"E aqueles que pensam em Me procurar, saibam que a vossa busca e vosso anseio devem beneficiar-vos apenas se vós souberdes o Mistério; se o que vós procurardes, vós não achardes dentro de vós mesmos, então nunca encontrarão fora. Pois eu tenho estado convosco desde o Início e Eu Sou Aquela que é alcançada ao final do desejo"


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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

CAILLEACH, A VELHA MÃE NEGRA

Cailleac, a anciã celta, regente do inverno

“Cailleach é “Aquela com duas faces”, uma jovem, na cor do
azul real, bonita e desejável, criando e nutrindo uma nação; a
outra, de um negro profundo, enrugada e gasta por ser mais
velha que o tempo, mas que protege e ensina seu povo. Como
Mãe Antiga e Anciã, Ela é a eterna e poderosa Cailleach, que
está conosco desde o início e permanecerá até o fim, punindo as
injustiças e as violências cometidas contra a Natureza com seu
veloz poder, pois a destruição é necessária para renovar a vida”

Silver Wolfwinds

Evidências históricas e mitológicas revelam que na Europa antiga, no período neolítico, antes da difusão das culturas indoeuropeias, existia um culto continental de uma Deusa Mãe. Da mesma forma na Irlanda,habitada por milhares de anos antes da chegada dos celtas – os primeiros imigrantes indo-europeus - a cosmologia e a reverência religiosa eram centradas na energia feminina, considerada origem do universo e de todas as formas de vida. Com o passar do tempo, os valores indoeuropeus reorientaram os conceitos ideológicos e místicos do enfoque matrifocal nativo para uma estrutura patriarcal, divina e religiosa. Na Irlanda a tradição de uma Deusa Mãe, cósmica e telúrica, foi bastante preservada e houve a continuidade da Soberania feminina, reconhecida pelos seus atributos de fertilidade e pela sua manifestação e presença na natureza.
Porém não existia um culto organizado de uma única Deusa Mãe, a sagrada presença feminina era um foco central na consciência humana e na cultura, manifestada tanto como uma extensão do amor filial pela Mãe Divina, quanto na identificação da terra com ventre (fonte de vida e nutrição) e do túmulo (local da morte e da issolução), combinando assim ambos os aspectos de um mesmo arquétipo: criador e nutridor, transformador e renovador. Enquanto em outras culturas os aspectos míticos e arquetípicos eram origem às diversas figuras da Grande Mãe (regentes da ertilidade, amor, criação, nutrição, sustentação) e da Ceifadora (padroeiras da privação, hostilidade, guerra, destruição, morte), os mitos originais celtas e irlandeses combinam em um mesmo personagem estes atributos contraditórios. Na cultura celta, apesar da presença de um extenso panteão masculino, a essência divina feminina – cósmica e telúrica - permeia o Todo com a sua energia e poder. Na tradição irlandesa, o relacionamento dos heróis semidivinos (que representam nas narrativas os aspectos míticos dos deuses celtas) com a Deusa, é um tema central e constante. Há um contraste, no entanto, entre o assim chamado “tempo feminino”, cíclico, associado a ritmos cósmicos e biológicos e o “tempo masculino”, que progride em sucessão linear e histórica, descrevendo façanhas e conquistas dos heróis para burlar e escapar da morte. Os mitos e as histórias masculinas são dominados pelos atos heróicos de seres divinos ou semidivinos, enquanto os mitos femininos estão repletos de referências geográficas de lugares e características naturais ligados à vida, morte e enterros de figuras femininas divinas ou semidivinas. Os nomes dos arquétipos femininos permanecem na paisagem e nos lugares das assembleias sagradas, onde eram celebrados os ritos de passagem e os festivais agrícolas. As deusas invocadas nestas datas personificavam as forças da natureza - tanto produtivas, quanto destrutivas - que deviam ser dominadas com violência pelos homens para que servissem aos seus interesses, mas que depois eram reverenciadas para que fosse aplacada a sua vingança. Assim, a figura da mulher é deixada fora do tempo, desprovida de passado ou futuro, não sendo nem verdadeira, nem falsa, enterrada profundamente na terra, como arquétipo e importância (política, histórica e religiosa). Desta forma, na tradição medieval irlandesa, a Deusa Mãe é reduzida a uma soberana ou rainha territorial, cuja autonomia e autoridade foram diminuídas e usadas pelas dinastias patriarcais, que competiam pela hegemonia política. Porém, no nível esotérico e mítico, a Deusa Mãe mantém sua majestade e poder nas formas do relevo geográfico, nas histórias dos lugares e costumes e sobrevivendo nas memórias e na imaginação popular. Levando em consideração esta premissa, entendemos porque em todo o mundo gaélico - de Irlanda a Gales e Escócia - são encontradas até hoje tradições e histórias da Cailleach, a Anciã Sobrenatural associada a montanhas, colinas, lagos, rios, grutas, pedras e câmaras subterrâneas, cujas formas e localizações tinha sido Ela mesma que modelou e fixou. Sua lembrança também persiste nos encontros sobrenaturais dos humanos com seres e dimensões do “Outro Mundo”. Mais proeminente destas figuras da Anciã ou da “Velha Velada” (significado do seu nome) é Cailleach Bheara, regente da grande península do sudoeste da Irlanda. Bheara é considerada o lugar legendário onde aportaram os Milesianos, que destronaram os seres míticos Tuatha de Danann e os obrigaram a se ocultar nos reinos subterrâneos, onde continuam reinando sobre as forças da natureza. Cailleach Bheara personifica a soberana territorial, cujo poder é tão vasto quanto indomável, mas ao mesmo tempo fertilizador e nutridor para a existência humana. Suas representantes no mundo real são as parteiras, as mulheres sábias, as videntes e as carpideiras, que prestam até hoje serviços às comunidades. Foram o poder e as ações de Cailleach Bheara que modelaram colinas, determinaram o curso dos rios e a forma dos lagos, a localização das ilhas e das grutas. As tempestades, ventanias e marés revelam seu poder transmutador e as histórias antigas descrevem sua atuação divina e soberana na formação geotectônica da paisagem, pois Cailleach carregava rochedos enormes no seu avental e os que caiam se transformavam em montanhas e colinas. As características geográficas atuais e as lendas sobre sua formação lembram à humanidade a comunhão arcaica com o Outro Mundo, perpetuando a sua lembrança na consciência do povo e na tradição cultural e mística. Como deusa neolítica Cailleach era conhecida como "Anciã azulada", ''Deusa ursa" "Deusa javali", "a Velha com cara de coruja'', tendo sido cultuada durante milênios pelos povos proto-celtas, que mesclaram e fundiram seus vários aspectos em imagens que evocavam tanto o amor, quanto o terror, pois Ela controlava as estações e o tempo, sendo regente da terra e do céu, da Lua e do Sol . Supõe-se