"E aqueles que pensam em Me procurar, saibam que a vossa busca e vosso anseio devem beneficiar-vos apenas se vós souberdes o Mistério; se o que vós procurardes, vós não achardes dentro de vós mesmos, então nunca encontrarão fora. Pois eu tenho estado convosco desde o Início e Eu Sou Aquela que é alcançada ao final do desejo"


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sábado, 18 de setembro de 2010

SENHORA DA LUZ


Amaterasu Omi Kami, a senhora da luz celestial

“O brilho da Deusa do Sol preencheu o Universo e todas as divindades festejaram alegremente.”
Pergaminho japonês do séc VIII


Na maioria das culturas e línguas modernas (com exceção do alemão), o Sol é considerado um arquétipo masculino. No entanto, nem sempre foi assim. As religiões antigas de várias partes do mundo reverenciavam o Sol como uma Deusa doadora da vida. Com o passar do tempo, a perseguição dos arquétipos divinos femininos e o predomínio das religiões e valores patriarcais trouxeram uma nova hierarquia cósmica. O Sol passou a ser adorado como o Pai Celeste, enquanto a Terra era a Mãe, fertilizada pelos seus raios e calor. Somente os japoneses, escandinavos e alguns povos nativos (norte-americanos, esquimós e australianos) preservaram a memória ancestral dos poderes geradores e mantenedores da vida dos raios solares como sendo atributos de uma deusa, e não de um deus. Entre as deusas solares, sobressai-se Amaterasu, considerada a progenitora da família real japonesa e o símbolo da unidade cultural do povo.

As escrituras xintoístas dos primeiros séculos descrevem Amaterasu como a ancestral divina primordial, a senhora do brilho celeste e do calor solar, padroeira da agricultura e da tecelagem. Às margens do rio Ise Wan, encontra-se um templo simples, de madeira, sem imagens, que guarda o sagrado espelho com oito braços da deusa e para onde milhares de peregrinos levam suas orações e oferendas. Considerada a responsável pelo cultivo dos campos de arroz, pelos canais de irrigação, artes têxteis e preparo da comida, Amaterasu é reverenciada até hoje no nascer e no pôr-do-sol, nos altares dos templos e das casas, principalmente pelas mulheres mais idosas.

Em seu mito, Amaterasu é descrita como uma deusa radiante e bondosa, invejada por seu irmão Susanowo, o Deus do Tufão, que passou a desrespeitá-la e a destruir suas criações. Após agüentar a destruição das lavouras de arroz e a dessacralização de seus templos, Amaterasu ficou tão magoada com a morte de algumas mulheres, violentadas por seu irmão, que se enclausurou em uma gruta, recusando-se a sair. Alarmados com o fenecimento da vegetação e o frio e a escuridão que se espalharam sobre a Terra, as outras divindades tentaram encontrar um meio para trazer a Deusa de volta. Oito mil deuses reuniram-se na frente da gruta fazendo muito barulho, enquanto Uzume, a deusa xamânica da alegria, fazia todos rirem com suas brincadeiras e os movimentos lascivos dos seu volumoso ventre nu.

Curiosa com o motivo da algazarra e das risadas, Amaterasu abriu os véus que cobriam a entrada da gruta e sua figura refletiu-se em um enorme espelho de cobre, ali colocado pelas divindades. Ao se deparar com a linda imagem no espelho, Amaterasu sentiu-se enfeitiçada por sua própria beleza e permaneceu estática, em contemplação. Rapidamente, o Deus da Montanha fechou com rochas a entrada da gruta, enquanto deuses e mortais cantavam louvores ao esplendor de Amaterasu. Comovida, ela cedeu aos pedidos e deixou-se conduzir de volta ao seu palácio dourado. De lá, Amaterasu continua vigiando a Terra e suas lavouras e atende aos pedidos e orações, principalmente das mulheres que sofreram alguma violência da parte dos homens.

