"E aqueles que pensam em Me procurar, saibam que a vossa busca e vosso anseio devem beneficiar-vos apenas se vós souberdes o Mistério; se o que vós procurardes, vós não achardes dentro de vós mesmos, então nunca encontrarão fora. Pois eu tenho estado convosco desde o Início e Eu Sou Aquela que é alcançada ao final do desejo"


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sábado, 2 de fevereiro de 2019

SANTUÁRIO DE OSÚN (OXUM) NO CONTINENTE AFRICANO

Templo de Osún em Oxogbo, Estado Osún na Nigéria
Templo de Osún

Ọṣun-Oṣogbo ou Bosque Sagrado de Osun-Osogbo é uma floresta sagrada às margens do rio Osun que se encontra na cidade de Osogbo, no estado de Osun, Nigéria.
Templo de Osun como é conhecido pelos brasileiros que prestam culto a Oxum (Osun) no Candomblé, uma das religiões afro-brasileiras.
Porta de entrada no Templo de Osún
Descrição

A floresta densa do Bosque Sagrado de Osun-Osogbo, nos arredores da cidade de Osogbo, é uma das últimas áreas remanescentes de floresta primária no sul da Nigéria. É considerada a casa de Osun, uma das divindades do panteão yoruba.

 A floresta, o sinuoso rio Osún, santuários domésticos, esculturas e obras de arte erguidas em honra de Osun orixá da fertilidade e outras divindades. A floresta sagrada, agora vista pelos yorubas como um símbolo da identidade, é provavelmente o último bosque sagrado na cultura yoruba. Ela reflete o costume, uma vez difundido, que foi estabelecer lugares sagrados longe de habitações humanas.
Anualmente na cidade de Osogbo é realizada uma festa conhecida mundialmente pelo nome "Osun-Osogbo Sacred Grove Festival" Festival de Osún onde são realizadas oferendas e presentes à Osun, no rio Osun com a participação de moradores e visitantes.
Osún esculpida em madeira (Bosque sagrado do Templo de Osún)

A popularidade do festival aumentou significativamente nos últimos 30 anos, sobretudo devido à dedicação da artista Susanne Wenger, que reconstruiu os santuários e trabalhou para obter o bosque protegido.
Um livro sobre o trabalho da artista austríaca Susanne Wenger (Graz, Áustria 1915-Osogbo, 2009), "The return of the Gods, The Sacred Art of Susanne Wenger" (O retorno dos Deuses, A Sagrada Arte de Susanne Wenger) por Ulli Beier, Londres, Cambrigde, 1975. Esse trabalho foi feito no Bosque Sagrado de Osun-Osogbo durante os muitos anos que viveu na África envolvida com a religião yorubá.

Especialistas em religiões tradicionais africanas da Nigéria dizem que o Osun-Osogbo Sacred Grove Festival de 600 anos está ameaçado.

Parte interna do Templo de Osún com imagens esculpidas de
divindades do Yorubá
Valor universal excepcional

Breve síntese

Um século atrás havia muitos bosques sagrados nas terras Yoruba: cada cidade tinha um. A maioria destes bosques agora foram abandonadas ou encolheram bastante para pequenas áreas. Templo de Osun, no coração de Osogbo, a capital do Estado de Osun, fundada há 400 anos, no sudoeste da Nigéria, a uma distância de 250 km de Lagos é o maior bosque sagrado para ter sobrevivido e que ainda é reverenciado.
A densa floresta de Osun, o Bosque Sagrado é alguns dos últimos remanescentes de floresta primária alto no sul da Nigéria. Através da floresta meandros do rio Osun, a morada espiritual da Deusa do rio Osun. Situado dentro da área sagrada da floresta são quarenta santuários, esculturas e obras de arte erigidos em honra de Osun e outras divindades iorubás, muitos criados nos últimos quarenta anos, dois palácios, cinco lugares sagrados e nove pontos de adoração amarradas ao longo das margens do rio com sacerdotes designados e sacerdotisas.
A nova arte instalado no bosque também diferenciou de outros bosques: Osogbo é agora o único a ter uma grande componente da escultura do século 20 criada para reforçar os laços entre as pessoas e o panteão ioruba, e a maneira em que cidades Yoruba ligadas seu estabelecimento e crescimento para os espíritos da floresta.
 

