"E aqueles que pensam em Me procurar, saibam que a vossa busca e vosso anseio devem beneficiar-vos apenas se vós souberdes o Mistério; se o que vós procurardes, vós não achardes dentro de vós mesmos, então nunca encontrarão fora. Pois eu tenho estado convosco desde o Início e Eu Sou Aquela que é alcançada ao final do desejo"


terça-feira, 6 de outubro de 2015

SERÁ QUE UM DIA SEREI POETISA?

Meu coração está mais escuro do que noite
Meu coração sem música canta a mesma melodia sempre
Da mata ferida que se rasga no meu peito
Eu, que tanto esqueço de quem eu realmente Soul.

Eu canto como numa lenda
Sou uma moça presa numa cabaça
iluminada pelo lua e pelo sol
E meu canto, talvez belo, talvez horrível
Me comprime por dentro.

Eu quero romper a concha em que vivo
E cantar pra fora, fluir de dentro
A perguntas não respondidas
Vivo pelas respostas

segunda-feira, 28 de setembro de 2015


OS HOMENS, MALTRATARAM A NATUREZA MÃE 
DA MESMA MANEIRA QUE MALTRATARAM A MULHER...

“Os ciclos da natureza são os ciclos da mulher. A feminidade biológica é uma sequência de retornos circulares, que começa e acaba no mesmo ponto. A centralidade da mulher confere-lhe uma identidade estável. Ela não tem que tornar-se, basta-lhe ser. A sua centralidade é um grande obstáculo para o homem, cuja busca de identidade é bloqueada pela mulher. Ele tem que se transformar num ser independente, isto é, libertar-se da mulher. Se o não fizer acabará simplesmente por cair em direcção a ela. A união com a mãe é o canto da sereia que assombra constantemente a nossa imaginação. Onde existiu inicialmente felicidade agora existe uma luta. As recordações da vida anterior à traumática separação do nascimento podem estar na origem das fantasias arcádicas acerca de uma idade de ouro perdida. A ideia ocidental da história como movimento propulsor em direcção ao futuro, um desígnio progressivo ou providencial que atinge o seu apogeu na revelação de um Segundo Advento, é uma formulação masculina. Não creio que alguma mulher pudesse ter concebido tal ideia, já que a mesma é uma estratégia de evasão em relação à própria natureza cíclica da mulher, na qual o homem teme ser aprisionado. A história evolutiva ou apocalíptica é uma espécie de lista de desejos masculinos que desemboca num final feliz, num fálico cume”*
*Camille Paglia

Rosa Leonor Pedro IN: FACEBOOK

DOCEMENTE...

No meu fogo e no meu anseio eu não danço no seu tempo...
E sim no meu próprio
Na minha força e no rabisco de minhas palavras
Apenas minha voz dissonante poderá ser ouvida
Não como uma honrada exceção
Mas como uma coração-mulher-selvagem vibrando de vida
Como rosa ocre que arde no peito, aberta como ferida
Mas não ferida ainda, apenas um broto
Se espalhando pela relva de minha carne viva
Eu sou vida, inescrutável profunda imanente
Eu sou silêncio queda e abismo
Eu sou o encontro de quando se cai pra baixo

Não para baixo, mas para o centro
O eu de mim...

sábado, 26 de setembro de 2015

CORRIMÃO E ESCADA E ENTÃO ASCENSÃO...PRA BAIXO... NOTA DISSONANTE E ABISMO...

Eu sou uma só
Divida em quatro
Mais por três refletida numa imagem
No altar ante mim
Ela que Tudo Sabe
Nunca me abandona

Embora eu siga solitária nesse mundo...
Sou a copa da árvore
Fanática pela vida
Sou a crença dos pássaros
Sou o mergulhão na mata
Sou a cotovia na cidade
Sou...
Eu sou a essência da solidão
Uma mulher, uma flor branca no cabelo

Noite azul, sem sonhos
Not Dreams,
Uma mulher de vestido negro movimentando-se
Por casas vazias...Que esperam ser habitadas
Eu sou a casa vazia
A hora vazia fiando a roca da vida
Eu sou Vida vibrante na solidão que me enCendeia
Vibro e sei que o amor que me preenche
É maior que eu
Sou Filha da Senhora e sou grata pelo meu destino
Ainda que sofra vivo a vida.
Sempre falo do fogo

Porque grande parte de mim vive mergulhada
Em um intenso frio...
Ser e não ser são apenas codinomes

Para quilo que em mim vive
Ela vive, vive e pulsa em mim
E mais um vez eu sou a noite

Interminavel e sem sonhos
E esse, é maior sonho...

