"E aqueles que pensam em Me procurar, saibam que a vossa busca e vosso anseio devem beneficiar-vos apenas se vós souberdes o Mistério; se o que vós procurardes, vós não achardes dentro de vós mesmos, então nunca encontrarão fora. Pois eu tenho estado convosco desde o Início e Eu Sou Aquela que é alcançada ao final do desejo"


sábado, 18 de agosto de 2012

FILHA DAS SERPENTES


Senti águas que se agitavam profundamente, num perpetuo horizonte que se afundava em mim, rugido quese estendiam sobre minha pele que era instigada pelo sabor do vento...como a Medusa ou a Esfinge sei, que so tenho a capacidade de falar por códigos, as cifras indizivéis tão como as serpentes que adornam a cabeça e o ventre são indizivéis, estão ali para designar uma sabedoria que não pode ser dita..., apenas vivida e sentida...Elas não são um fim em si mesmas, tal como uma estátua da Terra Mãe não é a Deusa em si mesma,nem Esbat ou Sabath, mas apenas um símbolo de sua eterna e constante presença. Um símbolo é apenas um símbolo, importante sim, mas não visceral ou crucial. o importante é o instinto, o velho hálito divino da Mãe Serpente e astúcia ateporal que todas as Sas filhas têm e que deve ser sempre estimulada, jamais rejeitada, negada ou usurpada...

A velha serpente enrosca-se na minha pele voraz
Tenaz a argucia da Mãe Cobra envolve me
Por momentos sinto o movimento da serpente
Como fluídos vindos da Terra
Momentos e vidas, encarnações e ciclos
Vejo seus aneis movimentando se ligeiros sobre minha pela
Sinto a velha promessa das feiticeiras de Hécate
Sinto o tremor, meu corpo e minha alma são puro extremecimento
Exorcizando de mim todo o lamento
Sinto te, Grandiosa Terra Mãe
Sinto te em mim, em minhas viceras e em emu sangue
Sinto te virginal serpente
Antiga filha da Terra,
Sinto te...

segunda-feira, 23 de julho de 2012

A BRUXA SOLITÁRIA


VIAGEM PARA O INTERIOR DE UMA BRUXA


Era manhã de Samhain, estava voltando do meu espaço de meditação no lago da Casa Telucama, quando avisaram que uma jovem me aguardava no portão, fui ao seu encontro. Era uma bela jovem de longos cabelos ruivos, olhar sereno e ao mesmo tempo muito triste.
Deixei-lhe à vontade e a convidei para entrar. Ela tinha ouvido a minha entrevista na Rádio nas primeiras horas da manhã, o que lhe deu incentivo e força para me procurar. Vontade essa que já fazia parte da sua alma há muito tempo e que naquele dia finalmente se concretizava.
Sentamos no jardim embaixo das árvores, ela trazia nas mãos uma velha pasta de coro.
Começamos a conversar sobre Bruxaria. Falamos do princípio de tudo, dos caminhos percorridos pelos Bruxos ao longo dos tempos. Da Inquisição e da Bruxaria moderna.
Ela sempre colocava apartes bem a propósito de quem tem um bom conhecimento do caminho da antiga religião.
Começamos então a falar da autoconsciência da Bruxa, que embora essa seja inata ao homem, na (o) Bruxa (o) especificamente , tem um longo e cansativo caminho evolutivo a percorrer. Do processo gradual de maturação e de crescimento para o desenvolver das habilidades mágicas.
Passamos então a fazer uma avaliação critica do movimento crescente da Bruxaria hoje no Brasil.
Desde o primeiro sinal da Bruxaria que vislumbramos no fim do túnel na nossa alma e no coração, das primeiras tentativas, muitas vezes erráticas e vacilantes. Da sensação de se descobrir a si mesma, da emersão no fundo da alma para encontrar a Deusa, Senhora da Vida e da Morte. A tomada de consciência de ser livre e autônoma para percorrer o caminho do desenvolvimento do SER. A plena manifestação da individualidade completa no sentido de resgatar de si mesma sua essência de mulher, o seu poder do feminino. A segurança de expandir-se, elevar-se até o seu mais sagrado Eu, e nele encontrar a sua Deusa Interna com toda manifestação da sabedoria universal que é um caminho árduo e conflituoso.
Esgotamos todos os caminhos discursivos do senso de individualidade e do coletivo. Buscamos entender o lento e fatigante caminho da Bruxa solitária. Em contrapartida , destrançamos a complexidade da convivência em um Clan.
Percebemos que com o desenvolvimento gradual da sensibilidade emotiva da Bruxa, da capacidade de perceber sentimentos e estados de ânimos, de desenvolver a habilidade de ler naturalmente os sinais, em fim as mil facetas da natureza, as impulsionam para uma mutabilidade de energias, as quais direcionam seu humor, seus desejos, suas tristezas, suas alegrias, em suma, sua forma de Ser. O que naturalmente influencia na sua forma de se relacionar. Os questionamentos passam a ser uma forma típica do seu comportamento.
A Bruxa solitária com o passar do tempo, o seu Eu torna-se poliédrico, de humor variável, esquivo, pois age de acordo com seu estado de ânimo no momento, é o processo da sua polaridade emotiva que se desenvolve vibrando como uma unidade isolada. Ao encontrar apoio de um outro Bruxo, seja a distância, seja convivendo, estabelece um elo com o qual pode se identificar.
Felizmente hoje, com a Internet e com as mais variadas formas de comunicação, este elo tem se tornado corriqueiro mesmo para os Bruxos solitários. Parece até natural sermos verdadeiras "ilhas vivas", que espelham por todos os lados a si próprias. É o gérmen embrionário da Deusa em nós. " NÓS SOMOS AQUELES QUE SOMOS". Somos essência imanente da Mãe antiga.
A Bruxa é como uma semente, que oculta latente em si toda a força, beleza, estatura que deverá alcançar quando liberta dos invólucros que a aprisionam: preconceitos, egoísmo, medos, sentimentos negativos e falta de conhecimento do sistema da Deusa.
E tendo percorrido seus caminhos a serviço da grande Mãe, absorvido seus ensinamentos através da simplicidade da natureza, emerge até a plenitude da maturação, transformando-se em frutos que darão sementes, que proliferarão a Deusa em outras almas e corações.
A Bruxa é portanto, o sinal da divindade potencial, por isso é imperioso que se discipline um longo processo evolutivo para crescer até a sua plena expressão.

Finalmente nos demos conta do tempo que se passara e nem percebemos. Eu precisava despedir-me, pois em algumas horas os Bruxos da Casa Telucama começariam a chegar para a celebração . Curiosa lhe perguntei pela maleta preta, estilo médico antiga e bem envelhecida. Ela calada abriu a maleta, e mostrou-me o que continha: vários frascos de porções antigos e uma velha caderneta. Serena e folheando a desgastada caderneta falou:
Era da minha avó. Ela era uma velha parteira... Nesta caderneta estão registrados a maioria dos partos que fez durante oitenta anos... Nos despedimos!
Acabara de conhecer uma Bruxa solitária...
Graça Azevedo/ Senhora Telucama
Suma Sacerdotisa do Templo Casa Telucama

IN; TEMPLO CASA TELUCAMA

domingo, 22 de julho de 2012

AH, ESSES ADOLESCENTES...


