"E aqueles que pensam em Me procurar, saibam que a vossa busca e vosso anseio devem beneficiar-vos apenas se vós souberdes o Mistério; se o que vós procurardes, vós não achardes dentro de vós mesmos, então nunca encontrarão fora. Pois eu tenho estado convosco desde o Início e Eu Sou Aquela que é alcançada ao final do desejo"


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sábado, 26 de junho de 2010

CY, A TERRA, A MÃE DA NOSSA TERRA


A GRANDE MÃE

Sábia e Poderosa, Cy é a Mãe Suprema. entrar em contacto com a Deusa Cy é estimular a feminilidade e a fertilidade.
O nome Cy, do tupi-guarani, significa mãe. Para os índios, ela é a Doadora da Vida, Criadora de todas as coisas. Seu nome está presente em outras Deusas: Nandercy, a Nossa Mãe; Coaracy, a Mãe do Sol; Acy, a Mãe da Lua.

Em Trevas:

Juntamente com Tupan, é um entidade de Arkanun, e foi um dos primeiros seres sobrenaturais a pisar no Brasil. É uma Deusa de muitas faces, e muito cultuada . Sua ordem, a Ordem da Grande Mãe, possuía muitas adeptas no passado, e embora o panteão indígena tem enfraquecido, nas tribos que ainda mantém a tradição, a crença na Deusa é forte.

Caminhos: Terra e Agua.
Cores: Marrom e Branco.
Símbolos: Ovo e Tartaruga.
Talismã: Ovo de Cristal.

Wicca Brasil: Guia de Rituais das Deusas Brasileiras ,Mavesper Cy Ceridwen

O Brasil é o país que concentra o maior número de pessoas a cultuarem uma das manifestações da Grande Mãe, como Iemanjá, a deusa ancestral das águas, Senhora do Mar. Só perde para a Índia, onde inúmeras deusas são cultuadas até hoje.

Anualmente, às vésperas do Ano Novo e no dia dois de fevereiro, milhões de pessoas levam suas oferendas e orações para as praias brasileiras, ou saem em procissões marítimas ou fluviais, similares às antigas cerimônias egípcias e romanas – Navigium Isidi – dedicadas a Ísis, Deusa Mãe protetora dos viajantes e das embarcações.

Apesar da devoção brasileira a Iemanjá, seu culto não é nativo - ele foi trazido ao Brasil no século XIII pelos escravos da nação ioruba. Yemojá ou YéYé Omo Ejá, a “Mãe cujos filhos são peixes”, era o orixá dos Egbá, a nação ioruba estabelecida outrora perto do rio Yemojá, no antigo reino de Benin. Devido a guerras, os Egbá migraram e se instalaram às margens do rio Ogun, de onde o culto a Iemanjá foi trazido pelos escravos para o Brasil, Cuba e Haiti.

Nesses países, Iemanjá passou a ser venerada como a “Rainha do Mar”, orixá das águas salgadas, apesar de sua origem ter sido “o rio que corre para o mar”, sua saudação sendo Odo-Yiá, que significa “Mãe do Rio”.

Analisando os nomes Ya / man / Ya e Ye / Omo / Ejá conforme a “Lei de Pemba” – a grafia sagrada dos orixás, postulada pela Umbanda Esotérica, encontram-se os mesmos vocábulos sagrados que significam “Mãe das águas, Mãe dos filhos da água (peixes) e Mãe Natureza”.

Iemanjá é considerada pela Umbanda Esotérica como uma das sete Vibrações Originais, o princípio gerador receptivo, a matriz dos poderes da água, a representação do eterno e Sagrado Feminino. Portanto, Iemanjá personifica os atributos lunares e aquáticos da Grande Mãe, de padroeira da fecundidade e da gestação, inspiradora dos sonhos e das visões, protetora e nutridora, mãe primeva que sustenta, acalenta e mitiga o sofrimento dos seus filhos de fé.

No entanto, por mais que Iemanjá seja reconhecida e venerada no Brasil, ela não representa a Mãe Ancestral nativa, que tenha sido cultuada pelas tribos indígenas antes da colonização e da chegada dos escravos.

Infelizmente, muito pouco se sabe a respeito das divindades e dos mitos tupi-guarani. A cristianização forçada e a proibição pelos jesuítas de qualquer manifestação pagã, destruiu ou deturpou os vestígios de Tuyabaé-cuáa, a antiga tradição indígena, a sabedoria dos velhos payés.

Segundo o escritor umbandista W.W. da Matta e Silva e seus discípulos Rivas Neto e Itaoman, a raça vermelha original tinha alcançado, em uma determinada época distante, um altíssimo patamar evolutivo, expresso em um elaborado sistema religioso e filosófico, preservado na língua-raiz chamada Abanheengá, da qual surgiu Nheengatu, a “lingua boa”, origem dos vocábulos sagrados dos dialetos indígenas.

Com o passar do tempo, a raça vermelha entrou em decadência e, após várias cisões, seus remanescentes se dispersaram em diversas direções. Deles se originaram os tupi-nambá e os tupi-guarani, que se estabeleceram em vários locais na América do Sul.

As concepções do tronco tupi eram monoteístas, postulando a existência de uma divindade suprema, um divino poder criador (às vezes chamado de Tupã) que se manifestava por intermédio de Guaracy (o Sol) e Yacy (a Lua) que, juntos, geraram Rudá (o amor) e, por extensão, a humanidade. O culto a Guaracy era reservado aos homens, que usavam os tembetá, amuletos labiais em forma de T, enquanto as mulheres veneravam Yacy e Muyrakitã, uma deusa das águas, e usavam os amuletos em forma de batráquios e felinos, pendurados no pescoço ou nas orelhas.

Guaracy era a manifestação visível e física do poder criador representado pelo Sol. Apesar deste astro ser considerado o princípio masculino na visão dualista atual, a análise dos vocábulos nheengatu do seu nome revela sentido diferente.
Guará significa “vivente”, e cy é “mãe”, o que formaria a “Mãe dos seres viventes”, a força vital que anima todas as criaturas da natureza, a luz que cria a vida animal e vegetal. Também em outras tradições e culturas (japonesa, nórdica, eslava, báltica, australiana e nativa americana), o Sol era considerado uma Deusa, o que nos faz deduzir que, para os tupi, a vida e a luz solar provinham de uma Mãe - Cy
- que só mais tarde foi transformada em Pai.


Yacy era a própria Mãe Natureza, seu nome sendo composto de Ya (senhora) e Cy (mãe), a senhora Mãe, fonte de tudo, manifestada nos atributos da Lua, da água, da natureza, das mulheres e das fêmeas.

Cy - ou Ci - representa, portanto, a origem de todas as criaturas, animadas ou não, pois tudo o que existe foi gerado por uma mãe que cuida da sua preservação, do nascimento até a morte. Sem Cy (mãe), não há nem perdura a vida, pois ela é a Mãe Natureza, o principio gerador e nutridor da vida.