que sua ausência nos mitos da Irlanda e Escócia - sendo lembrada apenas pelos nomes de lugares e nas histórias - se deve à sua origem pré-celta, tendo sido trazida pelos emigrantes das longínquas regiões do centro e Norte da Europa. Seus inúmeros nomes variavam entre Cally Berry e Caillighe na Irlanda do Norte, Caillech Bherri, “Anciã de Bheara” e Digne na Irlanda do Sul, Cailliach ny Gromach na Ilha de Man, Carline, Dirra, Scotia e Nicnevin na Escócia, Black Annis na Grã Bretanha. Nas suas diversas apresentações Cailleach é a personificação da idade e da sabedoria, regente do inverno, que ela chamava pulando de uma colina para outra e sacudindo seu bastão mágico feito de um galho de bétula ou salgueiro. Ela era a “Senhora das Colinas Sagradas” (Sidhe) e dos “Portais para o Mundo das Fadas” (Fey People), pois também regia sonhos e percepções sutis, sendo a Mãe Anciã das pedras e rochas, os ossos sacros e os registros das memórias da terra. Ela também era Guardiã de vários animais, as renas e os cervos sendo especialmente protegidos contra os caçadores, além dos javalis, ursos, lobos, raposas, gatos pretos e peixes. Na Escócia Cailleach era considerada filha de Grainne, o Sol de inverno, a ancestral dos clãs dos caledonianos, a “Giganta das geleiras” que protegia seu povo e o acalentava no interior das montanhas sagradas. O reino de Cailleach começava no Samhain, o Sabbat que comemorava a morte da vegetação e o início do inverno, com a chegada do frio, da escuridão e das nevascas. No Sabbat oposto na Roda do Ano – Beltane - Ela escondia seu bastão de poder sob um arbusto de azevinho e se metamorfoseava em uma rocha cinzenta, anunciando assim o término do inverno. Em outros mitos Ela se transformava em uma jovem mulher na véspera de Imbolc, sendo portanto a figura complementar e oposta de Brigid (ou aspectos de uma mesma Deusa) e recebia de volta o bastão branco guardado por Brigid durante a primavera e o verão e que no Samhain, pelo seu toque, voltava a ser escuro e coberto de gelo. Em um mito da Escócia relata-se que, durante os meses de inverno, Ela mantinha cativa a Deusa Brigid no topo da montanha Ben Nevis. Cailleach era portanto a guardiã do portal para a escuridão e a imobilização da metade escura do ano, quando toda a vida diminuía seu ritmo, a seiva descendo para as raízes, os animais entrando em hibernação e os seres humanos silenciando e mergulhando no seu interior. Assim como a crisálida que permanece imóvel durante o inverno até a chegada da primavera, toda a vida ficava suspensa pelo toque do negro e gelado bastão de Cailleach. Na Irlanda Cailleach faz parte de uma tríade de deusas juntamente com suas irmãs - Cailleach Bolus e Cailleach Corca -, seu lugar sagrado sendo na peninsula de Bheara, na fronteira entre Cork e Kerry; sua essência é contida em uma formação rochosa, cuja estrutura geológica é única na região e que reproduz o perfil de uma mulher idosa. Lá, na parte noroeste da ilha, na beira-mar, Ela é reverenciada até hoje com oferendas de pequenos objetos, cristais, pedras e moedas. No Oeste da Irlanda os penhascos ingremes dos Cliffs of Moher pertenciam a Cailleach, reverenciada no Samhain como a Velha Bronach, regente das Banshee(ancestrais), cujo choro era ouvido no sibilar do vento que assola permanentemente a região. Os túmulos megalíticos de Loughcrew situados no topo de Slieve na Calliag (“a montanha da anciã”) são famosos pela rocha que reproduz uma cadeira, honrada como o seu trono. Cailleach era descrita às vezes como uma giganta com um só olho, brilhando no meio de um rosto azulado ou uma velha com dentes vermelhos, cabelos brancos desgrenhados, cobertos com um lenço, usando roupas cinzentas e um avental enfeitado com cristais de gelo. Cailleach podia renovar permanentemente a sua juventude e os inúmeros homens que ela amou morriam de velhice, enquanto ela rejuvenescia ao mergulhar nas águas azuladas do lago Loch Ba, buscando depois outro jovem para se nutrir com o seu amor. Na sua fazenda ela contratava trabalhadores que, somente iriam ser pagos, se a ultrapassassem no rendimento do trabalho. Iludidos pela sua aparência de mulher idosa, frágil e corcunda, os homens concordavam, mas morriam de estafa ao tentar manter o mesmo ritmo, pois a sua força era sobrenatural. Na Escócia costumava–se até recentemente transformar as últimas espigas de milho na figura de uma mulher coberta com um simulacro de roupas e fitas coloridas, denominada Cailleach ou “Fome”; o homem que tinha cortado as espigas era chamado “inverno”, coberto com panos, sua face escurecida e molhado com água gelada.Como aquele que guardasse e zelasse pela representação de Cailleach era predestinado a morrer ou perder seus animais, ninguém queria ser o seu detentor, por isso se apressava enviar a figura para um vizinho que ainda não tivesse acabado sua colheita. Este gesto era visto como um desafio ou insulto, muitas vezes resultando em derramamento de sangue. Para passar a Cailleach à outra fazenda, era escolhido um jovem saudável, instruído para galopar ao anoitecer ao redor do campo que ainda não tinha sido colhido, jogando a figura da Anciã no meio das espigas e continuando seu galope para não ser descoberto e preso, sendo submetido a punições e humilhações. Algumas montanhas da Escócia guardam o nome da Cailleach no seu aspecto de "Senhora das Montanhas" (Cailleach na Mointeach), como nas duas colinas semelhantes aos seios de uma mulher da ilha de Skye (Beinn na Cailleach) e nas montanhas Pairc da ilha de Callanish, que imitam o perfil de uma mulher deitada chamada Sleeping Lady. No centro deste lugar sagrado, a cada 18 anos a Lua “dança” no horizonte ao atingir o ponto extremo do seu deslocamento para Sul, unindo assim a jovem Brigid e a velha Cailleach. A memória dos tempos antigos permanece oculta em muitas lendas e histórias folclóricas, lembrando as épocas quando a Anciã era honrada e reverenciada como a condutora dos heróis para a morte – quando eles se perdiam numa floresta escura - ou das heroínas para o sono transformador, ao serem aprisionadas atrás das muralhas de um castelo à espera do seu despertar. Estas histórias simbolizam antigos ritos de passagem, em que os desafios e os testes eram os sinais que pontuavam o rumo para a transformação e evolução da alma. A escuridão era associada com os novos começos, com o potencial da semente oculta no solo e a sabedoria expressa nas figuras de poderosas deusas anciãs, cuja tarefa era catalisar as mudanças no contexto natural, cultural ou individual através do poder transformador da escuridão, na transição da morte para uma nova vida. Com o passar do tempo a Anciã foi rebaixada para a figura da Madrasta vingativa, da Bruxa malvada e da Velha punidora e o respeito e reverência perante a Mãe Negra e Anciã distorcidos no pavor da velhice, da escuridão e da morte.