Criança da Promessa

Eu sou o filho da Donzela, Mãe, Anciã
A criança da promessa que construirá um novo amanhã
Eu sou o filho da Donzela, Mãe, Anciã
A criança da promessa que construirá um novo amanhã
Sou o fruto da Terra, que se move com o Sopro da Vida, que no Fogo se renova e vai fluindo nas ondas da Água Divina
Sou o fruto da Terra, que se move com o Sopro da Vida, que no Fogo se renova e vai fluindo nas ondas da Água Divina












Canção Para Inanna

Eu sou a filha da mãe antiga,
Eu sou o filho da mãe do mundo.
(repete)
Oh, Inanna, Oh, Inanna, Oh, Inanna,
Ensina, ensina-nos
Para morrer, renascer, e subir novamente,
Morrer, renascer, e subir novamente,
Morrer, renascer, e crescer.



Eu sou sua filha, oh mãe antiga,
Eu sou seu filho, oh mãe do mundo.




A FORÇA INTERNA

TRÊS CABELOS DE OURO

A renovação do fogo criativo

Imaginemos, portanto, agora que temos tudo reunido, que não temos a menor dúvida quanto ao nosso propósito, que não estamos nos afogando numa fantasia escapista, que estamos integradas e que nossa vida criativa prospera. Precisamos de mais uma qualidade. Precisamos saber o que fazer, não se perdermos nosso foco de atenção, mas quando o perdermos; ou seja, quando estivermos temporariamente desgastadas. O quê? Depois de todo esse esforço, ainda poderíamos perder nosso rumo? Poderíamos, sim, mas ele fica perdido apenas por um tempo limitado, pois é a ordem natural das coisas. Felizmente, os camponeses da Europa Oriental já resolveram tudo isso para nós. Eles têm um conto de fadas maravilhoso intitulado "Os três cabelos de ouro".

Esta é uma história que os contadores vêm transmitindo às pessoas há centenas, talvez milhares, de anos, pois ela representa um arquétipo. É essa a natureza dos arquétipos... eles deixam uma comprovação, eles se entretecem nas histórias, nos sonhos e nas idéias dos mortais. Ali eles se tornam um tema universal, um conjunto de instruções, residindo não se sabe onde, mas atravessando o tempo e o espaço para iluminar cada nova geração.

É uma história que trata da recuperação do rumo perdido. O rumo é composto de sentir, ouvir e seguir a orientação da voz da alma. Muitas mulheres conseguem ter uma perfeita noção de rumo mas, quando perdem contato com ela, ficam dispersas como um colchão de penas aberto que se espalhou por todo o campo.

É importante ter um repositório para tudo o que sentimos e ouvimos da natureza selvagem. Para algumas mulheres, é o seu diário, onde elas deixam registrada cada pena que passa voando; para outras, é sua arte criadora: elas dançam a natureza selvagem, elas a pintam, elas a transformam num enredo. Você se lembra da Baba Yaga? Ela tem um grande caldeirão. Ela viaja pelos céus num caldeirão que na realidade é um pilão com sua mão. Em outras palavras, ela tem um repositório no qual guarda as coisas. Ela tem um modo de pensar, um meio de se locomover de um local para outro que é contido. É, os repositórios são a solução para o problema de toda perda de energia, isso e mais alguma coisa. Vejamos...

Os três cabelos de ouro


Uma vez, numa noite escuríssima e trevosa, o tipo de noite em que a terra fica negra, as árvores parecem mãos retorcidas e o céu é de um azul-escuro de meia-noite, um velho vinha cambaleando pela floresta, meio às cegas devido aos galhos das árvores. Os ramos arranhavam seu rosto, e ele trazia um pequeno lampião numa das mãos. A vela dentro do lampião tinha uma chama cada vez mais baixa. O homem tinha os cabelos amarelos e compridos, dentes amarelos e rachados e unhas amarelas e recurvas. Ele andava todo dobrado, e suas costas eram arredondadas como um saco de farinha. Sua pele era tão vincada que caía em folhos do seu queixo, das axilas e dos quadris.

Ele se apoiava numa árvore e se forçava a avançar; depois se agarrava numa outra para avançar mais um pouco. E assim, remando desse jeito e respirando com dificuldade ele ia atravessando a floresta.

Cada osso nos seus pés ardia como fogo. As corujas nas árvores piavam acompanhando o gemido das suas articulações à medida que ele seguia pelas trevas. Muito ao longe, tremeluzia uma luzinha, um chalé, um fogo, um lar, um local de descanso; e ele se esforçava na direção daquela luz. No exato instante em que chegou à porta, ele estava tão cansado, tão exausto, que a pequena chama no seu lampião se apagou e o velho caiu porta adentro desmaiado.

Dentro da casa, uma velha estava sentada diante de uma bela fogueira e ela se apressou a chegar até ele, segurou-o nos braços e o levou mais para perto do fogo. Ela o abraçou como uma mãe abraça o filho. Ela se sentou na cadeira de balanço e o embalou. E ali ficaram os dois, o pobre e frágil velhinho, apenas um saco de ossos, e a velha forte que o embalava.

— Pronto, pronto. Calma, calma. Pronto, pronto. Ela o embalou a noite inteira e, quando ainda não havia amanhecido mas estava quase chegando a hora, ele estava extremamente renovado. Ele era agora um belo rapaz, de cabelos dourados e membros longos e fortes. Mas ela continuava a embalá-lo.

— Pronto, pronto. Calma, calma. Pronto, pronto. E quando a manhã foi se aproximando cada vez mais, o rapaz foi se transformando numa linda criancinha com cabelos dourados trançados como palha de milho.

No momento exato do raiar do dia, a velha arrancou bem rápido três fios da linda cabeça da criança e os jogou nos ladrilhos. Eles fizeram um barulhinho.

Tiiiiiing! Tiiiiiiing! Tiiiiiiiiing!

E a criancinha nos seus braços desceu do seu colo e saiu correndo para a porta. Voltando o rosto por um instante para a velha, o menino deu um sorriso deslumbrante, virou-se e saiu voando para o céu para se tornar o brilhante sol da manhã.
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Tudo à noite é diferente. Por isso, para entender essa história precisamos mergulhar numa consciência noturna, um estado no qual percebemos com maior rapidez cada estalido ou ruído. É à noite que ficamos mais próximos de nós mesmos, mais próximos de idéias e sentimentos essenciais que não são tão registrados durante o dia.

A noite é o mundo de Mãe Nyx, a mulher que criou o mundo. Ela é a Velha Mãe dos Dias, uma das megeras da vida e da morte. Quando é noite num conto de fadas, sabemos que estamos no inconsciente. São João da Cruz chamou-a de "noite escura da alma''. Nessa história, ela é um período em que um homem muito velho vai enfraquecendo cada vez mais. É uma hora na qual estamos nas últimas, em algum sentido importante.

Perder o rumo significa perder a energia. A tentativa absolutamente equivocada quando perdemos o rumo é a de correr para arrumar tudo de novo. Correr não é o que devemos fazer. Como vemos na História, sentar e balançar é o que devemos fazer. A paciência, a paz e o balanço renovam as idéias. Só o ato de entreter uma idéia e a paciência para embalá-la são o que algumas mulheres poderiam chamar de grande prazer. A Mulher Selvagem o considera uma necessidade.

