"E aqueles que pensam em Me procurar, saibam que a vossa busca e vosso anseio devem beneficiar-vos apenas se vós souberdes o Mistério; se o que vós procurardes, vós não achardes dentro de vós mesmos, então nunca encontrarão fora. Pois eu tenho estado convosco desde o Início e Eu Sou Aquela que é alcançada ao final do desejo"


sexta-feira, 27 de março de 2015

A FACE DUPLA



A DEUSA DUPLA 
A MÃE E A FILHA


Entre as inúmeras imagens de deusas antigas, encontram-se com frequência esculturas – em pedra, osso, argila – pinturas ou vasos em forma de deusas duplas ou geminadas. Elas simbolizam a polaridade biológica e oculta do princípio feminino, a eterna dança entre vida e morte, luz e escuridão, as fases da Lua, os ciclos da Natureza e da vida humana. Nos antigos Mistérios Femininos, as deusas duplas - aparecendo como mãe e filha ou irmãs - expressam os elos profundos dos laços de sangue, a solidariedade e parceria femininas, sendo um incentivo para a reformulação dos conceitos contemporâneos de cooperação e competição entre as mulheres.

A dupla de deusas simbolizava a soberania feminina na maioria das culturas pré-patriarcais, no nível espiritual e profano, representada pelos cultos matrifocais e a linhagem matrilinear. Com o passar do tempo, o ícone da Deusa Dupla metamorfoseia-se em Duas Mães, Senhoras, Irmãs ou Rainhas, reafirmando os laços de sangue e a parceria femininas. A iconografia da Deusa Dupla fortalece o conceito da natureza ambivalente da Grande Mãe, cujos polos de vida e morte se complementam numa mandala que mescla as forças de nascimento, crescimento, morte e renascimento. As mulheres espelham esta biologia bipolar, alternando nos seus corpos as fases hormonais (ovulação/menstruação), emocionais (expansão/retração) e espirituais (manifestação/contemplação). Nas culturas antigas ambas as polaridades eram honradas e consagradas, os rituais sendo organizados em função desta dualidade rítmica.

Assim como em outras mitologias, no Egito o tema da Deusa Dupla permaneceu durante milénios e era representado por várias deusas como Nekhbet/Wadjet, Tauret/Mut e Ísis/Nepthys.

A conexão complementar entre Ísis e Nephtys é muito antiga, dividindo entre si as regências: a luz lunar, a estrela matutina e o mundo visível e manifesto pertenciam a Ísis enquanto a face negra e oculta da Lua, a estrela vespertina e o mundo invisível e não manifestado eram o domínio de Nephtys. A sua dualidade – como faces opostas mas complementares da Grande Mãe – espelhava a dos seus maridos e irmãos, Osiris, deus da luz e fertilidade da terra e Seth, regente da escuridão e aridez do deserto.

Irmã gémea de Ísis, filha da deusa celeste Nut e do deus da terra Geb, Nepthys – ou Nebet Het - tem uma simbologia complexa e aparentemente contraditória. Ao mesmo tempo em que representa o fim da vida – seu nome simbolizava os “confins da terra e do tempo” - ela também anunciava o renascimento. O Seu tempo sagrado era o anoitecer, quando o barco solar mergulhava nas profundezas da terra, delas ressurgindo na manhã seguinte abençoado pela luz de Ísis. O Seu título era a “Senhora da Casa” reproduzido pelo hieróglifo e a imagem sobre a sua cabeça, o de Ísis sendo “A Senhora do trono”, que adornava a sua cabeça.

Enquanto Ísis governava o céu e a terra, o domínio de Nephtys era o mundo desconhecido e misterioso dos sonhos, do inconsciente e dos fenómenos psíquicos, bem como a realidade desafiadora da transformação dos mortos em seres de luz .O que acontecia no mundo astral (de Nephtys) afetava o mundo natural (de Ísis), assim como também o contrário. A morte era uma passagem estreita da luz para a escuridão, mas a alma precisava de atravessar esta escuridão para alcançar novamente a luz, conforme dizia esta frase gravada nos sarcófagos egípcios: “Que possas acordar para uma nova vida com as bênçãos de Nephtys, que te renovou durante a noite fria e escura”.

