"E aqueles que pensam em Me procurar, saibam que a vossa busca e vosso anseio devem beneficiar-vos apenas se vós souberdes o Mistério; se o que vós procurardes, vós não achardes dentro de vós mesmos, então nunca encontrarão fora. Pois eu tenho estado convosco desde o Início e Eu Sou Aquela que é alcançada ao final do desejo"


quinta-feira, 25 de junho de 2015

O SANGUE ANCESTRAL DA MÃE DA MÃE DA MÃE...

ADN MITOCONDRIAL MATERNO E A SUA IMPORTÂNCIA COMO PROVA CIENTÍFICA DA ORIGEM DE UMA SOCIEDADE MATRIARCAL.

Maria De Lourdes de Oliveira Pinto:

*Em tempos, conversava com uma amiga, Rosa Leonor Pedro, sobre a bestialidade do homem e de todo o sistema patriarcal na tentativa de anulação do Princípio Feminino, responsável pela Criação de todo o Universo. Explicava-lhe que havia uma prova científica, que está a ser estudada e que indicia a existência de uma sociedade matriarcal original e que é o ADN mitocondrial, transmitido exclusivamente pela mulher de geração em geração, isto é, trata-se de um gene que é transmitido apenas através da linhagem materna, ao contrário do ADN dos cromossomas, que é herdado do pai e da mãe. Assim, as mitocôndrias são transmitidas unicamente pela mãe e a partir de uma mãe original, desde o início dos tempos, sendo todas nós mulheres suas decendentes. 
Hoje, após uma visita à Feira do Livro no Parque Eduardo VII, um livro chamou a minha atenção. Estou com ele entre mãos, e convosco partilho algo que liga as minhas postagens anteriores e a conversa acima citada:


 "Estudos antropológicos e sociológicos mostram que a maior parte das culturas são patriarcais desde há muito tempo. Uma das razões dadas para a dominação patriarcal seria a sobrevivência da espécie na qual todo o sistema educativo e normativo teria sido organizado para garantir aos homens fortes a sua paternidade.

A descoberta relacionada como ADN mitocondrial poderia ser o início de uma prova científica de um índice da cultura matriarcal que, por razões em parte ainda desconhecidas, teria sido subestituída por uma cultura patriarcal.

(...)

É bastante inquietante imaginar a possibilidade de que gerações de dominação masculina e de consentimento da mulher possam ter deixado vestígios tão profundos e indeléveis sobre o genoma humano.

No entanto, tudo indica que foi assim que as coisas aconteceram.

O fenótipo que age, geração após geração, sobre o património genotípico da população feminina teria conduzido as mulheres a adoptarem um comportamento "conveniente", ao falar ou vestir-se. o objectivo era fazer delas excelentes mães ( reprodutoras ) para ficar assegurada a paternidade do "macho dominante". Os meios empregados para chegar a este fim eram a força e o terror. Um pai ou um marido desrespeitado não hesitaria em usar de violência, repudiar ou matar.

Outro meio, também muito comum, relaciona-se com o facto de as mulheres não terem acesso aos estudos, por conseguinte não teriam acesso ao mercado de trabalho e à sua independência.

O objectivo era o de "produzir" descendentes sempre melhores, sempre mais eficiente e fiéis ao clã, que seriam provenientes de uma paternidade indiscutível, pouco importava o "preço a pagar" pelas mulheres."*

In O FEMININO REENCONTRADO - A Mulher na Jornada Interior

de Nathalie Durel Lima

*Cópia e Texto de Maria De Lourdes de Oliveira Pinto

IN; ROSA MATER (MULHERES E DEUSAS) - ROSA LEONOR PEDRO

Nota tardia:
Quero agradecer profundamente a Rosa pelo carinho e apoio que tem me dado ao longo deste tempo. Obrigada por me enviar este texto de sua amiga por email.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

A DEUSA VIVE NO JARDIM DAS HESPÉRIDES...

UM PROJETO ADMIRÁVEL, DA SACERDOTISA PORTUGUESA LUIZA FRAZÃO
  

 A VISÃO DO JARDIM DAS HESPÉRIDES

 
O Templo da Deusa do Jardim das Hespérides foi criado em fevereiro de 2013, dentro da energia do Imbolc, do acordar da Deusa Menina, tendo sido concebido durante a minha formação como sacerdotisa de Avalon. Com efeito o contacto que vou fazendo com a visão de Kathy Jones, fundadora do Templo da Deusa de Glastonbury/Avalon, e o resultado das minhas pesquisas no território e na tradição nacional sobre o Divino Feminino levaram-me a concluir que uma dimensão mítica existe no nosso território, à semelhança da Ilha de Avalon, igualmente governada por nove entidades ou princípios femininos, que aqui se chamam Hespérides e lá Morgens. Cotejando as duas tradições, a portuguesa e a britânica, verificamos que as semelhanças são tão evidentes que facilmente aceitamos teorias que postulam ter havido há milénios a partilha dum mesmo fundo cultural céltico.

Esta certeza levou-me a conceber uma Roda do Ano da Deusa nossa, dentro da estrutura criada por Kathy Jones em Glastonbury/Avalon, embora adaptada à nossa realidade. Tal Roda encontra-se em fase de elaboração. Ela pretende ser flexível, aberta a que novas entidades entrem e a que porventura outras mudem de lugar, dentro da dança leve, criativa e flexível da Deusa, bem diferente do dogma patriarcal, rígido e estático. O nosso afastamento da Natureza torna entretanto difícil a conexão com a energia das aves da Deusa do nosso território, por exemplo, embora a tradição tenha guardado algum desse conhecimento. O mesmo sucede com os outros animais sagrados, árvores e plantas. No entanto, considero vital para a nossa sobrevivência esta ressacralização da Natureza que a espiritualidade da Deusa desencadeia.