Na língua tupi existem váris nomes que especificam as qualidades maternas: Yacy, a Mãe Lua; Amanacy, a mãe da chuva; Aracy, a mãe do dia, a origem dos pássaros; Iracy, a mãe do mel; Yara, a mãe da água; Yacyara, a mãe do luar; Yaucacy, a mãe do céu; Acima Ci, a mãe dos peixes; Ceiuci, a mãe das estrelas; Amanayara, a senhora da chuva; Itaycy, mãe do rio da pedra, e tantas outras mães – do frio e do calor, do fogo e do ouro, do mato, do mangue e da praia, das canções e do silêncio.

As tribos indígenas conheciam e honravam todas as mães e acreditavam que elas geravam seus filhos sozinhas, sem a necessidade do elemento masculino, atribuindo-lhes a virgindade - o que também em outras culturas simbolizava sua independência e auto-suficiência. Em alguns mitos e lendas, as virgens eram fecundadas por energias numinosas em forma de animais (serpente, pássaro, boto), forças da natureza (chuva, vento, raios), seres ancestrais ou divindades.

A explicação da omissão, na mitologia indígena, do elemento masculino na criação era o desconhecimento do papel do homem na geração da criança, além do profundo respeito e reverência pelo sangue menstrual que, ao cessar “milagrosamente”, se transformava em um filho. Somente pela interferência dos colonizadores europeus e pela maciça catequese jesuíta que, na criação do homem, o Pai assumiu um papel preponderante, o Filho tornou-se o segundo na hierarquia, salvador da humanidade - como Jurupary, e à Mãe coube apenas a condição de virgem (como Chiucy).

Porém, apesar do zelo dos missionários para erradicar os vestígios dos cultos nativos da cultura indígena e dos escravos, muitas de suas tradições sobrevivem nas lendas, nos costumes folclóricos, nas práticas da pajelança e encantaria que estão ressurgindo, cada vez mais atuantes, saindo do seu ostracismo secular.

Um outro arquétipo da Mãe Ancestral é descrito no mito amazônico da Boiúna, a Cobra Grande, dona das águas dos rios e dos mistérios da noite. Apresentada como um monstro terrível que vive escondido nas águas escuras do fundo do rio e ataca as embarcações e pescadores, a Boiúna ou Cobra Maria é, na verdade, a Face Escura da Deusa, a Mãe Terrível, a Ceifadora, que tanto gera a vida no lodo como traz a morte, no eterno ciclo da criação, destruição, decomposição e transformação.

Outro aspecto da Mãe Escura é Caamanha, a “Mãe do Mato”, que protege as florestas e os animais silvestres, e pune, portanto, os desmatamentos, as queimadas e a violência contra a Natureza. Pouco conhecida, ela foi transformada em dois personagens lendários: Curupira e Caapora. Descritos como seres fantasmagóricos, peludos, com os pés voltados para trás, às vezes com um aspecto feminino, são os guardiões das florestas, que levavam os caçadores e invasores do seu habitat a se perderem nas matas, punindo-os com chicotadas, pesadelos ou até mesmo a morte.

Nas lendas guarani relata-se a aparição da “Mãe do Ouro”, que surge como uma bola de fogo ou manifesta-se nos trovões, raios e ventos, mostrando a direção da mudança do tempo. Em sua representação antropomórfica, ela torna-se uma linda mulher que reside em uma gruta no rio, rodeada pelos peixes e de onde se estende nos ares como raios luminosos, ou então surge na forma de uma serpente de fogo, punindo os destruidores das pradarias. Em sua versão original, ela era considerada a guardiã das minas de ouro, que seduzia os homens com seu brilho luminoso, afastando-os das jazidas. Seu mito confunde-se com o do Boitatá, uma serpente de contornos fluídicos, plasmada em luz com dois imensos olhos, guardando tesouros escondidos, reminiscência dos aspectos punitivos da Mãe Natureza, defendendo e protegendo suas riquezas. A deturpação cristã do mito punitivo pode ser vista na figura da “Mula sem Cabeça”, metamorfose da concubina de padre, que assombra os viajantes nas noites de sexta-feira (dia dedicado, nas culturas pagãs, às deusas do amor, como Astarte, Afrodite, Vênus, Freyja) e do Teiniágua, lagarto encantado que se transforma em uma linda moça para seduzir os homens, desviando-os dos seus objetivos.

Quanto ao significado esotérico de Muyrakitã, devemos decompor seu nome em vocábulos para compreender sua simbologia feminina: Mura - mar, água; Yara - Senhora, Deusa; Kitã - flor. Podemos então interpretá-lo como “A Deusa que floriu das águas” ou “A Senhora que nasceu do mar”. Esta divindade aquática, considerada a filha de Yacy, era reverenciada pelas mulheres que usavam amuletos mágicos chamados ita-obymbaé, confeccionados com argila verde, colhida nas noites de Lua Cheia no fundo do lago sagrado Yacy-Uaruá (“Espelho da Lua”), morada de Muyrakitã. Esses preciosos amuletos só podiam ser preparados pelas ikanyabas ou cunhãtay, moças virgens escolhidas desde a infância como sacerdotisas do culto de Muyrakitã - vetado, portanto, aos homens. Nas noites de Lua Cheia, as cunhãtay, devidamente preparadas, esperavam que Yacy espalhasse sua luz sobre a superfície do lago e, então, mergulhavam à procura da argila verde. A preparação das virgens incluía jejum, cânticos e sons especiais (para invocar os poderes magnéticos da Lua), além da mastigação de folhas de jurema, uma árvore sagrada que contém um tipo de narcótico que facilitava as visões. Enquanto as cunhãs mergulhavam, as outras mulheres ficavam nas margens do lago entoando cânticos rítmicos ao som dos mbaracás (chocalhos). Depois de “recebida” a argila das mãos da própria Muyrakitã, ela era modelada em discos com formato de animais, sendo deixado um pequeno orifício no centro. Em seguida, todas as mulheres realizavam encantamentos mágicos, invocando as bênçãos de Muyrakitã e Yacy sobre os amuletos, até que Guaracy, o Sol, nascia, solidificando a argila com seus raios.

Esses amuletos, que ficaram conhecidos com o nome de muiraquitã, tinham cor verde, azul ou cor de azeitona e eram usados no pescoço ou na orelha esquerda das mulheres. Acreditava-se que eles conferiam proteção material e espiritual e que podiam ser utilizados para prever o futuro, nas noites de Lua Cheia, depois de submersos na água do mesmo lago e colocados na testa das cunhãs, invocando-se as bênçãos de Yacy e Muyrakitã.

