"E aqueles que pensam em Me procurar, saibam que a vossa busca e vosso anseio devem beneficiar-vos apenas se vós souberdes o Mistério; se o que vós procurardes, vós não achardes dentro de vós mesmos, então nunca encontrarão fora. Pois eu tenho estado convosco desde o Início e Eu Sou Aquela que é alcançada ao final do desejo"


segunda-feira, 11 de outubro de 2010

THESMOPHORIA


11 DE OUTUBRO

Início de Thesmophoria, o festival grego de três dias reservado apenas às mulheres. Sua origem é muito antiga, oriunda dos cultos neolíticos de celebração da colheita dos cereais e das oferendas de leitões, perpetuando no culto a Ísis e, posteriormente, no culto a Deméter. Durante esse festival que celebrava Deméter Thesmophorus, a guardiã da lei, as mulheres se reuniam e praticavam vários rituais relacionados à fertilidade das plantações, animais e pessoas.
Neste primeiro dia, havia o ritual de “Kathodos e Anados”, a cerimônia do “ir abaixo e voltar para cima”. As mulheres escolhidas eram sacerdotisas que tinham passado por várias purificações, inclusive por abstinência sexual e evitado contato com objetos de ferro nos últimos três dias. Vestidas com túnicas vermelhas, elas desciam para o altar de Deméter, localizado em uma gruta profunda. Levavam consigo leitões consagrados à Deusa, que eram deixados na fenda da gruta. Era um ritual perigoso, pois nessas fendas existiam serpentes que se alimentavam das oferendas.
As sacerdotisas usavam chocalhos e encantamentos para mantê-las afastadas, enquanto recolhiam os restos das oferendas do ano anterior para levá-los de volta à superfície.
Celebração de Damkina, a Senhora da Terra, Deusa babilônica protetora das mulheres e das crianças. Ela foi posteriormente associada a outras deusas sumérias da Terra, como Ki, Kadi, Ninhursag e Nintu. Seu culto foi levado para Acádia, onde foi chamada Daukina e identificada com Deméter.

Informações extraídas do livro “ O Anuário da Grande Mãe”, de Mirella Faur.
IN: http://www.teiadethea.org/?q=node/96

UMA REPUBLICAÇÃO IMPORTANTE

O FUTURO DO SAGRADO FEMININO


“Sou filha, mãe, irmã, amante, sacerdotisa, mestra, escritora, artista, pesquisadora, musicista, taróloga, runóloga, artesã, ritualista, curadora e mutante. Sou uma mulher selvagem e aquática, poetisa mística e mágica, feiticeira feminista, lésbica e tecelã de mitos e canções. Sou uma mãe fundadora do movimento da espiritualidade feminina americana, uma das pioneiras que promoveram a atual revolução da Deusa.
Recebi o chamado da Deusa nos idos de 70, quando estava começando o movimento do Seu retorno.Senti que a Consciência da Deusa iria abranger o planeta, pois era a única solução aos problemas mundiais e que as mulheres iam ser as Suas emissárias. Ainda sinto isso, mas não sei quanto tempo o processo irá levar , nem as dificuldades que deverá superar.
Naquele longínquo começo encontrei e trabalhei com muitas mulheres, que, assim como eu, estavam despertando para a Deusa, sentindo amor pela Mãe Terra, por si e entre si. Foi uma lua de mel extática, mas poucas de nós estavam preparadas para as batalhas e lutas que iriam seguir. Na minha área (montanhas de Santa Cruz) eu era a única mulher que oferecia grupos de estudos e rituais para celebrar a Deusa. Nos meados da década de 70, descobri que havia outras mulheres fazendo o mesmo trabalho, como por exemplo Z. Budapest começando o movimento feminista em Los Angeles, Ruth e Jean Mountaingrove em Oregon publicando a revista Womanspirit que durante décadas foi o mais importante elo da trama feminina.
Enquanto o sistema patriarcal ensina competir e dominar a Terra, as mulheres dedicadas à Deusa buscam repartir e preservar a abundância dos recursos naturais. Os padrões masculinos e bélicos, incutidos no inconsciente feminino e alimentados por medos atávicos, contribuíram para cisões e divergências no movimento feminista. Mas a espiritualidade feminina sobreviveu aos ventos contrários e agora está florescendo em toda parte, com centenas de livros e revistas com orientação feminista, círculos, rituais e festivais no mundo todo, estudos universitários, produtos e terapias. “A Deusa está viva e sua magia se espalha sobre a Terra”, antigo lema das pioneiras está se tornando a realidade que compensa os esforços e sacrifícios das iniciadoras.
Mas, nesta era de sucessos e expansão, o nosso movimento enfrenta outros desafios: como vender produtos e imagens da Deusa sem nos vender, como criar e manter uma base cooperativa em lugar da competição, como formar alianças e acordos sem criar dogmas e embates, como ter certeza de que a Tradição da Deusa está nutrindo as mulheres e não correndo o perigo de se tornar outro meio de opressão? Tenho certeza de que um movimento leal à Deusa deva resistir ao dogmatismo, rigidez e conformismo. Mas enquanto a Donzela ama a liberdade, a Mãe cria formas estáveis e duradouras e a Anciã ensina verdades eternas e sempre presentes. As premissas para a continuação e expansão deste processo do qual fiz parte, são a sacralidade da vida e a reverência da divindade feminina, o movimento circular e o poder compartilhado, o respeito à Mãe Terra e a conscientização dos seus filhos sobre a imanência e eterna presença da Deusa em todos os seres e níveis de criação”.

Shekinah Mountainwater - IN “Ariadne’s Thread”

domingo, 10 de outubro de 2010

A FORÇA DA DEUSA-SELVAGEM


"Uma mulher forte é aquela que sente profundamente e ama bravamente.
Suas lágrimas fluem tão abundantemente quanto o seu riso.
Uma mulher forte é tanto terna quanto poderosa.
Ela é ao mesmo tempo prática e espiritual.
Uma mulher forte em sua essência, é um presente para o mundo."

...uma mulher forte é acima de tudo aquela não nega sua fragilidade, aceitando-a, enquanto luta para encontrar sua força nas profudezas do seu ser...

IN; BRUXA SOLTA
- Claudia Botelho (Chara)

Uma pena o fato de não ser possível comentar no blog... não dá nem pra elogiar!
G.L

E EIS QUE CHARA SUMIU
Ao que parece A Chara se meteu num problema de direitos autorais com Nana Odara e seu blog foi excluido

OS MISTÉRIOS DAS MULHERES


Os Mistérios do Sangue
POR BROKE MEDICINE EAGLE

Os mistérios do sangue ensinam que o sangue menstrual e o sangue do nascimento é o mesmo sangue, é o sangue universal, sangue do poder, sangue curativo. Os mistérios do sangue ensinam-nos recordar que vida e saúde são vindas de à mulher, à mulher sábia, à mulher que sangra e sangra. E não morre. Os mistérios do sangue revelam que o sangue menstrual e o sangue do nascimento são universais, cheio de potencial, cheio de vácuo, que devem ser usados para curar. O sangue do amor, sangue da abundância, o sangue que cura a terra. Os mistérios do sangue recordam o imenso poder da mulher, o poder do sangramento. Quando nós sangrarmos na terra (na realidade ou o fantasia) nos reencontramos com o poder, enquanto nosso sangue corre através do chakra pessoal da raiz e na terra. Sangrando na terra, sangrando livremente, nos como mulheres, como nutridoras da vida, como doadoras, nutridoras dass plantas, doadoras da nutrição universal - nosso sangue do tempo da lua : "Eu sou mulher que dá a nutrição para assegurar a vida deste planeta. Com meu poder do tempo da lua, meu sangue, com meu poder do nascimento, meu sangue, eu alimento a terra alimenta a todos. Cada mês eu recordo: Eu sou mulher. Eu sou terra. Eu sou vida. Eu sou nutrição. Eu sou mudança.

Eu sou inteira. Eu sou mulher. Eu sei a vida, a morte, a dor, e a saúde em meu meu útero. Eu conheço os lugares sangrentos: o espaço estreito entre a vida e a morte, o lugar de nascimento sangrento, o fluxo sangrento da vida nutridora, o fluxo sangrento de deixar a vida ir. Eu sou mulher. Meu sangue é poder. Poder calmo. Sangue calmo. Meu sangue é nutrição integral. Meu sangue nutre o feto crescente. Meu sangue transforma-se em leite para a criança nova. Meu sangue flui na terra como o nutrição para a Grande Mãe Gaia, a Mãe Terra.

