"E aqueles que pensam em Me procurar, saibam que a vossa busca e vosso anseio devem beneficiar-vos apenas se vós souberdes o Mistério; se o que vós procurardes, vós não achardes dentro de vós mesmos, então nunca encontrarão fora. Pois eu tenho estado convosco desde o Início e Eu Sou Aquela que é alcançada ao final do desejo"


domingo, 20 de fevereiro de 2011

DIA DE PURIFICAÇÃO


20 DE FEVEREIRO

Ferália, festival romano de purificação. Após os festejos anteriores - Parentália, Lupercália, Fornacália -, os templos eram fechados, os festejos proibidos, as casas limpas e as roupas lavadas. As pessoas se recolhiam e reverenciavam os espíritos dos mortos com preces e oferendas de comidas levadas a seus túmulos. Comemoração da deusa romana da ordem e do silêncio, Muta e da Deusa padroeira do lar, Larunda.Também comemorava-se Lara, a Mãe dos Mortos, Senhora do mundo subterrâneo e os Lares, os espíritos protetores das casas.
Aproveite a data e faça uma boa limpeza em sua casa, defumando e aspergindo água do mar, com uma “vassourinha” feita de galhos verdes de bambu ou eucalipto. Acenda, depois, uma vela branca e um incenso de mirra em cada cômodo de sua casa.
Toque um chocalho ou um sino, visualizando a saída das energias negativas e a entrada do equilíbrio, paz e harmonia. Tome, depois, um banho de purificação com sal grosso e com a essência do seu signo.
Recolha-se, permaneça em silêncio e medite um pouco a respeito dos pontos escuros de sua vida, descartando o supérfluo.

Informações estraídas do Livro "O Anuário da Grande Mãe" - Mirella Faur

LACTÂNCIA GENUÍNA



Com a gestação, veio uma profunda e autêntica necessidade de mergulhar nos estudos sobre as variadas formas de parir, amamentar e maternar. Entre leituras de Michel Odent, Leboyer, Janet Balaskas, Lívia Penna, encontrei o que considero uma das maiores jóias, o livro "A Maternidade e o encontro com a própria sombra" escrito pela argentina Laura Gutman.

Sei que haverá um tempo em minha experiência onde deixarei os livros de lado para manifestar o que é natural e essencial...mas enquanto este tempo não chega, porque não me permitir ter o olhar mais amplo possível amparado pelo estudo daqueles que se dedicaram a pesquisar e a resgatar o lugar da mulher na autoria dos seus partos e a valorização da sabedoria intuitiva do nosso corpo-fêmea?


Por isso venho aqui para compartilhar um pouco desta leitura tão especial...Aquela que não me diz o que fazer, mas sim a que diz apenas para manifestar o que há em meu próprio ser!


A lactância selvagem (Laura Gutman)

"A maioria das mães que consultam por dificuldades na lactância estão preocupadas por saber como fazer as coisas corretamente, em lugar de procurar o silêncio interior, as raízes profundas, os vestígios de feminidade e um apoio no companheiro, na família ou na comunidade que favoreçam o encontro com sua essência pessoal.

A lactância genuína é manifestação de nossos aspectos mais terrenais, selvagens, filogenéticos. Para dar de mamar deveríamos passar quase o tempo todo nuas, sem largar a nossa criança, imersas num tempo fora do tempo, sem intelecto nem elaboração de pensamentos, sem necessidade de defender-se de nada nem de ninguém, senão somente sumidas num espaço imaginário e invisível para os demais.Isso é dar de mamar. É deixar aflorar nossos rincões ancestralmente esquecidos ou negados, nossos instintos animais que surgem sem imaginar que ainda estavam em nosso interior. E deixar-se levar pela surpresa de ver-nos lamber a nossos bebês, de cheirar a frescura de seu sangue, de chorrear entre um corpo e outro, de converter-se em corpo e fluidos dançantes.


Dar de mamar é despojar-se das mentiras que nos contamos toda a vida sobre quem somos ou quem deveríamos ser. É estar “desprolixas”, poderosas, famintas, como lobas, como leoas, como tigresas, como “canguruas”, como gatas. Muito relacionadas com as mamíferas de outras espécies em seu total afeiçoo para a criança, descuidando ao resto da comunidade, mas milimetricamente atenciosas às necessidades do recém nascido.

Deleitadas com o milagre, tratando de reconhecer que fomos nós as que o fizemos possível, e reencontrando-nos com o que tenha de sublime. É uma experiência mística se nos permitimos que assim seja.

Isto é tudo o que se precisa para poder dar de mamar a um filho. Nem métodos, nem horários, nem conselhos, nem relógios, nem cursos. Mas sim apoio, contenção e confiança de outros (marido, rede de mulheres, sociedade, âmbito social) para ser uma mesma mais do que nunca. Só permissão para ser o que queremos, fazer o que queremos, e deixar-se levar pela loucura do selvagem.

Isto é possível se se compreende que a psicologia feminina inclui este profundo afinco à mãe-terra, que o ser uma com a natureza é intrínseco ao ser essencial da mulher, e que se este aspecto não se põe de manifesto, a lactância simplesmente não flui. Não somos tão diferentes aos rios, aos vulcões, aos bosques. Só é necessário preservá-los dos ataques.

As mulheres que desejamos amamentar temos o desafio de não nos afastar desmedidamente de nossos instintos selvagens. Costumamos raciocinar, ler livros de puericultura e desta maneira perdemos o eixo entre tantos conselhos pretensamente “profissionais”.

Há uma idéia que atravessa e desativa a animalidade da lactância, e é a insistência para que a mãe se separe do corpo do bebê. Contrariamente ao que se supõe, o bebê deveria ser carregado pela mãe o tempo todo, inclusive e sobretudo quando dorme. A separação física à que nos submetemos como rotina entorpece a fluidez da lactância. Os bebês ocidentais dormem no moisés ou no carrinho ou em seus berços demasiadas horas. Esta conduta singelamente atenciosa contra a lactância. Porque dar de mamar é uma atividade corporal e energética constante. É como um rio que não pode parar de fluir: se se o bloqueia, desvia seu volume.

Dar de mamar é ter o bebê a colo, o tempo todo que seja possível. É corpo, é silêncio, é conexão com o submundo invisível, é fusão emocional, é loucura.

Sim, há que ser um pouco louca para maternar."

ÊXTASE DA DEUSA - in: Loucura lúcida: lactância selvagem

sábado, 19 de fevereiro de 2011

MÃE DA ÁFRICA, MÃE DE TUDO

DEUSA MAWU

A Deusa da África Ocidental, Mawu chamava-se originalmente Mawu-Lisa e por vezes era vista como gêmeos masculino e feminino, por vezes um ser andrógino.