No nível exotérico, profano, o muiraquitã é conhecido como um talismã zoomorfo, geralmente em forma de sapo, peixe, serpente, tartaruga ou de felinos, talhado em pedra (nefrita, esteatita, jadeíta ou quartzito), bem polido, ao qual se atribuíam poderes mágicos e curativos. Foram encontrados vários deles na área do baixo Amazonas, entre as bacias dos rios Trombetas e Tapajós, sendo chamados de “pedras verdes das Amazonas”. Poderia ser uma confirmação do mito das Amazonas ou Ycamiabas, as “mulheres sem homens”, como foram chamadas pelo padre Carvajal, da expedição de Francisco de Orellana, em 1542. Os relatos míticos as descrevem como mulheres altas, belas, fortes e destemidas, longos cabelos negros, trançados, tez clara, que andavam despidas e utilizavam com maestria o arco e a flecha para guerrear e caçar. Diz a lenda que elas escolhiam anualmente homens para serem os pais de seus filhos, presenteando-os com muiraquitãs. Outras fontes afirmam que elas usavam ornamentos de pedras verdes esculpidos em forma de animais como objetos de troca com visitantes ou tribos vizinhas.

Os missionários atribuíam aos índios tapajós a origem dos muiraquitãs, mas eles eram apenas seus portadores, não os fabricantes, exibindo-os como símbolos de poder ou riqueza, ou ainda como compensação na realização de ritos fúnebres, nas cerimônias de casamento ou para selar alianças e acordos de paz entre as tribos.
Ocultos em mitos, lendas e crenças, existem ainda muitos resquícios das antigas tradições e cultos indígenas.

Descartando as sobreposições e distorções cristãs e literárias, poderemos resgatar a riqueza original das diversas e variadas apresentações da criadora ancestral brasileira, Mãe da natureza e de tudo o que existe, que existiu e sempre existirá.

Cabe aos estudiosos e pesquisadores atuais desvendar os tesouros históricos do passado indígena brasileiro, com isenção de ânimo e sem distorções, em uma sincera dedicação e lealdade à verdade original, para oferecer às nossas mentes as provas daquilo que os nossos corações femininos sempre souberam, ou seja,

"Que a Terra é a nossa Mãe, que nos tempos antigos os seres humanos veneravam e oravam para uma Criadora, que abria os portais da vida e da morte, cujos templos eram a própria Natureza, que somos todos irmãos por sermos seus filhos, interligados por fazermos parte da teia cósmica e telúrica da Sua Criação”.

(REPUBLICADO)

IN: http://sitioremanso.multiply.com/journal/item/13

domingo, 11 de abril de 2010

MANI, A MÃE NUTRIDORA



MANI, A MÃE DA MANDIOCA


Em tempos remotos, revelou-se grávida a filha de um morubixaba nas margens do Amazonas. Seu pai, querendo punir o autor de tanta desonra, perguntou quem era seu pérfido amante.

A jovem respondeu que não tivera contato com homem algum. Admoestou-a o velho e empregou para tanto, rogos e ameaças, e por fim castigos severos. Mas a jovem persistiu na negativa.

O chefe tinha deliberado matá-la, quando em sonho, lhe apareceu Tupã, que lhe disse que a jovem era completamente inocente, e que a criança era o presente seu. Conteve-se, desta forma, o irritado morubixaba.

Sua filha deu à luz a uma menina encantadora, branca, que com poucos meses já falava corretamente. Não só a gente da tribo, como também a das nações vizinhas vieram visitá-la para ver esta nova e desconhecida raça. Passou a chamar-se de Mani. De inteligência aguda, Mani passou a ser querida por todos de sua tribo.

Mas ao cabo de um ano, sem qualquer doença, a pequenina Mani fechou os olhinhos negros e morreu.

O chefe da tribo mandou enterrá-la ao lado de sua maloca. Diariamente regavam a sua sepultura, segundo antigo costume da tribo. Muito breve, brotou uma planta que, por inteiramente desconhecida, deixaram crescer. Floresceu e deu frutos. Os pássaros que deste comiam se embriagavam, fenômeno que, desconhecido dos índios, argumentou-lhes a admiração. Afinal fendeu-se a terra, cavaram-na e na forma de tubérculo ou raiz, limpando-a, viram que era muito branca, como o corpo de Mani. Acreditando ser a planta reencarnação da criança, comeram-na e fizeram uma bebida fermentada que foi seu vinho.

Este vinho, preparado com a mandioca cozida, é o "cauim", bebida predileta dos índios do Brasil.

A aldeia passou a chamar a planta de "Mandioca", em cujo som encontram-se "Mani", a criança morta, e Oca, a morada do índio, onde a maniveira é aproveitada das folhas às raízes, como símbolo de alegria e abundância.



A mandioca, também conhecida como "aipim" ou "macaxeira" é considerada o pão de cada dia do nosso indígena. Sua origem americana está fora de qualquer dúvida, ainda que seja cultivada na Ásia e na África tropical.

A ciência incorporou-a na família das "euphorbiaceas", que se distinguem por seu suco leitoso, muitas vezes peçonhento, que vertem por incisão. Da raiz que lhe confere a importância da mais notável e proveitosa do Brasil, levanta-se um arbusto de dois metros, cujas folhas em ordem de dedos se parecem com mãos abertas.

Planta-se a mandioca, cavando a terra em montículos e colocando em cada um três ou quatro pauzinhos da vara, tendo porém, o cuidado de quebrá-los à mão ou cortá-los à faca, porque deitam leite onde nascem e se geram as raízes.

Ouçamos agora de Gabriel Soares como no século XVI, se preparava esta comida nacional:

"E para se aproveitarem, diz o narrador, os índios, depois de arrancar suas raízes, raspam-nas muito bem até ficarem alvíssimas, o que fazem com cascas de ostras e depois de lavadas, ralam-nas em uma pedra,espremem a seguir, esta massa em um engenho de palma (espécie de cesto cilíndrico) a que chamam de "tupitim" (tipiti) que lhe faz lançar a água, que tem, toda fora, ficando a massa enxuta, da qual se faz a farinha que se come, que cozem em alguidar, para isso feito, em o qual deitam esta massa, e a enxugam sobre o fogo, onde uma índia a mexe com um meio cabaço, com quem faz confeitos, até que fique enxuta e sem nenhuma humildade e fica como cuscuz, porém mais branda. Desta maneira se come e é muito doce e saborosa."



Existem dois tipos de mandioca, uma doce e outra amarga. A primeira é inofensiva, se pode comer assada ou cozida sem nenhum perigo. A segunda, entretanto, é venenosa. Portanto, para comê-la, é necessário, primeiro tostá-la, para que perca suas propriedades nocivas. Obtêm-se então, uma farinha que constitui um alimento muito apreciado e muito consumido. Desta farinha são produzidos os famosos "beijus".

O cultivo da mandioca é antiguíssimo. Segundo alguns autores, ela é consumida desde antes da chegada dos espanhóis. Outros, asseguram que foi São Tomé quem ensinou o seu cultivo e a forma de faze-la comestível e inofensiva.



MITOLOGIA


Deusas que dão origem a cereais ou frutos existem em todo o universo mitológico desde a Pré-história.

Nossos antepassados acreditavam que a semente era animada por uma Deusa que se encontrava encarnada nas espigas e nos frutos.