Gaia, cujas manifestações são sangrentas. Mulher, cujas expressões são de verter sangue. Mas sangue da nutrição. Sangue menstrual vertendo, sangue sangrando do nascimento. Sangue da paz, sangue nutridor. Sangue de saúde, não do sacrifício. A tradição sábia da mulher é uma mulher que sangra como dádiva. A saúde está mudando sempre. A vida é misteriosa, movendo-se nas espirais da mudança. Espirais que movem-se completamente para o vácuo. A mudança que faz a abertura que nos permite ver o presente saudável . Sente-se, irmã, no musgo verde macio, e dê-se seu sangue sagrado da lua à terra, à espiral da vida. Deixe o fluxo vermelho do sangue do seu útero juntar-se ao verde e marrom da terra. Sente-se aqui. Relaxe e feche seus olhos e deixe as visões virem. Descanse agora e entregue seu sangue da lua para nutrir a mãe que nos nutre. Relaxe e deixe as visões virem." O periodo do fluxo menstrual, de acordo com a tradição da mulher sábia, é um momento das visões. Toda a mulher que prestar atenção a estas visões encontrará o poder dos xamã, das bruxa, sas mulheres medicinais. Adicione um pouco de folhas vermelhas a suas misturas herbais, com exceção da hera. Evoque o poder do sangue menstrual. Isso fará à medicina. Estes são os poderes naturais de mulheres menstruando, e em menopausa, e em início de menopausa: Ligação com a terra como uma presença responsável e nutridora
* Comunicação com as plantas, animais, equilíbrio
* Criar o tempo
* Deslocar a forma
* Invisibilidade
* Comunicação com fadas, devas, elfos, elementais
* Prever futuro
* Aguça olfato, o paladar, a escuta, a visão, o tato.
* Cura

IN: MULHERES & DEUSAS - ROSA LEONOR PEDRO

A MÃE CRIADORA DA MITOLOGIA CELTA

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DEUSA DANA

"A Mãe Celeste, que dança na espiral das serpentes das estrelas, é a Fonte de onde nasceu aquele povo antigo, que trouxe o druidismo a terra da esmeralda, seu nome Dana, significa bailarina brilhante"
Cathbad


O mistério fundamental da religião celta e das cerimônias rituais que materializaram sua essência serão sempre difíceis de compreender. Tanto a espiritualidade deste povo guerreiro, quanto o fato de, inclusive, terem sido uma religião, viram-se eclipsados pela insistência romântica em envolver a mística celta no mundo das fadas e dos espíritos.
A escrita era considerada desnecessária, pois as leis, lendas e ensinamentos tribais se perpetuavam graças a poetas e sacerdotes. Eram eles que se encarregavam de memorizá-las e de transmiti-las oralmente. Da mesma forma que as proibições impostas aos heróis guerreiros, as quais determinavam seu modo de vida e suas ações. A transmissão oral sempre foi um método eficiente para comunicar todos os matizes dos acontecimentos importantes na vida da tribo. Para poder recordar e interpretar mais facilmente as histórias, intercalavam-se os temas rituais referentes aos deuses: a imposição de nomes, a pedra do oráculo, que gemia durante a coroação de um novo rei, os gêmeos divinos e o guerreiro heróico. A constante metamorfose destes temas e a facilidade de ligação entre o físico e o sobrenatural plasmaram o mundo da imaginação celta através de milhares de anos de relatos. Nos contos, os seres divinos podiam passar de sobrenaturais a vulneráveis como o resto dos humanos e regressar a seus domínios, sem ofender a suscetibilidade cristã dos escribas que, de vez em quando, deixavam testemunho das lendas.
Todas as divindades, por muito extraordinárias que fosse, se encontravam submetidas ao ritmo desta vida e às exigências de uma dada população. Cada província ou região tinha seu lugar sagrado, que era o centro do seu mundo. Seu topônimo mostrava a relação entre a Terra, o Céu, entre a Tribo e seu Deus.

Nós aprendemos a separar o psíquico subjetivo do natural objetivo. Os povos primitivos, ao contrário, tem sua psique convertida nos objetos. Sua paisagem não é só um ponto geográfico, ou geológico ou político. Para os druidas, por exemplo, os bosques eram suas catedrais. Neles celebravam seus rituais, festas e cerimônias mágicas. Cada árvore estava consagrada a um dia e representava uma virtude. Estes "gigantes verdes", tinham grande importância na cultura celta. O maior de todos os medos se localizava em lugares em que acreditavam não serem bons, pois eram habitados por espíritos maléficos. Cogitavam, por exemplo, que nas montanhas habitava uma grande serpente e que as cavernas eram vigiadas por demônios serpentinos. Esta projeção do psíquico cria, de maneira natural, relações de homens com homens, animais com coisas, que para nós são absolutamente incompreensíveis, mas fascinantes para serem estudadas.
Todas as famílias celtas se originaram da Deusa Mãe. Da Mãe vêm os ramos familiares das deusas e deuses. Assim como a maioria das famílias, eles representam as polaridades do caráter humano. É importante lembrar que casa Deusa e cada Deus representam um aspecto que você pode reconhecer dentro de si mesmo e nos outros.

OS TUATHA DÉ DANNAN

Os Thuatha Dé Danann foram a quarta raça de colonizadores que chegaram na Irlanda antes da era cristã. Eles eram seres sábios, eminentes magos, cientistas e artesãos, possuidores de uma altíssima vibração espiritual, verdadeiros "seres de luz".
Os Tuatha eram provenientes da distante e mítica Hiperbórea, onde possuíam quatro cidades: Falias, Gorias, Murias e Findias, nas quais aprenderam ciências e magia e a aplicação conjunta de ambos os princípios por meio da instituição do druidismo. De cada uma dessas cidades mágicas os Tuatha Dé Danann trouxeram um tesouro:
Falias - Lia Fáil, a "Pedra do Destino", onde eram coroados os reis da Irlanda. Era uma grande pedra em formato de coluna que simbolizava a própria Terra, cujo poder só era compreendido pelo verdadeiro Rei;
Gorias - a Gáe Assail, a "Lança de Assal", que seria de Lugh, e retornava a mão após ser lançada (associada ao elemento Fogo);
Murias - o Caldeirão de Dagda, chamado o "Inesgotável", recipiente que continha a água, fonte de toda a vida (protótipo do Graal);
Findias - a espada inescapável de Nuada (associada ao elemento Ar).
Hiperbórea é um dos principais mitos genéricos europeus: um lugar de paz e sabedoria, uma terra de "leite e mel" de onde, provinha o primeiro homem branco estabelecido em algum lugar do norte do mundo. Um paraíso mágico e melancólico que não teve outro remédio senão abandonar e seguir para o Sul, quando grandes cataclismas mudaram o eixo da Terra e transformaram o mundo alegre e fértil em um charco árido e coberto de gelo.

Eles chegaram em Beltane (May Day) envoltos em um densa névoa mágica, a qual causa uma eclipse de três dias. Imediatamente atearam fogo em suas próprias embarcações impossibilitando a fuga de sua nova pátria. Estavam realmente dispostos a reconstruir sua civilização. Eles conquistaram e governaram a Irlanda por 200 anos, e por fim, foram conquistados pelos Milesianos. Foi quando migraram para os Mundos Subterrâneos das colinas (sidhe) e montes da Irlanda, ficando conhecidos então, como "Daione Sidhe" ou "Povo das Fadas". Bodb Dearg (Bodb, O Vermelho) foi escolhido como rei, pois era o filho mais velho de Dagda.

Os filhos de Danu eram também conhecidos como "Os Que Sempre Vivem", pois conheciam o segredo da imortalidade. Eles possuíam um Banquete da Idade, deste modo, ninguém envelhecia, quando sustentados pelos porcos mágicos de Manannán e a cerveja de Goban, O Ferreiro. Os filhos de Danu ainda possuíam um médico muito especial, Diancecht. Ele era o guardião da fonte da saúde, juntamente com sua filha Diarmaid. Qualquer um que fosse morto ou ferido deveria ser colocado na fonte para viver e se recuperar novamente.

DEUSA DANA

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Segundo uma lenda, Dana nasceu em uma Clã de Dançarinos que viviam ao longo do rio Alu. Seu nome foi escolhido por sua avó, Kaila, Sacerdotisa do Clã. Foi ela que sonhou com uma barca carregando seu povo por mares e rios até chegarem em uma ilha, onde deveria construir um Templo, para que a paz e a abundância fossem asseguradas. Ao despertar, Danu relatou seu sonho ao conselho e a grande viagem começou então a ser planejada.
Também conhecida como Danu, é a maior Deusa Mãe da mitologia celta. Seu nome "Dan", significa conhecimento, tendo sido preservada na mitologia galesa como a deusa Don, enquanto que outras fontes equipararam-na à deusa Anu. Na Ibéria, a divindade suprema do panteão celta é considerada a senhora da luz e do fogo. Era ela que garantia a segurança maetrial, a proteção e a justiça. Dana ou Danu também é conhecida por outros nomes: Almha, Becuma, Birog, ou Buan-ann, de acordo com o lugar de seu culto.

O "Anuário da Grande Mãe" de Mirella Faur, nos apresenta o dia 31 de março como o dia de celebrar esta Deusa da prosperidade e abundância. Conta ainda, que os celtas neste dia, acreditavam que dava muito azar emprestar ou pegar dinheiro emprestado, por prejudicar os influxos da prosperidade. Uma antiga, mas eficaz simpatia, mandava congelar uma moeda, fazendo um encantamento para proteger os ganhos e evitar os gastos.
Os descendentes da Dana e seu consorte Bilé (Beli) eram conhecidos como os "Tuatha Dé Dannan" (povo da Deusa Dana), uma variação nórdica de Diana, que era adorada em bosques de carvalhos sagrados.O nome "Dana"é derivado da Palavra Céltica Dannuia ou Dannia. É significativo que o rio Danúbio leve seu nome, pois foi no Vale do Danúbio, que a civilização Celta se desenvolveu. A ligação Celta com o vale do rio Danúbio também é expressa em seu nome original. "Os filhos de Danu", ou "Os filhos de Don".
Dana é irmã de Math e seu filho é Gwydion. Sua filha é Arianrhod, que tem dois filhos, Dylan e Llew. Os dois outros filhos de Dana são Gobannon e Nudd.
É certo que Dana deveria ser considerada a Mãe dos Deuses, depois de ter lhes dado seu nome. Há várias interpretações do seu nome, sendo que uma delas é "Terra Molhada" e o mais poética, "Água do Céu".
Danu é uma das Dea Matronae da Irlanda e a Deusa da fertilidade. Seu símbolo mágico é um bastão.
Seu personagem foi cristianizado na figura de Santa Ana, mãe da Virgem Maria, pois sua existência é proveniente de uma antiga divindade indo-européia. Também é conhecida na Índia, como o nome de "Ana Purna" e em Roma toma o nome de "Anna Perenna".