Isso é algo que os lobos conhecem inteiramente. Quando um intruso aparece, os lobos podem rosnar, latir ou até mesmo mordê-lo, mas eles também podem, a uma boa distância, recuar para o interior do grupo, sentando-se todos juntos como uma família faria. As costelas se enchem e se esvaziam, sobem e descem. Eles estão tomando rumo, estão se reposicionando, voltando ao centro de si mesmos e resolvendo o que é importante e o que fazer em seguida. Estão decidindo que “não vão fazer nada agora mesmo, que só vão ficar ali sentados, respirando, embalando-se juntos”.

Ora, muitas vezes quando as idéias não estão funcionando bem, ou quando nós não as estamos trabalhando bem, perdemos nosso rumo. Isso faz parte de um ciclo natural e ocorre porque a idéia ficou ultrapassada, ou porque nós perdemos a capacidade de vê-la por um ângulo novo. Nós mesmas ficamos velhas e desconjuntadas como o velho em "Três cabelos de ouro". Embora haja muitas teorias sobre "bloqueios" criativos, a verdade é que bloqueios brandos vêm e voltam como as condições atmosféricas e como as estações do ano — com as exceções dos bloqueios psicológicos de que falamos anteriormente, como não mergulhar na própria verdade, como o medo da rejeição, o medo de dizer o que se sabe, a preocupação com a própria competência, a poluição da correnteza básica, entre outros.

Essa história é tão admirável por delinear todo o ciclo de uma idéia, a ínfima luz que lhe é concedida, que é obviamente a própria idéia, o fato de ela se cansar e praticamente se extinguir, tudo como parte do seu ciclo natural. Nos contos de fadas, quando acontece algo de mau, isso significa que algo novo precisa ser tentado, uma nova energia precisa ser aplicada, uma força mágica, de cura e ajuda precisa ser consultada.

Aqui mais uma vez vemos a velha La Que Sabé, a mulher, de dois milhões de anos. Ela é "aquela que sabe". Ser mantido diante do seu fogo é algo revigorante, reparador. É para esse fogo e para os braços dela que o velho se arrasta, pois sem eles ele morreria.

O velho está cansado de passar tempo demais dedicado ao trabalho que lhe demos. Vocês alguma vez viram uma mulher trabalhar como se o diabo estivesse agarrado no seu dedão do pé, só para de repente entrar em colapso e não dar mais um passo sequer? Você alguma vez viu uma mulher totalmente dedicada a alguma questão social que um belo dia virou as costas e mandou tudo para o inferno? É que seu animus está esgotado. Ele precisa ser embalado por La Que Sabé. A mulher cujas idéias ou energias feneceram, murcharam ou cessaram completamente precisa saber o caminho até a velha curandera e precisa levar o animus exausto até lá para que ele se recupere.

No final, porém, a mulher precisa descansar agora, ser embalada, recuperar seu rumo. Ela precisa rejuvenescer, recuperar sua energia. Ela acha que não pode fazer isso, mas pode sim, pois o círculo de mulheres, sejam elas mães, alunas, artistas ou ativistas, sempre se dispõe a suprir a falta das que saem de licença. A mulher criativa precisa de descanso agora para voltar ao seu trabalho intenso mais tarde. Ela precisa ir visitar a velha na floresta, a revitalizadora, a Mulher Selvagem numa das suas muitas apresentações. A Mulher Selvagem já espera que o animus fique exausto com certa regularidade. Ela não se espanta quando ele lhe cai porta adentro. Ela está pronta. Ela não virá correndo até nós em pânico. Ela simplesmente nos apanha e nos segura até que recuperemos nossas forças.

Levar a cabo longas empreitadas, tais como diplomar-se, concluir um original, completar uma obra, cuidar de uma pessoa enferma, todas essas atividades apresentam momentos em que a energia que um dia foi jovem fica velha e cai prostrada sem conseguir ir adiante. Para as mulheres, é melhor que elas tenham conhecimento disso desde o início porque as mulheres costumam ser surpreendidas pela fadiga. É então que elas uivam, resmungam, sussurram, queixando-se do fracasso, da incompetência e coisas semelhantes. Não, não. Essa perda de energia é o que é. Ela faz parte da natureza.

A suposição da força eterna no masculino é equivocada. Trata-se de uma introjeção cultural que precisa ser desviada da psique. Esse engano faz com que tanto as energias masculinas no cenário interior quanto os homens de verdade na cultura se decepcionem. Todos por natureza precisam de uma trégua para recuperar as forças. O modus operandi da natureza da vida-morte-vida é cíclico e se aplica a todo mundo e a todas as coisas.

Na história, três fios de cabelo são jogados ao chão, como no ditado, "Jogue um pouco de ouro no chão". Esse ditado provém de desprender las palabras, que na tradição dos contadores de histórias, dos cuentistas, significa jogar fora algumas das palavras da história para torná-la mais forte.

O cabelo simboliza o pensamento, aquilo que emana da cabeça. Jogar cabelo no chão ou fora torna o menino de certo modo mais leve, faz com que ele brilhe ainda mais. Da mesma maneira, sua idéia ou iniciativa desgastada pode brilhar ainda mais se você tirar um pouco dela para jogar fora. É a mesma idéia de um escultor removendo mais mármore a fim de revelar mais a forma oculta. Um meio poderoso de renovar ou reforçar nossa intenção ou nossa ação que ficou extenuada consiste em jogar algumas idéias fora e concentrar nossa atenção.

Arranque três fios de cabelo da sua iniciativa, jogando-os os ao chão. Eles se transformarão num alarme de despertador. Jogá-los ao chão gera um ruído psíquico, um repique, uma ressonância no espírito da mulher que faz com que a atividade retome. O som da queda de algumas das nossas muitas idéias se transforma numa espécie de proclamação de uma nova era ou de uma nova oportunidade.

Na realidade, a velha La Que Sabé está podando ligeiramente o lado masculino. Sabemos que o corte dos galhos secos ajuda a árvore a crescer com mais força. Sabemos também que a eliminação das flores de certas plantas faz com que elas fiquem mais vigorosas, mais exuberantes. Para a mulher selvagem, o ciclo de desenvolvimento e redução do animus é natural. Trata-se de um processo arcaico, antiqüíssimo. Desde tempos imemoráveis, é assim que as mulheres abordam o mundo das idéias e suas manifestações objetivas. É assim que as mulheres agem. A velha no conto de fadas dos três cabelos de ouro nos ensina, na verdade volta a nos ensinar, como é que se faz.

Portanto, qual é o objetivo desse resgate e dessa concentração, desse chamado ao falcão para que volte, dessa corrida com os lobos? É procurar a jugular, chegar direto ao miolo e aos ossos de tudo que existe na sua vida, porque é ali que está o seu prazer, é ali que está a sua alegria, é ali que está o Éden da mulher, aquele local onde há tempo e liberdade de ser, de perambular, de se maravilhar, de escrever, cantar e criar sem medo. Quando os lobos pressentem prazer ou perigo, a princípio eles ficam totalmente imóveis. Ficam parados como estátuas, em total concentração para poderem ver, ouvir, perceber o que exatamente está ali, perceber o que está ali na sua forma mais essencial.

É isso o que a Mulher Selvagem nos oferece: a capacidade de ver o que está diante de nós com a concentração de atenção, com a imobilidade para ver, ouvir, sentir com o tato, com o olfato, com o gosto. A concentração é o uso de todos os nossos sentidos, incluindo-se a intuição. É desse mundo que as mulheres vêm resgatar suas próprias vozes, seus próprios valores, sua imaginação, sua clarividência, suas histórias e suas antigas recordações. São esses os resultados do trabalho da concentração e da criação. Se você perdeu o rumo para se concentrar, sente-se e fique imóvel. Segure a idéia e a embale. Mantenha uma parte dela, jogue outra parte fora, e ela se renovará. Não é preciso fazer mais nada.