Considerar que o corpo da Deusa surgia no fruto, encerra uma metáfora, de que igual ao feto que cresce dentro do útero e leva nove meses para nascer, a Mãe Natureza envia chuvas que molham o solo onde estão enterradas as sementes, que são o ventre da Deusa Terra, de onde emerge a vegetação, que cresce para dar abundantes frutos mais tarde. Aqui está a explicação do porque a sepultura de Mani era regada todos os dias, portanto, o aparecimento da planta já era esperado.

Nossos ancestrais encontraram uma total analogia entre a fertilidade da Mulher e a da Mãe Natureza, que acabaram identificando a Vida da Natureza com a Vida Feminina, concluindo que ambas tinham as mesmas funções com respeito a dar a Vida: Generadora e Nutridora.



Deste modo, a Mãe Humana e a Mãe Natureza cumpriam então, funções equivalentes: produziam bebês e frutos. Os filhos da Mãe Natureza são as plantas alimentícias.

Os mitos arcaicos nos contam, que a vegetação e a agricultura eram originadas em um corpo feminino, desde que se enterra a semente, em seguida ela morre e depois ressuscita.

O pensamento primitivo vê uma conexão entre os mortos enterrados no solo e a vegetação, que dele aflora. Assim, Osíris, o deus egípcio dos mortos, é também uma divindade da vegetação e, como tal, pode ser representado com uma pele verde. Em nossa lenda, a Deusa Mani, representando a mandioca, apresenta a pele branca, por razões também óbvias.

Os índios do leste da América do Norte, que subsistiam em grande parte ao cultivo do milho, concebiam o espírito deste cereal, como uma mulher e como os nossos índios, acreditavam que a própria planta havia surgido originalmente das gotas de sangue ou do cadáver da mulher dos grãos.

Na Mitologia Comparada, nossa Deusa Mani, seria um protótipo da Perséfone, a Deusa Virgem dos Grãos, cuja descida ao mundo inferior, é a representação mítica da semeadura e o seu reaparecimento na primavera, significava o despontar do cereal novo.

Outras Deusas de cujos corpos nascem alimentos são Uzume, entre os japoneses e Pachamama, entre os incas.

CONECTANDO-SE COM MANI


Reserve um lugar em que você não seja interrompida. Você irá precisar de uma caneta e um papel. Escreva então tudo o de bom que você já adquiriu na vida. Exemplo: filhos, saúde, alimento, talento, beleza, roupas, carro, casa própria, etc. Quando terminar a relação sente-se ou deite-se, com a coluna ereta e feche os olhos. Respire profundamente e tente relaxar.

Respire novamente e visualize uma energia dourada de essência adocicada que circulará por seu corpo. Faça isso novamente. Então veja-se entrando em uma mata fechada com muito verde e uma trilha para seguir. Sinta o cheiro do mato virgem e da terra molhada. Envolva-se nestes odores e siga em frente.

No final da trilha há uma oca. Entre nela e sente-se no chão, logo uma menina pequena vem até você lhe oferecendo "beijus". Aceite e convide-a para comer com você. Ela sentará satisfeita a seu lado. Comam e riam um pouco.

Ela depois lhe perguntará o que a trouxe até sua oca. Agora é hora de dar-lhe a lista e agradecer-lhe pela abundância em sua vida e pedir mais prosperidade em áreas que estejam deficitárias. Sorrindo ela responderá que prosperidade é um estado de espírito, mas que se você for merecedora alcançará seus objetivos com suas bênçãos. Agradeça-lhe novamente e peça permissão para retornar, mas não antes de prometer visitá-la novamente. Ela adora companhia!

É hora de voltar, saia da oca e tome o caminho da trilha. Respire fundo e, à medida que solta o ar, volte para o seu corpo. Quando sentir que está pronta, abra os olhos.

Seja bem-vinda!


Texto pesquisado e desenvolvido por
Rosane Volpatto

Bibliografia:

Moronguêtá - Nunes Pereira; Editora Civilização Brasileira; RJ; 1967
Lendas Brasileiras - Afonso Schmidt; Livraria Pluma, Porto Alegre; RS
Lendas e Mitos da Amazônia - Ararê Marrocos Bezerra e Ana Maria T. de Paula

IN:
http://www.rosanevolpatto.trd.br/Mani.htm


sábado, 10 de abril de 2010

AS SAGRADAS DEUSAS DO BRASIL


DEUSAS BRASILEIRAS

Mães d'água, feiticeiras da Lua, guerreiras das matas, as deusas brasileiras protagonizam histórias fascinantes da mitologia indígena. "Algumas foram mulheres de carne osso, outras são espíritos da floresta", diz Zoe de Camaris, autora do livro "Cy, A Deusa do Brasil" (por sinal um ótimo livro), que traz as mulheres sagradas em diversas culturas indíginas. As Deusas brasileiras estão ligadas a natureza e simbolizam sedução, fertilidade e abundância. "Nas tribos, a presença delas é invocada durante fesras e cerimônias de cura", diz o índio tapuia Kaká Werá Jecupé, coordenador do Instituto Arapoty, um centro de presevação da cultura indígina em são Paulo. Mas as dinvidades também se manifestam espontaneamente.
"Para os tupis-guaranis, Nandercy é a Mãe Suprema. Ela aparece em sonhos, como uma Serpente, e ensina os segredos medicinais das plantas", diz Kaká.

Não é possivél relacionar essass figuras femininas ás santas católias nem ás deusas gregas, já que os índios vivenciam o sagrado de maneira particular (embora há semelhança). "Para eles Deus não está no ceú, mas integrado a todas as coisas. essas deusas são 'mulheres-natureza', que convivem com oser humano, assim como as plantas e os animais." diz Zoe. Para invocar a influência de uma dessas deusas, basta entrar no reino delas - natureza -, como ensina Kaká: 'Diante de um pôr-do-sol, de um cachoeira, você pode fazer um pedido, de coração puro". Também vale fazer uma oferenda ou ter por perto um elemento ou amuleto ligado à dinvidade em questão. Logo abaixo vou citar algumas dessas deusas brasileiras ou seres venerados como tal, lá vai:

A Feiticeira da Lua

Mara, Mulher da Magia, Desperta o poder de persuasão e a capacidade de alterar o rumo dos acontecimentos.
Segundo o folclore, Mara foi uma menina raquítica, criada por um pajé, e adquiriu poderes maiores doque os dele.Ela representa a bruxa nativa, conhecedora de ervas e dos feitiços. Do seu corpo, depois de morta enterrada nasceram plantas venenosas que as feiticeiras indígenas utiliza, até hoje.
Em Trevas: Foi uma feiticeira de Arkanun que acidentalmente veio para na Terra, seria uma das filhas de Cy, foi auxiliada por um xamã indígena, logo todo a aldeia a reverenciava, e depois as aldeias ao redor, logo uma ordem foi criada, a Ordem das Feiticeiras da Lua, que continua ativa até hoje.
Caminhos: Terra e Ar.
Cores: Preto e Branco.
Simbolos: Coruja e Aranha.
Talismã: Uma pena negra usada como brinco ou colar.