Nephtys era a padroeira do sofrimento feminino e também da cura, enviando sonhos curadores e energias de alívio aos doentes, bem como apoiando os moribundos na sua passagem, o que a tornou a deusa guardiã dos ritos fúnebres. Juntamente com Ísis, ela foi a criadora dos rituais de reverência aos deuses e das práticas templárias e mortuárias. Chamadas de Ma’aty – a dupla verdade – as irmãs eram “As Senhoras”, que apareciam em forma de pássaros migratórios nos sarcófagos para descrever o inverno (e a morte), bem como a primavera (e o renascer). Representadas juntas e com as asas estendidas ao lado dos faraós sobre os seus sarcófagos, elas não apenas simbolizavam a sua proteção, mas ta

mbém o seu renascimento. O espaço entre as suas asas forma o símbolo ka, o abraço divino que contém o todo e todas as suas partes.Isis e Nephtys tornam-se uma deusa só quando juntam as suas energias complementares e assistem Osiris na sua ressurreição, assim como fazem com o Sol (na sua passagem entre noite e dia) e acredita-se que farão com todas as almas na sua transição entre vida/morte e renascimento.

Mirella Faur


terça-feira, 24 de março de 2015

FALTA DE CONTEXTO

mister disse...
Bom Blog ! mais recheado de pós-modernismo e sem grandes Reflexões! 
Vcs seguem uma linha tão medíocre dentro da Magia que chega a dar vergonha alheia! parecem mais Neo-Feministas !! 
Atualmente, pagãos modernos [neopagãos] e wiccanos celebram [ou seria melhor utilizar "mimetizar", como bem descreve a Rosa Leonor ?] a Descida de Inanna. Na liturgia tradicional wiccana, a descida da Deusa ao Submundo é uma linda cerimônia, mas não pode ser considerado uma cópia do mito sumério-acadiano.
O mito de Inanna é mal celebrado e mal compreendido, se os neopagãos e wiccanos celebrarem apenas Inanna. Qualquer celebração neopagã ou wiccana sem a presença do Deus Consorte é uma pobre e triste inversão da cegueira que dominou a civilização ocidental nos últimos 19 séculos.
Conheçamos a face do Deus das Bruxas [e Bruxos] no mito de Dumuzi:
Deusas antigas como Anath feritizavam a elas mesmas com o sangue de homens e touros. Entretanto a domesticação e criação de animais depende da compreensão dos papéis complementares dos sexos na reprodução. Não obstante, o comportamento sexual da criação de animais teve um enorme impacto da cultura e sexualidade humana. Estava abundantemente claro que o macho era requerido apenas para o momentâneo processo de fertilização, enquanto tanto o parto quanto a nutrição dependiam centralmente na maternidade.
Dumuzi primeiramente tentou persuadir Inanna de se casar um rei-pastor. O encontro então esquentou com a paixão da jovem Inanna pelo jovem rei-pastor Dumuzi e a consumação deles, ecoando a fecundidade pastoral completamente.[Dhushara]
Em homenagem ao mito de Inanna e Dumuzi, nada é mais esclarecedor [e escarnecedor] do que este trecho de um antigo hino:
Inanna disse: [...]
"Enquanto a mim, Inanna,
Quem irá arar minha vulva?
Quem irá arar meus altos campos?
Quem irá arar meu solo úmido?"
Dumuzi replied:
"Grande dama, o rei irá arar sua vulva.
Eu, o Rei Dumuzi, irei arar sua vulva."
Inanna:
"Entã are minha vulva, homem do meu coração!
Are minha vulva!"[Dhushara]
Como todo Deus da Vegetação, Dumuzi morre e Inanna vai ao submundo resgatá-lo, enfrentanto Ereshkigal, a Deusa do Submundo. Não faria muito sentido isto, se pensarmos que estas Deusas sejam as mesmas ou sejam manifestações de uma única Deusa. Não faz sentido algum copiarmos um mito tão carregado de erotismo, onde a união sexual, o Hiero Gamos, é crucial, se formos crer em uma Santa Ameba que pariu a criação por partenogênese. Faz menos sentido ainda o discurso contra o suposto sexismo e heteronormatividade da Wicca Tradicional.
Como o Deus e a Deusa das Bruxas [e dos Bruxos], Dumuzi e Inanna celebram o Hiero Gamos. A união, a cópula, entre o Deus e a Deusa é o que mantém a existência, da humanidade, da natureza, do mundo, do universo.