Criar este Templo implica cotejar duas tradições, a nossa e a britânica, que quiçá é herdeira da ibérica ou da do Arco Atlântico, segundo algumas correntes de investigação, mas que soube conservar melhor esses elementos e beneficiou na atualidade da visão e do empenho de mulheres como Marion Zimmer Bradley e Kathy Jones, entre várias outras. No nosso país, também há mulheres e homens que me inspiram, como Dalila Pereira da Costa, Fernanda Frazão e Gabriela Morais, para nomear apenas algumas, embora o seu propósito seja diferente do das nossas irmãs britânicas, mais académico do que devocional. Considero pertinente fazer-se a aproximação das duas culturas, outrora comuns ou muito próximas. O nosso Jardim das Hespérides, uma bolsa remanescente da antiga sociedade matrifocal neolítica que aqui nesta ponta da Europa se manteve até muito tarde, foi uma sociedade pacífica e florescente, e segundo Dalila Pereira da Costa, daqui irradiou para o mundo. Ele está pronto a ser reivindicado e ancorado, adaptado à realidade e consciência atuais, amorosamente substituindo estruturas patriarcais caducas e agonizantes. Trata-se dum sonho que te convido a sonhares comigo, condição de sobrevivência no mundo atual.


Este Templo pretende ser pois fiel à cultura do chamado Arco Atlântico, que é a nossa tradição, porventura herdeira da tradição atlante, nos moldes em que Kathy Jones a trouxe até nós na atualidade, adaptando-se todavia à nossa realidade e mantendo-se aberta às infinitas possibilidades que a Deusa nos irá apresentando. Ao ritmo possível, este Templo vai ganhando forma, e esta energia de transformação e de cura pelo empoderamento do Feminino vai ancorando na nossa realidade. E para isso a tua colaboração é fundamental.

 ©Luiza Frazão

A INSPIRAÇÃO DE AVALON




A DEUSA está viva em Glastonbury, visível para tod@s nós nas formas da Sua paisagem sagrada. Ela é suave como o arredondado dos montes do Seu corpo e doce como as flores das macieiras que crescem nos Seus pomares. Aqui sentimo-nos cada dia envolvidas pelo Seu amor e a Sua voz trazida pelo vento pode ouvir-se em permanência, o Seu sussurro atravessando as brumas de Avalon. Os Seus mistérios são tão profundos como o Caldeirão que  Ela mexe em permanência, conduzindo-nos até às Suas profundezas para depois nos elevar às Suas alturas. Ela é a nossa fonte, a nossa inspiração e o nosso Amor.


A nossa visão consiste em criarmos e mantermos um Templo da Deusa contemporâneo, aberto em permanência, dedicado à Deusa em Glastonbury e à sua contraparte fora desta dimensão, a Ilha de Avalon. O Templo da Deusa é um espaço sagrado aberto a tod@s, especialmente dedicado à descoberta e celebração do Feminino Divino. É um espaço sagrado onde podemos cultuar e honrar a Deusa de formas que podem ser antigas ou atuais e onde todo o tipo de amor por Ela é bem-vindo. No Templo da Deusa de Glastonbury celebramos as Deusas que estão particularmente ligadas a Glastonbury e à Ilha de Avalon. Avalon é uma terra mágica onde a Deusa está presente desde tempos imemoriais. Trata-se dum lugar de mistério e imaginação, um lugar onde podemos deixar ir o que é velho e acolher o novo em nós, novas formas de sermos e de vivermos. A divindade primordial relacionada com Glastonbury é a Senhora de Avalon (que é Morgan la Fey), as Nove Morgens, Brigit ou Bridie da chama sagrada, Modron, Grande Mãe da linhagem de Avallach, Nossa Senhora Maria de Glastonbury (Our Lady Mary), a Anciã de Avalon, a Deusa do Tor, Senhora dos Montes Ocos (Hollow Hills), Senhora do Lago e Senhora das Fontes e Poços Sagrados.”



Com estas palavras apresenta o Templo da Deusa de Glastonbury a sua visão e propósito no seu sítio da Net. São palavras que podemos aplicar aos propósitos do nosso Templo da Deusa do Jardim das Hespérides e de qualquer templo da Deusa que é urgente criarmos neste mundo de onde a Deusa primordial foi banida pela Sua incompatibilidade com propósitos patriarcais, entretanto em vias de nos destruírem enquanto civilização e planeta.

A nossa Avalon é o Jardim das Hespérides, espaço por excelência da Deusa Anciã, da Sábia Calaica-Beira, e de Ana, a Grande Mãe Ancestral, respiração espiritual desta terra. E das nossas Nove Irmãs, as Nove Hespérides que regem este espaço de uma outra dimensão como as Nove Morgens regem a Ilha de Avalon. Vão por certo dizer-me que as Hespérides não são nove, mas na verdade se o seu número varia de fonte para fonte, por que não considerar que também elas compõem aqui  aquele grupo primordial que o investigador Stuart MacHardy descobriu que existe espalhado pelos quatro cantos do mundo, as Nove Donzelas de que nos fala na obra “The Quest for the Nine Maidens”?
Se a Deusa está presente em Avalon desde tempos imemoriais, também aqui Ela se conservou no coração das mulheres, que deram à Virgem Maria e às inúmeras santas - a  forma que Grande Deusa teve de tomar para sobreviver ao Cristianismo - todos os atributos e qualidades das antigas Deusas, nem nos faltando os da Deusa da Sexualidade Sagrada, chamada aqui nada mais nada menos que Nossa Senhora dos Prazeres… Todo o nosso território está imbuído da Sua vibração, uns lugares é certo mais do que outros. Por todo o lado há capelinhas e capelas e igrejas - regra geral edificadas sobre locais outrora considerados sagrados pelo Paganismo - celebrando a Sua glória, a glória do Feminino Divino, e o Seu poder.

Pode parecer com isto que nos estamos a colar demasiado a uma tradição estrangeira, a uma tradição importada, mas a verdade é que, quando estudamos essa tradição, vemos que ela  tem muitas semelhanças com a nossa, dando razão às e aos investigador@s que defendem a Teoria da Continuidade Paleolítica, segundo a qual nós somos tão celtas como el@s, tendo  partilhado em tempos a mesma cultura, a do chamado Arco Atlântico, que compreende Portugal, Galiza, Bretanha francesa, Irlanda e Grã-Bretanha, e até que é possível que daqui ela tenha irradiado para o resto da Europa. Pelo menos… E não são apenas investigador@s nacionais a defender estas ideias...