Muro de imagens à Osún

A restauração do bosque por artistas tem dado o bosque de uma nova importância: tornou-se um lugar sagrado para o conjunto da Yoruba/Terras e um símbolo de identidade para o mais amplo Yoruba-Diáspora.
A floresta é um local religioso ativo, onde diariamente, culto semanal e mensal ocorre. Além disso, um festival anual processional para restabelecer os laços místicos entre a Deusa e as pessoas da cidade ocorre todos os anos e mais de doze dias em julho e agosto e, portanto, sustenta as tradições culturais de vida do povo Yoruba.
A floresta é também uma farmácia de ervas naturais que contém mais de 400 espécies de plantas, algumas endêmicas, das quais mais de 200 espécies são conhecidos por seus usos medicinais.
Critério (ii): O desenvolvimento do Movimento das Novas Sagradas Artes e a absorção de Suzanne Wenger, uma artista austríaca, na comunidade iorubá provaram ser uma troca de idéias fértil que reavivou o Sagrado Bosque de Osun .
Critério (iii): O  Bosque Sagrado de Osun é o maior e talvez o exemplo único remanescente de um fenômeno generalizado, uma vez que é utilizado para caracterizar cada assentamento Yoruba. Ele agora representa os Yoruba-bosques sagrados e sua reflexão de Yoruba cosmologia.

Critério (vi): O Bosque Sagrado de  Osun  é uma expressão tangível do Yoruba divinatório e sistemas cosmológicos; a sua festa anual é uma resposta viva e próspera evoluindo para crenças iorubás no vínculo entre as pessoas, e sua governante a Deusa Osun.

Integridade

A propriedade abrange quase a totalidade do bosque sagrado e, certamente, tudo o que foi restaurado ao longo dos quarenta anos antes da inscrição. Alguns dos recentes esculturas são vulneráveis ​​à falta de manutenção regular que dado os seus materiais - cimento, ferro e barro - poderia levar a problemas de conservação potencialmente difíceis e caros.

O bosque, também é vulnerável ao excesso de visitar e visitante pressão que poderia corroer o equilíbrio entre os aspectos naturais e as pessoas necessárias para sustentar as qualidades espirituais do sítio.
Autenticidade



Orixá Osún esculpida às margens do rio Osún

A autenticidade do bosque está relacionada com o seu valor como um lugar sagrado. A natureza sagrada de lugares só podem ser continuamente reforçado se essa santidade é amplamente respeitado. Nos últimos quarenta anos, as novas esculturas no bosque tiveram o efeito de reforçar as qualidades especiais do bosque e dando-lhe de volta as suas qualidades espirituais que imbuir-lo com um elevado valor cultural.
Ao mesmo tempo, as novas esculturas são parte de uma tradição longa e continuada de esculturas criadas para refletir Yoruba cosmologia. Embora sua forma reflete uma nova partida estilística, as obras não foram criados para glorificar os artistas, mas sim através de seu tamanho gigante e intimidadora formas de restabelecer a sacralidade do bosque. As novas esculturas atingiram o seu objectivo e o bosque tem agora mais largo do que um significado local como um lugar sagrado para o povo iorubá.

Requisitos de protecção e de gestão

O bosque foi declarado primeiro Monumento Nacional em 1965. Esta designação original foi alterado e ampliado em 1992 para proteger toda a 75 hectares. A Política Cultural da Nigéria de 1988 refere que «o Estado deve preservar como monumentos antigos muralhas e portões, locais, palácios, templos, edifícios públicos, promover edifícios de importância histórica e esculturas monumentais". Sob o Uso do Solo Act de 1990 o Governo Federal da Nigéria conferida tutela do bosque para o Governo do Estado de Osun.

Imagens esculpidas dentro do Bosque Sagrado

O Bosque tinha um plano de gestão bem desenvolvida que cobre o período 2004 - 2009, que foi adoptado por todas as partes interessadas e a aréa goza de um sistema de gestão participativa. O Governo Federal administra a área através de um administrador local da Comissão Nacional de Museus e Monumento como habilitada pelo Decreto 77 de 1979 Osun Governo do Estado contribui igualmente para a sua protecção e gestão através de seus respectivos governos locais, ministérios e paraestatais, que também estão habilitadas pelos decretos estaduais para gerir monumentos estaduais.
Responsabilidades tradicionais da comunidade e ritos culturais são exercidas através da Ataojá (Rei) e seu Conselho - o Conselho do Patrimônio Cultural Osogbo. Há atividades tradicionais que têm sido usados ​​para proteger o local de qualquer forma de ameaças, como as leis tradicionais, mitos, tabus e costumes que proíbem as pessoas de pesca, a caça, a caça ilegal, abate de árvores e agricultura.

Os adoradores tradicionais e devotos manter o património imaterial através de espiritismo, adoração e simbolismo. Existe um comité de gestão composto por todos os quadros das partes interessadas, que implementa as políticas, ações e atividades para o desenvolvimento sustentável da área.

