"E aqueles que pensam em Me procurar, saibam que a vossa busca e vosso anseio devem beneficiar-vos apenas se vós souberdes o Mistério; se o que vós procurardes, vós não achardes dentro de vós mesmos, então nunca encontrarão fora. Pois eu tenho estado convosco desde o Início e Eu Sou Aquela que é alcançada ao final do desejo"


segunda-feira, 15 de agosto de 2011

RAINHA DA NOITE, SENHORA DA MAGIA



As dádivas da Deusa Hécate

O dia 13 de agosto era uma data importante no antigo calendário greco-romano, dedicada às celebrações das deusas Hécate e Diana, quando Lhes eram pedidas bênçãos de proteção para evitar as tempestades do verão europeu que prejudicassem as colheitas. Na tradição cristã comemora-se no dia 15 de agosto a Ascensão da Virgem Maria, festa sobreposta sobre as antigas festividades pagãs para apagar sua lembrança, mas com a mesma finalidade: pedir e receber proteção. Com o passar do tempo perdeu-se o seu real significado e origem e preservou-se apenas o medo incutido pela igreja cristã em relação ao nome e atuação de Hécate. Essa poderosa Deusa com múltiplos atributos foi considerada um ser maléfico, regente das sombras e fantasmas, que trazia tempestades, pesadelos, morte e destruição, exigindo dos seus adoradores sacrifícios lúgubres e ritos macabros. Para desmistificar as distorções patriarcais e cristãs e contribuir para a revelação das verdades milenares, segue um resumo dos aspectos, atributos e poderes da Deusa Hécate.

Hécate Trivia ou Triformis era uma das mais antigas deusas da Grécia pré-helênica, cultuada originariamente na Trácia como representação arcaica da Deusa Tríplice, associada com a noite, lua negra, magia, profecias, cura e os mistérios da morte, renovação e nascimento. "Senhora das encruzilhadas"
- dos caminhos e da vida - e do mundo subterrâneo, Hécate é um arquétipo primordial do inconsciente pessoal e coletivo, que nos permite o acesso às camadas profundas da memória ancestral. É representada no plano humano pela xamã que se movimenta entre os mundos, pela vidente que olha para passado, presente e futuro e pela curadora que transpõe as pontes entre os reinos visíveis e invisíveis, em busca de segredos, soluções, visões e comunicações espirituais para a cura e regeneração dos seus semelhantes.

Filha dos Titãs estelares Astéria e Perseu, Hécate usa a tiara de estrelas que ilumina os escuros caminhos da noite, bem como a vastidão da escuridão interior. Neta de Nyx, deusa ancestral da noite, Hécate também é uma “Rainha da Noite” e tem o domínio do céu, da Terra e do mundo subterrâneo. “Senhora da magia” confere o conhecimento dos encantamentos, palavras de poder, poções, rituais e adivinhações àqueles que A cultuam, enquanto no aspecto de Antea, a “Guardiã dos sonhos e das visões”, tanto pode enviar visões proféticas, quanto alucinações e pesadelos se as brechas individuais permitirem.

Como Prytania, a “Rainha dos mortos”, Hécate é a condutora das almas e sua guardiã durante a passagem entre os mundos, mas Ela também rege os poderes de regeneração, sendo invocada no desencarne e nos nascimentos como Protyraia, para garantir proteção e segurança no parto, vida longa, saúde e boa sorte. Hécate Kourotrophos cuida das crianças durante a vida intra-uterina e no seu nascimento, assim como fazia sua antecessora egípcia, a parteira divina Heqet.

Possuidora de uma aura fosforescente que brilha na escuridão do mundo subterrâneo, Hécate Phosphoros é a guardiã do inconsciente e guia das almas na transição, enquanto as duas tochas de Hécate Propolos, apontadas para o céu e a terra, iluminam a busca da transformação espiritual e o renascimento, orientado por Soteira, a Salvadora. Como deusa lunar Hécate rege a face escura da Lua, Ártemis sendo associada com a lua nova e Selene com a lua cheia.

No ciclo das estações e das fases da vida feminina Hécate forma uma tríade divina juntamente com: Kore/Perséfone/Proserpina/Hebe - que presidem a primavera, fertilidade e juventude -, Deméter/Ceres/Hera – regentes da maturidade, gestação, parto e colheita - e o Seu aspecto Chtonia, deusa anciã, detentora de sabedoria, padroeira do inverno, da velhice e das profundezas da terra. Hécate Trivia e Trioditis, protetoras dos viajantes e guardiãs das encruzilhadas de três caminhos, recebiam dos Seus adeptos pedidos de proteção e oferendas chamadas “ceias de Hécate”.

Propylaia era reverenciada como guardiã das casas, portas, famílias e bens pelas mulheres, que oravam na frente do altar antes de sair de casa pedindo Sua benção. As imagens antigas colocadas nas encruzilhadas ou na porta das casas representavam Hécate Triformis ou Tricephalus como pilar ou estátua com três cabeças e seis braços que seguravam suas insígnias: tocha (ilumina o caminho), chave (abre os mistérios), corda (conduz as almas e reproduz o cordão umbilical do nascimento), foice (corta ilusões e medos).

Devido à Sua natureza multiforme e misteriosa e à ligação com os poderes femininos “escuros”, as interpretações patriarcais distorceram o simbolismo antigo desta deusa protetora das mulheres e enfatizaram Seus poderes destrutivos ligados à magia negra (com sacrifícios de animais pretos nas noites de lua negra) e aos ritos funerários. Na Idade Média, o cristianismo distorceu mais ainda seus atributos, transformando Hécate na “Rainha das bruxas”, responsável por atos de maldade, missas negras, desgraças, tempestades, mortes de animais, perda das colheitas e atos satânicos. Essas invenções tendenciosas levaram à perseguição, tortura e morte pela Inquisição de milhares de “protegidas de Hécate”, as curandeiras, parteiras e videntes, mulheres “suspeitas” de serem Suas seguidoras e animais a Ela associados (cachorros e gatos pretos, corujas).

No intuito de abolir qualquer resquício do Seu poder, Hécate foi caricaturizada pela tradição patriarcal como uma bruxa perigosa e hostil, à espreita nas encruzilhadas nas noites escuras, buscando e caçando almas perdidas e viajantes com sua matilha de cães pretos, levando-os para o escuro reino das sombras vampirizantes e castigando os homens com pesadelos e perda da virilidade. As imagens horrendas e chocantes são projeções dos medos inconscientes masculinos perante os poderes “escuros” da Deusa, padroeira da independência feminina, defensora contra as violências e opressões das mulheres e regente dos seus rituais de proteção, transformação e afirmação.