Refletindo sobre o significado oculto deste mito, podemos perceber o antagonismo entre as polaridades representadas por Amaterasu (ordem, dignidade, bondade) e Susanowo (rebelião, maldade, violência). O conflito entre o invejoso Deus do Tufão e a ordem celeste, pertencente à sua irmã, seria uma metáfora para o confronto entre duas tradições religiosas ou a descrição dos poderes destruidores da tempestade, prejudicando a abundância das colheitas.

Na visão feminista, as atitudes de desacato de Susanowo são vistas como demonstrações do ressentimento masculino que não aceita nem respeita a ordem e autoridade feminina, seja divina ou humana. O afastamento da deusa e a decorrente aridez e escuridão sobre a Terra demonstram a importância vital do princípio feminino, que deve ser reconhecido, respeitado e honrado.

O mito de Amaterasu alerta os homens para nem ofender nem prejudicar as mulheres, enquanto para elas o incentivo é para estabelecer e defender seus limites, evitando assim abusos e violências.

Para restabelecer a ordem natural e social, é vital que cesse a destruição da Natureza e a violência masculina contra as mulheres. Conscientes do seu valor e da sua força, mulheres de todos os lugares e crenças deverão sair dos seus esconderijos e projetar sua luz e seu amor para apaziguar e iluminar a Terra.

Mirella Faur

quinta-feira, 4 de junho de 2009

A DEUSA SOLAR JAPONESA


"Não somos corpos que procuram
espíritos, mas somos espíritos que procuram experiências
corporais"




