de pedras.



O CANTO DE BENÇÃOS (deve ser recitado no início de qualquer ritual)

Que os poderes do Único,

Afonte de toda criação;

Onipresente, onipotente, eterno;

Que a Deusa,

A Dama da Lua;

E o Deus,

Caçador Chifrudo do Sol;

Que os poderes dos Espíritos das Pedras,

Regentes dos reinos elementais;

Que os poderes das estrelas acima e da Terra abaixo,

Abençoem este lugar, e este tempo, e a mim que convosco estou.



ABENÇOANDO O VINHO (no final do ritual e início do banquete)



Erga ao céu uma taça de vinho ou outro líquido entre suas mãos e diga:

Graciosa Deusa da Abundância,

Abençoes este vinho e imbua-o com Seu amor.

Em seus nomes, Deusa Mãe e Deus Pai,

Eu consagro estes bolos (ou pães)



SOLSTÍCIO DE INVERNO ou YULE

Data: Por volta de 21 junho(HS)/por volta de 21 de dezembro(HN)

Nomes alternativos: Yule, Retorno do Sol e Dia de Fionn

Cor: vermelho, verde, dourado, branco

Símbolo: sempre viva, tronco de árvores

Deuses: recém nascidos, Deusas Triplas e Virgens

Cristais: rubi, granada, olho de gato

Alimentos: bolos de frutas, nozes e pães variados

Bebidas: vinho quente e frio, e champanhe

Frutas: uvas, maçãs, melões e ameixas

Incenso: Mirra, Absinto, Pinus, Almíiscar, Selo de Salomão, Hera, Escamônea, Estoraque e Incenso de Igreja.

Obs: estes incensos são usados tanto para o Equinócio de Outono como para o Solstício de Inverno. É usado na entrada de Sol em LIBRA, o primeiro dia do Outono e em CAPRICÓRNIO,o dia mais curto do ano, quando renasce da escuridão para trazer de volta a Primavera.

Se comemora o nascimento do novo filho da Deusa, o Deus Cornífero renovado e forte. No Hemisfério Norte, Yule é comemorado na época de natal, com quase o mesmo significado que da festa cristã.

As bruxas pedem proteção, coragem e novas oportunidades. São enfeitadas árvores como pinheiro ou carvalho, pendurando frutas pequenas, guirlandas de folhas e saches de ervas aromáticas (muito parecidas com as árvores de natal).

É interessante acrescentar que a maioria dos feriados cristãos, tem correlação com os pagãos, sendo que o último tem procedência bem mais antiga. Ex: Samhaim , a noite das almas (dia das bruxas), os católicos transformaram em “Noite de Todos os Santos”, e assim por diante...



RITUAL DE YULE



MATERIAL

Árvore de Yule (Pinheiro)

Velas vermelhas

Alimentos e bebidas descritas acima

Iniciar traçando o círculo de proteção e monte o altar. Coloque a árvore no centro do círculo e acenda as velas vermelhas em homenagem ao Deus Cornífero que acaba de renascer. Neste dia faça um feitiço de proteção.

Feche o círculo de proteção.



IMBOLC

Data: 01 de agosto(HS)/01 de fevereiro(HN)

Nomes alternativos: Imbolg, Imboling, Imbolc, Dia de Brid, Candelária

Cor: vermelho, branco, laranja, amarelo (cores quentes)

Símbolo: velas, bonecas de pano recheadas com ervas, flores brancas

Deuses: Jovens e meninos, Deusas Virgens ou da fertilidade

Cristais: ametista e turquesas

Alimentos: laticínios,bolos de frutas e tortas de maçãs

Bebidas: vinho, suco de morango e tomate

Frutas: maçãs, cerejas e framboesas

Incenso: manjericão e mirra.

Imbolc, quer dizer: dentro do útero. A Deusa encontra-se em vagarosa recuperação pós-parto e acorda com a energia do Sol.

Neste dia,também, homenageia-se Brigit, a Deusa céltica do fogo, Senhora da Poesia, da Inspiração, da Cura, da Escrita, da Metalurgia e das Artes Marciais.

Nesta noite as bruxas colocavam velas cor de laranja ao redor do círculo, e uma vela acesa dentro do Caldeirão. Se o ritual é feito ao ar livre, pode-se fazer tochas e girar ao redor do círculo com elas. A bruxa mais jovem da assembléia pode representar Brigit, entrando por último no círculo para acender com sua tocha, a vela do caldeirão, ou a fogueira, se o ritual for ao ar livre, o que representaria a Inspiração sendo trazida para o círculo pela Deusa. Os membros do coven devem fazer poesias ou cantar em homenagem à Brigit. Pedidos, agradecimentos ou poesias devem ser queimados na fogueira ou num caldeirão em oferenda no fim do ritual.

O Deus está crescendo e se tornando mais forte, para trazer a luz de volta ao mundo.

É hora de pedirmos proteção para todos os jovens. Devemos mentalizar que o Deus está conservando sempre viva dentro de nós a chama da saúde, da coragem, da ousadia e da juventude. O altar deve ser enfeitado com flores amarelas, alaranjadas ou vermelhas.A consagração deve ser feita pelos membros mais jovens do Coven.

Os povos antigos no rigor do inverno, permaneciam a maior parte do tempo, reclusos e aquecidos por fogo de fogueiras. Daí surgiu a necessidade de purificar estes ambientes e as bruxas começaram a realizar rituais para conseguir tal intento. Esta época também é propícia para iniciar novas bruxas.

Imbolc é chamado do Festival das Luzes, e deve-se acender muitas velas (principalmente nas janelas), para iluminar os caminhos do Deus menino.