Atual Ataojá (Rei) de Osogbo

Templo de Osun Bosque Sagrado, também faz parte do Plano Mestre Nacional de Desenvolvimento do Turismo, que foi criado com Organização Mundial de Turismo (OMT) e Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD). O festival anual de Osun Osogbo terá de ser melhor gerido para que a área não mais sofra os impactos negativos do turismo durante o festival.
O Bosque também servirá como um modelo de herança Africano que preserva os valores tangíveis e intangíveis das pessoas Osogbo em particular, e do povo Yoruba inteiras. Como uma fonte de orgulho para eles, o Grove continuará a ser um património vivo próspera que tem pontos de referência tradicionais e um verdadeiro meio de transferência da religião tradicional e sistemas de conhecimento indígenas, aos povos africanos na diáspora.

Imagem esculpida em madeira dentro do bosque sagrado em reverência á Osún

Fontes:
Unesco - Bosque sagrado de Osún em Osogbo
Wikipédia - Templo de Osún
 TODOS OS CRÉDITOS DE PESQUISA E PUBLICAÇÃO: Alaketú Odé - http://alaketuode2.blogspot.com/2015/11/templo-de-osun-em-oxogbo-osun-state.html

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

OXUM A VÊNUS MULATA E ABRASILEIRADA



OXUM, A DEUSA DA BELEZA

OXUM

Oh, deixe-me deliciá-la
com minha beleza
de modo que o olho possa dançar de alegria
deixe-me seduzi-la com perfumes
para que você inspire prazer
deixe-me excitar seu paladar
até sua língua tremer
deixe-me acariciá-la com um som
que faça seus ouvidos zunirem
deixe-me tocar o seu corpo
com a música da cachoeira
e adornar sua beleza com
braceletes dourados e mel e perfume
e quando estiver tudo feito
quando todos os seus sentidos tiverem sido despertados
quando seu espírito celeste se unir de modo jubiloso
com seu corpo terrestre
então você conhecerá a sensualidade.


OXUM, a Deusa abrasileirada da macumba e das águas (rios, riachos, cachoeiras, fontes), é conhecida por seu amor por tudo que é belo. Ela gosta de se enfeitar, especialmente com as cores amarela e dourada. Gosta de ritos em ambientes aquáticos, que incluam homenagens com mel e dinheiro (moedas de cobre). Seu colar de búzios simboliza seu conhecimento e poder de adivinhação.

Esta Deusa, viveu intensamente os papéis de filha, amante e mãe. De menina-moça faceira, passando pela mulher irresistível até a senhora protetora, Oxum é sempre dona de uma personalidade forte, que não aceita ser relegada a segundo plano, afirmando-se em todas circunstâncias da vida. Com seus atributos, ela dribla os obstáculos para satisfazer seus desejos.

A Deusa-amante ataca as concorrentes, para que não roubem sua cena, pois ela deve ser a única capaz de centralizar as atenções. Na arte da sedução não pode haver ninguém superior a Oxum. No entanto ela se entrega por completo quando perdidamente apaixonada, afinal o romantismo é outra marca sua. Da África tribal à sociedade urbana brasileira, a Deusa que dança nos terreiros de espelho em punho para refletir sua beleza estonteante é tão amada quanto a Divina Mãe que concede a valiosa fertilidade e se doa por seus filhos. Por todos seus atributos a belíssima Oxum não poderia ser menos admirada e amada, não por acaso a cor dela é o reluzente amarelo ouro, pois como cantou Caetano Veloso, “gente é pra brilhar”.

O arquétipo de Oxum é o das mulheres graciosas, com paixão pelas jóias, perfumes e vestimentas caras. Estas mulheres são símbolos do charme e da beleza, pois carregam o dom especial de sua Deusa. Elas andam e dançam dos modos mais excitantes e provocantes. No seu caminhar está o fluxo do rio. Ninguém consegue escapar de seus encantos.

Oxum é a Senhora da fertilidade, da gestação e do parto, cuida dos recém-nascidos, lavando-os com suas águas e folhas refrescante. Jovem e bela mãe, mantém suas características de adolescente. Cheia de paixão, busca ardorosamente o prazer.

Vaidosa, é a mais bela das divindades e a própria malícia da mulher-menina. É sensual consciente de sua rara beleza e se utiliza desses atributos com jeito e carinho para seduzir as pessoas e conseguir seus objetivos. Com Oxóssi, vive seus momentos mais felizes.

