"E aqueles que pensam em Me procurar, saibam que a vossa busca e vosso anseio devem beneficiar-vos apenas se vós souberdes o Mistério; se o que vós procurardes, vós não achardes dentro de vós mesmos, então nunca encontrarão fora. Pois eu tenho estado convosco desde o Início e Eu Sou Aquela que é alcançada ao final do desejo"


quinta-feira, 11 de novembro de 2010

80 ANOS DA MÃE DO FEMINISMO NO BRASIL


Do matricentrismo à androginia
Em busca do homem-mãe

Ano Zero – maio de 1992

Por Pedro Camargo, colaborou: Alexandre Mansur

Para Rose Marie Muraro, cabe à mulher o papel principal no
projeto de impedir a destruição do planeta e estancar a pilhagem da
riqueza pública pelas elites do mundo. Ela sustenta que a alma
feminina possui o sentido de partilha, enquanto o poder,
masculinizado, deixou de ser serviço e tornou-se privilégio
. Mas a
ascensão da androginia na Nova Era inaugurará o relacionamento
real entre homem e mulher, condição básica para a geração de um
novo equilíbrio. Em entrevista especial a ANO ZERO, Rose Marie
comenta estas e outras idéias expostas em seu novo livro, A
mulher no Terceiro Milênio.
ANO ZERO — Em seu novo livro, você observa que a sociedade
patriarcal é recente. Seria possível resumir isso?
Rose Marie Muraro — Procurei mostrar cientificamente que
durante quase dois milhões de anos o poder era considerado um
serviço e não um privilégio. A solidariedade e a partilha dos
pequenos grupos - que dependiam uns dos outros para sobreviver
- geravam uma psique isenta de possessividade, de não
propriedade. Nessa época o homem ainda não saía para a caça e
por isso a mulher era socialmente mais importante, considerada
sagrada porque reproduzia a vida. A propriedade fundamental era a
reprodução. Os homens pensavam que elas ficavam grávidas dos
deuses. Já no século XX foi descoberta nas ilhas Trobriand uma
civilização que ainda vivia esse sistema. Malinowsky conta que
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deixou um habitante de Trobriand danado da vida ao tentar
convencê-lo de que a gravidez durava nove meses. O sujeito disse
que viajara por dois anos e, ao voltar, sua mulher o presenteara
com uma linda criança...
AZ — Ou seja, naqueles tempos a força física ainda não era
instrumento de poder.
RMM — Sim. Depois, a propriedade mais importante passou a ser
a força física. Era necessário caçar animais pesados. Nesse novo
período era como se o homem procurasse se vingar da sua relativa
inferioridade diante da mulher. No patriarcado, quem se sente
inferior é ela. As vezes eu falo que o culpado disso é o Gênesis. Na
Bíblia está escrito que Eva foi criada a partir de uma costela de
Adão. O Gênesis, portanto fez o homem parir uma mulher, para
santificá-lo e desqualificar o parto. Uma metonímia no sentido
lacaniano do termo, um mecanismo de defesa muito comum.
AZ — E possível localizar cronologicamente essa mudança de
comportamento, do sistema de partilha para a sociedade
patriarcal?
RMM — Foi há cerca de 10 mil anos, quando os homens tiveram
de brigar por comida e desenvolveram a possessividade, assim
como a divisão entre cabeça e corpo, mente e emoção. Dessas
sociedades de caça surgiu o patriarcado. Então, enquanto a
agressividade tem apenas 10 mil anos, a solidariedade tem quase
dois milhões. Nós, mulheres conservamos estes princípios
arcaicos e todo mundo dizia, inclusive Freud, que isso era nossa
inferioridade. Tanto que no mundo competitivo do trabalho essas
qualidades não são valorizadas. Ser solidário, hoje, tornou-se um
diploma de fracasso.
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AZ — Quer dizer que o matriarcado aconteceu antes do período
da caça?
RMM — O matricentrismo, porque esse termo matriarcado é coisa
dos homens, que são fantasiosos. Só teria existido se a mulher
houvesse usado o poder em proveito próprio. No tempo da Grande
Deusa, ninguém queria tê-lo. Havia um rodízio de lideranças. Não
será possível revertera processo atual de destruição do planeta
enquanto o poder não voltar a ser considerado um serviço e o
Estado não voltar a ser composto por cidadãos. As elites de todos
os países estão rapinando o Estado para botar o dinheiro no
próprio bolso ou na Suíça, que lava mais branco. Você sabe que há
três trilhões de dólares girando no mundo dentro do sistema
financeiro sem qualquer aplicação prática? E tanta gente morrendo
de fome...
AZ — Qual a fonte dessa estatística?
RMM — Maria da Conceição Tavares, que entende muito bem do
riscado.
AZ— E essa coisa da Suíça lavar mais branco?
RMM — Isso é outra história. A Suíça era um país que só
fabricava relógios. Então, quando surgiu o dinheiro sujo do século
XX, criaram bancos com contas sigilosas. Todo o dinheiro foi para
lá. Eles ficaram riquíssimos!
AZ — E os três trilhões de dólares?
RMM — Estão girando em países como Japão, Alemanha, Estados
Unidos e Suíça, sendo aplicados e gerando filhotes dissociados da
realidade. No Brasil, a década economicamente perdida de 80 a 90
ocorreu porque o pessoal colocava o dinheiro no over.
AZ — Muitos indicadores econômicos não têm relação direta com
o bem-estar social. É a isso que você está se referindo?
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RMM—Exatamente. É a maneira feminina de reverter esse quadro
é botar conteúdo humano nos agregados matemáticos que são
frios e formais. Nos números você não vê miséria, doença ou
morte. De um modo geral, a ciência é aética. Mas se fizermos com
que ela se baseie na partilha e não na divisão, poderemos fugir ao
modelo usado hoje, de Erich Von Newmann.
AZ — O que propõe o Newmann?
RMM — Ele diz que, se um ganha, outro perde, não admitindo
empate. Assim, o poder jamais será um serviço que vem da
partilha. O que estamos falando pode ser chamado de eco
feminismo. O feminismo estaria hoje obsoleto se tudo que
dissemos nos anos 70 não estivesse sendo agora uma trágica
realidade.
AZ — Voltando ao assunto das ilhas Trobiand, foi constatado que
naquela sociedade as crianças não eram consideradas filhos deste
ou daquele casal, mas pertenciam a toda a comunidade. A idéia de
menor abandonado seria inconcebível numa sociedade solidária?
RMM — Sim, nas tribos mais primitivas a criança era cuidada por
toda a aldeia. Na favela de hoje ocorre algo parecido. Por exemplo,
há um ditado que diz: “mãe é quem está perto”. Porque a mãe
natural, geralmente uma empregada doméstica, vai trabalhar, deixa
a criança lá e todos cuidam dela. Menino de rua é um
desvirtuamento disso. Hoje, se a mãe se afasta, a criança na rua
será marginalizada, acabará aderindo ao “cada um por si e Deus
por ninguém”. É matar ou morrer.
AZ — A sociedade de partilha é necessariamente socialista?
RMM — O verdadeira socialismo é a sociedade de partilha. Foi o
que Rosa de Luxemburgo queria quando foi assassinada pelos
comunistas, que fizeram um Estado mais competitivo de que o
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capitalismo. Ela queria um socialismo pluripartidário, de baixo para
cima. E o que você quer de um Estado com partido único? A
corrupção era tão grande que as contas mais gordas na Suíça são
as provenientes da antiga União Soviética e do México, cuja dívida
externa foi toda para o PRI.
AZ — Estamos hoje presenciando o que Thomas Khun chamou de
revolução de paradigma. Como você encara este momento?
RMM — O Michel Foucault a chama de epísteme. Acontece como
na Renascença, quando se transformaram todas as idéias e
instituições. Saímos da sociedade de estamentos para a de classes
e para o mundo de nações. A ciência, que era magia, ganhou
Descartes e Galileu. Houve então uma mudança de paradigma, que
não chegou a todo mundo porque ainda hoje há muita gente
primitiva. Mas agora, com a televisão e o computador, estamos
chegando a uma nova mudança de paradigma. Tudo que foi feito há
dez anos atrás está sendo jogado no lixo. E o processo atual é mil
vezes mais importante do que o que ocorreu na Renascença.
AZ — Segundo Peter Russell, este é o fato mais importante
ocorrido na Terra desde o surgimento da vida, há 3,5 bilhões de
anos. Que aspectos você destacaria nessa transformação que
estamos vivendo?
RMM — Primeiro, saímos da Terra e fomos para o espaço, o que era
impensável. Segundo, temos armas com fabulosa capacidade
destrutiva. É a ciência chegando ao coração da matéria como um
aprendiz de feiticeiro. O homem macho só vai conseguir dominar