Clarissa Pinkola Estés - Mulheres que Correm com os lobos

IN: LOBAS QUE CORREM
CARMEM CORRÊA

AS VOZES DAS ÁGUAS



Em muitas das primeiras histórias da criação conhecidas nos mais diferentes pontos do mundo, encontramos a Deusa-Mãe como fonte de toda a existência. Nas Américas, ela é a Senhora da Saia de Serpentes – de interesse também porque, assim como na Europa, no Oriente Médio e na Ásia, a serpente é uma das suas manifestações mais básicas. Na antiga Mesopotâmia este mesmo conceito do universo é encontrado na idéia da "montanha do mundo" como o corpo da Deusa-Mãe do universo, idéia esta que sobreviveu através de períodos históricos. E como Nammu, a Deusa suméria que concebeu o céu e a terra, seu nome é expresso em um texto cuneiforme de cerca de 2000 a.C. (hoje no Louvre) por um ideograma simbolizando o mar.
A associação do princípio feminino às águas também primordiais é um tema onipresente. Por exemplo, na cerâmica decorada da antiga Europa, o simbolismo da água – muitas vezes em associação ao ovo primordial — é um motivo freqüente. Aqui a Grande Deusa, de quando em vez na forma de Deusa-pássaro ou serpente, governa a força proporcionadora de vida da água. Tanto na Europa quanto em Anatólia, motivos de chuva e fornecimento de leite se misturam, e recipientes e vasos de rituais são equipamento comum em seus santuários. Sua imagem associa-se também aos recipientes para água, os quais às vezes se apresentam em sua forma antropomórfica.
Como a deusa egípcia Nut, ela é a unidade harmoniosa das águas celestes primordiais. Posteriormente, como a deusa Ariadne (a Mui Sagrada Deusa), de Creta, e a deusa grega Afrodite, ela surge do mar.14 De fato, esta imagem ainda é tão poderosa na Europa cristã que chegou a inspirar a famosa Vênus de Botticelli erguendo-se do mar.

IN: O CÁLICE E A ESPADA - A Nossa História, o Nosso Futuro
RIANE EISLER

SENHORA DAS PLANTAS E DAS ÁRVORES

O Sagrado Salgueiro Chorão

Salix Alba
Não há desmerecimento às outras árvores quando me refiro ao salgueiro como sagrado pois se trata realmente de uma das árvores sagradas mais conhecidas e em diversas culturas.
O salgueiro chorão não tem origem na Europa e sim no Leste Asiático. Então podemos dizer que o culto à esta espécie atravessou a Ásia passando por todo o oriente, chegando ao extremo oeste da Europa até os limites das Ilhas Britânicas. É muito provável que estivesse entre as principais árvores que ornamentavam os jardins da babilônia e na grécia era consagrado à grandes deusas como Hera e Hécate. Normalmente dedicado à deusas noturnas ou lunares por sua forte ligação com o feminino.
Como já foi postado aqui no blog, a palavra "Witch" (bruxa) deriva de "Willow" (salgueiro). A árvore, desde a idade média, está associada às bruxas e as bruxas, por sua vez, ao feminino. É compreensível, portanto, que a árvore esteja ligada a ambos.
Certa vez, numa palestra sobre Ogham, a palestrante definiu muito bem como é observar um salgueiro: "Ele é acolhedor, é maternal e parece que te espera para um abraço".
Talvez os antigos também o vissem desta forma, como um ser maternal e acolhedor. Mais uma vez a figura da mulher se apresenta nesta simbologia.
Eu, particularmente, não gosto da expressão "chorão", pois parece dar à árvore uma fragilidade que não é real. De todas as árvores "choronas", afinal existem diversas espécies com este aspécto, somente o salgueiro leva "chorão" como codinome.
O salgueiro é uma árvore muito resistente, ela resiste muito bem ao fogo e a madeira de salgueiro é uma das piores para a lenha e nunca a utilizavam para este fim.
De um simples galho de salgueiro, sem grandes cuidados, uma nova árvore brota e seu crescimento é relativamente rápido. Ele é bastante tolerante às secas e chuvas em excesso.
Na realidade, o excesso de água é muito benéfico ao salgueiro, é uma das árvores prediletas para cultivo à beira de lagos e rios pois seu tronco não apodrece. Além de ornamentarem às margens, seus ramos tendem a alcançar à água como se realmente pretendessem toca-la.
Os antigos já conheciam as propriedades medicinais do salgueiro, seu poder anti-inflamatório e analgésico. Tal conhecimento ultrapassou os séculos e hoje um dos mais eficazes e utilizados medicamentos, a "aspirina", se deve aos antigos que já utilizavam a casca do salgueiro no combate à diversas enfermidades.
O ácido acetilsalicílico é resultado do principio ativo da casca da árvore, a salicina, e seu nome deriva de "Salix", nome científico do Salgueiro.
Não há dúvidas que esta é realmente uma árvore sagrada.


A Velha Sabugueiro

Sim, o título está correto, pois não devíamos chama-lo de "o sabugueiro", mas como não é considerado uma árvore e sim um arbusto e, na lingua portuguesa, diferente do inglês, os gêneros são bem definidos, não podemos considera-lo como "a sabugueiro". Todavia, há séculos e em diversas culturas, está relacionado ao feminino e ligado às bruxas.
O sabugueiro está no folclore da maioria dos países europeus, com lendas e superstições que foram transmitidas de geração em geração desde os tempos pré-cristãos. Sempre ligado ao feminino, às fadas e às deusas. Dizem, inclusive, que é esta grande ligação com o feminino que faz com que o sabugueiro seja considerado a "árvore das bruxas". Alguns pagãos o chamavam de "Mother Elder" (Mãe Anciã) ou "Ellhorn the Wisewoman" (Ellhorn, a velha Sábia).
"A Lenda da Velha Sabugueiro"


Reza a lenda que, um rei partiu da Dinamarca rumo à Bretanha com o intúito de conquista-la. Pisou em solo inglês companhado de muitos homens e, depois de marcharem por muitos dias, atravessaram uma faixa de campo em direção à uma aldeia conhecida como "Long Compton".
Já bem próximos ao vilarejo, em uma trilha íngreme, uma velha mulher apareceu a eles e lhes disse:


"Sete largos passos darás,
Se puder ver Long Compton,
Rei da Inglaterra serás! "


O rei, com bom pressentimento, sentiu que as palavras da velha feiticeira fossem uma profecia a seu favor. Deu, então, sete largos passos adiante mas sua visão foi bloqueada por uma colina e ele nada pode ver.
A velha sorrindo então conjurou:

"Como Long Compton não podes ver,
Rei da Inglaterra não poderás ser.
Levanta-te e, como rocha, fique parado
,
Para a Inglaterra não haverá rei.
Tu e teus homens em pedras serão transformados.
E eu, sabugueiro me tornarei ".



Um forte vento então soprou e o o rei, juntamente com seu exército, se transformaram em um círculo de pedras. A velha, então, transformou-se em sabugueiro e juntou-se às outras árvores do local.
E até hoje existe este místico círculo de pedras que fica localizado entre os condados de Warwickshire e Oxfordshire, denominado "The Rollright Stone".