É bem verdade que a associação das deusas à rios e mares não é estranha a tradição celta. A convicção de que o mar e a água deram origem à toda a vida, sobrevive em nossos próprios tempos. Mas nossa Danu amada teve um reflexo oposto, se Danu é representante das forças divinas da luz, então Domnu representa o frio, escuridão e o medo das profundidades desconhecidos dos oceanos. Domnu também é uma mãe, e a fundadora dos Fomóire, a tribo antiga de adversários que tentaram tomar o controle da lei e da ordem dos Tuatha Dé Dannan, de forma que caos podem reger a terra. O nome Domnu significa "terra" e é derivado do Céltico dubno. O sentido da etimologia é "profundo" ou "o que estende abaixo". Até mesmo o nome dos Fomóire significa "debaixo do mar". Estes Fomóire representam as forças de natureza selvagem, eles são ingovernáveis e ainda necessários ao equilíbrio certo da vida na terra.

ARQUÉTIPO DA NATUREZA
Meditando com Dana..

A Deusa Dana chega até nós propondo um encontro com as profundezas da natureza. Ela nos fala o quanto é belo e mágico estar no alto da montanha e descobrir uma nascente jorrando por debaixo de rochas pesadas. A surpresa da fonte sugere as reservas arcaicas da consciência despertando dentro de nós. Pede-nos agora que escutemos o silêncio do lugar. Feche os olhos e sinta-o. Lugar é uma intensa individualidade. Com total atenção, a paisagem celebra a magia das estações, entregando-se sem reservas à paixão da Deusa. O delinear da paisagem é a forma mais antiga e silenciosa da consciência.
Os rios, lagos e regatos têm voz e música, eles são as lágrimas da alegria e dão vida à terra. A terra tem alma, as nascentes tem alma e são considerados lugares purificadores.

Manannán mac Lir disse: "Ninguém obterá conhecimento a menos que beba da nascente". As nascentes eram consideradas como aberturas especiais por onde fluía a divindade. Quando uma nascente desperta em nossa mente, nossas possibilidades podem fluir e descobrimos então o nosso íntimo. Existe tanta beleza e benção perto de nós, que se destinam à nós, mas que não estamos prontos para recebê-la, por não termos presteza, ou por estarmos talvez cegos, medrosos ou nos esteja faltando um pouco de auto-estima. Mas se nos dermos uma chance, a porta de nosso coração poderá passar a ser o portal do céu. Por que não tentar?

RITUAL PARA SAÚDE DA DEUSA DANA

Escolha um lugar reservado em sua casa para fazer este ritual, se for ao ar livre melhor ainda. Primeiro você deve instalar seu altar, que pode ser redondo simbolizando a Deusa, quadrado (simbolizando os quatro elementos) ou retangular, mas fundamentalmente deve conter a representação dos quatro elementos, junto aos respectivos pontos cardeais. Eu instalei meu altar da seguinte forma:
Primeiro cubra seu altar com uma toalha branca. Depois obedeça as seguintes posições:

LESTE- incenso para o AR. (casa do elemento intelectual). Pode-se colocar flores também.
SUL- vela branca para o FOGO (elemento da transformação, paixão , sucesso, saúde e poder)
OESTE - água para o elemento ÁGUA (elemento da mente psíquica, da cura e da espiritualidade)
NORTE - pedra ou uma planta suspensa para a TERRA. (elemento estabilizador e centralizador dos outros três). Deve ser colocado aqui também o breve ou amuleto (pode ser uma pulseira, corrente, chaveiro,etc) a ser consagrado para a saúde, que deverá ser mergulhado dentro de um óleo (pode usar essência de sândalos).

INVOCAÇÃO


Dana, nossa Deusa amada
Cujos cabelos acenam ao vento
Coloridos como sóis brilhantes
Cuja veste se faz oceanos
Mãe Divina dos Tuatha de Danann
E das terras Ocidentais
Traga-nos Sua alegria
Traga-nos a boa saúde
Desperte em nós a beleza
Da natureza que é Seu Véu.


Neste momento, retire seu amuleto do óleo e passe-o sobre o fogo da vela, a fumaça do incenso e borrife água sobre ele, colocando em seguida de volta ao recipiente onde se encontrava anteriormente. Deixe-o sobre o altar por três dias. No término deste tempo, lave-o com água corrente e use-o de preferência junto ao corpo.

Texto pesquisado e desenvolvido por

Rosane Volpatto

DEUSA DANA
http://www.rosanevolpatto.trd.br/deusadana.htm


VEM ATÉ MIM...

....meu lado e me beije
Desnuda minha face e me profane
Vem até mim na escondida nos mantos azuis
Vem até rasga minha veste lunar
E revele minha veste solar
E Des-Vele
Rasga meu rostou com a tua garra
E veja minha face de estrelas
Rasga minha mão e veja a raiz do tempo
Rasga meu ventre e veja tudo que ele preenche
Rasga me inteira e ainda sim serei inviolada
Rasga me inteira e ainda sim
Alegre e docemente ainda mantenho a Fonte do Meu poder
Vem até mim com suas vestes de rei
E te mostrarei que sou Imperatriz
Vem coroado de sol
E te mostrarei meu diadema do infinto
Vem vestido com todo ouro
E eu nua serei ainda sim
Suprema em minha majestade
Vem beber do meu seio
E ainda sim meu leite jamais parará de jorrar
Vem se aventorar no meu portal
Vem buscar no interior do meu corpo a fonte de poder
E ainda sim, estarei intacta e rirei docemente
Vem e tentame
Vem sedutor
Vem até mim
E eu te mostrarei que sou mais que todos os homens e mulheres
Vem de mim
Vem buscar a tua coroa
E eu te darei a luz
Te dou sol como presente e estarte
Toma-o agora é teu
E ainda sim o Universo será ventre
Te darei a humanidade
E ainda sim, na hora da morte será a mim que iram chamar
Te darei meu amado todo o meu amor
E mesmo tu que é deleite e poder eterno
Não o compreenderá...
E ainda sim jamais se saciará
Vem até mim meu rei, meu consorte
Vem até mim...
E saiba que eu sou eterna
Vem até mim
Vem até mim
Vem até mim....

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

MÃE DOS GRÃOS

AS SENHORAS DA PLENITUDE

Nas culturas pré-cristãs celebrava-se a colheita com cerimônias de reconhecimento e gratidão pelas dádivas da terra. Os arquétipos cultuados eram na sua maioria femininos, os nomes e atributos variavam, porém os seus atributos comuns eram: abundância, plenitude, felicidade, alegria, celebração. Os povos indo-europeus reverenciavam a Mãe dos grãos ou a Senhora da vegetação sob diversos nomes e manifestações. No folclore dos povos eslavos, saxões, nórdicos e celtas permaneceram ocultados - em lendas, histórias e “superstições” - resquícios dos antigos cultos, principalmente a importância da última espiga remanescente nos campos, que estaria retendo o “espírito de fertilidade dos grãos”. Ela era cortada ritualisticamente, modelada e vestida como uma mulher, enfeitada com flores e frutos e carregada como representação da Mãe dos grãos em alegres procissões nos vilarejos. Em alguns lugares era transformada em guirlanda e usada pela moça escolhida como ”Rainha da colheita”, depois guardada e enterrada no próximo plantio. O cristianismo adotou algumas das antigas datas e práticas da época da colheita nas festas e procissões dedicadas à Maria, na Assunção e nas benzeduras de casas, pessoas, animais, ainda realizados nas áreas rurais de Hungria, Polônia, Romênia.

Na mitologia húngara a regente da fertilidade, nascimentos e abundância (vegetal, animal, humana) era Boldog Asszony (“A Rainha plena e alegre”); os seus atributos foram adotados pela igreja católica e transferidos para o culto de Maria, sendo nomeada Padroeira do país e festejada no dia 17/10 como a “Grande Rainha da Hungria”. Deusa protetora da terra, das famílias e curas, Boldog Asszony era filha de Nagy Boldogaszony (“A Grande Rainha”), Mãe Divina ancestral que tinha sete aspectos, cada um regendo um dia da semana e cujas datas ritualísticas foram preservadas nas comemorações do calendário cristão (25/03, 15/08, 17/10 e 26/12).