A divindade dupla Mawu-Lisa é intitulada Dadá Segbô (Grande Pai Espírito Vital), Sé-medô (Princípio da Existência) e Gbé-dotó (Criador da Vida). Mawu representa o Leste, a noite , a Lua, a terra e o subterrâneo. Sempre que ocorria um eclipse, dizia-se que Mawu e Liza estariam fazendo amor. Mawu-Lisa criaram todo o Universo e os Voduns juntos.
Lisa é, ao lado de Mawu, o vodun da Criação, pai e ancestral de todos os demais voduns, mas a tradição o coloca sempre em segundo plano em relação à Mawu. Lisa representa o Oeste, o Sol, o firmamento - assim como a luz e as águas contidas ali. É simbolizado por um camaleão que traz o globo dourado do Sol na boca. Enquanto Mawu representa o frescor e os prazeres da vida, Lisa encarna o trabalho, a seriedade e a determinação, semelhante a dualidade freudiana entre eros, o princípio do prazer , e tanatos, a pulsão da morte.
A cor emblemática de Lisa é o branco, e seus vodunsis devem andar sempre de branco. Ele recebe oferendas e sacrifícios de alimentos e animais de cor branca. Diferente de Mawu que se relaciona igualmente a todas as famílias de voduns, Lisa é considerado um JI-VODUN, e a tradição conta que ele é de origem nagô, e seus vodunsis ao final da iniciação são denominados anagonu.
Mawu é considerada uma Deusa carinhosa, como atesta o provébio: "Lisa pune, Mawu perdoa." Os Fon de Benin, na Ádrica Ocidental, cultuam Mawu como Deusa Lunar.Depois de criar Ayìkúngban, o Mundo, Mawu, deu seu domínio aos gêmeos Sagbata. Sogdo, por ser muito parecido com seu genitor, permaneceu no Céu, governando os elementos e o clima. A Agbê e Naeté foi concedido o domínio de Hu, o mar, que refresca a terra. Agué foi encarregado das plantas e dos animais que habitam a terra e a Gu, que tinha o corpo que era uma espada, foi concedida a habilidade de auxiliar os homens a dominar o mundo criado e garantir seu sucesso e felicidade em suas cidades, artefatos e tecnologias. Djó foi responsável por separar o Céu da Terra e dar trajes de invisibilidade a seus irmãos. O caçula mimado Legba permaneceu junto de Mawu, acocorado a seus pés. A cada vodun filho seu, Mawu ensinou uma língua diferente, que deveria ser usada em seus próprios domínios e Djó ficou encarregado de ensinar a linguagem dos homens, mas todos se esqueceram como falar a linguagem de Mawu, com exceção de Legba, que nunca se separou de seu genitor.

Assim, todos os voduns e toda a humanidade teria que recorrer a Legba para se comunicar com Mawu. Legba passou assim, a estar em toda parte, para levar e trazer mensagens dos seres criados ao seu Criador.

Dan Ayido Hwedo, a Serpente Cósmica, que havia auxiliado Mawu na criação no Mundo, não suportava o calor do sol e foi concedido que ele fosse morar no mar para se refrescar, circundando a terra, enquanto era alimentado com barras de ferro por macacos vermelhos enviados por Mawu, para evitar que mordesse a própria cauda e destruísse toda a Criação.
O filho de Mawu-Lisa, que permaneceu nos céus e fundou o Panteão do Trovão foi Sogbo. Já Sagbata, foi enviado à terra para se multiplicar. Quando teve que decidir que filho desceria à Terra, Mawu escolheu Sagbata por ser o mais velho. Sogdo ficou com inveja e fez com que as chuvas cessassem para que os homens não tivessem água para as colheitas. Quando as pessoas começaram a se queixar, Mawu enviou Legba para descobrir o que acontecia. Legba havia feito com que Sogdo parasse as chuvas inicialmente, mas Mawu não sabia disso. O trapaceiro Legba enviou um pássaro para iniciar incêndio na Terra. Quando a nuvem de fumaça se ergueu, Legba disse a Mawu que a falta de chuva estava queimando a Terra. Mawu então ordenou a Sogdo que liberasse a chuva.

Numa lenda diferente, Mawu e Lisa eram os criadores e usaram o seu filho, Gu, para dar forma ao Mundo. Gu, a ferramenta divina, tinha a forma de uma espada de ferro. Ensinou o povo a arte de trabalhar o ferro, para que pudessem fazer as suas próprias ferramentas e abrigos, mas infelizmente, Gu não sabia que os humanos iriam fazer uso do seu conhecimento para fazer armas e, com a ajuda da serpente cósmica, Dan, as idéias dos humanos tornaram-se realidade.
Na iconografia, Mawu é representada como uma anciã, trajada apenas de um pano cingindo-lhe a cintura, caminhando apoiada num cajado na mão direita e levando um bastão encimado por uma Lua Crescente com as pontas para cima, na mão esquerda.
Mawu era a Deusa Suprema dos Fon de Abomey (República de Benin). Mawu, a Lua, atrai temperaturas mais frias ao mundo Africano.

Mawu não fazia contato direto com os homens, mas delegava seus poderes aos Voduns. Os Voduns constituem uma classe especial de criaturas vivas. Estão acima da humanidade, mas não são divindades, eles são os sinais que emanam do divino em resposta aos desejos espirituais da humanidade. Deste modo, Vodun designa tudo que é sagrado, todo o poder do invisível, que influencia o mundo dos vivos. Examinemos então a dinâmica do Panteão Vodun:

GU, Vodun dos metais, guerra, fogo, e tecnologia.
HEVIOSSO, Vodun que comanda os raios e relâmpagos.
SAGBATA, Vodun da varíola.
DAN, Vodun da riqueza, representado pela serpente do arco-íris..
AGUE, Vodun da caça e protetor das florestas.
AGBE, Vodun dono dos mares.
AYIZAN, Vodun feminino dona da crosta terrestre e dos mercados.
AGASSU, Vodun que representa a linhagem real do Reino do Daomé.
AGUE, Vodun que representa a terra firme.
LEGBA, o caçula de Mawu e Lisa, e representa as entradas e saídas e a sexualidade.
FA, Vodun da Adivinhação e do destino.
Os voduns na África são agrupados em "famílias" chefiadas por um vodun principal, ora representando um elemento ou fenômeno da natureza, ora da cultura. Existem basicamente 4 famílias principais:Os JI-VODUN, ou "voduns do alto", chefiados por Sogbo (forma basilar de HEVIOSSO ).
Os AYI-VODUN, que são os voduns da terra, chefiados por SABAGTA.
Os TO-VODUN, que são voduns próprios de uma determinada localidade (variados).
Os HENU-VODUN, que são voduns cultuados por certos clãs que se consideram seus descendentes (variados).
No Brasil os voduns são cultuados nos terreiros de Candomblé.
A iniciação ao culto dos voduns é complexa é longa e pode envolver longas caminhadas a santuários e mercados e períodos de reclusão dentro do convento ou terreiro hunkpame, que podem chegar a durar um ano, onde os neófitos são submetido a uma dura rotina de danças, preces, aprendizagem de línguas sagradas e votos de segredo e obediência.
O nome de Mawu foi utilizado para denominar o Deus Único dos judeus, cristãos e muçulmanos nas línguas ewe-fon, mas dentro de culto dos voduns, Mawu possui seus próprios conventos pelo sul do Benin e do Togo, com culto organizado, sacerdotes, iniciados, etc., como qualquer outro vodun. Os mawunon (sacerdotes de Mawu), apesar da aparente importância da divindade que cultuam, não têm nenhuma ascendência especial sobre os sacerdotes de outros voduns. Suas cores emblemáticas são o branco, o azul e o vermelho.