Gaia Lil

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

TEXTO DE UM HOMEM SÁBIO...

Gaia:

Vou partilhar com vocês um texto de um grande amigo...como mulher fico especialmente tocada quando percebo como um homem pode ter uma percepção profunda de si e do mundo a sua volta...



O Resgate do Masculino no Feminino.
- Por Sávio Costa.

Quando se fala em Sagrado Masculino, geralmente, a imagem que vem a cabeça é o resgate do homem perdido. O caçador selvagem, forte, arisco e sagaz, que mata para alimentar sua tribo ou o homem que luta em grandes batalhas para proteger seu povo. Quando se fala em RESGATAR o Sagrado Masculino, se fala não só do resgate do homem protetor, amigo, fiel, espiritual e respeitoso, se fala em ascender e aceitar o que existe de Sagrado em si.


 Assim como o Sagrado Masculino, a busca não é só pelo resgate do antigo homem e sim do Sagrado Feminino.
 Por longo tempo o homem se desrespeitou e se destacou da natureza e das mulheres, provando que sua masculinidade ou, melhor, o seu Sagrado Masculino se encontrava mais fora do que dentro, se encontrava na barba grossa, nos corpo másculo, na virilidade, na espada, no falo e em seu escudo. Sem contar o fato de que a maior fonte de glória masculina se encontrava nas batalhas vencidas e no poder adquirido. E não digo aqui que a somente o homem se destacou como ser ambicioso e mentalmente egoísta, mas muitas mulheres também. E isso só veio a ocorrer com o crescimento de povos patriarcais e gananciosos, onde demonstravam sua ‘’hierarquia’’ com a força e brutalidade contra os mais fracos.
 O fato é que ao meu entender, o homem começou a desprezar o poder do Feminino graças a ideias embutidas pelas sociedades, tanto atuais quanto antigas, a respeito da mulher e suas características sensíveis e, que aos olhos dos homens, demonstraria sempre a fragilidade do ser humano. A fraqueza da humanidade se encontraria, a partir de certo período, na mulher. Será?

 Enquanto o homem via e aceitava o seu Sagrado no corpo, na força, na brutalidade e nas batalhas, eram as mulheres responsáveis pela sabedoria, pela escrita, pela plantação e colheita, pela casa e por gerar a vida. Por mais que em antigas tribos indígenas e pós-indígenas as mulheres se mostravam as caçadoras e pescadoras, isso é visto e refletido nas Amazonas. O Sagrado Feminino não só se encontrava nesses ítens, mas sim também na própria capacidade de ser mulher, sensível e desprovida da brutalidade e força masculina. Sendo assim, a mulher sempre respeitou e, por incrível que pareça, encontrou a força em si mesma, a mulher sempre deixou acesa a Ideia da beleza feminina ser uma manifestação do Sagrado e da capacidade de gerar a vida através dos tempos, mesmo que o homem tivesse parte nesse quesito de criação de uma nova vida. Mas foi sempre a mulher responsável pela divisão sagrada entre essas vidas, pois sempre foi e sempre será a mulher capaz de dividir o mesmo corpo, o mesmo alimento e o afeto na hora de esperar, gerar e parir uma nova vida.

 Com a mudança de séculos, estabilidade do patriarcado e demonstração de hierarquia masculina nas sociedades, as mulheres foram suprimidas e obrigadas a abandonarem o que sempre foi a maior representação de sagrado e da vida... O Feminino.
Sendo assim, o homem começou a demonstrar que ser sensível e não ter gosto nas manifestações viris másculas era sinal de sensibilidade, que era atribuído as mulheres, fazendo do Feminino presente nos homens uma forma de incapacidade de vida social digna de desprezo.
 A maior questão é que o Sagrado Masculino, mesmo com as falhas e erros, continua a ser Sagrado e ainda está presente enquanto o Sagrado Feminino perdido está sendo resgatado por mulheres e homens, homens que observam o Feminino como forma de criação, manifestação interna e pessoal da Deusa e do envolvimento com a natureza. Mas quando se fala do Sagrado Masculino e seu resgate, se fala de resgatar o Feminino perdido em cada homem, resgatar o homem sensível, amável, compreensivo, artista, sábio e respeitoso. E enquanto o homem ver e aceitar o seu Sagrado apenas no Masculino exterior, jamais poderá encontrar o Feminino e o verdadeiro Masculino interior.
 Com a demonstração do resgate do Feminino vemos as mulheres mais atentas as mudanças corporais, ao desenvolvimento do sangue menstrual, ao ato de engravidar e parir, a beleza e o cuidado corporal, sua liberdade, a sua estabilidade financeira, profissional e física, sem tirar o fato de que com esse resgate do Feminino as mulheres se tornam mais propícias a esquecerem e cicatrizarem traumas cometidos em suas vidas pelo falso Masculino e o falho patriarcado.

