"E aqueles que pensam em Me procurar, saibam que a vossa busca e vosso anseio devem beneficiar-vos apenas se vós souberdes o Mistério; se o que vós procurardes, vós não achardes dentro de vós mesmos, então nunca encontrarão fora. Pois eu tenho estado convosco desde o Início e Eu Sou Aquela que é alcançada ao final do desejo"
domingo, 11 de dezembro de 2011
BENDITA SEJA A DEUSA, ELA ESTÁ NO MEIO DE NÓS
Tudo bem que é meio período mas vale, qualquer um centavo que cair no meu bolso serve...Daqui a pouco eu vou acertar os tramites com um dos funcionarios da biblioteca pública...Estou me ardendo de felicidade...Provavelmente não chegarei a ganhar muita coisa e eu nem tenho ceteza se vai dar pra trabalhar aqui mesmo mas só a proposta me deixa nas nuvens...Rezem por mim.
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
TOLAMENTE, MENTE

Eu sinto a ferida
Que a chibata da vida me dá
sinto sua ferida de amor ardendo em minha alma
Eu vejo e sinto as pessoas e suas vidas
sinto a vida que percorre o corpo com seus sentidos
Mas é impossível recuperar, reconstruir o sentimento conquistado
Me delego a relata-lo, mesmo que de maneira tola
O sentimento pulsa e se retrai
Assim como a vida do molusco
Que pousa na concha e se retrai
Ao sentir os pulsos do mar
Mulher-Amor, vida pulsante e latente
Força que vai me percorrendo e me tomando toda
Sou a rebatada por ti o Mãe num extase e paixão eterna
E na noite mais sombria somos uma só
A Vida que percorre o corpo e a vida do mundo não estão separadas
Vivemos e somos um mesmo ente
E este é um sentimento que não mente
Uma vida que domina meu corpo, minha alma
E Minha Mente,
E quem mente ao amor?
Ao corpo calido que quente suspira no seu anseio
Hoje busco os braços da minha Mãe
No mais afetuoso devaneio
Não, não são sonhos que costroem a vida
E sim a Mãe-Vida que constroi os sonhos
Não é o sonho sonhado, uma coisa real
Como pode não ser real
Mais um devaneio do Vir a Ser
Vida é real, eu acredito
Eu acredito.
domingo, 16 de outubro de 2011
DE QUANDO EM VEZ ME DÁ CANSAÇO...
Não há em mim nenhuma palavra importante a ser dita no momento
Não há em mim nenhuma palavra de sabedoria ou conforto para que possa te ajudar
Não há em mim nenhuma palavra cósmica mensagem de cristo ou de qualquer mestre que seja ou especial que possa dizer
Tudo que sou é a uma sacerdotisa da Terra
E mesmo isso não sou eu totalmente
Eu sou mais
Eu sou a minha alma e o meu momento
Eu sou a minha própria busca e a minha própria verdade
Agora se vois sois corajosos
Buscai dentro de seu coração
E lá encontrara a sua
Eu sou minha alma
Eu Sou Eu.
E sou todas as coisas
Da Terra e do Mar
Sou uma filha da Deusa
E isso é tudo que hoje tenho para dizer
domingo, 14 de março de 2010
(republicado)
Cansa me tua falsa poesia que impede teu coração de beber verdadeiramente da fonte das palavras, cansa me teu narcisismo prosaico à maneira que se distancia de um real aprofundamento no ser ou tuas teorias sincréticas à respeito da Vida e da Morte.
Hoje e só hoje queria que tu (eu) falasse de uma maneira prática sem ser no entanto falsa como é de comum que se chega as massas.
Cansei de tua sabedoria esporádica meu eu, aonde teus conhecimentos se perdem por entre abjures e livros sem nada iluminar do meu verdadeiro caminho.
Isto porque somos mulheres parecidas e quase iguais eu tu , tu e eu.
Não falo isto para te magoar Tanto que o titulo dessa carta poderia ser "A quem interessar" e qualquer um que lesse automaticamente teria de me perdoar por se destinar a todos e não apenas um ser.
Mas porque te amo te poupo destas palavras e dos meus cansaços e me finjo de alegre face a minha amada.