©Luiza Frazão

Imagens Google

IN: TEMPLO DA DEUSA CALE

domingo, 31 de maio de 2015

A GRANDE CASA DE MINHA MÃE

Meu coração de fogo, sempre inspirando e tecendo força
Mãe Bruxa, Senhora dos campos e das colheitas, Mãe das Cidades
Acende tua luz brilhante, Única nas chamas de minha alma, arde em brasa
Sopre, sopre sobre a minha brasa tal qual soprará sobre minha mortalha
Pois es dona da minha morte e da minha vida

A Senhora é a minha Juno interna, o espírito divino e feminino que me Anima
Anima a chama a ardente do meu fogo, meu Juno, deito mel e leita a Terra
E faço oferendas a Ti o Mãe, porque minha alma nunca estará saciada de tua chama
Tu es mais que o fogo da luz, Tu es a imensidão das águas...
Tu es o oceano vasto que alivia e refresca a calor da alma feminina

Mergulhamos em ti Mãe primordial, filha e fruto da Terra
Rodamos na sua medicina, que é do amor para com tudo
Porque tudo nada mais é do expressão de ti, o mundo é teu corpo
E cada femea é tua profecia e cada ser humano carne de tua carne
Eu bebo de todas as copas na CASA DE MINHA MÃE
Eu como de todas as frutas e me sacio no seu Prazer
Que é meu prazer.

Mesmo na fúrio ou no ódio, medito sabendo que não me importa
O que aconteça sempre estou contigo
Mãe Negra, Rainha da Noite, Tão pesada de mistérios
Vive em mim tua chama ardente, tua tocha que tudo ilumina
Eu sou filha da Casa de minha Mãe
E como Sacerdotisa segura a tocha e a copa de teus santos mistérios.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

A MUDANÇA DO TÍTULO

NOTA; FIZ A MUDANÇA DO TÍTULO PARA DEIXAR EXPLÍCITO O FOCO DA PÁGINA E FUGIR A CONFUSÃO QUE SE FAZ ENTRE ESPIRITUALIDADE DA DEUSA E BRUXARIA...AS DUAS SE RELACIONAM MAS NÃO SÃO A MESMA COISA. ASSIM SENDO PRESERVO A BUSCA DA ALTA SACERDOTISA, QUE SERIA A IDÉIA DE UMA MULHER EM PLENA POSSO DOS SEUS DOMÍNIOS ESPIRITUAIS E DOU ENFASE A ESSA BUSCA NUM CONTEXTO DE SAGRADO FEMININO, DE FEMINITUDE PLENA E SADIA E SEM AS DISTORÇÕES POR VEZES PRESENTES NO NEO-PAGANISMO.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

SIMPLESMENTE UMA BRUXA...

CONSCIÊNCIA DA SIMPLICIDADE.


Quando uma (o) Bruxa (o) opta por viver dentro do sistema cósmico, cumprindo e fazendo cumprir as Leis que regem o Universo, isso significa que a “SIMPLICIDADE” já faz parte da sua vida e do seu cotidiano, não só de forma filosófica mas principalmente na prática.
Viver com simplicidade não significa viver com PRIVAÇÕES, muito pelo contrario; significa viver com abundância e prosperidade PARA O BEM DE TODOS, posto que: quanto mais temos mais partilhamos e mais recebemos de volta, é o GRANDE CIRCULO, A LEI DO RETORNO.
Viver com simplicidade significa fazer escolhas, tendo como principio a consciência do que realmente precisamos para viver, essas escolhas têm uma abrangência infinita, devem estar relacionadas à família, ao meio ambiente, a espiritualidade, a comunidade e especificamente ao caminho cósmico, ou seja, a família cósmica.

Começamos sempre pela FAXINA. Uma faxina na própria vida. Jogar fora tudo que não nos serve mais, começando pelos sentimentos e emoções e acabando com todas as tralhas contidas nos nossos espaços físicos que não usamos e vamos entulhando em cantos e armários.
Tomar consciência real do nosso TEMPO, e do Senhor Cronos na nossa vida e buscar estabelecer prioridades.
Procurar de forma sensata e leve colocar ORDEM nas contas e estabelecer metas para os gastos mensais, de forma que possa SE DAR TEMPO PARA DIFERENCIAR O QUE REALMENTE PRECISA E O QUE APENAS QUER.
O “apenas quer” faz parte da instabilidade emocional e está ligada a ansiedade levando conseqüentemente ao consumo desnecessário.
Precisamos compreender que o que consumimos por real necessidade é algo natural ou uma questão de sobrevivência, e o que consumimos por impulso é doentio e precisa ser reavaliado com apoio terapêutico.
Nós Bruxas (o) desde muito tempo, nos esforçamos muito para identificar o que realmente faz parte da nossa energia de TER, e o que é simplesmente uma forma de consumo.
Estamos sempre atentas (o) para as nossas escolhas pessoais, nossos princípios morais e nossas crenças e só então definimos o nosso modo de viver e de TER.
Outro aspecto prioritário na nossa formação é exatamente a tomada de consciência do que é um mero DESEJO e o que é um SONHO.
Os nossos desejos são naturais, mas devem ser verdadeiramente analisados, pois eles são formados a partir de informações culturais externas, geralmente acumuladas por induções publicitárias e modistas de acordo com a civilização em que vivemos. E atualmente somos bombardeadas de todas as formas através da diversidade da mídia, o que nos leva de imediato a necessidade do consumo. Assim os nossos desejos passam direto da informação dos sentidos físicos para o emocional, promovendo a necessidade do consumo.
Os nossos Sonhos já tomam uma outra trajetória. Eles começam geralmente pelo despertar na infância de alguma informação que se projeta no inconsciente, é armazenado e na idade adulta passa a compor o sentido de realização, ou seja passa a ser sonhado com complemento do que se tem ”IDEIA DE FELICIDADE”. Eles também podem ser nocivos, mas são mais fáceis de serem trabalhados e harmonizados. Diferente do desejo que é arrebatador, PAIXÃO. O sonho é acalentado pelo próprio desenvolvimento do ser, é realização, é AMOR.
Nós Bruxas (o) estamos cada vez mais retomando a nossa CONSCIÊNCIA PRIMORDIAL do nosso poder de decisão de fazer deste Planeta um lugar feliz para se viver, buscamos viver e deixamos que os outros vivam da melhor forma que lhes aprouver.
Assim, buscamos a cada dia desenvolver a alegria que podemos sentir com a real simplicidade de viver. A cada objeto, a cada compra, antes de consumar, se pergunte; -Eu realmente estou precisando disso? Em caso de dúvida desista imediatamente. Isso significa serenidade e lucidez. Ame a sua paz e a sua plenitude, deixe que seus sonhos lhe guiem em direção a uma vida mais rica e mais prazerosa.
Olhem a palavra que estou usando: Vida Rica!
Sim, podemos e devemos ser ricas (o).Não só em sabedoria,em espiritualidade, em amor, em saúde, em amigos, Mas também nas coisas materiais: casa, carro, jóias, viagens, etc. Só que tudo isso dentro da verdadeira consciência do que é SER e do que é TER.

