"E aqueles que pensam em Me procurar, saibam que a vossa busca e vosso anseio devem beneficiar-vos apenas se vós souberdes o Mistério; se o que vós procurardes, vós não achardes dentro de vós mesmos, então nunca encontrarão fora. Pois eu tenho estado convosco desde o Início e Eu Sou Aquela que é alcançada ao final do desejo"


sexta-feira, 30 de outubro de 2009

LILITH - ALÉM DAS FACES DE EVA





L I L I T H
A Donzela Negra


"Ninguém te conhece. Ninguém. Mas eu te canto no seu perfume e na sua graça para a posteridade. E me encanto com a forma como persegues a morte e sua coragem jubilosa..." (Garcia Lorca)

"No alto do ramo mais alto, uma tão rosa maçã. Mulher. Esqueceram-na os apanhadores de frutas? Não. Mãos não tiveram para a colher..." (Safo)

Não é preciso consenso, nem arte, nem beleza ou idade: a vida é sempre dentro e agora. (Lya Luft)


Lilith, é uma variação hebraica (e não judaica) da deusa sumeriana Lil - que significa "tempestade" -, muitas vezes reconhecida como a outra face de Inanna. Seu nome também parece estar relacionado à "coruja", provavelmente pelos seus hábitos: uma sinistra ave de rapina que se precipita, silenciosa, na escuridão, e que, não obstante, também simboliza a sabedoria. Por outro lado, o mito hebreu fala de como Lilith foi moldada de terra e esterco, provavelmente querendo refletir o potencial da terra adubada - o que a relaciona, também, com a SEXUALIDADE e FERTILIDADE.

A história que podemos lembrar de Lilith começa com Innana, a neta da deusa Ninlil, conhecida como "Rainha dos Céus". A história de Innana e Enki nos fala dos costumes sexuais sagrados, que são a dádiva de Innana para a humanidade.

Em seus templos se praticava a prostituição sagrada e suas sacerdotisas eram conhecidas como Nu-gig. Os homens da comunidade buscavam a Deusa nessas sacerdotisas e o ato sexual era sagrado, proporcionando a CURA FÍSICA E ESPIRITUAL. Nessa época,o nome de Lilith era o da Donzela, "mão de Innana", que pegava os homens nas ruas e os trazia ao templo de Erech para os ritos sagrados.

Entre 3000 e 2500 a.c., os sumerianos passaram a ter contatos com culturas patriarcais. Estas, para poderem dominar aquele povo, sabiam que deveriam atacar seu maior centro de poder: o templo do sexo sagrado. Para que a conquista dos sumérios pudesse ter lugar, as culturas patriarcais interessadas começaram a disseminar as idéias de repressão sexual, combatendo como malignas as práticas sexuais milenares dedicadas à Deusa. As práticas sexuais se tornaram então parte da sombra, o poder da mulher foi identificado com o mal e o demoníaco...

Daí, através dos séculos, a Donzela Lilith, que buscava os homens para o Templo de Innana, se tornou no patriarcado o símbolo do mal supremo. Ela encarna de todas as formas e por milênios o medo atávico do homem do poder sexual da mulher.

Mais ou menos em 2400 a.c. Lilith, o Espírito do Ar, foi distorcida como a primeira mulher de Adão, como encontramos em muitos mitos, como um demônio, que foi expulsa do Jardim do Éden. Lillith não é, originalmente, da mitologia cristã ou judaica (e muito menos bíblica - e por isso nem é mencionada nela).

Os hebreus não eram monoteístas como os judeus. Até pelo contrário: eram politeístas. E pautavam sua vida pessoal e comunitária pelos ciclos sazonais - o que os torna também pagãos. Só após a invasão e destruição de Israel pelas forças babilônicas, no século VI a.C., é que começa a surgir o Judaísmo, mais ou menos como hoje o conhecemos - monoteístas e patriarcais.

Os primeiros capítulos da Bíblia (Gênesis 1 a 3) não são os escritos mais antigos desse livro. Sua articulação final data mais ou menos do fim do Exílio na Babilônia e, portanto, traz uma profunda rejeição a tudo que fosse ligado ao "inimigo". A Árvore da Vida, a Serpente e até a própria figura da Mulher são tratadas com menosprezo exatamente para estabelecer uma distinção.

No entanto, é interessante lembrar que o significado do nome "Eva" é "MÃE DE TODOS", e Adão significa "FILHO DA TERRA" - e isso já é suficiente para estabelecer sua antigüidade em relação à própria Bíblia. Certamente trata-se de um mito passado de geração em geração, via oral (como de hábito naqueles povos), que falava de uma GRANDE MÃE e de seu Filho.

Os autores bíblicos inverteram a situação, transformando Adão praticamente num "Grande Pai" e Eva em sua "filha", posto que ela surge a partir dele - evidentemente, para tornar legítima a postura patriarcal que estavam adotando. Da mesma forma, a Árvore e a Serpente - que sempre foram símbolos da Grande Deusa no Oriente - torna-se, na Bíblia, representações do Mal - e é ai que o mito de Lilith pode ser melhor compreendido.

Obviamente, uma transição desse porte não aconteceu sem brigas, discussões e resistência por parte das mulheres. Submetê-las ao patriarcado deve ter sido um trabalho difícil e que demorou várias gerações. As mais resistentes muito provavelmente viram no mito de Lilith toda a sua força ideológica - o que também deve ter causado a reação contrária de transformá-la em um Demônio e mãe de todos os demônios.

Lilith transparece, no mito hebreu, como a mulher livre, sensual, sexual e até certo ponto selvagem. Aquela que não se submete a nenhum homem, mas SEGUE SEUS INSTINTOS E DESEJOS. Por isso ela é representada sobre leões - símbolo da força masculina. No fundo, é a mulher que todo homem deseja mas que também teme, e por isso mesmo, parece um "demônio tentador".

Lilith, na tradição matriarcal, é uma imagem de TUDO O QUE HÁ DE MELHOR NA SEXUALIDADE FEMININA - A NATUREZA DA MULHER, O PODER DO SANGUE MENSTRUAL, que é o poder da Lua Escura. O período normalmente dedicado a Lilith, naquela época, era exatamente o período menstrual. O momento em que as mulheres poderiam ter relações sexuais livres da possibilidade de gravidez e, por isso, tais relações estariam exclusivamente ligadas ao prazer (e não à procriação, como era a perspectiva patriarcal). Assim, muitas vezes, se referiu a essa Deusa como o "Espírito Menstrual".

A reação judaica foi muito rápida e fulminante: transformou em pecado e tabu o sexo no período menstrual - uma artimanha para solapar o culto a Lilith. A segunda foi criar "regras" para a relação sexual - particularmente, regras que garantiam o prazer masculino, mas negava e proibia o prazer feminino. Nesse quadro, Lilith figurava para as mulheres como a experiência sexual capaz de integrar mente e corpo (pois estava livre da gravidez), abrindo um caminho para os tesouros misteriosos do submundo feminino. É encarada como a mulher positiva e rebelde, a que não aceita os padrões patriarcais que marcam a menstruação com dores e vergonha.

Conhecer a figura de Lilith é lembrar de um tempo no passado antigo da humanidade em que as mulheres eram honradas pela INICIAÇÃO SEXUAL, onde expressavam sua LIBERDADE E PAIXÃO NATURAL.

Hoje, depois desses séculos todos de um patriarcalismo opressor, Lilith volta como uma DEUSA NEGRA, ou seja, a energia feminina trancafiada nos calabouços da psiquê de toda a humanidade: para os homens, ela é um desafio; para as mulheres, um arquétipo.

O que significa reivindicar os poderes de Lilith para a mulher de hoje? Na literatura mítica antiga havia 3 Liliths - que refletiam as fases de lua crescente, cheia e escura:


A Lilith crescente era Naamah, a Donzela Sedutora

Donzela é a mulher indômita, selvagem, livre, vibrante de energia, imprevisível como o vento. Sua resposta à vida é espontânea, vívida. Totalmente objetiva. Por mais bela que possa ser, não anseia por estabelecer relacionamento, mas para avaliar, experimentar e descobrir suas próprias formas de ordem.

A mulher mais velha pode ter sido limitada ou reprimida na juventude, e pode reivindicar a Donzela, conscientemente, para libertar seu espírito e encontrar a sua direção. Muitas crises de meia-idade são forjadas por uma Donzela enclausurada e confinada, precipitada muito cedo num casamento convencional, sem oportunidade de explorar alternativas na sexualidade ou na carreira.

Mulheres em motocicletas, em laboratórios, estudando as florestas e matas, dançando num palco, discursando na plataforma política - elas são a Donzela.


A Lilith Mãe era Nutridora

Na primavera ela abre seu corpo-terra para gerar crescimento novo e brilhante. No verão, ela envolve com braços protetores a terra ardente. Na época da colheita ela espalha amplamente sua generosidade, e, à medida que o frio aumenta, ela aconchega os animais em suas tocas no inverno, puxando as sementes para o profundo interior do seu útero até que volte a época do reverdecimento.

A Donzela pode inspirar nossos atos criativos, mas a Mãe está presente quando os produzimos.


E havia a Lilith Anciã, a Destruidora

Embora a Donzela seja procurada e a Mãe respeitada, a Anciã recebe pouca atenção. Mas é na Anciã que o poder feminino realmente se torna COMPLETO.

A Anciã é SÁBIA, observadora, tecelã, conselheira. Conhece os caminhos entre os mundos. Isso pode fazer dela uma personagem desconfortável, mas é um repositório de sabedoria feminina, do conhecimento acumulado da mulher que não menstrua mais, porém MANTÉM DENTRO DE SI O DEPÓSITO DO SEU PODER.

Na primeira, devemos confrontar as maneiras pelas quais nós somos reprimidos, buscando recuperar nossa dignidade. Na segunda, devemos integrar o desespero que vem de nossa rejeição, angústia, medo, desolação; e na terceira descobrimos o poder da transmutação e da cura dela decorrente, uma vez que ela corta nossas falsas retenções, desilusões e nos ajuda a encontrar nossa essência livre e selvagem.

Priscila Manhães

http://www.femininoplural.com.br/artemis/lilith.htm

Gaia Lil;

Eu venho usando este nome(Gaia nome que me foi dada como sacerdotisa-feiticeira) a muito tempo em conjunto com o Lil (Ar ou Tormenta) em honra a Deusa Lilith...Para evocar o seu poder sua benção e sua proteção.
Como vimos a mulher na sociedade patriarcal foi proibida de ter o acesso ao orgasmo e ao prazer sexual, que eram sagrados e naturais logo jamais poderiam ser considerados parte do mal. O problema é que AINDA as mulheres seguem as regras de como fazer sexo e quando (não fazendo quando estão mestruadas) e sentem até vergonha do próprio sangue mestrual...Tal coisa com toda certeza é resquício da dominação patriarcal ao espírito místico e Natural da Mulher (como Deusa e Sacerdotisa e posteriormente Feiticeira). O medo do poder da mulher é tão grande e tão enraizado em nossas culturas que não é dada nenhum ou pouco valor a dádiva da Mulher como Geradora da Vida e da Maternidade e os homens é dado todo valor pelo fato de terem "feito" um filho na sua esposa e agora serem um pai ....Como se qualquer gato vagabundo não pudesse fazer a mesma coisa!

A Mulher que forma em si a criança, desenvolve seu corpo e alimenta seu espírito com parte de sua energia durante as semanas da gravidez e que aguenta as dores do parte e dá a luz a sua criança , a imagem da Deusa Mãe que gera a Criança Divina que um dia será o homem adulto que deveria honrar a Mulher e sua dignidade para poder de novo ter acesso ao Grande Espírito...A Grande Mãe que liga a alma e o corpo da mulher e do homem...E que dá ao Homem ( verdadeiro e não o Pai-Macho que impera em nosso dias) o valor e a sabedoria...