isso quando tiver uma epistemologia baseada na partilha e na
solidariedade, isto é, estruturalmente ética. Outra coisa, já
conhecemos a profundidade do ser humano, podemos fazer
engenharia genética, construir cIones do ser humano, pegar um
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embrião e fazer quatro Rose Marie igualzinhas. Além disso, a
comunicação eletrônica já atingiu todos os confins da Terra. E
mesmo com tudo isso o homem está destruindo o planeta.
Precisamos reprogramar o homem desde antes do nascimento.
AZ — As pessoas costumam julgar as mulheres a partir do
exemplar mas próximo, que em geral não corresponde ao conceito
de mulher que você defende. Por exemplo, a Margareth Thatcher
corresponde a esse conceito?
RMM — Claro que não. Ela representa a supermãe, a mãe do
patriarcado, juntando o pior da mulher com o pior do homem. A
mãe verdadeira não é controladora. Pelo contrário, ama o filho de
dentro para fora e, de certa forma, é libertadora.
AZ— E a Betty Friedam, uma das fundadoras do feminismo?
RMM — Também não. Eu conheço bem a Betty Friedam, que é o
arquétipo da bruxa. Tem uma posição de baixa sensibilidade e forte
agressividade, como o homem em geral.
AZ — Como você se conceitua?
RMM — Sou uma sindicalista. Não tenho trauma ou frustração
com homem, não quero ter pênis. Estou muito feliz em trazer uma
coisa nova para a humanidade: entender o feminino e o masculino
como o conjunction opositorum de Jung, como dois pólos do imã,
opostos e complementares.
AZ — Mas parece que não era assim no início do movimento.
Tanto que as pessoas costumam dizer que existem as feministas e
as femineiras. Em sua opinião, por que feminismo e não
humanismo?
RMM — Há vinte anos atrás, a primeira pergunta que me fizeram
foi: mulher quer ser igual ao homem? Vamos lá, o feminismo nada
mais é do que um sindicato. Quando a mulher entrou para a força
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de trabalho, veio com dez mil anos de opressão. Saía de casa, sem
a prática do poder que o homem tinha. Às vezes era mais
qualificada do que o homem, trabalhando o dobro do tempo dele
mas ganhando metade do salário. É uma estatística das Nações
Unidas, não fui eu quem inventou. Além disso, de toda a riqueza do
mundo, 1% está em mãos de mulheres e 99%, de homens. A mesma
percentagem ocorre na distribuição do poder. Claro que, nestas
condições, quando a mulher entrou no mercado de trabalho, foi
rigorosamente explorada. Nesta época, ela se organizou para exigir
salário, poder e condições iguais.
AZ— Foi a essas alturas que entrou a questão do orgasmo?
RMM — Exatamente. Surgiu o problema da sexualidade, pois a
mulher passa a exigir também o orgasmo. Durante dez mil anos, as
mulheres orgásticas foram assassinadas como bruxas. Ora, o
pessoal veio dizendo que o feminismo queria a mulher igual ao
homem. De fato, na primeira fase, o tratamento para os dois era tão
diferente que foi preciso batalhar por um mínimo de equiparação
financeira.
AZ — Quando o discurso do feminismo começou a mudar?
RMM — Já em 1977, escrevia-se que a mulher era radicalmente
diferente do homem. Enquanto ele agia mais na área do destrutivo,
do Tânatos, ela era construtiva, próxima ao Eros. Essa idéia foi
lançada por Herbert Marcuse que, numa conferência, nos inspirou a
todas. A gente não podia perder o caráter erótico, de construção da
vida. Surgiu então uma série de estudos analisando como os dois
sexos pensavam. Tivemos que rever todas as ciências para que
não fossem machistas pois, sendo neutras, seguiam o sexo
dominante. ldem para o Estado, a empresa, a Igreja, o sindicato, os
partidos políticos, etc. De outra forma, não seriam democráticos.
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Foi um grande espanto para todos, pois pensava-se que nada disso
seria preciso. Portanto, respondendo á sua pergunta anterior, é
necessário um feminismo de raça para haver um humanismo.
Senão, corremos o risco de voltarmos para o neutro.
AZ — Então, o feminismo seria fundamental para uma mudança
de mentalidades?
RMM — A grande descoberta do século vinte, e que servirá de
modelo para o próximo, é que devemos ter uma luta de classes
complementada por uma revolução na subjetividade, naquilo que é
mais íntimo da gente. A União Soviética, por exemplo, tentou mudar
o objetivo sem considerar o subjetivo e danou-se. O pessoal
passou a consumir e minou as bases do regime. Nos Estados
Unidos, houve o contrário: fizeram a revolução das cabeças sem
mexer no regime. Parece-me que está dando mais certo. No final do
século, um dos modelos que vão sair do Terceiro Mundo será o da
luta do oprimido sobredeterminando todas as outras opressões: de
sexo, raça, etc. Esta descoberta ocorrida nos anos 70 é muito séria.
Foi na nossa mão, minha e do Leonardo Boff, que nasceu o
movimento de mulheres e a Teologia da Libertação. Agora estou
fazendo teologia feminista libertadora.
AZ — Você falou que, nos EUA, foi alterado o subjetivo e não o
objetivo. Em um livro escrito pela secretária da primeira dama
Eleonor Roosevelt, consta que esta lhe teria dito: “Os homens são
uma coisa que temos que admitir.” Isto em pleno século vinte. Será
que hoje o movimento feminista norte-americano atingiu realmente
todas as camadas da população?
RMM — Sim. Morei lá e sei que, durante o período da Guerra do
Vietnã, a grande idéia da década de 60 foi que quem tendesse para
uma cabeça progressista na sexualidade, faria o mesmo em relação
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à política. Foi contra isso que a Heritage Foundation, a American
Enterprise Association e outras fundações reacionárias fizeram um
trabalho louco para que a maioria silenciosa voltasse ao poder em
1979. Conto tudo isso no meu livro Os seis meses em que fui
homem.
AZ — Como a conscientização das mulheres começou a ganhar
corpo?
RMM — Isso está no livro A mulher no Terceiro Milénio. No
começo da industrialização, em 1848, ocorreu a primeira grande
reunião de mulheres. No ano em que Marx escrevia o Manifesto
Comunista, as mulheres se reuniam numa cidade norte-americana
chamada Soneca Falls, reclamando estarem entrando no mercado
de trabalho de maneira desvantajosa por terem ficado em casa
tanto tempo. À partir daí, iniciou-se uma campanha que durou
quase cem anos. Norte-americanas, inglesas, francesas e
holandesas andaram pelo mundo inteiro e só conseguiram alguma
coisa no início do século vinte, quando conquistaram o direito ao
voto em seus países. É um acontecimento muito recente, quase
instantâneo, em termos de história da Humanidade. E assim
mesmo a mulher votava de maneira conservadora. Pensava-se que
votar bastaria para que ela automaticamente se libertasse.
Libertou-se coisa nenhuma! Começou a votar com o marido, voto
de cabresto. A mulher só foi se libertando na medida em que
chegou ao segundo feminismo, que mexeu com sua cabeça.
AZ — Talvez os homens - e algumas mulheres - não tenham
entendido naquela época que o movimento estava apenas se
iniciando e começaram a ridicularizá-lo.
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RMM — Claro. Na década de 70, chamavam a gente, aqui no Brasil,
exatamente como chamavam as sufragistas: feia, mal amada,
prostituta, etc.
AZ — Por que se diz que feminismo é coisa de mulher mal amada,
com complexo de inferioridade? Tem algo a ver com a cultura
ocidental, que tem tendência a confundir sexo com libertinagem?
RMM —Acontece que somos um sindicato. E no século XIX, os
sindicatos foram o grande bicho-papão dos empresários. Se você
ler O Capital, de Marx, verá como era desgraçada a vida dos
operários e que lucro monumental davam ao patrão. Eram 16 horas
de trabalho por dia e o salário se reduzia a uns tostões. Pior do que
o salário mínimo daqui. Morriam de miséria. Essa foi a origem da
acumulação primitiva do Império Britânico. A partir daí surgiram os
sindicatos, que puseram um cobro à ambição desmedida dos
patrões. No fim do século XIX, já se tinha uma jornada de trabalho
de 8 horas, um salário razoável e um forte movimento sindical. Se
ele se atrelou aos patrões em meados do século XX, em
compensação, desenvolveu os países. Porém, antes de 1054
sindicalista era sinônimo de comunista, ateu, gente que comia
criancinhas, coisas assim. Então, nós estávamos nesta área de
organização do feminino, fomos vítima de muito preconceito.
AZ — Como você, possoalmente, reage a isso?