No atual renascimento das antigas tradições da Deusa compete aos círculos sagrados femininos resgatar as verdades milenares, descartando e desmascarando imagens e falsas lendas que apenas encobrem o medo patriarcal perante a força mágica e o poder ancestral feminino. Em função das nossas próprias memórias de repressão e dos medos impregnados no inconsciente coletivo, o contato com a Deusa Escura pode ser atemorizador por acessar a programação negativa que associa escuridão com mal, perigo, morte. Para resgatar as qualidades regeneradoras, fortalecedoras e curadoras de Hécate precisamos reconhecer que as imagens destorcidas não são reais, nem verdadeiras, que nos foram incutidas pela proibição de mergulhar no nosso inconsciente, descobrir e usar nosso verdadeiro poder.

A conexão com Hécate representa para nós um valioso meio para acessar a intuição e o conhecimento inato, desvendar e curar nossos processos psíquicos, aceitar a passagem inexorável do tempo e transmutar nossos medos perante o envelhecimento e a morte. Hécate nos ensina que o caminho que leva à visão sagrada e que inspira a renovação passa pela escuridão, o desapego e transmutação. Ela detém a chave que abre a porta dos mistérios e do lado oculto da psique; Sua tocha ilumina tanto as riquezas, quanto os terrores do inconsciente, que precisam ser reconhecidos e transmutados. Ela nos conduz pela escuridão e nos revela o caminho da renovação.

Porém, para receber Seus dons visionários, criativos ou proféticos precisamos mergulhar nas profundezas do nosso mundo interior, encarar o reflexo da Deusa Escura dentro de nós, honrando Seu poder e Lhe entregando a guarda do nosso inconsciente. Ao reconhecermos e integrarmos Sua presença em nós, Ela irá nos guiar nos processos psicológicos e espirituais e no eterno ciclo de morte e renovação. Porém, devemos sacrificar ou deixar morrer o velho, encarar e superar medos e limitações; somente assim poderemos flutuar sobre as escuras e revoltas águas dos nossos conflitos e lembranças dolorosas e emergir para o novo.
(creio que já publiquei este texto em outra ocasião por isso vou classifica-lo como REPUBLICADO)

Mirella Faur

IN:
TEIA DE THEA

CELEBRAÇÃO DE ATARGATIS - A ANTIGA MÃE SEREIA

Celebração do Dia
15 DE AGOSTO

Celebração de Atargatis, a deusa síria do céu, do mar, da chuva e da vegetação, também cultuada pelos romanos como Dea Syria. Deusa poderosa com atributos muito complexos, Atargatis podia ter várias representações. Como Deusa celeste, ela surgia cercada de águias, viajando sobre as nuvens. Como regente do mar, poderia ser uma Deusa serpente ou peixe. Podia ainda ser a essência fertilizadora da chuva, com a água vindo das nuvens e das estrelas. Ainda podia aparecer como a própria Deusa da terra e da vegetação, cuidando da sobrevivência de todas as espécies.


Um mito antigo descreve a descida de Atargatis do céu como um ovo, do qual surgiu uma linda deusa sereia. Por ser considerada a Mãe dos Peixes, os sírios recusavam-se a comer peixes ou pombos, considerados seus animais sagrados.
Festa celta do Pão Fresco, reverenciando a Deusa Mãe. Em fogueiras feitas com madeira de árvores sagradas (carvalho, bétula, freixo, espinheira e sorveira), assava-se o pão feito com o trigo recém-colhido. As pessoas agradeciam a colheita com cânticos, orações e oferendas para as divindades da Terra.
Trung Thu, celebração vietnamita da Lua. As famílias se reúnem, as ruas são decoradas com lanternas coloridas e as crianças, usando máscaras variadas, seguem em procissão pelas ruas. Os dançarinos realizam a dança dos unicórnios e todos comem doces em forma de lua ou de peixe. Os adultos homenageiam os familiares falecidos queimando incenso e notas falsas de dinheiro para enviar boa sorte pela fumaça.
Na Polônia, festa de Nossa Senhora de Czestochowa, a Virgem Negra, cujo mosteiro era um antigo local de culto à Matka Boska Zielna, a Deusa das Ervas.
A Igreja Católica aproveitou a egrégora formada nesta data pelas antigas celebrações dos dias doze, treze e quatorze e criou a comemoração da morte e assunção de Maria, o aspecto “cristão” da Grande Mãe.

Informações extraídas do livro O Anuário da Grande Mãe - Mirella Faur
IN:
http://www.teiadethea.org/

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

É SÓ PENSAR UM POUCO...

AS CULTURAS DA TERRA MÃE



O QUE FAZ SENTIDO E O QUE NÃO FAZ SENTIDO



Naturalmente faz sentido que a antiga representação do poder divino em forma humana tenha sido de fêmea, e não de macho. Quando nossos ancestrais começaram a se fazer as eternas perguntas (De onde viemos antes de nascer? Para onde vamos depois que morrermos?), devem ter percebido que a vida emerge do corpo de uma mulher. Teria sido natural para eles imaginar o universo como uma Mãe Generosa de cujo Útero surge toda vida e para onde, assim como nos ciclos da vegetação, ela retoma após a morte, para renascer. Também faz sentido que sociedades com esta imagem dos poderes que governam o universo tivessem uma estrutura social muito diferente das sociedades que adoram um Pai divino, o qual empunha um raio e/ou uma espada.
Parece lógico não fossem elas consideradas subservientes em sociedades que conceptualizavam os poderes que governam o universo em forma de fêmea — e que qualidades "femininas" tais como cuidado, compaixão e não-violência fossem altamente valorizadas nestas sociedades. O que não faz sentido é concluir que as sociedades em que os homens não dominavam as mulheres eram sociedades em que as mulheres dominavam os homens.