A mulher precisa se reconectar com seu Espírito de Sacerdotisa que por consequência a torna Deusa e sagrada mediadora das forças cosmologicas e teluricas, conhecedora do corpo de Gaia, a Terra Mãe que gerou sozinha todo o universo...E cujo corpo fisíco a Terra deveria ser honrado e respeitado e não degradado, usado e temido...Tal como a Mulher!

Gaia Lil

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

MAGNA MATER


DEUSA CIBELE

Uma das manifestações da Grande Mãe. Que governa as colheitas, sustenta as cidades, devolve à mulher o seu papel de sacerdotisa.

Enquanto os homens saíam para caçar, nós ficávamos nas cavernas, no ventre da Mãe, cuidando de nossos filhos. E foi aí que a Grande Mãe nos ensinou tudo.


"O homem vivia em movimento, enquanto ficávamos no ventre da Mãe. Isto nos fez perceber que as sementes se transformavam em plantas, e avisamos aos nossos homens. Fizemos o primeiro pão, e os alimentamos. Moldamos o primeiro vaso para que eles bebessem. E entendemos o ciclo da criação, porque nosso corpo repetia o ritmo da lua.Nós, as mulheres, que entendemos e amamos a Grande Mãe. Pagamos nossa sabedoria com as perseguições e as fogueiras, mas sobrevivemos. E agora entendemos seus mistérios."




Cibele ou Cíbele era originalmente uma Deusa da Frígia, designada como Mãe dos Deuses ou Deusa Mãe, a Magna Mater (Grande Mãe) . Deusa do poder de Fertilidade da Natureza, seu Culto começou na Ásia Menor e se espalhou por diversos territórios gregos.

Sob o antigo título grego, Potnia Theron, também associada com a Deusa Mãe minóica, remonta às raízes pré-históricas neolíticas da "Senhora dos animais".




A LUA



Ó espelho da Deusa Terra
Nos ensina nosso poder, faz com que os homens nos compreendam. Nascendo, brilhando, morrendo e ressuscitando no céu, você nos mostrou o ciclo da semente e do fruto.





ORAÇÃO A GRANDE MÃE TERRA

Grande Mãe Terra,
Senhora de Todas as Coisas
Mãe de Toda a Vida
Rainha e Soberana Absoluta
Senhora do Fogo e da Destruição
E Transformação,
Senhora da Água e da Profundidade,
E Emoção
Senhora do Ar e Espírito
E Inspiração

Senhora da Lua Escura, Mãe Negra de Todas as Faces
A Senhora que Detém as chaves do Mundo
Mãe Princípio
Revele as chaves do Profundo Mistério
Da Luz e da Escuridão
Da cura e da degeneração
De Crescente a Cheia

Da Donzela a Mãe
Da Cheia a Minguante
Da Mãe a Anciã
E Na Lua Negra
Aquela que vai além da Tríplicie

A Encantadora que detém o Poder Total da Deusa
Guia me a Mim
E Minhas Irmãs
Em direção a Ti
Ó Magna Mater

Gaia Lil

DOM DE PANDORA - MALDIÇÃO OU BÊNÇÃO?


“Ao abrir a pesada tampa do seu jarro, Pandora soltou todos os males que afligem a humanidade. Assustada com o seu gesto, ela o fechou rapidamente, deixando aprisionada somente a Esperança. Persuadida a libertá-la, Pandora abriu novamente o jarro; foi assim que a esperança saiu voando para aliviar os sofrimentos dos homens”.

Theogonia – Hesíodo 700 BC


O mito descrito pelo historiador grego Hesíodo relata a criação de Pandora como o castigo dado à humanidade pelo Zeus, enfurecido com o gesto de Prometheus que tinha roubado dos deuses o fogo para dá-lo aos homens.
Zeus pediu a Hefáisto, o deus ferreiro, para misturar água e terra e modelar uma linda imagem de mulher, a qual deu voz e vida. Athena a vestiu, colocou-lhe um cinto bordado, cobriu-lhe a cabeça com um véu e coroou-a com uma guirlanda de flores e uma coroa de ouro. Ensinou-lhe depois como tecer e bordar. Afrodite, a deusa dourada deu-lhe encanto e o doce veneno da sedução, enquanto as Cárites (as Graças) deram-lhe graça e suavidade. Somente Hermes lhe deu atributos racionais, uma mente ardilosa e o dom de enganar. E Zeus nomeou-a Pandora e pediu a Hermes que a levasse a Epimetheus, o irmão bobo de Prometheus. Apesar de ter sido avisado por Prometheus (cujo nome significava “precognição”) para não receber nenhum presente de Zeus, Epimetheus (sinônimo de compreensão retardada) aceitou Pandora e por ela se apaixonou. Mas em lugar de dar-lhe felicidade, ela decidiu abrir o jarro e espalhou discórdia, doença, velhice e morte sobre a terra.
A semelhança deste mito com o de Eva é espantosa. Em ambos os mitos atribuíram-se a uma mulher a origem da desgraça, dos males e da mortalidade dos seres humanos. Analisando com mais atenção a lenda bíblica de Eva, percebe-se que uma das fontes que a inspiraram foi o mito pagão grego de Pandora. A sustentação filosófica para a luta entre o bem e o mal foi dada por Pitágoras, em cuja visão o mundo tinha sido formado por dez princípios, cada um constituído por duas forças contraditórias – luz e escuridão, masculino e feminino, movimento e inércia, reto e curvo, direita e esquerda, par e impar. As qualidades positivas foram atribuídas ao princípio masculino enquanto a escuridão, a maldade, os aspectos tortuosos, ocultos e indefinidos foram considerados atributos femininos. Devido à desobediência da mulher (não comer da árvore do conhecimento; não abrir o jarro misterioso) a humanidade é castigada, ora por Yahve, ora por Zeus. E a existência da mulher passa a ser uma permanente lembrança do Paraíso perdido por sua causa, por ter desobedecido às ordens de Deus.
Retrocedendo aos mitos anteriores a estas versões patriarcais e analisando as raízes etimológicas podemos encontrar a origem verdadeira da sua história. Pan em grego significa “tudo”, Dora representa dons, e Pandora era o titulo da Mãe Doadora, Pandora Anesidora, aquela que detinha e distribuía todos os dons. O próprio ato da criação – um atributo exclusivamente feminino – foi transferido a Zeus e Hefaisto, que apesar de ser ferreiro, usou terra e água (elementos femininos primordiais na criação) para modelar “uma linda mulher”. Às deusas couberam somente as tarefas de vestir, embelezar e educar Pandora, mas foi o deus Hermes que lhe deu a capacidade mental (distorcida, claro, por ela ser mulher).
A definição original de “jarro” (pithos em grego) foi deturpada por Erasmo, escritor humanista cristão do século XV, que o transformou em pyxis, “caixa” (termo pejorativo para os órgãos sexuais femininos), banalizando assim o vaso primordial de criação, o ventre escuro e misterioso da Mãe Terra, doador da vida, porém também o receptáculo do corpo após a morte.
A própria idéia do jarro precede a versão do Hesíodo, aparecendo em um mito mais antigo que fala sobre uma mulher que tinha dois jarros fechados – um contendo o bem e o outro, o mal – que ela oferecia aos homens, deixando que eles escolhessem. A caixa aparece também no mito de Psique e Cupido, em que Psique não resiste à curiosidade e abre uma caixa fechada, desmaiando em seguida até ser socorrida por Cupido.
A inversão e distorção dos antigos mitos e valores das tradições centradas na Deusa foram usadas pelas sociedades e religiões patriarcais como um embasamento filosófico e moral para denegrir e diminuir a mulher. No século IV AD, João Crisóstomo, patriarca, orador e historiador cristão, define a mulher como “um mal necessário, uma tentação natural, uma calamidade desejável, um perigo doméstico, uma ameaça para a amizade, uma punição inevitável, uma criação má da natureza pintada com lindas cores”.
Neste momento em que presenciamos o ressurgimento de novos valores e manifestações do eterno e sagrado feminino, conhecer os mitos clássicos não é o suficiente. Precisamos ir além, voltando no tempo e no espaço para as verdades originais que foram desvirtuadas, invertidas ou escamoteadas nas versões patriarcais.
A mulher atual somente poderá trazer à tona a ampla gama dos seus recursos criativos e expressivos se reconhecer a riqueza dos dons que a Mãe Doadora lhe conferiu e que estão aguardando sua manifestação escondidos no misterioso jarro de Pandora.
Desta maneira, ela se tornará responsável não mais pela difusão dos males inerentes à condição humana, mas por tornar a sua vida e a dos seus semelhantes mais belas, mais plenas e mais felizes.

IN: http://sitioremanso.multiply.com/journal/item/33

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A HISTORIA É SEMPRE A MESMA...


O CULTO A GRANDE MÃE NA ÍNDIA

Antes da invasão dos povos arianos, a região que eles chamaram de Aryavarta, atual Índia, esta era habitada por um povo de origem atlante que possuíam baixa estatura, pele moreno escura, conhecido como drávidos, sua cultura diferentemente da ariana, baseava-se na agricultura sua religião fundamentava-se no culto a Grande Mãe, sua organização social era o matriarcado.

Em meio a esse povo, o culto a Grande Deusa, Mãe da natureza, dos deuses e dos homens, era mantido por sacerdotes e sacerdotisas, sendo estas últimas as grandes iniciadoras e Grã mestrinas dos Mistérios da Mãe, conhecidos como Tantrismo.

Os adeptos do tantrismos, homens e mulheres, adoravam a Deusa, através de suas inúmeras formas e nomes, Durga a deusa da força, Lakshimi, deusa da beleza e da prosperidade, Sarasvati, Parvati, etc. todas elas expressando suas diferentes características, como projeções num prisma, de um princípio único, arquetípico, que se manifesta de inúmeras formas na face da terra, através de todas as mulheres, ou iniciaticamente falando da hierarquia dos Barishades.

As mulheres, materializam através de suas características físicas e psicológicas os diversos aspectos da Divina Mãe.


Maha Kâli a Força Cósmica

Entre todas as representações da Deusa, no panteon tântrico, sem dúvida nenhuma Kâli, ou Maha Kâli, a deusa negra, nua, exerce um papel central, para o Adepto do Tantrismo que a adora nas profundezas de seu próprio corpo, na escuridão de seu santuário mais sagrado. Porém, para os não iniciados, Kâli apresenta-se como uma figura horrenda, macabra, pois seus aspectos externos foram forjados, ao mesmo tempo para confundir e afastar os profanos e instruir os discípulos, sobre os Arcanos e Mistérios do Culto da Grande Mãe.
Ela, Kâli, personifica a força cósmica que devora e destrói as ilusões e a mediocridade dos seres humanos, "Sua ferocidade aparente, só tem igual na verdade metafísica da mensagem de libertação que ela encarna e ensina aos seus fieis" (O Tantrismo - Michel Jean Varenne)

Nua e Negra, Kâli não conhece diferenciação, encarnando a pura consciência, impenetrável, despojada das roupagens transitórias, ela se perpetua em meio a escuridão, sem nenhum condicionamento. Feche os olhos e a encontrará, na escuridão de seu próprio corpo.

Seus seios generosos, expressão a doçura materna, o afeto instintivo, de uma mãe para com seus filhos, perdidos.

O colar de crânios, que ostenta simboliza as letras do alfabeto sânscrito, representando a totalidade do conhecimento, que ela oferece a seus seguidores.

Um cinto de mão decepadas, orna-lhe a cintura, para demonstrar que somente Kâli, pode nos livrar dos frutos kármicos, de nossas inumeráveis ações, através do acesso que a pura energia nos dá a consciência cósmica.

Seus três olhos, representam o despertar da tríade superior, Atmã, Budhi e Manas que ela promove nos Adeptos.