Tua palavra cansa, deixa me divagar e sentir.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
FORÇAS
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
MÉMORIAS DE UMA MULHER IMPOSSÍVEL
Um dia
quando eu tinha quinze anos
vi uma plantinha no meio da estrada
não era nem uma flor e era negra
Os carros passavam por cima dela
E os caminhões
Eu quis arrancá-la com todo o carinho
para que ela vivesse
Cheguei a me deitar na estrada
Quase morri atropelada
mas não consegui arrancar a plantinha
E os carros continuavam passando
E ela ali. Viva
Hoje sei que foi ela
a coisa mais deslumbrantemente bela
que já vi
Ela era a própria vida
porque havia atravessado o impossível
(1999)
Mémorias de Uma Mulher Impossível - Rose Marie Muraro
Editora Rosa dos Tempos
BRUXA = A MULHER SÁBIA
Não se sabe a exata origem das Bruxas, constam relatos de que elas existam desde os primórdios da humanidade. Há duas teorias para a existência de tais seres:
1) As práticas de bruxaria envolvem rituais simbólicos desde os tempos neolíticos. A primeira demonstração da arte de devoção foi encontrada em cavernas do período neolítico, onde havia ilustrações dos rituais de adoração às deusas da fertilidade dos povos primitivos.
Dessa forma, as experiências visionárias, rituais de caça e cerimônias de cura sempre estiveram presentes nos símbolos e metáforas de cada cultura. Na Grã-Bretanha as sacerdotisas druidas estavam divididas em três classes. As que viviam em conventos num regime de celibato eram as da classe mais alta. As outras duas classes, que eram das sacerdotisas, podiam se casar e viver nos templos ou com os maridos e família. Com a era do cristianismo, foram denominadas “Bruxas” e perseguidas por muito tempo.
2) Durante a Idade Média toda e qualquer mulher que conseguia poder, passavam gradativamente a ser considerada bruxa. Bruxa em sânscrito significa “mulher sábia”. As bruxas eram denominadas sábias, até a Igreja lhes atribuir o significado secundário de mulheres dominadas por instintos inferiores.
Sem mito algum, as bruxas eram apenas mulheres que conheciam e entendiam do emprego de ervas medicinais para cura de enfermidades, e colocavam em prática seus conhecimentos nos vilarejos onde habitavam.
Com a chegada do Cristianismo, começando a imperar a era patriarcal, as mulheres foram colocadas em segundo plano e tidas como objetos de pecado utilizados pelo diabo.
Muitas mulheres não aceitaram essa identificação e rebelaram-se. Essas, dotadas de poder espiritual, começaram a obter novamente o prestígio que haviam perdido o que passou a incomodar o poder religioso. Assim acusar uma mulher de bruxaria ficou fácil, bastava uma mulher casada perder a hora de acordar, que o marido a acusava de estar sonhando com o demônio.
Perseguição às bruxas
Durante o século X e XII as bruxas ressurgiram, nesse período realizaram vários processos contra elas, promovidos pelo poder civil. No entanto, tal questão veio assumir um aspecto dramático a partir do século XIV, momento em que a Igreja Católica implantou os tribunais da Inquisição com o intuito de reprimir, tanto a disseminação das seitas heréticas como a prática de magia e outros comportamentos considerados pecaminosos. Nesse período, o fenômeno se caracterizou como manifestação coletiva, de profunda repercussão no direito penal, na vida religiosa, na literatura e nas artes. Dessa forma, para que a repressão fosse eficaz, os tribunais de Inquisição se proliferaram, e os processos aumentaram rapidamente.
Segundo os teóricos do assunto, a epidemia de bruxas ocorreu nos séculos XVI e XVII, no norte da França, no sul e oeste da Alemanha e em especial na Inglaterra e na Escócia, a perseguição às bruxas foi metódica e violenta. Os colonizadores ingleses levaram esse procedimento para a América do Norte, onde, em 1692, ocorreu o famoso processo contra as bruxas de Salém, em Massachusetts. Normalmente, acusavam-se as bruxas velhas, e com menor freqüência as jovens.