NOTA AO COMENTÁRIO:

Ola sinceramente não consegui compreender o contexto do seu comentário...
Não compreendi o que de tão ridiculo ou vergonhoso pode ter para uma mulher focar na Deusa...Aliás se me lembro bem esse comentario é antigo e creio que já havia sido publicado antes. Estamos num mundo  livre aonde cada um segue suas ideias e ideologias, não tenho nenhum compromisso portanto com as leis ou regras teologia dentro do wicca... Afinal esta é uma página votada a Deusa e tem nela e na sua plenitude, na interpretação de sua plenitude o tema principal e como ela se relaciona com a mulher...
Sendo assim a temática do Deus nunca foi inserida aqui nem de modo negativo ou positivo..No máximo existem situações ao que patriarcas do mundo inteiro fizeram com seus deuses e como os transformaram em deidades politicas para melhor dominar suas nações e justificar o controle das mulheres...
Essa é uma página votada para a pesquisa da Deusa é só...Não defendo nenhum tipo de plataforma mágica e inclusive o Deus faz parte das minhas práticas pessoas.
SENDO ASSIM SE VOCÊ COMO HOMEM SENTE FALTA DO DEUS E DE DETALHES SOBRE ELE PORQUE NÃO CRIA ALGO MAIS CONSTRUTIVO COMO SUA PRÓPRIA PÁGINA?

Há mais coisas que poderia dizer mas não vejo necessidade de me estender numa discussão tealógica com senhor....Acho irrelevante.

MINHA PÁGINA NÃO É SOBRE A PRÁTICA MÁGICA E SIM SOBRE O SAGRADO FEMININO...Acho que qualquer um com o  minímo de inteligencia pode compreender a página se realmente e ler sem as lentes do preconceito...E embora tenha grande carinho por Rosa Leonor, minha página é independente... Sou influenciada por ela e por sua brilhante inteligência constantemente mas não levo suas palavras como leis escritas na rocha...

Sendo assim
Obrigada pelo carinho e atenção por se importar com a minha página e com sua qualidade.

Realmente deve incomodar interpretar a Deusa como um poder criador e independente e não como contraparte de nada, nem de ninguém... Absurdo focar na mulher e dizer que sim, Ela como ser humano completo tem em si os poderes masculinos e femininos...

quinta-feira, 19 de março de 2015

FALTA





Uma delas, a escritora, física e economista Rose Marie Muraro, que morreu no dia 21 de junho, aos 83 anos, no Rio de Janeiro, onde morava. Vítima de um câncer de medula, a pioneira do feminismo no Brasil foi uma verdadeira revolucionária, pois proporcionou o nascimento de uma mulher livre, senhora de si mesma e do próprio corpo.


Considerada uma mulher impossível – nome de um dos seus mais de 40 livros –, Rose fez tudo o que lhe disseram para não fazer. Inclusive, gestou um novo mundo, onde mulheres e homens são cúmplices, parceiros e não adversários. Rose garantia que a revolução das mulheres jamais poderia existir “sem o gesto de amor do homem. Pois a revolução do homem é tão importante quanto a da mulher. Se no primeiro ano de vida, um bebê, independentemente do sexo, é cuidado pelo pai na troca de fraldas, na hora da mamadeira, vai viver numa sociedade democrática e plural, muito diferente da patriarcal, onde a violência e o machismo predominavam”.


 Ela atuou como diretora da Editora Vozes, ao lado do teólogo e escritor Leonardo Boff, publicando mais de 1.600 títulos. Os dois trabalharam juntos por 17 anos. Ao lado dele, lutou pela Teologia da Libertação, com opção preferencial pelos pobres e que, anos depois, seria expurgada e condenada pelo Vaticano. Rose e Boff foram expulsos da editora, mas continuaram a lutar pelas mudanças sociais urgentes e necessárias. Com cinco filhos, 12 netos e seis bisnetos, a escritora ficou casada por 23 anos e se separou com opiniões polêmicas e ousadas sobre o relacionamento a dois - principalmente sobre o casamento.


Na década de 1990, Muraro desafiou os próprios limites quando, aos 66 anos, recuperou a visão com uma cirurgia e viu seu rosto pela primeira vez, afirmando: “Sei hoje que sou uma mulher muito bonita”. Em 2009, criou o Instituto Cultural Rose Marie Muraro (ICRM) com o objetivo de salvaguardar seu acervo, que conta com mais de quatro mil publicações.


Sem dúvida, uma mulher que deixa um legado libertário para as futuras gerações. E que mostramos a seguir, ao relembrarmos alguns trechos de seus livros e pensamentos. Confira!


Linguagem corporal


“A política do corpo tem uma importância revolucionária muito maior do que qualquer reforma agrária ou a luta pela Constituinte.”


 Mergulho interior


“Eu sou cega, não posso ler. Então, eu tenho que me voltar para dentro. Ou eu me volto para dentro ou

eu morro.”

Relação homem/mulher


“Onde começa o casamento acaba a relação homem /mulher, porque aí entra dinheiro, filho e um cotidiano burguês horroroso, desgastante. E entra sempre a relação sadomasoquista: tem sempre um bonzinho e um filho da puta. Essa relação não é homem/mulher, não é do profundo. É a relação convencional, dominante-dominado, que é passada de geração em geração, de pai para filho, de mãe para filha. Isso eu não quero, muito obrigada!”