 Por fim, poderia dizer que a busca e o resgate do Sagrado Masculino nada mais é, ao meu ver, que uma forma de resgatar e respeitar o Sagrado Feminino perdido dentro dos homens, o homem pai, amigo, companheiro, o homem que respeita as decisões do outros, o homem que sabe que cada manifestação na terra é uma manifestação do Divino, o homem que demonstra sua sensibilidade e seu carinho na arte, o homem que se cura de tristezas, decepções e feridas causadas por si mesmo ou pelo patriarcado como um todo.
 Poderia dizer então que o homem que não encontra e nem respeita o Feminino em si mesmo, não pode encontrar e nem respeita o mundo que respira e pulsa vida lá fora! Pois a Deusa se encontra em tudo o que existe, mesmo naquilo que foi perdido.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

O SANGUE ANCESTRAL DA MÃE DA MÃE DA MÃE...

ADN MITOCONDRIAL MATERNO E A SUA IMPORTÂNCIA COMO PROVA CIENTÍFICA DA ORIGEM DE UMA SOCIEDADE MATRIARCAL.

Maria De Lourdes de Oliveira Pinto:

*Em tempos, conversava com uma amiga, Rosa Leonor Pedro, sobre a bestialidade do homem e de todo o sistema patriarcal na tentativa de anulação do Princípio Feminino, responsável pela Criação de todo o Universo. Explicava-lhe que havia uma prova científica, que está a ser estudada e que indicia a existência de uma sociedade matriarcal original e que é o ADN mitocondrial, transmitido exclusivamente pela mulher de geração em geração, isto é, trata-se de um gene que é transmitido apenas através da linhagem materna, ao contrário do ADN dos cromossomas, que é herdado do pai e da mãe. Assim, as mitocôndrias são transmitidas unicamente pela mãe e a partir de uma mãe original, desde o início dos tempos, sendo todas nós mulheres suas decendentes. 
Hoje, após uma visita à Feira do Livro no Parque Eduardo VII, um livro chamou a minha atenção. Estou com ele entre mãos, e convosco partilho algo que liga as minhas postagens anteriores e a conversa acima citada:


 "Estudos antropológicos e sociológicos mostram que a maior parte das culturas são patriarcais desde há muito tempo. Uma das razões dadas para a dominação patriarcal seria a sobrevivência da espécie na qual todo o sistema educativo e normativo teria sido organizado para garantir aos homens fortes a sua paternidade.

A descoberta relacionada como ADN mitocondrial poderia ser o início de uma prova científica de um índice da cultura matriarcal que, por razões em parte ainda desconhecidas, teria sido subestituída por uma cultura patriarcal.

(...)

É bastante inquietante imaginar a possibilidade de que gerações de dominação masculina e de consentimento da mulher possam ter deixado vestígios tão profundos e indeléveis sobre o genoma humano.

No entanto, tudo indica que foi assim que as coisas aconteceram.

O fenótipo que age, geração após geração, sobre o património genotípico da população feminina teria conduzido as mulheres a adoptarem um comportamento "conveniente", ao falar ou vestir-se. o objectivo era fazer delas excelentes mães ( reprodutoras ) para ficar assegurada a paternidade do "macho dominante". Os meios empregados para chegar a este fim eram a força e o terror. Um pai ou um marido desrespeitado não hesitaria em usar de violência, repudiar ou matar.

Outro meio, também muito comum, relaciona-se com o facto de as mulheres não terem acesso aos estudos, por conseguinte não teriam acesso ao mercado de trabalho e à sua independência.

O objectivo era o de "produzir" descendentes sempre melhores, sempre mais eficiente e fiéis ao clã, que seriam provenientes de uma paternidade indiscutível, pouco importava o "preço a pagar" pelas mulheres."*

In O FEMININO REENCONTRADO - A Mulher na Jornada Interior

de Nathalie Durel Lima

*Cópia e Texto de Maria De Lourdes de Oliveira Pinto

IN; ROSA MATER (MULHERES E DEUSAS) - ROSA LEONOR PEDRO

Nota tardia:
Quero agradecer profundamente a Rosa pelo carinho e apoio que tem me dado ao longo deste tempo. Obrigada por me enviar este texto de sua amiga por email.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

A DEUSA VIVE NO JARDIM DAS HESPÉRIDES...