Pesquisas atuais encontraram semelhanças do Seu arquétipo e culto com os de Astarte, Inanna, Ishtar e principalmente Bau, a Grande Mãe da Mesopotâmia. Supõe-se que os ritos agrários neolíticos e os mitos das deusas da fertilidade migraram da Suméria e Anatólia para a Europa central, os seus atributos tendo equivalências em várias línguas: dravidiana (da Índia), suméria, persa, turca, balcânica e húngara. Os termos comuns aos atributos divinos são: plena, abundante, alegre, feliz, doadora, parteira, grávida, matrona, senhora, rainha, deusa. O culto de Bau data de 2500 a.C. e é semelhante ao da deusa sumeriana Gula, ambas sendo regentes da fertilidade, abundância e cura, mães divinas doadoras da vida, parteiras, rainhas da colheita e protetoras das almas na sua passagem entre os mundos. Acreditava-se que os espíritos das crianças ficavam escondidos nas pregas das Suas saias à espera da reencarnação. Seu símbolo era uma taça medidora chamada Bar, cujo hieróglifo X era equivalente à runa nórdica da doação e troca. Nos nascimentos das crianças as parteiras ou avós faziam oferendas de pão e vinho, pois nos mitos existiam advertências para aquelas mulheres que não reverenciavam ou agradeciam à Grande Mãe, privando assim seus filhos das bênçãos divinas.

Assim como as deusas sumérias, Boldog Asszony era celebrada como A Mulher Abençoada, A Mãe plena, Rainha alegre da colheita ou Senhora da foice (usada antigamente pelas mulheres nas colheitas de cereais). Em uma dança folclórica húngara, contemporânea, encena-se a reverência à Maria (a herdeira cristã da Deusa) com uma roda de mulheres, com saias coloridas e tiaras bordadas, que pedem cantando à Mulher Abençoada (personificada por uma mãe humana no centro da roda) visitar e abençoar suas casas, famílias, lavouras e bens.

Infelizmente, as proibições religiosas do regime comunista na Hungria, continuando a perseguição secular da igreja católica, suprimiram muitas das tradições antigas remanescentes no meio rural. Após a cristianização forçada no século 12, a língua original – de origem asiática (ramo ugro-fínico)- foi europeizada, perdendo-se assim antigos significados de palavras associadas aos ritos agrários. O atual povo húngaro originou-se da mescla de tribos citas, hunos, persas e magiares vindos das estepes da Ásia central. A religião pagã original era monoteísta, centrada em uma divindade incriada, etérica, sem forma, sexo ou nome, cercada por seres divinos. Reverenciavam-se as forças da natureza, o céu e a Mãe Terra, as deusas mais cultuadas sendo a Grande Mãe - Nagy Asszony -e sua filha Boldog Asszony, (“Senhora da plenitude e alegria”), a Velha Mulher Lua e o casal solar.

Inspirados pela riqueza mítica das antigas deusas nós podemos criar um singelo ritual atual de gratidão, oferecendo à Mãe Divina o tradicional pão e vinho, junto com símbolos da nossa “colheita”. Após fazer uma auto-avaliação das realizações dos meses anteriores, agradeceremos os “frutos” colhidos, refletiremos sobre as medidas necessárias para limpar nossos “plantios”, deles retirando as ervas daninhas, os insetos invasores e animais predadores. Depois, iremos assumir o compromisso de cuidar e proteger os brotos tênues dos nossos sonhos e aspirações, nutrindo-os com a energia da perseverança, confiança e fé, nos sentindo guiados pelas Mães do plantio e da colheita e abençoados pelas Senhoras ancestrais da plenitude.

IN: http://sitioremanso.multiply.com/journal/item/67

terça-feira, 5 de outubro de 2010

CULTIVANDO A DEUSA NA NOSSA ALMA


O poder da Deusa consagrando o cotidiano

O ressurgimento do Sagrado Feminino nos traz uma nova visão espiritual. A espiritualidade centrada no culto à Deusa implica no respeito à natureza e à vida em todos as suas manifestações, no cultivo da compaixão e aceitação nossa e dos outros, no reconhecimento da intuição e sabedoria existentes – mesmo que latentes – em todos nós, na celebração alegra da unidade com toda a criação.

Para sentir o poder da Deusa, comece a perceber o sagrado em tudo que a cerca, em cada dia, em cada lugar. Talvez precise de algum tempo para notar e experimentar conscientemente momentos, vivências, encontros, que antes passavam de forma fugaz sem que você percebesse o seu valor. Adquirindo uma nova consciência a sua vida torna-se mais rica, um acontecimento ou encontro não mais é algo fortuito, as “coincidências” passam a ser facetas da sincronicidade cósmica.

A mulher tem um enorme poder dentro de si. Não é o poder sobre alguém ou contra alguém, é o seu poder inato e ancestral, a sua intuição, percepção, compreensão, compaixão, criatividade, amor e conexão – consigo mesma, com os outros, com o Divino.

Nas antigas tradições e culturas o poder criativo e renovador da Deusa eram o símbolo da própria vida, a Terra e a mulher eram consideradas sagradas sendo suas representações. Nos cultos e Mistérios Femininos honravam-se os ciclos eternos que marcavam a vida do renascimento à morte, e desta para um novo início através do renascimento. Vida e morte eram interligadas de forma misteriosa e divina, competindo às mulheres as tarefas de recepcionar e cuidar da vida (como parteiras, mães, curandeiras), assistir e auxiliar as transições (como xamãs e sacerdotisas) e servir como intermediarias entre o humano e o divino (profetisas, oráculos).

O poder da Deusa possibilita a expansão do potencial emocional, mental, criativo e espiritual inatos em cada mulher. O poder da mulher está na sua sabedoria, a compreensão intuitiva, imparcial e sábia dos processos e das surpresas da vida. Nem toda mulher pode ser jovem, bonita, culta, rica, mas todas as mulheres podem se tornar sábias, permanecendo serenas no meio do tumulto.

As mulheres que almejam o poder da Deusa cultivam uma forma diferente de espiritualidade, buscando expandir sua consciência, honrando a vida em tudo ao seu redor e transformando o mundano em sagrado. A chave para a transformação espiritual é o enriquecimento e o aprofundamento de sua vida interior, podendo assim acessar e confiar no seu Eu Superior.

Para nutrir e embelezar nossas vidas podemos usar inúmeros recursos, simples ou elaborados, como alguns dos seguintes:

1. Crie um espaço sagrado no seu lar, não somente através de um altar, mas usando sua inspiração, imaginação e amorosidade para que todos se sintam bem, protegidos, nutridos e amados;

2. Crie momentos sagrados – para si mesma ou compartilhando-os com amigos e familiares – caminhando na natureza, ouvindo música suave, jantando a luz de velas, lendo textos que nutram a alma, enriqueça a sua mente e elevem o espírito;

3. Entre em comunhão com a natureza, honrando a Deusa em todos os seus aspectos e manifestações. Não basta encher sua casa de plantas se você não entrar em contato real e profundo com a terra, a chuva, o vento, as nuvens, o Sol, a Lua, os animais – seus irmãos de criação;

4. Respire e consagre seu corpo como a morada da sua alma durante esta encarnação. Procure viver de forma saudável, fazendo suas opções com consciência, sem se agredir e sem culpar – a si ou aos outros – pelos seus problemas ou compulsões. Coma bem para viver melhor. Observe suas fugas e compensações, cuide da sua “criança” carente ou ferida ajudando-a a crescer, curando-a com amor e dando-lhe os meios adequados para se tornar forte e auto-suficiente;

5. Manifeste sua criatividade – escreva, borde, pinte, desenhe, faça colagens, modele argila, cante, recite, dance, aprenda algo novo, componha um poema ou canção, faça pão, comece um diário de sonhos. A mulher que não dá vazão construtiva à sua imensa capacidade criativa pode torná-la em energia destrutiva – contra si ou contra os outros;

6. Coloque em prática os ensinamentos espirituais. Não se contente em ler inúmeros livros ou participar de cursos e workshops se você não pratica aquilo que aprendeu. Para mudar, precisa viver de forma consciente, reconhecer e transmutar seus pensamentos negativos e ser sincera nas avaliações – suas e dos outros. Todas as experiências dolorosas da vida são aprendizados cujas lições podem contribuir para sua transformação. Algumas mensagens levam momentos para serem assimilados, outras, meses ou anos. Quando começar a compreender o significado dos acontecimentos da sua vida, você começou a crescer de fato e assim poderá abrir novas portas na sua vida, se usar a chave certa;

7. Encontre o equilíbrio entre o falar e o silenciar, se movimentar ou se aquietar. Procure se relacionar com pessoas que compartilham das mesmas buscas e que têm o mesmo nível vibratório. Participe de círculos de mulheres em que possa encontrar apoio para a sua jornada espiritual, em que possa confiar para expressar suas dores ou suas conquistas. Celebre a Deusa sozinha ou em grupo, encontrando assim a verdadeira fonte de seu poder, da sua cura e transformação. Cultive a Deusa dentro de você reconhecendo a sacralidade do seu corpo, da sua mente, das suas emoções, da sua vida. E ao reconhecer a Deusa dentro de si, você se tornará uma com Ela.