“Se você não desenvolver uma vida dupla para sair do seu casamento, você nunca vai saber o que é o prazer e nunca vai largar o seu casamento.  E foi assim que eu saí corneando o meu marido.”


Moralidade/ética


“O papa João Paulo II pediu a minha cabeça por causa do livro ‘Sexualidade da Mulher Brasileira’. Aí, dei mais motivos pra ele e escrevi ‘A Erótica Cristã’, que é fazer um corpo erótico cristão. Quer dizer, não usar mais a moralidade e, sim, a ética. Porque é imoral você estar num casamento que é feito só para o seu sofrimento e o de todos. E é ético você sair desse casamento para viver uma vida plena e dar aos outros uma vida plena.”


Livros incendiários


 “Já nos anos 60 eu queria por fogo no mundo. Então, fui por fogo no mundo, fui ser editora. E eu vi que são os livros que põem fogo no mundo.”


Sexualidade


“Eu descubro um grande prazer na sexualidade. Eu me defini como uma bruxa, isto é, uma mulher orgástica e sábia ao mesmo tempo. Dona do seu corpo e da sua mente.”


Caça às bruxas


“Por que eles tinham misoginia (aversão à mulher)? Porque os homens foram para as Cruzadas pegar territórios dos islâmicos e levaram uma surra. Passaram 400 anos levando uma surra. Foi nesse tempo que as mulheres tomaram o poder na Europa. Quando os homens voltaram, queriam o seu lugar. Aí começa a caça às bruxas.”


“Quem eram as bruxas? Eram as mulheres que possuíam pequenos feudos e eram sábias e orgásticas. E não tinham quem as protegesse. Quem as denunciava eram os donos de terra. E foi assim que fizeram as nações: em cima dos corpos queimados das bruxas.”


Deusa do fundo da terra


“O ser humano era nômade. Não havia propriedade privada de nada. Não tinha um deus masculino, era uma deusa. O deus macho, completamente masculino, começa com a lei do mais forte. Não é mais uma deusa do fundo da terra dando comida, de onde tudo sai e tudo volta depois que morre. Mas um deus de cima para baixo, controlando os corações e as mentes e olhando tudo com um olhar repressor.”


Capitalismo capitalista


“Eu consegui obrigar o sistema a me pagar para falar mal dele, porque os meus livros dão dinheiro. Você vê como o sistema é. Ele não se incomoda que se fale mal dele desde que ele possa lucrar.” 


‘Ser’ humano


“Quando desistirmos de ser deuses poderemos ser plenamente humanos - o que ainda não sabemos o que é, mas intuímos desde sempre.”


Feminismo


“O feminismo não é o que as pessoas pensam. É só um movimento organizado das mulheres, mais nada. Não tem nada a ver com o plano pessoal da mulher contra o homem, mas sim contra o sistema. Em geral, mulheres e homens se dão muito bem. A mulher já está questionando o machismo do homem no plano pessoal, e isso está caminhando bastante.”


Donas do próprio corpo


“A grande autonomia das mulheres veio com as pílulas anticoncepcional e do dia seguinte. Com isso, a mulher, pela primeira vez, em dois mil anos, desliga a sexualidade da maternidade. Este foi o grande avanço que permitiu a autonomia, o estudo e o controle do corpo. O resto é secundário. A fertilização in vitro é algo secundário diante disso. A partir da pílula e dos métodos anticoncepcionais, nos anos 1960, é que aconteceu todo o movimento de autonomização da mulher e o fato de ela se tornar o sujeito maior da história. Produção independente de filhos sempre houve depois dos anos 1960.”  