As anciãs não mais são honradas pela sua sabedoria, mas denegridas pelo espectro temido do envelhecimento e da decrepitude, a morte temida, ocultada e negada e a escuridão vista como sinônimo de perigo e mal. Porém, ao resgatar os antigos conceitos matrifocais, as mulheres contemporâneas reencontram a reverência e o respeito perante as Anciãs, Senhoras do Tempo, da Escuridão e da Sabedoria, tornando-se Suas mensageiras no processo de transmutação e renovação de valores e comportamentos, partilhando com os demais a visão da Natureza como Nossa eterna e amada Mãe.

DEUSA VIVA Uma publicação do Círculo de Mulheres da Teia de Thea
Lua Cheia, Novembro de 2010, nº 133 - Mirella Faur

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

BRIGITH, A GRANDE DEUSA DA INSPIRAÇÃO


QUEM SÃO AS DEUSAS?


A palavra "Deusa"se refere ao Divino Feminino. Durante milênios, no mundo todo, nossos ancestrais veneraram uma Divina e Poderosa Mãe-Deusa.

Ela foi honrada e celebrada como a Mãe de Toda a Vida. Mas de onde provêm a idéia de Deusa? Em tempos longínquos, o homem dependia da Terra para todas as coisas: como o seu sustento, assim como para abrigo e proteção. Ela era provedora de tudo que era necessário para perpetuar a vida e também era a vida em si mesma.
Estes povos observavam que toda vida era concebida a partir dos corpos femininos (tanto animais, quanto mulheres), de modo que era totalmente natural que acreditassem que deveria existir uma Toda Poderosa Criadora Feminina também.

Hoje apreciamos o ressurgir da cultura da Deusa que tem sido reverenciada por homens e mulheres, que celebram e respeitam as energias femininas dela emanadas.

A TRÍPLICE DEUSA CELTA


A água era considerada princípio e fonte de toda a vida para aqueles que habitam a terra e dependiam de sua generosidade para conseguir seu alimento. Isto se reflete no fato de os celtas terem dedicado os principais rios da Europa Ocidental à deusa da fertilidade. O rio Marne deve seu nome às Matronas, as três Mães Divinas e o Sena, a Sequana, deusa de seu manancial. O nome do Reno é celta e seus afluentes também têm nomes celtas: Necjar, Main, Ruhr e Lippe. Na Grã-Bretanha, o Severn deve-se a Sabrina e o Clyde, à Deusa Clota, recordando a lenda da Divina Lavadeira, Bruxa do Rio e Deusa da Morte que, conta-se, encontrava o guerreiro predestinado, que ficava sabendo que seu fim se aproximava ao vê-la lavar suas roupas de guerra manchadas de sangue.
O rio ou o arroio são expressões vivas da Mãe-Terra, o que os santifica e os dota de poderes curativos, que são emanados a certas horas do dia ou em dados momentos da fase lunar. Todos os lugares sagrados , para os celtas, tinham um espírito guardião, que podia transformar-se em gato, pássaro ou peixe, segundo as preferências da deusa. Tais lugares eram considerados partes do útero da Terra Mãe, a qual se invocava sob diversos vocativos e aparências. Existem numerosas inscrições galo-romanas da Deusa Matronae, a Mãe representada como uma tríade levando crianças, cornucópias e cestas de frutas.
Outra conhecida manifestação era Epona, que em geral mostrava-se a cavalo, por vezes com um potro, o que poderia ter dado origem à história da lady Godiva e outras lendas populares relacionadas a cavalos.