A Grande Mãe

Sábia e Poderosa, Cy é a Mãe Suprema
. entar em contato com essa deusa é estimular a fmilinidade e a fertilidade.
O nome Cy, do tupi-guarani, significa mãe. Para os índios, ela é a doadora da vida, criadora de todas as coisas. Seu nome está presente em outas deusas: Ñandercy, a Nossa Mãe; Coaracy, a Mãe do Sol; acy, a Mãe da Lua.
Em Trevas: Juntamente com Tupan, é um entidade de Arkanun, e foi um dos primeiros seres sobrenaturais a pisar no Brasil. É uma deusa de muitas faces, e muito cultuada. Sua ordem, a Ordem da Grande Mãe, possuia muitas adeptas no passado, e embora o panteão indígena tem enfraquecido, nas tribos que ainda mantem a tradição, a crença na Deusa é forte.
Caminhos: Terra e Agua.
Cores: Marron e Branco.
Simbolos: Ovo e Tartaruga.
Talismã: Ovo de Cristal.

A Senhora da Fartura

Se um trabalho não dá frutos, é o momento de invocar Mani, Doadora do alimento e da fartura, que tem o poder de devolver a abundância.
Certa vez, a filha do um poderoso índio de um povo de língua aruak, do Xingu, foi expulso e sua aldeia por ter engravidado misteriosamente. Por causar da ira do pai, ela deu à luz a uma menina albina, chamada Mani. A menina andou e falou precocemente, também morreu cedo. A mãe chorou por muitos dias sobre a sepultura e passou a regá-la diariamente, segundo o costume indígena. Da cova de Mani brotou uma planta desconhecida, de raízes grossas, que, descascadas, eram brancas como o corpo da pequena nativa. Os índios passaram a cultva essa planta, que batizaram de mandioca - palavra que significa "corpo de mani".
Em Trevas: O pai de Mani seria uma entidade do Eden, que até agora não se sabe a origem. O fruto dessa união seria a pequena Mani, um ser pacifico mais de imenso poder. Em algumas tribos ela ainda é adorada com algum fervor.

Mães D'Água

Belas e sensuais, as sereias ativam a intuição, a sensibilidade e a sedução.


Yara
Diz a lenda que Yara uma índia muito bonita, mas indiferente aos apelos do sexo oposto. Por isso, foi violentada e atirada no rio. O espírito da aguas a transformou em um ser duplo -metade mulher, metade peixe. Ela é uma sereia de agua doce, de cabelos verdes ou louros, que carrega os moços para o fundo dos rios.
Em Trevas: Na verdade Yara, assim como as outras sereis que existem no Brasil vieram de Árcadia, Yara foi a primeira, a cruzar os portais e vim para essas terras.Além de ser a mais velha, é a mais poderosa das sereis no Brasil.

Cotaluna

Sereia do Rio Grand do Norte, Cotaluna tem o colo branco e farto. No inverno, ela fica feroz e arrasta todos os rapazes que cruzam seu caminho para fundo dos rios, sem se mostrar da cintura para baixo. Os moços nunca retornam. No verão, porém, ela fica calma, voltaa ser mulher como outras e escolhe seu homem com capricho, vivendo com ele uma festa sexual. Depois ele o libera, mas a experiência é tão arrebatadora que o moço volta com saúde abalada. Caso se recupera, naõ se lembra do ocorrido -guarda apenas a lembraça de ter vivido algo delicioso.
Caminhos: Água.
Cores: Azul e branco.
Simbolos: sereia, pedra de rio, vitória-régia.
Talismã: qualquer joia de prata em forma de espiral.

Guerreiras das Matas

Com espíritos de luta, as guerreiras, também chamada de amazonas, regem os processos de transformaçãoe trazem força para vencer desafios.

Kamatapirari

Mulher de chefe de uma tribo mehinaru, do Xingu, Kamatapirari liderou uma revolução feminina em sua tribo. Os homens tinham ido pescar, estavam demorando demais a voltar e as mulheres iam morrer de fome. Um dia, todas resolveram passar no corpo um óleo de casca de madeira e ficaram dançando sem parar, depois foram embora da aldeia. Quando os homens voltaram, era tarde. Sob a chefia de Kamataparari, as mulheres haviam aprendido a usar o arco, e a flecha, a pesca e a caçar. Chegaram a ter a própria aldeia, só de mulheres. ainda hoje, no Xingu, é feito um ritual que lembra a saga dessas guerreiras.

Cy, Deusa do Brasil - Mavesper Cy Cerridwen

quarta-feira, 10 de março de 2010

A GRANDE DEUSA DA NOSSA TERRA


A MÃE MUIRAQUITÃ


Antes das Festas do Amor, as índias faziam uma jornada expiatória ao lago do Espelho da Lua (Yacy-Uaruá ), tão belo quanto misterioso e oculto da profanação dos homens pela mais ínvia e mais brutescas das regiões alpestres do nosso continente, na grande ilha, que é a maior do mundo formada pelo Orenoco, o rio Negro e o Amazonas.

Neste recanto mágico, no começo do mundo, foi morada feliz da gloriosa Jaci, nossa lua venusta, Mãe dos claros lagos e enfermeira dos corações doentes.

Reunidas em torno do Lago Sagrado, as Icamiabas, nas noites certas fases lunares, provavelmente na Lua Cheia ou Quarto Crescente celebravam a festa do Jaci, a Deusa da Lua, a Mãe querida e temerosa das filhas selvagens.

Subiam então, aos céus, no meio da imensidade do sertão amazônico, através dos cantos, que nenhum o de homem pode ouvir, nem jamais ouvirá.

O óleo balsâmico do umiri e fina essência do molongó alcançavam os ares como uma oblação aromal à Deusa das noites serenas, que tece cuidadosamente com seus raios de prata os filtros misteriosos os invisíveis amores e as germinações.

Maceradas de longas vigílias e de flagelações, as filhas de Jaci, caíam em êxtase antes de obter a purificação suprema das águas cristalinas do Espelho da Lua, em cujo fundo mora a Mãe dos Muiraquitãs.

Quando, as horas mortas, a face da lua refletia bem clara na superfície polida do seu líquido Espelho, então as amazonas mergulhavam na águas e recebiam das mãos da Mãe dos Muiraquitãs as pedras verdes, como penhor da sua consagração, o presente dessas jóias sagradas. Antes de expostas ao ar e à luz do sol, dos quais recebiam a sua dureza e consistência, eram os Muiraquitãs como barro e assim tomavam do capricho das amazonas que afeiçoavam à sua guisa, as mais bizarras formas: qual de uma flor, uma rã ou ainda a cabeça de uma fera.

O Muiraquitã era um amuleto sagrado e mágico que as Icamiabas presenteavam os homens que anualmente vinham fecunda-las. Dizem que possuem propriedades terapêuticas e grande fortuna trás a todo aquele que possuir um desses singulares amuletos.

Quanto ao significado esotérico de Muiraquitã, devemos decompor seu nome em vocábulos, para compreender sua simbologia feminina: Mura = mar, água, Yara – senhora, deusa, Kitã = flor. Podemos então interpretá-lo como “A Deusa que floriu das águas”.