Mirella Faur

Fonte: http://sitioremanso.multiply.com/journal/item/45

domingo, 3 de outubro de 2010

ORAÇÃO A GRANDE MÃE

Senhora da Terra
Guia e Alma de todas mulheres

Guie me no dia de hoje e nesta noite também
Quando serei marcada pelo Poder da Luz.
Guie me nas horas de Escuridão dentro e fora dos rituais
A Ti consagrados.
Guie me quando eu estiver sozinha na noite perdida
Na estrada e sem rumo,
Guie me na minha fé para que eu não busque apenas o Poder ou o êxtase
Mas também o Seu amor que é Fonte da Vida.
Guie me, ó Mãe Sagrada, que é Virgem e Amante,
Que nunca se entregou e que é em Si mesma,
Fonte, Força e Origem e ensina me a ser sagrada, una e integral para que eu como Tua sacerdotisa
Possa abrir caminhos em Teu nome em meio a escuridão da noite,
Segurando Sua tocha, Sua mensagem,
Sua luz para o mundo
E que mesmo na Escuridão do Seu Útero eu possa reverencia La ama La e compreende La acima de todas as coisas.
que assim seja.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

A MÃE NEGRA


A Deusa Negra é a Sophia velada que, de muitas formas, é a manifestação primal do Divino Feminino. Ela pode ser mais prontamente identificada pelas mulheres porque seus processos e poderes ocultos se assemelham a suas próprias qualidades instintivas. Os homens raramente se aproximam dela, a não ser com medo, pois ela não se manifesta como uma musa sensual e desejável (se bem que por vezes ela assuma essa forma), mas como uma Mãe Obscura, imanente e detentora de poderes desconhecidos e inimagináveis, ou como Virago, uma poderosa virgem. O temor dos homens pelo feminino tem origem aqui, e é por isso que temos tão poucos textos falando das qualidades dela, pois poucos homens permaneceram perto dela tempo o bastante para serem capazes de registrar sua experiência orgânica da Deusa Negra, que é a poderosa base para a compreensão do Divino Feminino, pois é somente quando a homenageamos que podemos encontrar a Deusa da Sabedoria. Sophia está em ação desde o início, pois é uma Deusa Criadora. Ela aguarda ser redescoberta no interior da Deusa Negra, sua imagem refletida, ciente de que, até que façamos esse importante reconhecimento, ela terá que retornar vez após vez em diferentes formas. Ela pacientemente aguarda pelo momento de emergir, ciente de que terá de desempenhar diversos papéis no cenário que surgirá. O Ocidente lentamente começa a desenvolver uma apreciação da Deusa Negra. Nos últimos dois mil anos em que a deusa foi marginalizada, a maior parte das aparições do Divino Feminino foram avaliadas sob uma problemática ótica dualista. Nós não dispomos da válvula de segurança da metáfora feminina em nossa compreensão espiritual: consequentemente, o feminino (tanto humano quanto divino) passou a ser visto monstruosamente distorcido, ameaçador e incontrolável. O fato de que nossas metáforas de deidades podem mudar ou assumir facetas diferentes está além da compreensão ocidental. A Deusa pode ser vista de diversas formas, um fato que levou muitos filósofos e teólogos a chamar a Deusa de volátil e mutável, como uma prostituta e seus muitos clientes. O ocidente sempre se espantou com o fato de que o Hinduismo aceitava uma forma tão repulsiva quanto Kali. Porém, se a Deusa Negra é negada, como ocorre em nossa cultura, ela surgirá através de formas que nos levem a respeitá-la no futuro - se houver um futuro. Na sucessão das eras hindus, vivemos hoje a era de Kali Yuga, a era da destruição. Nós costumamos dar tamanha ênfase ao benéfico e ao belo que criamos um arquétipo falso para o Divino Feminino. A Deusa, para ser aceita em nossa cultura, tem de surgir na forma de candura e luz - uma mistura de Marilyn Monroe e Vênus de Milo - sexy e um tanto obtusa. Tais polarizações são perigosas e repercutem com força no Ocidente. Essa imagem não só cria uma norma pela qual as mulheres são vistas, mas também desequilibrou nossa relação com o resto da criação. A cultura ocidental, como suas manifestações espirituais ortodoxas, é dominadora, ditatorial e patriarcal. Não permite que as liberdades fundamentais do ser humano se desenvolvam de forma equilibrada, distorcendo até mesmo as qualidades da sabedoria, do amor, do conhecimento e da compaixão. O caminho de Sophia é o caminho da experiência pessoal. Ela nos leva a áreas que podemos chamar de 'realidade elevada' - os universos criativos a que os mortais comuns são levados por força de suas habilidades vocacionais e criativas. Contudo, o poético, o mágico e o criativo costumam ser negados por nossa cultura. Qualquer pessoa que tenha mergulhado no mundo da visão - definido por muitos como irreal - sabe que seu poder pode melhorar nossas vidas. É Sophia que atua como guia e companheira desta demanda interior, especialmente válida para as mulheres. Uma vez que a criatividade de Sophia é por nós negada, nós a vemos encoberta pelo manto da Deusa Negra, movendo-se silenciosa e misteriosamente para executar seus trabalhos."

IN:http://shaktilalla.blogspot.com/2008/09/deusa-negra.html

SHAKTI - FORMAS E FACES DA MÃE SUPREMA


"Os quatro Poderes da Mãe são quatro de suas Personalidades proeminentes, porções e encarnações de sua divindade através das quais ela age sobre suas criaturas, ordena e harmoniza suas criações nos mundos e dirige a realização de suas mil forças. Pois a Mãe é uma, mas ela se apresenta a nós com aspectos diferentes; muitos são seus poderes e personalidades, muitas suas emanações e Vibhutis que fazem seu trabalho no universo. A Única que adoramos como a Mãe é a Força Consciente divina que domina toda a existência, única e ao mesmo tempo de tantos aspectos que é impossível seguir seu movimento, mesmo para a mente mais veloz e para a inteligência mais livre e mais vasta. A Mãe é a consciência e força do Supremo e está totalmente acima de tudo que ela cria. Mas algo de seus modos pode ser visto e sentido através de suas encarnações e através do temperamento e ação mais palpáveis — porque mais definidos e limitados — daquelas formas de deusa nas quais ela consente em ser manifestada às suas criaturas.

Há três modos de ser da Mãe dos quais você pode tornar-se consciente quando você entra em relação de unicidade com a Força consciente que sustenta a nós e ao universo. Transcendente, a suprema Shakti original, ela está acima dos mundos e liga a criação ao mistério sempre não manifestado do Supremo Universal, a Mahashakti cósmica, ela cria todos estes seres e contém e penetra, suporta e conduz todos estes milhões de processos e forças. Individual, ela encarna o poder desses dois modos mais vastos de sua existência, torna-os vivos e próximos a nós e media entre a personalidade humana e a Natureza divina.


A Shakti única original transcendente, a Mãe, está acima de todos os mundos e suporta em sua consciência eterna o Divino Supremo. Sozinha, ela abriga o poder absoluto e a Presença inefável; contendo ou chamando as Verdades que devem ser manifestadas. Ela as faz descer, do Mistério no qual estavam escondidas, para a luz de sua consciência infinita e dá-lhes uma forma de força em seu poder onipotente e em sua vida ilimitada, e um corpo no universo. O Supremo está manifestado nela para sempre como o perene Sachchidananda, manifestado através dela nos mundos como a consciência una e dual de Ishwara-Shakti e o princípio dual de Purusha-Prakriti, corporificado por ela nos Mundos e nos Planos e nos Deuses e em suas Energias e, graças a ela, configurado como tudo que existe nos mundos conhecidos e em outros desconhecidos. Tudo é seu jogo com o Supremo; tudo é sua manifestação dos mistérios do Eterno, dos milagres do Infinito. Tudo é ela, porque todos são parcela e porção da Força Consciente divina. Nada pode haver aqui ou em outro lugar a não ser o que ela decide e o Supremo sanciona; nada pode tomar forma exceto o que ela, movida pelo Supremo, vê e forma após lançar em estado semente em sua Ananda criadora.


A Mahashakti, a Mãe universal, torna realidade tudo que por sua consciência transcendente é transmitido do Supremo e entra nos mundos que ela criou; sua presença enche-os e suporta-os com o espirito divino e a força e deleite todo-sustentadores divinos, sem os quais eles não poderiam existir. Aquilo que chamamos Natureza ou Prakriti é somente seu aspecto executivo mais exterior; ela conduz e organiza a harmonia de suas forças e processos, impele as operações da Natureza e se move entre elas secreta ou manifesta em tudo o que pode ser visto ou experimentado ou posto em movimento de vida. Cada um dos mundos não é mais que um jogo da Mahashakti daquele sistema de mundos ou universo, que está lá como a Alma e a Personalidade cósmicas da Mãe transcendente. Cada um é algo que ela viu em sua visão, reuniu em seu coração de beleza e poder e criou em sua Ananda.


Mas há muitos planos de sua criação, muitos estágios da Shakti Divina. No cimo desta manifestação de que fazemos parte há mundos de existência, consciência, força e bem-aventurança infinitas, acima dos quais a Mãe está com o poder eterno sem véus. Lá todos os seres vivem e se movem em uma inefável inteireza e uma inalterável unicidade, porque ela os carrega seguros em seus braços para sempre. Mais perto de nós estão os mundos de uma criação supramental perfeita, nos quais a Mãe é a Mahashakti supramental, um Poder de Vontade onisciente e um Conhecimento onipotente divinos que sempre aparecem em seus trabalhos infalíveis e espontaneamente perfeitos em cada processo. Lá todos os movimentos são os passos da Verdade; lá todos os seres são almas e poderes e corpos de Luz divina; lá todas as experiências são mares e inundações e ondas de uma intensa e absoluta Ananda. Mas aqui onde nós moramos estão os mundos da Ignorância, mundos de mente e vida e corpo separados em consciência de sua fonte, dos quais esta terra é um centro significativo e sua evolução um processo crucial. Também isto, com toda sua obscuridade e luta e imperfeição, é sustentado pela Mãe Universal; também isto é impelido e guiado a seu secreto objetivo pela Mahashakti.