UM PROJETO ADMIRÁVEL, DA SACERDOTISA PORTUGUESA LUIZA FRAZÃO
  

 A VISÃO DO JARDIM DAS HESPÉRIDES

 
O Templo da Deusa do Jardim das Hespérides foi criado em fevereiro de 2013, dentro da energia do Imbolc, do acordar da Deusa Menina, tendo sido concebido durante a minha formação como sacerdotisa de Avalon. Com efeito o contacto que vou fazendo com a visão de Kathy Jones, fundadora do Templo da Deusa de Glastonbury/Avalon, e o resultado das minhas pesquisas no território e na tradição nacional sobre o Divino Feminino levaram-me a concluir que uma dimensão mítica existe no nosso território, à semelhança da Ilha de Avalon, igualmente governada por nove entidades ou princípios femininos, que aqui se chamam Hespérides e lá Morgens. Cotejando as duas tradições, a portuguesa e a britânica, verificamos que as semelhanças são tão evidentes que facilmente aceitamos teorias que postulam ter havido há milénios a partilha dum mesmo fundo cultural céltico.

Esta certeza levou-me a conceber uma Roda do Ano da Deusa nossa, dentro da estrutura criada por Kathy Jones em Glastonbury/Avalon, embora adaptada à nossa realidade. Tal Roda encontra-se em fase de elaboração. Ela pretende ser flexível, aberta a que novas entidades entrem e a que porventura outras mudem de lugar, dentro da dança leve, criativa e flexível da Deusa, bem diferente do dogma patriarcal, rígido e estático. O nosso afastamento da Natureza torna entretanto difícil a conexão com a energia das aves da Deusa do nosso território, por exemplo, embora a tradição tenha guardado algum desse conhecimento. O mesmo sucede com os outros animais sagrados, árvores e plantas. No entanto, considero vital para a nossa sobrevivência esta ressacralização da Natureza que a espiritualidade da Deusa desencadeia.





Criar este Templo implica cotejar duas tradições, a nossa e a britânica, que quiçá é herdeira da ibérica ou da do Arco Atlântico, segundo algumas correntes de investigação, mas que soube conservar melhor esses elementos e beneficiou na atualidade da visão e do empenho de mulheres como Marion Zimmer Bradley e Kathy Jones, entre várias outras. No nosso país, também há mulheres e homens que me inspiram, como Dalila Pereira da Costa, Fernanda Frazão e Gabriela Morais, para nomear apenas algumas, embora o seu propósito seja diferente do das nossas irmãs britânicas, mais académico do que devocional. Considero pertinente fazer-se a aproximação das duas culturas, outrora comuns ou muito próximas. O nosso Jardim das Hespérides, uma bolsa remanescente da antiga sociedade matrifocal neolítica que aqui nesta ponta da Europa se manteve até muito tarde, foi uma sociedade pacífica e florescente, e segundo Dalila Pereira da Costa, daqui irradiou para o mundo. Ele está pronto a ser reivindicado e ancorado, adaptado à realidade e consciência atuais, amorosamente substituindo estruturas patriarcais caducas e agonizantes. Trata-se dum sonho que te convido a sonhares comigo, condição de sobrevivência no mundo atual.


Este Templo pretende ser pois fiel à cultura do chamado Arco Atlântico, que é a nossa tradição, porventura herdeira da tradição atlante, nos moldes em que Kathy Jones a trouxe até nós na atualidade, adaptando-se todavia à nossa realidade e mantendo-se aberta às infinitas possibilidades que a Deusa nos irá apresentando. Ao ritmo possível, este Templo vai ganhando forma, e esta energia de transformação e de cura pelo empoderamento do Feminino vai ancorando na nossa realidade. E para isso a tua colaboração é fundamental.

 ©Luiza Frazão

A INSPIRAÇÃO DE AVALON




A DEUSA está viva em Glastonbury, visível para tod@s nós nas formas da Sua paisagem sagrada. Ela é suave como o arredondado dos montes do Seu corpo e doce como as flores das macieiras que crescem nos Seus pomares. Aqui sentimo-nos cada dia envolvidas pelo Seu amor e a Sua voz trazida pelo vento pode ouvir-se em permanência, o Seu sussurro atravessando as brumas de Avalon. Os Seus mistérios são tão profundos como o Caldeirão que  Ela mexe em permanência, conduzindo-nos até às Suas profundezas para depois nos elevar às Suas alturas. Ela é a nossa fonte, a nossa inspiração e o nosso Amor.