IN; ECOLÓGICO

terça-feira, 17 de março de 2015

OLHO PRO NADA HOJE

Já não lembro mais, eu remo sem chegar a marge porque já não me lembro mais de como fazer a travessia. Sou contra tudo e ainda sim prossigo curiosa...Meu ritmo é lento...Mas não quero mentir mais, nem dizer palavras doces.
Mais áspera que a folha da urtiga, não sei ser doce...Só sei ser inocentre ou ingênua e nem isto quero mais.
Mais ingênua que inocente...Inocente é uma qualidade que desconheço e nem aprecio. Não, não vou divagar sobre isso de novo e nem vou me enfiar no buraco de dizer o que sinto. Eu não sinto nada, meu erro é ser assim, sem sentir, sem sofrer.
Não sofro mais, essa parte de mim já foi cortada e não vou fingir ser outra pessoa...
Minhas perguntas não interessam e eu não espero nada.
Eu apenas sigo vivendo como se algo estive para acontecer...Minhas palavras são vagas e perdem se num auto dialogo sem sentido.
Até pra mim é indecifrável, esse sentido do que chamamos de vida, mesmo porque eu já não sei esperar muito...
Ao que parece...Na minha memoria, meu passado já foi...Tantas páginas que busco e parecem em branco...Eu ainda não fiz nada com a minha vida e essa é a verdade.
Minha vida está parada no nada e agarra se a ele obstinadamente. Escrevo por escrever e curiosamente ainda sei quem sou.
Eu sei quem vive debaixo dessas peles e escamas, sei a cobra que eu sou, tola e fútil, dedicada e vazia.
Hoje é o dia em que meus olhos se voltam para o nada,
Sempre fui das escondidas, das que tomam muito cafe e fumam cigarros longe dos olhos da mãe...Curiosamente nunca senti nada em relação ao meu pai, que nunca significou nada além de um vago carinho...Ele era um vagabundo carinhoso e até onde eu sabia nunca havia feito nada por mim ... De quando em vez uns trocados para comprar balas quando eu era criança ou jogar videogames... Não me importo com isso, Minha mãe sempre foi outra coisa.
Era como uma força, como se ela fosse uma coisa que se encerrava em si mesma e ainda sim... Doce e dramática sem ter realizado seus sonhos e sempre lembrando o passado...Ela era forte e chorava ao mesmo tempo e sempre me impressionei com sua força, com a força dela que segurava tudo...
Aqui onde vivo chove...sempre gostei da chuva, acho que ela embeleza muito mais a natureza que o sol...Sempre quando a chuva terminha, durante uma tarde, eu observo as plantas e as sinto mais vivas, mais brilhantes e ao mesmo tempo mais escuras...E o mundo parece mais triste e mais intenso ao mesmo tempo como se a vida se emposse com a chuva.

LILITH

Para que não confundam mais Lilith com outra que não ela...
POEMA DE JOUMANA HADDAD

QUANDO EU ME FIZ FRUTO...
  
...
A sombra da lua fui concebida rapaz e rapariga ...
mas quando nasci foi sacrificado Adão, 
foi imolado aos vendedores da noite. 
Minha mãe baptizou-me nas águas do mistério 
para encher o vazio da minha outra essência, 
colocou-me à beira de todos os abismos 
e entregou-me ao estrondo das perguntas. 
Dedicou-me à Eva das vertigens 
e amassou-me em luz e trevas 
para que me tornasse mulher centro e mulher lança 
trespassada e gloriosa 
anjo dos prazeres sem nome. 
Estrangeira cresci e ninguém me colheu o trigo. 
Desenhei a minha vida numa folha branca, 
maçã que nenhuma árvore gerou, 
mas depois rompi-a e saí dela 
em parte vestida de vermelho, em parte branco. 
Não habitei no tempo 
nem estive fora dele 
porque amadureci nas duas florestas. 
Lembrei-me antes de nascer 
que sou uma multidão de corpos 
que dormi longamente 
que longamente vivi 
e quando me tornei fruto 
conheci o que me esperava. 
Pedi aos feiticeiros que cuidassem de mim 
e levaram-me com eles. 
Era 
o meu riso 
terno 
a minha nudez 
azul 
e o meu pecado 
tímido. 
Voava numa pena de pássaro 
e fazia-me travesseiro na hora do delírio. 
Eles cobriram-me o corpo de amuletos 
e untaram-me o coração com o mel da loucura. 
Guardaram os meus tesouros e os ladrões dos meus tesouros 
trouxeram-me silêncios e histórias 
e prepararam-me para viver sem raízes. 
E fui-me embora a partir daí. 
Nas nuvens de cada noite reincarno 
e viajo. 
Só eu me despeço de mim 
só eu me abro a porta. 
O desejo é o meu caminho e a tempestade a bússola. 
Em amor, em nenhum porto lanço ferro. 
Abandono à noite a maior parte de mim mesma 
e reencontro-me apaixonadamente. 
Misturo fluxo e refluxo 
vaga e areia da margem 
abstinência da lua e os seus vícios 
amor 
e morte do amor. 
De dia 
o meu riso pertence aos outros 
e é meu o meu jantar secreto. 
Conhecem-me os que entendem o meu ritmo, 
seguem-me 
mas não me alcançam nunca. 

(Tradução: Pedro Tamen- Laureano Silveira)
Publicada por rosaleonor IN;MULHERES & DEUSAS

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

A via mais fácil será a que deve ser percorrida?
Porque é sempre a mais difícil a qual meu espírito se conduz...