Postado por Hugo Ilex IN: VALE DO MAGO

sexta-feira, 20 de julho de 2012

FLUI O MUNDO AVERNAL


Flui, flui me pelo corpo a essência da cobra virginal
O outono antigo do vento invernal
Muda se o tempo em mim o rumo
Vai e vem com fluidez ao litoral
Não existe em mim posição mais literal
Ao leste e a oeste sempre sem tempo e sem caminho
Errante por entre morros e mundos
Passáros e gaivotas me rodeiam
Mulheres ao longe dançam em roda
Vento mudo, vento surdo, fogo e fluxo temporal
Águas e morros desmoronam em mim
De mim vários e duplos gritos se desdobram
E eu grito o mantra da Grande Mãe
RAM-IO, RAM-IO, RAM-IO
Sinto a natureza que em mim se desdobra
Flui para dentro da Terra como cobra
E o primeiro grito repercute por entre o tempo
Está perdido e já não era sem tempo.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

UMA ROCHA NUM LEITO DE UM RIO

Um rio que é uma eterna mudança de palavras, fluxos e pensamentos. carne a carne a única resposta para as perguntas solares e objetivas é a minha introspecção. Infelizmente ou felizmente apenas conheço e me crio nesta modalidade, é até ai que meus poderes (poder significa algo que passamos fazer) vão. Sempre acabo fugindo das definições que me eram impostas, e eu não sei até onde isso é mérito ou demérito.
Eu sempre inicio com um "eu não sei" Não conseguiria te dizer como me sinto mesmo que quizesse. As palavras vagam dentro de mim, são como visões, milhares de letras e palavras vagando em luminosidade, as palavras afundam dentro de mim. Poderia te dizer que é tempo mas qual o tempo que me refiro? A corrente sub-reptica das emoções. Será que não é apenas outra forma de egoismo dizer isso? E onde está o ego e o que ele faz? Será que isso que eu sentia pulsar no peito tão maldita e ternamente era ego e não vida? Existe aqui em mim um vilão? Será que o mal e o uso me envenenaram, turvaram minhas antigas águas e por isso não penso mais com a solidez da rocha? A rocha, eu também sou a rocha, antiga e inabalável fincada da Mãe, fincada nela.
Sabemos que a rocha jamais será a terra abaixo, jamais o poderá ser, pois como se entre Terra e a rocha existem átomos que as fazem ligadas... que as dividem também.
Eu me perco e eu sei como a palavra é perniciosa, como a palavra procura uma vitima, para que ela se defina de maneira clara e solar ante o mundo. Eu vivo dessa indefinição profunda, nela vivo o meu habitis, meu habitat natural. Não sei se a indefinição pode ser uma falta de coragem...Mas quem sabe também não seja um excesso dela.

terça-feira, 22 de maio de 2012

BIPARTIDA

Meu coração queima
Assim como me arde a palavra sagrada
Na boca dos antigos
Meu leito de gaze queima e trémula
labaredas como os lábios de um coração ressequido
A palavra sagrada se esvai dia a dia e eu morro
E renasço, tal como a Deusa da Arábia
Sinto o leito das trevas e canto de Prosérpina me persegue
Sinto o Demónio Feminino das horas primevas
A meia noite o sino canta

e o sol nasce trazendo o resplendor da virgem deusa à Terra
Sinto me sufocada entre teus gritos
Persegue me o som melodioso e maldito
Que escorre de meus próprios lábios
Que tolice minha um dia
Pensar em ser Palas Athena
Quando de virgem possuo apenas o sangue
E a força da carne
Pois todos os meus outros poderes já foram
Corrompidos
Entupidos pelo sangue virginal
De meu próprio pensamento
Cansado ausente voltando-se
Ao ponto oriental
Ouço uma voz que paira acima do vento
E no relento um vulto
De branca seda e branca carne
E minha contra parte
Veio ela esguia e límpida
rejuntar-se a mim
A mulher de tez negra
Junta mos no arrebate do amor
Queima a vida, queima no coração da Mãe
e descobrimos que só Unas
Podemos da Deusa ter o vigor
E o amor, e amor...

sábado, 12 de maio de 2012

DEUSA ÍSIS

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DEUSA ÍSIS


Eu concebi
carreguei
e dei à luz a toda vida
Depois de dar-lhe todo meu amor
Dei-lhe também meu amado Osíris
Senhor da vegetação
Deus dos cereais
para ser ceifado
e nascer outra vez
Cuidei de você na doença
fiz suas roupas
observei seus primeiros passos
Estive com você até mesmo no final
segurando sua mão
para guiá-lo para a imortalidade
Você para mim é TUDO
E eu lhe dei TUDO
E para você eu fui TUDO
Eu sou sua Grande-Mãe, ÍSIS

Nossa amada Deusa Ísis foi cultuada e adorada em inúmeros lugares, no Egito, no Império Romano, na Grécia e na Alemanha. Quando seu amado Osíris foi assassinado e desmembrado pelo seu irmão Seth que espalhou seus pedaçospor todo o Egito, Ísis procurou-os e os juntou novamente. Ela achou todos eles, menos seu órgãos sexual, que substitui por um membro de ouro. Através de magia e das artes de cura, Osíris volta à vida. Em seguida, ela concebe seu filho solar Hórus.

Os egípcios ainda mantêm um festival conhecido como a Noite da Lágrima. Tal festival tem sido preservado pelos árabes como o festival junino de Lelat-al-Nuktah.

ÍSIS, DO MITO À HISTÓRIA

No começo só existia o grande, imóvel e infinito mar universal, sem vida e em absoluto silêncio. Não havia nem alturas, nem abismos, nem princípio, nem fim, nem leste, nem oeste, nem norte e nem sul. Das primeiras sombras se desprenderam as trevas e apareceu o caos. Desse ilimitado e sombrio universo surgiu a vida e, com ela, a estirpe dos Deuses.

Conta a mitologia solar que o criador de tudo foi Atum, o Pai dos Pais. A partir do momento que Atum toma consciência de si mesmo, ele tornou-se Rá.

Em sua infinita sabedoria, o Deus consciente, desejou e materializou uma separação entre si mesmo e as águas primordiais, desejando emergir a primeira terra seca em forma de colina a que os egípcios chamaram a "colina benben".

Então Atum criou os outros Deuses. Recolheu seu próprio sêmen na mão, e engolindo-o se fecundou a si mesmo. Vomitou, dando vida a Shu e Tefnut, o ar seco e o ar úmido.

Shu e Tefnut se unem e dão a luz ao Deus Geb, a terra, e a Deusa Nut, o céu, que, por sua vez, quando se uniram fisicamente tiveram quatro filhos: Osíris (Deus da Ordem), Seth (Deus da Desordem) e suas irmãs Ísis e Neftis, nascidos nessa ordem. A nova geração completa o número de nove divindades, a Enéada, que começa com o Deus criador primordial. Na escrita egípcia o três era utilizado para representar o número plural, enquanto que o nove proporciona um meio simbólico de indicar o "todo". A Enéada do Deus Sol é conhecida entre os egiptólogos como a Enéada Heliopolitana.

Osíris, o primogênito, havia herdado de seu pai Geb a terra para governá-la. Já a Deusa Ísis, cujo nome significa "o trono", "a sede" (capital), se uniu a seu irmão Osíris, para sustentar todo o seu poder, estabelecendo-se assim, o primeiro casal real do Egito. Se ele era o rei, soberano da terra, ela ia ser seu trono, a sede eternamente estável, de onde era exercida toda a realeza sobre o Egito.