RITUAL IMBOLC



MATERIAL:

Velas de cores quentes (vermelho, laranja, amarelo)

Flores brancas

Alimentos e bebidas já descritos.

Trace o círculo. Erga o altar. Acenda as velas e ornamente o altar com flores brancas.

Faça um feitiço de auto-purificação



EQUINÓCIO DA PRIMAVERA ou OSTARA

Data: por volta de 21 de setembro(HS)/ 21 março(HN)

Nomes alternativos: Ostara, Eostre, Dia da Senhora

Cor: branco, verde, amarelo e dourado

Símbolo: ovos, borboletas e coelhos

Deuses: Jovens, da fertilidade

Cristais: quartzo verde, esmeraldas e citrino

Alimentos: ovos cozidos, bolos de mel e sementes

Bebidas: vinho, ponche de leite e iogurte

Frutas: da época

Incenso: Erva-doce, Canela, Rosa, Sândalo Vermelho, Cedro, Gerânio, Poejo, Incenso de Igreja.

Obs: Estes incensos são usados no Equinócio de Primavera/Solstício de Verão. São usados na entrada do Sol em ÁRIES ou no primeiro dia da Primavera e também em sua entrada em Câncer, o dia mais longo do ano.

Época de homenagear Ostara, a Deusa da Primavera, Senhora da Fertilidade, cujo símbolo é o coelho. Foi deste antigo festival que teve origem a Páscoa. Os membros do Coven devem usar grinaldas, e o altar deve ser enfeitado com flores e ovos pintados. Eles simbolizam a fecundidade e renovação. Os ovos que forem pintados crus com símbolos mágicos, devem ser enterrados e os cozidos comidos (mentalizando seus desejos). Mas antes disso, todos os membros do Coven devem girar de mãos dadas para energizar os pedidos (todos referentes à fertilidade). O sol voltou e a natureza se veste de flores e os animais procuram parceiros para acasalar. O Deus atingi sua maturidade e se apaixona pela Deusa. Ela está fértil, e a semente da vida é semeada em seu ventre. Primavera é vida, é alegria. É a hora de fazer feitiços ligado a alcançar coisas novas: um novo amor, uma nova casa ou um novo emprego.



RITUAL DE OSTARA



MATERIAL:

Ovos cozidos e crus pintados com símbolos mágicos Tintas multicoloridas

Velas diversas cores

Flores do campo

Trace o círculo e monte o altar. Pinte os ovos com símbolos mágicos ou bem coloridos. Acenda as velas coloridas e ornamente o altar com bastante flores do campo.

Faça uma homenagem à Deusa e em seguida prossiga com um feitiço ligado a novos caminhos. Em seguida sirva os alimento.



BELTANE



Data: 31 de outubro(HS)/01 de maio(HN)

Nomes alternativos: Véspera de Maio, Rudemas, Giamonios

Cor: vermelho, branco e principalmente o verde

Símbolos: cestas, flores, Maypolle

Deuses: das flores, fertilidade e sexualidade

Cristais: esmeraldas, safira, topázio

Alimentos: salada de ervas, bolo de cereais

Bebidas: vinho tinto, suco de uva e laranja

Frutas: todas as de cor vermelha e verde

Incenso: olíbano, rosa e jasmim.

Feriado oposto a Samhaim, tanto em data, quanto em significado. O significado da palavra “Beltrane” é “fogo de Belenos”. É o Sabbat da fertilidade em que o Deus e a Deusa se casam. As fogueiras são acesas e os Postes de Maio levantados, é festa para ninguém botar defeito. Em Beltane se acendem duas fogueiras, pois é costume passar entre elas para se livrar de doenças e energias negativas. Se não houver espaço para as fogueiras, acenda duas velas ou tochas. Os Postes de Maio (poste enfeitado com fitas coloridas) também fazem parte da Tradição. Cada membro do Coven escolhe uma fita e em seguida, devem girar trançando a fita,como se estivessem tecendo o próprio destino, colocando-o sobre a proteção da deusa.

Todas as bruxas sabem que JAMAIS DEVEM SE CASAR EM MAIO, pois este é o mês dedicado ao casamento do Deus e da Deusa.

É um bom temo para renovar esperanças e conseguir um amor.

Este foi um dos primeiros feriados a serem destituídos pela Igreja, pois os padres celibatários da época, consideravam estes festejos como pecado e ofensa à Deus.



RITUAL DE BELTRANE



MATERIAL

Caldeirão

Lenha para fogueira

Fósforos Flores e folhas

Tronco alto e reto

Água mineral

Velas verdes

Fitas coloridas.



Trace o círculo e erga o altar. Enfeite o altar com flores e folhas. Acenda duas fogueiras (ou duas velas) e coloque o caldeirão à esquerda, cheio d‘água e flores. Á direita coloque o “Mastro de Maio” (tronco com várias fitas presas na ponta superior, que devem ficar caídas até atingirem o nível da parte inferior do tronco). Cada bruxa pegará uma das pontas das fitas e dará voltas em torno do tronco, no sentido horário. Deve-se render homenagens à Deusa e ao Deus. Faça um feitiço para o amor, que com certeza conseguirá o que deseja. É comum nestes rituais usar máscara de folhas e também pular uma pequena fogueira. Este ritual estimula a fertilidade.

Não se esqueça de servir muitas frutas vermelhas e vinho tinto.

Feche o círculo de proteção.