A nossa visão consiste em criarmos e mantermos um Templo da Deusa contemporâneo, aberto em permanência, dedicado à Deusa em Glastonbury e à sua contraparte fora desta dimensão, a Ilha de Avalon. O Templo da Deusa é um espaço sagrado aberto a tod@s, especialmente dedicado à descoberta e celebração do Feminino Divino. É um espaço sagrado onde podemos cultuar e honrar a Deusa de formas que podem ser antigas ou atuais e onde todo o tipo de amor por Ela é bem-vindo. No Templo da Deusa de Glastonbury celebramos as Deusas que estão particularmente ligadas a Glastonbury e à Ilha de Avalon. Avalon é uma terra mágica onde a Deusa está presente desde tempos imemoriais. Trata-se dum lugar de mistério e imaginação, um lugar onde podemos deixar ir o que é velho e acolher o novo em nós, novas formas de sermos e de vivermos. A divindade primordial relacionada com Glastonbury é a Senhora de Avalon (que é Morgan la Fey), as Nove Morgens, Brigit ou Bridie da chama sagrada, Modron, Grande Mãe da linhagem de Avallach, Nossa Senhora Maria de Glastonbury (Our Lady Mary), a Anciã de Avalon, a Deusa do Tor, Senhora dos Montes Ocos (Hollow Hills), Senhora do Lago e Senhora das Fontes e Poços Sagrados.”



Com estas palavras apresenta o Templo da Deusa de Glastonbury a sua visão e propósito no seu sítio da Net. São palavras que podemos aplicar aos propósitos do nosso Templo da Deusa do Jardim das Hespérides e de qualquer templo da Deusa que é urgente criarmos neste mundo de onde a Deusa primordial foi banida pela Sua incompatibilidade com propósitos patriarcais, entretanto em vias de nos destruírem enquanto civilização e planeta.

A nossa Avalon é o Jardim das Hespérides, espaço por excelência da Deusa Anciã, da Sábia Calaica-Beira, e de Ana, a Grande Mãe Ancestral, respiração espiritual desta terra. E das nossas Nove Irmãs, as Nove Hespérides que regem este espaço de uma outra dimensão como as Nove Morgens regem a Ilha de Avalon. Vão por certo dizer-me que as Hespérides não são nove, mas na verdade se o seu número varia de fonte para fonte, por que não considerar que também elas compõem aqui  aquele grupo primordial que o investigador Stuart MacHardy descobriu que existe espalhado pelos quatro cantos do mundo, as Nove Donzelas de que nos fala na obra “The Quest for the Nine Maidens”?
Se a Deusa está presente em Avalon desde tempos imemoriais, também aqui Ela se conservou no coração das mulheres, que deram à Virgem Maria e às inúmeras santas - a  forma que Grande Deusa teve de tomar para sobreviver ao Cristianismo - todos os atributos e qualidades das antigas Deusas, nem nos faltando os da Deusa da Sexualidade Sagrada, chamada aqui nada mais nada menos que Nossa Senhora dos Prazeres… Todo o nosso território está imbuído da Sua vibração, uns lugares é certo mais do que outros. Por todo o lado há capelinhas e capelas e igrejas - regra geral edificadas sobre locais outrora considerados sagrados pelo Paganismo - celebrando a Sua glória, a glória do Feminino Divino, e o Seu poder.

Pode parecer com isto que nos estamos a colar demasiado a uma tradição estrangeira, a uma tradição importada, mas a verdade é que, quando estudamos essa tradição, vemos que ela  tem muitas semelhanças com a nossa, dando razão às e aos investigador@s que defendem a Teoria da Continuidade Paleolítica, segundo a qual nós somos tão celtas como el@s, tendo  partilhado em tempos a mesma cultura, a do chamado Arco Atlântico, que compreende Portugal, Galiza, Bretanha francesa, Irlanda e Grã-Bretanha, e até que é possível que daqui ela tenha irradiado para o resto da Europa. Pelo menos… E não são apenas investigador@s nacionais a defender estas ideias...

©Luiza Frazão

Imagens Google

IN: TEMPLO DA DEUSA CALE

domingo, 31 de maio de 2015

A GRANDE CASA DE MINHA MÃE

Meu coração de fogo, sempre inspirando e tecendo força
Mãe Bruxa, Senhora dos campos e das colheitas, Mãe das Cidades
Acende tua luz brilhante, Única nas chamas de minha alma, arde em brasa
Sopre, sopre sobre a minha brasa tal qual soprará sobre minha mortalha
Pois es dona da minha morte e da minha vida

A Senhora é a minha Juno interna, o espírito divino e feminino que me Anima
Anima a chama a ardente do meu fogo, meu Juno, deito mel e leita a Terra
E faço oferendas a Ti o Mãe, porque minha alma nunca estará saciada de tua chama
Tu es mais que o fogo da luz, Tu es a imensidão das águas...
Tu es o oceano vasto que alivia e refresca a calor da alma feminina

Mergulhamos em ti Mãe primordial, filha e fruto da Terra
Rodamos na sua medicina, que é do amor para com tudo
Porque tudo nada mais é do expressão de ti, o mundo é teu corpo
E cada femea é tua profecia e cada ser humano carne de tua carne
Eu bebo de todas as copas na CASA DE MINHA MÃE
Eu como de todas as frutas e me sacio no seu Prazer
Que é meu prazer.