A Deusa é generosa, mas também desapiedada. A Lua controladora das marés e do fluxo menstrual, é o centro de um conjunto de símbolos universais: ele preside os rituais noturnos relacionados com animais tais como gato, a serpente e o lobo. Os emblemas de animais rodeando a Deusa e seus santuários serviam para lembrar seus aspectos selvagens.
A característica representação da Deusa como Mãe-devoradora no simbolismo celta, análoga à sanguinária Kali dos hindus ou Cihuateteo dos astecas, tem sua encarnação nas esfinges de pedra conhecidas com o nome de Sheela-na-gig, que se encontram em igrejas e castelos medievais. Ela apresenta rosto horrível com faces cadavéricas, boca enorme de semblante mau humorado, peito esquelético, um grande órgão genital à mostra e braços e mãos dobrados.
Em dias bastantes primitivos, o instinto feminino era percebido como intensamente animal. Com o avanço da civilização a deusa vai gradualmente erigindo-se desta natureza.
A complexidade das Deusas Célticas é realmente explicada quando nós entendemos que para ser uma Deusa nesta tradição antiga deve ser uma Mãe, para ser uma Mãe, deve ser uma protetora e para ser uma protetora deve ser preocupada com a soberania da sua tribo.

É, diferente das Deusas dos Romanos e Gregos, as Deusas dos Celtas são todas as coisas: elas são a terra, a vida, a morte, o trigo que nós comemos e a água que nós bebemos; a água que vem do céu.


BRIGHID, SANTA E DEUSA

O NOME

Brighid também conhecida por Brigit, Bríde, Briget, Briid é uma Deusa muito popular na Irlanda, cultuada em todos os territórios onde os celtas se instalaram.

A palavra "Brig", em irlandês arcaico, significa força, poder. Segundo, alguns filósofos, tal correlação pode estar por detrás da existência da existência de guerreiros chamados Brigands ou "soldados de Brighid".
Os brigantes, uma confederação de tribos celtas que se instalou em pontos tão diversos quanto a Armórica (França), a Grã-Bretanha e o sul da Irlanda, derivam seu nome da Deusa Brigantia, aparentemente mais uma variação de Brighid. Na Gália, a Deusa Brigindo é outra faceta desta deidade, enquanto que Brigantia é o nome original das cidades de Bragança em Portugal e de La Coruña na Galícia (Espanha). Mas é na Irlanda que encontraremos os elementos dessa Deusa melhor preservados.

DEUSA TRÍPLICE

Brighid, que significa "luminosa"é uma Deusa tríplice do fogo da inspiração, da ferraria, da poesia, da cura e da adivinhação. Isto é, as funções que lhe atribuem são triplas, correspondentes às três classes da sociedade indo-européia:

- Deusa da inspiração e da poesia - Classe Sacerdotal.
- Protetora dos reis e dos guerreiros - Classe Guerreira
- Deusa das técnicas - Classe de artesãos, pastores e agricultores.

BRIGID (BRIGIT) COMO DEUSA


Brighid é filha de Dagda,o Bom Deus, pertencendo assim, aos Tuatha De Danann. Dagda é o líder e o Grande Pai conhecido como o Poderoso do Conhecimento. Um rei da sabedoria Dagda é a Boa Mão, um mestre da vida e da morte, e aquele que traz prosperidade e abundância. Gêmeo de Sucellos como o regente da luz durante a metade do ano. O poder e o conhecimento de Dagda é dado por um sopro, chamado "AWEN" através de um beijo no escolhido como sucessor para Chefe Trovador dos Duidas. O "AWEN" é o sopro de Deus (Dagda) que guia e instrui, tornando um trovador diferente dos outros.
Há lendas que alegam ser ela a esposa de Tuireann, com quem teve três filhos (Brian, Iuchar e Iucharba), que posteriormente matam Cían, o pai de Lugh.
Uma outra versão, nos diz que Brighid tinha como marido Bres, o malfadado líder dos Tuatha De Danann. Dessa união nasce Rúadan, o qual morre em combate na Segunda Batalha de Moytura. Ao encontrá-lo sem vida, lamenta sua morte em uma tradição que viria a ser conhecida como "keening) (irlandês-caoineach), e que ainda hoje é preservada nas áreas rurais da Irlanda. os "keenings' eram lamentos emitidos por mulheres face ao falecimento de um membro da família ou da comunidade. Se constituíam em choros pungentes, quase bestiais, descritos por observadores como o som de "um grande número de demônios infernais".

Como Deusa, Brigid, é uma entidade fortemente vinculada com a inspiração e a criatividade, tanto que na tradição Britânica dos Druidas foi assimilada como a "Deusa dos Bardos", por ser a "musa" que inspirava àqueles grandes sacerdotes similares aos Brahamanes da Índia. Atualmente se diz que Brigid é o veículo e guardiã do "Awen", o sopro de seu pai (Dagda), ou a "consciência da inspiração", um estado muito variado de magnitude e cujos mistérios mais profundos parecem indicar um estado elevadíssimo de consciência, parecido ao ao Shamadi ou transe Yóguico.

"AWEN" é a força mental que inspira à criatividade.

Brigit também foi uma Deusa muito vinculada à curas (com ervas) e lhe eram atribuídos mágicos conhecimentos das propriedades curativas das plantas. Como conhecedora desses mistérios é uma Divindade vinculada à Bruxaria, já que as bruxas sempre foram, na antiguidade, mulheres de avançada idade que possuíam um vasto conhecimento sobre as propriedades naturais e intrínsecas das plantas para todo o tipo de uso medicinal.
A Deusa era ainda uma grande guerreira que afugentava as tropas inimigas de qualquer exército quando era invocada, e também, infundia valor ao exército que apadrinhava. Brigid apareci freqüentemente de maneira imensa e feroz lançando gritos de raiva frente aos exércitos que pretendia afugentar. Desse mesmo modo, os Celtas antes das batalhas lançavam gritos selvagens e ininteligíveis com o único propósito de amedrontar à seus adversários.

Algumas vezes, Brigid é identificada com Danann (Deusa principal, Mãe dos Deuses da Tradição Celta) e é considerada como a Mãe de todas as coisas.
Lady Gregogy, em "Gods an Fighting Men", diz dela:

" Brigit...era uma poetisa, e os poetas a adoravam, pois seu domínio era muito grande e muito nobre. E, era assim mesmo, uma curadora, e realiza trabalhos de ferreiro, fui ela quem deu o primeiro assobio para chamar-se uns aos outros no meio da noite. E, um lado de seu rosto era feio, porém o outro muito belo. E, o significado de seu nome era Breo-saighit, flecha de fogo".


