"E aqueles que pensam em Me procurar, saibam que a vossa busca e vosso anseio devem beneficiar-vos apenas se vós souberdes o Mistério; se o que vós procurardes, vós não achardes dentro de vós mesmos, então nunca encontrarão fora. Pois eu tenho estado convosco desde o Início e Eu Sou Aquela que é alcançada ao final do desejo"


segunda-feira, 28 de junho de 2010

DEUSA SOFIA, O PRINCÍPIO FEMININO


SOFIA, O ROSTO FEMININO DE DEUS
"Eu sou a força suprema e ardente que emite todas as centelhas da vida.
A morte não faz parte de mim, embora eu a aceite, e em conseqüência
Sou provida de sabedoria bem como de asas.
Sou aquela essência viva e ardente da substância divina que jorra na beleza dos campos.
Eu brilho na água, eu queimo no sol, na lua e nas estrelas.
É minha aquela força misteriosa de vento invisível.
Eu sustento e alento tudo que vive.
Respiro no verde, e nas flores, e quando as águas fluem como coisas vivas, sou eu.
Ergo as colunas que sustentam toda a terra...
Sou a força que reside nos ventos, de mim eles se originam, e assim como um homem
consegue mover-se porque respira,
assim o fogo não queima a não ser com o ar por mim soprado.
Tudo isto vive porque estou em tudo isto e sou a vida.
Sou a sabedoria.
É minha a emissão do verbo proferido através do qual todas as coisas foram feitas.
Eu impregno todas as coisas para que não pereçam.
Eu sou a vida."

Sophia, A Mãe da Sabedoria, a Fonte Original
Sofia em grego, "hohkma" em hebraico, "sapientia" em latim, tudo sigficando sabedoria. Como Deusa da Sabedoria, Sofia possui múltiplas faces: Deusa Negra, Divino Feminino, Mãe de Deus.
Sofia é um aion (entidade de poder divino), filha de um par primordial de invisíveis e inefáveis seres transcendentais, chamados de Profundidade (masculino) e Silêncio (feminino). Deste par surgiram 30 emanações ou Aions, ou seja, padrões do ser psíquico ou arquétipos, arranjados em pares, compostos de um Aion masculino e um feminino cada. Sofia separa-se de seu par, que em muitas variantes do mito é chamado de Vontade. Separada de sua contraparte masculina, ela torna-se sujeita a uma condição de desequilíbrio e começa a procurar a Gnose por meios confusos ou errados.

Tendo perdido seu gêmeo, o seu amor divino é pervertido em "hubris" ou orgulho excessivo e arrogante, que a impele a buscar a compreensão dos insondáveis Profundidade e Silêncio do último mistério duplo através de indagações intelectuais ou filosóficas. Ela abandona o caminho do "coração que compreende" (gnosis kardias) e vai em busca do conhecimento apenas do poder da mente. Este ato de "hubris" provoca uma crise ou catástrofe. Sofia cai do alto de seu lugar na Pleroma (totalidade) da glória divina e desce ao mundo escuro da confusão e do terror.

Assim, Sofia se distancia do abraço da totalidade divina e dos braços de seu consorte, sem ter entendido a natureza do par primordial, Base-Início (Profundidade) e Pensamento-Graça (Silêncio), ela se torna convencida da futilidade de seus esforços mal concentrados. Mesmo assim, sua paixão pelo conhecimento e seu desejo pelo pai-mãe tiraram de dentro de seu ser entidades curiosas, informes, que subsistiram como criaturas vivas e impuras no abismo. No Evangelho da Verdade, dos valentinos, algumas dessas criaturas são descritas graficamente:

"Foi a ignorância em relação ao Pai que produziu a Angústia e o Terror. A Angústia tornou-se densa como um nevoeiro, de forma que ninguém poderia ver. Assim o Erro se fortaleceu. Elaborou sua própria Matéria no Vácuo".