Seus dentes fulgurantes, dourados e sua língua vermelha, personificam a manipulação das energias, sattwica e tamasicas, ou seja, a manipulação do espirito e da matéria, onde o espirito é materializado e a matéria é espiritualizada, no verdadeiro sentido de solve et coagula, ou seja o dissolver e coagular dos alquimistas.

Suas duas mãos esquerdas, uma das quais empunham uma espada, afirmam o inevitável extermínio de nossa forma física, animal, e também a destruição dos liames que nos acorrentam à matéria.

Suas duas mãos direitas, nos levam a seguir com firmeza e coragem a via espiritual que conduz a libertação interior, a vitória sobre a morte física.

Kâli, é a expressão de um Mistério Arcano oculto aos olhos dos não iniciados, que conduz a valores espirituais transcendentes, personifica a força última, constitui a introdução ritual indispensável ao principio da Shakti (energia).

As sacerdotisas drávidas, despojavam a Deusa de todas os seus atributos externos, afim de obter a visão da energia impessoal, incondicionada, criadora e destruidora dos mundos.

Uma das características dos Adeptos do Tantrismo, é a capacidade de despojar cada acontecimento, quer seja uma sensação física, uma emoção ou um terremoto, para reconhecer a energia, a Shakti, em ação, livre de toda a qualificação moral.

A doutrina da Shakti, afirma que o mundo sem dúvida é Maya, ilusão, mas que ele é também a manifestação intempestiva da força, ou da Shakti. Ao invés dos vedantinos e budistas, que posteriormente, dotaram o conceito de Maya de uma interpretação profundamente abstrata e idealista, exacerbando seu aspecto ilusório, os drávidos, ressaltavam seu aspecto de ilusão gerada pela força da manifestação, que cria e destrói simultaneamente, chamando-a de Maya-Shakti, diziam que, "o conceito de força, para que se exerça na Sadhana, na prática, é um guia mais seguro do que a nebulosa idéia de espirito" (Tantra Tatwa).

As sacerdotisas ensinavam aos discípulos, através dos simbolismo da dança dos sete véus, os segredos, do desvelamento de Ísis, ou de Maya-Shakti, cada véu representando um aspecto da ilusão que ocultava a força geradora de mundos, plasmadora das formas e doadora da vida. Sendo que ao discípulo é indispensável conhecer a força, afim de libertar-se integralmente de sua rede, sem tal conhecimento da natureza de Maya-Shakti, a libertação que se alcança, não passa da ilusão da libertação.

Shakti é a força que transborda criando e destruindo as cegas, Maya é a ilusão da existência dos "eus" distintos do Todo, meros fantasmas criados por esta força, que precisa ser reconduzida a sua origem e reunida a consciência espiritual, ao Purusha.

Desde que o Adepto realize nele este princípio, desde que a força extraviadora e extraviada, deixe de diluir-se nos fenômenos, nos fantasmas, na mera procriação de formas cada vez mais inconscientes, então como diz o Kulanarva Tantra, ai então, "o mundo de sansara (o mundo do sofrimento) se torna o próprio lugar de libertação".

Maya-Shakti, é compreendida pelos Adeptos, como uma força desgarrada, inconsciente de si mesma, em movimento e em transformação constante, que deve ser conduzida a união com um polo de natureza impassível e serena, para o qual inevitavelmente a força se voltará enfim.

Esse polo é Purusha, ou o espirito, impassível ante as manifestações da força reprodutora, reverenciado na figura masculina de Shiva, o impassível, aí então surge a manifestação da divindade andrógina, o deus e sua força, Shiva-Shakti, não mais Maya-Shakti, a força inconsciente geradora de miragens, mas a suprema personificação do divino, Pai-Mãe, Brahma, "a união em nós de Shiva, o impassível, e Shakti a devoradora, provoca a libertação dos fenômenos perturbadores e o gozo da realidade última".
(...)Mas como o fogo no altar da Deusa, Maya-Shakti, sempre foi mantido aceso pelas sacerdotisas, estas mais do que ninguém, precisam ser portadoras de determinadas características, tais como a capacidade de experimentar um completo abandono à Energia Cósmica, sem restrição mental ou física, fazendo dádiva de sua pessoa com fervor e amor. Esse amor não deve ser confundido com desejo e sentimento de posse, com ciúme, pieguismos, etc. Esses sentimentos inferiores podem levar-nos as maiores loucuras, porém são incapazes de conduzir-nos a iluminação interior, ao despertar da vida interna e a libertação da morte. A receptividade aos desígnios da Deusa, da Anima Mundi e a expressão do amor fraternal são condições imprescindíveis para a sacerdotisa tântrica. Sua generosidade encerra um poder incalculável, uma reserva energética inexaurível, que convenientemente dirigidos, promovem a libertação da ignorância e a iluminação.

O amor é a chave da iluminação, o verdadeiro amor, que é caracterizado pelo despertar do chacra cardíaco. Somente podemos dar aquilo que possuímos, portanto somente uma sacerdotisa, que possua este centro de força vibrando, mesmo que parcialmente, pode fazer vibrar em uníssono, o centro cardíaco daquele que busca a iluminação, somente ela pode ser investida dos poderes ilimitados da Shakti.


In Trantrismo e o Culto a Grande Mãe.

O ÓDIO AS MULHERES

ATÉ MESMO NA TÃO ESPIRITUALIZADA
ÍNDIA...



21/190/2009 – ESPANCAMENTO DE “BRUXAS” CHOCA A ÍNDIA

Da BBC Brasil

Após serem acusadas de bruxaria, cinco mulheres foram despidas, espancadas e forçadas a comer excrementos humanos por moradores de um vilarejo na Índia após serem acusadas de bruxaria.
A polícia local disse que as vítimas eram muçulmanas viúvas que foram chamadas de bruxas por um clérigo local no Estado de Jharkhand.

Correspondentes da região dizem que o abuso a mulheres acusadas de bruxaria é relativamente comum na Índia, mas a divulgação de um vídeo com o ataque, ocorrido no domingo (18) no distrito de Deoghar, provocou um escândalo em todo o país.
(...)

No domingo (18) de manhã as vítimas foram levadas a um playground, onde centenas de pessoas haviam se concentrado para assistir ao terrível incidente”, afirmou à BBC Murarj Lal Meena, diretor-geral adjunto da polícia.

“Ninguém na multidão foi socorrer as vítimas enquanto elas eram despidas e espancadas”, afirmou.
(...)
Segundo a polícia, os moradores de Pattharghatia acreditam que certas mulheres no vilarejo são possuídas por um “espírito santo” que pode identificar as pessoas que praticam bruxaria.
“Essas mulheres recentemente identificaram cinco mulheres do vilarejo como bruxas que estariam praticando feitiços que estariam trazendo problemas para a área”, disse um policial.
As mulheres foram então retiradas à força de suas casas, arrastadas até o playground e espancadas. A imagem do incidente foi transmitida por vários canais de TV na Índia, provocando um grande escândalo no país.

Centenas de pessoas, em sua maioria mulheres, já teriam sido mortas no país por terem sido identificadas como bruxas por seus vizinhos. Especialistas dizem que crenças supersticiosas estão por trás dos ataques, mas que há ocasiões nas quais as pessoas, especialmente as viúvas, são alvos dos ataques para a apropriação de suas terras e de suas propriedades.

http://www.novojornal.com/internacional_noticia.php?codigo_noticia=6308


IN: http://rosaleonor.blogspot.com/2009/10/nem-todas-as-mulheres-sao-maes.html





OS MISTÉRIOS DEMÉTER E PERSÉFONE



DEUSA DEMÉTER

Acredita-se que o culto à Deméter tenha sido trazido à Grécia vindo de Creta durante o período micênico, carregando consigo o seu nome.. Sendo assim, ela é descendente direta da Deusa-Mãe cretense, que com suas virgens e sacerdotisas, empunhavam serpentes e prestavam culto ao touro. Neste caso, podemos afirmar que Deméter representaria a sobrevivência da religião e dos valores matriarcais durante a cultura patriarcal guerreira dos gregos clássicos.

O hino homérico relata que ela teria chegado a Eleusis disfarçada de anciã, na época em que as pessoas vinham do outro lado do mar, de Creta.

A filha de Deméter, Perséfone, também nasceu em Creta, e a lenda arcaica da união de Zeus, em forma de serpente, com sua filha também teve lugar em Creta. O filho que nasceu dessa união foi Dionísio. As coincidências demonstram que existe uma conexão entre a Deméter documentada em Creta e a que é conhecida na Grécia.
Na Grécia antiga, Deméter era responsável por todas as formas de reprodução da vida, mas principalmente da vida vegetal, o que lhe rendeu o título de "Senhora das Plantas", "A Verde", "A que atrai o fruto" e "A que atri as estações". As pessoas a honravam ao usar guirlandas de flores enquanto marchavam pelas ruas, geralmente descalças. Acreditava-se que pisar na terra descalço aumentava a comunicação entre os humanos e a Deusa.

Para os gregos, Deméter era a criadora do tempo e a responsável por sua medição em todas as formas. Seus sacerdotes eram conhecidos como Filhos da Lua.

Outro vestígio da antiga consciência matriarcal da Deusa-Mãe, foi transmitido na devoção católica popular da Virgem Maria entre os povos do Mediterrâneo. Quase certamente há uma continuidade psíquica entre Maria, a Mãe de Deus, as antigas deusas da Grande Mãe no Mediterrâneo e no Oriente Próximo e a deusa Deméter. Mas embora se conheça muitas representações medievais de Maria com cereais e flores, ela não possui o poder emocional das antigas Mães da Terra e suas filhas.
Deméter era a protetora das mulheres e uma divindade do casamento, maternidade, amor materno e fidelidade. Ela regia as colheitas, o milho, o arado, iniciações, renovação, renascimento, vegetação, frutificação, agricultura, civilização, lei, filosofia da magia, expansão, alta magia e o solo.

O RAPTO DE PERSÉFONE


Quando falamos de Deméter, devemos falar de duas Deusas. O cerne do mito e do culto a Deméter, era o fato dela ter perdido sua adorada filha Coré (donzela, em grego). A intimidade entre mãe e filha ressalta o caráter profundamente feminino dessa religião e constelação mitológica. Coré mais tarde passa a ser conhecida como Perséfone.

O mais antigo documento que narra este mito é o belo "Hino à Deméter" homérico, que nos fala tanto da Deusa Deméter como de sua filha Coré. O objetivo deste poema é explicar a origem dos mistérios de Elêusis.
A jovem Coré, diz a narrativa, encontrava-se colhendo flores, quando foi atraída por um narciso muito belo, mas ao estender a mão para pegá-lo, a terra se abriu e Plutão (Hades), Senhor dos Mortos, em sua carruagem de ouro puxada por dois cavalos negros, arrebatou-a e levou-a para ser sua noiva e Rainha do Subterrâneo. Coré lutou e gritos, mas nem os deuses imortais como os homens mortais, ouviram seus clamores. Deméter só pode ouvir o eco do apelo de sua filha e então apressou-se para encontrá-la. Procurou sua filha por nove dias e nove noites, não parando para comer, dormir ou banhar-se, só andando errante pela terra, carregando em suas mãos tochas acesas. Porém quando se apresentou pela décima vez a Aurora, encontrou-se com Hécate, Deusa da Lua Escura, que lhe diz:



-"Soberana Deméter, dispensadora das estações, de esplendidos dons, quem dos deuses celestes ou dos homens mortais raptou Perséfone e afligiu teu animo? Ouvi a sua voz, porém não vi com meus olhos quem era. Em breve vamos desfazer esse engano".