O FOGO AINDA QUEIMA EM MIM (O SALTO ALQUÍMICO)

De uns tempos pra cá, esta chama desaparecida tem se reacendido...qual?
A vontade de fazer as coisas de sair da estagnação...Será que estarei preparada para mais um salto?
O problema  dos meus saltos é que sempre são num caminho sem volta. Não há como eu olhar para trás e dizer que foi obrigada a saltar...Só o que posso fazer é saltar ou esperar para viver. O salto é o maior risco na vida de uma mulher, representa um mergulho no desconhecido.
Mas sinto como se a Deusa me empurra-se para a borda e me desse a opção; ficar confortável e segura esperando a vida chegar ou me lançar no fogo e correr o risco de sair queimada...ou transformada.
Numa simples frase invoquemos o nome da Mãe, o velho desafio... Desafiar a Mãe e se tornar  a Grande Mãe, deixar de ser apenas a vaga imagem da filha a sombra da mãe...para que um dia se reunir com Ela fortalecida e de novo chorar nos seus braços, mas sem dor...Só amor doce e selvagem, saudade e ternura.

PS; meu velho fogo, você ainda vem a mim para me assolar...

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

EM BUSCA DE DEFINIÇÕES PLAUSÍVEIS

Feminino, Feminismo, Espiritualidade...




Hoje vou falar do que eu vejo ser meu feminismo, minha espiritualidade.

Eu creio que a mulher será sempre “n”coisas incompreensíveis, quiçá inexplicáveis.
Como foi assim até hoje.
Como somos agora.

Simplificar o estado “mulher”, “bruxa”, “pagã”, inserindo-a em uma esfera, lhe retira significância; resta valor encaixar-nos em uma nomenclatura apenas por ela ser reconhecida e validada publicamente, isto nos limita e nos parte.
Não investe a mulher de valor.

Não é a modernidade nem o Paganismo o que fará dela, uma fêmea libertária e autônoma.
Pode ela ser pagã, nascer no século XXII e ser cópia fiel de outras mulheres de séculos atrás, no que se refere à passividade perante a extirpação dos seus direitos.

Também a questão do gênero não salva a mulher de ser mais ou menos machista, ou mais ou menos aquiescente com a violência no lar ou fora dele; ou com a exploração sexual e menosprezo pelo sexo feminino. Mulheres que amam mulheres estão aí a fora sendo usurpadas da sua liberdade, exploradas física ou financeiramente pelas mulheres que amam…

Então não é o grau de liberdade o que sinaliza ser livre de fato, ou o acesso às escolhas seja quais forem e nos níveis que forem o que garante à mulher ser um indivíduo livre, consciente dos seus direitos, deveres e feliz.

Nem é a obrigação de procriar o que realiza ao ser humano…

O que nós constrói como seres humanos é o respeito e dignidade para consigo mesmo, o respeito pelas nossas limitações, o amor próprio é o que nós salva da exploração alheia e nos proporciona dignidade, coesão em atos e pensamentos.

É o conceito bem formado interior sobre cada o que salva ao indivíduo de calar, de omitir-se e perpetualizar a nulidade dos direitos humanos e a repetição cíclica da exploração massiva ou particular.

Não é no nível das discussões de ser ou não fêmea ou macho, e sobre quem é melhor, que se resolvem quizilas íntimas e externas, Mas sim a conscientização individual quanto ao que faz bem ou mal a cada indivíduo, e as perdas que podem incorrer na busca incansável pela aceitação do outro a todo custo. A despersonalização e perda de referencial individual e a mimetização no outro é o que anula o ser humano. O desvaloriza e denigre.

Mas, sempre há um mas, podemos sim as mulheres pagãs aceitar uma bandeira, ideológica, espiritual, ativista e pagã. Que acolha a mulher como ela se mira, como ela se vê refletida em seus espelhos mutantes.

Essa bandeira deve ser flexível, deve conseguir se moldar dentro das múltiplas formas que as mulheres pagãs possuem, claro as mulheres pagãs, que se entendem como Bruxas, como Feministas, como Ecológikas…

Apesar de que rótulos pesem cedo ou tarde, saber que há um nome para aquilo que somos e praticamos, faz com que sintamos “estar em casa”, onde podemos manifestar dizeres que externam o que já passou horas demais internalizado.

Os movimentos femininos das décadas de 60, 70 e cujos reflexos sentimos no hoje, perfazem, ainda que distantes em tempo e geografia, o sentir espiritual do feminino pagão atual. Foi lá naqueles anos vestidos de roupas engraçadas, que o Paganismo Feminino tomou formas, nasceu e perdurou… Não me refiro à história e registros antropológicos, mas a historicidade.