A maioria das acusações se referia a malefícios contra a vida, a propriedade e a saúde. Também constavam denúncias de pactos com o diabo. Segundo as denúncias, as bruxas montadas em vassouras voavam pelos ares e se reuniam em lugares inabitados para celebrar a satanás e entregar-se a orgias. O iluminismo do fim do século XVII e do século XVIII, que era caracterizado pelo espírito científico e pelo racionalismo, contribuiu para o fim desse processo e para que não mais se admitisse perseguição judiciária em casos de superstições populares.
outras informações:
Idade Média - O inicio da perseguição as bruxas.
Idade Moderna - O apogeu da perseguição as bruxas
Por Eliene Percília
Equipe Brasil Escola IN: http://www.brasilescola.com/historia/bruxas.htm
PEQUENA ORAÇÃO

quarta-feira, 28 de setembro de 2011
EXPERIÊNCIA INTRÍSECA

“A destruição do tecido social é antes de tudo a destruição da relação mãe-filha, sendo esse o sustendo de toda a urdidura humana, e compreender isso é compreender que essa má relação mãe-filha é a interiorização básica, e mais profundamente arraigada dentro do sistema…”
Casilda Rodrigañez Bustos
Creio na Sabedoria da Mulher e da Deusa como uma experiência intrínseca na mulher madura.
E isso não se compra em pacotes, workshops, nem em livros...Não, não são as leituras, não são os rituais, não são os nossos meros desejos que a fazem ser real nas nossas vidas, mas a nossa consciência alargada, integrada, e a abrangência da alma e do espírito, noutro plano, um plano mais elevado ou triplico (corpo alma e espírito), que nos fazem entender o aparentemente contraditório da natureza humana e da mulher...Mas só aí nos libertamos das nossas contradições e opostos sempre em conflito. Isso não quer dizer que se não viva a alegria e dor a decepção e a esperança ou a mágoa e o prazer...mas já não é o mesmo nem é derradeiro ou exclusivo...A alegria e dor serão sempre espectros da experiência humana, mas a consciência pode colocar-nos acima desse conflito...e é aí que entra a alma...A Visão imparcial da Deusa…
Não julgo ninguém, nenhuma mulher, mas não podemos andar sempre a esgatanharmo-nos por simples discordâncias...Principalmente vejo que não sabemos respeitar as nossas diferenças...seja de idade, seja de posição...Não vemos as três deusas em dinâmica nas nossas vidas e as suas respectivas posições que se complementam...Não vemos que cada cada uma reflecte um aspecto do conhecimento da Deusa em si e em nós...As três fases da vida da Mulher…e vejo que não há ainda respeito pela mulher mais velha sem que a mais nova não venha dizer que não há hierarquias...entre mulheres. É como na família, a avó a mãe e a filha...é só isso...mas hoje queremos que seja tudo igual e democrático...E atiramos as nossas experiências á cara umas das outras como se só a nossa fosse válida e verdadeira. Não abrimos espaço para a diferença. Estamos eivadas do vício da sociedade patriarcal que nos dividiu e nem damos por isso…tornamo-nos revolucionárias e não evolucionárias…
Pessoalmente sinto-me ferida na minha idoneidade, mas notem, não é por ninguém em especial, nenhuma de vocês em particular...de forma alguma...é pelos pressupostos, pelas misturas, pela confusão que geramos entre nós mas nenhuma é a culpada nem causadora de nada...é assim que as coisas ainda são...estamos impregnadas dos valores do Sistema, de valores que ainda nos aprisionam…
Vamos acabar com a CULPA E COM O ERRO…
Vamos trabalhar em nós e ouvindo as outras…aprender a escutar…não apenas a argumentar…a fazer valer os nossos direitos e igualdades…
O problema maior para mim e por onde devemos começar a trabalhar é na nossa relação com a nossa Mãe…ou com a nossa filha…Porque é aí que o sistema nos destruiu na nossa união básica e ancestral...e porque enquanto não resolvermos a nossa relação com a mãe ou a filha...inflaccionamos tudo com essa guerra que trazemos dentro de nós e revoltamo-nos contra todas as que não se situam no nosso ângulo de visão. Eu não nego nada nem nenhum ângulo, apenas só devo falar do meu como complemento...não estou contra as mais novas...nem contra as mais velhas – todas temos o nosso campo de experiência muito válido, não podem é atirá-lo à cara das outras como sendo o único…e digo isto por MIM...para mim!