Graça Azevedo / Senhora Telucama
Suma Sacerdotisa do Templo Casa Telucama 

quinta-feira, 9 de abril de 2015

UMA MIRÍADE DE PERPECTIVAS

Quando um rótulo não faz o conteúdo
Nas comunidades pagãs do exterior existe um mal estar causado pelas declarações de Zsuzsanna Budapest. A discussão é evitada no exterior e aqui no Brasil impera uma supremacia das religiões da Deusa sobre a comunidade pagã que torna meu trabalho impossível.

Jason Mankey tentou apontar para o elefante na sala, mas com muita delicadeza, no texto “When Wicca is not Wicca”.

Segundo Jason: “No seu início a Wicca era apenas uma tradição iniciática; para se tornar um wiccano tem que ser iniciada por outro wiccano. Isso começou a mudar na década de 1970 e pelo início de 1990 a Wicca havia se tornado algo que era facilmente acessado”.

Para entender esse processo eu recomendo a leitura do texto “A Origem Americana da Neo-Wicca”. Aqui no Brasil a Wicca veio americanizada e nos faltam meios, recursos e fontes para conhecer a Wicca Tradicional. Felizmente eu encontrei o texto de Janluis Duarte, “Reinventando Tradições Representações e Identidades da Bruxaria Neopagã no Brasil”.

De certa forma eu entendo quem quer evitar ou silenciar os fatos, as evidências, as controvérsias e as polêmicas. Há a impressão que se nos dispusermos a discutir esses assuntos em público irá acarretar em uma diminuição do interesse popular. Eu vejo algo desse processo no Cristianismo, que tem se travestido de outra coisa, como Cristianismo Progressista, para manter a audiência. Mas para o autor deste blog e para o interesse do dileto e eventual leitor, eu tenho que afirmar aquilo que se quer evitar dizer: Diânico não é Wicca.

Para embasar tal afirmação, eu tenho que recorrer à Teoria dos Grupos. Primeiro nós temos o Paganismo como um grupo geral. O Paganismo se subdivide em Paleo, Meso e Neo. O Neopaganismo, ou Paganismo Moderno, se subdivide em Reconstrucionistas, Aborígenes e Religiões de Bruxaria. As Religiões de Bruxaria se subdivide em Bruxaria Tradicional, Wicca, Feri, Diânico e Eclético. Eu agrupei e separei esses sistemas por um motivo: não é por que algo recebeu o rótulo de Wicca que será Wicca. Estão aí a “Wicca Cristã” e outras viagens esquisotéricas, como Eddie Van Feu, que mostram bem o caso.

Há anos eu afirmo: Wicca é uma religião e, como tal, tem características, princípios e valores. Tem vertentes do Cristianismo que, para resguardar a audiência, abre mão de diversas características, princípios e valores próprios do Cristianismo. Estão distorcendo a um ponto que mal dá para se reconhecer a religião como aquilo que a define.

Em muitos textos neste blog eu dou pistas de quais são as características, os princípios e os valores da Wicca Tradicional, mas eu não apontei quais, como e por que, as características, princípios e valores das vertentes diânicas, o torna uma forma diferente de Religião de Bruxaria, de Paganismo Moderno, mas não Wicca.

Ausência de linhagem – as fundadoras das vertentes diânicas não tem linhagem, seja em relação a alguma forma de Bruxaria Tradicional, seja em relação aos fundadores da Wicca Tradicional.

Ausência do Deus – a característica em comum nas vertentes diânicas é uma ausência ou diminuição do Deus. O excessivo enfoque na Deusa denota uma forma de Monoteísmo invertido, quando não uma forma equivocada de Monismo.

Ausência do sagrado masculino – esta é outra característica comum das vertentes diânicas, nega-se aos homens seu lado divino e sagrado, uma forma de misandria, uma inversão da misoginia das religiões monoteístas.

Ausência de ortopraxia – as vertentes diânicas divulgam práticas e rituais de outras tendências místicas, ocultas e esotéricas que tem pouca ou nenhuma relação com a Wicca.

Mistura de Panteões – as vertentes diânicas não demonstram o menor respeito aos mitos, mistérios e sacerdócio de outros panteões, promovendo uma mistura desaconselhável.

Adoção de regionalismo – as vertentes diânicas tornam a Wicca uma religião regional, adotando práticas, panteões, mistérios e mitos regionais.

Mistura de sistemas – as vertentes diânicas realizam tanto o giro pelo norte quanto o giro pelo sul no mesmo espaço. Isso causa confusão na correlação dos rituais com as estações do ano e os sabats.