A Mãe como a Mahashakti deste mundo triplo da Ignorância, fica num plano intermediário entre a Luz supramental, a vida da Verdade, a criação da Verdade que precisa ser trazida aqui para baixo, a esta hierarquia ascendente e descendente de planos de consciência que, como uma escada dupla, afunda até a insciência da Matéria e sobe de volta novamente, através do florescer da vida e da alma e da mente, até a infinidade do Espirito. Determinando tudo o que deve ser neste universo e na evolução terrestre pelo que ela vê e sente e emana de si, ela está acima dos Deuses, com todos seus Poderes e Personalidades dispostos diante dela para a ação, e envia emanações deles para estes mundos inferiores a fim de intervir, governar, lutar e conquistar, guiar e mudar os seus ciclos, dirigir as linhas totais e as linhas individuais de suas forças. Estas emanações são as muitas formas e personalidades divinas que os homens a cultuaram sob diferentes nomes através dos tempos. Mas ela também prepara e molda, através destes Poderes e suas emanações, as mentes e os corpos de seus Vibhutis, assim como prepara mentes e corpos para os Vibhutis do Ishwara, para que ela possa manifestar, no mundo físico e sob o disfarce da consciência humana, algum raio de seu poder e qualidade e presença. Todas as cenas do jogo terrestre foram, como um drama, arranjadas e planejadas e encenadas por ela, com os Deuses cósmicos como seus assistentes e ela própria como um ator velado.


A Mãe não só governa tudo de cima, mas ela desce para dentro deste universo triplo inferior. Impessoalmente, todas as coisas aqui, mesmo os movimentos da Ignorância, são ela mesma em poder velado e suas criações em substância diminuída, sua Natureza-corpo e sua Natureza-força e elas existem porque, movida pelo misterioso decreto do Supremo para tornar realidade algo que estava lá nas possibilidades do Infinito, ela consentiu no grande sacrifício e pôs sobre si, como uma máscara, a alma e as formas da Ignorância. Mas pessoalmente ela também concordou em descer aqui na Escuridão a fim de poder conduzi-la à Luz; na Falsidade e no Erro a fim de poder convertê-los em Verdade; nesta Morte a fim de poder mudá-la em Vida divina; nesta dor do mundo e sua tristeza e sofrimento obstinados a fim de poder finalizá-los no êxtase transformador de sua sublime Ananda. Em seu profundo e grande amor por suas crianças, ela consentiu em vestir o manto desta obscuridade, condescendeu em suportar os ataques e influências torturantes dos poderes da Escuridão e da Falsidade, sujeitou-se a passar através dos portais do nascimento que é uma morte, tomou sobre si as angústias e tristezas e sofrimentos da criação, porque parecia que somente assim poderia ser erguida para a Luz e Alegria e Verdade e Vida eterna. Este é o grande sacrifício, às vezes chamado o sacrifício do Purusha, mas muito mais profundamente o holocausto da Prakriti, o sacrifício da Mãe Divina.


Quatro grandes Aspectos da Mãe, quatro de seus Poderes e Personalidades principais tomaram a frente em sua direção deste Universo e em sua participação no jogo terrestre. Um deles é sua personalidade de calma amplitude, compreensiva sabedoria, tranqüila benignidade, compaixão inexaurível, majestade soberana e transcendente e grandeza que reina sobre tudo. Um outro encarna seu poder de vigor esplêndido e paixão irresistível, seu humor de guerreiro, sua vontade esmagadora, sua impetuosa velocidade e força que sacode o mundo. Um terceiro é vívido e doce e maravilhoso com seu profundo segredo de beleza e harmonia e ritmo delicado, sua opulência intrincada e sutil, sua atração irrecusável e graça cativante. O quarto é provido com sua capacidade densa e profunda de conhecimento íntimo e trabalho cuidadoso e impecável e perfeição quieta e exata em todas as coisas. Sabedoria, Vigor, Harmonia, Perfeição, são os diversos atributos das Personalidades da Mãe, e são estes os poderes que elas trazem consigo para dentro do mundo, manifestam num disfarce humano em seus Vibhutis e devem erigir, no grau divino de sua ascensão, naqueles que podem abrir sua natureza terrestre à influência direta e viva da Mãe. Às quatro damos os quatro grandes nomes: Maheshwari, Mahakali, Mahalakshmi, Mahasaraswati.


A imperial Maheshwari está situada na amplidão acima da mente e da vontade pensantes, sublimando-as e engrandecendo-as em sabedoria e vastidão ou inundando-as com um esplendor de além delas. Pois ela é a Única poderosa e sábia que nos abre às infinitudes supramentais e à vastidão cósmica, à grandeza da Luz suprema, à casa de tesouro do conhecimento milagroso, ao movimento incomensurável das forças eternas da Mãe. Tranqüila e maravilhosa é ela, grande e calma para sempre. Nada pode movê-la porque toda a sabedoria está nela: nada que ela deseje saber está escondido dela: ela compreende todas as coisas e todos os seres, sua natureza e o que os movimenta, a lei do mundo e seus tempos e como tudo foi e é e deve ser. Nela está uma força que defronta e domina tudo, e nada pode no fim prevalecer contra sua sabedoria vasta e intangível e seu poder alto e tranqüilo. Igual, paciente e inalterável em sua vontade, ela lida com os homens de acordo com sua natureza, e com as coisas e os acontecimentos de acordo com sua Força e a verdade que está neles. Ela não conhece parcialidade, mas segue os decretos do Supremo, e uns ela eleva enquanto outros ela abate ou afasta de si para dentro da escuridão. Ao sábio ela dá uma sabedoria maior e mais luminosa; aqueles que têm visão, ela os admite como seus conselheiros; ao hostil ela impõe a conseqüência de sua hostilidade; o ignorante e o tolo ela guia de acordo com sua cegueira. Em cada homem ela responde e maneja os diferentes elementos de sua natureza de acordo com sua necessidade e seu anseio e com a resposta que eles pedem, exerce neles a pressão requerida ou os deixa em sua querida liberdade para vingarem nos caminhos da Ignorância ou para perecerem. Pois ela está acima de tudo, por nada presa, a nada apegada no universo. E no entanto tem ela mais do que qualquer outra o coração da Mãe universal. Porque sua compaixão é ilimitada e inexaurível; todos são a seus olhos suas crianças e porções do Um, mesmo o Asura, o Rakshasa e o Pisacha e aqueles que são revoltados e hostis. Mesmo suas rejeições são somente um adiamento, mesmo suas punições, uma graça. Mas sua compaixão não cega sua sabedoria nem desvia sua ação do curso decretado; porque a Verdade das coisas é sua única preocupação, conhecimento seu centro de poder, construir nossa alma e nossa natureza na Verdade divina sua missão e seu trabalho.


Mahakali é de uma outra natureza. Não amplidão mas altura, não sabedoria mas força e vigor é seu poder peculiar. Há nela uma intensidade transbordante, uma poderosa paixão de força de alcançar, uma divina violência arremetendo-se para destroçar todo limite e obstáculo. Toda sua divindade se lança para fora num esplendor de ação tempestuosa; ela está aí para a velocidade, para o processo imediatamente efetivo, o golpe direto e rápido, o assalto frontal que arrasta tudo à sua frente. Terrível é seu rosto para o Asura, perigoso e implacável seu humor contra os inimigos do Divino; pois ela é o Guerreiro dos Mundos que nunca foge da batalha. Intolerante com imperfeição, ela lida asperamente com tudo no homem que é relutante e é rigorosa em relação a tudo que é obstinadamente ignorante e obscuro; sua fúria é imediata e direta contra traição e falsidade e malevolência, a má vontade é imediatamente golpeada pelo seu açoite. Ela não tolera indiferença, negligência e preguiça no trabalho divino e golpeia subitamente para despertar com dor aguda, se necessário, o sonolento e o ocioso. Os impulsos que são velozes e diretos e francos, os movimentos que são incondicionais e absolutos, a aspiração que sobe como uma chama são a moção de Mahakali. Seu espírito é indomável, sua visão e vontade são altas e de longo alcance, como o vôo de uma águia, seus pés são rápidos no caminho ascendente e suas mãos estão estendidas para bater e para socorrer. Porque ela é também a Mãe e seu amor é tão intenso quanto sua fúria e ela possui uma bondade profunda e apaixonada. Quando lhe é permitido intervir com seu vigor, os obstáculos que imobilizam ou os inimigos que assaltam àquele que busca, são então quebrados num instante como coisas sem consistência. Se sua raiva é medonha para o hostil e a veemência de sua pressão dolorosa para o fraco e o tímido, ela é amada e venerada pelo grande, o forte e o nobre; porque eles sentem que seus golpes, batendo, transformam em força e perfeita verdade o que no material deles é rebelde, malham o que é torto e perverso e expulsam o que é impuro ou defeituoso. Mas devido a ela o que é feito num dia poderia ter levado séculos; sem ela a Ananda poderia ser ampla e grave ou suave e doce e bela, mas perderia a alegria flamejante de suas intensidades mais absolutas. Ao conhecimento ela dá um poder vitorioso, traz para a beleza e a harmonia um movimento alto e de ascensão e concede ao trabalho lento e difícil em busca de perfeição um ímpeto que multiplica o poder e abrevia o longo caminho. Nada em que faltem os êxtases supremos, as alturas mais altas, os objetivos mais nobres, as visões mais abrangedoras pode satisfazê-la. Por isso, com ela está a força vitoriosa do Divino e é graças a seu fogo e paixão e rapidez que a grande realização pode ser feita agora, em vez de mais tarde.