Sofia neste instante, parece dividir-se em duas personalidades; uma mais elevada e outra inferior.
Sofia mais elevada é purificada e equilibrada pelos poderes limitadores do Vácuo e retorna a um estado de união com seu consorte, restaurando assim a integridade da ordem divina pleurômica.

A Sofia inferior, em contrapartida, permanece na escuridão externa, onde ela dá vida a uma outra monstruosidade sem pai, um ser horrendo e disforme feito de substância imaterial hipostatizada, descrito como "fruto feminino fraco"(a possível implicação psicológica é a de que ele foi concebido sem a presença consciente do componente masculino da psique humana, chamado "animus").

Pouco a pouco, numerosos arquétipos de luz e trevas, poderes de espiritualidade e materialidade, se acercarão dela. Entre as forças benéficas, encontramos o Christos e o Espírito Santo, os quais parecem ter um papel muito parecido com o do arquétipo junguiano clássico, pois atuam como agentes organizadores e aglutinadores ao redor dos quais as forças da Pleroma e do Vácuo se ordenam segundo padrões arquetípicos. As forças do Vácuo, criadas em grande parte pelas emoções externizadas de Sofia, a saber, sua trizteza, medo, assombro, ignorância e desejo de voltar-se ou converter-se à luz, tornaram-se as raízes do mundo material, com seus quatro elementos, que são derivados diretamente de quatro das maiores emoções de Sofia. O Demiurgo, necessário porém tirânico princípio criador e preservador dos cosmos diferenciado e material, ganha vida, assim como sua contraparte espiritual, o Jesus Aion no qual a Pleroma é reunida, sendo freqüentemente descrita como a prole de Christos (masculino) e do Espírito Santo (feminino). Jesus Aion desce até vácuo e entra no universo material, onde irá resgatar Sofia do domínio do Demiurgo, que a mantém cativa, do mesmo modo que Teseu aventura-se para salvar a donzela-sábia das garras do touro-monstro. Jesus, portanto, torna-se o "perfeito fruto da Pleuroma", que contém todos os elementos dos Aions superiores, e é o verdadeiro "soter", o "salvador libertador", não no sentido de salvar do pecado, mas no de salvar como os heróis que empreendem uma jornada para resgatar uma bela donzela em apuros.

A tarefa de salvar Sofia só se concretiza através do amor sexual e marital entre os dois, um verdadeiro hierosgamos,que provocará a purificação e o autêntico despertar em seu interior, das memórias do divino êxtase da união com o Deus supremo. Jesus seria então, um "noivo celestial", assim como se tornou o amante espiritual de Santa Teresa D'Ávila e de incontáveis outros místicos muitos séculos depois. Presa à prisão tetermórfica dos quatro elementos composta de Terra (terror), Água (medo), Ar (tristeza) e Fogo (dissolução e corrupção). Sofia aguarda a vinda do libertador, que a exorciza das quatro emoções elementais cegas e assim a liberta da cruz do aprisionamento. Antes da vinda de Jesus, o Christos espiritual já havia iniciado o trabalho redendor, quando de forma mística ele apareceu a Sofia estendido na cruz transcósmica em forma de Tau, despertando-a para a consciência de sua condição e infundindo-lhe o desejo de ver o amado celestial.

A imagem enigmática de Maria Madalena surge aqui, numa importante posição de significado simbólico no romance sofíaco de libertação. Numerosa passagens nas variantes gnósticas dos Evangelhos revelam que esta figura feminina é a encarnação física de Sofia, e sua realçao com Jesus é francamente descrita como um hierosgamos com contornos físicos, além de espirituais. Podemos ler no Evangelho de Felipe:

"A Sofia a quem chama de estéril é a mãe dos anjos. E a consorte de Cristo é Maria Madalena. O senhor amava Maria Madalena mais do que a todos os seus discípulos e a beijava na boca muitas vezes... eles lhe perguntaram, por que o senhor a ama mais do que a todos nós? O salvador respondeu: Por que eu não amo vocês como a amo?"
O elemento significativo deste aspecto do mito para nossos propósitos é a hipóstase feminina representada por Sofia só pode ser libertada através de uma união espiritual que a transformará num Ser integral. As implicações psicológicas disto são de grande importância.