Roberto Quintas

SER OU NÃO SER WICCANO EIS A QUESTÃO:

Enfim, poderia não dizer nada sobre o texto porque sei que posso gerar uma discussão totalmente desnecessária...
Mas a primeira coisa que afirmo é que nem todas as mulheres que se voltam para o Sagrado Feminino se consideram diânicas...Mesmo eu a tempos atrás aceitava o rótulo facilmente mas recentemente tenho me apercebido mais como uma grande simpatizante do Diânismo do que uma bruxa diânica em si, até porque como até recentemente tinha dito, o Deus faz parte das minhas práticas pessoais.

Quanto o Wicca, já a muito tempo se vem sentindo aqui no Brasil e lá fora, que não é necessário se considerar wiccano para fazer parte do paganismo ou da bruxaria em si. 
Acho que a discussão é desnecessário porque gira em torno de nomenclaturas e tenta encaixar o Feminino em algo que ele não é.... Um padrão solido, cheio de regras como nas igrejas.
Em nenhum momento, eu li ou vi quaisquer bruxas diânicas recusando a existência do Deus, nem mesmo 
Zsuzsanna Budapest... Quanto a nomenclatura, a própria Zsuzsanna Budapest, afirmou a utilizar muito mais num sentido genérico do que religioso em si, ele vê o termo como o mesmo que bruxaria...E não podem negar a validade de seu movimento, nem a importância que o dianismo tem para as pessoas mundo a fora.
E SE O CULTO FOCADO A DEUSA É O MAIS POPULAR NO NEO-PAGANISMO É PORQUE CLARO E EVIDENTE, AS PESSOAS SE SENTEM MAIS INCLINADAS A ELE.

Para mim o culto ao Deus faz parte de um desenvolvimento natural na trajetória de uma bruxa e comigo ele se deu de forma totalmente natural...
Acho que os homens dentro da bruxaria deveriam se sentir mais tranquilos e saberem que nós, mulheres da Deusa, não negamos o fato do Divino Masculino existir... Mas nos voltamos naturalmente para a Grande Mãe, o que não é em si, de forma alguma uma negação do homem, mas tão somente UMA AFIRMAÇÃO DA MULHER, PORQUE SIM ELA TEM ESSE DIREITO. E é claro, aqueles que buscarem pelo Deus e sentirem necessidade de uma prática focada nele, encontraram isso naturalmente. Geralmente sempre existem em grupos e círculos de bruxaria, práticas para homens e encontros mensais do Sagrado Masculino.
Enfim não concordo em absoluto nem mesmo com 
Zsuzsanna Budapest, mas acho sua busca e seu foco extremamente válidos.
Eis tudo, sem polemicas ou citações desnecessárias. Quanto ao uso de várias mitologias dentro de um mesmo culto isso se deve naturalmente ao fato de que as bruxas diânicas verem todas as Deusas como uma mesma Deusa, o que ironicamente é uma idéia wiccana, e ao fato de usarem vários de seus mitos para elucidar sobre o Feminino e a Mulher.

A DEUSA VIVE EM NÓS

Eu tomo os opostos
e os conflitos
tudo o que é contraditório
Eu pego o diferente
e o variado
Eu pego o simples
e o solitário
e misturo e fundo
derreto e ligo
Eu tomo o que está separado
e crio união
Eu junto
o que precisa ser unido
assim a totalidade é alcançada 

O Oráculo da Deusa - Amy Sophia Marashimsky

Revela-se na mulher a natureza do Eterno Feminino, que transcende todas as suas encarnações terrenas – cada mulher e cada símbolo individual. A emergência do arquétipo da Feminilidade em todas as culturas, em todas as épocas e entre todos os homens, desde a pré-história, constitui também a realidade da mulher moderna, seus sonhos e visões, suas fantasias e impulsos, suas projecções e relações, suas fixações e mutações.
A Grande Deusa encarna o Ser Feminino, que se manifesta ...tanto na história do género humano quanto em cada mulher individual; a sua realidade determina a vida individual e colectiva. Esse universo psíquico arquetípico está contido no poder subjacente que, ainda hoje – em parte com os mesmos símbolos e na mesma ordem de desenvolvimento, em parte com modalidades e variações dinâmicas -, determina a história psíquica do homem e da mulher actuais”. 

in A GRANDE MÃE de Erich Neumann
Publicado por Rosa Leonor em MULHERES E DEUSAS

sexta-feira, 27 de março de 2015

A FACE DUPLA


A DEUSA DUPLA 
A MÃE E A FILHA

Entre as inúmeras imagens de deusas antigas, encontram-se com frequência esculturas – em pedra, osso, argila – pinturas ou vasos em forma de deusas duplas ou geminadas. Elas simbolizam a polaridade biológica e oculta do princípio feminino, a eterna dança entre vida e morte, luz e escuridão, as fases da Lua, os ciclos da Natureza e da vida humana. Nos antigos Mistérios Femininos, as deusas duplas - aparecendo como mãe e filha ou irmãs - expressam os elos profundos dos laços de sangue, a solidariedade e parceria femininas, sendo um incentivo para a reformulação dos conceitos contemporâneos de cooperação e competição entre as mulheres.

A dupla de deusas simbolizava a soberania feminina na maioria das culturas pré-patriarcais, no nível espiritual e profano, representada pelos cultos matrifocais e a linhagem matrilinear. Com o passar do tempo, o ícone da Deusa Dupla metamorfoseia-se em Duas Mães, Senhoras, Irmãs ou Rainhas, reafirmando os laços de sangue e a parceria femininas. A iconografia da Deusa Dupla fortalece o conceito da natureza ambivalente da Grande Mãe, cujos polos de vida e morte se complementam numa mandala que mescla as forças de nascimento, crescimento, morte e renascimento. As mulheres espelham esta biologia bipolar, alternando nos seus corpos as fases hormonais (ovulação/menstruação), emocionais (expansão/retração) e espirituais (manifestação/contemplação). Nas culturas antigas ambas as polaridades eram honradas e consagradas, os rituais sendo organizados em função desta dualidade rítmica.