Mawu chega até nossas vidas para dizermos que é hora de quebramos a rotina e temperá-la com mais Criatividade. Faça algo bom e totalmente diferente hoje. Mawu tinha muito amor à todas as suas crianças. Compre doces e distribua às crianças de rua. Tente também conversar um pouco com elas. Tire de sua volta este paredão de medos e se envolva mais com seu semelhante. Converse com seu colega, seus funcionários, seus filhos, parentes e amigos. Escute o que o outro tem para lhe dizer, pois todos nós somos obras e criação de Mawu. Você entenderá assim, que os vícios que condena nos outros são na verdade os seus próprios. Nunca julgue para não ser julgado, aceite a vida como ela é, pois nada neste mundo material é eterno.
Não reprima suas emoções, viva o hoje!

RITUAL DE CURA

Coloque um espelho de uma só face sobre o altar entre duas velas azuis. Sobre o espelho, coloque uma foto de pessoa ou animal que deseja ver curado. Se não possuir uma foto, deixe ao menos um papel com o nome da pessoa nele. Coloque um cristal sobre a foto ou o papel.

Com o atame em sua mão de poder, segure-o sobre o espelho, o cristal e a foto e diga:

Você está purificado.
Você está limpo.
Você está curado.
Você está íntegro.

Pelos poderes dos Antigos Curandeiros,

Pelos grandes poderes de Mawu, Todo o mal é corrigido.

Deixe o atame de lado. Apanhe o espelho e a foto. Segure a foto de frente para a face reflexiva do espelho e diga:

A Grande Mãe Mawu e todos os Grandes Curandeiros vêem sua imagem íntegra e completa novamente. Olhe para o espelho de Mawu, (nome da pessoa). Veja a si mesmo como é visto pela Carinhosa Mãe.

Deixe o espelho sobre o altar, com a foto voltada para baixo sobre ele, durante a noite. Na manhã seguinte, enterre ou queime a foto e lance as cinzas ao vento.

Mawu é reverenciada no dia 30 de novembro.
Seus animais são: a serpente e o macaco.

Texto pesquisado e desenvolvido por
Rosane Volpatto

SITE:http://www.rosanevolpatto.trd.br/deusamawu.htm

O VÉU DE ÍSIS


O SIMBOLISMO DO VÉU NO MITO DE ÍSIS E OSÍRIS: HERANÇA CULTURAL PARA A AUTO-DESCOBERTA.


por Libéria Al Khadir

"Um tema persistente nos rituais de fertilidade era o de uma gigantesca inundação
ou dilúvio, seguindo-se um período de benesse. (...) O tema de vida, morte e
ressurreição também era freqüente: uma Deusa perde o amante, o irmão ou
o Filho, indo buscá-lo no mundo subterrâneo, entre mil perigos, até que o
encontro aconteça. E o encontro assinala sempre o retorno da vida após um
intervalo de frio e escuridão.

(MARIBEL PORTINARI)


Ísis considerada a Deusa Iniciadora nos mistérios da vida-morte-transcendência, encarna o Princípio Feminino, fonte mágica da fecundidade e de toda transformação. O milagroso renascimento de Osíris, consorte de Ísis, era atribuído a seus poderes.


No Egito, o principal centro de culto a Ísis e Osíris ficava em Abydos. Anualmente realizava-se um festival ritualístico cuja principal atração era a dramatização do mito. Os sacerdotes realizavam uma procissão solene acompanhados de músicos e dançarinas. A primeira descrição dessa cerimônia data de 1868 A.C. gravada na pedra de Ikhernofret. Mais tarde entre 46 e 120 D.C. Plutarco e Lucius Apuleius entre 123 e 150 deixariam um relato detalhado sobre o culto.
Fica mais clara a relação entre a mulher, o véu e seu simbolismo quando estudamos o mito de Ísis e Osíris por completo, identificando o surgimento de Hórus como filho nascido pela intervenção mágica de Ísis, através da recuperação do falo de Osíris. Temos portando, a vida nascendo da morte, o oculto sendo revelado. Segue-se a descrição do mito:

Osíris é morto, encerrado num cofre por inimigos invejosos e por seu irmão Set, lançado depois nas águas do Nilo. O cofre se abre e as partes de Osíris são espalhadas. Ísis vai a sua procura e consegue reunir todas as partes, com exceção de uma, o pênis, que um peixe engolira.

Ela realiza um ritual de magia juntamente com Néftis, onde pronuncia o nome secreto de Rá e constrói um falo da madeira recolhida na árvore sagrada dedicada à Ishtar. Nesse momento, Osíris retorna á vida, porém restrita ao mundo dos mortos, enquanto Ísis engravida e pari o filho da transcendência Hórus que irá vingar a morte do pai e matar Set.

Não podemos esquecer do significado de "velar" no sentido de passar a noite acordado seja para ficar alerta por algum motivo, proteger o corpo vivo, seja para preparar, "cuidar" ou abençoar um morto. Novamente aqui existe a relação com a passagem transcendente guiada por Osíris.

"No sufismo, diz-se que uma pessoa está velada (mahjub) quando a sua consciência é obcecada pela paixão, seja sensual ou mental, de tal modo que não percebe a Luz divina em seu coração (BURD , 147).

Para os místicos, hijab, que designa tudo o que vela o alvo, significa a impressão produzida no coração pelas aparências que constituem o mundo visível e que o impedem de aceitar a revelação das verdades. O nafs (alma carnal) é o centro do velamento... As substâncias, os acidentes, os elementos, os corpos, as formas, as propriedades, todos são véus que ocultam os mistérios divinos. A verdade espiritual está selada para todos os homens, com exceção dos santos.

Ibn ul Faridh fala dos véus da mortalha dos sentidos (NICM, 248). A própria existência é considerada um véu para os sufistas.

No budismo, este mesmo véu que dissimula a Realidade pura é Maya; mas Maya como Xácti, vela e revela ao mesmo tempo, pois se não velasse a realidade última - que é a identidade do ego e do self, do sich selbst e da Deusa - a manifestação objetiva não poderia ser percebida."