SOLSTÍCIO DE VERÃO ou LITHA



Data: Por volta de 21 de dezembro(HS)/por volta de 21 de junho(HN)

Nomes alternativos: Litha, Feill-Seathain, Midsummer

Cor: verde, azul e laranja

Símbolos: penas, disco solar, o Sol

Deuses: Deuses solares (Mercúrio, Thor, Cernunnos) e Deusas grávidas

Cristais: esmeralda, citrino, jade e aventurina

Alimentos: vegetais frescos e pão de cereais

Bebidas: vinho, leite, suco de laranja, limão e cerveja

Frutas: tropicais como o abacaxi, carambola, banana

Incenso: rosa, olíbano, mirra, pinho e limão.

Esta é a época excelente para nos conectarmos com as energias masculinas que estão em seu ápice, seguindo as velhas tradições.

Neste dia o Sol atingiu sua plenitude, ou seja, o Touro Dourado, o Sol, está em seu zênite. É o dia mais longo do ano. O Deus chega ao ponto máximo de seu poder. É tempo de se render homenagens ao Sol, que fertiliza toda a natureza. Neste dia pode-se fazer todos os tipos de feitiços. Mas não devemos nos esquecer que, embora o Deus esteja em sua plenitude, é nessa hora que ele começa a declinar. Logo ele dará o último beijo em sua amada, a Deusa, e partirá no Barco da Morte, em busca da Terra do Verão. Tudo no universo é cíclico, devemos não só ligarmos à plenitude, mas também aceitar o declínio e a Morte, neste dia, costuma-se fazer um círculo de pedras ou de velas vermelhas.

Queimam-se flores vermelhas ou ervas solares (ex.: Camomila) juntamente com os pedidos no caldeirão.É época também de se colher ervas e fazer amuletos protetores. O corpo e o físico são reverenciados nesta época.

Sugestões para decorações de altar podem incluir maçãs e penas. Direcione suas orações de abundância e prosperidade para Danu, a Deusa Mãe Celta.

Muitos monumentos antigos estão alinhados com o Sol neste momento da Roda do Ano céltica, o mais famoso deles é Stonehenge na Inglaterra.





RITUAL LITHA

Antes de iniciar o ritual faça um saquinho com uma gaze e dentro dele coloque as ervas lavanda, camomila, erva de são-joão, e verbera. Despeje mentalmente todos seus problemas, aflições, doenças junto com as ervas. Feche a boca do saco com uma fita amarela e coloque-o sobre o altar. No seu altar deve estar o caldeirão, uma vela vermelha (para homenagear a Deusa) e uma vela preta (para homenagear o Deus Cornífero), pentagrama, athame e incenso. Ornamente seu altar com abacaxis, bananas, pão de cereais, penas e flores de girassóis. Se o ritual for ao ar livre, acenda uma fogueira. As fogueiras do verão, são dotadas dos eflúvios da luz e do calor do Sol, que nos dá, por algum tempo, poderes acima dos normais para curar enfermidades que ameaçam a vida do homem.

Trace o círculo de pedras:

1- NORTE -posicione a primeira pedra representando o ESPÍRITO DA PEDRA NORTE. Em seguida ajuste as do LESTE, SUL e OESTE. Apanhe a seguir um barbante branco e reforce o traçado do círculo.

RECITE O CANTO DAS BÊNÇÃOS

O Canto de Benções

Que os poderes do Único

A fonte de toda criação;

Onipresente, onipotente, eterno;

Que a Deusa,

A Dama da Lua;

E o Deus, Caçador Chifrudo do Sol;

Que os poderes dos Espíritos das Pedras,

Regentes dos reinos elementais;

Que os poderes das estrelas acima da Terra abaixo, Abençoem este lugar, e este tempo, e a mim que convosco estou.



INVOQUE A DEUSA E O DEUS

Invocação ao Deus



Deus brilhante,

Rei dos Deuses,

Senhor do Sol,

Mestre de tudo o que é silvestre e livre;

Pai dos homens e mulheres;

Amante da Deusa Lua e protetor dos Wiccanos:

Compareça, eu peço,

Com seu raio solar de poder

Cá em meu círculo!

Invocação à Deusa



Graciosa Deusa,

Rainha dos Deuses,

Lanterna da noite,

Criadora de tudo o que é silvestre e livre;

Mãe de homens e mulheres;

Amante do Deus Cornudo e protetora de todos os Wiccanos;

Compareça, eu peço,

Com seu raio lunar de poder

Cá em meu círculo!

DE PÉ COM O ATHAME ERGUIDO DIGA:

Eu celebro o ápice do verão com ritos místicos.

Ó Grande Deusa e Deus,

Toda a natureza vibra com suas energias

E a Terra é banhada com calor e vida.

Este é o momento de esquecer problemas passados;

Agora é hora da purificação.

Ó ígneo Sol,

Queime o que é inútil,

O que machuca,

O mal,

Com seu poder onipotente.

Purifique-me!

Apanhe o o seu sachê com ervas e pedidos e acenda-o na vela vermelha do altar, ou então jogue-o na fogueira. Enquanto queima diga:

Eu os elimino pelos poderes da Deusa e do Deus!

Eu os elimino pelos poderes do Sol, da Lua e das Estrelas!

Eu os elimino pelos poderes da Terra, do Ar, do Fogo e da Água!

Visualize todas as dores e sofrimentos serem queimadas pela fogueira e irem embora da sua vida. Diga então:

Ó Graciosa Deusa, Ó Gracioso Deus,

Nesta noite mágica de meio verão

Peço que carreguem a minha vida com alegria

Ajudem-me a comungar com as energias

Suspensas no ar encantado da noite.

Eu agradeço!