Assim como em outras mitologias, no Egito o tema da Deusa Dupla permaneceu durante milénios e era representado por várias deusas como Nekhbet/Wadjet, Tauret/Mut e Ísis/Nepthys.

A conexão complementar entre Ísis e Nephtys é muito antiga, dividindo entre si as regências: a luz lunar, a estrela matutina e o mundo visível e manifesto pertenciam a Ísis enquanto a face negra e oculta da Lua, a estrela vespertina e o mundo invisível e não manifestado eram o domínio de Nephtys. A sua dualidade – como faces opostas mas complementares da Grande Mãe – espelhava a dos seus maridos e irmãos, Osiris, deus da luz e fertilidade da terra e Seth, regente da escuridão e aridez do deserto.

Irmã gémea de Ísis, filha da deusa celeste Nut e do deus da terra Geb, Nepthys – ou Nebet Het - tem uma simbologia complexa e aparentemente contraditória. Ao mesmo tempo em que representa o fim da vida – seu nome simbolizava os “confins da terra e do tempo” - ela também anunciava o renascimento. O Seu tempo sagrado era o anoitecer, quando o barco solar mergulhava nas profundezas da terra, delas ressurgindo na manhã seguinte abençoado pela luz de Ísis. O Seu título era a “Senhora da Casa” reproduzido pelo hieróglifo e a imagem sobre a sua cabeça, o de Ísis sendo “A Senhora do trono”, que adornava a sua cabeça.

Enquanto Ísis governava o céu e a terra, o domínio de Nephtys era o mundo desconhecido e misterioso dos sonhos, do inconsciente e dos fenómenos psíquicos, bem como a realidade desafiadora da transformação dos mortos em seres de luz .O que acontecia no mundo astral (de Nephtys) afetava o mundo natural (de Ísis), assim como também o contrário. A morte era uma passagem estreita da luz para a escuridão, mas a alma precisava de atravessar esta escuridão para alcançar novamente a luz, conforme dizia esta frase gravada nos sarcófagos egípcios: “Que possas acordar para uma nova vida com as bênçãos de Nephtys, que te renovou durante a noite fria e escura”.

Nephtys era a padroeira do sofrimento feminino e também da cura, enviando sonhos curadores e energias de alívio aos doentes, bem como apoiando os moribundos na sua passagem, o que a tornou a deusa guardiã dos ritos fúnebres. Juntamente com Ísis, ela foi a criadora dos rituais de reverência aos deuses e das práticas templárias e mortuárias. Chamadas de Ma’aty – a dupla verdade – as irmãs eram “As Senhoras”, que apareciam em forma de pássaros migratórios nos sarcófagos para descrever o inverno (e a morte), bem como a primavera (e o renascer). Representadas juntas e com as asas estendidas ao lado dos faraós sobre os seus sarcófagos, elas não apenas simbolizavam a sua proteção, mas também o seu renascimento. O espaço entre as suas asas forma o símbolo ka, o abraço divino que contém o todo e todas as suas partes.Isis e Nephtys tornam-se uma deusa só quando juntam as suas energias complementares e assistem Osiris na sua ressurreição, assim como fazem com o Sol (na sua passagem entre noite e dia) e acredita-se que farão com todas as almas na sua transição entre vida/morte e renascimento.

Mirella Faur


terça-feira, 24 de março de 2015

FALTA DE CONTEXTO

mister disse...
Bom Blog ! mais recheado de pós-modernismo e sem grandes Reflexões! 
Vcs seguem uma linha tão medíocre dentro da Magia que chega a dar vergonha alheia! parecem mais Neo-Feministas !! 
Atualmente, pagãos modernos [neopagãos] e wiccanos celebram [ou seria melhor utilizar "mimetizar", como bem descreve a Rosa Leonor ?] a Descida de Inanna. Na liturgia tradicional wiccana, a descida da Deusa ao Submundo é uma linda cerimônia, mas não pode ser considerado uma cópia do mito sumério-acadiano.
O mito de Inanna é mal celebrado e mal compreendido, se os neopagãos e wiccanos celebrarem apenas Inanna. Qualquer celebração neopagã ou wiccana sem a presença do Deus Consorte é uma pobre e triste inversão da cegueira que dominou a civilização ocidental nos últimos 19 séculos.
Conheçamos a face do Deus das Bruxas [e Bruxos] no mito de Dumuzi:
Deusas antigas como Anath feritizavam a elas mesmas com o sangue de homens e touros. Entretanto a domesticação e criação de animais depende da compreensão dos papéis complementares dos sexos na reprodução. Não obstante, o comportamento sexual da criação de animais teve um enorme impacto da cultura e sexualidade humana. Estava abundantemente claro que o macho era requerido apenas para o momentâneo processo de fertilização, enquanto tanto o parto quanto a nutrição dependiam centralmente na maternidade.
Dumuzi primeiramente tentou persuadir Inanna de se casar um rei-pastor. O encontro então esquentou com a paixão da jovem Inanna pelo jovem rei-pastor Dumuzi e a consumação deles, ecoando a fecundidade pastoral completamente.[Dhushara]
Em homenagem ao mito de Inanna e Dumuzi, nada é mais esclarecedor [e escarnecedor] do que este trecho de um antigo hino:
Inanna disse: [...]
"Enquanto a mim, Inanna,
Quem irá arar minha vulva?
Quem irá arar meus altos campos?
Quem irá arar meu solo úmido?"
Dumuzi replied:
"Grande dama, o rei irá arar sua vulva.
Eu, o Rei Dumuzi, irei arar sua vulva."
Inanna:
"Entã are minha vulva, homem do meu coração!
Are minha vulva!"[Dhushara]
Como todo Deus da Vegetação, Dumuzi morre e Inanna vai ao submundo resgatá-lo, enfrentanto Ereshkigal, a Deusa do Submundo. Não faria muito sentido isto, se pensarmos que estas Deusas sejam as mesmas ou sejam manifestações de uma única Deusa. Não faz sentido algum copiarmos um mito tão carregado de erotismo, onde a união sexual, o Hiero Gamos, é crucial, se formos crer em uma Santa Ameba que pariu a criação por partenogênese. Faz menos sentido ainda o discurso contra o suposto sexismo e heteronormatividade da Wicca Tradicional.
Como o Deus e a Deusa das Bruxas [e dos Bruxos], Dumuzi e Inanna celebram o Hiero Gamos. A união, a cópula, entre o Deus e a Deusa é o que mantém a existência, da humanidade, da natureza, do mundo, do universo.