Esta divindade lunar, considerada a filha de Jaci (Deusa da Lua) era reverenciada pelas mulheres que usavam uns amuletos mágicos chamados ita-obymbaé, confeccionados com argila verde, colhida nas noites de Lua Cheia no fundo do lago sagrado Yacy-Uaruá (“Espelho da Lua”), morada de Muiraquitã. Estes preciosos amuletos só podiam ser preparados pelas ikanyabas ou cunhãtay, moças virgens escolhidas desde a infância como sacerdotisas do culto de Muiraquitã.

Nas noites de Lua Cheia as cunhãtay devidamente preparadas esperavam que Jaci espalhasse sua luz sobre a superfície do lago e então mergulhavam à procura da argila verde. A preparação das virgens incluía jejum, cânticos e sons especiais (para invocar os poderes mágicos da Lua), além da mastigação de folhas de jurema, uma árvore sagrada que contém um tipo de narcótico que facilitava as visões.

Enquanto algumas amazonas mergulhavam, as outras, ficavam nas margens do lago entoando cânticos rítmicos ao som dos maracás (chocalhos). Depois de “recebida” a argila das mãos da própria Muiraquitã, ela era modelada em discos com formato de animais, deixando um pequeno orifício no centro. Então todas as amazonas realizavam encantamentos mágicos, invocando as bênçãos de Muiraquitã e Jaci sobre os amuletos, até que Guaraci, o deus do Sol, nascia, solidificando a argila com seus raios.

Estes amuletos, que ficaram conhecidos com o nome de muiraquitã, tinham cor verde, azul, ou cor de azeitona, e eram usados como pendentes no pescoço ou na orelha esquerda das mulheres. Acreditava-se que eles conferiam proteção material e espiritual, e que podiam ser utilizados para prever o futuro, em certas noites de Lua Cheia, depois de submersos na água do mesmo lago e colocados na testa das cunhãs, invocando-se as bênçãos de Jaci e Muiraquitã.

AS AMAZONAS

A imagem das Amazonas, imagem invertida do ideal masculino sobre o feminino, nem sempre atuou para manter as mulheres em sua situação. Sendo o desempenho guerreiro um papel masculino em toda parte, e também um comportamento em geral vedado às mulheres, a imagem das Amazonas, operou primeiro para ampliar as oposições ao comportamento das mulheres dentro e fora do casamento e segundo para sancionar o motim e a desobediência políticas de homens e mulheres. A representação da Amazonas na literatura e iconografia, freqüente nos séculos XVI e XVII, nos leva a crer que a imagem teria a potencialidade de inspirar em algumas mulheres a ação e levá-las a refletir sobre suas possibilidades. Além do mais, a "mulher fora de lugar" alimentou a fantasia de algumas mulheres reais e pode ter inspirado ações excepcionais.

Na literatura, relatos e provérbios, a imagem das Amazonas em vários momentos foi diretamente recuperada e relacionada às potencialidades femininas, à mulher rebelde, à inversão da sexualidade , ao poder feminino e até à loucura feminina.

Representar a mulher no poder foi recurso de reflexão feminina sobre as potencialidades da mulher. O mito volta periodicamente modificado, alternando-se.

No início do século XVIII, as especulações sobre as "virtuosas" Amazonas estariam relacionadas à legitimação ao governo das rainhas européias, senão também à sugestão da possibilidade de ampliar a cidadania das mulheres. Pierre Petit e Claude Guyon trataram de encontrar argumentos plausíveis para explicar sua bravura, bem como de comprovar a sua existência. Já Poullain de la Barre usou-as em seus argumentos para a entrada das mulheres na magistratura, e nos primeiros anos da Revolução Francesa Condorcet e Olympe de Gouges fizeram um apelo em favor da plena cidadania das mulheres com argumentos sustentados na potencialidade feminina-amazona.

Movimentos de mulheres e feministas durante o século XX também usaram a imagem das Amazonas, instigando à luta pelos direitos femininos de igualdade e de cidadania.

O que me cabe acrescentar é que vivemos ainda em um mundo da “Grande Ilusão da Separação”, onde todos os membros da criação co-existem separadamente entre si como criaturas autônomas sem ligação com a natureza e seu ambiente, buscando gratificações por impulsos de poder, sexo e sobrevivência, em competição com os outros. E, nós mulheres, portanto, permanecemos alienadas de nossos verdadeiros eus, a fonte de todo nosso poder, que podemos caracterizar na simbologia da pedra sagrada, ofertada por nossa Mãe dos Muiraquitãs.

O xamanismo, juntamente com o retorno das Deusas, faz surgir uma possibilidade de lembrar-nos quem realmente somos: almas de grande majestade, beleza e poder criativo. Já nos é possível visualizar novos mitos de nós mesmas, novas maneiras de nos relacionarmos, novos rituais, sonhos e símbolos, novos métodos de fazer a paz e de resolver conflitos de forma não violenta. Já nos é possível definirmos uma nova linguagem e um novo sentido ético, novos modos de curar e educar e uma nova ciência baseada na espiritualidade.

A nossa Mãe Muiraquitã, nos implora para que atuemos em todas as áreas pessoais e planetárias, para trabalhar criativamente e construtivamente no interesse de nosso bem-estar comum. Nos informa ainda, que o trabalho que fazemos é por todas as mulheres e pela própria integridade da vida. A imaginação criativa da experiência das mulheres é a força que molda esta nova ordem, cuja mensagem é a nutrição espiritual de toda a criação. Sem o alimento espiritual o corpo perece.


RITUAL DA MÃE MUIRAQUITÃ (Deve ser realizado em noite de Lua Cheia)


A Mãe Muiraquitã é uma Deusa Lunar, e seus poderes aumentam e diminuem em função das fases da Lua.

Para realização deste ritual prepare seu altar com uma toalha prata ou branca. Acenda uma vela branca e ponha-a no centro. Se desejar, tenha um vaso com flores brancas no altar. Diante da vela, coloque um cálice com água, suco claro ou vinho branco. Queime um pouco de goma mástica e Artemísia. Vista branco ou prata. Ponha uma confortável cadeira próxima do altar e sente-se nela. Se desejar, coloque para tocar uma música instrumental suave e diga:

Amada Mãe Muiraquitã
Oriente-me para as opções corretas
Por todas as noites enluaradas de minha vida
Doce Mãe,
Dê-me a vitória
Guardiã e protetoras das Amazonas,
Dê-me prosperidade,
Conforte-me, Guia-me
Venha a mim nesta hora silenciosa
Fortaleça minha fé
Equilibre minha vida.

Feche os olhos e relaxe o corpo. Inspire e expire por três vezes. Visualize uma mata fechada, onde irá surgir uma trilha prateada. Siga por ela e encontará uma clareira, onde encontrará um lago cheio de lírios d'água. Ao chegar, duas Amazonas irão comprimentá-la e a conduzirão até a borda do lago. Dirão então, que você deve mergulhar em suas águas. Não tenha medo, mergulhe fundo e verá um templo redondo com lados abertos e no seu interior, a Mãe Muiraquitã lhe aguarda, sentada. Ela sorri e a abraça.