Mesmo na fúrio ou no ódio, medito sabendo que não me importa
O que aconteça sempre estou contigo
Mãe Negra, Rainha da Noite, Tão pesada de mistérios
Vive em mim tua chama ardente, tua tocha que tudo ilumina
Eu sou filha da Casa de minha Mãe
E como Sacerdotisa segura a tocha e a copa de teus santos mistérios.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

A MUDANÇA DO TÍTULO

NOTA; FIZ A MUDANÇA DO TÍTULO PARA DEIXAR EXPLÍCITO O FOCO DA PÁGINA E FUGIR A CONFUSÃO QUE SE FAZ ENTRE ESPIRITUALIDADE DA DEUSA E BRUXARIA...AS DUAS SE RELACIONAM MAS NÃO SÃO A MESMA COISA. ASSIM SENDO PRESERVO A BUSCA DA ALTA SACERDOTISA, QUE SERIA A IDÉIA DE UMA MULHER EM PLENA POSSO DOS SEUS DOMÍNIOS ESPIRITUAIS E DOU ENFASE A ESSA BUSCA NUM CONTEXTO DE SAGRADO FEMININO, DE FEMINITUDE PLENA E SADIA E SEM AS DISTORÇÕES POR VEZES PRESENTES NO NEO-PAGANISMO.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

SIMPLESMENTE UMA BRUXA...

CONSCIÊNCIA DA SIMPLICIDADE.


Quando uma (o) Bruxa (o) opta por viver dentro do sistema cósmico, cumprindo e fazendo cumprir as Leis que regem o Universo, isso significa que a “SIMPLICIDADE” já faz parte da sua vida e do seu cotidiano, não só de forma filosófica mas principalmente na prática.
Viver com simplicidade não significa viver com PRIVAÇÕES, muito pelo contrario; significa viver com abundância e prosperidade PARA O BEM DE TODOS, posto que: quanto mais temos mais partilhamos e mais recebemos de volta, é o GRANDE CIRCULO, A LEI DO RETORNO.
Viver com simplicidade significa fazer escolhas, tendo como principio a consciência do que realmente precisamos para viver, essas escolhas têm uma abrangência infinita, devem estar relacionadas à família, ao meio ambiente, a espiritualidade, a comunidade e especificamente ao caminho cósmico, ou seja, a família cósmica.

Começamos sempre pela FAXINA. Uma faxina na própria vida. Jogar fora tudo que não nos serve mais, começando pelos sentimentos e emoções e acabando com todas as tralhas contidas nos nossos espaços físicos que não usamos e vamos entulhando em cantos e armários.
Tomar consciência real do nosso TEMPO, e do Senhor Cronos na nossa vida e buscar estabelecer prioridades.
Procurar de forma sensata e leve colocar ORDEM nas contas e estabelecer metas para os gastos mensais, de forma que possa SE DAR TEMPO PARA DIFERENCIAR O QUE REALMENTE PRECISA E O QUE APENAS QUER.
O “apenas quer” faz parte da instabilidade emocional e está ligada a ansiedade levando conseqüentemente ao consumo desnecessário.
Precisamos compreender que o que consumimos por real necessidade é algo natural ou uma questão de sobrevivência, e o que consumimos por impulso é doentio e precisa ser reavaliado com apoio terapêutico.
Nós Bruxas (o) desde muito tempo, nos esforçamos muito para identificar o que realmente faz parte da nossa energia de TER, e o que é simplesmente uma forma de consumo.
Estamos sempre atentas (o) para as nossas escolhas pessoais, nossos princípios morais e nossas crenças e só então definimos o nosso modo de viver e de TER.
Outro aspecto prioritário na nossa formação é exatamente a tomada de consciência do que é um mero DESEJO e o que é um SONHO.
Os nossos desejos são naturais, mas devem ser verdadeiramente analisados, pois eles são formados a partir de informações culturais externas, geralmente acumuladas por induções publicitárias e modistas de acordo com a civilização em que vivemos. E atualmente somos bombardeadas de todas as formas através da diversidade da mídia, o que nos leva de imediato a necessidade do consumo. Assim os nossos desejos passam direto da informação dos sentidos físicos para o emocional, promovendo a necessidade do consumo.
Os nossos Sonhos já tomam uma outra trajetória. Eles começam geralmente pelo despertar na infância de alguma informação que se projeta no inconsciente, é armazenado e na idade adulta passa a compor o sentido de realização, ou seja passa a ser sonhado com complemento do que se tem ”IDEIA DE FELICIDADE”. Eles também podem ser nocivos, mas são mais fáceis de serem trabalhados e harmonizados. Diferente do desejo que é arrebatador, PAIXÃO. O sonho é acalentado pelo próprio desenvolvimento do ser, é realização, é AMOR.
Nós Bruxas (o) estamos cada vez mais retomando a nossa CONSCIÊNCIA PRIMORDIAL do nosso poder de decisão de fazer deste Planeta um lugar feliz para se viver, buscamos viver e deixamos que os outros vivam da melhor forma que lhes aprouver.
Assim, buscamos a cada dia desenvolver a alegria que podemos sentir com a real simplicidade de viver. A cada objeto, a cada compra, antes de consumar, se pergunte; -Eu realmente estou precisando disso? Em caso de dúvida desista imediatamente. Isso significa serenidade e lucidez. Ame a sua paz e a sua plenitude, deixe que seus sonhos lhe guiem em direção a uma vida mais rica e mais prazerosa.
Olhem a palavra que estou usando: Vida Rica!
Sim, podemos e devemos ser ricas (o).Não só em sabedoria,em espiritualidade, em amor, em saúde, em amigos, Mas também nas coisas materiais: casa, carro, jóias, viagens, etc. Só que tudo isso dentro da verdadeira consciência do que é SER e do que é TER.