Faça uma parada para refletir. Sinta a energia da Natureza fluir através de você. Visualize a luz dourada divina entrando pelo seu chakra coronário e invadir todo seu corpo. Conecte-se com a Deusa e o Deus. Permaneça refletindo por uns 10 minutos, depois inicie a celebração de seu banquete.

Este Festival é ideal para prática de qualquer tipo de magia, curas, magias de amor e proteção são especialmente indicadas. Não se esqueça de pular sobre o fogo da fogueira para purificar-se e renovar as energias.



RITUAL DE LITHA

(realizado durante o dia)



MATERIAL:

Flores solares (gira-sóis)

Incenso de uma erva solar.

Faça o círculo, erga o altar e o adorne com flores e queime o incenso. Este ritual deve ser realizado ao ar livre à luz do sol e deve-se fazer uma homenagem ao Deus em seu aspecto solar e à Deusa em seu aspecto de natureza. Pode-se fazer qualquer tipo de feitiço neste dia.

Deve-se servir frutas e vegetais frescos.

Não esqueça de fechar o círculo depois que encerrar o ritual.

Os dias e as noites do solstício de verão estão repletos de grande poder e magia. É quando Pã e todos os tipos de fadas e elfos andam correndo soltos por toda parte. É tempo de viagens, festas ao ar livre e muita diversão.



MABON – SOLSTÍCIO DE INVERNO



Data: por volta de 21 de março(HS)/por volta de 21 de setembro(HN)

Nomes alternativos: Mabon, Colheitas dos vinhos, Banquete de Avalon.

Cor: laranja, vermelho, marrom, verde e amarelo

Símbolo: maçã, abóbora, cornucópia

Deuses: da colheita, Deuses Velhos e principalmente Mabon, o Deus Celta do amor

Cristais: ágata, lápis-lazúli, safira, cornalina

Alimentos: derivados de milho, trigo e todos os tipos de raízes e sementes como cenouras, batatas e nozes

Bebidas: vinhos e sucos de frutas

Frutas: maçãs e romãs

Incenso: benjoim, mirra e salvo.



No Panteão Celta, Mabon, também conhecido como Angus, era o Deus do Amor. Nesta noite devemos pedir harmonia no amor e proteção para as pessoas que amamos. Esta é segunda colheita do ano. O Altar deve ser enfeitado com as sementes que renascerão na primavera. O Chão deve ser forrado com folhas secas.

É tempo de tristeza para a Deusa, pois breve o Deus deixará o mundo físico, mergulhando então na escuridão. As folhas começam a cair, o dia não tem mais tanta luminosidade e a natureza prepara-se para o inverno. Inicia-se o período negro do ano. É tempo de meditação sobre a morte. Toda bruxa sabe que a morte, nada mais é , que o fim de um ciclo e início de outro. É exatamente por isso, que comemora-se os Sabbaths: reverenciando a morte e regozijando a vida. Mas, apesar de ter conhecimento de tudo, a Deusa está amargurada e sua tristeza é retratada no aspecto sombrio que adquirem os dias de outono.

Também é o Festival em que se pede pelas pessoas doentes e mais idosas que precisam de nossa ajuda e de homenagear nossas antepassadas femininas (nossas vózinhas bruxas), queimando papéis com seus nomes no Caldeirão e lhes dirigindo palavras de gratidão e bênção.



RITUAL DE MABON

MATERIAL:

Galhos e folhas secas

Óleo de patchuli

Velas pretas

Trace o círculo, erga o altar. Unte as velas pretas com óleo de patchuli, coloca-as em forma de círculo (representando a Roda do Ano) e disponha os galhos e folhas secas em volta e no chão.

Faça uma homenagem à Deusa e despeça-se do Deus. É hora de se fazer feitiços para afastar pessoas indesejáveis e problemas.

Celebre com frutas e bebidas.

Ao encerrar feche o círculo de proteção



Quando terminar os Sabbaths:

Sempre coma os alimentos que foram consagrados e se possível divida-os entre familiares e pessoas queridas.

Tudo aquilo que for consagrado como velas, ramos de trigos, fitas e outros materiais que não forem utilizados, devem ser distribuídos às pessoas que você goste.

A libação sempre deverá ser feita ao término da realização do Sabbath.

Os resíduos de velas, incensos, assim como água e vinho que sobrarem devem ser depositados em um canteiro com plantas ou flores.

Sempre trace o Círculo Mágico no início dos rituais e desfaça-o ao término dos mesmo.

Texto pesquisado e desenvolvido por

ROSANE VOLPATTO

IN:
http://www.rosanevolpatto.trd.br/sabbaths.html


Observação:

Embora a maioria das pessoas realmente me achem wiccana, eu não penso extamente desta forma...Acho que estou mais pra bruxa tradicional ou uma simples feiticeira, porque bem da verdade me é muito raro invocar o Filho da Deusa...Por isso estou meio que mais pra Diânica do que para Wiccana...Quanto a Roda do Ano achei interessante e bem importante para que não confundamos com as datas comemorativas dos cristãos, que usurparam todos os festivais da Deusa e do Seu Filho-Consorte...
Enfim eu sou bem louca e é bem capaz que eu imende logo tudo de uma vez que é pra facilitar ( Não aconselho ninguem a faze-lo)


Gaia Lil

sábado, 19 de dezembro de 2009

CRETA, NOS TEMPOS DA MÃE...