Por mim sim, apenas gostava que nos respeitássemos mais dentro das nossas características...como uma mãe uma filha ou uma irmã...
Sejamos nós ou representemo-no a nós como a filha, a mãe ou a velha…
sábado, 24 de setembro de 2011
OUVE-ME
Ouve me pois já bate a nona hora e neste insano horario sinto todos os meus pelos se arrepiarem, a um arrepio em mim.
Ouve pois por um momento andando na casa vazia, neste templo desolado, a noite senti que havia um mal me consumindo em fúria por dentro. Uma força, uma sensualidade e uma angustia assolam o meu peito, sinto me como uma mulher em chamas.
Ouve pois não posso ser pois o ser não existe e é apenas uma ilusão. Somos apenas reflexos da alma e da mémoria do mundo.
Ouve me pois, Cassandra, eu bem não te dizia quer ser e sentir são coisas diferentes se bem que não em separado.
Pois me ouve e deixa me contar minha mitologia insana.
Não Cassandra não foi a Roma que viestes. Viestes a Hera, a Grande Mãe que me interdita, pedir conselho. Pois agora me ouve e fuja deste santuário pois os traidores da Deusa já o estão a invadir e eles vem de toda parte.
Ouve me e busque-a na floresta e em seu intimo como faziam nossos antepassados.
Não construa templos de pedra pois a Deusa os derrubara do alto do seu trono sagrado.
Vai e passa essa mensagem as outras:
O Templo da Deusa deve ser vosso coração.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
NÃO, NÃO MEU CARO LEITOR...EU JAMAIS ABANDONAREI O CULTO DA RAINHA DOS CÉUS
“Vieira da Natividade acrescentou às referências da procissão das Candeias na Ataíja: “Por uma tradição cujas origens não atingimos, em todas as casas se fazem filhozes. É como uma prece, um voto à patrona dos olivais que se faz em toda a região serrana. Diz-se que “quem não tem (farinha) que fritar, frita folhinhas de oliveira”. Este costume das mulheres fazerem filhozes a 2 de Fevereiro, era comum às regiões envolventes. Foi uma homenagem à Deusa-Mãe da Natureza. A Senhora do Fetal (Batalha), é festejada com candeias e também com “cavacas” (bolos de açúcar). Já a Astarté fenícia, que tinha o título de Rainha dos Céus, era cultuada com bolos pelos cananitas (fenícios) e pelos judeus da Grécia e do Egipto em favor da agricultura, no século VII a. C. O livro bíblico de Jeremias, dessa época, até conta a azáfama da feitura dos bolos: “Os filhos apanham a lenha, os pais acendem o fogo e as mulheres amassam a farinha para fazer os bolos à Rainha dos Céus, tudo isto para ofender Yaveh”.Perante isto, o profeta escreveu uma carta aos maridos para que eles impusessem a disciplina religiosa às mulheres. Mas eles, reunidos em assembleia, responderam ao profeta: “Quanto à mensagem que nos mandaste, sobre as ordens de Yaveh (no que toca aos bolos à Rainha dos Céus), nós nem te queremos ouvir. Pelo contrário: continuaremos a fazer como os nossos pais fizeram. No tempo deles havia pão com fartura, eram felizes e sem nenhuma desgraça. Desde que deixámos de oferecer bolos à Rainha dos Céus, começámos a faltar de tudo e morremos pela espada e pela fome.”*
*citando Franz Cumont, “Las Religiones Orientales y el Paganismo Romano”, Madrid, Akal Universitária, 1987
in “Cinco Mil Anos de Cultura a Oeste”, Moisés Espírito Santo, Assírio & Alvim, 2004
O CORAÇÃO DE LILITH
(Coração de Lilith)
Ela veio das sombras do mundo ideal
O anjo negro do lado negro do amor
Atravessando o mar de lágrimas
Um milhão de anos
Venha com ela e dance na luz da lua
E você estará perdido desse mundo para sempre
Ponha sua mão na mão dela
Venha e voe agora com os anjos
Eleve-se novamente agora como a fênix
Seu o amor que vive para sempre
No coração que nunca morre, nunca morre
Coração de Lilith!
