"E aqueles que pensam em Me procurar, saibam que a vossa busca e vosso anseio devem beneficiar-vos apenas se vós souberdes o Mistério; se o que vós procurardes, vós não achardes dentro de vós mesmos, então nunca encontrarão fora. Pois eu tenho estado convosco desde o Início e Eu Sou Aquela que é alcançada ao final do desejo"


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quarta-feira, 10 de março de 2010

DEUSA DA INICIAÇÃO FEMININA


DEUSA ARIANRHOD



Arianrhod é a guardiã da "Roda de Prata", ou "Disco de Prata", que é uma roda de prata com oito raios que representam a roda das estrelas. "Arian" significa "prata" e "rhod" significa roda ou disco.

Considerada uma Deusa do Amor e da Sabedoria, ela representa os elementos Ar e Água. É igualmente Deusa da reencarnação, do tempo cósmico, do carma, da Lua Cheia dos namorados e a Grande Mãe Frutuosa. Essa Deusa era filha de Don, a Deusa-Mãe gaulesa (equivalente a Dana irlandesa) e portanto, irmã de Gwydion, Gobannon e Amaethon. Gwydion é um Deus da bondade, das artes, da eloqüência e magia, um mestre da ilusão e da fantasia, um auxiliar da espécie humana, um príncipe dos poderes do ar, que como mago, pode transmutar de forma.

Na tradição celta, essa Deusa se apresentava de dupla forma, como Virgem e Mãe, Padroeira da Lua, da Noite, da Sexualidade, da Justiça, da Magia e do Destino. Mais tarde, é apresentada como uma Deusa-Mãe, girando a Roda de Prata e transformando-a em uma barca lunar.

É importante lembrar que cada aspecto da Deusa representa um aspecto que você pode reconhecer dentro de si mesma.

Essa Deusa gaulesa é a figura primal de poder e autoridade feminina, considerada a Deusa dos Ancestrais Celtas.

Vive em um reino estelar, Caer Arianrhod, na constelação Corona Borealis, onde fica seu palácio, com suas sacerdotisas e de lá decide o destino dos mortos, carregando-os para a Lua ou para a sua constelação. A Deusa portanto, Doadora da Vida e administradora da morte.
É ainda, uma Deusa de tudo que é eterno. O espírito de Arianrhod é símbolo de profecia e sonhos. Ela controla a dimensão do tempo. O viajante que a seguir deve estar com o coração e a mente aberta para seus ensinamentos. Convide-a para ajudar-lhe com dificuldades passadas e para contatar o "Povo das Estrelas".

A Arianrhod é atribuído os poderes da coruja, que através de seus olhos vê o subconsciente da alma humana. A coruja é um pássaro noturno que simboliza a morte, renovação, sabedoria, a magia da lua e as iniciações.

Outros nomes para Caer Arianrhod são: Tregar-Anhreg, Tregar Anthreg, Tregan Anhreg, Tregan Amthreg, e Tregar Anthrod.

Os gauleses são os celtas mais populares do nosso tempo, pois ficaram muito conhecidos através das histórias em quadrinho do Asterix, que conseguiu popularizar muitos costumes celtas.

Arianrhod aparece no Mabinogion, uma coleção de relatos escritos entre o século XI e XIII d.C., como mãe dos gêmeos Lleu Llow Gyffes e Dylan.

MABINOGION




O quarto relato do "Mabinogion" nos remete ao norte de Gales ou Cymry, tal como dizem seus habitantes em gaélico.
Ali vivia o rei Math ab Mathonwy, Senhor de Gwynedd, que tinha como consultor o irmão de Arianrhod e procurava por uma nova esposa Virgem.

Gwydion sugeriu a irmã que se apresentasse ao rei para uma entrevista. Ela foi e Math ao vê-la, perguntou-lhe:

-"És virgem?".

-"Naturalmente que sou", respondeu friamente Arianrhod.

-"Terás que passar por uma prova, para tornar-te minha esposa e mãe de meus filhos", e o rei depositou ao chão uma vara mágica e disse:

-"Pisa sobre essa vara para provar que estás dizendo a verdade."

Embora muito irritada com o insulto Arianrhod se submeteu ao tal teste, mas quando pisou no bastão, deu à luz a uma criança de cabelo loiro. O recém-nascido chorava alto, quando a Deusa deu nascimento ao seu gêmeo. O rei chamou de Dylan o primeiro bebê e jogou-o no mar.