A história da civilização de Creta começa por volta de 6000 a.C, quando uma pequena colônia de imigrantes, provavelmente de Anatólia, chegou pela primeira vez ao litoral da ilha. Foram eles que trouxeram a Deusa, bem como uma tecnologia agrária que classifica estes primeiros colonizadores como neolíticos. Nos quatro mil anos seguintes houve progresso tecnológico lento e estável, na cerâmica, tecelagem, metalurgia, gravação, arquitetura e outras artes, bem como um comércio florescente e uma gradual evolução do estilo artístico vivo e alegre
tão característico de Creta. Em seguida, aproximadamente 2000 a.C, Creta entrou no que os arqueólogos denominam o período minóico médio ou palaciano antigo.



Este período já estava bem dentro da Idade do Bronze, período este em que o restante do mundo então civilizado da Deusa estava sendo gradativamente substituído pelos deuses guerreiros masculinos. Ela ainda era venerada – como Hathor e Isis no Egito, Astarte ou Ishtar na Babilónia, ou a Deusa do Sol de Arina em Anatólia. Mas agora não passava de uma deidade secundária, descrita como a consorte ou mãe dos deuses masculinos mais poderosos, pois aquele era um mundo onde cada vez mais o poder das mulheres se achava também em declínio, um mundo onde a dominação masculina e as guerras de conquista e contraconquista passavam a ser a norma em
toda a parte. Na ilha de Creta, onde a Deusa ainda era suprema, não havia sinais de guerra. Ali a economia prosperava e as artes floresciam. E mesmo quando, no século XV a.C, por fim a ilha
caiu sob domínio aqueu — quando os arqueólogos não mais falaram de uma cultura minóica mas sim minóica-micênica —, a Deusa e o modo de pensar e viver por ela simbolizados ainda pareciam prevalecer.

Sob a influência minóica mais antiga — também encontrada no continente grego, o qual da mesma forma começava a entrar no período micênico — os novos senhores indo-europeus da ilha aparentemente adotaram muito da cultura e religião minóicas. Por exemplo, nas imagens do famoso sarcófago Hagia Triada do século XV a.C, já bem mais rígido e estilizado, mas ainda indiscutivelmente cretense, ainda é a Deusa quem comanda a carruagem em forma de grifo,
levando o homem morto para sua nova vida. E ainda são as sacerdotisas da Deusa, e não os sacerdotes em longos robes femininos, que representam papel central nos rituais retratados em afrescos sobre calcário. São elas que lideram a procissão e estendem as mãos para tocar o altar.
Como observou a historiadora da cultura Jacquetta Hawkes, na singular linguagem tão típica dos estudiosos: "Se isto ainda era verdade no século XIV, sua prevalência em tempos anteriores devia ser quase igualmente certa."6 Assim, no grande palácio de Cnossos era uma mulher — a Deusa, suas altas sacerdotisas ou talvez, como acredita Hawkes, a rainha cretense — quem estava no centro, enquanto duas procissões de homens se aproximavam para prestar-lhe
tributo
. E por toda a parte encontram-se figuras femininas, muitas delas com os braços erguidos em gesto de bênção, algumas com serpentes ou machados de duas lâminas nas mãos, como símbolos da Deusa.



O amor à vida e à natureza



Estes gestos de bênção reverente parecem captar de muitas maneiras a essência da cultura minóica. Pois, como coloca Platon, essa era uma sociedade em que "a totalidade da vida era impregnada por ardorosa fé na Deusa Natureza, fonte de toda criação e harmonia". Em Creta, pela última vez na história registrada, um espírito de harmonia entre mulheres e homens, como participantes iguais e alegres na vida, parece difundido. Este espírito parece brilhar na tradição artística cretense, tradição esta que, outra vez nas palavras de Platon, é excepcional em seu "prazer com a beleza, a graça e o movimento" e em seu "deleite com a vida e a proximidade da natureza".





Alguns estudiosos descreveram a vida minóica como uma "expressão perfeita da idéia de homo ludens" — do "homem" expressando nossos mais elevados impulsos através de rituais e atividades artísticas divertidas e ao mesmo tempo significativamente míticas. Outros tentaram resumir a cultura cretense com palavras e expressões como "sensibilidade", "encanto da vida" e
"amor à beleza e à natureza". Embora existam poucos (por exemplo, Ciro Gordon)que tentem desmerecer ou de certa forma redefinir o fenômeno cretense de maneira a fazê-lo ajustar-se aos preconceitos tão comumente aceitos da Antiguidade como mais belicoso e (exceto pelos hebreus) menos desenvolvido espiritualmente do que nós, a grande maioria dos estudiosos, e com certeza aqueles que realizaram extensos trabalhos de campo na ilha, aparentemente mostram-se bastante incapazes de conter sua admiração, e mesmo assombro, ao descrever seus achados.
Encontramos ali uma civilização tecnologicamente rica e culturalmente adiantada na qual, como escrevem os arqueólogos Hans-Günther Buchholtz e Vassos Karageorghis, "todos os meios de comunicação artísticos — na verdade, tanto a vida quanto a morte em sua totalidade — se embutiam profundamente em uma religião penetrante e onipotente". Mas, em contraste marcante
com outras civilizações elevadas do período, esta religião – centrada no culto à Deusa – parece ao mesmo tempo refletir e reforçar uma ordem social na qual, para citar Nicolas Platon, "o medo da morte era praticamente obliterado pela onipresente alegria de viver".
Estudiosos sérios como Sir Leonard Woolley descreveram a arte minóica como "a mais inspirada do mundo antigo". Arqueólogos e historiadores de arte de todo o mundo têm usado expressões como "o encantamento de um mundo mágico" e "a mais completa aceitação do dom de viver jamais vista". E não foi unicamente a arte cretense – os magníficos afrescos de perdizes multicoloridas, grifos fantásticos e mulheres elegantes, delicadas miniaturas de ouro, as jóias
refinadas e as estatuetas graciosamente moldadas – como também a sociedade cretense a impressionar os estudiosos por sua singularidade.
Por exemplo, um traço notável da sociedade cretense, o que a distingue radicalmente de outras antigas civilizações desenvolvidas, é a aparente divisão justa da riqueza. "O padrão de vida — até mesmo de camponeses – parece ter sido elevado", relata Platon, "nenhuma das casas
encontradas até o momento sugeria condições de vida muito inferiores".
Isso não significa que Creta fosse mais rica, ou mesmo tão rica quanto o Egito ou a Babilônia.