AS VÊNUS PALEOLÍTICAS

Em suma, em vez de materiais fortuitos e desconexos, os vestígios paleolíticos de estatuetas femininas, o ocre vermelho em câmaras mortuárias e as conchas cauris em formato de vagina parecem constituir antigas manifestações do que mais tarde se desenvolveria em uma complexa religião centrada no culto a uma Deusa-Mãe como fonte e regeneradora de todas as formas de vida. Este culto à Deusa, como observaram James e outros estudiosos, sobreviveu a períodos históricos, "na figura múltipla da Magna Mater dos Bálcãs e do mundo greco-romano". Percebemos com nitidez esta continuidade religiosa em deidades tão conhecidas quanto Ísis, Nut e Maat, no Egito; Ishtar, Astarte e Lilith, no Crescente Fértil; Deméter, Core e Hera, na Grécia; e Atárgatis, Ceres e Cibele, em Roma. Mesmo depois, em nossa própria herança judaico-cristã,ainda podemos identificá-la na Rainha dos Céus, cujos arvoredos são queimados na Bíblia, na Shekhina da tradição cabalística hebraica e na Virgem Maria Católica, a Sagrada Mãe de Deus.

(REPUBLICADO) enxertos de O Cálice e a Espada - Riane Eisler

FILHOS DA TERRA, GUARDIÕES DA MÃE



Somos todos Guardiões de Gaia!

Temos hoje tem uma responsabilidade extra no cuidado e defesa do Planeta, seus habitantes, fauna e a flora. Como Filhas da Deusa, amamos a mãe terra e devemos praticar os princípios da Ecologia profunda, que nos dia que não possuímos a terra, mas sim partilhamos dela com todas as outras formas de vida!
Sustentabilidade é a nossa capacidade de viver garantindo que as próximas gerações tenham os mesmos recursos que nós temos hoje.

Sustentabilidade é durabilidade!

Não vou falar na destruição que nosso estilo de vida está causando a todos os sistemas vivos da Terra, pois diariamente somos inundados de notícias sobre esse assunto.
A consciência individual é a mudança que tem que acontecer dentro de cada um de nós!
é uma mudança de postura e atitude que vai fazer a diferença e nosso exemplo pode definir o futuro das novas gerações. O sistema econômico que vivemos com esta supervalorização do TER e do consumo já é insustentável . O “ser sustentável” transforma-se numa legião de formiguinhas que juntas podem mudar o mundo e a forma como a humanidade afeta negativamente a vida em nosso mundo. Medidas simples como economizar e reciclar papel,Reciclar latas e embalagens; Reformar e recilcar roupas, fazer troca com amigos, não consumir sacolas plásticas e comprar mais produtos a granel, consumir localmente, economizar água e energia elétrica através de um uso mais racional desses recursos; garantir que as empresas que fornecem bens e serviços para você tenham também a mesma preocupação e recusando-se a consumir produtos de origem ilícita ou que tenham sido obtidos (extraídos ou fabricados) através de meios prejudiciais a natureza.
Agindo desta forma, você acabará por criar “uma onda” que se propagará ao seu redor e provocará novas mudanças em outras pessoas que, por sua vez, gerarão ondas em torno de si em uma pirâmide do bem que se espalhará por toda a sociedade.

LIXO:

Deixar o mínimo de resquício de nossa passagem por este lindo planeta é o mínimo que podemos fazer pelas futuras gerações. Cuide do seu lixo, qualquer lixo gerado por você é de sua responsabilidade .Recicle,Renove,Reutilize,Restaure. O lixo orgânico é maravilhoso adubo para seu jardim, faça um buraco de compostagem no seu jardim e nele coloque os restos de comida e cubra com terra, folhas secas.
O resto do lixo separe e entregue nas coletas de reciclagem. Faça a sua parte.

CONSUMO CONSCIENTE:

O ato de comprar hoje tem que ser visto além da perspectiva da propaganda, que nos vende tudo o que não precisamos prometendo felicidade.Temos que questionar o que realmente precisamos.E comprar menos , cada vez menos, porque no fundo precisamos de pouca coisa material para sermos felizes.Podemos trocar, renovar, reformar.E quando a gente for comprar usar isto como um ato consciente e valorizar os produtos : Orgânicos, recicláveis, sem agro-tóxicos, naturais, locais, empresas com programas de conscientização ambiental, não poluentes, econômicos .Fazer a força do consumidor mudar os produtos e as empresas.

CULTURA DE PAZ:

Precisamos trazer para nossos empregos, relacionamentos uma nova forma de nos comunicarmos, uma cultura de comunicação não-violenta, respeitosa, amorosa ,de Paz.
Vários grupos no mundo todo estão sendo treinados para esta nova forma de comportamento, onde vamos trocar o “poder SOBRE o outro” pelo “poder COM o outro”.Esta é uma nova consciência que muda tudo.

BIOARQUTETURA:

Porque não fazer casas autônomas, que cuidam do seu esgoto, captam água da chuva, produzem energia solar, construídas com materiais alternativos como: adobe,bambu, pau a pique, madeira etc...

FIB:


Felicidade Interna Bruta foi a forma que o rei do Butão achou de medir o que ele considera o propósito de sua contribuição para seu país, a felicidade de seu povo.
Lá eles medem; o bom padrão de vida econômica, boa governança, educação de qualidade, saúde, vitalidade comunitária, proteção ambiental, acesso à cultura, gerenciamento equilibrado do tempo e bem estar psicológico.
Que estas idéias nos sirvam de inspiração para a nossa atuação no planeta.

IN:
FILHAS DA DEUSA


O RESGATE DE LILITH



RESGATAR LILITH

“ Na tradição cabalística, Lilith seria o nome da mulher criada antes de Eva, ao mesmo tempo que Adão, não de uma costela do homem, mas ela também diretamente da terra. Somos todos os dois iguais, dizia a Adão, já que viemos da terra. A esse respeito discutiram os dois e Lillith, encolerizada, pronunciou o nome de Deus e fugiu para iniciar uma carreira demoníaca. Segundo outra tradição, Lillith seria uma primeira Eva: Caim e Abel brigaram pela posse dessa Eva, criada independentemente de Adão e, portanto, sem parentesco com Eles. Alguns vêem aqui traços da androginia do primeiro homem e do incesto dos primeiros casais. Lillith, torna-se assim inimiga de Eva, a instigadora dos amores ilegítimos, a perturbadora do leito conjugal. Seu domicílio será fixado nas profundezas do Mar Morto, e objurações tendem a mantê-la ali, para impedir que perturbe a vida dos homens e das mulheres sobre a terra. (…)*

É DESTAPAR A PONTA DO VÉU DE ÍSIS…

É preciso que a mulher descubra o seu verdadeiro rosto…
Não adianta honrar a Deusa sem honrar a mulher em nós…

De nada serve cultuar a Deusa sem sabermos o que significa a sua caminhada interior nem a descida ao mais profundo dos abismos. De nada serve imitarmos os seus rituais sem termos descoberto o segredo que nos foi ocultado durante milénios e vivê-lo na nossa pele!