Assim falou Hécate que partiu com Deméter, levando em suas mãos as tochas acesas. As duas então chegaram até Hélio, o deus do sol, que compartilha esse título com Apolo e a mãe aflita perguntou:



-"Sol, respeita-me tu ao menos, como Deusa que sou...A filha que pari, encantadora por sua figura...ouvi sua vibrante voz através do límpido éter, como a de quem se vê violentada, mas não a vi com meus olhos. Porém tu que sobre toda a terra e por todo o mar diriges desde o éter divino a olhar de teus raios, diga-me sem enganos se teria visto a minha filha querida em alguma parte; quem dos deuses ou dos homens mortais ousou capturá-la para longe de mim, contra sua vontade, pela força".



Hélio então respondeu:


-"Filha de Rea, ...pois é grande o meu respeito e compaixão que sinto por ti, aflita como estás por tua filha de esbeltos tornozelos. Nenhum outro dos imortais é mais culpado que Zeus fazedor de nuvens, que a entregou à Hades para que se torne sua esposa...Assim que tu, Deusa, dá fim a teu copioso pranto. Nenhuma necessidade há de que tu, sem razão, guarde então um insaciável rancor."



Deu a entender para a Deméter que ela deveria aceitar a violação de Perséfone, pois Hades, não era um genro tão sem valor, mas a Deusa não aceitou seu conselho e agora sentia-se traída por Zeus. Retirou-se do monte Olimpo, disfarçou-se de uma mulher anciã e vagou sem ser reconhecida entre as cidades dos homens e os campos. Um certo dia, ela se aproximou de Elêusis, sentou-se perto do poço Partenio e foi encontrada pelas filhas de Céleo, o governador de Elêusis. Quando Deméter disfarçada lhes revelou que procura um emprego de babá, ela a levaram para casa, à sua mãe Metanira, para cuidar do um irmãozinho chamado de Demofonte.

Sob os cuidados da Deusa, Demofonte criou-se como um deus. Ela o alimentou com ambrosia e secretamente o colocou em um fogo que o teria tornado imortal não tivesse Metanira entrado no local e gritado por medo do filho. Deméter reagiu com fúria, reclamou à Metanira por sua estupidez, e revelou sua verdadeira identidade. Ao mencionar seu nome mudou completamente seu visual revelando sua beleza divina. Seu cabelo dourado caiu pelas costas, e seu perfume e esplendor encheram a casa de luz.
Imediatamente Deméter ordenou que fosse construído um templo só seu e lá permaneceu envolta em sua dor e não permitindo que nada germinasse na terra.

Zeus, tendo conhecimento da situação enviou sua mensageira Íris até Deméter, pedindo que Deméter retornasse ao Olimpo. Como não concordou, um a um dos deuses olímpicos vieram até ela, trazendo dádivas e honras. Mas a cada um Deméter fez saber que de modo algum retornaria ao monte Olimpo, até que sua filha lhe fosse devolvida.
Finalmente Zeus resolve enviar seu mensageiro Hermes até Hades, ordenado-lhe que trouxesse Perséfone de volta para que "quando sua mãe a visse com seus próprios olhos, abandonasse a sua raiva". Hermes ao chegar ao mundo de Hades, encontrou-o sentado próximo à Perséfone que se encontrava muito deprimida.

O Senhor dos Mortos, antes de libertar Perséfone, deu-lhe uma semente de romã para comer, o que faria com que ela voltasse para ele. Assim, foi-lhe permitido voltar para Deméter dois terços do ano e o restante do ano no mundo das trevas com Hades.
Com a satisfação de recuperar a filha perdida, Deméter fez com que os cereais brotassem novamente e com que toda a Terra se enchesse de frutos e flores. Imediatamente mostrou esta feliz visão aos princípios de Elêusis, Triptolemo, Diocles e ao próprio rei Celeo e, além disso, revelou-lhes seus sagrados ritos e mistérios.

O amor entre Deméter e Coré é um sentimento que somente uma mãe e uma filha podem realmente compartilhar. Não importa o quanto um pai ame e adore sua filha, jamais chegará perto do estreito vínculo que existe entre mãe e filha. Ao dar á luz, a mãe, vê a si mesma em pura inocência naquela pequena pessoinha. Jung nos diria que uma mãe vê em sua filha é a percepção de seu próprio "self" feminino transcendente, a perfeição do ser feminino.
Podemos afirmar, com convicção, segundo Carl Jung, que "em toda mãe já existiu uma filha e toda a filha contêm sua mãe" e que toda mulher se estende para trás em sua mãe e para frente em sua filha. A conscientização destes laços gera o sentimento de que a vida se estende ao longo de gerações e provocam a sensação de imortalidade.

ARQUÉTIPO MATERNAL


No momento que a mulher recebe em seus braços o seu bebê, o poder arquetípico de Deméter é plenamente despertado. As dores do parto, consideradas como uma transição iniciática, desaparecem e uma irradiação de amor demétrico tudo abrange. Estará aqui e agora desperta para uma nova fase de sua vida: ser mãe. Uma vez mãe, permanecerá sempre mãe, pois nada apaga a emoção de carregar um filho sob o coração.
O arquétipo da Mãe era representado no Olimpo por Deméter. Embora muitas Deusas tenham sido mães, nenhuma se compara à esta Deusa, pois ela deseja ser mãe. Quando está grávida ou criando seus filhos, Deméter atinge o ápice de sua plenitude enquanto mãe. Ela orgulhosamente proporcionou vida nova e novas esperanças à sua comunidade.
No antigo simbolismo de seu ciclo, ela corporifica agora a lua cheia, e também o verão abundante com frutos da terra. O cálice da força vital dentro de si está transbordante.
Este arquétipo não está restrito à mãe biológica. Ser mãe de criação ou ama seca, permite que outras mulheres expressem seu amor maternal. A própria Deméter representou este papel com Demofonte.


MÃE-NATUREZA
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O povo grego. ano após ano, via, com natural pesar, os dias brilhantes do verão desvanecer-se com a tristeza da estagnação do inverno. Ano após ano, saudava a explosão de vida e cores da primavera. Habituado a personificar as forças da natureza e a vestir suas realidades com roupagem de fantasia mítica, ele criou para si um panteão de deuses e deusas, de espíritos e duendes, que oscilavam com as estações e seguiam as flutuações anuais de seus fados com emoções alternadas de alegria e tristeza, que expressava na forma de ritual e de mito. Um destes mitos é o da Deusa Deméter. Os romanos a conheciam como Ceres.
O símbolo principal de Deméter era um feixe de trigo e, em seus mistérios em, Elêusis, uma única espiga de milho. É retratada como uma mulher bonita de cabelo dourado e vestida com roupão azul, considerada a Senhora das Plantas. Seu animal sagrado é o porco, que representava um sacrifício de fertilidade em todo o mundo por causa de seus múltiplos úteros. Seu animal sagrado marinho era o golfinho.

AS TESMOFORIAS

O festival grego da "Tesmoforias" era celebrado anualmente em outubro, em honra a Deméter e era exclusivo para mulheres. Se constituía de três dias de celebrações pelo retorno de Core ao Submundo.

Neste festival, os iniciados compartilhavam uma beberagem sagrada, feita de cevada e bolos.
Uma das características da Tesmoforia era uma punição aos criminosos, que agiam contra as leis sagradas e contra as mulheres. Sacerdotisas liam a lista com os nomes dos criminosos diante das portas dos templos das Deusas, especialmente Deméter e Ártemis. Acreditava-se que aqueles desta forma amaldiçoados morreriam antes do término de um ano.


O primeiro dia da Tesmoforia era celebrado o "kathodos"(baixada) e o "ánodos"(subida), um ritual em que as sacerdotisas castas levavam leitões para serem soltos dentro de grutas profundas cheias de serpentes e os restos decompostos dos porcos do ano anterior eram recolhidos.



O segundo dia era chamado de "Nestía", nele as mulheres jejuavam, sentadas no chão, imitando a forma ritual dos processos da natureza e, de acordo com uma perspectiva mitológica, representando a dor de Deméter pela perda da filha, quando, inconsolada, se sentou ao lado do poço. O ambiente era triste e, portanto, não se usavam guirlandas.



No terceiro dia, se celebrava um banquete com carne e os leitões recolhidos (do ano anterior) eram espalhados na terra arada, e se invocava a Deusa de belo nascimento, "kalligeneia".





MISTÉRIOS ELEUSIANOS




O propósito e o significado dos Mistérios Eleusianos era a iniciação à uma visão. "Eleusis", significa "o lugar da feliz chegada", de onde os campos Elíseos tomam seu nome. O termo "Mistérios" provêm da palavra "muein", que significa "fechar" tanto os olhos como a boca. Faz referência ao segredo que rodeia as cerimônias e a conformidade requerida do iniciado, ou seja, se exige de ele ou ela permita que se faça algo: daí se deduz o significado de "iniciar". A culminação da cerimônia consistia na exposição de objetos sagrados no santuário interno à mãos do sumo sacerdote ou hierofante (hiera phainon), "o que faz que os objetos sagrados apareçam". Era somente permitido fazer alusões indiretas sobre o que ocorria. Entre elas, a fundamental era que Deméter falava à sua filha e se reunia com ela em Eleusis. Mas, alguns escritores cristãos violaram essa regra e um assinalou que o ponto culminante da cerimônia consistia em cortar uma espiga de trigo em silêncio.

Qualquer pessoa podia assistir os Mistérios, desde que falasse grego, mulheres e escravos inclusive, desde que não tivessem as mãos sujas de sangue por nenhum crime. Os Mistérios eram realizados uma vez ao ano para mais ou menos três mil pessoas. Se sabe que esses iniciados não formavam nenhuma sociedade secreta, eles vinham de todos os pontos da Hélade, participavam da experiência e logo se separavam.
Os Mistérios menores, que se celebravam até o final de inverno no mês das flores, o Antesterion (nosso fevereiro) e era pré-requisito para a participação nos Mistérios maiores, que se celebravam no outono. Esses Mistérios exploravam o que havia acontecido à Perséfone, Deusa do Mundo Subterrâneo, quando estava colhendo flores em Nisa. Se diz que ela foi raptada por Hades enquanto colhia um narciso de cem cabeças. Os gregos chamavam de narciso toda a planta que tinha propriedades narcóticas.
Esse rapto representa várias idéias, uma é o processo que experimenta a semente ao cair na terra e decompõem-se para voltar de novo à vida. Que se representava simbolicamente como as primeiras núpcias entre os reinos da vida e da morte.

Porém, também representa o rapto extático que proporcionavam certas substâncias que estavam relacionadas com Dionísio, deus da embriaguez, que por sua vez era Senhor de Hades por sua relação com tudo que apodrecia, fermentava e se transformava em outra coisa.
O primeiro estágio da iniciação no Mistérios menores era o sacrifício de um porco jovem, o animal consagrado à Deméter, que substituía simbolicamente a morte do próprio iniciado. Como nas Tesmoforias esse rito se ajusta à variante órfica do mito, que associava a morte do leitão com o rapto de Perséfone.
O segundo estágio da iniciação era uma cerimônia de purificação na qual o iniciado era vendado. As sucessivas etapas dos ritos de iniciação são descritas, através de alusões, inteligíveis para os já iniciados, porém não para os profanos.
O acontecimento central dos Mitos Eleusinos era a noite em que se consumia a poção sagrada Kykeon. Os ingredientes dessa poção se constituiu um segredo durante esses 4 mil anos.

Os Mistérios maiores se celebravam a princípio à cada cinco anos. Mais tarde passaram a celebrar anualmente, no outono: começava no dia 15 do mês Boedromión (nosso mês de setembro) e duravam nove dias. Se reuniam iniciados de todos os lugares do mundo helênico e romano, e se declarava uma trégua entre as cidades estado gregas durante quarenta e cinco dias, desde o mês anterior até o mês seguinte.

Na véspera do início, se levavam os objetos sagrados, o "hierá", de Deméter em procissão desde Eleusis até Atenas.


1- dia 15 do boedromion: Agyrmos, reunião. Proclamação:

Nesse dia tinha lugar a convocação e preparação dos iniciados. Os hierofontes declaravam o "prorrhesis", o início dos ritos.