Mas, em vista do abismo econômico e social existente entre aqueles situados no topo e na base, característico de outras civilizações "superiores", é importante observar que desde o começo o modo como Creta usava e distribuía sua riqueza parecia ser nitidamente diferente.
Desde os primeiros povoados, a economia da ilha era basicamente agrária. Com o passar do tempo, a criação de gado, a indústria e particularmente o comércio — através de uma grande esquadra mercantil que navegava, e aparentemente comandava, todo o Mediterrâneo — assumiram crescente importância, com grande contribuição para a prosperidade econômica do
país. E, embora a base da organização social no princípio fosse o genos ou clã matrilinear, por volta de 2000 a. C. a sociedade cretense tomou-se mais centralizada. Durante o que Sir Arthur Evans denominou períodos minóico médio e recente, e Platon chama de períodos palacianos antigo e novo, há indícios de administração governamental centralizada em diversos palácios cretenses,
Mas ali a centralização não acarretou a norma autocrática. Tampouco trouxe o uso de tecnologia avançada para benefício só de poucos poderosos ou o tipo de exploração e brutalização das massas tão notável em outras civilizações daquele período.






Pois, embora em Creta houvesse
uma afluente classe dominante, não há indicação (senão em mitos gregos posteriores tais como o de Teseu, rei Minos e o Minotauro) de que ela fosse sustentada por forte poder armado.
"O desenvolvimento da escrita levou ao estabelecimento da primeira burocracia, como demonstrado por um pequeno número de tábuas em linear A", escreve Platon, que em seguida observa como as rendas governamentais extraídas da riqueza cada vez maior da ilha eram empregadas judiciosamente para melhorar as condições de vida, as quais, pelos padrões ocidentais, eram bem "modernas". "Todos os centros urbanos possuíam sistemas de esgotos perfeitos, instalações sanitárias e utensílios domésticos". Acrescenta ele: "Não há dúvida de que extensas obras públicas – pagas pelos cofres públicos – foram realizadas na Creta minóica. Embora até o momento muito poucos vestígios tenham sido encontrados, eles são reveladores: viadutos, estradas pavimentadas, postes de observação, abrigos de estrada, canos de água, fontes, reservatórios, etc.
Há indícios de trabalhos de irrigação em grande escala com canais para levar e distribuir a água."
Apesar dos terremotos periódicos, os quais destruíram por completo antigos palácios e por duas vezes interromperam o desenvolvimento de novos centros de palácios, a arquitetura palaciana de Creta é também única na civilização. Estes palácios são um notável misto de traços enaltecedores da vida e agradáveis aos olhos, em vez de monumentos à autoridade e ao poder,
característicos do Egito e de outras sociedades primitivas, belicosas e de dominação masculina.



Nos palácios cretenses havia vastos átrios, fachadas majestosas e centenas de aposentos dispostos nos "labirintos" organizados que se tomaram o sinônimo de Creta nas lendas gregas posteriores. Nesses labirintos havia inúmeros apartamentos dispostos em vários andares, em diferentes alturas, arrumados de forma assimétrica em volta de um átrio central. Havia aposentos especiais para o culto religioso. Os cortesãos possuíam seus próprios aposentos no palácio ou
ocupavam casas encantadoras nas redondezas. Havia também alojamentos para a criadagem do palácio. Longas filas de quartos para despensa com corredores de acesso eram utilizadas para
estocar mantimentos e tesouros. E extensos salões com filas de elegantes colunas eram usados para
audiências, recepções, banquetes e reuniões da assembléia.
Os jardins eram uma característica essencial em toda a arquitetura minóica, assim como o planejamento das construções que enfatizavam a privacidade, boa luz natural e utensílios domésticos e, talvez, acima de tudo, a atenção ao detalhe e à beleza. "Eram usados materiais locais e importados", escreve Platon, "todos trabalhados com meticuloso cuidado, pilastras de gesso e tufo, fachadas, paredes, prismas de iluminação e átrios perfeitamente compostos. Tabiques eram decorados com estuque, com murais em muitos casos, e com acabamento em mármore.

(...) Não só as paredes, mas com freqüência os tetos e assoalhos eram decorados com pinturas, mesmo em vilas, casas de campo e habitações simples da cidade.(...) os motivos inspiravam-se sobretudo em plantas terrestres e marinhas, em cerimônias religiosas e na vida alegre da corte e do povo. O culto à natureza tudo permeava."