Venha e afogue-se no lago da sua paixão
Venha e morra assim você pode renascer
Ouça a canção da sereia
Ouça o chamado do anel da morte
Ela é uma bruxa, uma sereia e uma vampira
Ela veio das estrelas distantes
Para capturar seu coração
Para quebrar seu coração
Venha agora e voe com os anjos
Eleve-se novamente agora como a fênix
Seu o amor que vive para sempre
No coração que nunca morre, nunca morre
Coração de Lilith!
Venha e beije, beije os lábios de Lilith
Venha e beije e você não mais irá
Sentir o fogo
Do desejo
Venha agora e voe com os anjos
Eleve-se novamente agora como a fênix
Seu o amor que vive para sempre
No coração que nunca morre, nunca morre
Coração de Lilith!
Venha agora e voe com os anjos
Eleve-se novamente agora como a fênix
Seu o amor que vive para sempre
No coração que nunca morre, nunca morre
Coração de Lilith!
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
O LEGADO DO DIVINO FEMININO
Culto da Deusa ao longo dos tempos
Evidências arqueológicas e históricas revelam e comprovam que a mulher foi o centro de vida humana e espiritual durante milênios. Em todas as culturas antigas do mundo inteiro encontram-se representações da Deusa como a Criadora Divina. A mulher – como Sua representante na Terra – era reverenciada pela sua habilidade de gerar do seu sangue menstrual uma nova vida, criando o alimento do recém-nascido do seu próprio corpo, bem como pela sua criatividade, que resultou de inúmeras invenções e descobertas. A sintonia do ciclo com as fases da lua simbolizava a sua estreita conexão com a Deusa lunar, enquanto a sua facilidade em perceber os sinais cósmicos, em se comunicar com as forças da natureza ou com os espíritos ancestrais lhe conferia papel essencial nos cultos e nas práticas espirituais.
A representação do Criador por uma figura masculina é um fenômeno recente na história da humanidade, pois durante pelo menos 35.000 anos Deus foi representado como sendo mulher. Para compreendermos melhor esta ousada afirmação (o que para muitos parece uma blasfêmia ou heresia), precisamos voltar no tempo e no espaço, aos primórdios da humanidade, antes do Verbo, quanto existia somente a Mãe.
(...) Após os períodos paleolítico, que durou mais de 30.000 anos, e neolítico, cuja duração foi em torno de 10.000 anos, ocorreu a grande mudança que substituiu as sociedades de parceria por sistemas sociais de dominação, violência e autoritarismo hierárquico e patriarcal.
(...) As civilizações e as culturas milenares da Deusa foram mutiladas, seus templos e estatuetas destruídos e os mitos e lendas modificados e deturpados. Tornou-se necessário estabelecer uma nova hierarquia divina para justificar a inferiorizarão e subordinação das mulheres. A Deusa foi relegada cada vez mais à condição de esposa, amante, mãe ou filha dos novos deuses masculinos, senhores da guerra, dos raios e dos relâmpagos. Não só a Deusa não era mais a Mãe Suprema, como também foi transformada em padroeira da guerra. A Grande Mãe foi dicotomizada na Mãe Boa que dava a vida e a alegria e na Mãe Terrível que trazia destruição e morte, diversificada em várias deusas guerreiras. Estas deusas não defendiam as mulheres, nem as inspiravam para afirmarem sua independência. Elas apoiavam e fortaleciam os guerreiros, sendo poe eles invocadas antes dos combates. Athena, Durga, Morrigan, as Amazonas e outras deusas guerreiras da Europa, Ásia, África, América são criações mitológicas recentes, distorcendo suas antigas funções. As deusas guerreiras não representam aspectos imanentes da Grande Mãe, mas arquétipos da violência dos deuses masculinos e do modelo recente do guerreiro.
Até mesmo a sabedoria representada pela face Anciã da Grande Mãe passou a ser atributo do Deus Pai, como foi descrito na versão patriarcal do nascimento de Athena, não mais do ventre da sua mãe Metis, a deusa pré-helenica da sabedoria, mas da cabeça do seu pai Zeus, Senhor absoluto do Olímpo grego. Em outros mitos, a deusa passou a ser assassinada pelo seu filho que assume o seu poder ou humilhada pelo estrupo, aceitando a submissão.