O símbolo aqui se contradiz, pois o véu torna-se não o que oculta, mas ao contrário, o que permite ver, filtrando uma luz ofuscante, a luz da Verdade. É neste sentido que se diz, em regiões islâmicas, que a Face de Deus é velada por setenta mil cortinas de luz e de trevas, sem o que tudo o que o seu olhar atingisse seria consumido. Pela mesma razão Moisés teve de cobrir o seu rosto para falar com o povo hebreu. O Islã também dirá que Deus revestiu as criaturas com o véu de seu nome pois se lhes mostrasse as ciências de seu poder, desmaiariam, e se lhes revelasse a Realidade, morreriam (MASH , 699-700): o véu do nome preserva a criatura de uma visão direta que a faria desmaiar. Pois também a luz solar possui uma dupla acepção simbólica: pode ser aquilo que cega, com seu brilho por demais intenso, o que faz com que os tais digam que o véu do dia esconde a luz dos astros, que se desvelam ao cair da noite (AVAS , BURA , CORT , EVAB , PHIL , GUEM , MASR , PALT , SOUN , SOUJ , VALI , WARK ). "

M. Esther Harding , declara que a Grande Deusa, presente em diversas culturas orientais e ocidentais foi em distintas regiões geográficas representada por uma pedra negra. Essa pedra considerada sagrada possuía uma depressão oval semelhante á vulva feminina. Lucy Penna aborda essa evidência e esclarece a origem do culto provavelmente na Caldéia há seis mil anos, além de concomitante presença das pedras marcadas na Grécia e entre os celtas e druidas da Europa. Essa marca impressa em forma de vulva chamada de "sinal de Afrodite", é símbolo da energia que traz a luz e a vida. Mais uma vez, remete-nos ao sagrado momento do parto e a felicidade de trazer a criança à luz:

"Segundo Harding, o povo muçulmano acredita que a pedra sagrada de Meca (em cuja direção os devotos dessa fé se voltam três vezes ao dia, sintonizando com o poder de sua cidade santa) está coberta por um véu negro, repousando no centro da mesquita principal. O fato de estar envolta por um véu sugere uma analogia com o segredo que guarda o sexo feminino ainda coberto pelo hímen. Significa também a presença de um força que não pode (ou não deve) ser percebida apenas racionalmente, permanecendo misteriosa e oculta.

"O poder secular por vezes apropria-se deste símbolo para sacralizá-lo. É o que se dava com o Imperador da China, sempre separado de seu visitantes por um véu, podendo assim ver sem ser visto; e com o Califa, a partir do período omíada: seu camareiro, encarregado de transmitir as suas palavras durante as audiências, chamava-se "véu" ou "cortina"(Hajib), pois era ao mesmo tempo aquele que esconde e revela.

Em última instância , o véu pode então ser considerado mais um intérprete do que um obstáculo; ocultando apenas pela metade, convida ao conhecimento; todas as mulheres sedutoras sabem disso, desde que o mundo é mundo. O símbolo também se define pelo esoterismo: aquilo que se revela velando-se, aquilo que se vela revelando-se. "

Outro elemento presente nas representações gráficas do mito encontradas nas paredes das pirâmides , em hierógrifos e objetos de arte, é o ankh, (cruz ansada), chamado também de nó de Ísis. Ele representa seus poderes infinitos e simboliza a eternidade, assemelhando-se também ao formato do útero.


CLEPSIDRA, RELÓGIO DE ÁGUA DE AMENÓFIS III, APROX. 1400 A. C.


O ankh e o djed (símbolo que se refere à coluna vertebral e ao membro ereto de Osíris), configuram a idéia da fertilidade e a transcendência. Ou seja, os véus são retirados, o conhecimento é revelado e a vida, que se materializa através do ato sexual, ganha uma profundidade de significado: o ato da vida transcende a morte e revela Deus.

TEMPLO DE SET i, ABIDOS XIX DINASTIA, APROX. 1300 A.C.

A figura acima, mostra Osíris e o pilar djed. Os quatro capitéis, simbolizam a estabilidade e a duração no mundo osiríaco. Nos mistérios de Osíris são celebrados anualmente a sua paixão, a sua morte e a sua ressurreição. No templo de Abidos, a cena da elevação do pilar djed era seguida da oferenda de tecidos (véus), na qual se cobre a coluna como se tratasse de uma estátua.

A cerca do exposto, temos as evidências de que a dança do ventre se origina de uma dança sagrada de fertilidade e portanto faz parte desse ritual.

E isso tudo tem relação com o simbolismo do véu na dança?


(...) Ao desempenhar seu papel na dança cósmica, todos os seres estão unidos por uma intrincada rede de vida. (...) No caminho em direção a si mesmo, reconhece que o mundo inteiro se encontra em si e que a revelação divina - que se produz através dele, o meio subjetivo - adquire forma e cor neste processo de manifestação. (...) . A realidade primária para o homem continua sendo a realidade da psique; mas atingir o centro implica o sacrifício da personalidade individual e da posição no espaço finito, o que possibilita a compreensão de que pode encontrar a graça em qualquer lugar. O corpo constitui o recipiente sagrado da divindade, seu véu ou sua máscara; mas é ao mesmo tempo veículo de sua revelação. Pintando-o, cobrindo ou mascarando-o, adquire uma ênfase dinâmica, que é uma forma de assinalar que o mistério se descobrirá (...)

Neste interim, o véu se revela também o símbolo da pele que recobre todo o corpo e é responsável pela ligação que temos com o interior e o exterior de nós mesmos. O corpo é o templo sagrado onde habita a essência (alma).

A comunicação entre o elemento véu e a pele realça a propriocepção, expandindo a capacidade de sentir o toque, o movimento do corpo como um todo e a interação dele com a música, o ar no ambiente e algo dentro desse corpo que o move além!

Agora vejo na Mente, vejo que sou o todo.
No céu e na terra estou, na água e no ar,
Estou nos animais e nas plantas.
Criança sou no útero e aquele que ainda não foi concebido,
e também recém nascido.
Em todas as partes estou presente

IN: http://femininoessencial.ning.com/group/ventresagrado

SENHORAS DAS ÁGUAS...


19 DE FEVEREIRO

Celebração das deusas sumerianas das águas Nammu e Nina, um dos aspectos de Inanna. Como Deusa das Águas Primordiais, Nammu assistiu à Deusa Mami na criação da raça humana. A Deusa Nina, chamada de Rainha das Águas, era representada com corpo de mulher e cauda de peixe ou serpente.
Comemoração de Moruadh, a sereia celta com corpo de mulher e rabo de peixe, cabelos verdes, nariz vermelho e olhos de porca. Os pescadores lhe ofereciam conhaque para evitar que ela rasgasse as redes ou afundasse seus barcos. Segundo as lendas, Minerva, a deusa romana da sabedoria e da justiça, nasceu neste dia. Dia de Tácita, a deusa romana do silêncio.
Aproveite a data e acenda uma vela preta pedindo à Deusa Tácita que queime nela todos os boatos negativos, as calúnias e as palavras maldosas direcionadas a você, à sua profissão ou ao seu relacionamento. Unte, depois, uma vela branca com essência de heliotrópico e acenda-a, pedindo à Deusa que silencie para sempre as más línguas e impeça as discussões e fofocas ao seu redor.


Informações extraídas do livro "O Anuário da Grande Mãe" - Mirella Faur


terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

IRMANDADE

Em minas peregrinaçãoes virtuais em buscas de mais conhecimento que pudesse me esclarecer algumas dúvidas acabei encontrando um templo lindo, um Blog chamado de Alta Sacerdotisa. Quando li o seus posts foi paixão a primeira vista. Foi como um tesouro no qual se encontra em uma praia esquecida pelo tempo no qual simplesmente você o acha quando menos se espera achar. E foi lá naquele lugar tão profundo e repleto de Êxtase da Deusa que encontrei um outro eco nesse caminho.
Foi lá, entre frases e letras que conhecia a fundadora daquele blog que hoje sem explicação racional faz parte do meu caminho e de minha jornada, uma irmã de luz e alma. A Ti Gaia Lil dedico esse texto para poder honrar nossos laços muito além de qualquer contacto próximo ou tempo, nossa amizade e irmandade é por mim atemporal, existindo em todos os mundos e em todos os lugares.
A quem puder conhece-la como de fato ela é será um imenso prazer a todos, pois ela derrama suas dádivas sobre toda a Terra como nossa amada Deusa Mãe.
Obrigado por existir e poder fazer parte deste blog.
Gratidão de seu irmão/irmã Bacante.