De nada serve cultuar a Deusa sem integrar as duas faces da mulher…sem que saibamos primeiro quem somos em essência – e a nossa essência não é só o sangue e dar à luz e sermos amantes…

É muito mais do que isso e sem que nos liguemos á Natureza primordial do nosso ser, sem termos olhado esse outro lado oculto de nós, a mulher reprimida, a mulher negada, a mulher raivosa, a mulher frustrada, a adúltera, a frígida ou a mulher infeliz, a mais desgraçada das mulheres, não encontraremos a Deusa em nós.

Para encontrarmos a Deusa temos de fazer essa descida aos subterrâneos mais secretos do nosso ser onde está a Rainha da Noite à nossa espera…Aquela que chora dia e noite e não faz mais do que esperar que a vamos resgatar…

Porque É Ela que nos inicia e coroa…

O caminho da mulher é antes do mais encontrar-se com o seu lado oculto, o seu lado escuro, aquele que lhe reflecte a sua “outra metade” – que ela espera em vão toda a vida no amor do homem porque parte mutilada de si ao encontro desesperado com o homem ou com deus…

“O modelo feminino permitido ao ser humano pelo padrão ético judaico-cristão baseia-se no de um fragmento do ‘primeiro ego’: Adão. Vários textos históricos (2), no entanto, citam uma variante, a criação de Lilith, a primeira mulher, feita em igualdade de condições com o primeiro homem e expulsa do Paraíso por tentar fazer valer essa identidade.”*

Sem que a mulher faça esse caminho de retorno ao seu ser verdadeiro para reunir as duas mulheres separadas pelo catolicismo, a Lilith e a Eva, ela nunca compreenderá a sua natureza profunda nem a sua face de amante livre e selvagem. Sem esse seu outro lado, ela nunca poderá servir a Deusa, mas sim e ainda o patriarcado que a dividiu com esse propósito em duas metades antagónicas. Porque é essa mulher fragmentada e que vive em pedaços que se busca desesperadamente em tudo à procura de si mesma – e não é por acaso que ela se mutila e vende o corpo na procura de uma valorização através de uma aparência ideal que lhe dizem ser magra e sempre jovem…e ter muito dinheiro!

Se a mulher não tiver essa consciência de si, a partir de dentro e não vinda de fora, sendo ela como for na sua aparência ou idade, se ela não tiver essa aceitação do seu lado negro, ela não poderá entrar na sua plenitude de mulher sábia, amante e mãe, pois não conhece nem tem acesso a essa integralidade do seu ser autêntico. Não terá acesso ao seu dom de vidente, de curadora e iniciadora do amor e do homem, nunca poderá realizar-se na dimensão do seu ser total.

“Não se sabe com certeza de que forma a lenda de Lilith, esta primeira companheira de Adão, foi banida da versão Bíblica da Igreja. Mas indo às Escrituras hebraicas poderemos encontrá-la como uma mulher feita de pó negro e excrementos, portanto, condenada a ser inferior ao homem. No fundo, Lilith já fora criada como um demónio, tendo gerado, juntamente com Adão, outros seres iguais a ela, que se vingam na humanidade . Essa natureza satânica é, por assim dizer, uma advertência do que a cultura rabínica e patriarcal nos faz com relação àquela que perturbou a noite toda o sono de Adão: Lilith, feita de sangue (menstruação) e saliva (desejo), uma expressão da fatalidade. Neste ponto, Lilith é mais fiel ao protótipo da mulher do que a submissa Eva, embora ambas tenham sido veículo do pecado. Só que a recusa ao desejo, ao sonho erótico que subtraiu a porção divina de Adão chega, com Lilith, a extremos surpreendentes após a separação deste casal.”*

Porque nós somos essa Rainha!

Muitas mulheres partem para uma “espiritualidade” à procura da sua “outra metade” num Mestre ou em Deus, como procuram no amor do homem, mas se elas não se encontrarem primeiro com elas mesmas e continuarem a fugir da sua Sombra (Lilith) que consideram “pecaminosa”, culpada ou inferior, de acordo com o que o sistema religioso, económico e cultural lhes inculcou desde a mais tenra infância, ela vai padecer sempre dos mesmos sintomas de carência e mal-estar e sentir-se rejeitada.

“Encarnando o feminino negativo, Lilith transfigura-se, posteriormente, em inúmeras deusas lunares ( Ihstar, Astarte, Isis, Cibele, Hécate), arquétipos das forças incontroláveis do submundo ­ A Lua Negra. Até ser personificada pela bruxa, na Idade Média, contra a qual o homem moveu uma das mais sangrentas perseguições de toda a sua história.”

As Evas que não compreendem a sua outra face, que não integram Aquela que afinal lhes deu a comer do fruto da Árvore do conhecimento e viu que era bom, (mas os padres disseram que era mau…) continuarão a fugir de si mesmas, a trair as outras mulheres, a repudiar as mães e as filhas, a matar os filhos para servir o homem – ou no mínimo a deixar que os homens matem os seus filhos na Guerra ou os violem em casa e na igreja – porque essas mulheres foram e são o alicerce de uma igreja que sempre as condenou e viveu à custa do seu sangue e do seu sofrimento. Serão inimigas da outra mulher que afinal é só a sua outra face…

Elas seguem os mestres mais variados e as religiões que sempre as condenaram com inferiores e culpadas da “queda” do homem, porque, desconhecendo a sua origem e história, desconhecendo uma parte integrante de si mesmas, não integraram nem compreendem a verdadeira natureza do seu feminino, o feminino sagrado que vivido como profano, condenado ao pecado pelas tradições patriarcais negam a sua essência ao negarem a Natureza Mãe os seus ciclos lunares, a sua natureza selvagem porque as tradições judaica ou cristã as ataram de pés e mãos e as excluem da sociedade tanto como desprezam a Terra Mãe e a Deusa.

“Enquanto mulher for desdenhada ou abandonada por causa de outra, Lillith representará os ódios contra a família o ódio aos casais e aos filhos; evoca a imagem trágica das Lamias na mitologia grega, assim não pode integrar-se nos quadros da existência humana, das relações interpessoais e comunitárias, foi assim lançada novamente ao abismo. “

Também as feministas cometeram o erro de julgar o Sagrado como culpado da degradação da mulher ao associarem O Sagrado à Igreja católica, e às religiões em geral, quando justamente nos rituais das religiões deixa de haver a evocação e a experiencia do Sagrado, para haver apenas “o profano”, o ritual morto – pois só a mulher permite entrar nos Mistérios do verdadeiro Sagrado.