2 dia- 16: Elasis ou Helade Mistay: "Ao mar, ó iniciados!"

No segundo dia os iniciados se purificavam no mar (Falero), num rito chamado de "expulsão". Durante nove dias fariam estas abluções na água do mar, nove dias como Deméter peregrinou pela terra em busca da verdade sobre o rapto de Perséfone. Nesse mesmo dia, os iniciados sacrificavam um leitão enquanto o hierofante os instava: Helade, Mysthai!


3 dia- 17: Hiereia Deuro: Sacrifício

Parece que nesse dia se celebravam o sacrifício oficial em nome da cidade de Atenas.


4 dia- 18: Asclepia

Esse dia era chamado de Asclepia em honra de Asclepio, deus da cura, era outro dia de purificação.


5 dia- 19: Yacós ou Pampa, procissão

Esse era um dia de celebração onde se realizava um grande procissão que inciava em Ceramico (Cemitério de Atenas) até Eleusis, seguindo o itinerário sagrado. Percorriam uns 32 Km. Algumas sacerdotisas levavam as "hierás" em "kistas"fechadas, ou cestas, rodeadas por uma multidão que dançava e gritava o nome de Yaco, cuja estátua, coroada de myrto e carregando uma tocha.



Yaco era o outro nome de Dionísio que, segundo a lenda órfica, era filho de Perséfone e Zeus, pai da mesma. Fui concebido em uma noite em que o deus se aproximou de uma caverna subterrânea transformado em serpente. Não se tratava de Dionísio, deus do vinho e do touro (cujo equivalente é o cretense Zagreo), deus que é desmembrado, porém vive de novo. Era Dionísio como criança de peito místico, o deus que morre e vive eternamente, imagem da renovação perpétua.



Na fronteira entre Eleusis (era uma cidade pequena à 30km noroeste de Atenas) e Atenas, pessoas mascaradas parodiavam a procissão. Encenavam o mito que relatava como Yambe ou Baubo animou Deméter. Como em tantas festas de renovação, preparavam o nascimento do novo para substituir o velho. Quando as estrelas apareciam, os "mystai" (iniciados) rompiam seu jejum, pois o dia vigésimo do mês havia chegado e segundo as "Ranas" de Aristófanes, o resto da noite passavam entre cantos e bailes. Os templos de Poseidón e Ártemis se abriam para todos, porém atrás deles estava a porta que dava ao santuário, e nada, exceto os iniciados, poderiam passar sob pena de morte.


6 dia - 20: Telete (mysteriodites Nychtes)

Esse era um dia de descanso, jejum, purificação e sacrifícios, de acordo com o mito de jejum de Deméter, representando o ritual de esterilidade do inverno. O jejum se rompia com a bebida de cevada, mel e polén (Kykeon) que preparavam e então se permitia que os iniciados entrassem no santuário sagrado. Essa celebração acontecia em um lugar chamado de Telesterion, chamado assim porque aqui se alcançava "o objetivo" ou "telos". Era um local enorme, que podia albergar milhares de pessoas e onde se exibiam os objetos sagrados de Deméter. No centro estava o Anactoron, uma construção retangular de pedra com uma porta em um de seus extremos, que só o hierofonte podia passar. Essa era a parte mais reservada dos Mistérios eleusianos.



Mas o que exatamente ocorria neste momento?Seria o começo da própria iniciação? Parece que se desenvolvia em três etapas: "drómena, o feito (Ação); legómena, o dito (texto falado); deiknýmena, o mostrado (visão). Depois tinha lugar uma cerimônia especial conhecida como "epoptía", o estado de "haver visto", se celebrava para os iniciados do ano anterior.



Em drómena os iniciados participavam de um desfile sagrado pelo qual se representava o relato de Deméter e Perséfone. Os legómena consistiam em invocações ritualísticas curtas, pequenos comentários que acompanhavam o desfile e explicavam o significado do drama. Os deiknýmena, a exibição dos objetos sagrados, culminava na revelação proferida pelo hierofante, cuja difusão era proibida. Os epoptía também incluiam a exibição de "hierá", não se sabe ao certo o que eram esses objetos sagrados. Segundo as fontes arqueológicas de A. Kórte (Zu den Eleusinischen Mysterien, «Archiv für Religions Wissenschaft» 15, 1915, 116) supõe-se que a enigmática cesta que tomavam os iniciados, entre outros objetos, havia um que representava o órgão sexual feminino, o qual, em contato com o corpo dos mystai, contribuía com a sua regeneração e passavam a ser considerados filhos de Deméter.

M. Picard (L'épisode de Baubó dans les mystéres d'pleusis, «Revue d'histoire des religions» 1927, 220-255) adiciona o órgão masculino. O iniciado tocaria sucessivamente os dois objetos, simbolizando assim a verdadeira união sexual.



7 dia- 21: Epopteia

Somente à tarde tinha início os ritos secretos. Em determinado momentos deviam pronunciar uma contra-senha sagrada:"Jejuei, bebi o kykeon, o tomei do canasto (calathus) e, depois de prová-lo o coloquei de novo no canasto e dali, ao cesto". Misteriosas palavras, que sem sombra de dúvida, tinham grande significado para os iniciados. Todo o resto do dia era passado em compasso de espera e somente à noite os iniciados entravam no santuário. Um muro à sua direita impedia que vissem o local da "Rocha sem alegria" (local em que se supõe que a Deusa Deméter esteve sentada). Ouviam lamentos procedentes dali. Chegavam ao Telesterion e depositavam os leitões nas "mégara", uma espécie de sótão do templo. Em seguida peregrinavam fora do Telesterion em busca de Core (Perséfone), na escuridão e com a cabeça coberta com uma carapuça que não lhes permitia ver nada, cada iniciado era guiado por um mystagogo. Imagine andar na escuridão, totalmente desorientado, esperando em silêncio, até que um gongo soa como um trovão e o hierofonte clamando por Core, até que o mundo inferior se abre e das profundezas da terra aparece a Deusa. Daí um clarão de luz enche a câmara, crescem as chamas da fogueira e o hierofonte canta:



-"A Grande Deusa deu à luz a um filho sagrado: Brimo pariu à Brimós". Então, em silêncio profundo, levanta com a mão uma espiga de trigo.



Para que entendam, Brimo era uma Deusa do Mundo Inferior em Tesália, ao norte. Os nomes Brimo e Brimós sugerem à introdução da agricultura e de que nos Mistérios da Grécia houve influência tesalia.

Mas que estão fazendo Brimo e Brimós em Eleusis?

Kerényi diz que Brimo é "fundamentalmente um nome que designa a rainha do reino dos mortos, atribuído à Demeter, Core e Hécate em sua qualidade de Deusas do Mundo Inferior". Nesse caso, o filho é o espírito da renovação concebido no Mundo Inferior como testemunho vivo de que na morte há vida, já que está na "riqueza" da colheita, o "tesouro" do conhecimento intuitivo espiritual.



Brimo, portanto, foi o nome dado ao filho de Perséfone, ao qual ela deu à luz no inferno em meio as chamas. Esse nome parece referir-se à Dionísio, o deus de vida indestrutível.


8 dia - 22: Plemochoai

Era dia de sacrifício e festa. Sacrificavam-se touros à Deméter e Perséfone (Core) e outros animais, especialmente leitões. Este festival era chamado Plemochoai, porque esse era o nome dado aos vasos (ou taças) que o sacerdote enchia com um certo líquido e, virando-se para oeste e depois para leste, derrama ao solo o que continham. O povo, olhando para o céu, grita "chuva!" e, olhando para a terra, grita "concebe!", hýe, kýe.



Harrison escreve que "o rito do matrimônio sagrado e o nascimento da criança sagrada....era o mistério central". Entretanto, a cerimônia final nos mostra o matrimônio simbólico da chuva celestial com à terra, que havia de conceber o filho do grão (da semente), porém existia a possibilidade se ser celebrado esse casamento simbólica ou literalmente, entre o hierofante e uma sacerdotisa antes do regresso de Core.


9 dia - 23: Epistrofe

Neste dia os iniciados voltavam à Atenas. Eleusis voltava a velar-se em seus mistérios, enquanto se despedia dos visitantes, agora renascidos, levando consigo as experiências de vinculação com as divindades. Assim acabam os Mistérios de Eleusis.


A gestão desse culto era exclusiva das famílias aristocráticas, com funções definidas para cada uma delas. O sumo sacerdote, o chamado hierofante, devia pertencer a família dos Eumólpidas, enquanto a família dos Cérices procediam dos sacerdotes de traço imediatamente inferior, o portador da tocha. A sacerdotisa vivia sempre no santuário. O hierofante ostentava o privilégio de escolher seus iniciados. Sobre todos eles se sobrepunha uma outra figura, o chamado arconte rei (archon basileus) no eleusino, que era ateniense (era os atenienses que controlavam o culto), ao qual assiste uma equipe de colaboradores (epistatai), encarregados das finanças.



MORRER PARA RENASCER


Morrer para renascer, esse é o sentido da iniciação. O sangue dos animais sacrificados simbolizavam a própria morte do iniciado. É Plutarco que nos diz que "morrer é ser iniciado". Só através da morte se regressa à luz. Clemente e Foucart realmente estão de acordo com essa idéia: representar a busca de Deméter e identificar-se com Perséfone é precisamente vagar no mundo subterrâneo da morte, do mesmo modo que encontrar Core é retornar à vida depois da morte.

Esse mito grego recupera um mito bem mais antigo conhecido como a "Descida de Inanna", que vai e vem entre ambos os mundos. Perséfone aqui é a faceta da mãe que desce e regressa de novo à mãe, configurando uma totalidade nova. Se percebe claramente uma continuidade nessa relação: vida em morte e morte em vida. Se "vê através" de uma a outra, e isso liberta a humanidade de sua natureza de entidades antagônicas. Quando mãe e filha se percebem como uma única realidade, nascimento e renascimento se convertem em fases que provêm de uma fonte em comum: através da dita percepção se transcende a dualidade.



A DEUSA TRÍPLICE



A triplicidade pode ser vista na lua, que é: crescente, cheia e minguante. E, no fato da Deusa reger o mundo superior, a terra e o mundo inferior. Ela era também a Donzela ou Virgem, a Mãe e a Anciã, as três principais fases da vida de toda a mulher. Pois Deméter se vê "Donzela" em sua filha Coré. É "Mãe" desta filha e de tudo que brota e cresce. Mas, ao perder sua filha Coré para Hades, torna-se "Anciã" associada diretamente com a morte.
Para cada fase ou ciclo há perdas que devem ser vivenciadas por todas as mulheres. No primeiro ciclo, visualiza-se a "morte da donzela", que torna-se uma jovem nubente e é uma iniciação para fase seguinte, que se tornará mãe, abençoada com seus próprios filhos. Quando a Mãe não pode mais conceber (menopausa), passa a tocha da maternidade para filha, transferindo para ela todos os poderes da fecundidade. A morte da mãe, constitui a mulher idosa que tem agora o potencial para ingressar na esfera espiritual das anciãs, guardiãs dos mistérios da morte.

Hoje estes ciclos raramente são reconhecidos e vividos plenamente pelas mulheres, pelo fato de habitarem um mundo predominantemente masculino. A realidade moderna e científica tornou a "Mãe" uma máquina biológica de produção de bebês, que favorece ou prejudica a política financeira de uma determinada sociedade.