-"Irmã", dirá ela, "fico feliz que tenha vindo".

A Mãe Muiraquitã conversará com você sobre seus objetivos espirituais e sobre o que você conseguiu realizar nesta área até aqui. Ela pode dar sugestões sobre o que poderia lhe ajudar. Você pode contar-lhe seus problemas e pedir-lhe conselhos.

Após encerrar a conversa, ela lhe apanhará pela mão e a conduzirá para fora do lago. Um grupo de mulheres Amazonas se aproximam para ficar com vocês. Uma delas lhe alcançará um pote de barro contendo água. Ela o levará a seus lábios e você deve beber.

Ele se inclina e apanha um lírio d'água. Com grande solenidade põe flor no alto de sua cabeça. Você sentirá a flor penetrar em seu corpo. Ela dirá que a flor ajudará a realinhar os centros sagrados em seu corpo astral. Você sentirá o muiraquitã operando sua magia espiritual e se dá conta de um sutil bater de coração ao seu redor. A Mãe Muiraquitã dirá que este é o ritmo da Lua, uma influência que qualquer humano poderia ouvir e sentir se quisesse.

Uma outra Amazona traz um muiraquitã numa corrente. A Mãe o coloca em seu pescoço, explicando que você está recebendo o símbolo de sua iniciação Lunar e que agora poderá voltar sempre que desejar. A Mãe Muiraquitã a beija e mergulha no lago para retornar ao seu templo. Uma das Amazonas lhe acompanhará pela trilha que a trará de volta. Agora você deve, bem devagar voltar para o seu corpo físico. Inspire e expire por três vezes e abra os olhos.

SEJA BEM-VINDA!

Texto pesquisado e desenvolvido por
Rosane Volpatto


IN:
http://www.rosanevolpatto.trd.br/maemuiraquita.htm




terça-feira, 2 de março de 2010

CEUCY, A MÃE DAS ESTRELAS


DEUSA CEUCI
E JURUPARI


Ceuci é a "Virgem Maria" da teogonia Tupi, pois também ela teve um filho de uma concepção miraculosa.

Segundo a lenda, Ceuci descansava à sombra da árvore do bem e do mal, quando avistou seus frutos grandes e maduros. Não resistindo, apanhou e comeu uma de suas frutas e o seu caldo escorrendo pelo seu corpo nu alcançou o meio de suas coxas.

Meses após, revelou-se uma gravidez que encheu de indignação toda a comunidade indígena, O Conselho de Velhos, achou por bem, puni-la com o desterro.

Ceuci teve seu filho muito longe da aldeia de deu-lhe o nome de Jurupari, futuro legislador, que veio mandado pelo sol para reformar os costumes da terra e também encontrar nela uma mulher perfeita com quem o sol pudesse casar.

Quando nasceu Jurupari, nasceu também o silêncio, o quiriri sombrio e religioso das florestas e dos lagos amazônicos.

Já ao sair do ventre de sua mãe, falou-lhe:

-"Não tenha receio mãe: eu venho de Tupã, que é meu pai, com a missão de reformar os costumes de teus irmãos. Venho trazer a lei do patriarcado e o instituto do segredo, que ainda não existe nas tabas: foi adequado, por isso mesmo, o nome que me deste, Jurupari. Boca fechada, sigilo!".

Ao sete dias de nascido, Jurupari era um rapaz que aparentava dez anos e foi rapidamente correndo a fama de sua sabedoria. Em seguida, o lugar em que morava com Ceuci, foi povoada pelos romeiros que ali iam aprender não só a lei de Jurupari como as regras preliminares da agricultura.

À medida que o menino cresceu foi fatalmente, afastando-se da mãe e muito jovem já era considerado o "Moisés" dos tupis.
Para que os homens aprendessem a viver independentes das mulheres, Jurupari instituiu grandes festas que só eles podiam tomar parte.

Ceuci inconformada com tais leis e saudosa do filho, resolveu, certa noite, dar uma espiadinha no cerimonial dos homens. Furtivamente, então, transpôs o patamar da entrada da "Casa dos Homens". Essa infração era punida com pena de morte, mas antes do término do cerimonial, Ceuci foi fulminada por um raio. Jurupari foi imediatamente chamado para ressuscitar a mãe, mas nada fez, pois não podia abrir precedentes em suas leis.

“Morreste mãe, porque desobedeceste à lei de Tupã. É a lei que eu vivo a ensinar. Não vou te ressuscitar, mas te recomendo: sobe, bela, radiante e pura para um mundo melhor. Cumpriste a verdadeira missão de mãe, que sempre é cheia de amor, renúncia, desenganos e sofrimento. Meu pai vai recebê-la de braços abertos lá no céu”.

O corpo da Deusa reanimado e iluminando-se de uma fulguração estranha subiu ao céu, sentado na volta de sete cores de luaca-mirapara (arco-íris), dando beijos de luz e vida aos que ficaram em baixo, na alegria ingênua das tabas.

Ceuci transformou-se na estrela mais resplandecente da constelação das Plêiades ( constelação que indica a época certa da colheita das frutas maduras, da caça e da pesca) e hoje domina, no caá.

Ali está, para lembrar aos selvagens o respeito às leis de Jurupari, o Filho do Sol.

Na Amazônia existe também, o Ceuci-cipó. Desse cipó os tupinambás fabricavam o anamã, uma bebida que diziam ter o dom de purificar: bebiam-na antes de soprar as caçiúbas de Jurupari. Essa bebida era vomitório com que limpavam o estômago.

Quando Ceuci ascendia ao iuaca, o primitivo espírito, que sempre a seguia, não podendo acompanhá-la ao céu, transformou-se em uma coruja, cujo canto onomatopéico, diz claramente Ceuci, nome porque é conhecida na Amazônia.

Há também uma tartaruguinha de cauda comprida chamada Ceuci, a qual dizem ser hermafrodita.

Ceuci, mãe do "Moisés" dos tupis, dos caraíbas, guaranis e anamãs, é uma Deusa morta, pois nunca mais veio à Terra, mas goza de grande prestígio na mitologia da América do Sul.

É ela quem, no iuaca, distribui a sorte às tainatás, enlevo dos lares da floresta.

Os mitos da procriação, do nascimento e da vida de grandes figuras da história refletem o que há de extraordinário nestas crianças divinas e além disso, nos falam da correspondência destas conexões que se dão tanto com a ordem cósmica como com a alma humana.