Os Mistérios da Deusa Mãe e da Terra, os Mistérios Eleusianos foram fonte de conhecimento e iniciação na Grécia durante mais de 3 mil anos e foi o cristianismo que apagou da face da Terra o culto da Deusa e da Natureza Mãe assim como varreu dos lugares sagrados as legítimas detentoras dos ofícios sagrados e imitou os seus ritos e as vestimentas das sacerdotisas…

E assim, depois de vários séculos, o usurpador da iniciação feminina e da Deusa é “o padre que oficia nos seus trajes de cerimónia, todos de origem feminina, e o travesti, castrado ou não, obedecem a um mesmo desejo. Destapar uma ponta do véu, descobrir o famoso véu de Ísis.”*
*Jean Markale (historiador francês)

Rosa Leonor Pedro

(* as citações em itálico são de vários escritores cujos nomes baralhei e agora não sei dizer o que corresponde a quem…do que peço desculpa aos mesmos; mas o meu imperativo é a divulgação da consciência do feminino e por isso o seu contributo pode passar anónimo, penso?)

REPUBLICADO IN: MULHERES & DEUSAS

terça-feira, 9 de agosto de 2011

FILHA DE INANNA


Grande Mãe que ardor é este que sinto percorrendo meu corpo ?
Este suave descontrole que vai me estremecendo por dentro
Sinto a terra abaixo de meus pés vibrar
E como uma pitonisa sentada no trono da profecia
Eu grito e lanço minha cabeça para trás e para frente
O que é isso?
Isso é amor?
O amor que persegue tem a face de uma Senhora
Sinto-te minha Amada percorrendo em chama minha alma
Estou bêbada, embriagada do teu amor, Grande Donzela
Sou tu ou tu és eu refletida no espelho?
Somos uma só?
Então porque me sinto tão distante
Quanto uma mulher negra a caminhar pelos desertos
Rainha da Alvorada joga sua luz sob meu corpo e minha alma
Meu corpo e minha alma que ardem de amor e bondade por ti
E de suas palavras escorrem de minha própria boca feito mel
Cerca-me de prazer que sou égua louca e desenfreada
Vem e me enlaça nos véus de tua luz
Ou então me lança no abismo de teus gritos
Pois tudo que sei é que não posso deixa-La ir novamente
E tu que suavemente gargalhas e me diz que sempre fomos uma só
Mãe não me abandones, pois tua maternidade é tão doce
Quanto a dança sensual da odalisca
Que me clama nos antigos templos do prazer.
Vem a mim e ensina me o teu canto de poder
Que é bênção por sobre toda a Terra.

Gaia Lil

sábado, 30 de julho de 2011

JORNADA ESPIRITUAL



Soraya Mariani, focalizadora de grupos de espiritualidade feminina e coordenadora da atuante Cirandda da Lua, em São Paulo, nos conta aqui sua formação espiritual e o caminho que percorreu atrás de religiões semi-esquecidas e sistemas mágicos. Fala também sobre a bruxa contemporânea que vive nas cidades.


AS BRUXAS, AS DEUSAS E A MULHER

Dedico este artigo, primeiramente, aos grupos de mulheres que tenho o prazer de participar como facilitadora, a verdadeira Irmandade de Todas as Mulheres na Terra. A todas as mulheres que muitas vezes não conseguiram expor os seus desejos guardados no coração, a todas as minhas ancestrais de sangue e espirituais, as benzedeiras, parteiras, curandeiras, xamãs, as mulheres que injustamente arderam no fogo da inquisição, as mulheres que realizam os seus sonhos e escutam o bater do seu coração, as mulheres que nascem a cada instante e as que vieram antes de nós.
Aos homens que, seguros de si, conseguem contemplar as mulheres, valorizando as suas conquistas.
À Mãe Terra que tanto nos cobre de bênçãos, e a todos os seres!

Desde muito pequena, sinto-me atraída pela natureza e todas as suas manifestações. Tive a feliz oportunidade de ser criada em um local propício para satisfazer este anseio, e ainda recebi o presente de ser educada na maior parte de minha infância pela minha avó, hoje com 94 anos muito bem vividos. Mulher de imensa sabedoria e simplicidade, benzedeira, herança que recebeu de nossas ancestrais, conhece divinamente as propriedades fitoterápicas das plantas e tem o talento de acalentar todos os seres vivos.
Vovó também é “Encantadora de Histórias” e, como ninguém, consegue alimentar a alma das pessoas com suas palavras. Neste ambiente acolhedor, neste ninho, pude a cada dia me encantar com o universo dos reis, rainhas, príncipes, sapos, bruxas, fadas... minha avó intuitivamente nos ensinou a lidar com as perdas, a amar a vida, a celebrar as fases da lua e a todo instante nos ensinou que estar vivo é a grande Magia!
Cresci e na minha busca pelos “mistérios da vida”, participei de diversos grupos de estudos, cursos e trabalhos relacionados ao meu crescimento espiritual, nesta busca deparei-me com religiões semi-esquecidas e sistemas mágicos surgidos em distantes pontos de nosso planeta. Dediquei-me ao estudo da “velha religião”, do paganismo, da bruxaria, do xamanismo, das danças circulares sagradas e de práticas ligadas ao reencontro do homem com a Natureza.
Além deste trabalho de pesquisa, fiz faculdade de artes, pedagogia e me especializei em arte terapia.
Os conceitos que “colhi” com meu estudo e o trabalho terapêutico que realizo há alguns anos com grupos e atendimentos individuais tocaram profundamente a minha alma.

Dentro desta busca, encontrei uma Grande Deusa Ancestral e as palavras de Dion Fortune passaram a ser meu lema:


“E a ti, que buscas me conhecer, eu digo: tua busca, teu anseio de nada te servirão sem o conhecimento do mistério de que, se aquilo que procuras não encontrar dentro de ti mesmo, jamais o encontrarás fora de ti. Pois, vê, sempre estive contigo – desde o começo - e sou aquilo que alcança além do desejo.”