RMM — Acho um atraso de cabeça tão descomunal que não me
preocupo muito. Quer que eu diga por quê? Em janeiro deste ano, li
uma enquete de opinião pública feita pelo Gallup norte-americano,
encomendada pelo governo e publicada pela revista Diálogo em
uma matéria escrita por Barbara Ehrenreich. Segundo a pesquisa,
56% de todas as norte-americanas se declaravam feministas. Isto
são mais de 50 milhões de mulheres válidas, e que não são mais
210
crianças. Quando se diz aqui que feminista come criancinha, é uma
babaquice tão grande que as norte-americanas ficam uma arara. O
fato é que ser feminista hoje sinaliza modernização de cabeça.
AZ — Na sua opinião, o feminismo é somente professável pelas
mulheres, ou os homens também podem ser feministas?
RMM — Podem, claro. Hoje somos metade da força de trabalho, e
donas da própria sexualidade. Quando as mulheres começaram a
se libertar, os homens passaram a ficar perdidos.
AZ — Todos os homens?
RMM — Os companheiros dessas mulheres. No Primeiro Mundo,
todos. Aqui ainda não chegamos a esse estágio. Esses homens
começaram a repensar sua sexualidade. Na Editora Rosa dos
Tempos, da qual sou sócia, tenho uma linha inteira sobre
sexualidade masculina. A grande moda hoje é repensar a posição
do homem. E a tal mudança de cabeças sem a qual não se
consegue reverter o processo de destruição do planeta. Nos anos
80 como um todo, houve uma coincidência de dois assuntos.
Primeiro, o homem macho estava destruindo a Terra. A
industrialização e os países desenvolvidos poluíam o planeta
culpando os países subdesenvolvidos. Segundo, todas as
mulheres válidas já haviam entrado no mundo masculino. Acabou a
diferença entre o masculino e o feminino. As mulheres entraram no
mercado de trabalho não porque foram distorcidas, mas porque o
capitalismo produziu mais máquinas do que machos, diminuiu o
salário dos homens e obrigou as mulheres a trabalharem para
complementar a renda doméstica. Sem saberem, elas chegaram às
fábricas com uma cabeça completamente diferente da dos homens.
AZ — Mas isso de apenas gerar um complemento de salário não
era inferiorizante?
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RMM — Primeiro, pensava-se que isso fosse uma inferioridade.
Hoje sabemos que a cabeça dos homens é que estava
esquizofrenizada, fazendo uma persona no trabalho e outra em
casa, dividindo o mundo em classes, o conhecimento em ciências
especializadas, a arte em compartimentos, as classes em clãs, etc.
Você tem que ler o Os seis meses em que fui homem para saber
por que o homem é dividido e a mulher não. Foi o próprio sistema
que diabolicamente carimbou o homem para ser dividido e a
mulher para ser construtiva. E a mulher ficou alocada para Ter os
bebês, criá-los. O homem é egoísta e a mulher altruísta. Ele é capaz
de matar sem culpa, ela não faz mal à uma mosca. Ambos estão
errados.
AZ — Que tal se você transgredisse pela primeira vez seus
hábitos e dissesse o que Rose Marie Muraro acha de Rose Marie
Muraro?
RMM — Bom. Já estou com 60 anos e, nessa altura da vida, a
pessoa pode fazer um balanço do que passou. Posso dizer até que
acabei realizando muitas fantasias que nunca tive, porque era
estreita demais para isso. Principalmente quando fui a países
desenvolvidos, como os EUA, onde era considerada uma pessoa
de ponta, das mais modernizadas. Isto, morando num país
subdesenvolvido, considerado atrasado. Lembro que, quando eu
trouxe o feminismo para o Brasil, ele era recente nos EUA e
Europa. Tanto que o movimento em nosso país data de 1970, no
resto da América Latina, chegou na década de 80? Por isso a
cabeça da mulher brasileira é muito mais modernizada do que no
resto da América Latina, onde tenho a impressão de estar ainda no
século XIX.
AZ — Como foi sua formação acadêmica?
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RMM — Fiz o curso de Física. Acho que por isso cheguei ao
misticismo. Os físicos desmistificam a matéria, e serão os grandes
místicos do Terceiro Milênio. Estudei na antiga Universidade do
Brasil, de 1949 a 1952. Saí no último ano, quando faria física
teórica.
AZ — No último ano?!
RMM — Mas já dava para ter uma idéia geral. Nesta época, meus
amigos matemáticos estavam todos sendo psiquiatrizados. Eu
achava que eles eram gênios e eu não. Foi quando li uma frase de
Chesterton que dizia: “Louco não é o que põe a cabeça na Lua, mas
o físico que quer pôr a Lua na cabeça.” Então, fugi da faculdade
quando faltavam três meses para me formar.
AZ — Uma de suas idéias de ponta, atualmente, é o conceito de
androginia como modelo futuro de relações humanas. Você
poderia explicar isso melhor?
RMM — Sou uma mulher basicamente voltada para os homens,
pois minha orientação é heterossexual. Mas tenho dentro de mim a
mulher e o homem, que é a definição do andrógino. O homem
andrógino é basicamente voltado para a mulher, mas também tem
uma dentro do si. Assim, a relação entre andróginos é mais fácil.
São quatro se relacionando, há ao mesmo tempo a semelhança e a
diferença. Já o homossexual, tanto masculino quanto feminino, só
transa a semelhança, tem medo da diferença. O homossexual
homem é o mais masculino dos homens porque imita a mulher para
se ver livre dela. E a homossexual feminina é a mais feminina das
mulheres porque imita o homem para ver-se livre dele. Presenciei
as relações entre os gays em Nova lorque, eram tipicamente
masculinas: impessoais, violentas, dissociadas. E as relações entre
mulheres eram assim: ou casais com carícias que não acabavam
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nunca, um cuidado extremo... Naquela época o psicólogo Neil
Simon publicou um artigo na Psichology Today exibindo uma
enquete sobre o número de parceiros. Segundo ele, 2% dos
homossexuais haviam tido mil ou mais parceiros sem valor, 80%
tiveram mais de cem parceiros e apenas 2% eram casais. Entre as
lésbicas acontece justamente o contrário. Nenhuma havia tido mil
parceiras, 2% tiveram mais de cem parceiras o 80% viviam em
casais estáveis. Você vê como há diferença entre as cabeças do
homem e da mulher em seus extremos?
AZ — E o que você tem a dizer sobre a androginia em relação à
Nova Era?
RMM — Androginia é a maior riqueza que existe no ser humano.
Mas esse sistema competitivo nos afasta cada vez mais dela. Na
medida que dissocia classes sociais, mente de corpo. etc., também
tende a dissociar o homem da mulher. Então o homem tem medo
de seu lado feminino e a mulher de seu lado masculino. Ao mesmo
tempo, ser o outro sexo é o ideal mais profundo do inconsciente
humano, mais do que a relação com o todo, porque ela deriva de se
ter, dentre do si, a totalidade. Freud dizia que, após muitos anos,
via o desejo da androginia nos sonhos do seus pacientes. Ser
bissexual e hermafrodita, a pessoa que se fecunda a si mesma.
AZ — Você está propondo uma revolução absoluta na
sexualidade humana. Qual seria o caminho para isso?
SE/li — A gente só chega lá se modificar totalmente o sistema,
levando-o a tender para a integração. Conforme havíamos falado
sobre o novo paradigma, o ser humano da Nova Era é andrógino e
só pode ser filho da mulher que trabalha e do homem que volta
para casa. Assim, no momento em que o pai passa a se comportar
como a mãe, o menino pode se identificar sexualmente com elecomo amigo e não como a figura de opressor. Somente assim o
garoto perde e medo de afeto. A sexualidade masculina já não
estará ligada à morte e sim à vida. Ele vai ser altruísta. Olha só que
reviravolta fantástica. Acaba aquele carimbo que o sistema havia
colocado sobre a gente.
AZ -— E quais são os efeitos desta postura sobre a mulher?
RMM — Com a mulher, a mesma coisa. Ela não precisará mais ser
simplesmente altruísta apenas no sistema. No sistema patriarcal
ela é ligada à mãe da mesma maneira que o menino. Quando se
apaixona pelo pai, não tem nada a perder, porque já vem
castrada! Não há ameaça de morte imaginária. Ela pode se dar ao
luxo de amar sem sentir medo. Passa então a se identificar
sexualmente no amor do outro. No momento, o amor que salva a
mulher é o amor do outro. O que salva o homem é o de si. Não é
possível uma relação com estes dois tipos. Tanto que nunca
houve relação entre homem e mulher. Só haverá quando ambos
forem andróginos. Esta dialética é uma cumplicidade profunda e
ao mesmo tempo um desafio para os dois sexos. O homem só
entenderá a mulher, e vice-versa, quando ele também souber ser
mãe.