DEMÉTER HOJE



Por mais belo que se pinte um quadro de uma mãe com o filho nos braços, ele estará longe de ser a realidade para a maioria das mães das sociedades industrializadas e urbanas do Ocidente. As pressões financeiras, privam a mulher de permanecer no seio da família, cuidando de seus amados filhos. Até a licença-maternidade, através de duras penas conseguida, possui um tempo vergonhosamente limitado, pois a volta ao trabalho quase de imediato, não permitem que a mãe acompanhe o desenvolvimento de seu bebê. Além de ser estigmatizada por tal feito, pois ter um filho em nossos dias, significa estar fora de ação, inativa e lhes é somente permitido olhar saudosamente para o mundo que caminha sem elas.
Deméter sofre com o eclipse em nossa civilização. As mulheres que representam seu modo de ser, não têm condições de competir com as mulheres mais instruídas, pois a Deméter natural não é tão intelectualizada. Ela adora apenas criar seus filhos e acaba ficando muito sentimentalizada, tratada com condescendência e destituída do poder por suas irmãs feministas.

Deméter nas antigas comunidades agrárias, tinha dignidade, autoridade e uma vida bastante gratificante. Tudo se perdeu numa sociedade onde tudo é subserviente às exigências econômicas do monopólio do consumo.

RITUAL



Todos nós experimentamos em nossas vidas momentos em que temos a sensação de estarmos mergulhando no Submundo e nas trevas, sem sabermos se conseguiremos emergir para a luz e tempos melhores.

O ritual que se segue é bem simples e lhe ajudará muito a iniciar as mudanças inconscientes necessárias para diluir esses sentimentos obscuros e negativos.

O sentimento de desamparo afeta tanto o espírito quanto a mente. Quando se atravessa um período negativo, o mais importante não é saber o porquê do quadro, mas sim saber como se pode revertê-lo.



Material:

1 vela branca em um suporte

1 incenso de patchulli

1 cobertor

1 sino



Acenda a vela e entre na banheira cheia de água com um pouco de sal. Concentre-se na lavagem de todas as vibrações negativas. Permaneça na banheira o tempo necessário para relaxar. Depois seque-se e vista uma túnica ou roupão. Segure a vela com uma mão e o sino na outra. No sentido horário visite todos os cômodos da casa, badalando o sino enquanto caminha. Erga a vela diante de cada janela, porta e espelho e em seguida toque o sino, dizendo:



"Trevas, fujam deste sino e desta vela,

Que entre o equilíbrio. Vá embora a escuridão".



Coloque a vela no suporte, acenda o incenso e espalhe a fumaça gentilmente sobre o seu corpo. Deite-se em uma posição confortável e enrole-se no cobertor, deixando apenas o nariz e a boca descobertos, para permitir sua respiração.

Feche os olhos e sinta-se afundando na Terra. Relaxe completamente e deixe-se levar às profundezas. À medida que afunda, derrame sua infelicidade e seus sentimentos depressivos na Mãe Terra e no Senhor da Floresta. Se você sentir vontade de chorar, chore, pois lhe fará muito bem.

Agora escute o seu coração. Deixe seus sentimentos fugirem ao controle da mente consciente e alcançarem aquele ponto onde não há explicação para se ouvir o que se ouve, sentir o que se sente, deixe rolar o que tiver que rolar...

Você sentirá então, o abraço da Mãe Terra e a escuridão e a depressão de seu interior começarão a se desintegrar. Uma paz profunda tomará conta de todo o seu ser.

À medida que sente estar dirigindo a mente para pensamentos mais positivos, comece a se livrar do cobertor. Mas saia lentamente de dentro dele, como se fosse um bebê nascendo para um novo mundo.

Uma vez livre do cobertor, estique os braços e as pernas. Não se espante se estiver rindo ou chorando de emoção, é bem normal.

Agradeça à Deusa por Sua ajuda passada, presente e futura e dê boas-vindas às mudanças que florescem dentro de você.

Agora vá e faça algo que lhe deixe muito feliz!


Texto pesquisado e desenvolvido por
Rosane Volpatto

Bibliografia consultada:

O Oráculo da Deusa - Amy Sophia Marashinsky
A Deusa e a Mulher - Jean Shinoda Bolen
A Deusa Interior - Jennifer Barker Woolger/Roger J. Woolger

IN:
http://www.rosanevolpatto.trd.br/deusademeter.htm

O CULTO DA MÃE E DA FILHA


Entre as inúmeras imagens de deusas antigas se encontram com freqüência esculturas – em pedra, osso, argila – pinturas ou vasos em forma de deusas duplas ou geminadas. Elas simbolizam a polaridade biológica e oculta do princípio feminino, a eterna dança entre vida e morte, luz e escuridão, as fases da Lua, os ciclos da Natureza e da vida humana. Nos antigos Mistérios Femininos as deusas duplas - aparecendo como mãe e filha ou irmãs - expressam os elos profundos dos laços de sangue, a solidariedade e parceria femininas, sendo um incentivo para a reformulação dos conceitos contemporâneos sobre cooperação e competição entre as mulheres.
A dupla de deusas simbolizava a soberania feminina na maioria das culturas pré-patriarcais, no nível espiritual e profano, representada pelos cultos matrifocais e a linhagem matrilinear. Com o passar do tempo, o ícone da Deusa Dupla se metamorfoseia em Duas Mães, Senhoras, Irmãs ou Rainhas, reafirmando os laços de sangue e a parceria femininas. A iconografia da Deusa Dupla fortalece o conceito da natureza ambivalente da Grande Mãe, cujos polos de vida e morte se complementam em uma mandala que mescla as forças de nascimento, crescimento, morte e renascimento. As mulheres espelham esta biologia bipolar, alternando nos seus corpos as fases hormonais (ovulação/menstruação), emocionais (expansão/retração) e espirituais (manifestação/contemplação). Nas culturas antigas ambas as polaridades eram honradas e consagradas, os rituais sendo organizados em função desta dualidade rítmica.
Assim como em outras mitologias, no Egito o tema da Deusa Dupla permaneceu durante milênios e era representado por várias deusas como Nekhbet/Wadjet, Tauret/Mut e Ísis/Nepthys.
A conexão complementar entre Ísis e Nephtys é muito antiga, dividindo entre si as regências: a luz lunar, a estrela matutina e o mundo visível e manifesto pertenciam a Ísis enquanto a face negra e oculta da Lua, a estrela vespertina e o mundo invisível e não manifestado eram o domínio de Nephtys. A sua dualidade – como faces opostas mas complementares da Grande Mãe – espelhava a dos seus maridos e irmãos, Osiris, deus da luz e fertilidade da terra e Seth, regente da escuridão e aridez do deserto. Irmã gêmea de Ísis, filha da deusa celeste Nut e do deus da terra Geb, Nepthys – ou Nebet Het - tem uma simbologia complexa e aparentemente contraditória. Ao mesmo tempo em que representa o fim da vida – seu nome simbolizava os “confins da terra e do tempo” - ela também anunciava o renascimento. Seu tempo sagrado era o anoitecer, quando o barco solar mergulhava nas profundezas da terra, delas ressurgindo na manhã seguinte abençoado pela luz de Ísis. Seu título era a “Senhora da Casa” reproduzido pelo hieróglifo e a imagem sobre sua cabeça, o de Ísis sendo “A Senhora do trono”, que adornava sua cabeça. Enquanto Ísis governava o céu e a terra, o domínio de Nephtys era o mundo desconhecido e misterioso dos sonhos, do inconsciente e dos fenômenos psíquicos, bem como a realidade desafiadora da transformação dos mortos em seres de luz .O que acontecia no mundo astral (de Nephtys) afetava o mundo natural (de Ísis), assim como também o contrário. A morte era uma passagem estreita da luz para a escuridão, mas a alma precisava atravessar esta escuridão para alcançar novamente a luz, conforme dizia esta frase gravada nos sarcófagos egípcios: “que possas acordar para uma nova vida com as bênçãos de Nephtys, que o renovou durante a noite fria e escura”.
Nephtys era a padroeira do sofrimento feminino e também da cura, enviando sonhos curadores e energias de alívio aos doentes, bem como apoiando os moribundos na sua passagem, o que a tornou a deusa guardiã dos ritos fúnebres. Junto com Ísis ela foi a criadora dos rituais de reverência aos deuses e das práticas templárias e mortuárias. Chamadas de Ma’aty – a dupla verdade – as irmãs eram “As Senhoras”, que apareciam em forma de pássaros migratórios nos sarcófagos para descrever o inverno (e a morte), bem como a primavera (e o renascer). Representadas juntas e com as asas estendidas ao lado dos faraós sobre seus sarcófagos, elas não apenas simbolizavam sua proteção, mas também o seu renascimento. O espaço entre suas asas forma o símbolo ka, o abraço divino que contém o todo e todas as suas partes.Isis e Nephtys se tornam uma deusa só quando juntam suas energias complementares e assistem Osiris na sua ressurreição, assim como fazem com o Sol (na sua passagem entre noite e dia) e acredita-se que farão com todas as almas na sua transição entre vida/ morte e renascimento.



Mirella Faur

terça-feira, 27 de outubro de 2009

AS ORIGENS DO CULTO A MÃE TERRA


A origem dos cultos centrados na reverência e gratidão à Terra, como Mãe, é tão antiga quanto os atos de semear, plantar e colher. Entregar sementes à terra para que elas germinassem, crescessem e frutificassem era um ato sagrado que dependia da benevolência e ajuda das forças sobrenaturais. A personificação da Terra como Deusa é universal, tendo sido cultuada como Mãe por todas as antigas culturas, em parceria, às vezes, com seu consorte o Pai Céu ou com suas Filhas. Mas havia uma dualidade no seu culto, pois além de ser vista como Doadora e Provedora dos alimentos, Ela também era a Destruidora encarregada da dissolução dos resíduos vegetais, animais e humanos. A dinâmica do mundo era baseada nesta união de princípios opostos – vida/morte – que aconteciam no ventre da Terra, revelando como cada nova forma de vida era criada a partir de uma morte anterior. Além de receber os mortos proporcionando-lhes repouso e cura à espera do renascimento, a Terra também abrigava o mundo subterrâneo, regido por divindades ctônicas e habitado pelos seres ancestrais e sobrenaturais. A profusão de figuras femininas oriundas dos períodos paleolítico e neolítico comprovam a ancestralidade dos cultos de fertilidade centradas em uma Mãe, Avó ou Mulher Terra. As crenças e os rituais eram ligados às irregularidades topográficas como montanhas, grutas,fontes, rios ou à diversidade da vegetação, selvagem ou cultivada. As grutas eram ligadas ao mundo subterrâneo, sendo as aberturas com simbolismo uterino que serviam como locais para rituais e celebrações. As montanhas eram consideradas lugares propícios para a comunicação entre o mundo celeste e o subterrâneo.
A natureza e a origem da Terra eram descritas de forma diversa em vários mitos de criação, geralmente surgindo do vazio, caos ou oceano primordial ou formada do corpo de uma divindade morta. Ela ficava apoiada sobre um animal, como a tartaruga, na tradição indígena norte-americana ou no mito chinês da deusa Nu Kwa, ou sustentada por seres sobrenaturais colocados nas quatro direções cardeais como os gnomos do mito nórdico. Alguns mitos nativos descrevem como diversos animais mergulhavam no oceano primordial, de onde traziam lama ou areia para formar a Terra. Dependendo da nação o animal era o rato aquático, o castor ou a lontra. Nos mitos dos índios norte-americanos o nascimento da humanidade decorre da união entre a Mãe Terra e o Pai Céu. Em outros mitos os seres humanos aparecem de repente por um buraco na terra -sipapu- ou são formados pelas divindades com lama, barro, galhos e penas.
Os terremotos eram atribuídos à mudança da posição da divindade, dos seres sobrenaturais ou dos animais que sustentavam a Terra – como no mito peruano da Pacha Mama. Para pedir clemência os povos antigos faziam sacrifícios de animais, oravam e batiam tambores. Na antiga China o imperador se prosternava perante cinco montículos de terra representando as quatro direções cardeais e o centro e fazia oferendas para a Terra.
O culto mais difundido entre os índios norte-americanos é da Mãe Terra, seguido pelo da Mãe dos Grãos, que aparecia como uma única divindade - a Mãe, múltipla como Suas filhas, as Donzelas do Milho, ou em forma de Três Irmãs, que simbolizavam os alimentos básicos:milho, feijão, abóbora. As colheitas eram as oportunidades para agradecer com oferendas, festividades, danças e orações. Dependendo da localização geográfica e da natureza da colheita, estas cerimônias se estendiam durante vários meses, com danças típicas em forma de rodas ou espirais, mas envolvendo sempre toda a comunidade. Uma dança muito comum na Europa era a dança do pão, considerado o alimento sagrado usado em rituais, como amuleto de proteção ou para a cura. O pão jamais podia ser desperdiçado ou jogado fora, sendo também usado em sinal de boas vindas ou recepção dos noivos entre os povos eslavos e dos Balcãs. Antes de cortar o pão as camponesas romenas o abençoavam e agradeciam à terra pelo “pão de cada dia”.
Mirella Faur

A MÃE TERRA E SUAS SACERDOTISAS


A Deusa Mãe afirma a vida e não a nega como acontece nas religiões patriarcais aonde um deus mais que amada precisa ser temido. Deusa é a Terra que doa os seus frutos, sua fertilidade e sua vida, Aquela que sacraliza o sexo e a fertilidade pois são aspectos naturais e não podem ser vistos como vindos do mal.