Quero agradece lo a todas as palavras de carinho e apoio principalmente neste momento da minha vida em que me encontro cansada, ferida e sem rumo...Que a Deusa seja testemunha da minha gratidão e do apreço que sinto por você, por todos vocês.
Existem muitas dificuldades neste caminho que venho trilhando e sim a falta de um trabalho mais real sempre me leva sensação de ser incapaz e a vontade de desistir me espreita sempre e sempre nestes momentos...Mas sempre que ando em burca ou imploro a Mãe um de Seus sinais Ela o envia e desta vez não tenho dúvidas Ela o enviou por seu intermédio. Que aquela minha face para lá de oculta para aqueles que me conhecem pessoalmente possa um dia se revelar e quem sabe ensair uma tentativa de felicidade (ou antes creio que nunca acreditei nessa de felicidade) possa ser livre das amarras e como as antigas sacerdotisas possa falar nas ruas todo o seu amor e paixão pelas faces da Grande Deusa e possa estender a obra da Grande Mãe para frente, para sempre e todo o sempre.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

ESSA ERA DA FILHA QUE NÃO CHEGA NUNCA...

A Era da Filha

"Para Evitar o Desastre, a mulher tem de novo reencarnar a Deusa na terra, de recuperar colectivamente a memória de quem é, de reaprender a arte de curar, de se assumir de novo como Guardiã do Grande Útero ferido que é a terra, dando as mãos entre si para a tratar. Restituindo-lhe a capacidade de criar."


Minha amiga Nana Odara provavelmente diria:

"Temos que nos mobilizar, P*RRA!"

CAILLEACH, A VELHA MÃE NEGRA

Cailleac, a anciã celta, regente do inverno

“Cailleach é “Aquela com duas faces”, uma jovem, na cor do
azul real, bonita e desejável, criando e nutrindo uma nação; a
outra, de um negro profundo, enrugada e gasta por ser mais
velha que o tempo, mas que protege e ensina seu povo. Como
Mãe Antiga e Anciã, Ela é a eterna e poderosa Cailleach, que
está conosco desde o início e permanecerá até o fim, punindo as
injustiças e as violências cometidas contra a Natureza com seu
veloz poder, pois a destruição é necessária para renovar a vida”

