"E aqueles que pensam em Me procurar, saibam que a vossa busca e vosso anseio devem beneficiar-vos apenas se vós souberdes o Mistério; se o que vós procurardes, vós não achardes dentro de vós mesmos, então nunca encontrarão fora. Pois eu tenho estado convosco desde o Início e Eu Sou Aquela que é alcançada ao final do desejo"


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domingo, 7 de fevereiro de 2010

A SACERDOTISA


Princesa Real, Poeta,
Alta Sacerdotisa, Amada de Nana,
Escolhida do Coração e da Alma
da Grande Deusa do Amor e da Guerra,
Escriba dos Primeiros Versos
encantados da literatura universal.


Acredita-se que Enheduana viveu a uns 4000 anos atrás e o primeiro artefato descoberto com inscrições sobre sua existência trata-se de um disco de alabastro, que foi descoberto por Sir Leonard Woolley em 1925.

Ela foi Alta Sacerdotisa Suméria de Nana/Sin, o deus da Lua.

Enheduana era princesa real, a filha de Sargão, o Acádio, que foi o primeiro monarca a unificar os Sumérios e os Acádios num só reino. Sargão começava então uma tradição que vai perdurar por cerca de 500 anos, através da qual o rei instalava sua filha como a Alta Sacerdotisa de Nana, o deus da Lua, em Ur. Nana é o grande regente do tempo, da passagem das estações, da fertilidade da terra e do sangue sagrado de todas as mulheres.

Sem dúvida, como filha de um grande monarca e a primeira princesa a ser instalada no posto de Alta Sacerdotisa, Enheduana gozava de invejável posição e autoridade. É também extremamente estimulante ver a espontaneidade, paixão e técnica de seus escritos, que nos deixam um testemunho precioso de uma mulher que detinha poder tanto temporal como espiritual, além de ser grande poeta e gozar de considerável erudição.

Enheduana é também a primeira autora conhecida da história da literatura universal. Antes dela, houveram autores ou escribas, mas Enheduana foi a primeira a se identificar como tal em sua obras.

A obra desta sacerdotisa literata poeta incluem um ciclo de três hinos à Deusa Inana e um ciclo de 45 hinos de templo.

SACERDOTISA ENHEDUANA

Como já descrevemos anteriormente, a Deusa Inanna, oriunda da antiga civilização da Suméria, em sua beleza celestial, era venerada como Deusa da Lua. O primeiros trabalhos a serem escritos e preservados sobre essa Deusa eram de autoria de Enheduana, nascida em 2.300 a. C, uma sacerdotisa da Deusa Lua.
Seus escritos em forma de poesia, assemelham-se mais a um diário pessoal, repleto de adoração à Deusa da Lua, de sublevações políticas, de sua expulsão do templo e de seu retorno a ele. Escreve com sensualidade e intimidade sobre a Deusa do Amor Inanna.
Eis algumas de suas palavras sobre a imagem da Deusa Inanna e das essências divinas:

"Senhora de todas as essências, cheia de luz,
Boa mulher, vestida de esplendor,
Que possui o amor do céu e da terra,
Amiga do templo de An,
Tu usas adornos maravilhosos,
Tu desejas a tiara da alta sacerdotisa
Cujas mãos seguram as sete essências.
Ó minha Senhora, guardiã de todas as boas essências,
Tu as reuniste e as fizeste emanar de tuas mãos.
Tu colheste as essências santas e as trazes contigo,
Apertadas em teus seios."


Enheduana também experimenta poderosa cólera e fúria para com a Deusa do Amor, a Deusa da Lua em sua fase negra:

"Como dragão, encheste a terra com veneno.
Como trovão, quando bradas sobre a terra,
Árvores e plantas caem diante de ti.
És o dilúvio descendo da montanha,
Ó Deusa Primeira,
Inanna, Deusa da Lua, que reina sobre o céu e a terra!
Teu fogo espalha-se e cai sobre a nossa nação.
Senhora montada numa fera,
An te dá qualidades, poderes sagrados,
E tu decides.
Estás em todos nossos grandes ritos.
Quem pode compreender-te?"