Quanto a segunda criança, Arianrhod que foi humilhada e ultrajada pelo rei Math, o rejeitou com três maldições:

-"Ele jamais terá um nome e eu não lhe der um. Ele jamais terá uma arma exceto se eu lhe der uma. Ele jamais terá uma esposa da raça que agora habita a terra."

Gwydion, que ficou encarregado da criação do menino, teve que trabalhar duro para livrá-lo da maldição da mãe. Certo dia, vestiu-se de sapateiro, fez o mesmo com a criança e viajou até Caer Arianrhod. Enquanto Arianrhod experimentava os sapatos, a criança atirou uma pedra em um pássaro e habilmente o atingiu. Arianrhod comentou que o menino tinha excelente pontaria.




Mediante essa inteligente estratagema, Gwydion, conseguiu que Arianrhod o batizasse como Lleu Llaw Gyffes, o "Menino do Cabelo Brilhante e Boa Pontaria".

A Deusa ficou furiosa, quando teve conhecimento da verdade, mas jurou que ele jamais carregaria uma arma e nunca poderia casar-se com uma mulher humana.

Outra vez Gwydion, quebrou a maldição, disfarçando Llew de viajante que procurou refúgio em Caer Arianrhod. Quando lá chegaram Gwydion criou a ilusão de uma poderosa esquadra de navios que avançava sobre Caer Arianrhod. Quando a batalha iria iniciar-se, Arianrhod pede ajuda aos refugiados, entregando uma arma ao Llew disfarçado.

Cheia de raiva por ter sido enganada novamente, só sobrou-lhe o conforto de saber que Llew jamais teria uma esposa.

Entretanto, Gwydion e o rei Math, através da mágica e utilizando-se de flores, criaram uma linda mulher chamada Blodeuwedd, ou "Face de Flor". Lleu a tomou como esposa.

Humilhada por Math, impedida pelo filho e traída pelo irmão, Arianrhod recuou para o seu castelo Caer Arianrhod.

É possível observar, no relato, que quando Math faz Arianrhod passar por cima da vara mágica, essa toma um sentido fálico, pois a Deusa afirma ser virgem e fica por isso, surpresa ao dar à luz aos gêmeos. A história da virgindade de Arianrhod, virgem sem sê-lo, mãe sem a ajuda do homem, toca o problema essencial da Deusa Mãe: nas épocas em que a sociedade era ginecocrática, a Deusa era única, era a Deusa Primordial, a Deusa dos Inícios. Quando pouco a pouco a sociedade se converte em paternalista, se representa a Deusa como um Deus Pai, com o qual compartilha a responsabilidade do mundo e da vida: era o Casal Sagrado, como por exemplo, o casal formado por Ísis e Osíris. Depois, na maioria dos casos, a Deusa desaparece para deixar seu trono ao Deus Pai todo poderoso, do tipo jupiterino ou do tipo hebraico, onde o culto masculino guerreiro conseguiu eliminar a Mulher.
Dando prosseguimento ao relato, vemos que Arianrhod, rechaça seus filhos e mais particularmente Lleu. Aqui estamos diante de um grande mistério, pois acredita-se que o pai dos gêmeos poderia ser o próprio Gwydion. Se trataria pois, de um incesto fraternal, de uma espécie de união sagrada entre irmãos, ambos filhos da Deusa Don. Mas porque recusar os filhos?
Talvez Arianrhod tenha recusado os filhos, justamente por ser virgem e, segundo a definição, uma mulher que não se submete ao homem, portanto não tem nada o que fazer com os filhos, pois eles pertencem de pleno direito à tribo. Uma segunda resposta para essa pergunta era que Arianrhod, representante da antiga lei, não tem nada que fazer na nova sociedade regida por homens e na qual ela só poderia ocupar uma posição subalterna, uma posição de "mãe" submetida a uma autoridade paterna, pois sua qualidade de mãe responsável a situaria automaticamente a um estado de inferioridade.

OS GÊMEOS

O segundo gêmeo Lleu é a versão gaulesa do Lug irlandês. Ele foi um dos patronos da magia e um herói solar. Ao casar-se com uma mulher que nasceu de flores, liga-se à terra. O verdadeiro mago deve casar-se com a natureza para obter sua benção e seus poderes, para poder aplicá-los corretamente.