Percebi que esta Deusa habita o meu ser, como está em toda parte, pois Ela é o todo e nós somos partes dela.
Descobri que a bruxa, aquela dos contos de fadas que fascinam e ao mesmo tempo causa repulsa, tem origem muito antiga, e o que mais me encanta é perceber que, mesmo após anos de perseguição, a imagem da bruxa é tão forte que sobreviveu.
Mas afinal, quem são as BRUXAS?
Acredito que toda mulher tem seu lado bruxa, o lado selvagem que nos faz entrar em contato com a nossa sábia interior, a nossa curandeira.
A Bruxa é aquela que busca, conhece e utiliza as suas potencialidades, exercita e fortalece, através delas, seus talentos e possibilidades de transmutar as energias. Ela muitas vezes não pertence a nenhum culto ou religião específica, é adepta e praticante da antiga magia da terra, aquela que nossas ancestrais praticavam usando as forças da Natureza manifestadas na terra, no ar, no fogo e na água. Praticante da arte da transformação, a qual pode conviver serenamente ao lado de qualquer crença religiosa, sem interferir no respeito a esta.
A Bruxa Contemporânea tem sua arte pautada na poesia, na beleza, na sabedoria, na originalidade, na harmonia com os ciclos da natureza, nas fases da Lua, na alegria de cantar, dançar e no encantamento de viver.
Ela compreende os Segredos do Sagrado Feminino, luta pela sua liberdade, orgulha-se de sua sabedoria, vivencia plenamente suas intuições e emoções, ancoradas em suas razões. Ela reverencia as Deusas, aquelas que foram cultuadas por milênios como criadoras da vida e do mundo. Ela sabe que o culto à Deusa não significa colocar uma mulher na chefia, em vez de um homem, e sim uma reavaliação de valores radical de funções e de abordagens, que estimule uma cooperação maior.
A Deusa vive dentro de cada um de nós, ela clama para que sejamos verdadeiros para conosco, de modo que possamos ser verdadeiros para com os outros e verdadeiros para com ela.
Ela é a inspiração e o poder que existe dentro de nós!
Se você chegou ao final desta leitura, interessados e envolvidos pelo que aqui foi colocado de forma tão simples e seguindo a linguagem do coração, você está sendo chamado pela Grande Deusa, pela sabedoria de teus antepassados, pelo reencontro com a Terra.
Saiba que você não está sozinho neste caminho.
Agradeço a você, leitor, com flores do meu jardim, pois cada palavra deste artigo tem enorme significado na minha Jornada Pessoal.

Soraya F. Mariani
Psicoterapeuta, Psicopedagoga, Arteterapeuta e Focalizadora de grupos de espiritualidade feminina
http://www.ciranddadalua.com.br
ciranddadalua@yahoo.com.br
SÃO PAULO/SP

IN: ABSOLUTA ONLINE

SENHORA DE LÍNGUA BIFURCADA


"Eu conheço todo os caminhos da palavra sagrada...Por isso minha língua é bipartida e vai em todas as direções preenchendo todas as dimensões de todos mundos de todas as palavras, impossíveis ou inimaginadas..."

Vai, vai permutando me a rede de tua lançadeira,
Gentil e Terrível Senhora
Vai costurando me ponto a ponto ao ramo de Teu destino
Pois meu corpo é teu
Eu que nada mais sou que uma simples virgem
refugiada nos meandros de sua casa
Vem Senhora minha idolatrada
Leve me as clareiras da mata isolada
Ver ardendo todo o meu corpo com ternurendo amor
Vem e deixa que até o meu ódio seja vivido
Vem Senhora coroada
Com uma cobra coral
Seus olhos brilhantes de fogo me seduzem
Eu que uma virgem sou e nada sei sobre ser mulher
Leva me Mãe Velha de seios flácidos
Até o seu recanto sagrado ocultado nas rodas de fogo
Vem, vem até que nada em mim faça sentido
Vem que minha alma toda esta sendo consumida pelo teu universo

Ver, Mulher Universal
Virgem e parteira dos aflitos
Vem percorrendo meu corpo e expulsando todo o agape do meu ser
Pois o que me queima na fronte e tenz
A insensatez de teu Eros Virginal (varginal)
Vem virgem nefasta
Não sou eu mesma a Deusa idolatrada?
Vem destruinda as paredes do meu ser
Essa santuario não me prende mais
Vem, Vem Maldita
Erva maldita que se cresce e se elava aos seus
Ululante e vitoriosa
Vem Virgem com lingua de cobra
Senhora da Língua bifurcada
Eu! Herdeira da Primeira palavra
Desce sobre o meu corpo cheia de bênção
Desce Senhora da luz evanescente.

Gaia Lil

domingo, 24 de julho de 2011

QUEM SABE COM ELA NÃO VEM O MEU REGRESSO...


O REGRESSO DE LILITH (excertos)
Joumana Haddad

Eu sou Lilith, a deusa das duas noites, que regressa do exílio.Sou Lilith, a mulher-destino. Nenhum macho pode escapar à minha sorte, e nenhum macho lhe quererá escapar.

Eu sou as duas luas Lilith. A negra é complementada pela branca, pois a minha pureza é a centelha do deboche e minha abstinência, o princípio do possível. Eu sou a mulher-paraíso, que caiu do paraíso, sou a arrasa-paraísos.

Sou a virgem, rosto invisível da devassa, a mãe-amante e a mulher-homem. A noite porque eu sou o dia, o lado direito porque sou o lado esquerdo, e o Sul porque sou o Norte.

Eu sou Lilith dos seios brancos. Irresistível é o meu encanto, pois os meus cabelos são negros e longos e de mel os meus olhos. Diz a lenda que fui criada a partir da Terra para ser a primeira mulher de Adão, mas não me submeti.

Sou a mulher-festa e os convidados da festa. Feiticeira alada da noite é o meu apelido, e sou deusa da tentação e desejo. Chamaram-me patrona do prazer gratuito e da masturbação, liberta da condição de mãe para ser o destino imortal.

Eu sou Lilith, que retorna da masmorra do esquecimento branco, leoa do senhor e deusa das duas noites. Recolho na minha taça o que não pode ser recolhido, e bebo-o pois sou a sacerdotisa e o templo. Esgoto todas as intoxicações para que não acreditem que eu posso beber. Faço amor comigo mesma e e reproduzo-me para criar um povo da minha linhhagem, depois mato os meus amantes para dar espaço àqueles que ainda não me conheceram.

Regresso do calabouço do esquecimento branco para quem ainda me não conhece, volto para marcar lugar e para que não creiam que eu posso beber, da brancura do esquecimento para enraizar a vida e para que o número cresça, para matar os meus amantes eu regresso.