(Altar de Brigid)


Brigid assumiu inúmeros aspectos e atributos através dos tempos. Suas cores sagradas são o vermelho, o laranja e o verde. Cada uma dessas cores representa um atributo de Brigid. O vermelho simboliza o fogo da forja, da lareira que aquece e alimenta. O laranja representa a luz solar, pois antes da ascensão patriarcal de Deuses como Bel e Lugh o patamar de Deuses solares, era a Brigid que o Sol era consagrado. O verde representa as fontes e ervas que curam, no papel de Brigit como Curandeira.

SEUS SÍMBOLOS

Seus símbolos são a haste e a roca de fiar, a chama sagrada, a espiral, o triskle, o torc, o pote de fogo e seus sapatos de latão.

Dias: Segunda-feira, terça-feira e sexta-feira.


ANIMAIS SAGRADOS

BRIGID possui 4 animais sagrados: a cobra, a vaca, o lobo e o abutre.

A Cobra é a "Serpente Criadora" que era guardada em seus santuários onde oráculos eram revelados aos homens.
O seu segundo animal é a Vaca Sagrada. Seu abundante leite nutre humanos e crianças.
Ela é conectada com o Lobo,pois ele é um dos animais totem das Ilhas britânicas.
E em seu aspecto de Deusa da Morte, ela está associada com o Abutre ou outras aves de rapina.

Igualmente lhe é sagrado o cisne, tanto o branco quanto o negro. Os antigos povos europeus acreditavam que o cisne era o resultado da união da serpente com o pato, simbolizando o fogo e a água respectivamente, ambos sagrados para Brigid.

BRIGID CRISTÃ


A Nova Cristã e Antiga Pagã, Brighid, fundiram-se na figura de Santa Brígida no ano de 450. Mas, Ela se converteu em Santa sem perder de todo sua qualidade de Antiga Deusa. Sua transformação quase literalmente em Drumeague, Country Cavan, em um lugar chamado "a montanha dos três deuses". Ali uma cabeça de Brigid fui talhada em pedra como uma deidade tripla. Porém, com a chegada do cristianismo, foi escondida em uma tumba neolítica. Depois foi recuperada e exposta em uma igreja local, onde foi canonizada popularmente como "Santa Bride de Knockbridge.
Em algumas histórias ou lendas, dizem que foi o próprio São Patrício que a batizou e ela foi elevada à condição da figura galesa de Maria, sendo muitas vezes considerada como a parteira de Maria ou até como a ama do Menino Jesus.

Aqui reconhecemos a Deusa como protetora do parto. E, Brighid como santa, possui até biografia, que é de autoria de Cogitosus. Segundo ele, ela teria nascido em 452, no vilarejo de Faughart (próximo a Dundalk, Co. Lough), ao romper da aurora, hora de máxima importância para a filosofia celta. Era filha do nobre Dubhtach, chefe da Província de Leinster, e Broicsech, uma escrava. Em uma das versões da lenda, conta-se que, ao nascer, a casa em que estava ficou totalmente envolta por um fogo mágico, que assustou à todos que presenciaram à cena. Entretanto, ninguém queimou-se. Vários textos afirmam que tal fogo surgiu do centro da cabeça da criança, talvez para identificá-la como uma santa portadora de um poder criador.
Brigid foi educada por um druida e desde muito cedo manifestou o dom da profecia. Mas certo dia ela adoece gravemente e, o druida consegue salvá-la alimentando-a com o leite de uma vaca branca de orelhas vermelhas. Em muitas lendas aparecem animais com essas cores, que são animais mágicos pertencentes ao Outro Mundo.
Os cristãos, gerando uma estranha contradição, afirmam que apesar de muito bela, Brigid permanece virgem. Contam, que para não casar, ela vazou seu próprio olho, tornando-se desinteressante para seus pretendentes. E, apesar de ter sido criada e instruída por um druida, Brigid escolhe se converter à nova religião. Nessa época era comum as mulheres serem ordenadas sacerdotisas, e até episcopisas. Esse, portanto, foi o caso de Brigid, que, de acordo com a lenda, foi ordenada pelo próprio São Patrício, o Padroeiro da Irlanda.
Cogitosus nos esclarece, que no ano de 490, ela funda um convento na localidade de Kildare, local de peregrinação dos seguidores da religião celta pré-cristã. O próprio nome Kildare, "Templo do Carvalho" (Cill Duir), já explica sua origem pagã, pois essa árvore era associada ao druidas.

Neste convento havia uma chama sagrada que devia sempre arder. Dezenove sacerdotisas-freiras guardavam a sua pira sagrada, alimentando o fogo. Conta-se que, no vigésimo dia de cada mês, ela aparece e vigia o fogo pessoalmente. Aos homens não eram permitida a entrada. Segundo as lendas, aqueles que tentassem se aproximar da fogueira eram acometidos de estranhos surtos de loucura e podiam até perder a vida.

Uma oração era entoada pelas freiras, também conhecidas com as Guardiãs da Chama:

"Bride, Dama Superior,
Chama súbida;
Que o brilhante e luminoso sol,
Nos leve ao reino eterno."

Os vínculos com a tradição pagã são reforçados pelo fato de que a madeira utilizada como lenha era o estrepeiro, uma árvore sagrada para os druidas.