A historicidade é um conceito crucial para o entendimento da história, seja ela considerada “ciência” como queriam os estudiosos do século XIX, ou “narrativa verídica”, como definiu Paul Veyne. É a historicidade que dá caráter factual à vivência, em oposição à narratividade que cerca o homem; é aquilo que dá valor ao antigo apenas por ser antigo, e não por ter uma qualidade intrínseca - é o que define um mero objeto de um objeto histórico. Analisando a importância da história para o homem, Gadamer afirma: 

“o homem é, simultaneamente, o ser do passado remoto e o ser que vive no seu futuro como grande horizonte de expectativa e vasto campo de projetos que o seu ser modelado pela sua história lhe abre.” (GADAMER, 1988: 12).

Esse ‘ser modelado pela história’, no entanto, é impensável sem a preocupação, consciente ou inconsciente, com a historicidade.

É nessa historicidade que os movimentos daquelas décadas representam papel preponderante em nosso fazer pagão de hoje!

Em outras palavras, não devemos menosprezar a história do feminino e suas manifestações, mas considerar seriamente a representatividade que ativistas feministas dos anos 70, possuem no que hoje é o paganismo feminino.

Mas vamos ao rótulo ou bandeira, ou denominação, e a qual venha a ser ela.
Entendo que assim como eu, outras pagãs, possam se encaixar no conceito da Bruxa Eco-feminista Pagã.

Um conceito que pega emprestado muito do que foi elaborado pelos movimentos ativistas femininos pagãos como os encabeçados por Starhawk, ZZ. Budapest, por exemplo, e por movimentos dentro do universo psicanalítico, onde podemos citar a seguidoras e revisionistas junguianas como: Jean Shinoda Bolem; Marion Woodman; Christine Downing, entre outras.

Elas que em suas analises pessoais e interpessoais resgatam o conceito da identificação da nossa psique e os arquétipos das deidades femininas oriundas em base à mitologia grega, mas que hoje em dia abarca a outras.

Bem, podem estar pensando, isso é o Dianismo… Não. Não necessariamente dentro do conceito a ser elaborado e construído; onde a mulher pagã se entende como um ser politicamente ativo, não apenas em relação aos direitos civis, mas ao resgate da Terra.

Bruxa, sem necessitar filiação a uma Tradição oficial por assim dizer, mas sim sendo Bruxa no seu fazer cotidiano “Pro – Verde”; “pro – Vida”, logo Ecológika.
Como ser crente na magia, na possibilidade de criar magia. Sem idealizar um estereótipo fantasioso, mas imprimindo a esse fazer, a esse criar, conotações ativistas.

Exercer seu panteísmo e politeísmo abertamente, sem o sentimento de categorização, de classificação, de grupo fechado… Poder ser livre no percurso da sua trilha espiritual, sem ter que prestar contas ao coletivo. Mas inserindo essa religiosidade dentro do seu entendimento como ser social, não como subcategoria, ou contra cultura.

Nada disso, somos uma cultura, somos uma categoria, a de mulheres ativistas pelos seus direitos espirituais, emocionais, físicos e civis. E dentro deles o direito à fala é imprescindível e inalienável, mesmo dentre os grupos femininos circulares, que de tanto rodopiar concluem por repetir o ato excludente que execram no patriarcalismo, ao massacrar o pensar de outras mulheres.

Vamos rodopiar de mãos dadas, girar em qualquer sentido, mas juntas. E nisto mora o feminismo.

Ser Feminista não pode hoje ser apreendido como mundo de fêmeas que excluem ao homem, mas um mundo de fêmeas que luta por seu lugar ao sol, pelo respeito para com sua ideologia, pelo o empoderamento do seu eu, tão dissipado e esmagado ao longo das eras.
Feministas somos as mulheres que respeitamos ao homem, e o encaramos de igual para igual, sem medo, nem incentivo à supremacia de sexo ou gênero.

Somos as fêmeas que criamos uma nova geração de seres abertos à diversidade, tolerantes, livres para escolher suas sendas no político, religioso e sexual.

Somos Pagãs por crer em várias deidades, crer na magia, crer na sobrevivência da Terra, por entender que depende do Verde a Vida. O entendemos como o Sagrado que nos cerca, O reverenciamos e nos permitimos lhe dar vários nomes. Interagimos com esse Sagrado, logo somos co-responsáveis dentro da dinâmica social por Ele.