Graça Azevedo / Senhora Telucama
Suma Sacerdotisa do Templo Casa Telucama 

quinta-feira, 9 de abril de 2015

UMA MIRÍADE DE PERPECTIVAS

Quando um rótulo não faz o conteúdo
Nas comunidades pagãs do exterior existe um mal estar causado pelas declarações de Zsuzsanna Budapest. A discussão é evitada no exterior e aqui no Brasil impera uma supremacia das religiões da Deusa sobre a comunidade pagã que torna meu trabalho impossível.

Jason Mankey tentou apontar para o elefante na sala, mas com muita delicadeza, no texto “When Wicca is not Wicca”.

Segundo Jason: “No seu início a Wicca era apenas uma tradição iniciática; para se tornar um wiccano tem que ser iniciada por outro wiccano. Isso começou a mudar na década de 1970 e pelo início de 1990 a Wicca havia se tornado algo que era facilmente acessado”.

Para entender esse processo eu recomendo a leitura do texto “A Origem Americana da Neo-Wicca”. Aqui no Brasil a Wicca veio americanizada e nos faltam meios, recursos e fontes para conhecer a Wicca Tradicional. Felizmente eu encontrei o texto de Janluis Duarte, “Reinventando Tradições Representações e Identidades da Bruxaria Neopagã no Brasil”.

De certa forma eu entendo quem quer evitar ou silenciar os fatos, as evidências, as controvérsias e as polêmicas. Há a impressão que se nos dispusermos a discutir esses assuntos em público irá acarretar em uma diminuição do interesse popular. Eu vejo algo desse processo no Cristianismo, que tem se travestido de outra coisa, como Cristianismo Progressista, para manter a audiência. Mas para o autor deste blog e para o interesse do dileto e eventual leitor, eu tenho que afirmar aquilo que se quer evitar dizer: Diânico não é Wicca.

Para embasar tal afirmação, eu tenho que recorrer à Teoria dos Grupos. Primeiro nós temos o Paganismo como um grupo geral. O Paganismo se subdivide em Paleo, Meso e Neo. O Neopaganismo, ou Paganismo Moderno, se subdivide em Reconstrucionistas, Aborígenes e Religiões de Bruxaria. As Religiões de Bruxaria se subdivide em Bruxaria Tradicional, Wicca, Feri, Diânico e Eclético. Eu agrupei e separei esses sistemas por um motivo: não é por que algo recebeu o rótulo de Wicca que será Wicca. Estão aí a “Wicca Cristã” e outras viagens esquisotéricas, como Eddie Van Feu, que mostram bem o caso.

Há anos eu afirmo: Wicca é uma religião e, como tal, tem características, princípios e valores. Tem vertentes do Cristianismo que, para resguardar a audiência, abre mão de diversas características, princípios e valores próprios do Cristianismo. Estão distorcendo a um ponto que mal dá para se reconhecer a religião como aquilo que a define.