Ainda na obra de Cogitosus, "Vita Brigitae", escrita no século VII, Santa Brigida é descrita como uma santa generosa, sempre disposta a conceder alimentos e hospitalidade aos necessitados. Devido à essas virtudes é a santa mais relacionada com a produção de alimentos e proteção da vivenda campesina. O dia de sua celebração está conectado com os trabalhos agrícolas da semeação na primavera, quando começam a diminuir os rigores do inverno e os dias se tornam mais claros e longos.
Em algumas regiões da Irlanda, como nos condados Munster, de Connaught e algumas localidades fronteiriças de Ulter, uma das principais tradições que se efetuavam no dia de Santa Brigida consistia em ir de casa em casa disfarçados com vestes grotescas e transportando uma rústica representação da Santa, que podia ser uma boneca adornada com palhas entrelaçadas e com cintas coloridas. Em muitas localidades do Sul do país, os homens se vestiam do mesmo modo esfarrapado com roupas de mulher, e ocultavam os rostos com máscaras de facções horríveis.
Quando se aproximava o dia da Santa Brigida, os camponeses irlandeses saíam para dar uma volta qualquer em seus campos de lavoura. Com essa ação consideravam que era favorecida a chegada do bom tempo, que necessitavam para efetuar os trabalhos agrícolas da temporada.
Os pescadores irlandeses também esperavam uma melhoria no tempo quando se aproximava a festa de Santa Brigida. Nesse dia era quando reiniciava a temporada de pesca e os habitantes dos povoados costeiros recolhiam algas para adubar os campos. Em Galway, se acreditava que a pesca seria abundante si no dia dessa Santa se colocasse um caracol (molusco marinho) nos quatro cantos da casa. (Danaher, 1972: 14)

Os irlandeses acreditavam que a Santa Brigida visitava suas casas na noite do dia de sua festa para benzer o gado e seus donos. Como oferenda à santa, os mais devotos deixavam na janela um pedaço de pão, um pouquinho de manteiga ou alguns biscoitos, inclusive alguns deixavam um feixe de trigo para servir de comida à vaca branca que sempre acompanhava à Santa. Outros deixavam uma faixa, um pedaço de tecido ou qualquer outra prenda, para que fosse tocado quando a Santa passasse. Esses objetos eram guardados depois cuidadosamente, pois tinham a virtude de proteger em qualquer situação de perigo à quem os transportasse.

Brigid era tão poderosa que São Patrício, arcebispo de toda a Irlanda, concede a Kildare autonomia total. O fogo sagrado de Kildare foi mantido aceso até 1220, quando o arcebispo Henry de Dublin ordena, para desespero da população, que fosse extinto. Posteriormente a chama sagrada volta a arder, até que Henrique VIII e a Reforma Protestante mandaram eliminar o Kildare.

A "Vita Brigitae" afirma que a Santa Brigida morreu em 1 de fevereiro de 525, dia de celebração da Deusa Brighid.

Durante a Idade Média o culto a Santa Brigida se estendeu por todas as Ilhas Britânicas e grande parte da Europa. Inclusive na Espanha a veneravam em pequenas capelas em Navarra e em Andalucia (Breeze, 1988).

A CRUZ DE BRIGID

As práticas e costumes referentes a Brigid ainda hoje são muito populares na Irlanda e na Escócia, especialmente na zona rural. A cruz de Brigid é feita de palha de trigo, um poderoso símbolo solar que é fixado nos telhados e no interior das casas e nas portas dos estábulos para proteção dos lares e do gado.

Nas ilhas de Aran (Irlanda) essas cruzes se conservavam a vida toda, as quais serviam de um dato importante para se poder deduzir a antiguidade da vivenda, devido precisamente ao número de cruzes acumuladas. Para confeccionar as cruzes deviam entrelaçar as palhas da esquerda para a direita, seguindo o curso do sol.

Faça você mesmo sua Cruz de Brighid
Esta cruz pode ser feita com galhos, junco ou material natural flexível.


Siga os passos de acordo com a figura:


1. Divida o material em dois conjuntos de galhos, colocando-os um sobre o outro, perpendicularmente, exatamente na metade.
2. Dobre e trance o primeiro galho sobre o último (ficará paralelo ao primeiro).
3. Dobre e trance o galho seguinte sobre o último seguinte (ficará paralelo ao segundo galho).
4. Continue a dobrar e trançar os galhos até ficar satisfeito com a sua arte. O centro da cruz apresentará uma tecedura de agradável apresentação.
5. Por fim, com lã ou fibras naturais, prenda o conjunto para que fique firme e o trançado não se desfaça.

Outro costume bem popular é o de a invocar sempre que é colocado fogo na lareira. Nas ilhas de Hébridas, dizem que Santa Brígida protege especialmente as mulheres que vão dar à luz. Em Ulter, quando um a mulher está para dar à luz, a parteira coloca um cruz da Santa Brigida nos quatro cantos da casa e depois canta os seguintes versos:


Four corners to her bed,
four angels at her head.
Mark, Matthew, Luke and John;
God bless the bed that she lies on.
New moon, new moon, God bless me.
God bless this house and family (Dames, 1992: 257).

OUTRAS ASSOCIAÇÕES

Além de estar diretamente ligada ao elemento fogo, associa-se também a água e à cura. Muitas fontes da Irlanda são a ela dedicadas. A absorção deste elemento pela fé cristã, só comprova a sobrevivência de Brighd, na forma de Deusa e não tão somente como santa.
Suas vacas produziam um lago de leite e proporcionavam alimentos inesgotáveis. Mas ela punia com muito rigor quem as roubasse, geralmente através de afogamento ou escaldamento. Através da magia, Brigid multiplicava anualmente a sua produção de manteiga.

Ela também estava ligada à produção e consumo da cerveja, bebida muito apreciada pelos celtas.

Reza a lenda que, com uma só medida de malte, Brígida era capaz de produzir cerveja a todos os que a pedissem. Um milagre associado à Cristo, aqui vemos adaptado à realidade celta.

EPÍTETOS DA SANTA BRÍGIDA

Vejamos alguns deles: Brighid do Oeste; Do pequeno povo das fadas; da Profecia; Da tribo do Manto Verde; Das Hostes Imortais; da Doce Melodia; Da Harpa; Mãe das Canções e da Música; Do Amor Puro; Criadora das Ondas; Senhora do Mar; Da Tríplice Chama.