Oxum é um dos orixás de maior força no Brasil e contradiz as tradições africanas que exaltam mais os poderes dos orixás masculinos. Todos seus filhos são atrativos e têm facilidade para formar famílias unidas. Diplomáticos e cuidadosos, medem muito bem o que falam e evitam os atritos frontais, sempre tratando de seus interesses com cuidado e sutileza.

Ela está sincretizada por Nossa Senhora Aparecida. Seu dia é 8 de Dezembro.

Seu símbolo é um seixo polido pelas águas dos rios, pequenos espelhos ou um abano decorado com o desenho de uma sereia. Seu apetrecho, é de louça aporcelanada, um hidé, três conchas dilonga, quartinha e branca.


Suas filhas usam colar de latão amarelo-ouro, pulseiras largas, cores douradas. Elas andam e dançam dos modos mais provocantes e excitantes. No caminhar está o fluxo rio.

ARQUÉTIPO DO AMOR-GUERREIRO

Oxum, corresponde ao arquétipo grega Afrodite e como ela é um "Sol Glorioso" que permanece brilhando em nossa cultura. Ser abençoada por Oxum significa que a mulher sentirá plenamente à vontade com sua sexualidade e cultivará a vaidade e a beleza como atributos femininos cheios de poderes.

É através de seu espelho de duas faces que Oxum toma consciência de sua sensualidade. Ao ver sua imagem refletida, a consciência de si nasce. Entretanto, o espelho serve também, de escudo e arma que pode cegar ou aprisionar com seu reflexo.

Oxum, como Afrodite, usa seus atributos femininos para conquistar os homens, mas as mulheres que possuem o arquétipo de Oxum muito ativo, são volúveis e inconstantes e gostam de estar sempre atrás de coisas novas e imprevistas. Como a Deusa, a mulher-Oxum não gosta de criar raízes, pois vê a vida como uma aventura, preferencialmente com um final romântico. Escolherá sempre homens sofisticados, instruídos e com bom saldo no cartão de crédito, pois ela adora roupas finas, cabelos esvoaçantes, jóias e muitos adornos.

Mas, acima de tudo, em todos os seus relacionamentos, a mulher-Oxum coloca o "coração".

Sua beleza física e interior pode ser um passaporte para muitos mundos, mas também sobrevém-lhe uma palpável alienação. Uma vez que muitos homens a desejarão pela beleza física e as mulheres a odiarão pelo mesmo motivo, muitas vezes a mulher-Oxum poderá duvidar do seu real valor.

Graças ao seu talento em manobrar os sentimentos e os projetos criativos no homem, a mulher-Oxum pode despertar o "anima" (princípios femininos) do homem. Quando o homem começa a entrar em contato com a sua "anima", a mulher-Oxum passará a ser sua musa inspiradora, ajudando-o com novas idéias e trabalho criativo.

A Deusa-Oxum herdou ainda, as qualidades guerreiras da Deusa grega Ártemis, qualidades essas, possivelmente decorrentes do meio em que vivia e de ter sido casada com um Deus da Floresta e da Caça, com quem teve um filho. Como Deusa-Guerreira, Oxum protege os rebentos dos animais e as crianças humanas.

Como guerreira, Oxum desenvolve seus princípios masculinos "animus", despertando-lhe um amor intenso pela liberdade, pela independência e autonomia. Oxum passa então a ser "A Bela que é Fera", pois brigará e lutará para preservar sua liberdade. Engolindo suas lágrimas, ela seduzirá seus adversários, planejando vinganças pelas humilhações que lhe fizeram passar.

A energia arquetípica da associação Ártemis-Oxum fazem com que as mulheres se sintam perpetuamente jovens, não permitindo que percorram o caminho que as conduzirão à maturidade. Esse é um período importante, pois é a essa altura da vida que nos permitimos ajustes e adaptações. Entretanto, a mulher Deusa Oxum, amante da natureza e de sua liberdade psique, terá muita dificuldade de descobrir que ela é, se não se permitir amadurecer.

A maior chaga da mulher-Oxum é a dor da alienação, pois muitas vezes ela sentirá desprezo por valores e formas da sociedade convencional.
Ela se sentirá magoada com nossa sociedade patriarcal que não consegue conter a ferocidade de seu espírito e nem reconhecer plenamente seus belos dotes de mulher.

Dia da Semana: Sábado

Cores: amarelo ouro. Seu número é 5

Animal: Arara

Comida: feijão fradinho com cebola e camarão (omolocum)

Habitat: água doce, fontes, rios, cachoeiras.

Créditos de pesquisa à
Rosane Volpatto