ÍSIS E O NOME SECRETO DE RÁ

O Deus Sol Rá tinha tantos nomes que inclusive os Deuses não conheciam todos. Um dia, a Deusa Ísis, Senhora da Magia, se pôs a aprender o nome de todas as coisas, para tornar-se tão importante como o Deus Rá.

Depois de muitos anos, o único nome que Ísis não sabia era o nome secreto de Rá, assim decidiu enganá-lo para descobrir.

A cada dia, enquanto voava pelo céu, Rá envelhecia e até já começava a babar. Ísis recolheu sua baba e modelando-a com terra, deu forma a uma serpente, que depois colocou no caminho de Rá. Esse foi mordido e caiu ao solo agonizante. Ísis disse ao Deus que poderia curá-lo, desde que ele lhe revelasse seu nome secreto. Ele se negou, porém ao notar que o veneno da cobra era potente suficientemente para matá-lo, não teve outra opção a não ser revelá-lo. Com esse conhecimento secreto, Ísis pode apropriar-se de parte do poder de Rá.

ÍSIS E OSÍRIS (segundo Plutarco)

No Egito, assim como na Babilônia, o culto da lua precedeu o do sol. Osíris, Deus da lua, e Ísis, a Deusa da lua, irmã e esposa de Osíris, a mãe de Hórus, o jovem Deus da lua, aparecem nos textos religiosos antes da quinta dinastia (cerca de 3.000 a. C.).

É difícil fazer um estudo conciso sobre o significado do culto de Ísis e Osíris, pois, durante muitos séculos nos quais esta religião floresceu, aconteceram mudanças na compreensão dos homens em relação a ele.

Nos primeiros registros, Osíris, parece ser um espírito da natureza, concebido como o Nilo ou como a lua, o qual, pensava-se, controlava as enchentes periódicas do rio. Era o Deus da umidade, da fertilidade e da agricultura. Durante o período da lua minguante, Seth, seu irmão e inimigo, um demônio de um vermelho fulvo incandescente, devorava-o. Dizia-se que Seth tinha se unido a uma rainha etíope negra para ajudá-lo na sua revolta contra Osíris, provavelmente uma alusão à seca e ao calor, que periodicamente vinham do Sudão, assolavam e destruíam as colheitas da região do Nilo.

Seth era o Senhor do Submundo, no sentido de Tártaro e não de Hades, usando-se termos gregos. Hades era o lugar onde as sombras dos mortos aguardavam a ressureição, correspondendo, talvez, à idéia católica do purgatório. Osíris era o Deus do Submundo neste sentido, Tártaro é o inferno dos condenados, e era deste mundo que Seth era o Senhor.

Nas primeiras formas do mito, Osíris era a lua e Ísis a natureza, Urikitu, a Verde da história caldéia. Mas, posteriormente, ela tornou-se a lua-irmã, mãe e esposa do Deus da lua. É neste ciclo que este mito primitivo da natureza começou a tomar um significado religioso mais profundo. Os homens começaram a ver na história de Osíris, que morreu e foi para o submundo, sendo depois restituído à vida pelo poder de Ísis, uma parábola da vida interior do homem que iria transcender a vida do corpo na terra.

Os egípcios eram um povo de mente muito concreta, e concebiam que a imortalidade poderia ser atingida através do poder de Osíris de maneira completamente materialista. Era por essa razão que conservavam os corpos daqueles que tinham sido levados para Osíris, através da iniciação, como conta o "Livro dos Mortos"; com efeito, acreditavam que, enquanto o corpo físico persistisse, a alma, ou Ka, também teria um corpo no qual poderia viver na Terra-dos-bem-aventurados, como Osíris que, no texto de uma pirâmide da quinta dinastia, é chamado de "Chefe daqueles que estão no Oeste", isto é, no outro mundo.

Ísis e Osíris eram irmãos gêmeos, que mantinham relações sexuais ainda no ventre da mãe e desta união nasceu o Hórus-mais-velho. No Egito, nesta época, era hábito entre os faraós e as divindades a celebração de núpcias entre irmãos, para não contaminar o sangue.

A história continua contando que quando Osíris tornou-se rei, livrou os egípcios de uma existência muito primitiva. Ensinou-lhes a agricultura e a feitura do vinho, formulou leis e instruiu como honrar seus deuses. Depois partiu para uma viagem por todo o país, educando o povo e encantando-o com sua persuasão e razão, com a música, e "toda a arte que as mesas oferecem".

Enquanto ele estava longe sua esposa Ísis governou, e tudo correu bem, mas tão logo ele retornou, Seth, que simbolizava o calor do deserto e da luxúria desenfreada, forjou um plano para apanhar Osíris e afastá-lo. Confeccionou um barril do tamanho de Osíris. Então convidou todos os Deuses para uma grande festa, tendo escondido seus setenta e dois seguidores por perto. Durante a festividade, mostrou seu barril que foi admirado por todos. Prometeu dá-lo de presente àquele que coubesse nele. Então todos entraram nele por sua vez, mas ele se ajustou somente a Osíris. Neste momento, os homens escondidos apareceram e, rapidamente lacraram a tampa do barril. Levaram-o e jogaram no rio Nilo. Ele boiou para longe e alcançou o mar pela "passagem que é conhecida por um nome abominável".

Este evento ocorreu no décimo sétimo dia de Hator, isto é, novembro, no décimo oitavo ano de reinado de Osíris. Ele viveu e reinou por um ciclo de vinte e oito períodos ou dias, porque ele era a lua, cujo ciclo completa-se a cada vinte e oito dias.

Quando Ísis foi sabedora dos acontecimentos fatídicos, cortou uma mecha de seu cabelo e vestiu roupas de luto e vagou por todos os lugares, chorando e procurando pelo barril. Foi seu cachorro Anúbis, que era filho de Néftis e Osíris, que levou-a até o lugar onde o caixão tinha parado na praia, no país de Biblos. Ele havia ficado perto de uma moita de urzes, que cresceram tanto com sua presença, que tornou-se uma árvore que envolveu o barril. O rei daquele país mandou cortar a tal árvore e de seu tronco fez uma viga para a cumeeira de seu palácio, sem sequer imaginar que o mesmo continha o barril.

Ísis para reaver seu marido, fez amizade com as damas de companhia da rainha daquele país e acabou como enfermeira do príncipe. Ísis criou o menino dando-lhe o dedo ao invés de seu peito para mamar.

Os nomes do rei e da rainha são: Malec e Astarte, ou Istar. Bem sugestivo, pois nos faz ver que Ísis teve que recuperar o corpo de Osíris de sua predecessora da Arábia.

Acabou tendo que revelar-se para a rainha e implorou pelo tronco da árvore que continha o corpo de Osíris. Ísis retirou o barril da árvore e levou-o consigo em sua barcaça de volta para casa. Ao chegar, escondeu o caixão e foi procurar seu filho Hórus, para ajudá-la a trazer Osíris de volta à vida.

Seth que havia saído para caçar com seus cachorros, encontra o barril. Abriu-o e cortou o corpo de Osíris em catorze pedaços espalhando-os. Aqui temos a fragmentação, os catorze pedaços que óbviamente referem-se aos catorze dias da lua.