Uma civilização excepcional

O grande palácio de Cnossos, famoso por sua grandiosa escadaria de pedra, suas varandas com colunas e seu esplêndido salão de recepção, é também típico da cultura minóica por sua ênfase estética, em vez de monumental, em sua sala do trono e aposentos reais, expressando talvez o que a historiadora da cultura Jacquetta Hawkes denomina o "espírito feminino" da arquitetura cretense.
Cnossos, provavelmente com cem mil habitantes, ligava-se aos portos da costa sul por uma bela estrada pavimentada, a primeira do gênero na Europa. Suas ruas, à semelhança daquelas de outros centros palacianos tais como Mallia e Phaistos, eram pavimentadas e possuíam escoadouros, e eram ladeadas por casas simples de dois ou três andares, com telhados retos, por vezes com terraço para uso nas noites quentes de verão. Hawkes descreve as cidades em tomo dos palácios como "bem projetadas para a vida civilizada", e Platon caracteriza a "vida particular" do período como tendo "obtido um alto grau e refinamento e conforto". Conforme resume Platon: "As casas eram adaptadas a todas as necessidades práticas da vida, e um ambiente atraente era criado ao redor delas. Os minóicos eram muito ligados à natureza, e sua arquitetura tinha como objetivo permitir-lhes usufruir a natureza o mais livremente possível."
O vestuário cretense também era tipicamente desenhado para obtenção de efeitos estéticos e práticos, permitindo liberdade de movimentos. O exercício físico e os esportes envolviam tanto homens quanto mulheres e eram praticados como divertimento. Quanto à alimentação, uma grande variedade de grãos era cultivada, os quais, juntamente com a criação de gado, piscicultura, apicultura e preparação de vinho, proporcionavam uma dieta saudável e variada. O divertimento e a religião entrelaçavam-se com freqüência, tornando as atividades de lazer cretenses ao mesmo tempo agradáveis e significativas. "A música, o canto e a dança eram acrescentados aos prazeres da vida", descreve Platon. "Havia freqüentes cerimônias públicas, na maioria religiosas, seguidas de procissões, banquetes e demonstrações de acrobacia realizadas em teatros construídos para este fim ou em arenas de madeira", entre as quais os famosos taurokatharpsia ou jogos com touro. Outro estudioso, Reynold Higgins, resume este aspecto da vida cretense da seguinte maneira: "A religião para os cretenses constituía uma ocupação feliz, sendo celebrada em santuários de palácios ou então em santuários ao ar livre nos topos das montanhas e em cavernas sagradas. (...) Sua religião ligava-se intimamente à recreação. No primeiro lugar em importância vinham os esportes com touros, os quais provavelmente eram realizados nas quadras centrais dos palácios. Homens e mulheres jovens reunidos em times agarravam os chifres de um touro em posição de ataque e davam um salto mortal sobre suas costas."
A parceria igualitária de homens e mulheres, que parecia caracterizar a sociedade minóica, talvez nunca seja ilustrada com tanta nitidez como nestes jogos sagrados com o touro, onde mulheres e homens jovens se apresentavam juntos e confiavam sua vida um ao outro. Estes rituais, que combinavam emoção, perícia e fervor religioso, também parecem ter sido característicos do espírito minóico em outro aspecto importante; destinavam-se não só ao prazer individual ou à salvação, mas também a invocar o poder divino capaz de trazer bem-estar a toda a sociedade.

Mais uma vez, é importante salientar que Creta não era uma sociedade ideal ou utópica, mas uma sociedade humana real, cheia de problemas e imperfeições. Era uma sociedade que se desenvolvia há milhares de anos, quando ainda nada havia semelhante à ciência que conhecemos, quando os processos da natureza ainda eram em geral explicados — e tratados — por meio de crenças animistas e ritos expiatórios. Além do mais, era uma sociedade que funcionava em meio a um universo cada vez mais belicoso e dominado pelo homem.
Sabemos, por exemplo, que os cretenses possuíam armas – algumas, como adagas
lindamente adornadas, de grande qualidade técnica. Provavelmente, com o aumento da belicosidade e pirataria no Mediterrâneo eles também vieram a travar batalhas marítimas, a fim de preservar seu vasto comércio marítimo e o litoral. Mas, em contraste com outras civilizações desenvolvidas de seu tempo, a arte cretense não idealiza a guerra. Como já mencionei, até mesmo
o famoso machado de duas lâminas simbolizava a fertilidade abundante da terra. Talhado na forma das enxadas usadas na limpeza da terra para a plantação de sementes ele era também a estilização da borboleta, um dos símbolos da Deusa da transformação e do renascimento
. Tampouco há indicações de que os recursos materiais cretenses fossem – como o são em nosso mundo moderno, a cada dia de forma mais esmagadora – pesadamente investidos em tecnologias de destruição. Ao contrário, a evidência mostra que a riqueza cretense era investida em primeiro lugar na vida harmoniosa e estética.
Como escreveu Platon: "Toda a vida impregnava-se de fé ardente na Deusa Natureza, fonte de toda criação e harmonia. Isso levou ao amor pela paz, ao horror pela tirania e ao respeito pela lei. Mesmo entre as classes dominantes, ambições pessoais pareciam desconhecidas; em lugar nenhum encontramos o nome de um autor ligado a uma obra-de-arte nem o registro dos feitos de um soberano."
Em nossa época, quando "o amor à paz, o horror à tirania e o respeito à lei" podem ser requisitos para nossa sobrevivência, as diferenças entre o espírito de Creta e os de seus vizinhos guarda interesse mais do que acadêmico. Nas cidades cretenses sem fortificações militares, as villas "desprotegidas" à beira-mar e a falta de qualquer sinal de que as diversas cidades-estados no interior da ilha lutassem umas com as outras ou participassem de guerras agressivas (em marcante contraste com as cidades muradas e violentas guerras que em outras partes já eram norma), encontramos esta firme confirmação de nosso passado demonstrando que nossas esperanças de uma coexistência humana pacífica não são, como em geral nos dizem, "sonhos utópicos". E nas imagens míticas de Creta – a Deusa como Mãe do universo, e os seres humanos, animais, plantas, água e céu como suas manifestações na terra — descobrimos o reconhecimento de nossa unidade com a natureza, tema que hoje também ressurge como pré requisito para a sobrevivência ecológica.