Silver Wolfwinds

Evidências históricas e mitológicas revelam que na Europa antiga, no período neolítico, antes da difusão das culturas indoeuropeias, existia um culto continental de uma Deusa Mãe. Da mesma forma na Irlanda,habitada por milhares de anos antes da chegada dos celtas – os primeiros imigrantes indo-europeus - a cosmologia e a reverência religiosa eram centradas na energia feminina, considerada origem do universo e de todas as formas de vida. Com o passar do tempo, os valores indoeuropeus reorientaram os conceitos ideológicos e místicos do enfoque matrifocal nativo para uma estrutura patriarcal, divina e religiosa. Na Irlanda a tradição de uma Deusa Mãe, cósmica e telúrica, foi bastante preservada e houve a continuidade da Soberania feminina, reconhecida pelos seus atributos de fertilidade e pela sua manifestação e presença na natureza.
Porém não existia um culto organizado de uma única Deusa Mãe, a sagrada presença feminina era um foco central na consciência humana e na cultura, manifestada tanto como uma extensão do amor filial pela Mãe Divina, quanto na identificação da terra com ventre (fonte de vida e nutrição) e do túmulo (local da morte e da issolução), combinando assim ambos os aspectos de um mesmo arquétipo: criador e nutridor, transformador e renovador. Enquanto em outras culturas os aspectos míticos e arquetípicos eram origem às diversas figuras da Grande Mãe (regentes da ertilidade, amor, criação, nutrição, sustentação) e da Ceifadora (padroeiras da privação, hostilidade, guerra, destruição, morte), os mitos originais celtas e irlandeses combinam em um mesmo personagem estes atributos contraditórios. Na cultura celta, apesar da presença de um extenso panteão masculino, a essência divina feminina – cósmica e telúrica - permeia o Todo com a sua energia e poder. Na tradição irlandesa, o relacionamento dos heróis semidivinos (que representam nas narrativas os aspectos míticos dos deuses celtas) com a Deusa, é um tema central e constante. Há um contraste, no entanto, entre o assim chamado “tempo feminino”, cíclico, associado a ritmos cósmicos e biológicos e o “tempo masculino”, que progride em sucessão linear e histórica, descrevendo façanhas e conquistas dos heróis para burlar e escapar da morte. Os mitos e as histórias masculinas são dominados pelos atos heróicos de seres divinos ou semidivinos, enquanto os mitos femininos estão repletos de referências geográficas de lugares e características naturais ligados à vida, morte e enterros de figuras femininas divinas ou semidivinas. Os nomes dos arquétipos femininos permanecem na paisagem e nos lugares das assembleias sagradas, onde eram celebrados os ritos de passagem e os festivais agrícolas. As deusas invocadas nestas datas personificavam as forças da natureza - tanto produtivas, quanto destrutivas - que deviam ser dominadas com violência pelos homens para que servissem aos seus interesses, mas que depois eram reverenciadas para que fosse aplacada a sua vingança. Assim, a figura da mulher é deixada fora do tempo, desprovida de passado ou futuro, não sendo nem verdadeira, nem falsa, enterrada profundamente na terra, como arquétipo e importância (política, histórica e religiosa). Desta forma, na tradição medieval irlandesa, a Deusa Mãe é reduzida a uma soberana ou rainha territorial, cuja autonomia e autoridade foram diminuídas e usadas pelas dinastias patriarcais, que competiam pela hegemonia política. Porém, no nível esotérico e mítico, a Deusa Mãe mantém sua majestade e poder nas formas do relevo geográfico, nas histórias dos lugares e costumes e sobrevivendo nas memórias e na imaginação popular. Levando em consideração esta premissa, entendemos porque em todo o mundo gaélico - de Irlanda a Gales e Escócia - são encontradas até hoje tradições e histórias da Cailleach, a Anciã Sobrenatural associada a montanhas, colinas, lagos, rios, grutas, pedras e câmaras subterrâneas, cujas formas e localizações tinha sido Ela mesma que modelou e fixou. Sua lembrança também persiste nos encontros sobrenaturais dos humanos com seres e dimensões do “Outro Mundo”. Mais proeminente destas figuras da Anciã ou da “Velha Velada” (significado do seu nome) é Cailleach Bheara, regente da grande península do sudoeste da Irlanda. Bheara é considerada o lugar legendário onde aportaram os Milesianos, que destronaram os seres míticos Tuatha de Danann e os obrigaram a se ocultar nos reinos subterrâneos, onde continuam reinando sobre as forças da natureza. Cailleach Bheara personifica a soberana territorial, cujo poder é tão vasto quanto indomável, mas ao mesmo tempo fertilizador e nutridor para a existência humana. Suas representantes no mundo real são as parteiras, as mulheres sábias, as videntes e as carpideiras, que prestam até hoje serviços às comunidades. Foram o poder e as ações de Cailleach Bheara que modelaram colinas, determinaram o curso dos rios e a forma dos lagos, a localização das ilhas e das grutas. As tempestades, ventanias e marés revelam seu poder transmutador e as histórias antigas descrevem sua atuação divina e soberana na formação geotectônica da paisagem, pois Cailleach carregava rochedos enormes no seu avental e os que caiam se transformavam em montanhas e colinas. As características geográficas atuais e as lendas sobre sua formação lembram à humanidade a comunhão arcaica com o Outro Mundo, perpetuando a sua lembrança na consciência do povo e na tradição cultural e mística. Como deusa neolítica Cailleach era conhecida como "Anciã azulada", ''Deusa ursa" "Deusa javali", "a Velha com cara de coruja'', tendo sido cultuada durante milênios pelos povos proto-celtas, que mesclaram e fundiram seus vários aspectos em imagens que evocavam tanto o amor, quanto o terror, pois Ela controlava as estações e o tempo, sendo regente da terra e do céu, da Lua e do Sol . Supõe-se que sua ausência nos mitos da Irlanda e Escócia - sendo lembrada apenas pelos nomes de lugares e nas histórias - se deve à sua origem pré-celta, tendo sido trazida pelos emigrantes das longínquas regiões do centro e Norte da Europa. Seus inúmeros nomes variavam entre Cally Berry e Caillighe na Irlanda do Norte, Caillech Bherri, “Anciã de Bheara” e Digne na Irlanda do Sul, Cailliach ny Gromach na Ilha de Man, Carline, Dirra, Scotia e Nicnevin na Escócia, Black Annis na Grã Bretanha. Nas suas diversas apresentações Cailleach é a personificação da idade e da sabedoria, regente do inverno, que ela chamava pulando de uma colina para outra e sacudindo seu bastão mágico feito de um galho de bétula ou salgueiro. Ela era a “Senhora das Colinas Sagradas” (Sidhe) e dos “Portais para o Mundo das Fadas” (Fey People), pois também regia sonhos e percepções sutis, sendo a Mãe Anciã das pedras e rochas, os ossos sacros e os registros das memórias da terra. Ela também era Guardiã de vários animais, as renas e os cervos sendo especialmente protegidos contra os caçadores, além dos javalis, ursos, lobos, raposas, gatos pretos e peixes. Na Escócia Cailleach era considerada filha de Grainne, o Sol de inverno, a ancestral dos clãs dos caledonianos, a “Giganta das geleiras” que protegia seu povo e o acalentava no interior das montanhas sagradas. O reino de Cailleach começava no Samhain, o Sabbat que comemorava a morte da vegetação e o início do inverno, com a chegada do frio, da escuridão e das nevascas. No Sabbat oposto na Roda do Ano – Beltane - Ela escondia seu bastão de poder sob um arbusto de azevinho e se metamorfoseava em uma rocha cinzenta, anunciando assim o término do inverno. Em outros mitos Ela se transformava em uma jovem mulher na véspera de Imbolc, sendo portanto a figura complementar e oposta de Brigid (ou aspectos de uma mesma Deusa) e recebia de volta o bastão branco guardado por Brigid durante a primavera e o verão e que no Samhain, pelo seu toque, voltava a ser escuro e coberto de gelo. Em um mito da Escócia relata-se que, durante os meses de inverno, Ela mantinha cativa a Deusa Brigid no topo da montanha Ben Nevis. Cailleach era portanto a guardiã do portal para a escuridão e a imobilização da metade escura do ano, quando toda a vida diminuía seu ritmo, a seiva descendo para as raízes, os animais entrando em hibernação e os seres humanos silenciando e mergulhando no seu interior. Assim como a crisálida que permanece imóvel durante o inverno até a chegada da primavera, toda a vida ficava suspensa pelo toque do negro e gelado bastão de Cailleach. Na Irlanda Cailleach faz parte de uma tríade de deusas juntamente com suas irmãs - Cailleach Bolus e Cailleach Corca -, seu lugar sagrado sendo na peninsula de Bheara, na fronteira entre Cork e Kerry; sua essência é contida em uma formação rochosa, cuja estrutura geológica é única na região e que reproduz o perfil de uma mulher idosa. Lá, na parte noroeste da ilha, na beira-mar, Ela é reverenciada até hoje com oferendas de pequenos objetos, cristais, pedras e moedas. No Oeste da Irlanda os penhascos ingremes dos Cliffs of Moher pertenciam a Cailleach, reverenciada no Samhain como a Velha Bronach, regente das Banshee(ancestrais), cujo choro era ouvido no sibilar do vento que assola permanentemente a região. Os túmulos megalíticos de Loughcrew situados no topo de Slieve na Calliag (“a montanha da anciã”) são famosos pela rocha que reproduz uma cadeira, honrada como o seu trono. Cailleach era descrita às vezes como uma giganta com um só olho, brilhando no meio de um rosto azulado ou uma velha com dentes vermelhos, cabelos brancos desgrenhados, cobertos com um lenço, usando roupas cinzentas e um avental enfeitado com cristais de gelo. Cailleach podia renovar permanentemente a sua juventude e os inúmeros homens que ela amou morriam de velhice, enquanto ela rejuvenescia ao mergulhar nas águas azuladas do lago Loch Ba, buscando depois outro jovem para se nutrir com o seu amor. Na sua fazenda ela contratava trabalhadores que, somente iriam ser pagos, se a ultrapassassem no rendimento do trabalho. Iludidos pela sua aparência de mulher idosa, frágil e corcunda, os homens concordavam, mas morriam de estafa ao tentar manter o mesmo ritmo, pois a sua força era sobrenatural. Na Escócia costumava–se até recentemente transformar as últimas espigas de milho na figura de uma mulher coberta com um simulacro de roupas e fitas coloridas, denominada Cailleach ou “Fome”; o homem que tinha cortado as espigas era chamado “inverno”, coberto com panos, sua face escurecida e molhado com água gelada.Como aquele que guardasse e zelasse pela representação de Cailleach era predestinado a morrer ou perder seus animais, ninguém queria ser o seu detentor, por isso se apressava enviar a figura para um vizinho que ainda não tivesse acabado sua colheita. Este gesto era visto como um desafio ou insulto, muitas vezes resultando em derramamento de sangue. Para passar a Cailleach à outra fazenda, era escolhido um jovem saudável, instruído para galopar ao anoitecer ao redor do campo que ainda não tinha sido colhido, jogando a figura da Anciã no meio das espigas e continuando seu galope para não ser descoberto e preso, sendo submetido a punições e humilhações. Algumas montanhas da Escócia guardam o nome da Cailleach no seu aspecto de "Senhora das Montanhas" (Cailleach na Mointeach), como nas duas colinas semelhantes aos seios de uma mulher da ilha de Skye (Beinn na Cailleach) e nas montanhas Pairc da ilha de Callanish, que imitam o perfil de uma mulher deitada chamada Sleeping Lady. No centro deste lugar sagrado, a cada 18 anos a Lua “dança” no horizonte ao atingir o ponto extremo do seu deslocamento para Sul, unindo assim a jovem Brigid e a velha Cailleach. A memória dos tempos antigos permanece oculta em muitas lendas e histórias folclóricas, lembrando as épocas quando a Anciã era honrada e reverenciada como a condutora dos heróis para a morte – quando eles se perdiam numa floresta escura - ou das heroínas para o sono transformador, ao serem aprisionadas atrás das muralhas de um castelo à espera do seu despertar. Estas histórias simbolizam antigos ritos de passagem, em que os desafios e os testes eram os sinais que pontuavam o rumo para a transformação e evolução da alma. A escuridão era associada com os novos começos, com o potencial da semente oculta no solo e a sabedoria expressa nas figuras de poderosas deusas anciãs, cuja tarefa era catalisar as mudanças no contexto natural, cultural ou individual através do poder transformador da escuridão, na transição da morte para uma nova vida. Com o passar do tempo a Anciã foi rebaixada para a figura da Madrasta vingativa, da Bruxa malvada e da Velha punidora e o respeito e reverência perante a Mãe Negra e Anciã distorcidos no pavor da velhice, da escuridão e da morte.