Encontrado em MATER MUNDI

domingo, 7 de novembro de 2010

HOMENAGEM AS AYABÁS E TODAS DEUSAS AFRICANAS



As Ayabás
Maria Bethânia
Composição: Caetano Veloso e Gilberto Gil

Nenhum outro som no ar
Pra que todo mundo ouça
Eu agora vou cantar
Para todas as moças
Eu agora vou bater
Para todas as moças
Eu agora vou dançar
Para todas as moças
Para todas ayabás
Para todas elas

Iansã comanda os ventos
E a força dos elementos
Na ponta do seu florim
É uma menina bonita
Quando o céu se precipita
Sempre o princípio e o fim

Obá
Não tem homem que enfrente
Obá
A Guerreira mais valente
Obá
Não sei se me deixo mudo
Obá
Numa mão, rédeas, escudo
Obá
Não sei se canto ou se não
Obá
A espada na outra mão
Obá
Não sei se canto ou se calo
Obá
De pé sobre o seu cavalo

Euá, Euá
É uma moça cismada que se esconde na mata
E não tem medo de nada
Euá, Euá
Não tem medo de nada
O chão, os bichos, as folhas, o céu
Euá, Euá
Virgem da mata virgem
Da mata virgem, dos lábios de mel

Oxum
Oxum
Doce Mãe dessa gente morena
Oxum
Oxum
Água dourada, lagoa serena
Oxum
Oxum
Beleza da força da beleza da força da beleza
Oxum
Oxum

13 LUAS, 13 FORÇAS, 13 ENERGIAS PARA A CURA


A LENDA DAS TREZE MATRIARCAS

"Ao longo dos tempos, entre os Kiowa, Cherokee, Iroquois, Sêneca e em várias outras tribos nativas norte-americanas, as anciãs contavam e ensinava, nos "Conselhos de Mulheres" e nas "Tendas Lunares", as tradições herdadas de suas antepassadas. Dentre várias dessas lendas e histórias, sobressai a lenda das "Treze Mães das Tribos Originais", representando os princípios da energia feminina manifestados nos aspectos da Mãe Terra e da Vovó Lua.

Neste momento de profundas transformações humanas e planetárias, é importante que todas as mulheres conheçam este antigo legado para poderem se curar antes de tentarem curar e nutrir os outros. Dessa forma, as feridas da alma feminina não mais se manifestarão em atitudes hostis, separatistas, manipuladoras ou competitivas. Alcançando uma postura de equilíbrio, as mulheres poderão expressar as verdades milenares que representam, em vez de imitarem os modelos masculinos de agressão, competição, conquista ou domínio, mostrando, assim, ao mundo um exemplo de força equilibrada, se empenhando na construção de uma futura sociedade de parceria.

Como regentes das treze lunações, as Treze Matriarcas protegem a Mãe Terra e todos os seres vivos, seus atributos individuais sendo as dádivas trazidas por elas à Terra. O símbolo da Mãe Terra é a Tartaruga e seu casco, formado de treze segmentos, simboliza o calendário lunar.

Conta a lenda que, no início da no nosso planeta, havia abundância de alimentos e igualdade entre os sexos e as raças. Mas, aos poucos, a ganância pelo ouro levou à competição e à agressão, a violência resultante desviou a Terra de sua órbita, levando-a a cataclismos e mudanças climáticas. Em consequência, para que houvesse a purificação necessária do planeta, esse primeiro mundo foi destruído pelo fogo.


Assim, com o intuito de ajudar em um novo início e restabelecer o equilíbrio perdido, a Mãe Cósmica, manisfestada na Mãe Terra e na Vovó Lua, deu à humanidade um legado de amor, perdão e compaixão, resguardado no coração das mulheres. Para isso, treze partes do Todo representando as treze lunações de um ciclo solar e atributos de força, beleza, poder e mistério do Sagrado Feminino. Cada uma por si só e todas em conjunto, começaram a agir para devolver às mulheres a força do amor e o bálsamo do perdão e da compaixão que iriam redimir a humanidade. Essa promessa de perfeição e ascensão iria se manifestar em um novo mundo de paz e iluminação, quando os filhos da Terra teriam aprendido todas as lições e alcançado a sabedoria.

Cada Matriarca detinha no seu coração o conhecimento e a visão e no seu ventre a capacidade de gerar os sonhos. Na Terra, elas formaram um conselho chamado "A Casa da Tartaruga" e, quando voltaram para o interior da Terra, deixaram em seu lugar treze crânios de cristal, contendo toda a sabedoria por elas alcançada. Por meio dos laços de sangue dos ciclos lunares, as Matriarcas criaram uma Irmandade que une todas as mulheres e visa a cura da Terra, começando com a cura das pessoas. Cada uma das Matriarcas detém uma parte da verdade representada, simbolicamente, em uma das treze ancestrais, as mulheres atuais podem recuperar sua força interior, desenvolver seus dons, realizar seus sonhos, compartilhar sua sabedoria e trabalhar em conjunto para curar e beneficiar a humanidade e a Mãe Terra.
Somente curando a si mesmas é que as mulheres poderão curar os outros e educar melhor as futuras gerações, corrigindo, assim, os padrões familiares corrompidos. Apenas honrando seus corpos, suas mentes e suas necessidades emocionais, as mulheres terão condições de realizar seus sonhos.

Falando suas verdades e agindo com amor, as mulheres atuais poderão contribuir para recriar a paz e o respeito entre todos os seres, restabelecendo, assim, a harmonia e a igualdade originais, bem como o equilíbrio na Terra.

1.Primeira Lunação Plenilúnio em Câncer Lua da renovação da terra (Sol em Capricórnio)

"Aquela Que Fala Com Todos os Seres", a Guardiã do aprendizado da verdade, do tempo e das estações. Ela nos ensina nosso parentesco com todos os seres da criação e a necessidade de honrar a verdade de cada ser. respeitando os direitos de todas as formas de vida e abrindo o coração. Sua sabedoria esta na sintonia com os ritmos da vida e no uso dos quatro elementos para alcançar o equilíbrio. !

Esta Lua convida para um tempo de descanso e renovação. Ela não permite transparecer as emoções, mas sinaliza para interiorizar e descansar. Refletir as ações do passado, preparando-se para o futuro. Os nascidos nesta lua devem prevenirem-se para não ficarem bloqueados, perfeccionistas e para arrumar tempo para lazer. Ela pede para ser adaptável, flexível, prudente, correto na conduta.

Em Câncer, a Lua Cheia, senta-se no seu trono. Câncer é o signo da maternidade, e esta fase simboliza trazer ao mundo uma criança saudável. A energia é predominantemente feminina, fértil, uma Lua Cheia no auge. Favorece o crescimento dos frutos, vegetais, flores ou projetos. A Lua mais indicada para trabalhar as emoções. Nos convida para um tempo de descanso e renovação. Para refletir as ações do passado, preparando-se para o futuro. Esta é a posição para um potencial de grande poder, nos ensina a ser fluidos, mas corretos na conduta bem como tão claros, adaptáveis, prudentes e sábios.

Esta Lua Cheia afasta influencias antigas, nutre nossa criança interior, reavalia temas antigos, descarta o que não nos serve mais, harmoniza a vida familiar.