Seu palácio próximo ao Lago de Bala é conhecido como Mur y Castell. Seu animal totem é a águia.

Dylan, que foi o primeiro dos gêmeos a nascer, era um Deus da Água, que podia nadar tão bem quanto um peixe e foi chamado de "O Filho da Onda", porque nenhuma onda poderia se quebrar sobre ele. Era também um Deus da magia, fertilidade e das crianças mágicas, que foi morto acidentalmente pelo seu tio Gobannan.

Na história, podemos visualizar o grande poder do feminino, que é portador de valores bem definidos, aos quais todo filho deve se submeter. No tempo matrifocal (ginecocrática), era a mãe quem determinava a justiça. E, podemos dizer, que ainda hoje a justiça é feminina, pois é a mulher que está sempre ligada a Mãe-Terra e a Deusa-Lua. A mulher pode ser então criadora de vida, doadora, afetuosa e boa, mas também pode ser aniquiladora do vida que gera, terrível, devoradora e má. Esses dois lados de uma mesma mulher são muito trabalhados em terapia.

DEUSA DA INICIAÇÃO FEMININA

Apenas um décimo da psique humana é consciente, todo o resto são inconscientes. E toda nossa ciência e tecnologia foi construída com à custa dessa visão unilateral, sem levar em consideração o lado inconsciente, entretanto, o mundo inconsciente faz parte de nossa totalidade e está presente em nosso comportamento e ações. A Deusa da razão nos deslocou para uma grande armadilha, pois hoje presenciamos o desequilibrar do mundo que pode ainda acabar com a total destruição do planeta terra.

Todos nós perdemos muito com a sociedade patriarcal, pois ficamos defraudados da nossa própria identidade e integridade. Nós mulheres somos as maiores vítimas, pois acabamos perdendo a consciência de "ser mulher", cabendo-nos a difícil escolha: permanecermos como Belas Adormecidas relegadas, ou temos que assimilar os valores tipicamente masculinos, para nos adaptarmos ao mundo dos homens. Já os homens, por sua vez, perderam a conexão com sua interioridade, com sua "anima" (inconsciente feminino). Insípidas se tornam, portanto, as relações nesse mundo de faz-de-conta.

A conexão com a Deusa Arianrhod poderá nos ajudar a compreender a tarefa histórica da iniciação feminina. É emergindo ao Reino das Deusas que poderemos resgatar o nosso feminino, rejeitado e exilado da cultura consciente há mais de cinco mil anos. Só assim, fazendo a nossa parte, poderemos ajudar a humanidade a recuperar sua própria alma.
O retorno aos braços da Deusa é de vital importância para a mulher moderna em direção à totalidade.

INVOCAÇÃO

Oh Arianrhod, Donzela, Mãe e Amante,
Senhora da Iniciação
Que nos nossos nomes
Que nos deu nossas armas
Para que pudéssemos ter uma nova vida.
De você nós viemos
E para seus braços retornaremos
Deusa resplandecente
Filha da Grande Deusa Don
Nós a convidamos para descer
da sua terra de estrelas e florestas selvagens
Junte-se a nós e inunde-nos com seu poder
Abençoa-nos Arianrhod!
E ilumine nossos caminhos
Através da luz da Lua Cheia
E, faça que em nossos corações
Nasça a compreensão seguida o amor universal
Abençoa-nos Grande Mãe Frutuosa
Pois somos seus filhos mais amorosos!

As mulheres da atualidade estão redescobrindo seus poderes mágicos de imaginação simbólica, necessários para se criar um mundo renovado em nossos corações e interligado com o Universo.

Arianrhod chega até nós para nos revelar a visão do Jardim do Éden Universal, a sua ilha Avalônica Celestial. É uma visão de harmonia e de totalidade. É também, uma visão de justiça entre raças e espécies, onde os dons da vida são incrivelmente bons, embora mortais e efêmeros e, onde nós mulheres podemos libertar nossa afinidade emocional com a natureza.
É hora da dança simbólica da energia cósmica e da beleza sensual. Permita-se abrir para a imaginação e entre neste círculo prateado da criação que lhe garantirá uma sintonia total e o cintilar pulsante das estrelas. Abra seu coração para uma nova ética e novos valores.