DIA DE BRIGID - "IMBOLC"


BRIGID também foi vista como uma Deusa ligada ao ciclo anual. Ela presidia o começo da primavera, que, no ciclo dos antigos festivais do fogo, começava na véspera de primeiro de fevereiro, Imbolc, ou o Dia de Brigid. A palavra Imbolc significa literalmente "dentro do ventre" (da Mãe). A semente que foi plantada no Solstício de Inverno está se desenvolvendo. Esta festa é chamada de "Dia de Brigid" em honra a Deusa irlandesa Brigid. Suas festas eram repletas de fogos sagrados, simbolizando o fogo do nascimento e da cura, o fogo da força e o fogo da inspiração poética. Brigid é a noiva sagrada, e seu templo é o santuário do fogo divino, o qual representa o fogo do sol. Seguindo a tradição celta, deixe o fogo de sua lareira queimar completamente na véspera do dia de Brigid. Na manhã seguinte, prepare uma fogueira com cuidado especial. Pegue nove (ou sete) pequenos galhos, tradicionalmente de tipos diferentes de árvores e os acenda. Então, prepare a fogueira com os galhos acesos, enquanto declama três vezes:

Brigid, Brigid, Brigid, a chama mais brilhante! Brigid, Brigid, Brigid, nome sagrado!

Um outro costume do dia de Brigid é plantar uma árvore frutífera. A Igreja incorporou este o dia de Brigid como sendo a Festa da Purificação da Virgem Maria. No paganismo esta é a época em que a Grande Mãe volta a ser novamente a Jovem Deusa Solteira. Uma lenda escocesa, relaciona Brigid com Caileach. Esta última, era também conhecida como a Carline ou Mag-Moullach e era o aspecto da Velha Deusa no ciclo anual. Estava ligada às trevas e ao frio do inverno e assumia a direção no ciclo das estações em Samhaim, a véspera do primeiro de novembro. Ela portava o bastão negro do inverno e castigava a terra com frias forças contrativas que ressecavam a vegetação. Com o fim do inverno, ela passava o bastão do poder para Brigid, em cujas mãos ele se tornava um bastão branco que estimulava a germinação das sementes plantadas na terra negra. As forças expansivas da natureza começavam então a se manifestar. Por vezes, essas duas deusas eram retratadas em batalha pelo controle das forças da natureza. Dizia-se até que Cailleach aprisionava Brigid sob as montanhas no inverno. Mas o melhor modo de reconhecê-las é vê-las e considerá-las como duas facetas de uma deusa tríplice das estações: a Velha Cailleach do Inverno, a Donzela Brigid da Primavera e a Mãe-Deusa do viço do Verão e da frutificação do Outono. No Festival de Imbolc é costume, no final da tarde de véspera, se colocar velas (laranja), em todas as janelas da casa e deixá-las acesas até o amanhecer. Também deve anteceder às festividades, um ritual de purificação e limpeza da casa. A celebração também envolvia a feitura de uma Boneca Noiva com as últimas gavelas de milho do ano anterior. Podemos conceber aqui a Deusa Brigid com atributos da Deusa do milho. Por meio do ciclo dos Festivais do Fogo (Samhain, Imbolc, Beltane e Lammas), os antigos povos celtas celebravam as diferentes energias da roda do ano. Isso era vivido especialmente como o poder do fogo manifestando-se em diferentes níveis. Brigid chega em nossas vidas portando a chama da inspiração. Você está sem energia? Falta-lhe motivação? Está tão perdido que não sabe que rumo tomar? Você sonha com algo, mas não se sente com coragem de realizá-lo? Esta é a hora e a vez de alimentar sua totalidade e interioridade com a centelha energética da Deusa Brigid. Ela nos diz que uma vida sem o calor de sua chama de inspiração é totalmente insípida. Abra seu coração e permita que a inspiração seja o alimento de sua alma, para que você possa se tornar mais segura(o) e energética. Ritual para Brigit e a família. Precisará de: Uma vela vermelha. (Deve ser nova e feita de cera vermelha pura. Não use uma vela branca coberta por cera vermelha. Use esta vela somente para Brigid) Quatro pães. Um copo grande de leite. Um xale branco, feito de lã Dois copos. Um com o leite, o outro vazio. Dois pratos. Um com os quatro pães. Fósforos. Este ritual deve ser feito pela mulher da casa, mas pode ser feito por qualquer um que é o "chefe" da sua casa. Se você sente-se confortável, tente falar as palavras em Irlandês. Estas invocações e rezas foram escritas por Robert Kaucher mas são baseadas em rezas e poemas tradicionais e fazem parte da tradição celta desde a época pagã. Ajoelhe-se em frente a vela com suas mão abertas no gesto de invocação. Imagine o espirito brilhante de Brigid em seu aspecto triplo. A Brigid no centro é uma guerreira. Ela é a defensora da casa e a lareira. Está escrito que na batalha de Allen (Irlanda - 772) ela apareceu sobre os guerreiros de Linster como uma Deusa da Guerra e destruiu as forças inimigas. Em sua mão esquerda ela está segurando uma lança, na outra ela tem uma chama.

Fale:

Tógfaidh mé mo thinne inniu i láthair na nDéithe naofa neimhe, i láthair Bríd is áille cruth, i láthair Lugh na n-uile scéimh, gan fuath, gan tnúth gan formad, gan eagla gan uamhan neach faoin ngréin, agus NaohmMháthair dom thearmann. A Dhéithe, adaígí féin i mo chroí istigh aibhleog an ghrá Dom namhaid, do mo ghaol, dom chairde, don saoi, don daoi, don tráill, ón ní ísle crannchuire go dtí an t-ainm is airde.

Tradução:

Eu construo meu fogo hoje na presença dos Deuses Sagrados do Céu. na presença de Brigid da forma bonita na presença de Lugh de todas as belezas sem ódio, sem inveja, sem ciúmes, sem medo ou horror de ninguém sob o sol porque meu refugio é a Mãe Sagrada. Ó Deuses, acendam o fogo de amor dentro do meu coração, por meus inimigos, por meus parentes, por meus amigos pelo sábio, o ignorante, e o escravo da coisa mais humilde até o nome mais alto.

(-Baseado num poema tradicional; é possível achar o original em An Duanaire)

Acenda o fogo, levante o fósforo, como se fosse o fogo divino dos Deuses, baixe o fósforo e acenda a vela.