trecho de O Cálice e a Espada- RIANE EISLER

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

VENERAÇÃO significa:
ADORAÇÃO DE VÊNUS (AFRODITE) OU VÊNUS+ORAÇÃO


“A Catedral de Chartres, como muitas catedrais cristãs dedicadas à Virgem Maria, fora erigida num local de peregrinação consagrado à Deusa, antes do cristianismo. Maria era particularmente venerada em Chartres. Na própria palavra venerada esconde-se a Deusa Vênus.

(...) A catedral a Maria foi construída onde a Deusa era antes homenageada, muito antes do cristianismo e até antes dos gregos e das suas deidades. Tipicamente a Deusa tinha uma miríade de nomes. Ali em Chartres, continua a ser homenageada nos seus aspectos de virgem e mãe, só que, em vez de se chamar Ísis, Tara; Deméter ou Artémis, tem o nome de Maria.

Tal como todos os sítios onde a Deusa era cultuada se tornaram locais de igrejas cristãs, também os seus símbolos foram aproveitados. Por exemplo, antes de se tornar o símbolo de Maria, a rosa vermelha desabrochada estava associada a Afrodite (Vênus) e representava a sexualidade amadurecida. Em Chartres, que é dedicada à Virgem Maria abundam as rosas. A luz derrama-se através de três belas rosáceas de vitral, enormes, e uma rosa simbólica constitui o centro do labirinto. Este tem uma extensão de 666 pés, exactamente. Seiscentos e sessenta e seis era o número sagrado de Afrodite, segundo Barbara Walker. Na teologia cristã passou a ser um número demoníaco.”

Porque foi diabolisado o número 666 dito o número da besta? Porque sendo dedicado à Deusa Afrodite (Vênus), a Deusa do Amor e do Erotismo, fazendo parte do culto antigo à Grande Deusa, a Deusa “pagã” da sensualidade e da fertilidade e de todos os rituais de consagração à Terra Mãe, às estações e forças da natureza, tinha de ser reprimido e portanto só posteriormente o culto da Deusa é chamado de paganismo já com toda a carga pejorativa e perseguidos os seus seguidores, nomeadamente as mulheres, de forma violenta e radical pelo cristianismo que se ia infiltrando e adoptando os lugares de culto da Deusa e assim como os seus lugares sagrados de peregrinação e veneração, tal como as suas vestes que ainda hoje os padres usam na missa.

Reprimido o culto a Deusa e denegridos os seus símbolos, como a serpente e outros, caiu no esquecimento, assim como a primazia do Princípio Feminino e os seus valores, que correspondem à Época do Matriarcado, transformadas que foram em santas cristãs as “deusas” de todo esse período histórico, denegridas e inferiorizadas as mulheres ou apagadas da nossa história, a ideia que se faz do Paganismo hoje em dia é obscura e corresponde a uma ideia deturpada pela igreja católica ao longo dos séculos. Até hoje, quando se fala de paganismo se pensa em hereges e bruxas e sacrifícios de pessoas e animais, gatos pretos que dão azar e números treze, tal como a história da bruxa que come meninos...quando na verdade significavam exactamente o contrário, tal como o número 666 correspondia ao culto de Vênus, o Feminino que a igreja de Roma (o contrário de Amor) destruiu e amordaçou através de crimes e torturas, mortes e perseguições as mais macabras, perpetradas mais tarde pelo seu Santo Ofício que imperou durante mais de três séculos....

A igreja de Roma, apagou de tal forma todos os vestígios da VENERAÇÃO da Deusa Vênus ou de qualquer outro nome que a Deusa tivesse - consoante a língua falada no local e época - assim como o fez com Maria Madalena nos Evangelhos, que parece que o PAGANISMO seria uma religião bárbara e brutal quando se tratou exactamente do contrário.

É inconcebível que no século XXI o Papa Ratzinger associe o Nazismo ao Néo-Paganismo...pois “sabemos que houve mais mulheres queimadas numa estaca do que as assassinadas com gaz nos fornos nazis do holocausto da Segunda Guerra Mundial.” Isto prova que Ratzingar continua a perseguir e a denegrir a Deusa e a Mulher, movido pelo antigo medo e a misoginia dos padres, bispos e cardeais, que continuam activos de forma consciente e deliberada. Eles continuam a lutar contra as mulheres e a sua liberdade, para que estas continuem esmagadas debaixo da pata da Besta-Negra e nisso são iguais aos fundamentalistas islâmicos e outros.

Como sabemos sobejamente “no patriarcado básico, a sexualidade da mulher e a sua capacidade para gerar filhos pertence exclusivamente ao marido, e não à própria mulher. As áreas da sexual e sensual são receadas e reprimidas. Na nossa memória colectiva feminina, sabemos que a morte por lapidação, assim como a violação, o empobrecimento e a prostituição forçada eram castigos de uma sexualidade não sancionada. Por conseguinte, muitas vezes o terror acompanha sensações sexuais proibidas, relembrando que o poder de Deus foi orientado contra a Deusa e a autonomia das mulheres.” *

TRAVESSIA PARA AVALON J.S. Bolen
IN:
http://rosaleonor.blogspot.com/2005/08/venerao-significa-adorao-de-vnus.html