Amaterasu é o Sol Feminino do Japão e Uzume, a Deusa Xamã da Alegria.
Elas são duas Deusas irmãs, cujos caminhos se cruzaram e nunca mais se separam, pois estão intimamente ligadas.
A lenda nos conta que Amaterasu tinha um irmão chamado Susano-o,
que não tinha outro prazer a não ser atormentar a irmã. Mas passou dos limites, quando um dia, matou um cavalo da Deusa
(animal que lhe era sagrado) e jogou sua carcaça sangrenta
sobre ela e suas auxiliares no quarto de tear. Algumas versões
contam, que uma tecelã morreu de susto e, em outras, que a própria Amaterasu saiu ferida do ataque. Mas, o que realmente aconteceu é que a Deusa se assustou tanto, que se refugiou em
uma gruta do ceú, que tapou com uma enorme pedra, desejando que
o mundo permanecesse na penumbra. Durante
a sua ausência, a escuridão e os demônios dominaram a terra.
Sem seus raios de luz, todas as coisas vivas começaram a
morrer. Temendo a completa instalação do caos, oitocentos
deuses reuniram-se em frente a caverna, tentando persuadi-la à sair. Colocaram na árvore que rodeava a entrada da gruta um
grande espelho mágico, bandeirolas de cânhamo e jóias. Depois
acenderam enormes fogueiras para iluminar o local, fazendo com
que os galos cantassem achando que o dia raiava, enquanto os
membros da família divina, reunidos nesse lugar, sopravam pífaros,
tocavam tambor e faziam uma grande algazarra. Foi quando a Deusa
Uzume teve uma grande idéia. Subiu em cima de uma tina virada e começou a executar uma dança ridiculamente obscena, mas
frenética e extasiante. Os Deuses começaram a rir muito alto.
Vendo que tinha conseguido chamar a atenção de todos, resolveu
provocar mais. Levantou o kimono, deixando a mostra seus
órgãos genitais e os seios. Houve assobios, uivos, gritos ensurdecedores, que tremeram os alicerçes do Ceú.Tanto alarido, acabou por despertar a curiosidade de Amaterasu, que afastando a pedra da entrada da gruta, resolveu espiar o que acontecia. Não cabendo em si de curiosidade, viu sua radiante
beleza refletida no espelho que os Deuses haviam colocado na árvore. Ficou totalmente fascinada e embevecida diante de tanto esplendor, que saiu da caverna, esquecendo-se totalmente da sua dor e medo. Entendeu então, que daquele momento em diante, deveria ser mais determinada para continuar seus deveres no céu. Retornou imediatamente para o seu palácio e fez votos para nunca mais se assustar com qualquer tempestade. Espelhos foram posicionados nas entradas de seus templos, para que todos que passasem por eles pudessem contemplar-se. E foi assim, através dos risos dos Deuses provocados por Uzume e pela maravilha de seu próprio reflexo, que Amaterasu retorna de seu exílio, deixando nosso mundo novamente cheio de vida e esperança. Muito embora Susano-o, tivesse sido desonrado por todos os outros Deuses, Amaterasu, tornou-o mensageiro de seu amor e desejos. Uzume, por sua vez, ficou imensamente feliz com o retorno de Amaterasu e a Deusa do Sol, toda vez que aparece traz sempre consigo a Alegria. E hoje, as irmãs Sol e Alegria, chegam até nós, caminhando de mãos dadas, para ensinar-nos sobre o poder de cura do riso e da dança e lembrar-nos que nós poderemos encontrar a cura e sabedoria no humor. Todos nós já passamos por períodos de nossas vidas, que nos refugiamos em cavernas escuras de nossas depressões, desilusões ou obsessões. Nós humanos somos filhos e filhas da escuridão e da luz. Estamos sempre em viagem da escuridão para a luz. E, como sabemos, cada dia é uma viagem. Da noite, saímos para o dia. Toda a criatividade desperta nesse limiar primordial, onde a luz e a escuridão se examinam e se abençoam. Só se descobre o equílibrio da vida quando se aprende a confiar no fluxo desse ritmo antigo. A Deusa Amaterasu além de trazer o colorido para a natureza, nos ajuda a vislumbrar as sagradas profundezas de dentro de nós. Já a Deusa Uzume vem nos dizer que o riso é a melhor forma de
relaxarmos quando estamos enfrentando períodos de dificuldades.Qual foi a última vez que você deu uma gostosa gargalhada? Uzume afirma que a totalidade só será alcançada
quando decidirmos rir e encararmos os desafios da vida com mais
humor. Nos revela também, que é através da dança que
poderemos alimentar a totalidade do riso. Os gestos são uma linguagem, que parte das profundezas do inconsciente e se abandona às pulsações divinas: o entusiasmo manifesta a presença de nossa Deusa interior. A dança simboliza e reclama a ação Desta. A dança religiosa e cósmica é um rito de identificação com a Deusa e sua Criação. A dança é ainda, um símbolo de libertação dos limites, que converteu-se em uma
manifestação da vida espiritual. As danças rituais são uma maneira de se restabelecer as relações entre Céu e Terra e reclamam: chuva, amor, vitória e fertilidade. Com
Amaterasu e Uzume, brilhamos com alegria, florescemos nas adversidades e sorrimos com facilidade. Amaterasu é a Deusa sintoísta do Sol no Japão. O sintoísmo incita a veneração do passado, o respeito à velhice, o amor à pátria e o carinho pelos mortos, pois eles protegem aqueles que os amaram. O sintoísmo, que conta com vinte milhões de fiéis, não tem fundador, nem dispõe de livros sagrados. No Japão, dia 3 de fevereiro é o dia das famílias honrarem Amaterasu, dizendo adeus ao Inverno e dando boas-vindas ao Sol durante o festival Setsubun.Muitas lanternas são acesas para comemorar o retorno da luz e calor. Seu nome completo é Amaterasu-o-milha-kami e significa: Deusa gloriosa que brilha nos Céus. Foi Amaterasu também, que ensinou o homem a cultivar o arroz e o
trigo, a criar o bicho-da-seda e tecer com um tear. É Ela ainda, que agita o Caldeirão do Tempo e dá forma as nuvens. Após a Segunda Guerra Mundial, a família real japonesa reivindicou a
descida de Amaterasu, e como descendente mítico Dela, o Imperador foi considerado oficialmente divino. As Deusas residem dentro de nós. Nós somos aspectos materiais das
Deusas, verdadeiras extensões Delas. Não somos corpos que
procuram espíritos, mas somos espíritos que procuram
experiências corporais.



Texto
pesquisado e desenvolvido por
Rosane Volpatto :
http://www.rosanevolpatto.trd.br/uzume.html

*imagem do site