Na Religião da Terra a Mulher é valorizada como sua sacerdotisa , sua interprete divina, tal como as pitonisas proferiram oráculos em nome da Grande Deusa Mãe e da Serpente Sagrada (outro aspecto da Deusa).Anos depois do nada Apollo aparece e mata a Mãe Serpente que era chamada de piton ou tifon e era filha de Gaia-Hera. A Grande Deusa doadora da vida e da morte torna se divindade secundaria a os selvagens vindos do oriente adentram com o culto de uma divindade cruel e falocrática, um culto que se destina apenas a morte no qual não a nem mesmo a possibilidade de renascimento.

A Deusa se torna filha,amante mãe ou consorte do Deus, e o Macho como sempre se apropria dos atributos da Doadora da Vida. Por exemplo a Sacerdotisa Cassandra que escapou da queda de Tróia fundou uma cidade aonde governou não só como Rainha mas também como Alta Sacerdotisa da Religião da Terra, anos depois este mesmo local aonde Cassandra provavelmente institui culto a Dione ( Divina) e um oráculo a ela consagrado mais uma vez e roubado pelo Macho-Rei, pois anos depois alegam que Dione apenas era o aspecto feminino de Zeus.

Zeus Pai como sempre rouba os dons e templos a Deusa destinados se auto intitulando Zeus Dodona (que provem do nome de Dione) e Dione a Grande Deusa e reduzida a um papel de ninfa da natureza. Alias em tempos primordiais as ninfas e dríades ( que também era mulheres físicas e sacerdotisas da Mãe Terra) eram consideradas Filhas da Grande Deusa Gaia a Geradora e Nutridora do mundo, se tornam então filhas de Zeus com a Terra.


Os Mistérios de Elêusis de Démeter e Perséfone que perduraram durante épocas patriarcais e opressoras da mulher e do feminino, foram mantidos como um símbolo de resistência matriarcal ao patriarcado. Posteriormente com o aumento do numero de cristãos e como o imperador Teodósio proibiu o culto as divindades pagãs , não somente as celtas mas suas próprias divindades como as Serpentes Sagradas e a Mãe Terra em suas varias manifestações e também fechou o Templo de Ísis, a Grande Deusa Egípcia.Todos voltam se então para o culto do Pai e seu Filho.


Gaia Lil

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A BUSCA DA VERDADEIRA MULHER


“A Procura do Graal mistura-se com a Procura da Mulher. Aquele que encontra a Mulher, encontra o Graal. (...)
Mulher que segura a Taça, o Cálice ou a Pedra, essa mulher que é a Sacerdotisa de um culto do qual jamais conheceremos o verdadeiro significado."


J.M.



Que Mulher é essa que se confunde com o Graal?

Uma coisa é certa: mais uma vez, nos encontramos na presença de uma memória do culto da antiga deusa, destronada pelos deuses machos: é o sentido da violação cometida pelo rei Amangon contra uma das donzelas ou fadas do castelo do Graal. Amangon forçou o destino, curvou o poder feminino pela força cega e brutal do macho, derrubando a sua soberania sob a forma simbólica do seu golpe. Com efeito é o Pai que acaba de instaurar a sua autoridade exclusiva. Desde esse tempo, a sociedade anda à procura de um equilíbrio que não poderá instaurar senão quando o Jovem filho da Deusa Mãe, vier matar ou castrar, ou eliminar o Pai, a fim de devolver à Mãe a sua Soberania de antigamente.

Assim, idealmente e miticamente, e muito antes da cristianização do mito, a Procura do Graal é, ela, a Glorificação da Eleita, a mulher eterna, divina, de múltiplos aspectos, que reina nos subterrâneos do mundo, e que não espera senão pelo o seu filho mais jovem para reaparecer ao ar livre e retomar o seu título de Grande Rainha equilibrando de novo a sociedade dos seus filhos desunidos e que se reconciliar no amor da Mãe.” (...)

In “A Mulher Celta”

Não é certamente a Mulher perdida da própria mulher, submetida às instituições e dominada pelos homens como um objecto de uso pessoal e social que nada tem a ver com a Mulher Divina ou a Musa, mulher essencial porque mágica e fada, detentora de sortilégios e poder de curar, aliada da natureza e dos animais! Nem a mulher violada secularmente pelo poder patriarcal que destitui a Deusa Mãe e fez da sacerdotisa uma prostituta e da mulher livre “a casada” e portanto, sujeita às suas leis, nem da "bruxa" queimada pela Inquisição por usar um dom inato e que fazia perigar o poder dos fanáticos cristãos?
Esse Feminino eterno e parte do princípio que rege o universo é rechaçado e denegrido ao longo dos séculos destituindo a mulher de identidade por predominância exclusiva do princípio masculino da força e do autoritarismo, negando às sociedades esse equilíbrio dos dois princípios em harmonia que a Deusa Mãe impunha como justiça e lei e não a força da Espada!

A mulher moderna, perdida da sua origem e essência, é uma espécie de apátrida sem sentimentos ou consciência própria. Absorve, diz e escreve e sente-se como o homem a fez...é a polícia travesti, é a médica inumana, é o soldado que vai à guerra é a mãe sem coração nem amor pela maternidade! ? uma Atenas saída da cabeça de Zeus ao serviço do patriarcalismo sem consciência nenhuma de si própria em profundidade. Reflecte-se apenas no homem na sua posse ou possuída e não é senão uma sua extensão, um sexo. Falar de feminino, pela sua ausência de sentido profundo, é falar apenas de sexo e a confusão inerente estabelece-se. Ou se é feminista ou lésbica...

Mas a mulher não é apenas um sexo! Todavia, como se desconhece em essência e se sente perdida de si mesma, educada e suportada em sociedades falocráticas, não têm nenhum sentido em si mesma ou centro e enche-se do valor que os homens lhe dão que é o de uma mente racional atulhada de conceitos lógicos onde prevalece tacitamente a superioridade do Homem em nome de quem ela fala. Acontece cpom as mulheres mais inteligentes, as universitárias etc. Elas falam exclusivamente do seu ciclo vicioso As Faces de Eva, descenhecendo a outra Mulher que vive na Sombra e que foi renegada da história e do seu interior...Por essa ignorância a mulher está presa num ciclo vicioso que é o conhecimento adquirido que a sociedade falocrárica lhes impôs e de que elas não conseguem sair sem ir às origem da própria pré-história...onde efectivamente começa a sua história ou o poder da Grande Deusa onde todos os mitos têm origem.



A história da Mulher não é apenas a de uma “lavagem ao cérebro” mas a de uma lavagem às suas entranhas da maneiras como lhe tiraram a Voz de Oráculo da Terra Mãe e agora o Útero sob qualquer pretexto. Anula-se a mulher dos seus valores intrínsecos, da sua intuição e percepção extra-sensorial, da sua sensibilidade tão própria aliada à emoção e reduz-se a sua razão de ser a uma reprodutora com prazo de validade ou a um objecto de luxo e plásticas, o estereotipo do travesti que o homem inventou e que levou a mulher a identificar-se com essa imagem e de que os jornais e revistas e televisão estão cheios até á saturação. A mulher é imbecilizada a cada passo e as próprias mulheres hoje em dia não têm a menos noção ou respeito pelo seu SER Ancestral, por essa Voz secular que lhe foi roubada pelos padres!
A sua cultura ou erudição basea-se toda no princípio masculino que a reduz a um zero à esquerda (e à direita!).

E não tenham esperanças as mulheres que lhes reste ainda alguma verdade e dignidade própria de que serão aceites se se expuserem nesta sociedade machista e falocrática com uma voz genuína senão for para os servir e fazer de figura de estilo, quer como mulheres, quer como políticas, ministras ou executivas ou mesmo escritoras! As polícias são brutais como os machos e as ministras duríssimas e inflexíveis nos seus propósitos rígidos sem qualquer humanismo. Não é pois, desse “Feminismo” que falamos nem o que nos falta a nós mulheres. E muito menos é essa a mulher da Procura do Graal. Ou por outra, a Mulher que se perdeu nos primórdios dos tempos é que tem de se buscar a si mesma dentro do seu coração e como Voz do Útero sendo a Taça que dá a beber e não espera beber do outro para ser ela própria porque a mulher é ela o Cálice.
Só depois da Mulher ser Mulher inteira, o verdadeiro Cavaleiro voltará e o Filho da Deusa a respeitará.
A Mulher em si é a Chave do Mito.

Rosa Leonor Pedro
http://rosaleonor.blogspot.com/2004/06/procura-do-graal-mistura-se-com.html



SACERDOTISA DE INANNA


Um dos poemas da sacerdotisa Enheduana, que serviu a Deusa Inanna e Nanna, a única sacerdotisa poetisa que se tem noticia e a única mulher que deixou algo escrito para as futuras seguidoras da Grande Deusa.



Majestosa rainha do eu assombrado, envolta em medo,
Que cavalga o grande eu, Inanna, Vós que aperfeiçoastes a arma a-ankara,
Que estais coberta com o seu sangue,
Que rondais tempestuosamente as grandes batalhas,
Que pisais os escudos,
Que provocais a chuva-enchente,
Grande rainha Inanna experiente em planear o ataque, Destruidora de kur,
Que disparastes do Vosso braço a flecha para longe,
Que firmastes o Vosso braço sobre as montanhas,
Como um leão Vós rugistes no céu e na terra, despedaçastes a carne das pessoas,
Como um grande touro selvagem anseias a batalha contra as terras inimigas,
Como um leão assombroso aniquilastes com o Vosso veneno os hostis e desobedientes.