Todas nós, possuímos muito para contribuir e retribuir o que assimilamos e está guardado no nosso caldeirão mágico emocional interior. Esta Nova Era necessita urgentemente que se conceba uma nova maneira de amar a nós mesmos e ao nosso planeta. Não é através da ciência e tecnologia que resolveremos nossos problemas graves e atuais e sim, desenvolvendo uma consciência com senso de responsabilidade compartilhada em relação à busca da solução.

É hora de se unir razão com o coração e definir uma nova dimensão de poder alicerçado no amor, e tudo isso, antes que seja tarde demais.


TEXTO PESQUISADO E DESENVOLVIDO POR
Rosane Volpatto

Bibliografia consultada:


O Novo Despertar da Deusa - Shirley Nicholson
Os Mitos Celtas - Pedro Pablo G. May
Os Mistérios da Mulher - M. Esther Harding
Os Mistérios Celtas - John Sharkey
A Grande Mãe - Erich Neumann
O Anuário da Grande Mãe - Mirella Faur
Druidismo Celta - Sirona Knight
Os Mistérios Wiccanos - Raven Grimassi
O Livro da Mitologia Celta - Claudio Crow Quintino
Livro Mágico da Lua - D.J. Conway
Hadas y Elfos - Édouard Brasey
Enanos y Gnomos - Édouard Brasey
La Mujer Celta - Jean Markale
Diccionario de Las Hadas - Katharine Briggs
El Gran Libro de la Mitologia - Diccionario Ilustrado de Dioses, Heroes y Mitos - Editora Dastin; Madrid

IN: http://www.rosanevolpatto.trd.br/deusaarianrhod.htm


sábado, 5 de dezembro de 2009

SENHORA DA RODA DE PRATA


“Tu, que perambulas por muitos lugares sagrados e és reverenciada com diferentes rituais; Tu, cuja luz suave clareia o caminho dos viajantes e nutre as sementes escondidas sob a terra; Tu, que controlas o caminho do Sol e até mesmo a intensidade dos seus raios, eu Te imploro, chamando todos os Teus nomes e todos os Teus aspectos, eu Te invoco com todas as cerimônias que Te foram dedicadas, venha a mim e me traga repouso e paz”

Apuleio, "O Asno Dourado"

Para nossa mentalidade atual, baseada em valores solares, pode parecer estranha a afirmação do escritor romano Apuleio (século I) sobre o controle exercido pela Lua na trajetória e intensidade dos raios do Sol.

No entanto, se voltarmos para o início da história da humanidade, podemos constatar a maior relevância simbólica e mitológica da Lua, bem como a antiguidade dos cultos lunares em relação aos valores e cultos solares. Na Caldéia, os astrólogos ignoravam o Sol e fundamentaram seu sistema nos movimentos da Lua. Até hoje, na astrologia védica, o peso da interpretação recai sobre o signo lunar natal, os meses são denominados “mansões lunares” e caracterizados pela posição da Lua cheia na respectiva mansão.

Os cultos lunares se originaram no paleolítico e os primeiros calendários conhecidos foram os lunares, baseados no ciclo menstrual da mulher. O mais antigo calendário astrológico conhecido foi criado pelos babilônios e chamava-se “As casas da Lua”, estabelecido a partir do ciclo de lunação, com seus períodos mensais representados pelos signos zodiacais. A principal deusa lunar da Babilônia era Ishtar, cujo cinturão era enfeitado com representações e símbolos do zodíaco.

Inúmeros artefatos neolíticos talhados em pedra, chifre e osso, encontrados em grutas espalhadas por vários países na Europa e Ásia têm inscrições agrupadas em séries alternadas de 28 a 30 traços, demonstrando o antigo conhecimento astronômico dos ciclos lunares. Atualmente está sendo cada vez mais divulgado e utilizado o calendário lunar do povo maia, com base no ciclo das treze lunações que formam um ciclo solar.

Desde os mais remotos tempos, a Lua foi reverenciada como a manifestação da Grande Mãe Universal, o aspecto feminino da Divindade, a fonte criadora e mantenedora da vida, cuja luz e bênção era invocada nos rituais de fertilidade, no plantio das sementes e no parto das crianças. Suas fases passaram a simbolizar o próprio ciclo da geração, nascimento, crescimento mas também o amadurecimento, decadência e morte. As suas faces clara e escura foram consideradas os aspectos doadores da vida e destruidores da natureza – a Mãe sendo tanto a Criadora como a Ceifadora.