Eu sou Lilith, a mulher-floresta. Não vivi uma espera desejável, mas sofri os leões e as espécies puras de monstros. Fecundo todas as minhas costas para construir a história. Agrego as vozes nas minhas entranhas para que o número de escravos esteja completo. Como o meu próprio corpo para que me não tratem como faminta e bebo a minha água para nunca sofrer a sede. As minhas tranças são longas no inverno, e as minhas malas não têm tecto. Nada me satisfaz, nem me sacia, e eis que regresso para ser a rainha dos perdidos no mundo.

Sou a guardiã do bem e do encontro dos opostos. Os beijos no meu corpo são as feridas de quem tentou. Da flauta das duas coxas sobe o meu canto, e do meu canto a maldição espalha-se em água sobre a terra.


Sou Lilith, a leoa sedutora. Mão de cada servidor, janela de cada virgem. Anjo da queda e consciência do sono leve. Filha de Dalila, Maria Madalena e das sete fadas. Nenhum antídoto para a minha condenação. Da minha luxúria, erguem-se as montanhas e abrem-se os rios. Venho de novo para furar com as minhas ondas o véu do pudor, e para limpar as feridas da falta com o perfume do deboche.


Da flauta das duas coxas sobe o meu canto

E da minha luxúria abrem-se os rios.

Como não poderia haver uma maré

de cada vez que entre os meus verticais lábios brilha um sorriso?


Porque eu sou a primeiro e a última

A cortesã virgem

O medo cobiçado

A adorada desprezada

E a velada desnuda

Porque eu sou a maldição do que precede,

O pecado desaparecido dos desertos quando abandonei Adão.

Ele andou aqui e ali, quebrou a sua perfeição.

Desci-o à terra e acendi para ele a flor da figueira.


Eu sou Lilith, o segredo dos dedos que insistem. Quebro caminhos divulgo sonhos rebento as cidades do macho com o meu dilúvio. Não reuno dois de cada espécie na minha arca Em vez disso, volto a eles, para que o sexo se purifique de toda a pureza.

Eu, versículo da maçã, os livros escreveram-me, ainda que não me tenham lido. Prazer desenfreado esposa rebelde o cumprimento da luxúria que leva à ruína total. Na loucura se entreabre a minha camisa. Os que me escutam merecem morrer, e aqueles que me não escutam morrerão de despeito.

Eu não sou nem a rebelde nem a égua fácil.

Antes o desvanecer do pesar último.

Eu Lilith o anjo devasso. Primeira fuga de Adão e corrompidora de Satanás. O imaginário do sexo reprimido e o seu mais alto grito. Tímida pois sou a ninfa do vulcão, ciumenta pela doce obsessão do vício. O primeiro paraíso não pôde suportar-me. E caçaram-me para que eu semeie a discórdia na terra, para que governe nos leitos os assuntos dos meus sujeitos.

Sorte dos conhecedores e deusa das duas noites. União do sono e do despertar. Eu, o feto-poetisa, ao perder-me ganhei a vida. Regresso do meu exílio para ser a esposa dos sete dias e as cinzas do amanhã.

Eu sou a leoa sedutora e volto para cobrir as submissas de vergonha e para reinar sobre a terra. Venho para curar a costela de Adão e liberar cada homem da sua Eva.

Sou Lilith

Regresso do meu exílio

Para herdar a morte da mãe a que dei vida.

Joumana Haddad

(Traduzido do francês por Mariana Inverno)

in: MULHERES & DEUSAS

domingo, 17 de julho de 2011

PORQUE FIQUEI AFASTADA POR TANTO TEMPO


Fiquei afastada por algum tempo, como que por fora dos assuntos atuais do movimento do Retorno da Deusa por causa de umas coisas que foi vendo sendo feitas e faladas por uns wiccanos ai e algumas mulheres ( alguns até amigos e conhecidos!) que foram me aborrecendo e incomodando, praticamente me dando a entender que era tudo planfletario apenas e que não se havia verdadeira devoção seja pela Mulher ou pela Deusa...Que tudo que falavamos ou faziamos era coisa de bruxa desinformada e que só os mestres, budas, sábios e druidas sabiam conduzir alguma coisa...
Ou então que os protocolos, os cursos e as provas é que dignificavam o sacerdocio da Deusa e lhe davam autenticidade, como se eu tivesse que pagar para me tornar uma sacerdotisa...
Ou então os salamaleques falsos sendo mal recebida em conversas e só bem tratada depois que descobrirar que eu era a "grande sacerdotisa" Gaia Lil...Tudo de uma intensa falsidade que chegava a me enojar...
Publiquei isso no blog o Sussurro das Bacantes pensando que estava publicando aqui...E tambem tive umas dores e crises pessoais a resolver (mais do mesmo) coisas que eu já tinha passado e já sabia lidar mais por algum motivo sinta como se minha mente estivesse nublada e eu não fosse a mulher inteligente que pensava ser...
Creio que isso acontece com qualquer um, chega sempre um momento em que devemos fazer uma pausa e repensar...Ademais por raramente receber qualquer sinal da Deusa vou aos poucos me sentindo desmotivada mas creio que é uma expecie de teste para ver se tenha a capacidade de aguentar a solidão...Eu estou acostumada a ser solitária.
Eu não gosto muito de falar de meus problemas com meus amigos na internet senão acabo me tornando massante e repetitiva e por mais que admiremos e amemos uma pessoa, uma conmversa chata edesistimulante pode cabar com muitos elos...
Me irrita profundamente a idéia de alguém achar ou mesmo sentir que lá no fundo estou me fazendo de vitima então quando me perguntam se eu estou bem digo que estou ótmima mesmo que esteja no fundo do poço...E a vida é assim mesmo e qualquer mulher ou homem tem que enfrente-la sozinho.
Quando digo isso as vezes meus amigos ficam meio tristes pois pode parecer que que eu estou os desconsiderando mas não é isso. É que de fato só eu mesma posso me ajudar, e diante da Deusa apesar das muitas companheiras e sacerdotisas sempre estamos sós pois o caminho até o núcleo do labirinto interno é só...
Tenho tido alguns outros problemas como falta de oportunidades para usar a internet mas a maior parte de tudo era só uma insatisfação e uma desmotivação geral...
Aos pouquinhos vou continuando da maneira que der...