Invocação de Brigid:

O povo fala:

A Bhríd bheannaithe 's a Mháthair Déithe 's a Mháthair Daoine. Go sábhála tú mé ar gach uile olc, Go sábhál tú mé idir anam is chorp.

Tradução:

Ó Brigid abençoada, Mãe de Deuses, Mãe dos Homens, Me salva de cada mal, Me salva, alma e corpo.

A sacerdotisa coloca seu xale sobre a cabeça e fala:

A Bríd bhuach, Glaoim (Glaomaid) thú, a Bhandia Mhór, ó do áit leis na Tuatha Dé Dannan. Banfhile na nDéithe, Cosantóir an Teallaigh, Banbhreitheamh na bheatha

Tradução:

Ó Brigid vitoriosa, Chamo (Chamamos) você, Grande Deusa, de seu lugar com as Tuatha Dé Dannan. Poetisa dos Deuses Defensora da Lareira Juíza da Vida

A sacerdotisa oferece o leite, colocando-o no copo vazio perto da vela. Agora ela coloca três pães no prato para o pão e coloca o prato perto da vela. Ela fala uma simples reza pedindo à Deusa a aceitar a oferta do leite e pão. Depois ela fala uma reza para abençoar o resto do pão e leite que os participantes vão dividir.

Com seus braços cruzados sobre o peito ela fala:

Ó Deusa Brigid, Prepara nossas corações Para que amor possa viver. No mundo escuro Deixa-nos sempre ter tua Luz. Deixa tua capa cobrir essa família, No meio do inverno Deixa teu fogo esquentar. Nossas vidas são uma vida Nossos sonhos, um sonho só. Deixa meu povo dividir na vida e sempre conhecer tua bondade. (Ó Mãe de Deuses) Defenda-nos com teu escudo Vigia-nos com teu olhos. Deixa meu povo ser teu povo, Seja no mar ou na terra. O cordeiro sempre correrá para a ovelha, O passarinho sempre chorará por comida, O bezerro sempre procurará a vaca, A Brigid sempre será conosco.

A sacerdote toma um pouco do leite e pão, e passa-o para os outros participantes. Eles bebem e comem o pão. Deixe a vela acesa por algum tempo. Depois, a sacerdotisa ajoelha-se em frente a vela com as mão abertas. Ela faz uma reza de agradecimento para Brigid.

Depois fala assim:

Coiglím an tine seo leis na fearta a fuair na Draoithe. Na Déithe á conlach, nár spiúna aon námhaid í. Go ndéana Bríd díon dár dtigh, dá bhfuil ann istigh, dá bhfuil as amuigh. Claímh Nuadha ar an doras go dtí solas an lae amárach.

Eu apago este fogo com os poderes dos Druidas Os deuses guardam-no, nenhum inimigo disperse-o. Brigid seja o teto sobre nossa casa Para todos dentro E para todos fora. A espada de Nuadha na porta, Até a luz da manha.

Extinga o fogo.

Todos falam:

Slán leat, a Bhríd! O ritual acabou.

Todos se abraçam e falam:

na Déithe dhuit ou Beannacht na nDéithe ort.

Retirado de Creideamh- um caminho Celta

TEXTO PESQUISADO E DESENVOLVIDO POR
ROSANE VOLPATTO

IN: http://www.rosanevolpatto.trd.br/deusabrigid.htm

sexta-feira, 24 de julho de 2009

MISTÉRIOS OBSCUROS DA DEUSA

OS MISTÉRIOS DO SANGUE E DA LUA

Os Mistérios Obscuros tratam da natureza oculta das coisas e da essência secreta tanto das coisas físicas como das espirituais. O mito dos Mistérios Obscuros se reflete em mitos como os de Deméter e Perséfone, mas também em Cailleach e Brigid. Cailleach seria associada a Perséfone, que representa a semente que desce às trevas, para que sua energia e juventude seja despertada. Como terra, Cailleach representa a força misteriosa que faz a semente hibernar durante o inverno, para depois despertá-la e conduzi-la à renovação na Primavera.
Nos Mistérios Ocultos, a Deusa Cailleach aparece como Aquela que traz a Vida e a Morte, é a Criadora e Destruidora. É ela que cria as tempestades, a chuva e o orvalho, os quais podem tanto ser benéficos quanto destrutivos, especialmente para as comunidades agrícolas. E, do mesmo modo que a Deusa envia a água, ela envia para nós mulheres o fluxo do sangue menstrual. Encontramos sempre nos líquidos a presença mística da Deusa. Pois saiba, que a ligação essencial dos Mistérios da Deusa com as mulheres sempre ocorrerá através dos fluidos, seja simbólica ou fisicamente. O inconsciente está associado ao elemento água, assim como as emoções em geral, e estas por sua vez estão associadas à natureza feminina.
Onde os Mistérios Femininos não refletem a psique de algum modo, eles podem ser encontrados em associações com os fluidos corporais das mulheres. Um dos aspectos da Antiga Religião era o de objetos serem abençoados através do contato ou inserção na vagina de uma mulher nua deitada sobre o altar. Esta antiga prática foi distorcida pelos princípios judaico-cristãos e transformadas em obscenidades pervertidas.
O corpo da mulher na sociedade matrifocal era considerado um altar vivo, pois possuía o poder de dar a luz e alimentar uma nova vida. O sangue menstrual, chamado de sangue da Lua, era utilizado como marcas rituais em cerimônias de iniciação e ritos. O sangue até hoje é usado em rituais de índios americanos, que costumam unir seu sangue ao de outro para criar vínculo entre os dois. Assim sendo, a Suma Sacerdotisa do clã podia unir as almas de todos os membros através do sangue menstrual. Ungir os mortos com sangue menstrual era assegurar seu retorno à vida. É graças a estas remotas associações que hoje o vinho é visto como o Sangue de Deus.
O maior dos Mistérios Obscuros está concentrado no Sangue Menstrual, use-o em seus rituais.