NOTA AO COMENTÁRIO:

Ola sinceramente não consegui compreender o contexto do seu comentário...
Não compreendi o que de tão ridiculo ou vergonhoso pode ter para uma mulher focar na Deusa...Aliás se me lembro bem esse comentario é antigo e creio que já havia sido publicado antes. Estamos num mundo  livre aonde cada um segue suas ideias e ideologias, não tenho nenhum compromisso portanto com as leis ou regras teologia dentro do wicca... Afinal esta é uma página votada a Deusa e tem nela e na sua plenitude, na interpretação de sua plenitude o tema principal e como ela se relaciona com a mulher...
Sendo assim a temática do Deus nunca foi inserida aqui nem de modo negativo ou positivo..No máximo existem situações ao que patriarcas do mundo inteiro fizeram com seus deuses e como os transformaram em deidades politicas para melhor dominar suas nações e justificar o controle das mulheres...
Essa é uma página votada para a pesquisa da Deusa é só...Não defendo nenhum tipo de plataforma mágica e inclusive o Deus faz parte das minhas práticas pessoas.
SENDO ASSIM SE VOCÊ COMO HOMEM SENTE FALTA DO DEUS E DE DETALHES SOBRE ELE PORQUE NÃO CRIA ALGO MAIS CONSTRUTIVO COMO SUA PRÓPRIA PÁGINA?

Há mais coisas que poderia dizer mas não vejo necessidade de me estender numa discussão tealógica com senhor....Acho irrelevante.

MINHA PÁGINA NÃO É SOBRE A PRÁTICA MÁGICA E SIM SOBRE O SAGRADO FEMININO...Acho que qualquer um com o  minímo de inteligencia pode compreender a página se realmente e ler sem as lentes do preconceito...E embora tenha grande carinho por Rosa Leonor, minha página é independente... Sou influenciada por ela e por sua brilhante inteligência constantemente mas não levo suas palavras como leis escritas na rocha...

Sendo assim
Obrigada pelo carinho e atenção por se importar com a minha página e com sua qualidade.

Realmente deve incomodar interpretar a Deusa como um poder criador e independente e não como contraparte de nada, nem de ninguém... Absurdo focar na mulher e dizer que sim, Ela como ser humano completo tem em si os poderes masculinos e femininos...

quinta-feira, 19 de março de 2015

FALTA





Uma delas, a escritora, física e economista Rose Marie Muraro, que morreu no dia 21 de junho, aos 83 anos, no Rio de Janeiro, onde morava. Vítima de um câncer de medula, a pioneira do feminismo no Brasil foi uma verdadeira revolucionária, pois proporcionou o nascimento de uma mulher livre, senhora de si mesma e do próprio corpo.


Considerada uma mulher impossível – nome de um dos seus mais de 40 livros –, Rose fez tudo o que lhe disseram para não fazer. Inclusive, gestou um novo mundo, onde mulheres e homens são cúmplices, parceiros e não adversários. Rose garantia que a revolução das mulheres jamais poderia existir “sem o gesto de amor do homem. Pois a revolução do homem é tão importante quanto a da mulher. Se no primeiro ano de vida, um bebê, independentemente do sexo, é cuidado pelo pai na troca de fraldas, na hora da mamadeira, vai viver numa sociedade democrática e plural, muito diferente da patriarcal, onde a violência e o machismo predominavam”.


 Ela atuou como diretora da Editora Vozes, ao lado do teólogo e escritor Leonardo Boff, publicando mais de 1.600 títulos. Os dois trabalharam juntos por 17 anos. Ao lado dele, lutou pela Teologia da Libertação, com opção preferencial pelos pobres e que, anos depois, seria expurgada e condenada pelo Vaticano. Rose e Boff foram expulsos da editora, mas continuaram a lutar pelas mudanças sociais urgentes e necessárias. Com cinco filhos, 12 netos e seis bisnetos, a escritora ficou casada por 23 anos e se separou com opiniões polêmicas e ousadas sobre o relacionamento a dois - principalmente sobre o casamento.


Na década de 1990, Muraro desafiou os próprios limites quando, aos 66 anos, recuperou a visão com uma cirurgia e viu seu rosto pela primeira vez, afirmando: “Sei hoje que sou uma mulher muito bonita”. Em 2009, criou o Instituto Cultural Rose Marie Muraro (ICRM) com o objetivo de salvaguardar seu acervo, que conta com mais de quatro mil publicações.


Sem dúvida, uma mulher que deixa um legado libertário para as futuras gerações. E que mostramos a seguir, ao relembrarmos alguns trechos de seus livros e pensamentos. Confira!


Linguagem corporal


“A política do corpo tem uma importância revolucionária muito maior do que qualquer reforma agrária ou a luta pela Constituinte.”


 Mergulho interior


“Eu sou cega, não posso ler. Então, eu tenho que me voltar para dentro. Ou eu me volto para dentro ou

eu morro.”

Relação homem/mulher


“Onde começa o casamento acaba a relação homem /mulher, porque aí entra dinheiro, filho e um cotidiano burguês horroroso, desgastante. E entra sempre a relação sadomasoquista: tem sempre um bonzinho e um filho da puta. Essa relação não é homem/mulher, não é do profundo. É a relação convencional, dominante-dominado, que é passada de geração em geração, de pai para filho, de mãe para filha. Isso eu não quero, muito obrigada!”


“Se você não desenvolver uma vida dupla para sair do seu casamento, você nunca vai saber o que é o prazer e nunca vai largar o seu casamento.  E foi assim que eu saí corneando o meu marido.”