A Lua foi venerada sob inúmeros nomes nas várias tradições e culturas antigas. Apesar desta diversidade, existe uma similitude em relação aos seus atributos de acordo com suas fases. A Lua crescente representava a vitalidade da Deusa jovem, o frescor da Donzela, o potencial do crescimento, o início das realizações. Tornando-se cheia, a Lua personifica o ventre grávido da Mãe, o florescimento e abundância da natureza, a concretização das possibilidades. Ao minguar, a Lua assume o aspecto de Anciã, assinalando o fim da colheita, o declínio das energias, a sábia preparação para conhecer os mistérios da morte e do renascimento.

Dificilmente se encontra nas várias mitologias uma única deusa que sintetize a inteira gama do simbolismo lunar. Nos panteões grego e celta, existem inúmeras deusas lunares com características específicas relacionadas aos atributos das fases e representando os arquétipos da Donzela, da Mãe e da Anciã.

Uma Deusa celta pouco conhecida é Arianrhod, descrita na coletânea de textos galeses “Mabinogion” como “A Senhora da Roda de Prata”. Vivendo na longínqua terra encantada de Caer Sidi, ela personificava uma antiga Deusa Mãe celeste, regente da constelação estelar Corona Borealis, cujo nome em galês era “Caer Arianrhod” , ou seja, “O castelo girante de Arianrhod”.

O mito de Arianrhod é muito complexo, com elementos contraditórios e de difícil compreensão, denotando as deturpações decorrentes da interpretação das antigas lendas da tradição oral dos bardos, pelos monges e historiadores cristãos. Há, no entanto, uma passagem muito interessante que descreve de forma metafórica e pitoresca uma mescla de atributos da Deusa como Donzela e Mãe escura. Filha da deusa da terra Don, Arianrhod foi chamada pelo Deus celeste Math para ser sua acompanhante (na verdade, seu dever era segurar os pés do Deus no seu colo enquanto ele descansava). A condição essencial deste encargo era a virgindade da candidata. Mas, ao ser testada pelo bastão mágico de Math, Arianrhod de repente deu a luz a gêmeos – um, bem formado, Dylan, que se foi arrastando para o mar (onde se transformou depois em um deus marinho), e outro, ainda em estado embrionário. Arianrhod desapareceu, mas antes amaldiçoou este filho para que ele não tivesse jamais um nome, não pudesse usar armas e nem casar. Na cultura celta, era a mãe que dava o nome e abençoava seu filho nestes rituais de passagem. No presente mito, a criança foi adotada pelo irmão de Arianrhod, o mago Gwydion, que, no devido tempo, conseguiu ludibriar Arianrhod e, usando recursos mágicos, a convenceu a dar um nome a seu filho e permitir-lhe usar armas. O nome Llew Llaw Gyffes, “o brilhante, luminoso e habilidoso”, era o mesmo nome de um famoso herói celta Lugh, personificação de um antigo deus solar. Comprova-se, assim, por metáforas e intrincados simbolismos celtas, a antiguidade das divindades e cultos lunares, a Lua representando as tradições matrifocais da Deusa que deram origem aos cultos e mitos solares posteriores.

Na Ásia - Ocidental e Menor - durante séculos foram reverenciadas inúmeras Deusas Mãe, algumas delas com características lunares. Na Suméria e na Babilônia, a Deusa Anath, Anunith ou Antu era conhecida como a “Senhora da Lua, do Céu e das Montanhas”, representada por um disco prateado com oito raios. Assim como Arianrhod, ela reunia as qualidades da Donzela – regendo o plantio das sementes e o crescimento dos brotos e da Mãe – quando desce para o mundo subterrâneo para resgatar seu filho/consorte da escura morada de Mot, o deus da morte, e regenera a terra seca com a chuva fertilizadora.

Posteriormente, os atributos de Anath foram absorvidos no mito e no culto de outras deusas, como Ashtar, Astarte e Asherah.

Mirella Faur
IN: http://sitioremanso.multiply.com/journal/item/21