Em muitos textos neste blog eu dou pistas de quais são as características, os princípios e os valores da Wicca Tradicional, mas eu não apontei quais, como e por que, as características, princípios e valores das vertentes diânicas, o torna uma forma diferente de Religião de Bruxaria, de Paganismo Moderno, mas não Wicca.

Ausência de linhagem – as fundadoras das vertentes diânicas não tem linhagem, seja em relação a alguma forma de Bruxaria Tradicional, seja em relação aos fundadores da Wicca Tradicional.

Ausência do Deus – a característica em comum nas vertentes diânicas é uma ausência ou diminuição do Deus. O excessivo enfoque na Deusa denota uma forma de Monoteísmo invertido, quando não uma forma equivocada de Monismo.

Ausência do sagrado masculino – esta é outra característica comum das vertentes diânicas, nega-se aos homens seu lado divino e sagrado, uma forma de misandria, uma inversão da misoginia das religiões monoteístas.

Ausência de ortopraxia – as vertentes diânicas divulgam práticas e rituais de outras tendências místicas, ocultas e esotéricas que tem pouca ou nenhuma relação com a Wicca.

Mistura de Panteões – as vertentes diânicas não demonstram o menor respeito aos mitos, mistérios e sacerdócio de outros panteões, promovendo uma mistura desaconselhável.

Adoção de regionalismo – as vertentes diânicas tornam a Wicca uma religião regional, adotando práticas, panteões, mistérios e mitos regionais.

Mistura de sistemas – as vertentes diânicas realizam tanto o giro pelo norte quanto o giro pelo sul no mesmo espaço. Isso causa confusão na correlação dos rituais com as estações do ano e os sabats.

Roberto Quintas

SER OU NÃO SER WICCANO EIS A QUESTÃO:

Enfim, poderia não dizer nada sobre o texto porque sei que posso gerar uma discussão totalmente desnecessária...
Mas a primeira coisa que afirmo é que nem todas as mulheres que se voltam para o Sagrado Feminino se consideram diânicas...Mesmo eu a tempos atrás aceitava o rótulo facilmente mas recentemente tenho me apercebido mais como uma grande simpatizante do Diânismo do que uma bruxa diânica em si, até porque como até recentemente tinha dito, o Deus faz parte das minhas práticas pessoais.

Quanto o Wicca, já a muito tempo se vem sentindo aqui no Brasil e lá fora, que não é necessário se considerar wiccano para fazer parte do paganismo ou da bruxaria em si. 
Acho que a discussão é desnecessário porque gira em torno de nomenclaturas e tenta encaixar o Feminino em algo que ele não é.... Um padrão solido, cheio de regras como nas igrejas.
Em nenhum momento, eu li ou vi quaisquer bruxas diânicas recusando a existência do Deus, nem mesmo 
Zsuzsanna Budapest... Quanto a nomenclatura, a própria Zsuzsanna Budapest, afirmou a utilizar muito mais num sentido genérico do que religioso em si, ele vê o termo como o mesmo que bruxaria...E não podem negar a validade de seu movimento, nem a importância que o dianismo tem para as pessoas mundo a fora.
E SE O CULTO FOCADO A DEUSA É O MAIS POPULAR NO NEO-PAGANISMO É PORQUE CLARO E EVIDENTE, AS PESSOAS SE SENTEM MAIS INCLINADAS A ELE.

Para mim o culto ao Deus faz parte de um desenvolvimento natural na trajetória de uma bruxa e comigo ele se deu de forma totalmente natural...
Acho que os homens dentro da bruxaria deveriam se sentir mais tranquilos e saberem que nós, mulheres da Deusa, não negamos o fato do Divino Masculino existir... Mas nos voltamos naturalmente para a Grande Mãe, o que não é em si, de forma alguma uma negação do homem, mas tão somente UMA AFIRMAÇÃO DA MULHER, PORQUE SIM ELA TEM ESSE DIREITO. E é claro, aqueles que buscarem pelo Deus e sentirem necessidade de uma prática focada nele, encontraram isso naturalmente. Geralmente sempre existem em grupos e círculos de bruxaria, práticas para homens e encontros mensais do Sagrado Masculino.
Enfim não concordo em absoluto nem mesmo com 
Zsuzsanna Budapest, mas acho sua busca e seu foco extremamente válidos.
Eis tudo, sem polemicas ou citações desnecessárias. Quanto ao uso de várias mitologias dentro de um mesmo culto isso se deve naturalmente ao fato de que as bruxas diânicas verem todas as Deusas como uma mesma Deusa, o que ironicamente é uma idéia wiccana, e ao fato de usarem vários de seus mitos para elucidar sobre o Feminino e a Mulher.