Moralidade/ética


“O papa João Paulo II pediu a minha cabeça por causa do livro ‘Sexualidade da Mulher Brasileira’. Aí, dei mais motivos pra ele e escrevi ‘A Erótica Cristã’, que é fazer um corpo erótico cristão. Quer dizer, não usar mais a moralidade e, sim, a ética. Porque é imoral você estar num casamento que é feito só para o seu sofrimento e o de todos. E é ético você sair desse casamento para viver uma vida plena e dar aos outros uma vida plena.”


Livros incendiários


 “Já nos anos 60 eu queria por fogo no mundo. Então, fui por fogo no mundo, fui ser editora. E eu vi que são os livros que põem fogo no mundo.”


Sexualidade


“Eu descubro um grande prazer na sexualidade. Eu me defini como uma bruxa, isto é, uma mulher orgástica e sábia ao mesmo tempo. Dona do seu corpo e da sua mente.”


Caça às bruxas


“Por que eles tinham misoginia (aversão à mulher)? Porque os homens foram para as Cruzadas pegar territórios dos islâmicos e levaram uma surra. Passaram 400 anos levando uma surra. Foi nesse tempo que as mulheres tomaram o poder na Europa. Quando os homens voltaram, queriam o seu lugar. Aí começa a caça às bruxas.”


“Quem eram as bruxas? Eram as mulheres que possuíam pequenos feudos e eram sábias e orgásticas. E não tinham quem as protegesse. Quem as denunciava eram os donos de terra. E foi assim que fizeram as nações: em cima dos corpos queimados das bruxas.”


Deusa do fundo da terra


“O ser humano era nômade. Não havia propriedade privada de nada. Não tinha um deus masculino, era uma deusa. O deus macho, completamente masculino, começa com a lei do mais forte. Não é mais uma deusa do fundo da terra dando comida, de onde tudo sai e tudo volta depois que morre. Mas um deus de cima para baixo, controlando os corações e as mentes e olhando tudo com um olhar repressor.”


Capitalismo capitalista


“Eu consegui obrigar o sistema a me pagar para falar mal dele, porque os meus livros dão dinheiro. Você vê como o sistema é. Ele não se incomoda que se fale mal dele desde que ele possa lucrar.” 


‘Ser’ humano


“Quando desistirmos de ser deuses poderemos ser plenamente humanos - o que ainda não sabemos o que é, mas intuímos desde sempre.”


Feminismo


“O feminismo não é o que as pessoas pensam. É só um movimento organizado das mulheres, mais nada. Não tem nada a ver com o plano pessoal da mulher contra o homem, mas sim contra o sistema. Em geral, mulheres e homens se dão muito bem. A mulher já está questionando o machismo do homem no plano pessoal, e isso está caminhando bastante.”


Donas do próprio corpo


“A grande autonomia das mulheres veio com as pílulas anticoncepcional e do dia seguinte. Com isso, a mulher, pela primeira vez, em dois mil anos, desliga a sexualidade da maternidade. Este foi o grande avanço que permitiu a autonomia, o estudo e o controle do corpo. O resto é secundário. A fertilização in vitro é algo secundário diante disso. A partir da pílula e dos métodos anticoncepcionais, nos anos 1960, é que aconteceu todo o movimento de autonomização da mulher e o fato de ela se tornar o sujeito maior da história. Produção independente de filhos sempre houve depois dos anos 1960.”  


IN; ECOLÓGICO

terça-feira, 17 de março de 2015

OLHO PRO NADA HOJE

Já não lembro mais, eu remo sem chegar a marge porque já não me lembro mais de como fazer a travessia. Sou contra tudo e ainda sim prossigo curiosa...Meu ritmo é lento...Mas não quero mentir mais, nem dizer palavras doces.
Mais áspera que a folha da urtiga, não sei ser doce...Só sei ser inocentre ou ingênua e nem isto quero mais.
Mais ingênua que inocente...Inocente é uma qualidade que desconheço e nem aprecio. Não, não vou divagar sobre isso de novo e nem vou me enfiar no buraco de dizer o que sinto. Eu não sinto nada, meu erro é ser assim, sem sentir, sem sofrer.
Não sofro mais, essa parte de mim já foi cortada e não vou fingir ser outra pessoa...
Minhas perguntas não interessam e eu não espero nada.
Eu apenas sigo vivendo como se algo estive para acontecer...Minhas palavras são vagas e perdem se num auto dialogo sem sentido.
Até pra mim é indecifrável, esse sentido do que chamamos de vida, mesmo porque eu já não sei esperar muito...
Ao que parece...Na minha memoria, meu passado já foi...Tantas páginas que busco e parecem em branco...Eu ainda não fiz nada com a minha vida e essa é a verdade.
Minha vida está parada no nada e agarra se a ele obstinadamente. Escrevo por escrever e curiosamente ainda sei quem sou.
Eu sei quem vive debaixo dessas peles e escamas, sei a cobra que eu sou, tola e fútil, dedicada e vazia.
Hoje é o dia em que meus olhos se voltam para o nada,
Sempre fui das escondidas, das que tomam muito cafe e fumam cigarros longe dos olhos da mãe...Curiosamente nunca senti nada em relação ao meu pai, que nunca significou nada além de um vago carinho...Ele era um vagabundo carinhoso e até onde eu sabia nunca havia feito nada por mim ... De quando em vez uns trocados para comprar balas quando eu era criança ou jogar videogames... Não me importo com isso, Minha mãe sempre foi outra coisa.
Era como uma força, como se ela fosse uma coisa que se encerrava em si mesma e ainda sim... Doce e dramática sem ter realizado seus sonhos e sempre lembrando o passado...Ela era forte e chorava ao mesmo tempo e sempre me impressionei com sua força, com a força dela que segurava tudo...
Aqui onde vivo chove...sempre gostei da chuva, acho que ela embeleza muito mais a natureza que o sol...Sempre quando a chuva terminha, durante uma tarde, eu observo as plantas e as sinto mais vivas, mais brilhantes e ao mesmo tempo mais escuras...E o mundo parece mais triste e mais intenso ao mesmo tempo como se a vida se emposse com a chuva.