Sabedoria e Força não são as únicas manifestações da Mãe suprema; há um mistério mais sutil de sua natureza, e sem ele a Sabedoria e a Força seriam coisas incompletas, sem ele a perfeição não seria perfeita. Acima delas está o milagre da eterna beleza, um segredo incaptável de harmonias divinas, a magia fascinante de um irresistível encanto e atração universais que reúnem e mantêm unidos coisas e forças e seres e os obrigam a se encontrarem e unirem para que uma oculta Ananda possa brincar secretamente e fazer deles seus ritmos e suas figuras. Este é o poder de Mahalakshmi, e não existe nenhum aspecto da Shakti Divina que seja mais atrativo para o coração dos seres encarnados. Maheshwari pode parecer demasiadamente calma e grande e distante para a pequenez da natureza terrestre aproximar-se dela ou contê-la, Mahakali demasiadamente veloz e formidável para ser agüentada por sua fraqueza; mas todos se voltam com alegria e anseio para Mahalakshmi. Pois ela lança o encantamento da doçura arrebatadora do Divino: estar perto dela é uma profunda felicidade e senti-la dentro do coração é fazer da existência um enlevo e uma maravilha; graça e encanto e ternura fluem dela como a luz do sol, e onde quer que ela fixe seu olhar maravilhoso ou deixe escapar a beleza de seu sorriso a alma é capturada e aprisionada e mergulhada nas profundezas de uma alegria insondável. Magnético é o toque de suas mãos e sua influência oculta e delicada refina a mente e vida e corpo, e onde ela imprime seus pés correm rios miraculosos de uma extasiante Ananda.


E no entanto não é fácil corrresponder à exigência deste Poder encantador ou manter sua Presença. Harmonia e beleza da mente e da alma, harmonia e beleza dos pensamentos e dos sentimentos, harmonia e beleza em cada ação e movimento exteriores, harmonia e beleza da vida e do ambiente, esta é a exigência de Mahalakshmi. Onde existe afinidade com o ritmos da secreta beatitude do mundo e resposta ao chamado do Todo-Belo e concordância e unidade e o feliz fluxo de muitas vidas voltadas em direção ao Divino, nessa atmosfera ela consente em ficar. Mas tudo o que é feio e mesquinho e vil, tudo o que é medíocre e sórdido e sujo, tudo o que é brutal e rude repele seu advento. Onde o amor e a beleza não estão ou relutam em nascer, ela não vai; onde eles estão misturados e desfigurados por coisas mais baixas, ela logo se volta para partir ou está pouco disposta a derramar suas riquezas. Se nos corações dos homens ela se encontra rodeada por egoísmo e ódio e ciúme e maldade e inveja e discórdia, se traição e cobiça e ingratidão estão misturadas no cálice sagrado, se vulgaridade de paixão e desejo não refinado degradam a devoção, em tais corações a graciosa e linda Deusa não vai demorar-se. Um divino desgosto apodera-se dela e ela se retira, pois não é alguém que insista ou lute; velando seu rosto, espera até que essa coisa diabólica, amarga e venenosa seja rejeitada e desapareça, antes que ela estabeleça de novo sua feliz influência. Nudez e aspereza ascéticas não lhe agradam, nem a supressão das emoções mais profundas do coração e a repressão rígida das partes de beleza da alma e da vida. Pois é através de amor e beleza que ela põe sobre os homens o jugo do Divino. A vida se torna em suas criações supremas um trabalho rico de arte celestial e toda a existência um poema de delícia sagrada; as riquezas do mundo são juntadas e harmonizadas em uma ordem suprema, e mesmo as coisas mais simples e comuns são tornadas maravilhosas por sua intuição de unidade e pelo sopro de seu espírito. Admitida no coração, ela eleva a sabedoria a pináculos de maravilha e revela-lhe os segredos místicos do êxtase que ultrapassa todo conhecimento, responde à devoção com a atração apaixonada do Divino, ensina à força e ao vigor o ritmo que mantém o poder de seus atos harmoniosos e na medida, e lança sobre a perfeição o encanto que a faz permanecer para sempre.

Mahasaraswati
é o Poder de Trabalho da Mãe e seu espírito de perfeição e ordem. A mais jovem das Quatro, ela é a mais hábil em faculdade executiva e a mais próxima da Natureza física. Maheshwari estabelece as grandes linhas das forças-mundo, Mahakali aciona sua energia e ímpeto, Mahalakshmi descobre seus ritmos e medidas, mas Mahasaraswati preside sobre seu processo detalhado de organização e execução, relação de partes e combinação efetiva de forças, exatidão infalível de resultado e realização. A ciência e a habilidade e a técnica das coisas são a província de Mahasaraswati. Ela conserva sempre em sua natureza e pode dar àqueles que escolheu o conhecimento íntimo e preciso, a sutileza e a paciência, a acurada precisão da mente intuitiva e da mão consciente e do olho perspicaz do perfeito trabalhador. Este Poder é o construtor forte, incansável, cuidadoso e eficiente, organizador, administrador, técnico, artesão e classificador dos mundos. Quando ela assume a transformação e a nova construção da natureza, sua ação é laboriosa e minuciosa e parece muitas vezes, à nossa impaciência, lenta e interminável, mas ela é persistente, integral e impecável. Pois em seus trabalhos a vontade é escrupulosa, desperta, infatigável; inclinando-se sobre nós ela nota e toca cada pequeno detalhe, descobre cada mínimo defeito, brecha, desvio ou imperfeição, considera e pesa com exatidão tudo que foi feito e tudo que ainda resta para ser feito depois. Nada é pequeno demais ou parece banal à sua atenção; nada, por mais impalpável ou disfarçado ou latente, pode escapar-lhe. Moldando e remoldando, ela trabalha cada parte até que esta tenha atingido sua forma verdadeira, seja posta em seu lugar exato no todo e cumpra sua finalidade precisa. Em seu constante e diligente arranjo e rearranjo das coisas, seu olho está ao mesmo tempo sobre todas as necessidades e a maneira de resolvê-las, sua intuição sabe o que deve ser escolhido e o que deve ser rejeitado e ela determina com sucesso o instrumento certo, a hora certa, as condições certas e o processo certo. Ela detesta a falta de cuidado e a negligência e a indolência; todo trabalho feito às pressas e irrefletido e enganador, toda falta de jeito e todo “mais ou menos” e todo acidente, toda adaptação errada e mau emprego dos instrumentos e faculdades e todo deixar as coisas por fazer ou feitas pela metade é ofensivo e estranho a seu temperamento. Quando seu trabalho está terminado, nada foi esquecido, nenhuma parte foi mal colocada ou omitida ou deixada numa condição defeituosa; tudo é sólido, acurado, completo, admirável. Nada em que falte a perfeição perfeita a satisfaz, e ela está pronta a enfrentar uma eternidade de labuta se isso for necessário para a plenitude de sua criação. Por isso ela é, de todos os poderes da Mãe, o de maior paciência com o homem e suas mil imperfeições. Gentil, risonha, próxima e prestativa, não facilmente afastada ou desencorajada, insistente mesmo depois de um falhar repetido, sua mão sustenta cada passo nosso, na condição de que sejamos íntegros em nossa vontade e retos e sinceros; pois ela não vai tolerar uma mente ambígua, e sua ironia reveladora é impiedosa para com o drama e a simulação e o auto-engano e a presunção. Uma mãe para nossas necessidades, uma amiga em nossas dificuldades, uma conselheira e mentora persistente e tranqüila, afastando com seu sorriso radiante as nuvens de tristeza e impaciência e depressão, lembrando continuamente a ajuda sempre presente, apontando para a eterna luz do sol, ela é firme, quieta e perseverante no profundo e constante ímpeto que nos impele em direção à integralidade da natureza mais alta. Todo o trabalho dos outros Poderes se apóia nela para ser completo; porque ela assegura o alicerce material, elabora os detalhes e erige e firma a armação da estrutura.