(...)
(...) Por volta do ano 200 a.C. todas as imagens ligadas ao Divino Feminino tinham desaparecido, a grande biblioteca de Alexandria foi queimada pelos cristãos, e filósofas como Hipácia, torturadas pelos monges cristãos, que alegavam que as fêmeas não podiam ensinar aos homens, por contrariarem as leis de Deus. Tudo o que levasse o rótulo de feminino era considerado inferior, perigoso e precisando ser dominado, controlado ou eliminado. Negava-se até mesmo a existência da alma na mulher, considerada a origem de todos os males, causadora da expulsão do Paraíso e do sofrimento da humanidade...
(...)
O retorno da Deusa
A mudança da condição da mulher pela sua emancipação intelectual, social e política permitiu o reconhecimento e a aceitação e reintegração dos valores ditos femininos em todas as áreas da vida humana. Este processo está favorecendo a manifestação do Sagrado Feminino, como uma fonte de renovação para os indivíduos e a sociedade.
A redenção do feminino diz respeito tanto à mulher quanto ao homem. A excessiva ênfase no masculino manifestada por meio do pensamente racional, analítico e científico levou a humanidade a atitudes antiecológicas. Uma nova consciência ecológica surgirá tão somente quando acrescentarmos uma compreensão intuitiva e uma conexão espiritual com a Natureza. Lembrando o antigo mito e a moderna teoria de Gaia, poderemos realmente sentir, ver e reverenciar Terra como um organismo vivo, unindo os elementos, as forças da Natureza, os seres de todos os reinos e os homens rumo ao Divino.
Para que os valores femininos possam ser plenamente vividos são necessárias profundas mudanças em todas as áreas (social, políticas, educativa, familiar, cultural, econômica e espiritual). Pelo fato de as mulheres terem sido “alimentadas” apenas por imagens masculinas do Divino ao longo dos últimos 3.000 anos, é imprescindível o reconhecimento, a aceitação, a divulgação e a integração do Sagrado Feminino, buscando nos antigos mitos, lendas e tradições da Deusa as manifestações e o respaldo do eterno princípio divino feminino.
Encontrando sua Deusa Interior, as mulheres encontram a si mesmas, reconhecendo e aprendendo como usar seu poder sagrado e a sua sabedoria ancestral. O arquétipo da Grande Mãe nas suas múltiplas manifestações está no nosso inconsciente – individual e coletivo. Ao encontrá-lo, começaremos a lembrar nosso próprio inicio, o contato inicial e a presença amorosa e protetora da nossa mãe carnal, acessando assim a Mãe Divina. Por intermédio de sonhos, rituais, meditações e visualizações poderemos explorar nossos registros inconscientes, expandindo nossa consciência e vivendo melhor o nosso mito pessoal.
O reconhecimento do sagrado Feminino não é apenas um problema particular ou uma busca individual de algumas mulheres, ma sim de toda a humanidade. Trata-se da integração de todo o ser humano aos valores inerentes à natureza humana, unindo os princípios masculino e feminino, emoção e razão, Eros e Logos, amor e poder, para vencer a grande ilusão da separação e o dogma ultrapassado da dualidade.
Para que haja realmente uma nova era planetária, com uma nova mentalidade e consciência, é preciso usar a força feminina do amor para abrir mentes e corações. O amor à vida, ao próprio Eu, aos outros, aos animais e plantas, a todas as formas de vida, à Terra, à Grande Mãe.
Emerge da sabedoria e compaixão do Sagrado Feminino essa visão do amor todo abrangente e poderoso, que reformula os antigos sistemas de crenças, conceitos, ideologias, comportamentos, em busca de um novo mundo, sem hierarquia, competição ou dualidade, mas em amorosa e verdadeira parceria, realizando assim o casamento sagrado do Céu e da Terra, da Deusa e do Deus, da mulher e do homem.
· Mirella Faur (O Legado da Deusa, p.19,25,26,27,30,32,33)
ENCONTRADO in:
http://www.livros.cpecs.org/index_arquivos/Page312.htm