Minha rainha, quando Vos tornais imensa como o céu, Donzela Inanna,
Quando Vos tornais tão vasta quanto a terra,
Quando Vos ergueis como o Rei Utu, abrindo bem os braços,
Quando estais no céu, envolta em assombroso medo,
Quando na terra estais envolta em luz brilhante e fixa,
Quando viajando sobre as montanhas avançais como uma rede azul de lápis lazuli,
Quando banhais as terras frutuosas, as terras puras,
Quando gerais as terras brilhantes, as terras puras,
Quando Vos sentais como um verdadeiro amo, como um bom amo,
Quando nas suas batalhas Vós ergueis bem alto as suas cabeças como uma arma devastadora,
Então as pessoas de cabelo negro rompem em cânticos,
Todas as terras murmuram docemente o seu cântico ilulamma,
Rainha das batalhas, Grande Filha da Lua, Donzela Inanna, quero-Vos louvar como Vos é devido.

domingo, 25 de outubro de 2009

BÊNÇÃOS DA DEUSA


Mãe Terra
Que seu poder desça sobre mim
Hoje como uma bênção
Que jamais tenha medo de agir
Que eu jamais seja controlada pelo outros
ou pelas suas ideias do que sou
Ou Devo ser

Que eu seja o que eu sinta
Que eu sinta a Senhora acima de todas as coisas
Que eu saiba abençoar os campos
E os frutos que pendem dos galhos
Que eu dance a Dança Sagrada
Que eu jamais me esqueça de quem
Me criou
Que eu jamais rejeite a mim mesma
Ou aqueles
Que a Senhora põem em meu caminho
Que eu respeito todos os caminhos
e que aja em mim a luz
E a escuridão
Dissipando o caos criativo
Que eu seja a dançarina da alma

Profundamente envolvida com meu espírito
Que eu jamais desista do que é meu por direito
Que eu devolva tudo que roubaram
Que eu saiba dar a minha bênção
Sobre o Mundo
E que a Senhora esteja comigo
Aonde eu estiver
Para que eu e a Senhora
Sejamos uma.


HERA ANTES DO PAI


Casar me eu para quê?
Eu que deis dos tempos imemoriais tenho sido adorada como Rainha desta Terra
Eu que sou a mais amada e adorada Deusa da antiguidade
Para que casar me?

Para que um dia no futuro eu perca todos os meus atributos de fertilidade,maternidade poder e força e me torne apenas mais um capacho nas mãos dos homens?


O Meu povo que a adora a Deusa deis dos tempos imemoriais, minhas mulheres que conhecem o segredo das estrelas, a arte das ervas e da revelação sujeitadas aos homens?
Os meus homens tornados apenas senhores das guerras feito a imagem dos Deuses do Norte

Estais louco?

Eu Hera vestida de estrelas , A Senhora, A Escolhida de Gaia para reinar após ela, sujeitada ao Deus maníaco?

Eu Rainha da Água, do Fogo,da Terra, do Ar, Senhora Chela que reina no mundo inferior,Mãe de Todos os pássaros, a Mais Sábia, Senhora de Olímpia...Eu casar me?

Para vez os homens que conhecem os segredos do mundo se tornarem guerreiros de instituições patriarcais?

Para ver minhas sacerdotisas desgraçadas tentando preservar a dignidade do meu culto, logo eu que honro e valorizo a vida das mulheres e dos homens, vê-los uns contra os outros...As Deusas como inimigas implacáveis dos Deuses...


Eu para ver a minha amiga, a Deusa Piton , a Grande Mãe Serpente , Deusa da profecia, Filha de Gaia se tornar lambem mais um mostro?

Para ver minha filha mais amada, Hebe , aquela que auxilia nos preparativos rituais transformada em apenas uma serva-escrava dos homens?


Ora meu queridíssimo tratante, senhor Hermes, diga a Zeus que só me casarei no dia em que Aquela Que Estremece a Terra for morta...

E isto nunca a de acontecer!

Por mais que mintam a sobre mim e minhas parentes ,nos ainda seremos as senhoras deste mundo....Então vá e passar bem....Bem mal!


sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A DEUSA ÚNICA NA LITERATURA



As Origens da visão Deusa: o mito da Deusa Única na Literatura



No mundo pagão antigo, as deusas eram geralmente as patronas das cidades, da justiça, da guerra, do artesanato e também da lareira, da agricultura, do amor e do aprendizado: elas encarnavam aspectos da civilização e das atividades humanas com muito mais freqüência do que aspectos da natureza. Ademais, a esmagadora maioria dos pagãos realmente acreditava que cada deusa possuía sua personalidade própria, pois eram cultuadas de forma individual.
Existe somente um texto, escrito perto do final do período pagão - Metamorphoses de Apuleius - que apresenta a noção de que uma Deusa única seria a encarnação de todas as outras deusas, sendo identificada com a lua e a natureza como um todo.
Curiosamente, foi essa imagem atípica, criada por Apuleius, que se tornou o conceito predominante da deusa para o mundo moderno. Quando, e como, isso aconteceu?
A resposta curta é: há apenas dois séculos. Durante toda a Idade Média e o início do período Moderno, o elemento principal das deidades pagãs era o mesmo da antigüidade - ou seja, as deusas eram vistas como individuais. Uma pesquisa dos temas clássicos presentes na poesia inglesa escrita entre 1300 e 1800 revela que a deusa mais popular era Vênus/Afrodite, patrona do amor, seguida de perto por Diana/Ártemis, que representa a castidade feminina e (com menos freqüência) a caça; a seguir, temos Minerva/Atena, pela sabedoria, e Juno/Hera, símbolo da rainha perfeita.
É certo que na moderna tradição hermética existia um conceito que fundia as idéias de Apuleius (de que uma deusa encarna todas as demais) e a noção neoplatônica de uma alma mundial. Essa fusão dá origem a uma figura feminina identificada com o céu estrelado, postada entre Deus e a terra e agindo como uma fonte de vida e de inspiração - como se pode conferir na obra de Robert Fludd. Esse conceito, contudo, era conhecido apenas por um grupo muito restrito de estudiosos.
O mais importante, aqui, é que saibamos que para os gregos a terra era feminina e o céu masculino - o contrário, digamos, da visão dos egípcios. Uma vez que a ciência ocidental moderna é altamente influenciada pelo pensamento grego, os conceitos dos gregos se mostram arraigados na ciência
. Isso foi reforçado pela mentalidade das sociedades patriarcais da Europa medieval, nas quais os intelectuais e cientistas eram quase sempre homens. Como resultado, a partir da alta idade Média os escritores acadêmicos passaram a usar com freqüência uma figura feminina para personificar o mundo, e esta por vezes aflorava também na literatura criativa.
Este foi o padrão que, com espantosa consistência, predominou até por volta de 1800. Foi então que o Movimento Romântico e suas mudanças culturais alteraram dramaticamente o conceito do feminino. Uma das marcas do Romantismo foi a exaltação da natureza e do instinto, qualidades anteriormente temidas ou depreciadas - e sempre associadas ao feminino. Pela primeira vez, dava-se ênfase à beleza da natureza selvagem e da noite.
O impacto desse novo pensamento sobre a literatura inglesa é muito claro. Entre 1800 e 1940, Vênus (ou Afrodite) preserva a liderança nas aparições literárias, com Diana (Ártemis) em segundo. Juno (Hera), contudo, praticamente desaparece, o que também ocorre com Minerva após 1830. Em terceiro lugar, agora aparece Prosérpina (Perséfone), uma deusa das estações do ano e da morte, sendo que em quarto surge Ceres (Deméter), senhora da colheita. A leitura dos textos citados oferece maiores revelações: Vênus agora não é somente a deusa do amor, mas também está ligada aos bosques e ao mar. Diana não representa mais só a castidade ou a caça, mas também a lua, o reino silvestre e os animais selvagens. Ademais, nos casos em que uma deusa é a personagem principal de um poema, Vênus perde sua supremacia para Diana - ou para uma deidade feminina do luar e do mundo natural, agora mais comumente chamada de "Mãe Natureza" ou "Mãe Terra".
Este padrão fica muito claro por volta de 1810, nas obras de Keats e Shelley. Desde suas primeiras obras, Keats se mostra encantado pela lua, e a identificava com uma deusa, "criadora dos doces poetas, prazer deste belo mundo e de todos os que nele vivem". Seu primeiro trabalho extenso, Endymion (1818), tem por tema o amor bem sucedido de um mortal por essa deusa:

O que tens, ó Lua, que és capaz
De emocionar-me com tamanha força? Quando ainda criança
Eu costumava secar minhas lágrimas ao ver teu sorriso.
Tu te assemelhas a uma minha irmã: de mãos dadas caminhávamos
Do anoitecer à alvorada, pelo firmamento.
... e com o passar dos anos, tu ainda te mesclavas
a todos os meus desejos: tu eras os vales profundos,
Tu eras o cume das montanhas - e a pena do sábio
A harpa do poeta - a voz dos amigos - o sol;
Tu eras o rio - eras a glória conquistada;
Eras minha montaria - meu cálice pleno de vinho;
Meu feito mais extraordinário:
Tu eras o encanto das mulheres, ó Lua amada!

O brilho do luar permeia o trabalho dos autores românticos, surgindo nos locais mais inusitados. Tradicionalmente, os druidas eram tidos como adoradores do sol, mas quando Vincenzo Bellini escreveu o mais famoso drama do século XIX sobre os Druidas, sua ópera Norma (1831), no libreto de Felice Romani vemos a heroína de pé num bosque sagrado evocando a lua, na ária mais conhecida:

Casta deusa, que ilumina estas árvores sagradas,
Mostra-nos teu rosto sem véu,
Traz paz à terra como a levaste ao céu.


Outro modo de personificar uma deusa nessa época é apresentado por Shelley. Quando ele escreveu uma ode totalmente original a uma deusa, ele inicia assim:

Deusa sagrada, Mãe Terra,
Tu de cujo ventre imortal
Surgem deuses, homens e animais,
E folhas e botões e flores.

Por volta de 1820, a imagem dominante de uma deusa na literatura inglesa já estava associada à beleza da terra verde e da lua branca entre as estrelas. Essa imagem foi totalmente absorvida pela geração seguinte. Quando o fervoroso cristão Robert Browning escreveu sobre Ártemis em 1842, ele pôs estas palavras na boca da deusa:

Pelo firmamento eu deslizo minha luzidia lua;
Abrigo-me no inferno acima da paz de minha gente pálida.
Sobre a terra, eu protejo, cuidando de minhas criaturas,
Cada loba grávida e cada ágil raposa,
E cada ninhada com penas das aves,
E todos os recantos verdejantes e isolados.

Mais marcante ainda é o caso de Charlotte Brontë, que era filha de um clérigo anglicano. Ela sempre divulgou apaixonadamente o cristianismo, e fez sua heroína Jane Eyre cogitar viajar como missionária. Emocionalmente, contudo, Jane opera numa cosmologia onde um único deus supremo cria a natureza para que seja a mãe divina de todas as formas de vida, em especial das mulheres. É a esta mãe (e não a Jesus) que Jane recorre quando em dificuldades, e é ela que lhe aparece numa visão, surgindo da lua. Aparentemente, Brontë jamais percebeu que essa visão era tudo, menos cristã.
O estágio seguinte do processo seria eliminar o deus criador, fazendo da deusa da natureza a única fonte de tudo o que existe. Este passo coube a Swinbourne em 1867, quando ele dá a essa deusa uma poderosa voz sob o nome da deusa-terra germânica Hertha:

Sou aquela que inicia;
De mim jorram os anos;
De mim, deus e homem,
Sou igual e completa;
Deus muda, e o homem também, e suas formas corpóreas;
Eu sou o espírito...

Primeiro, a vida de minha fonte
Primeiro jorra e nada;
De mim surgem as forças
Que salvam ou amaldiçoam;
De mim, o homem e a mulher, e animais e aves silvestres;
Antes de Deus existir, eu existo.


Na mesma época (1867), James Thomson escrevia um poema entitulado "A Deusa Nua", publicado somente em 1880. A personagem principal é a Natureza, que chega a uma cidade nua e é recebida pelos adultos. Os humanos adultos oferecem-lhe o hábito de uma freira ou as vestes de um filósofo. Somente as crianças percebem o quão bela ela é, e retornam com ela para os bosques. Durante as décadas que separaram a composição da publicação deste poema, George Meredith desenvolvia sua própria visão poética, segundo a qual todas as deusas clássicas eram aspectos diferentes da "Grande Natureza" ou da "Terra", com a qual os humanos deveriam se reconciliar para serem novamente completos. Por volta de 1880, essa figura da deusa única era tanto criadora como redentora.


Prof. Ronald Hutton
IN:http://www.apocalipse.us/forum/index.php?topic=1244.0