Quando um novo governante (Lugalanae) assumiu o poder, mudou todos os rituais sagrados. A sacerdotisa Enheduana foi banida do templo e escreve então sobre seu desespero de tal perda:

"Tu pediste-me para entrar no claustro santo, o"giparu",
E eu entrei nele, eu, a alta sacerdotisa Enheduana!
Eu carreguei a cesta do ritual e cantei em seu louvor.
Agora encontro-me banida, em meio aos leprosos.
Nem mesmo eu consigo viver contigo.
Sombras penetram a luz do dia,
A luz escurece à minha volta,
Cobrindo o dia com tempestades de areia.
Minha suave boca de mel torna-se repentinamente confusa.
Minha linda face agora é pó."


Mas Enheduana logo em seguida, retorna à sua condição inicial, e recupera novamente a alegria, a beleza e o relacionamento com a Deusa:

"A Primeira Senhora da sala do trono,
Aceitou a canção de Enheduana.
Inanna a ama novamente.
O dia foi bom para Enheduana, pois ela vestiu-se de jóias.
Ela vestiu-se com a beleza própria das mulheres.
Como os primeiros raios do luar sobre o horizonte,
Quão exuberante ela se vestiu!
Quando Nana, pai de Inanna,
fez sua aparição,
O palácio abençoou Ningal, mãe de Inanna.
Da soleira da porta celeste veio a palavra:
"Bem-vinda!".


Os escritos de Enheduana são muito importantes, pois trazem à luz a profunda devoção de uma mulher humana, sacerdotisa, à Deusa do Amor. Enheduana vive sua beleza e sensualidade como dádivas concedidas pela Deusa. No momento em que ela não pode mais venerá-la no templo, sente o vazio obscuro e sombrio, e sua própria imagem da Deusa, sua radiante beleza feminina fica encoberta.

Através da fantasia poética de Enheduana e de seus relatos históricos sobre a Deusa Inanna, podemos entender com mais clareza o significado dos rituais religiosos em que ela era a figura mais importante e decisiva. Ainda assim, Inanna permanece um mistério, em grande parte porque a nossa atitude moderna torna mais difícil para nós agarrarmo-nos àquilo que vemos como paradoxo em sua imagem: sua natureza sexual era um aspecto integral de sua natureza espiritual. Para a maioria de nós, tal conjunção é uma contradição. Nos tempos antigos, no entanto, era unidade.


segunda-feira, 26 de outubro de 2009

SACERDOTISA DE INANNA


Um dos poemas da sacerdotisa Enheduana, que serviu a Deusa Inanna e Nanna, a única sacerdotisa poetisa que se tem noticia e a única mulher que deixou algo escrito para as futuras seguidoras da Grande Deusa.



Majestosa rainha do eu assombrado, envolta em medo,
Que cavalga o grande eu, Inanna, Vós que aperfeiçoastes a arma a-ankara,
Que estais coberta com o seu sangue,
Que rondais tempestuosamente as grandes batalhas,
Que pisais os escudos,
Que provocais a chuva-enchente,
Grande rainha Inanna experiente em planear o ataque, Destruidora de kur,
Que disparastes do Vosso braço a flecha para longe,
Que firmastes o Vosso braço sobre as montanhas,
Como um leão Vós rugistes no céu e na terra, despedaçastes a carne das pessoas,
Como um grande touro selvagem anseias a batalha contra as terras inimigas,
Como um leão assombroso aniquilastes com o Vosso veneno os hostis e desobedientes.

Minha rainha, quando Vos tornais imensa como o céu, Donzela Inanna,
Quando Vos tornais tão vasta quanto a terra,
Quando Vos ergueis como o Rei Utu, abrindo bem os braços,
Quando estais no céu, envolta em assombroso medo,
Quando na terra estais envolta em luz brilhante e fixa,
Quando viajando sobre as montanhas avançais como uma rede azul de lápis lazuli,
Quando banhais as terras frutuosas, as terras puras,
Quando gerais as terras brilhantes, as terras puras,
Quando Vos sentais como um verdadeiro amo, como um bom amo,
Quando nas suas batalhas Vós ergueis bem alto as suas cabeças como uma arma devastadora,
Então as pessoas de cabelo negro rompem em cânticos,
Todas as terras murmuram docemente o seu cântico ilulamma,
Rainha das batalhas, Grande Filha da Lua, Donzela Inanna, quero-Vos louvar como Vos é devido.