Ísis soube do ocorrido e saiu à procura das partes do corpo. Viajou para longe em sua barcaça e onde quer que acahasse uma das partes fazia um santuário naquele lugar. Conseguiu reunir treze das peças unindo-as por mágica, mas faltava o falo. Então fez uma imagem desta parte e "consagrou o falo, em honra do qual os egípcios ainda hoje conservam uma festa chamada de "Faloforia", que significa "carregar o falo".

Ísis concebeu por meio dessa imagem e gerou uma criança, o Hórus-mais-jovem.

Osíris sugiu do submundo e apareceu para o Hórus-mais-velho. Treinou-o então para vingar-se de Seth. A luta foi longa, mas finalmente Hórus trouxe Seth amarrado para sua mãe.

Este é o resumo do mito.

Os cerimoniais do Egito eram relacionados com esses acontecimentos. A morte de Osíris, interpretada todos os anos, bem como as perambulações de Ísis e suas lamentações, tinham um papel conspícuo. O mistério final de sua ressureição e a demonstração pública, em procissão, do emblema de seu poder, a imagem do falo, completavam o ritual. Era uma religião na qual a participação emocional da tristeza e alegria de Ísis tinha lugar proeminente. Posteriormente, tornou-se de fato uma das religiões nas quais a redenção era atingida através do êxtase emocional pelo qual o adorador sentia-se um com Deus.

ARQUÉTIPO DA PROVEDORA DA VIDA


É pelo poder de Ísis, através de seu amor, que o homem afogado na luxúria e na paixão, eleva-se a uma vida espiritual. Ísis, antes de tudo, é provedora da vida. Comumente é representada amamentando seu filho Hórus, pois ela é a mãe que nutri e alimenta tudo que gera. Ísis com seu bebê no colo, acabou transformada na Virgem Maria com o menino Jesus.

Embora Isis fosse considerada como mãe universal ela era venerada como protetora das mulheres em particular. Sendo aquela que dá a vida, que presidia sobre vida e morte, ela era protetora das mulheres durante o parto e confortava aquelas que perdiam seus entes queridos. Em Ísis, as mulheres encontravam o apoio e a inspiração para prosseguirem com suas vidas. Ísis proclamava ser, em hinos antigos, a deusa das mulheres e dotava suas seguidoras de poderes iguais aos do homem.

Esta Deusa é também freqüentemente representada como uma Deusa negra. Este fato está diretamente associado ao período de luto de Ísis (morte de Osíris), quando ela vestia-se de preto ou ela própria era preta.

As estátuas pretas de Ísis tinham também um outro sentido. Plutarco declara que "suas estátuas com chifres são representações da Lua Crescente, enquanto que as estátuas com roupa preta significavam as ocultações e as obscuridades nas quais ela segue o Sol (Osíris), almejando por ele. Conseqüentemente, invocam a Lua para casos de amor e Eudoxo diz que Ísis é quem os decide".

No Solstício de Inverno, a Deusa, na forma de vaca dourada, coberta por um traje negro, era carregada sete vezes em torno do Santuário de Osíris morto, representando as perambulações de Ísis, que viajou através do mundo pranteando sua morte e procurando pelas partes espalhadas de seu corpo. Este ritual, era um procedimento mágico, que tencionava prevenir que a seca invadisse as regiões férteis do Nilo, pois a ressurreição de Osíris era, naquela época, um símbolo da enchente anual do Nilo, da qual a fertilidade da terra dependia.

ÍSIS E HÓRUS


Muita conhecida de todos os nós é a história de Hórus, o filho de Ísis, a Deusa do Egito, tanto quanto os também tão estimados e conhecidos Maria e o menino Jesus no cristianismo. Entretanto, existem algumas diferenças entre os dois: a Ísis é adorada como uma divindade maternal muito antiga. Algumas vezes é representada com um disco do sol (ou lua) na cabeça, flanqueada à direita e à esquerda por dois chifres de vaca. A vaca era e é por seu úbere dispensador de leite o animal-mãe, usado em muitas culturas como símbolo materno. Outra diferença fundamental entre Ísis e Maria é também o fato de Ísis ter sido venerada como a grande amada. Ainda no ventre materno ela se casou com seu irmão gêmeo Osíris, que ela amava acima de tudo.

Nos rituais antigos egípcios, executados para obter a ressurreição, o olho de Hórus tinha papel muito importante e era usado para animar o corpo do morto cujos membros tinham sido reunidos. Hórus, filho e herdeiro por excelência, é invocado também, para que impeça a ação do réptéis que estão no céu, na terra e na água, os leões do deserto, os crocodilos do rio.

Protetor da realeza, Hórus desempenha ainda, o papel capital do Deus da cura. A magia de Hórus desvia as flechas do arco, apazigua a cólera do coração do ser angustiado.

ARQUÉTIPO DE CURA

Ísis era invocada nas antigas escrituras como a Senhora da Cura, restauradora da vida e fonte de ervas curativas. ela era venerada como a senhora das palavras de poder, cujos encantamentos faziam desaparecer as doenças.

À noção de magia liga-se também, imediatamente ao nome de Ísis, que conhece o nome secreto do Deus supremo. Ísis dipõe do poder mágico que Geb, o Deus da Terra, lhe ofereceu para poder proteger o filho Hórus. Ela pode fechar a boca de cada serpente, afastar do filho qualquer leão do deserto, todos os crocodilos do rio, qualquer réptil que morda. Ela pode desviar o efeito do veneno, pode fazer recuar o seu fogo destruidor por meio da palavra, fornecer ar a quem dele necessite. Os humores malignos que perturbam o corpo humano obedecem a Ísis. Qualquer pessoa picada, mordida, agredida, apela a ísis, a da boca hábil, identificiando-se com Hórus, que chama a mãe em seu socorro. Ela virá, fará gestos mágicos, mostrar-se-á tranqüilizadora ao cuidar do filho. Nada de grave irá lesar o filho da grande Deusa.

Ísis aparece em na nossa vida para dizer que é hora de meditar. Você tem desperdiçado sua energia maternal sem guardar um pouco para si mesma? Sua mãe lhe deu todo o amor que você precisou? Pois agora é tempo de você se dar "um colo" para curar as mágoas do passado. Todos nós precisamos de cuidados maternos, independente de sermos donzela, mãe ou mulher madura.

ARQUÉTIPO DA MÃE-NATUREZA


Ísis, Deusa da lua, também é Mãe da Natureza. Ela nos diz que para este mundo continuar a existir tudo que é criado um dia precisa ser destruído. Ísis determina que não deve haver harmonia perpétua, com o bem sempre no ascendente. Ao contrário, deseja que sempre exista o conflito entre os poderes do crescimento e da destruição. O processa da vida, caminha sobre estes opostos. O que chamamos de "processo da vida", não é idêntico ao bem-estar da forma na qual a vida está neste momento manifesta, mas pertence ao reino espiritual no qual se baseia a manifestação material.

Com certeza, se a morte e a decadência não tivessem dotados de poderes tão grandes quanto as forças da criação, nosso mundo inteiro já teria alcançado o estado de estagnação. Se tudo permanecesse para sempre como foi primeiramente feito, todas as capacidades de "fazer" teriam sido esgotadas há séculos. A vida hoje estaria hoje totalmente paralisada. E, assim, inesperadamente, o excesso de bem, acabaria em seu oposto e tornar-se-ia excesso de mal.

Ísis, tanto na forma da natureza, como na forma de Lua, tinha dois aspectos. Era criadora, mãe, enfermeira de todos e também destruidora.