2.Segunda Lunação Plenilúnio em Leão (Sol em Aquário)

É a Guardiã da Sabedoria, a guardiã das tradições sagradas e da memória planetária. Ela nos ensina a encontrar a sabedoria, tornando-nos receptivos aos pontos de vista dos outros e aprendendo com as experiências alheias. Aceitando a verdade e o espaço sagrado de cada ser expandimos a noção da família planetária e reafirmamos nossos laços com todos nossos irmãos de criação.
Esta lua tem a dádiva de fazer o coração ficar leve e ser brincalhão . Você pode realmente gostar de outras pessoas e de você mesmo. Ser humanitário. Também para a purificação..
Inspira a aperfeiçoar a comunicação, desenvolver o intelecto a transmitir mensagens de forma gentil e harmoniosa. Expande o poder intuitivo traz recordações de vidas passadas . Esta Lua ajuda a desenvolver habilidades psíquicas e para descobrir o aspecto corajoso e humanitário de nosso próprio ser.


3.Terceira Lunação Plenilúnio em Virgem Lua das Sementes (Sol em Peixes)

E "Aquela Que Avalia a Verdade", a Guardiã da Justiça que ensina os princípios da Lei Divina, a lei da ação e reação, o reconhecimento de nossa força e a aceitação de nossa fraqueza, mostrando-nos como avaliar as situações com imparcialidade, aceitando a verdade sem ferir ninguém. Energia propícia ao plantio de novas sementes em nossa vida, flexibilidade, cura, percepção e aceitação.

Traz a dádiva natural de habilidades curativas e psíquicas. Para aprender sobre sensibilidade profunda e a descobrir o próprio poder natural, sobre os mistérios da vida e a necessidade de estabelecer um território seguro. Inspira a acessar poderes de fora do mundo ordinário, a expandir o dom natural para os mistérios da vida e do Universo.

Esta é também uma Lua de Mistério. Pede mudanças rápidas, e preparação para tempos de crescimento. Intensifica lado inquieto da natureza, aumenta a habilidade para lidar com energias próprias. Sua dádiva de pureza ajuda a ter pureza espiritual.


4.Quarta Lunação Plenilúnio em Libra Lua das Arvores que Crescem (Sol em Áries)

E "Aquela Que Vê Longe", a Guardiã dos Sonhos. Ela nos ensina a usar a forca de nossos pensamentos e sentimentos para alcançar os resultados almejados. Ela também nos mostra o valor de nossos sonhos e nos guia para us armo s nossa habilidade no descobrimento e desenvolvimento de nosso potencial pessoal.

Esta lua tem a dádiva da liderança, da clareza de visão e adaptabilidade. Para aprender a temperar as energias de fogo, criar raízes e voar.

Esta Lua convida a encontrar meios de evolução pessoal para si e para os outro. Ensina sobre energia, intensidade, destemor. Ensina a canalizar energia, conter emoções e a ser pacientes com os outros. A temperar a energia que o fogo dá, para que o fogo interior possa trazer calor e luz para tudo o que e entrar em contato.
Energia propícia para renovação e crescimento

5.Quinta Lunação
Plenilúnio em Escorpião Lua das Flores e do Retorno dos Sapos (Sol em Touro)


É "Aquela Que Ouve", a Guardiã do Silêncio. Seu ensinamento é silenciar para ouvir as mensagens do nosso interior, da natureza, dos Mestres, do Criador Encontraremos, assim, a calma e a paz necessárias para avaliar, ordenar e transformar nossa vida
Esta lua tem a dádiva de poder tornar agradáveis os ambientes, de cada um se auto-sustentar e sustentar os outros: a estabilidade.

Esta Lua os encorajarão para irem além do plano material a buscar qualquer iluminação espiritual que puder encontrar.
Ensina sobre perseverança, paciência, estabilidade e praticidade. Inspira a colocar a própria casa em ordem, para que possa ter um lugar tranqüilo e de contentamento.

6.Sexta Lunação Plenilúnio em Sagitário Lua dos Cavalos (Sol em Gêmeos)


É "A Contadora de Histórias" que, por meio de seus contos, ensina o relacionamento correto com nossos irmãos de criação, como usar o humor para afastar os medos, como equilibrar o sagrado e o profano e preservar a tradição oral de nossos ancestrais. A Energia propícia recolhimento e equilíbrio dos instintos, direcionamentos das energias, centramento.
Esta lua traz a dádiva das habilidades de cura se aprender a desenvolve-la. Para adquirir habilidades em qualquer área que queira trabalhar, aprender sobre a própria beleza , dos outros e do meio ambiente.

Esta Lua ensina sobre as próprias habilidades, a serem mais sensitivo, mais veloz, e apreciar a beleza em todas as suas formas. Revela forças e as fraquezas que vem da energia vital.

7.Sétima Lunação Plenilúnio em Capricórnio Lua da Luz Forte e da Benção (Sol em Câncer )

E "Aquela Que Ama Todas as Coisas", a Guardiã do Amor Incondicional. Ela ensina o amor e a compaixão em todas as manifestações da vida. Amar o self sem restrições, quebrar os padrões impostos de dependências, ajudara nossa criança a interior a aceitar e dar amor, curando as feridas do passado.
Esta lua tem a dádiva da intuição e inspira a ser amante da família. Para aprender sobre a importância das relações e a necessidade de um lar forte.

Esta Lua educa sobre a lei dos relacionamentos e sobre a família. Ela ensina sobre as necessidades de dar e receber amor. De seguir as próprias percepções e intuições, para aprender sobre o próprio sentido de segurança e encontrar uma direção espiritual que ajude a canalizar as energias da vida que sempre fluem através de todos nós.

8.Oitava Lunação Plenilúnio em Aquário Lua dos Frutos Maduros (Sol em Leão)

E "Aquela Que Cura", a Guardiã das artes curativas e dos ritos de passagem. Ela mostra a humanidade que cada ato da vida e um passo no caminho da cura. Abrindo mão dos julgamentos e condicionamentos do passado, seremos capazes de curar o medo do futuro e lniciar um novo ciclo por meio de um rito de passagem.

Energia propícia fortalecimento do valor absoluto, interação, iniciar novo ciclo.
Esta lua tem a dádiva de saber demonstrar afeição e de encarar temores. Deve aprender que o coração é a fonte de sua força e desenvolver habilidades de liderança.

Esta Lua ensina como a trabalhar o centro do coração, como demonstrar afeição, como encarar os medos, e como desenvolver habilidades de liderança. Ajuda a desenvolver a coragem e o poder.

9.Nona Lunação Plenilúnio em Peixes Lua da Colheita (Sol em Virgem)

É "A Mulher do Sol Poente", a Guardiã das gerações futuras. Ela nos ensina a encontrar a verdade pessoal, encarando o futuro sem medo e manifestando nossas visões na Terra. Somos responsáveis pelas próximas sete gerações e não devemos lhes deixar um legado negativo, doentio ou fragmentado.

Esta Lua tem a dádiva de tomar decisões justas, da perseverança e da habilidade para analisar . Poderá aprender os conceitos do dever e do trabalho, e adquirir bom senso e confiança.

Esta Lua ensina sobre justiça, discriminação, habilidades de raciocínio e análise.
Ensina a equilibrar suas próprias energias espirituais e físicas, dá habilidades para penetrar em regiões secretas do coração e da alma, e despertar a curiosidade


Energia propícia fertilidade, prosperidade, preparação para o futuro.

10.Décima Lunação Plenilúnio em Áries Lua do Vôo (Sol em Libra)

E "Aquela Que Tece a Teia", a Guardiã da Força Criativa que nos ensina a desenvolver nossas habilidades, destruindo as limita,coes, saindo da estagnação e materializando nossos sonhos. Nossa criatividade e determinada por nossa capacidade de sonhar e usar nossa imaginação
Esta lua, tem a dádiva do equilíbrio e da harmonia, e de como entender as mensagens de seu coração, através de sua introspecção e força. Para aprender realmente o que é equilíbrio, mesmo que necessite sentir desconforto para fazer isso.

Esta Lua ensina sobre os paradoxos da própria vida, de uma maneira mais direta e intensa, pela própria experimentação. Ensina a mostrar a afeição fícsica e como se sentir confortável, tanto no Céu como na Terra, e a compreensão dos relacionamentos com grupos.

Energia propícia avaliação para o equilibrio e a harmonia, descoberta e a libertação.


11.Décima Primeira Lunação Plenilúnio em Touro Lua Escura das Folhas que Caem (Sol em Escorpião)

É "Aquela Que Anda Com Firmeza", a Mãe da inovação e da perseverança. Ela nos ensina o uso adequado da vontade e do poder para modificar as circunstancias da vida pela ação pessoal, sem depender dos outros para agir, afirmando nossa auto-estima e auto-suficiência.Esta lua, tem a dádiva de inspirar um mensageiro para os aspectos espirituais da vida. A adaptabilidade e a capacidade de viajar em silêncio em lugares de maiores medos.