Abraços

MOVIMENTO VIVA SEM MENSTRUAR (HÃ?)


Viver sem menstruar?

Menstruo porque sou MULHER... porque desde que ajuntamos pó de estrelas suficientes para formar nosso corpo, a cada mês, o MEU CORPO, o MEU TEMPLO, o fruto da engenharia PERFEITA da NATUREZA, se prepara para proteger e nutrir a VIDA. E, se uma vida não é formada, despejo meu SAGRADO SANGUE para fertilizar toda a TERRA. Tenho TPM porque vivo numa sociedade (ainda) patriarcal e machista que TEME tudo aquilo que NÃO ENTENDE e, portanto, quer eliminar tudo aquilo que AMEAÇA a sua ILUSÃO de estabilidade, de permanência.Tenho TPM porque a PAUSA é parte FUNDAMENTAL de uma vida saudável, plena, FELIZ... Tenho TPM porque vivo num mundo que não respeita as minhas pausas, as minhas necessidades individuais... nem as minhas, nem as de ninguém. Tenho TPM porque fui criada como um Ser sensível às vibrações de todos os níveis de realidade, não somente os mais visíveis, e tenho dentro de mim a SABEDORIA de ser um canal de COMUNICAÇÃO entre eles. No entanto, vivo num mundo onde o Deus CHRONOS, com seus moldes, fôrmas, estruturas pré-definidas e tic tacs devoradores da vida, persegue e crucifixa diariamente o Deus KAIRÓS - padroeiro da CRIATIVIDADE, da ESPONTANEIDADE, da LIBERDADE... Menstruo porque a NATUREZA foi GENEROSA para comigo e minhas irmãs - incrustou em mim a SABEDORIA da nossa avó LUA: a de SABER ESVASIAR-SE para, então, tornar-me plena novamente. Menstruo pois a LUA DENTRO DE MIM conhece os CICLOS DA VIDA e sabe, mesmo que lá no fundo, que é necessário SABER MORRER para poder RENASCER, limpa de tudo aquilo o que é velho. AMO menstruar - mesmo com minhas cólicas, seios inchados e outras formas que meu corpo encontra para me dizer: PARE, este momento é SEU (e não do seu chefe!), pois tenho a CORAGEM de experimentar a VIDA com tudo o que ela tem: com suas dores e seus Amores... seus prazeres e desprazeres... seus ABSURDOS e suas GRAÇAS... e, à cada mês, recebo uma sublime aula sobre a IMPERMANÊNCIA de tudo o que existe. Não sou hoje a que fui ontem... nem serei amanhã a que hoje sou. Fui criada para saborear brisas e tempestades e a VIDA dentro de mim PULSA PELO MOVIMENTO. MENSTRUAR É MOVIMENTAR! AMO MENSTRUAR pois acho PURA POESIA viver as fases da LUA dentro de mim... e as minhas fases me ensinam que é preciso HUMILDADE para compreender o SENTIDO de tudo aquilo que acontece. A vida não evoluiu por milhões de anos para criar um ser que adoece a cada mês: mais HUMILDADE, senhora medicina, fiel súdita da indústria farmacêutica. Tens apenas poucas centenas de anos e tu simplesmente não existirias, enão fosse a GENEROSIDADE da mesma natureza que nos criou assim como somos. Mais CUIDADO senhores médicos: não se pode falar com propriedade daquilo que não se experimentou com seu próprio corpo, suas próprias emoções ou, pelo menos, a partir da sua capacidade de EMPATIA. Saúde, já dizia meu pai, é saber DANÇAR COM AS ESTAÇÕES. E as estações de fora são as mesas de dentro. MULHERES, Temos a BENÇÃO de ter um corpo que flui com a VIDA à cada mês, não importa o quão desconectadas estejamos da HARMONIA do mundo em que vivemos. Deixaremos mais uma vez nos CALAR a VIDA que pulsa dentro de nós? Entregando nossos corpos, nossos TEMPLOS, para pessoas sem rostos e sorrisos em salas FRIAS E ESTÉREIS para os forçar a se ADEQUAR à um sistema que encontra-se profundamente DOENTE?

E, no final, descobriremos que a questão não é menstruar ou não... não é descobrir se quem pari é a mulher ou o médico... é SE DAR CONTA de a INQUISIÇÃO ainda não terminou - apenas transformou a forma de FAZER CALAR O FEMININO EM NÓS - uma forma cada vez mais sutil e, portanto, cada vez mais eficaz.

Reflexões de Belinha Crema sobre o movimento "viva sem menstruar"

IN: TEIA DE THEA

UM MAL INCURÁVEL

A certeza de que dou para o mal, pensava Joana.
O que seria então aquela sensação de força contida, pronta para rebentar em violência, aquela sede de empregá-la de olhos fechados, inteira, com a segurança irrefletida de uma fera? Não era no mal apenas que alguém podia respirar sem medo, aceitando o ar e os pulmões? Nem o prazer me daria tanto prazer quanto o mal, pensava ela surpreendida. Sentia dentro de si um animal perfeito, cheio de inconsequências, de egoísmo e vitalidade.

Clarice Lispector - Perto do Coração Selvagem

Habitis, peço deis de já que te afaste de mim
Cansa me essa força que me arde e assola o corpo
Sinto a força da dor percorrendo ponta a ponta do santuário de minha alma
Habitis, corre o meu corpo como fogo mutante
Ultima labareda viva que percorre minha alma de mulher
Habitis tu que és a chama viva do santuário de minha Deusa
Não deixes que minha alma caia na tentação da acomodação
Deis de já peço que me deixes
Vem vem me incendiando toda por dentro e em pulsações
Vem Habitis, como antiga sereia emergindo das águas mais profundas da mente
Habitis percorre o meu corpo cansado e mutilado
Tão docemente, tão loucamente...
Roa me toda a minha insegurança. Minha Mãe Habitis
Vem e Roa todo o meu demónio interno, meu medo de não agradar
Habitis roa me pois sou diabólica e sei "que dou para mal"
Vem e roa me toda em feixes de luz
Que como seixos brotam da Mãe Terra
Senhora da Vida incendeia meu coração com tua esperança
Pois as vezes me parece que vivo apenas para sofrer
Eu que sempre chamo
Sempre invoco
Peço-te lança uma última vez sua sombra sobre mim
De modo que o meu mal não me destrua mais
Pois por mais que eu crie
Acabo destruindo, destruindo tudo e dando gargalhadas
Como uma louca feiticeira...