As relações "homem-Deus" e "homem-mulher" são os temas do ser humano desde que ele existe , justamente por que nestas ligações entrelaçam-se decisões de vida ou morte. De todas as ligações a de mãe-filho é a mais estreita, é algo transcendente, que une duas pessoas em um segredo fascinante, que dá prazer e dor, mas que no fundo é sempre indecifrável. Assim, não é de se estranhar que no primórdios dos tempos se acreditasse que a maternidade não dependia do homem, mas sim da influência ou interferência dos astros, animais e até do sumo de alguns frutos, como é o caso de nossa lenda.
No início da humanidade, reinava o matriarcado e toda a linha de descendência era regida pelo sistema matrilinear. Entre os nossos indígenas, também foi assim. Toda a criança que nascia, pertencia ao grupo familiar da mulher. A posição do pai era de um simples amigo, portanto não tinha direitos sobre o filho. Toda a educação e tutela da criança ficava ao encargo do tio materno.

Tal estado das coisas acabou por gerar choques e tensões sociais e o homem sentindo-se mais forte, tratou de dominar a situação e inverter os papéis. Esta mudança em alguns casos foi extremamente dramática, pois em algumas tribos, o homem figurava como uma espécie de escravo da mulher, executando os serviços mais baixos e sem que os filhos o considerassem pais. O mito do Jurupari, juntamente com a existência das Icamiabas, nos deixa bem claro, que as mulheres foram destituídas de todo o poder, nada restando-lhes, nem mesmo era reconhecida a maternidade. Como o desmoronamento do direito materno, o homem apoderou-se também da direção da casa, a mulher viu-se então degradada, convertida em servidora, em escrava da luxúria do homem, ou simples instrumento de reprodução.

É óbvio que as mulheres não poderiam concordar com tal estado das coisas. E muitas são as lendas em que as mulheres matam os homens, seus maridos, os velhos e as crianças do sexo masculino, antes de abandonarem suas aldeias.

QUEM É JURUPARI?

Jurupari ou Izí é um Grande Espírito, que servia de guia e protegia os índios, particularmente aos homens. As leis do Jurupari, que significa "boca fechada" (iurú= boca e pari=tapume), impunham silêncio total sobre todos os segredos do oculto. O pai deveria matar o filho, se este descobrisse qualquer segredo das festas sagradas antes de iniciado, tão rígidas eram tais regras.

Nas cerimônias de iniciação, destaca-se os seguintes versos, ilustrando o conceito de "boca fechada":

"Sol, faz valentes seus corações!
Lua adoça suas falas!
Ceuci ensina-os a fugir
De um dia tudo contar!"

A cantiga pede pois, que mantenham suas bocas fechadas, de acordo com as leis e não esquece de invocar a proteção das Sete Estrelas ou Ceuci, a mãe do Jurupari, que correspondem ao aglomerado estelar aberto das Plêiades, na constelação do Touro, próximo às "Três Marias", o cinturão da constelação do Órion. Este grupo é visível alto no céu pela madrugada no inverno e primavera e verão no meio da noite. É também pedido a proteção da Lua para "adoçar suas falas", isto é, impedi-los de contar os segredos às mulheres.

O Jurupari foi portanto, o responsável pela instituição da "Casa dos Homens" e também pelo invento dos instrumentos sagrados, máscaras e das festividades exclusivamente masculinas, o que servia para manter o caráter de dominação patriarcal no seio das tribos.

MENSAGEM DEIXADA


A Deusa Ceuci e Jurupari chegam até nós para curar os conflitos entre homens e mulheres. Ceuci é a Deusa-Mãe Divina e Jurupari a Criança Solar que recebeu sua energia amorosa. Sem a mãe, não existiria o filho, sem o filho não existiria a mãe e, sem os dois, não poderíamos viver a dimensão da vida.

Nossas vidas sempre continuarão sendo um grande mistério, onde a razão só quer saber das causas e conseqüências e, com certeza, jamais admitirá ou acreditará no nascimento proveniente de uma mulher virgem. Entretanto, toda a mulher que encontra-se conectada com a Grande Mãe, sabe que não depende nem do pai, nem da mãe quando se forma a vida, mas isso cabe a um poder superior, ao poder da própria vida.

Ceuci vem dizer ainda, que é urgente o aprofundamento das mulheres dentro de si mesmas, para que se realizem os valores básicos femininos que o mundo patriarcal negou e que a mulher também alienou de si mesma, perdendo a sua linguagem própria de signos e símbolos em busca do reconhecimento.

O mundo hoje já não impede o desenvolvimento da mulher, mas ela ainda se encontra muito confusa em relação a própria identidade e do seu verdadeiro papel na vida. Se sente presa e vacilante aos preconceitos que a marcaram como sexo frágil, incapaz e inferior. Sua liberdade dependerá de um grande esforço, pois lhe exigirá uma fidelidade consigo mesma e o abandono de desculpas que ocasionem entraves para o seu crescimento. Não podemos nos esquecer, que estes antigos valores ainda estão no inconsciente dos homens, entretanto, o terreno é fértil para o despertar de uma nova consciência!

CONECTANDO-SE COM CEUCI

Se você puder realizar este ritual ao ar livre, tanto melhor. Caso more em um apartamento, posicione sua mesa perto de uma janela onde possa ver a Lua e as estrelas.
Primeiro você deve estender uma toalha azul no chão e desenhar ou colar 7 estrelas nela. Acenda três velas cor de prata em triângulo, um incenso de eucalipto e encha uma taça com vinho tinto.

Passe a fumaça do incenso de eucalipto em torno de você, mentalizando a energia da cura. Depois respingue um pouco do vinho sobre seu rosto e entre em estado de receptividade com as energias de Ceuci, dizendo:

Deusa das Sete Estrelas,
Encontro-me aqui para te encontrar,
E para pedir para tudo mudar,
Assim, como para meus ancestrais-índios fostes estrela guia,
Seja minha companheira,
Guia-me nos caminhos da vida e da luz,
Pois és Mãe Cósmica que reluz!
Atenda meus pedidos e se faça presente.

Feche os olhos e respire e inspire profundamente por três vezes. Depois visualize a luz brilhante das estrelas e tente localizar as Plêiades e chame por Ceuci. A luz tomará aos poucos a forma de uma mulher, que muito devagar descerá até seu jardim iluminando-o com uma forte luz prateada. Em uma de suas mãos terá um fruto vermelho que oferecerá a você. Tome-o e agradeça! Neste mesmo instante pegue sua taça de vinho, beba você o primeiro gole e depois levante a taça em direção à ela, brindando este encontro mágico.

Sinta então as estrelas derramarem sobre você toda a sua luz e deixe que esta energia percorra todos os seus corpos: físico, mental e espiritual. Aqueça-se nesta luz e deixa que ela preencha todos os vazios de seu ser.

Sinta-se então livre, plena e feliz
Peça a Deusa das Plêiades que abençoe a nossa Terra e nos faça todos irmãos.
Agradeça os momentos maravilhosos que lhe foram permitidos estar com ela.
Apague as velas e encerre o ritual.


Texto pesquisado e desenvolvido por
Rosane Volpatto


Bibliografia:

Lendas Brasileiras - Afonso Schmidt; Livraria Pluma; Porto Alegre; RS
As Amazonas - Fernando G. Sampaio; Editora e Distribuidora de Livros Ltda; SP

IN:
http://www.rosanevolpatto.trd.br/deusaceuci.html