O nome Ísis, significa "Antiga" e era também chamada de "Maat", a sabedoria antiga. Isto corresponde a sabedoria das coisas como são e como foram, a capacidade inata inerente, de seguir a natureza das coisas, tanto na forma presente como em seu desenvolvimento inevitável, uma relação à outra.

O VÉU DE ÍSIS

O traje de Ísis só era obtido através da iniciação, era multicolorido e usado em muitos cerimoniais religiosos.

O véu multicolorido de Ísis é o mesmo véu de Maias, que nos é familiar no pensamento hindu. Ele representa a forma sempre mutante da natureza, cuja beleza e tragédia ocultam o espírito aos nosso olhos. A idéia é a de que o Espírito Criativo vestia-se de formas materiais de grande divindade e que todo o universo que conhecemos era feito daquela maneira, como a manifestação do Espírito do Criador.

Plutarco expressa essa idéia quando diz:"Pois Ísis é o princípio feminino da natureza e aquela que é capaz de receber a inteireza da gênese; em virtude disso ela tem sido chamada de enfermeira e a que tudo recebe por Platão e, pelo multidão, a dos dez mil nomes, por ser transformada pela Razão e receber todas as formas e idéias".

Um hino dirigido a Ísis-Net exprime essa mesma idéia de véu da natureza que esconde a verdade do mistério dos olhos humanos. Net era uma forma de Ísis, e era considerada como Mãe-de-todos, sendo de natureza tanto masculina como feminina. O texto em que esse hino está registrado data de cerca de 550 a.C., mas é provavelmente muito mais antigo.

Salve, Grande Mãe, não foi descoberto teu nascimento!
Salve, Grande Deusa, dentro do submundo que é duplamente escondido, tu, a desconhecida!
Salve, Grande divina, não foste aberta!
Ó, abre teu traje.
Salve, coberta, nada nos é dado como acesso a ela.
Venha receber a alma de Osíris, protege-adentro de tuas duas mãos.

O véu de Ísis, tem também significados derivados. Se diz que o ser vivo é pego na teia ou véu de Ísis, significando que no nascimento o espírito, a centelha divina, que está em todos nós, é preso ou incorporado na carne. Significa dizer, que todos nós ficamos emaranhados ou presos na teia da natureza. Essa teia é a trama do destino ou circunstâncias. É inevitável que devamos ser presos pelo destino, mas freqüentemente consideramos este enredamento como infortúnio e queremos nos libertar dele. Se aceitarmos esta situação de o ser vivo estar preso a teia de Ísis, acabaremos encarando a trama de nossa vida de maneira diferente, pois é somente deste modo que o espírito divino pode ser resgatado. Se não fosse aprisionado desta forma, vagaria livremente e nunca teria oportunidade de transformar-se. Portanto, o espírito do homem precisa estar preso à rede de Ísis, caso contrário, não poderá ser levado em seu barco para a próxima fase de experiência.

DANÇA SAGRADA DOS SETE VÉUS

"Vê-la dançar é participar da força criadora que vibra no Cosmos; massa negra e pulsante explícita nos olhos e cabelos de Jhade. (...) Mãos se elevam em serpente e cortantes transformam em som o poder telúrico de seu ventre. Que os sons, manifestos em seu corpo, subam de encontro com o Eterno e sejam ouvidos além do tempo." (por W. Hassan)

A Dança dos Sete Véus tem sua origem em tempos remotos, onde as sacerdotisas dançavam no templo de Isis. É uma dança forte, bela e enigmática. Ela também reverencia à vida, os elementos da natureza, imita os passos dos animais e das divindades numa total integração com o universo. O coração da bailarina é tão leve quanto a pluma da Deusa Maat e é exatamente por isso que os véus são necessários, pois é deles que os deuses se servem para sutilizar o corpo da mulher. Os véus de Ísis, ao serem retirados, nos transmitem ensinamentos. Quando a bailarina usa dois véus, ao retirá-los nos diz que o corpo e espírito devem estar harmonizados. A Dança do Templo, que é usado três véus, homenageia a Trindade dos deuses do Antigo Egito: Ísis, Osíris e Hórus. A Dança do Palácio, com quatro véus, representa a busca da segurança e estabilidade e ao retirá-los a bailarina nos demonstra o quanto nos é benéfico o desapego das coisas materiais. Na Dança dos Sete Véus, cada véu corresponde a um grau de iniciação.

Os sete véus representam os sete chakras em equilíbrio e harmonia, sete cores e sete planetas.Cada planeta possui qualidades e defeitos que influenciam no temperamento das pessoas e a retirada de cada véu representa a dissolução dos aspectos mais nefastos e a exaltação de suas qualidades.

Significado das cores:

Vermelho: libertação das paixões e vitória do amor
Laranja: libertação da raiva e dos sentimentos de ira
Amarelo: libertação da ambição e do materialismo
Verde: saúde e equilíbrio do corpo físico
Azul : encontro da serenidade
Lilás: transmutação da alma, libertação da negatividade
Branco: pureza, encontro da Luz.

Toda mulher deixa transbordar seu essência através da dança. Todas aquelas emoções reprimidas, sentimentos esquecidos, afloram. Toda e qualquer mulher que consegue penetrar nos mistérios e ensinamentos dessa prática, se revelará de forma pura e sublime e alcançará o êxtase ao dançar.

Dançar é minha prece mais pura
Momento em que meu corpo vislumbra o divino,
Em que meus pés tocam o real
Religiosidade despida de exageros,
Desejo lascivo, bordado de plenitude
Através de meus movimentos posso chegar ao inatingível
Posso sentir por todos os corpos,

abraçar com todo
o coração,
E amar com os olhos
Cada gesto significativo desenha no espaço o infinito,
Pairando no ar, compreensão e admiração
Iniciar uma prece é como abrir uma porta
Um convite a você, para entrar em meu universo
O mágico contorna minha silhueta, ao mesmo tempo
Que lhe toco sem tocar
Nada a observar, só a participar
Esta prece ausente de palavras
É codificada pela alma
E faz-nos interagir, de maneira sublime e hipnótica
Quando eu terminar esta dança,
Estarei certa de que não seremos os mesmos.

RITUAL DE ÍSIS PARA A LEALDADE

Você pode usar esse ritual para pedir à Ísis que reforce sua lealdade se se sentir tentada (o) a trair a confiança de alguém, ou para pedir que outra pessoa lhe seja leal.

Deve sempre ser realizado pela manhã e se possível imediatamente ao levantar-se da cama. Necessitará de uma granada, a pedra preciosa que simboliza a lealdade. A pedra pode estar solta ou presa em alguma jóia.

Acenda uma vela branca e coloque à sua frente. Suspenda a vela em frente a vela, de maneira que brilhe à luz da chama. Enquanto observa a luz brilhando através da granada, pense em tudo que necessitas fortalecer no sentido da lealdade.

Imagine você, ou a pessoa que a(o) preocupa, em uma situação que possa trair a confiança. Pense que você, ou essa pessoa, resistem ao impulso. Por exemplo, pode visualizar uma situação em que um amigo pede para revelar um segredo, porém você resiste, dizendo:

"Não, não posso lhe dizer".

Agora coloque a granada em seu bolso e use-a como jóia até que sinta que a ameaça da deslealdade tenha passado.


TEXTO PESQUISADO E
DESENVOLVIDO POR ROSANE VOLPATTO