Outro elemento interessante em muitas formas de mito é a afirmação de que, assim como Sofia, através de seus caprichos, rompeu os limites dos doze poderes governantes e se hostilizou com eles, agora torna-se necessário que ela se aproxime de cada um e peça desculpas, num ato que foi chamado de os doze arrependimentos. Ela chora aos doze poderes e conquista sua influência poderosa através de súplicas rituais elaboradamente expressas e fórmulas mágicas endereçadas à Luz que ela aspira. A beleza poética desses arrependimentos pode tornar-se evidente com as seguintes amostras breves:

"Resgata-me, Ó Luz, deste Poder que tem a face do leão e das emanações da Arrogância divina; pois és Tu, Ó Luz, em cuja luz acreditei e confiei desde o início...És Tu que hás de me salvar....Agora, Ó Luz não me deixes no Caos...não me abandones. Ó Luz, pois ...eles desejaram meu poder, dizendo a todos de uma vez: A Luz me abandonou; tomai-a, e retiremos toda a luz que nela habita.
Deixai aqueles que queriam tomar meu poder voltar-se para o Caos e envergonhar-se, deixai-os voltar rapidamente para a Escuridão...deixai todos que buscam a Luz jubilarem e darem graças!...Tu, então, Ó Luz, Tu és meu Salvador...apressa-te e salva-me deste Caos.

Ó Luz...deixa Tua luz descer até mim, pois minha luz foi tomada e estou em desespero...pois meu poder está cheio de escuridão, e minha luz desceu ao Caos...até as Trevas abaixo...e estendi minhas mãos a Ti e chorei...com toda a luz em mim...Canto um hino a Ti nos níveis mais superiores, e novamente no Caos."
Em círculos cada vez mais altos ela se aproxima da luz, guiada por poderes angélicos e arcangélicos e sustentada pela força infundida em seu ser por seu noivo celestial, Jesus. A alegria substitui agora a profunda angústia e o arrependimento de suas experiências anteriores, e seus hinos passam ao tom de súplica ao de graças:

"Fui salva do Caos e libertada dos grilhões das Trevas; venho a Ti, Ó Luz, pois Tu te tornaste Luz em cada parte minha....e as emanações do Arrogante que se opunha a mim Tu as bloqueaste com Tua luz...Agora Tu me cobriste com a Luz de Teu Fluxo e me purificaste de tudo que é ruim...Tornei-me encorajada por Tua Luz...e brilhei em Teu grande poder, pois Tu quem sempre salva!
A Luz tornou-se Redentora para mim e transformou minhas trevas em luz; afastou o Caos que me cercava e me rodeou de luz!...Meu poder, eu o canto para a Luz, e não esqueço todos os poderes da Luz!...Todos os poderes estão em mim, eu os canto em Nome do Teu Santo Mistério...que te preencheu com a luz mais Sutil, e Teu início será renovado como um Invisível das Alturas".
Então, depois de vários outros ataques sobre ela deflagrados pelos poderes das trevas, que continuam a assaltá-la e perturbá-la até os limites da mais alta morada aiônica da Luz, os poderes negros afastam-se dela e ela entra em seu eterno lar de luz sem fim e alegria sem limites. Dando graças e entoando hinos à glória libertadora da Luz, ela explode uma vez mais num cântico de louvor:

"Ó Luz, vou revelar a Ti como Tu me salvaste, e como Tuas maravilhas aconteceram na raça humana!...Tu esmagaste os altos portais das Trevas juntamente com as poderosas travas do Caos...e eu passei pelos portais do Caos!"
Assim termina a história da fiel Sofia, o protótipo sofredor e esperançoso e o arquétipo da feminilidade agonizante e definitivamente liberada. Do glorioso reino da Luz, ela desceu para a alienação e o caos, foi afligida pelos terrores da servidão e da ignorância, mas invocando a Luz ela recebeu força e santificação através de sua união com Jesus, o noivo salvador e, levada por Sua mão divina, recuperou seu Trono da Sabedoria abandonado no reino dos Inefáveis. Como todos os autênticos mitos arquetípicos, a história de Sofia possui uma grandeza atemporal que a torna adequada e aplicável às preocupações de qualquer época e local. Este mito, como outros, fixa em formas palpáveis as realidades universais e arquetípicas que subjazem na experiência psíquica. A psicologia moderna cada vez mais tem reconhecido o imenso valor do imaginário e do pensamento mitológico para o propósito de auto-conhecimento e da verdadeira libertação espiritual na vida psíquica das pessoas.