As anciãs não mais são honradas pela sua sabedoria, mas denegridas pelo espectro temido do envelhecimento e da decrepitude, a morte temida, ocultada e negada e a escuridão vista como sinônimo de perigo e mal. Porém, ao resgatar os antigos conceitos matrifocais, as mulheres contemporâneas reencontram a reverência e o respeito perante as Anciãs, Senhoras do Tempo, da Escuridão e da Sabedoria, tornando-se Suas mensageiras no processo de transmutação e renovação de valores e comportamentos, partilhando com os demais a visão da Natureza como Nossa eterna e amada Mãe.

DEUSA VIVA Uma publicação do Círculo de Mulheres da Teia de Thea
Lua Cheia, Novembro de 2010, nº 133 - Mirella Faur

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A ESSÊNCIA FEMININA DO UNIVERSO



"Ela é o autêntico poder da essência feminina do Universo. É ao mesmo tempo uma expressão do que sabemos acerca do mundo humano e um poder muito além da nossa capacidade de expressão.
Patrícia Monaghan - O Caminho da Deusa

"As mulheres hoje estão descobrindo que a espiritualidade é autêntica quando é intrinsicamente subjetiva, quando é trazida para fora, penadamente do útero da sua própria experiência"
(Kolbenschlag, p.160).

"As histórias da antiguidade que contavam a magia da mulher, a criadora, aquela que é capaz de dar à luz, a que recebe o mistério do sangue – a força vital – e que é capaz de devolver essa força vital à Terra, foram soterradas, esquecidas. Onde estão as histórias da Deusa – aquela que ama, sente e nutre? A espécie masculina costumava possuir a energia da Deusa dentro de si, também, e sente necessidade dessa energia.

Homens e mulheres devem complementar-se, jamais confrontarem-se.
Vocês não têm um panteão de imagens femininas criadoras poderosas, como o masculino, que sirva de padrão da imagem positiva da força feminina. Assim os homens esforçam-se por ser másculos e as mulheres por adquirirem a força através da vibração masculina, não possuindo nenhum dos dois uma visão clara da potência feminina. Criem essa imagem. Comecem a reconhecer a riqueza da energia do lado feminino do EU, que é intuição, receptividade, criatividade, compaixão e nutrição."

in MENSAGEIROS DO AMANHECER, Barbara Marciniak

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

NÃO SEI NOMEAR


Que eu não tema a hora da morte e nem o momento de levantar a foice, pois assim como Tu sou Fonte de Vida, que apesar do horror que me rodeiam e do temor alheio eu jamais tema ser o espelho do diferente, porque em Ti o Deusa, sou vida.
Que mesmo no momento da entrega e ainda que seja só por prazer eu saiba que sou digna e livre e virgem antes de tudo pois como a Ti sou em mim mesma.
Que eu jamais tema o amor apesar da dor que dele advém porque a dor do amor sob qualquer forma que seja é doce como teu mel e que eu beba do mel de sua boca, o mel de seus lábios, o mel fonte de feminilidade de todas as mulheres
Que o medo jamais paralise o meu ser, e que sim, momento necessário eu assuma Sua Face Terrível e lute e guerreie em nome da Vida.
Que eu não tema o discordar daquelas que são mais sábias do que eu mas que aprenda a viver com conhecimento das Grandes.
Que eu não tema negar o que deve ser negado, mesmo diante dos Sábios ou das Sacerdotisas pois antes de tudo sou sacerdotisa por direito próprio dona da Soberania de minha alma e partilhadora desta dádiva para com aqueles que amo.
Que chama que queima em minha alma com ardor, a mesma chama que arde na gruta da Deusa, a chama que jaiz sob as estrelas seja o centro do meu ser e minha guia de todas as horas.
Que minha guia espiritual seja sempre companheira mesmo nos momentos em que não possa vela ou ouvi-la
Sabina Alva esteja comigo.
Senhora sei que Eu sou Tu e Tu és Eu e somos uma só
Mas mesmo assim humilde e paradoxalmente soberana
Ajoelho- me ante Teus símbolos
E peço seus sinais.
Que assim seja

sábado, 5 de fevereiro de 2011

O FEMININO E O MASCULINO PARA PRINCIPIANTES


O resgate do Princípio Feminino
Leonardo Boff

O poder é uma das características fundamentais do masculino no homem e na mulher. O poder na forma de dominação, entretanto, representa uma patologia. Por isso, nossa civilização, estigmatizada pela dominação em quase todas as áreas, produz a inflação do masculino, do patriarcalismo e do machismo. São produtos do patriarcado o tipo de ciência que praticamos e o tipo de desenvolvimento que operamos. Ambos são reducionistas, fragmentados e excludentes da natureza e da mulher. Nesta forma, o poder-dominação não desumanizou apenas os homens, mas também as mulheres. Os homens recalcaram sua dimensão de anima e não permitiram que as mulheres realizassem sua dimensão de animus.

Em razão dessa errância, fica claro que a questão do masculino, nos dias de hoje, reside no Feminino negado, reprimido ou não integrado. Para ser plenamente humano, o homem precisa reanimar nele o seu Feminino e reeducar o seu Masculino. Somente então podem ambos, homem e mulher, entreter relações civilizatórias, humanitárias e realizadoras do mistério humano feminino-masculino.

A grande tarefa civilizacional, talvez a mais urgente nos dias atuais, consiste no resgate do Princípio Feminino. Chamo atenção para o fato de que não falo de categoria feminino/masculino, mas de princípio Feminino/Masculino. Afasto-me decididamente da ideologia do gênero, sexista, baseada no sexo biológico, que constrói social e culturalmente as categorias do masculino e do feminino de forma dualista e excludente. Ela distribui os papéis, os valores e os antivalores: a criatividade, a atividade e a violência tributados ao masculino; e a passividade, a receptividade e a não-violência, ao feminino.