Eis o que somos muitas mulheres pagãs, espalhadas pelo mundo afora:
Bruxas Eco-Feministas Pagãs.

Neste epíteto, está a explicação do nosso fazer espiritual, eis a explicação para aquelas que como eu, já percorreram “n” caminhos, já realizaram “n” estudos, leituras, mergulharam em centenas de livros, pensamentos e sonhos. E hoje descobrem que podem usar essa bandeira, nomenclatura, denominação. Ou não, pois tudo é questão de escolhas pessoais...

Sempre grata,


Luciana Onofre
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Bibliografia Consultada:
A Deusa Interior – Jennifer Barker Woolger & Roger J. Woolger. Ed. Cultrix.
A Deusa Tríplice – Adam McLean. Ed. Cultrix.
A Deusa no Escritório – ZZ. Budapest. Ed. Agora.
Bruxaria e História – Carlos Figueiredo Nogueira. Ed. USC.
Como se escreve a história e Foucault revoluciona a história – Paul Veyne. Ed. UnB.
História e Historicidade - H.G. Gadamer. Ed. Gradiva. Lisboa

IN: http://divinatrice.blogspot.com.br/2012/03/feminino-feminismo-espiritualidade.html

domingo, 28 de setembro de 2014

HIATO

Todos devem perceber que não tenho publicado mais, e isso se deve sobretudo ao momento em que vivo...Estou diante de escolhas tentando plantar um presente forte para nascer com um futuro melhor. Assim pessoa desculpas aos leitores por não ter dado nenhuma explicação a acerca do enorme hiato que aconteceu na página.
 Haverão um retorno aos temas propostos na Alta Sacerdotisa dentro do que for cabível mas infelizmente não posso dar um prazo e nem uma certeza de quando isso ira ocorrer, pois o que acontece no momento é uma tentativa minha de alcançar uma maior estabilidade material, e como sabemos isso acaba atrapalhando também minha atuação aqui na página. Também meu presente envolvimento com o paganismo no rio tem me distanciado do tema do Feminino Sagrado. Tenho a duras custas tentado fazer essa viagem espiritual para dentro de mim, tentando controlar meus medos e minhas sombras para realmente confronta lós. É como uma descida ao reino de Hécate ; é impossível realizá-la sem a tocha da experiência esclarecedora. E é apenas com essa sinceridade em que pode se realmente assumir essa trabalho: ou ele é assumido na via integral ou não temos nada.
Digo isso pois tenho a pretensão de no futuro realizar algo mais palpável como um círculo de estudos e discussões, práticas e vivências do feminino. Mas antes de tudo tenho que fazer uma transformação em mim, enfrentar as Parcas para poder traçar meu destino.
Assim sendo a página A Alta Sacerdotisa encontra se em HIATO POR PERÍODO INDETERMINADO.
Espero que tudo que eu aprenda durante esse afastamento enriqueça e muito o meu trabalho junto o Sagrado Feminino.
Que assim seja.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Nem que meu destino seja solidão
Que eu seja como a base da terra
A indesejada e desconhecida
E ainda sim secreta em minha magia...
Que eu possa acariciar minha alma
Com o sopro das brisas...
Meu prazer é meu, como é meu coração...
Que eu possa honra-lo...
Porque tudo que é já está escrito em meu coração...
Que eu possa mantê-lo indomado...
Eu que sempre fui incompreendida...
Se eu não aprender a ser aquela que vaga sozinha
Pelos montes, juro, minha Mãe...
Possa eu comer dos frutos e sentir sua doçura acariciando minha alma
E ver o entardecer com verdadeira alegria...
Possa eu ser forte e permanecer sozinha, porque minha canção...
Será melhor cantada no exílio...
A Deusa, eu esqueci tanta coisa que eu sabia...
Possa lembrar em meu coração...
Possa eu lembrar do meu coração.

TOMADA PELO VENTO


Meu coração é tomado pelo vento e palavras que nem sei
São sentimentos que me tomam a alma
meu coração é solitário e dentro dele minha alma é tempestade
Tão solitária apesar dos anos, tão tomada pela ventania
Tão tomada pelo destino que em chuva...
Que a chuva que cai em mim molhando  milhares de planícies
Que a chuva molhe meus lábios secos como o solo do deserto
O sono da morte para mim não é nada
Pois no meu sono, os sonhos vibram
Mas eu nunca voei em cores brilhantes
Sempre voem em tons sombrios, cercada pelo amor
Pela força escura que brota da terra
Como o mato, verde escuro e alto...
Meu amor é meu, e é como a tempestade que nunca se realizou
Meu amor é meu, como uma mulher que nunca se realizou...

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