Um conhecimento de imagens mitológicas é exigência fundamental se o ego quer ter uma relação consciente até com as camadas mais profundas da psique, pois elas fornecem formas e categorias de compreensão pelas quais se pode aprender e conscientemente perceber a natureza desses poderes transpessoais. O ego que não tiver essas categorias de compreensão será confinado ao nível mais superficial de significados pesonalísticos ou será levado pelas energias e forças arquetípicas a vivê-las inconscientemente.

Uma apreciação introspectiva da mitologia poderia realmente tornar-se importante modalidade de auto-compreensão, não somente em nível de psique individual, mas no interior da cultura mais abrangente propriamente dita.

Do ponto de vista psicológico, Sofia pode ser definida como a personificação da necessidade de individualização. Sua história segue o padrão clássico dos quatro estágios do drama grego: o conflito (AGONE), a derrota (PATHOS), a lamentação (THRENOS) e a redenção ou solução (THEOPHANIA) conseguidas com o contato com o Divino.


Este padrão quádruplo é a manifestação, no drama, da imagem quádrupla da totalidade, o celebrado tetramorfo psicológico. Jung achava que o número quatro é representativo do objetivo de totalidade da alma, e descobriu que os quatro estágios são encontrados nos processos significantes de evolução psicológica em todos os processos psicoterapêuticos que envolvem uma profunda integração do inconsciente. Assim como no processo de individualização, algumas expressões no mito de Sofia se repetem, embora seu caráter permaneça o mesmo.

De importância singular para a situação espiritual da mulher em nossos tempos é a mensagem do agone ou "conflito" inicial em nosso mito, com o acréscimo do subseqüente pathos. Porque Sofia é expulsa do estado paradisíaco de seu êxtase aiônico? O motivo é a separação de seu esposo e gêmeo luminoso conhecido pelo nome de Vontade. A diferenciação do ego feminino traz consigo o megulho no inconsciente do componente psíquico contra-sexual, ou alma masculina da mulher, chamado na psicologia junguiana de "animus". O "animus" não se torna inexistente, mas, tornando-se inconsciente, pode exercer sua influência sobre a psique feminina nas zonas sombrias do inconsciente e sua influência acaba ficando distorcida. Quanto menos consciente a mulher é de seu "animus", mais maléfica e perigosa é a influência desse gêmeo obscuro. (É bom recordar que o homem experimenta uma situação análoga com seu próprio componente escondido, a "anima"). A separação entre Sofia e seu gêmeo coincide com seu esforço equivocado de obter a Gnose através do intelecto e da vontade em lugar da "gnosis kardias", o "caminho do coração que sabe". Um ser desequilibrado é capaz apenas de uma tentativa desequilibrada de individualização, e esses esforços desequilibrados tendem a falhar. O resultado é uma profunda alienação do mundo luminoso do Self, uma saída da Pleroma da saúde psíquica e da verdade. O pathos começou.

Os gnósticos eram profundamente conscientes dessa situação psicológica, e expressaram isso em muitos momentos. Podemos ler, no Evangelho de Felipe:

"Quando Eva estava com Adão, não existia a morte; mas quando ela se separou dele, a morte surgiu. Se ela voltar, e ele a levar para dentro de si, a morte deixará de existir.
Se a mulher não tivesse se separado do homem, ela não morreria com o homem. Sua separação tornou-se o começo da morte. Por causa disso veio o Cristo, para acabar com a separação que havia desde o início, e novamente unir os dois; e para dar vista àqueles que morreram na separação, e uni-los."