Para aprender a focalizar as energias, a ser mais sensível a elas e a desenvolver habilidades de cura .
Esta Lua ensina sobre a força de transformar o seu mais íntimo ser, trazendo todas as lições que se tenha aprendido. Ensina sobre a extensão da própria energia, habilidade para criar mudanças, curiosidade, desejo de verdade, adaptabilidade, paciência, tenacidade, ambição , poder e a deixar nossa marca bem penetrante.


12.Décima Segunda Lunação Plenilúnio em Gêmeos Lua dos Dias Sagrados (Sol em Sagitário)

É "Aquela Que Agradece as Dádivas", que nos ensina a agradecer por tudo que recebemos na vida, abrindo, assim, espaco para a futura abundancia. Não importam quais sejam as dificuldades ou desafios que enfrentamos, devemos agradecer por essas oportunidades que nos permitem desenvolver e revelar nossa força interior. Como a "Mãe da Abundância", ela nos mostra o valor do dar para receber.
Esta Lua inspira a receber e a transmitir conhecimentos ancestrais, para meditar nos próprios dons, enxergar a vida com mais clareza. Permita que esta energia do Universo venha energizar os seus dons e assim poderá ter acesso, como um aparelho dos grandes poderes do Universo.

Esta Lua convida para um tempo de descanso e renovação. Ela não permite transparecer as emoções, mas sinaliza para interiorizar e descansar. Refletir as ações do passado, preparando-se para o futuro. Os nascidos nesta lua devem prevenirem-se para não ficarem bloqueados, perfeccionistas e para arrumar tempo para lazer. Ela pede para ser adaptável, flexível, prudente, correto na conduta.
Para trabalhar a concentração, pois pode gerar dispersão. Para trabalhar a comunicação consigo mesmo, o auto conhecimento, buscar o Eu Superior. Favorece a comunicação, o bom uso da palavra, energia para adatar-se às mais diversas situações. Saber também a hora certa de calar, de ouvir e de falar.

Para curar as más palavras que usamos contra nós mesmo, as limitações que nos impomos através da palavra. Trabalhar as afirmações positivas e curar suas programações negativas através delas. Para que façamos um balanço entre aquilo que falamos com aquilo que o nosso coração realmente sente. Sabermos honrar os compromissos feitos através da nossa palavra, da nossa comunicação.

13.Décima Terceira Lunação

A LUA AZUL

O que é Lua Azul?
Chama-se Lua Azul a segunda lua cheia num mesmo mês do calendário gregoriano ou a Lua Cheia do décimo terceiro ciclo de lunação, fechando o ano solar.

Lua Azul é regida pela Matriarca da 13 Lunação.

Ela é
“Aquela Que se Torna a Visão”, a Guardiã de todos os ciclos de transformação, a Mãe das Mudanças. Esta Matriarca nos ensina a importância de seguir nosso caminho sem nos deixar desviar por ilusões que possam vir a interferir em nossas visões. Cada vez que nos transformamos, realizando nossas visões, uma nova pespectiva e compreensão se abre, permitindo-nos alcançar outro nível na eterna espiral da evolução do espírito. A última visão a ser alcançada é a decisão de simplesmente SER. Sendo tudo e sendo nada, eliminamos os rótulos e definições que limitam nossa plenitude.

“Com o surgimento do calendário Juliano, no início do cristianismo, o culto à Lua Azul passou a ser reprimido por ser considerado uma exacerbação da simbologia lunar, do poder feminino e do culto às Deusas, assuntos perseguidos e proibidos. Mesmo assim, permaneceu sua aura romântica e poética e a Lua Azul passou a ser associada à crença de que era propícia ao romance e ao encontro de parceiros. Surgiu o termo inglês blue moon, significando algo muito raro, impossível, dando origem a inúmeras músicas e poemas melancólicos ou esperançosos”.

Texto de autoria de Mirella Faur
Extraído do livro "Anuário da Grande Mãe"
(Postado no site Teia de Thea)


O DIÁRIO DA LUA VERMELHA

A Lua Vermelha da menstruação

Na Antigüidade, o ciclo menstrual da mulher seguia as fases lunares com tanta precisão que a gestação era contada por luas. Com o passar dos tempos, a mulher foi se distanciando dessa sintonia e perdendo, assim, o contato com seu próprio ritmo e seu corpo, fato que teve como conseqüência vários desequilíbrios hormonais, emocionais e psíquicos. Para restabelecer essa sincronicidade natural, tão necessária e salutar, a mulher deve se reconectar à Lua, observando a relação entre as fases lunares e seu ciclo menstrual. Compreendendo o ciclo da Lua e a relação com seu ritmo biológico, a mulher contemporânea poderá cooperar com seu corpo, fluindo com os ciclos naturais, curando seus desequilíbrios e fortalecendo sua psique.

Para compreender melhor a energia de seu ciclo menstrual, cada mulher deve criar um Diário da Lua Vermelha, anotando no calendário o início de sua menstruação, a fase da lua, suas mudanças de humor, disposição, nível energético, comportamento social e sexual, preferências, sonhos e outras observações que queira.

Para tirar conclusões sobre o padrão de sua Lua Vermelha, faça essas anotações durante pelo menos três meses, preferencialmente por seis. Após esse tempo, compare as anotações mensais e resuma-as, criando, assim, um guia pessoal de seu ciclo menstrual baseado no padrão lunar. Observe a repetição de emoções, sintonias, percepções e sonhos, fato que vai lhe permitir estar mais consciente de suas reações, podendo evitar, prever ou controlar situações desagradáveis ou desgastantes.

Do ponto de vista mágico, há dois tipos de ciclos menstruais determinados em função da fase lunar em que ocorre a menstruação. Quando a ovulação coincide com a lua cheia e a menstruação com a Lua Negra (acontece nos três dias que antecedem a lua nova, entendido como o quinto dia da lua minguante), a mulher pertence ao Ciclo da Lua Branca. Como o auge da fertilidade ocorre durante a lua cheia, esse tipo de mulher tem melhores condições energéticas para expressar suas energias criativas e nutridoras por meio da procriação.

Quando a ovulação coincide com a lua negra e a menstruação com a lua cheia, a mulher pertence ao Ciclo da Lua Vermelha. Como o auge da fertilidade ocorre durante a fase escura da lua, há um desvio das energias criativas, que são direcionadas ao desenvolvimento interior, em vez do mundo material. Diferente do tipo Lua Branca, que é considerada a boa mãe, a mulher do Ciclo Lua Vermelha é bruxa, maga ou feiticeira, que sabe usar sua energia sexual para fins mágicos e não somente procriativos.

Ambos os ciclos são expressões da energia feminina, nenhum deles sendo melhor ou mais correto que o outro. Ao longo de sua vida, a mulher vai oscilar entre os ciclos Branco e Vermelho, em função de seus objetivos, de suas emoções e ambições ou das circunstâncias ambientais e existenciais.

Além de registrar seus ritmos no Diário da Lua Vermelha, a mulher moderna pode reaprender a vivenciar a sacralidade de seu ciclo menstrual. Para isso, é necessário criar e defender um espaço e um tempo dedicado a si mesma. Sem poder seguir o exemplo das suas ancestrais, que se refugiavam nas Tendas Lunares para um tempo de contemplação e oração, a mulher moderna deve respeitar sua vulnerabilidade e sensibilidade aumentadas durante sua lua. Ela pode diminuir seu ritmo, evitando sobrecargas ao se afastar de pessoas e ambientes carregados, não se expondo ou se desgastando emocionalmente, e procurando encontrar meios naturais para diminuir o desconforto, o cansaço, a tensão ou a agitação.

Com determinação e boa vontade, mesmo no corre-corre cotidiano dos afazeres e obrigações, é possível encontrar seu tempo e espaço sagrados para cuidar de sua mente, de seu corpo e de seu espírito. Meditações, banhos de luz lunar, água lunarizada, contato com seu ventre, sintonia com a deusa regente de sua lua natal ou com as deusas lunares, viagens xamânicas com batidas de tambor, visualizações dos animais de poder, uso de florais ou elixires de gemas contribuem para o restabelecimento do padrão lunar rompido e perdido ao longo dos milênios de supremacia masculina e racional.

O mundo atual - em que a maior parte das mulheres trabalha - ainda tem uma orientação masculina. Para se afastar dessa influência, a mulher moderna deve perscrutar seu interior e encontrar sua verdadeira natureza, refletindo-a em sua interação com o mundo externo.