Precisamos ultrapassar essa visão excludente e entender a sexualidade num nível ontológico, não como algo que o ser humano tem, mas como algo que ele é. O masculino não diz respeito somente ao homem, mas também à mulher. O feminino não ganha corpo apenas na mulher, mas também no homem. Esse feminino representa o princípio de vida, de criatividade, de receptividade, de enternecimento, de interioridade e de espiritualidade no homem e na mulher. Portanto, trata-se de um princípio inclusivo e seminal que entra na constituição da realidade humana.

O resgate do Princípio Feminino junto com o do Masculino propicia uma nova inteireza à humanidade, ao transcender as distorções na relação homem-mulher e ao ultrapassar o sexo biológico de pertença. Significa não somente libertação dos humanos, especialmente da mulher, mas também da natureza e das culturas não estruturadas no eixo do poder-dominação, equiparadas ao fraco e ao frágil - portanto, ao feminino cultural.

A recuperação do Princípio Feminino permite um processo de libertação mais integral e verdadeiramente includente, pois parte do feminino oprimido. O oprimido tem um privilégio histórico e epistemológico pelo fato de possuir uma percepção mais alta que inclui o opressor enquanto ser humano. O opressor exclui o oprimido, pois o considera uma coisa ou um ser humano menor, subordinado e dependente. A libertação deve começar pelo oprimido para acabar com o opressor. Só então ambos se encontram sobre o mesmo chão comum, como humanos, construindo juntos, na igualdade e na diferença, a sociedade e a história.

A inclusão do Princípio Feminino obrigará toda a cultura masculinizante a questionar seu paradigma fundacional. Ele radica-se no poder-dominação, hoje vastamente em crise. O pensamento da crise, no interior do mesmo paradigma, não pode trazer soluções. O veneno que mata não pode ser o remédio que cura. Os únicos que podem oferecer algo alternativo e terapêutico são aqueles que foram vistos como incapazes de pensar, por não serem suficientemente racionais e produtivos. Ora, os que pretendiam trazer as luzes (os iluministas) nos conduziram às trevas atuais. Os que se propunham a difundir a razão, a ciência e a técnica por todos os quadrantes nos estão conduzindo ao pior, à destruição e ao desaparecimento.

O Princípio Feminino é sanador e libertador, pois se move num outro paradigma e opera numa outra lógica. Seu paradigma básico é a vida, e não o poder; o respeito e a veneração pela vida, e não a agressão e a dominação. A lógica da vida não é a redução e o isolamento, arrancando os seres do seu meio real e analisando-os em si mesmos ou manipulando células, genes e microorganismos fora de seu ecossistema. A lógica da vida é a complexidade, é a teia de interações em todas as direções e em todos os lados, é a sinergia e a panrelacionalidade.

Ora, o Feminino consiste na capacidade de viver o complexo, de elaborar sínteses, de cultivar o encantamento do universo, de cuidar da vida, de venerar o mistério do mundo, de elaborar um desenvolvimento com a natureza, e não contra ela, de alimentar o esprit de finesse para contrabalançar o esprit de géometrie.

O Feminino - porque obedece à lógica do complexo e porque naturalmente é inclusivo - representa o único caminho para a humanidade, para um planeta sustentável e para a convivência pacífica e solidária entre o Norte e o Sul.

A introdução do princípio feminino representa um desafio ao paradigma machista, cujo desenvolvimento e prática técnico-científica implicou o domínio, a destruição, a violência, a expropriação e a marginalização da mulher e da natureza, hoje considerados supérfluos. O Princípio Feminino propicia uma economia política da vida, devolve importância à natureza, resgata o sentido da Terra como Grande Mãe, superorganismo vivo, Gaia e Pachamama. Ele se transforma num caminho não violento de interpretação e transformação do mundo, num reforço de todos os processos sinergéticos que respeitam a diversidade e que nela buscam convergências que interessam a todos, o bem comum humano e sociocósmico.

O homem que evoca em si e integra sua dimensão de anima incorpora, junto ao seu vigor, a ternura; junto ao trabalho, a gratuidade; junto à razão, a emoção; junto ao logos, o pathos e o eros. Ele emerge mais humano, relacional e liberto das malhas que o desumanizavam e desumanizam a mulher e a natureza. Agora, diferentes e juntos, podem construir o humano de forma mais dialética, tensa, dinâmica, aberta a novas e surpreendentes sínteses.

NOTA PESSOAL:

O básico do básico para um maior entendimento do resgate da Deusa na sociedade, na mulher e no homem.

UM PEQUENO CARINHO

Hoje quando estava vindo para biblioteca de parque manguinhos em alturas de Benfica, encontrei no viaduto do jacarezinho a seguinte frase escrita à tinta no chão:

A Deusa
Linda mágica
Bom Dia

Eu lhe respondi sorrindo bom dia Senhora!

Sei que a maioria das pessoas prefere sinais grandiosos de poder grandes clarões epifanicos e visões sobre passado e presente e futuro mas os pequenos sinais do dia-a-dia tem certa significação.
Ontem estava tentando transcrever um texto sobre Lilith ( ainda em rascunhos) do Livro As Deusas, as Bruxas e a Inquisição e usei uma imagem exactamente igual aquela que Rosa Leonor usou no seu blogue enquanto respondia uma leitora.
Esses pequenos sinais da divindade merecem nossa atenção, são como pequenos avisos;
Hei, eu estou aqui, tenha calma não desista.
São pequenos incentivos de se seguir em frente e não desistir deste caminho, tão mágico quando divertido e nem por isso menos sério e feminino.
Que a Deusa possa dar seus sinais a todas as mulheres.
De qualquer forma, Boa tarde!

Dia de Santa Ágata, a Matrona Maltesa, padroeira dos Lutadores do Fogo. Ela é um aspecto moderno da antiga deusa grega Tyche, também conhecida como a deusa Fortuna pelos romanos e como Wyrd, pelos anglo-saxões.
Fortuna era a deusa tríplice da sorte, invocada pelos imperadores na coroação para terem sua proteção durante os reinados. Na Grécia, a deusa Tyche era a Senhora do Destino, tanto o individual quanto o coletivo, conferindo a cada pessoa seu Anjo da Guarda e sua psique.
Como Fortuna, ela podia ter inúmeros outros nomes, um deles Ágathe, “A Boa Sorte”, invocada para assegurar uma vida afortunada e uma morte tranquila. Com a deterioração dos costumes, a deusa Fortuna foi transformada na padroeira dos jogadores, batizada de “Senhora Sorte” e chamada antes das corridas ou jogos.
Celebração da deusa irlandesa da Terra e da natureza Anu ou Dana. Em sua forma benéfica, Anu era a doadora da prosperidade e a protetora das mulheres e das crianças. Porém, em seu lado escuro – como Cat Ana ou Black Annis, a Senhora da Morte – ela foi transformada pela Igreja em um monstro negro com forma de felino que devorava as crianças.
Dia muito propício a qualquer prática divinatória. Consulte um Tarot, Runas ou treine sua visão psíquica, olhando para um copo d´água ou uma bola de cristal ou simplesmente permaneça em silêncio e recolhimento, procurando ouvir o sussurro de sua voz interior.

informações extraídas do livro " O Anuário da Grande Mãe" - Mirella Faur