A morte que se refere aqui não é a morte do corpo, mas a morte do espírito que tanto o homem como a mulher sofrem quando perdem o contato consciente com seu self contra-sexual. Dessa forma, o objetivo da individualização ou união espiritual é descrito pelo Jesus Gnóstico no Evangelho de Tomé;

"Quando você integra os dois em um, e quando você transforma em externo e o externo em interno e une o que está em cima com o que está embaixo, e quando você torna o macho e a fêmea um só, de forma que o macho não seja macho e a fêmea não seja fêmea, quando você coloca olhos no lugar de um olho, e uma mão no lugar de uma mão, e um pé no lugar de um pé, e uma imagem no lugar de uma imagem, então você entrará no Reino de Deus."
Sofia, não é somente uma alma feminina, mas a alma de todas as coisas e pessoas. Todos nós estamos à procura da nossa totalidade. Assim como Sofia, vagamos pela face desta terra, nossa glória degradada e prostituída como a de Maria Madalena, enquanto através das regiões aiônicas desce "Aquele que sempre vem", nosso noivo divino, o Logos do mais alto Deus. Daí a theophania, a resolução divina do grande drama, estar sempre aqui e sempre lembrar aquilo que está simbolizado no mito de Sofia. Anima e animus, Eros e Logos, Madalena-Sofia e Jesus estão destinados a se unirem na câmara matrimonial da Alma. O Cristo que há em nós e a Sofia que há em nós são as esperanças gêmeas da glória, buscando um ao outro na ânsia sagrada do desejo divino. Os gnósticos foram talvez a única escola de pensamento na história da tradição ocidental a reconhecer este fato e a declarar essa tendência como processo intra psíquico. O Evangelho de Tomé coloca isso bem:

"Disse Jesus: Se vocês trouxerem à luz o que existe dentro de vocês, aquilo que possuem os salvará. Se vocês não tiverem isso dentro de vocês, aquilo que não possuem os matará."

A salvação do homem é a união com a mulher dentro da sua alma (anima), enquanto que a libertação da mulher depende da sua união efetiva com seu gêmeo aiônico de masculinidade psíquica.


Respondendo a um aparentemente machão chauvinista, o apóstolo Pedro, que deseja excluir Maria Madalena do círculo dos apóstolos, "porque as mulheres não são dignas de vida", Jesus fala no mesmo Evangelho:

"Veja, eu a levarei, de forma que a farei homem, para que também ela possa tornar-se um espírito vivo...Pois cada mulher que se fizer homem entrará no Reino de Deus."
E, poderíamos acrescentar, o mesmo acontecerá a cada homem que, assimilando a sua Sofia Sagrada interior, conseguir tornar-se mulher.
Seria um erro supor que os mitos gnósticos não possuem relevância vital no mundo de hoje. Podemos não mais possuir as técnicas detalhadas das disciplinas gnósticas de transformação: seus sacramentos, seu processo sacerdotal (que, à diferença do cristão, era permitido tanto para mulheres quanto para homens), seus majestosos rituais dramáticos, seu rito secreto de individualização da câmara nupcial. Mesmo assim, os próprios gnósticos nos lembram da perene disponibilidade dos meios de libertação quando fizeram Sofia exclamar:

"A Luz é boa e justa; é por isso que Ele me garantirá o caminho para ser resgatada em minha transgressão...Pois todas as gnoses da Luz são meios de salvação, e existem mistérios para cada um que procure as regiões de sua herança...Para cada um que confiar na Luz Ele dará o mistério adequado, e sua alma estará mas regiões da Luz".