Mirella Faur
IN: http://www.teiadethea.org/?q=node/131

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

5 DE NOVEMBRO, COMEMORAÇÃO DA MULHER ARANHA


Comemoração nativa norte-americana de Sussistinako, “A Mulher Aranha”, a Criadora da Vida, Mãe e Guardiã das tribos e da vida familiar. Ela criou o fogo, os raios, a chuva, o arco-íris, teceu os fios da criação e gerou todos os seres.
Sussistinako também tem seu aspecto escuro: Ela é a “Bruxa”, a Mãe Devoradora, representada como uma enorme aranha preta que destrói para poder renovar-se.
Na Melanésia, acreditava-se que, antes de a alma fazer sua passagem para o mundo dos mortos, ela deveria enfrentar Le Hev Hev, a Deusa representada por um aranha ou um caranguejo gigante. Se a alma não passasse pelos testes da Deusa, era devorada por Le Hev Hev, nome que significa “aquela que nos atrai com um sorriso para nos jantar”.
Wuwuchim, cerimônia do fogo dos índios Hopi, celebrando Masaw, o deus da morte. No decorrer dos dezesseis dias dessas celebrações, os rapazes eram submetidos a rituais de iniciação, sendo depois apresentados à comunidade de adultos.
Na Inglaterra, anualmente, os rapazes de Shebbear se reúnem neste dia para virar uma enorme rocha vermelha chamada “a pedra do diabo”. Esse hábito secular visa conjurar poderes mágicos e trazer paz e prosperidade a todos. É uma reminiscência dos antigos rituais de fertilidade e reverência às pedras sagradas e aos poderes ocultos da Terra.

Informações extraídas do livro “ O Anuário da Grande Mãe”, de Mirella Faur.

Gaia Lil:
E tudo no universo gira em sincrônia...

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

PARA OS MESTRES DE LUZ, DE UMA FILHA DA ESCURIDÃO


EU TENHO ORGULHO DE SER BRUXA...

Que eu seja sempre a feiticeira que celebra os Mistérios escuros da Mãe Negra
Que eu sempre seja uma mulher que não teme o seu fogo interior
E seu poder de transformar o mundo
Que eu sempre saiba que a Grande Mãe da Vida e do Nascimento
Também é a Senhora do Sangue e o duplo da morte

Que eu jamais seja a mulher que se ajoelha diante de um mestre
Pedindo uma migalha de Luz e do amor
Pois eu recebi em mim mesma a soberania da Deusa
E a força daquela que preenche todas as coisas
E que através dessa percepção eu compreenda que sou e vivo
Para além do Tempo e da Luz

Numa escuridão estrelada de profunda paz, recolhimento e sabedoria
No útero todo inanimente da Grande Deusa
Que eu carregue sempre comigo meu punhal
Flecha de fogo
Aonde direcciono as energias da Chama Sagrada
E abro os caminhos da magia
No dia e na noite estrelada

Que eu não tema os desejos físicos
Que assolam meu corpo
E que eu ria e goze sempre da vida
Porque pulsando no mundo
Forte está meu coração
E entregue as Forças da Vida, as Forças da Deusa
As forças da Jovem Mulher da Primavera
Eu ame e sorria

Que nas forças da Mãe
Eu compreenda que Ela é em tudo
E que seu poder vibra em tudo que é Vida
Seu poder vibra
E nela não a bem e nem mal
Apenas os ciclos da Terra
E que eu compreenda que mesmo o erro
Me leva a evolução

E que eu jamais tema ser feia e velha
Pois todas as máscaras com a Anciã caíram
Que eu ria e ria quando for temida
Pelo Meu poder
Pois no intimo saberei que minha sabedoria
Ultrapassou a própria Luz
E que se os mestres não me compreendem
é porque ainda não souberam o Grande Mistério
De que na Deusa...Não a Luz nem Escuridão
Tudo é Um Nela e para Ela todas as coisas
E Nela a sabedoria...


COM CARINHO E AMOR DE UMA SACERDOTISA DA MÃE NEGRA DO TEMPO PARA José Fernando

CUJO SITE E O LINK SUGERIO PARECEM TER GRANDE TEMOR DO PODER DA MULHER CELTA, E DAS BRUXAS EM ESPECIAL...

José Fernando disse...

Presada senhora(ita),
Fazemos parte do Instituto Ayahuasca, Instituição Mística-Científica sem fins lucrativos,
Gostaríamos que entrasse no site www.institutoayahuasca.com.br, em Conhecimentos Livres, em Mulheres Celtas.
Boa leitura,
José Fernando Cracco
Instituto Ayahuasca

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O CORAÇÃO DA MÃE

PARA A CONSTRUÇÃO DE UM NOVO TEMPLO DA DEUSA

“A Deusa desperta dentro de nós, antes de despertar para o mundo" M.W.

Por vezes o teu coração festeja antes de tempo a presença que já dança no teu sangue; ela anuncia novas pulsações… O teu coração sabe no silêncio que te arde tudo o que tua alma ainda te oculta… Mas ela é-te fiel e sabe que tu esperas um sinal. O sinal virá da música das esferas e o teu corpo dançará em uníssono com ela. (2006)

http://4.bp.blogspot.com/_rzOmsLX6Ypc/TFmDNhMyQDI/AAAAAAAAEhg/bjYsCF4vBRU/s1600/hathor.jpg

HATHOR: A CASA DO VERBO

“Ela une-se à sua imagem, ela desce do céu, para entrar no horizonte do seu Ka sobre a Terra, ela envolve o seu corpo, ela une-se à sua forma, que está gravada no seu santuário, ela senta-se sobre a sua imagem que foi esculpida na parede.”*


Desde há uns meses que estou ao serviço da Alta Sacerdotisa, em Denderá…
Não sei porque fui escolhida para a servir de noite e de dia…mas eu já vi que é muito difícil para mim continuar a servi-la de bom grado como quando aqui cheguei e pensava que seria muito agradável…

No início tudo parecia fácil e a Alta sacerdotisa era afável, mas depois começou a embirrar comigo…a pesar-me, a mandar-me calar e mandar repetir-me tudo o que eu fazia como se eu fosse uma novata! Dizia que eu não sabia nada e fazia tudo errado…
Não sei quanto tempo mais vou suportar a sua arrogância, o seu modo de ser que é tão diferente das irmãs a que estava habituada na casa grande. Ela não é amável nem atenta. É egoísta e vaidosa, vê-se o tempo todo ao espelho e fala com sapiência é certo, mas vangloria-se do seu saber como se ela fosse a detentora da sabedoria e não a própria Deusa. Fica horas a preparar-se para os rituais e faz-me pintá-la com esmero, as vezes repetidamente e sempre a perguntar-me se está bem…espera, parece, apenas elogios de todos e vejo que gosta que as outras irmãs a adulem… Todas lhe oferecem espelhos…
A mim não me parece bem…Eu sei que ela é a mais bela e inteligente sacerdotisa do templo de Hathor, mas não me parece que estivesse pronta para o cargo.

Também sei que a Deusa não vai gostar nada da sua conduta, mas ela tem ainda poder e conseguiu convencer as anciãs que a elegeram… Ela é vaidosa e não faz mais do que servir-se a si própria, isto é o que eu penso mas não me atrevo a dizer a ninguém. Mas para mim Hathor, é a mais bela, e sei que Ela não vai gostar que nenhuma sacerdotisa lhe tire a sua glória…Ela é a Deusa suprema e não vai consentir que a alta sacerdotisa, que usa o seu colar de pedras preciosas e pérolas, lhe roube o esplendor nem nos engane na sua falsa humildade. Ela não vai deixar que ela siga no seu falso pedestal. A Deusa tem muitas faces e se na sua bondade nos acolhe também nos castiga na sua face de leoa, Shekimit…aquela que é justa e proteja as mulheres e responde aos seus apelos.