Há outras grandes Personalidades da Mãe Divina, mas foram mais difíceis de trazer para baixo e não sobressaíram com tanta proeminência na evolução do espírito-terra. Há entre elas Presenças indispensáveis à realização supramental — acima de tudo aquela que é a sua Personalidade daquele êxtase misterioso e poderoso e daquela Ananda que flui de um supremo Amor divino, a Ananda que, unicamente, pode sanar o golfo entre as alturas mais altas do espírito supramental e os abismos mais fundos da Matéria, a Ananda que guarda a chave de uma Vida maravilhosa mais divina e mesmo agora sustenta, de suas realidades secretas, o trabalho de todos os outros Poderes do universo. Mas a natureza humana limitada, egoísta e obscura está inapta para receber estas grandes Presenças ou suportar sua potente ação. Somente quando as Quatro tiverem fundado sua harmonia e liberdade de movimento na mente e na vida e no corpo transformados, esses outros Poderes mais raros vão poder se manifestar no movimento terrestre e a ação supramental tornar-se possível. Pois quando todas as suas Personalidades estiverem reunidas nela e manifestadas e o trabalho separado delas estiver convertido numa harmoniosa unidade e elas se elevarem à divindade supramental da Mãe, a Mãe então é revelada como a Mahashakti supramental e traz, vertendo as Personalidades para baixo, as luminosas transcendências de Mahashakti a partir do éter inefável de suas Personalidades. A natureza humana pode transformar-se então em natureza divina dinâmica, pois todas as cordas elementares da Consciência-Verdade e da Força-Verdade supramentais estão esticadas juntas e a harpa da vida está pronta para os ritmos do Eterno.

Se você deseja esta transformação, coloque-se nas mãos da Mãe e de seus Poderes, sem objeção ou resistência, e sem impedimentos, deixe-a fazer seu trabalho dentro de você. Você deve ter três coisas: consciência, plasticidade, entrega irrestrita. Pois você deve ser consciente em tua mente e alma e coração e vida e nas próprias células de teu corpo, percebendo a Mãe e seus Poderes e o trabalho deles; pois embora ela possa trabalhar em você, e realmente o faz, mesmo em tua obscuridade e em tuas partes e momentos não conscientes, isso não é a mesma coisa que você estar em uma comunhão desperta e viva com ela. Toda a tua natureza deve ser plástica ao toque dela — sem questionar, como a auto-suficiente mente ignorante questiona e duvida e disputa e é a inimiga da própria iluminação e mudança; sem insistir nos próprios movimentos como o vital no homem insiste e persistentemente opõe seus desejos obstinados e sua má vontade a toda influência divina; sem obstruir e ficar entrincheirado na incapacidade, inércia e Tamas, como a consciência física do homem obstrui e, prendendo-se a seu prazer em pequenez e escuridão, grita contra cada toque que perturba sua rotina sem alma ou sua preguiça estúpida ou sua sonolência entorpedida. A entrega sem reserva de teu ser interior e exterior trará esta plasticidade para dentro de todas as partes de tua natureza; a consciência irá despertar em todas as partes em você, pela constante abertura à Sabedoria e Luz, à Força, à Harmonia e Beleza, à Perfeição que vêm fluindo de cima. O próprio corpo despertará e unirá finalmente sua consciência, não mais subliminal, à Força supramental supraconsciente, sentirá todos os poderes dela impregnando-o de cima e de baixo e ao redor dele e vibrará com um Amor e Ananda supremos. Mas mantenha-se em guarda e não tente entender e julgar a Mãe Divina segundo tua pequena mente terrestre, que gosta até mesmo de submeter as coisas que estão além dela às suas próprias normas e padrões, aos seus raciocínios estreitos e impressões errôneas, à sua interminável ignorância agressiva e ao seu pequeno conhecimento autoconfiante. A mente humana, trancada na prisão de sua semi-iluminada obscuridade, não pode seguir a liberdade multiforme dos passos da Shakti Divina. A rapidez e a complexidade da visão e da ação Dela escapam à sua trôpega compreensão; as medidas do movimento Dela não são suas medidas. Desnorteada pela rápida alteração das muitas personalidades diferentes Dela, Sua criação de ritmos e Sua quebra de ritmos, Seu acelerar e Seu retardar a velocidade, Seus modos variados de lidar com o problema de um e de outro, Seu assumir e largar agora esta linha e logo aquela outra e Seu juntar todas elas, a mente humana não reconhecerá o caminho do Poder Supremo quando este descreve círculos e se arremessa impetuosamente para cima através do labirinto da Ignorância, rumo a uma Luz altíssima. Pelo contrário, abra tua alma para ela e satisfaça-se em senti-la com a natureza psíquica e em vê-la com a visão psíquica, as quais, unicamente, respondem corretamente à Verdade. A própria Mãe então iluminará tua mente e coração e vida e consciência física com os elementos psíquicos deles e também lhes revelará os caminhos e a natureza Dela. Evite também o erro da mente ignorante de exigir do Poder Divino que ele aja sempre de acordo com as nossas cruas noções superficiais de onisciência e onipotência. Pois nossa mente clama por ser a cada momento impressionada pelo poder milagroso e pelo sucesso fácil e pelo esplendor deslumbrante; senão, ela não pode acreditar que o Divino esteja aqui. A Mãe está lidando com a Ignorância nos campos da Ignorância; ela desceu lá e não está inteiramente acima. Em parte ela vela e em parte revela seu conhecimento e seu poder, freqüentemente não os dá ao seus instrumentos e às suas personalidades e, para poder transformá-los, segue o caminho da mente que busca, o caminho do psíquico que aspira, o caminho do vital que luta, o caminho da natureza física aprisionada e sofredora. Há condições que foram decretadas por uma Vontade Suprema, há muitos nós cegos que têm de ser desatados e não podem ser abruptamente cortados em pedaços. O Asura e o Rakshasa prendem esta natureza terrestre em evolução e têm de ser enfrentados e vencidos em suas próprias condições, em seu próprio domínio e província por eles conquistados durante muito tempo; o humano em nós precisa ser conduzido e preparado para transcender seus limites, e ele é fraco e obscuro demais para ser subitamente erguido a uma forma muito além dele. A Consciência e a Força Divinas estão aí e fazem a cada momento o que é necessário nas condições do trabalho, dão sempre o passo que é decretado e moldam no meio da imperfeição a perfeição que deve vir. Mas somente quando a supramente tiver descido em você é que a Mãe, como a Shakti supramental, pode lidar diretamente com naturezas supramentais. Se você segue tua mente, ela não reconhecerá a Mãe mesmo se ela se manifestar diante de você. Siga tua alma e não tua mente, tua alma que responde à Verdade, e não tua mente que se lança sobre aparências; confie no Poder Divino e ela libertará os elementos divinos em você e os moldará todos numa expressão da Natureza Divina. A mudança supramental é uma coisa decretada e inevitável na evolução da consciência da terra; pois sua ascensão não está terminada e a mente não é o seu último cimo. Mas para que a mudança possa chegar, tomar forma e perdurar, é necessário o chamado de baixo com a vontade de reconhecer e de não negar a Luz quando ela vier, e é necessária a sanção do Supremo, de cima. O poder que media entre a sanção e o chamado é a presença e o poder da Mãe Divina. Somente o poder da Mãe, e não um esforço e tapasya humanos, pode romper a tampa e arrancar a cobertura e moldar o vaso, e trazer para baixo, para este mundo de obscuridade e falsidade e morte e sofrimento, Verdade e Luz e Vida divinas e a Ananda do imortal."

Trecho do livro, "Mãe", do mestre Sri Aurobindo (Yoga Integral)
Encontrado em ÊXTASE DA DEUSA

MÃE GUERREIRA

1º DE OUTUBRO

Início do festival de Durga Puja, na Índia, celebrando Durga, a defensora contra o mal. A Grande Mãe Durga, “A Inacessível”, era parte de uma tríade de Deusas, juntamente com Parvati ou Maya, como donzelas e Uma ou Prisni, como anciãs. Representada como uma deusa guerreira, cavalgando um leão ou tigre e carregando diferentes armas em seus dez braços, ela lutava ferozmente para defender seus filhos divinos e humanos contra demônios e os monstros maléficos. Como ela bebia o sangue dos inimigos, seus altares eram salpicados com o sangue dos cativos de guerra ou de criminosos.
Durga personifica o instinto animal da maternidade, a Mãe que defende suas crias contra qualquer perigo. Às vezes chamada Shashti, “A Sexta”, padroeira das mães, invocada no sexto dia após os partos para tecer encantamentos de proteção aos filhos e às mães. O sétimo dia após o parto era considerado dia de repouso, tradição antiga que antecede em muitos mitos os deuses criadores como Ahura, Mazda, Ptah, Marduk, Baal e Jeovah, que descansaram no sétimo dia após a criação do mundo.
A função atual de Durga é restaurar a ordem no mundo e a paz nos corações em tempos de crise. Seu Festival na Índia é precedido de purificação, jejum e abstinência. As imagens da Deusa são limpas, purificadas com água dos rios sagrados e decoradas com guirlandas de flores. As pessoas lhe oferecem flores, folhagem, incenso e sacrificam cabras e ovelhas. A multidão canta e dança ao redor das fogueiras em louvor à Deusa. No final da cerimônia, algumas imagens são jogadas nos rios como um ritual de purificação. No Nepal, o festival equivalente é Dassehra, que dura quinze dias. Neste período ninguém trabalha e as famílias se reúnem para rituais de purificação e oferendas. Comemora-se a vitória de Durga sobre o demônio quando ela o matou, disfarçado de búfalo.
Festa de Fides, deusa romana da fé e da liberdade.
Dia de Santa Teresa, no México e em Cuba, modernização de uma antiga celebração de Oyá, a deusa ioruba do vento e das tempestades.

Informações extraídas do livro “ O Anuário da Grande Mãe”, de Mirella Faur.

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