Podemos nos assegurar de que os meios de libertação estão ao alcance da mão e são disponíveis; na verdade, como já foi dito sobre a Divindade, eles estão mais próximos do que a respiração e mais ao alcance que nossos próprios pés e mãos. A verdadeira libertação do homem dentro da mulher e da mulher dentro do homem não poderá acontecer através da vontade consciente e do intelecto. A pressa conduz ao prejuízo, pois é testemunha das pressões impuras do ego não iluminado, conforme ficou simbolizado pela falta de sabedoria de Sofia antes de voltar-se para a Luz. Como diz Sófocles nas últimas linhas de Antígona:

"Onde estiver a sabedoria, a felicidade coroará uma piedade que nada destruirá. Mas palavras e atos altos e poderosos são castigados para aprenderem a ser humildes, até que a idade, caída de joelhos, finalmente seja a sabedoria".
Sofia, grávida do conhecimento, convida-nos para beber de sua taça da sabedoria. Entretanto, o maior problema das mulheres hoje, é não se permitir abrir-se para o novo, pode ser para uma chuva que cai descompromissada, para uma nova relação ou um novo conhecimento. Ficar parada é não correr risco, mas também a vida passará e você deixou de vivê-la.

É hora de reflexão, de silêncio e de introspecção. É hora de ouvir e sentir o que nunca ouviu ou sentiu. O tempo passa para todos nós, mas como gastá-lo é que faz a diferença.
É somente com a incerteza e o afastamento de tudo que nos é familiar que processa-se o crescimento espiritual e, em tais momentos, é que podemos avaliar profundamente nossas vidas. Nem toda nossa cultura oferece-nos a sustentação para aprofundarmos espiritualmente. Quando nos dedicarmos a ouvir a nossa Sofia interior, conseguiremos tudo o que precisamos.

Todos nós homens e mulheres, já reproduzimos ou ainda vamos reproduzir o caminho de Sofia, a eterna busca do sentido divino. Jesus disse: "Onde estiver o seu tesouro, aí estará seu coração". Sofia não buscava somente o sentido da busca, mas buscava também seu coração.

A figura de Sofia não desapareceu, ela permanece como a principal inspiração por trás de inumeráveis simbolizações místicas da sabedoria feminina através das eras. Sua mão oculta é vislumbrada no culto à Virgem Maria e nas musas femininas dos poetas sufis. Nossa Senhora Sofia com sua sabedoria de coração que compreende ainda está desperta!
Sofia é o mistério da vida
É o conhecimento do corpo e da alma
Sofia é sabedoria!

BUSCANDO À SOFIA INTERIOR
Procure um lugar em sua casa onde possa não ser incomodada. Sente-se ou deite-se confortavelmente e feche os olhos. Respire profundamente e solte o ar pela sola dos pés. Inspire novamente e enquanto solta o ar, sinta toda a tensão sendo puxada para fora de seu corpo, como um longo fio, pela sola dos pés. Respire profundamente e solte o ar pela boca. Sinta-se relaxar completamente, um bem-estar tomará conta de você como uma sensação de calor confortante. Agora encontre o lugar dentro de você onde mora Sofia. Ela mora em seu coração? Em sua mente talvez? Em seu útero? Assim que visualizar o lugar vá ao seu encontro. Sinta o perfume do lugar, a cor, a textura, observe tudo atentamente. Depois que já se familiarizou com tudo vá encontrá-la que ela lhe espera.

Você deve perguntar a Sofia tudo que precisa saber. Ao lhe responder agradeça e a abrace demonstrando seu carinho por ela. Ela lhe dirá que estará sempre pronta para lhe receber em sua morada, pois ela habita o seu interior. Você portanto sempre será bem-vinda. Ela lhe dará um beijo na testa e apontará o caminho de volta. Respire fundo novamente e abra os olhos. Feliz retorno!

Texto pesquisado e desenvolvido por
ROSANE VOLPATTO

2 comentários:

Sophia disse...

TEXTO MARAVILHOSO E QUE PRENDE A ATENÇAO DE QUEM LÊ A CADA PARAGRAFO!

"ACHE A SOFIA QUE ESTÁ DENTRO DE VOCÊ"

Sabedoria Consagrada à Deus disse...

Parabéns pelo texto. Sophia, assim como Ísis, aguarda pacientemente que seja retirado seu véu.