Eu, na minha luta interior, não quero ser cúmplice da sua queda que prevejo e vou muitas vezes rezar a Bastit para que ela me tire do seu serviço, mas não tarda que a Deusa das duas faces se enfureça. Bem sei que por enquanto vou ter de continuar às suas ordens, mas não direi mais nada quando ela me perguntar se está bela…fingirei que não a ouço ou que me dói a cabeça….espero que ela não me chame mais para que não me faça todo o tempo carregar-lhe as túnicas, os pesados colares e os espelhos, os perfumes, os incensos e a mude de roupa vezes sem conta…
Não quero continuar a massajar-lhe a pele suave nem os pés delicados que pousa no meu colo quando se recosta na sua cama dossel, nem quero tocar harpa ou arranjar as flores que adornam o seu quarto nem preparar as suas mandrágoras, pois o meu coração fica tão apertado que mal consigo respirar. Se ela insistir nos meus serviços eu recuso-me mesmo que vá de castigo para uma cela e fique reclusa um mês, ou um ano, sim, mesmo que não assista à festa do ano novo para homenagear a Deusa do amor e da Alegria. Não quero servir uma cópia falsa da Deusa. Não foi por isso que vim para Templo.

Dendera é o lugar mais belo da Terra amada mas eu, mesmo que vá para outro lugar, prefiro a servir uma mulher cruel e tão vaidosa…Há outras irmãs que eu adoro com quem canto e que vejo dançar nas procissões, e quando isso acontece sinto-me tão feliz e em casa…a minha alma voa como o pássaro Ba, neste lugar o mais belo da terra em que se une a nossa alma ao nosso ser eterno e ela encontra o seu Ka…porque é na casa da Deusa que o Sol brilha mais e por isso está sempre perto do céu…este é o lugar onde a sua Luz se eleva aos céus e ilumina os quatro cantos do mundo.
Eu, não sei porquê, perdi a minha alegria de viver desde que estou ao serviço da Alta Sacerdotisa; a minha alma está cada dia mais doente e eu sinto-me tão deprimida e ansiosa…há uma saudade tão grande da Deusa Mãe que eu não compreendo, parece que ela está cada dia mais longe de mim…
Amanhã se ela me voltar a chamar fingirei que estou sem forças e desmaio à sua frente; assim farei com que chamem a Sacerdotisa Curadora do Templo…A ela eu não preciso enganar, basta dizer-lhe o que sinto, pois ela sabe bem e respeita os nossos sentimentos pois eles são sagrados e falam da nossa alma…

A Curadora das almas veio e disse-me que os meus sintomas eram de uma mulher numa fase de apaixonada…e perguntou-me quem eu amava em segredo…eu respondi espantada que só amava a Deusa e mais ninguém pulsava no meu coração…ela então riu-se e disse-me que não era verdade, que eu devia estar a projectar o meu amor na Alta Sacerdotisa e por isso ela reagia assim comigo, para me tornar consciente da outra Face da Deusa, e para retirar a projecção…eu quase gritei e disse-lhe que não, que não podia ser, que isso era impossível pois o que eu sentia mais se parecia com ódio…por ela…e que essa suspeita me amargurava de dia e de noite e me enchia de medo da Deusa…
Nesse momento a curadora olhou no fundo dos meus olhos e disse…-"minha irmã, tu não sabes ainda que o ódio não é senão amor na sua forma mais violenta e embora primária, brota da alma tal como o amor mais puro ou a adoração da Deusa? Nós temos de vivenciar no nosso caminho iniciático todas as formas de amar…e odiar é só mais uma, no seu oposto e avesso, o mais perigoso, é certo, e se não o souberes alquimizar pode ser pior que veneno e é por isso que estás doente, mas é ainda amor”…
Nos seus olhos azuis como a turquesa, eu vi paz e amor e então ela olhou-me com um sorriso compreensivo, muito serenamente, tocou-me na testa com a mão em sinal de respeito e depois deixou-me só; eu fiquei a chorar toda a noite.

No dia seguinte, quando a Alta Sacerdotisa me chamou, ao olhar para mim, como se adivinhasse a minha dor e o meu espanto, apesar dos meus olhos inchados - o que a faria ver que me encontrava verdadeiramente convalescente - sorriu-me como nunca me tinha sorrido, olhou para dentro dos meus olhos como nunca me tinha olhado e disse: “Estás agora pronta para representares a Deusa. A partir de hoje vais ser minha oficiante e dormir no meu quarto para de manhã me acordares com os teus mais belos cantos…o meu coração reconheceu-te como a mais fiel servidora da Deusa. Todos os dias vais dançar para mim”.

Ela estava tão bela no seu resplandecente leito que a minha alma ficou enevoada e eu atordoada por tanta beleza. Sem me conter, ajoelhei-me na beira do seu leito e comecei a chorar, pedindo-lhe perdão. Ela levantou-me o rosto com as mãos e apertando-o olhou directamente a minha alma disse ainda: “Tu passaste a prova.” Então, levantou-se com a majestade da própria Deusa, imponente e cheia de amor, deu-me a Chave da Vida depositada no altar da Deusa, a Anke em forma de espelho e disse: “olha bem para ti: agora já sabes que o amor tem muitas faces e nenhuma é verdadeira até que sejas só Tu e Eu unidas no Seu Amor.” E acrescentou: “E nunca esqueças que é na sede do meu coração que Ela habita e o lugar que Ela mais ama. “Tot disse “que a mais pura alegria é aí que reina, e que lhe ofereçamos vinho sem cessar antes de a qualquer outra Deusa”

E DIANTE DO ALTAR DA DEUSA EU BEBI DO SEU SEIO O LEITE E O VINHO ATÉ CAIR A SEUS PÉS ENEBRIADA E FELIZ, SUA SERVA, SALVA PARA TODA A ETERNIDADE.

* Um texto esculpido em no Templo de Dendera

SACERDOTISA D'ÍSIS ROSA LEONOR PEDRO (2010)

terça-feira, 2 de novembro de 2010

LEALDADE FEMININA JÁ!


Dilma Rousseff:

"Acredito numa Força Superior, acredito na força dessa Deusa-Mulher chamada 'Nossa Senhora'"


A Lealdade Feminina é um sintoma da mudança da sociedade rumo a um novo modelo social. Alguma mulheres já estão se conectando. As mulheres tem o Dom da Vida e essa essência feminina que nos irmana é a chave para profundas mudanças no modelo social.

A Lealdade Feminina é transversal. Não podemos esperar que todas as mulheres pensem como nós. Mas a essência feminina que nos une já existe e é preciso religar essa energia para que ela flua de forma permanente, formando uma rede de Luz...


"É no paradigma da Grande Mãe que vejo a fonte cultural da mulher; por isso lhe chamo MATRISMO e não feminismo. Vai!...Vai!...Chegou a hora! Vai unir-te às humilhadas filhas da noite, tuas irmãs! Ao som dos tambores do sangue ide acordar a Grande Mãe! Chegou a hora!"

Natália Correia



ISSO E MUITO MAIS EM MATER MUNDI

E EIS QUE UMA MULHER REINA NAS TERRAS DE CY

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Imperatriz é a mulher diante do mundo do poder.

2010 é um ano da mulher, um ano do feminino, é um ano onde a mãe Terra irá dar a luz a novas realidades e percepções para seus filhos, nós.

"SIM, A MULHER PODE"

"É importante eleger uma mulher – sim! Importantíssimo, e nos próximos dias poderemos avaliar isso melhor. Mas Dilma não é simplesmente “mulher”. É uma brasileira que ousou lutar contra a ditadura, em organizações clandestinas. Isso a velha elite não perdoa.
É uma marca tão forte quanto os quatro dedos do operário que nunca será aceito na velha turma.

Dilma vem de longe. Dilma não é uma “invenção do Lula”.
Dilma concentra a esperança de um Brasil mais justo.
Nesse dia histórico, depois de uma campanha exaustiva e lamentável por parte da direita, é preciso ainda estar atento. Porque do outro lado há gente que também vem de longe.

(...) Votar em Dilma é votar num país que vem de longe. E que pode chegar muito mais longe nas próximas décadas."

Rodrigo Vianna in PISTAS DO CAMINHO: http://pistasdocaminho.blogspot.com/

Uma grande mulher governa agora,
a primeira PRESIDENTA, o Brasil e apesar de todos os partidarios contrarios de toda mentira e de todo o golpe sujo...E eis que uma mulher filha da Grande Deusa, que acredita numa das faces da Mãe Divina tem a chance de fazer um trabalho maravilhoso em nome dela e de todas as mulheres... Do Brasil e do Mundo!

Bem que disseram que 2010 ia ser o ano da imperatriz...Viu a cara que o Serra fez, uma cara feia, uma cara de c* tão feia que me fez morrer de rir.
Como disse Suzane Z Budapeste:

"Eles disseram que já fomos longe de mais com isso de libertação das mulheres, pois eu digo ainda não fomos longe o bastante..."