"E aqueles que pensam em Me procurar, saibam que a vossa busca e vosso anseio devem beneficiar-vos apenas se vós souberdes o Mistério; se o que vós procurardes, vós não achardes dentro de vós mesmos, então nunca encontrarão fora. Pois eu tenho estado convosco desde o Início e Eu Sou Aquela que é alcançada ao final do desejo"


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terça-feira, 17 de agosto de 2010

TRADIÇÃO DIÂNICA NEMORENSIS


Cada religião possui uma filosofia e pensamentos sobre como o Universo foi criado. A este sistema de fundamento e teoria dá-se o nome de Cosmogonia, o entendimento de mitos para melhor compreensão da causa primeira da Criação.

A filosofia cosmogônica se relaciona a forma como uma Tradição vê o Sagrado e explica a formação do universo e fundação do mundo, como entende as diferentes manifestações do Divino e como acredita que estas manifestações se expressam em nossas vidas.

Para as Tradições Diânicas de um modo geral a Deusa é a Grande Criadora e é isso que difere nosso caminho Pagão de outros, que vêem a Criação como resultado da união de polaridades opostas e supostamente complementares.

Nós cultuamos a Grande Deusa da Natureza, em toda a sua diversidade resplandecente. Ela é a Doadora da vida, a origem de toda existência neste planeta. Três são suas faces: Donzela, Mãe e Anciã, pois Ela é todas as Deusas e todas as mulheres. Ela se apresenta triplamente também na natureza como a Lua, o Sol e a Terra. Como a Lua, a Deusa é a Senhora dos Mistérios e Iniciação. Como o Sol, Ela é a Rainha dos Céus que fertiliza e dá calor e sustento. Como a Mãe Terra, Ela se torna aquela que nos alimenta se alimentando da vida, a Guardiã do Portal da Morte, que nos confortará quando a Ela retornarmos. Nós a honramos em todos os lugares, pois Ela é tudo: vive como nós, em cada um de nós e através de nós

Consideramos que o papel central e preponderante da Deusa é o diferencial de nossa religião. Cremos que celebrar o Sagrado masculino em igualdade com a Deusa é meramente um escape psicológico, para que uma mente completamente devastada por milênios de patriarcado se sinta menos culpada ao tentar incluir em sua prática religiosa o reconhecimento da energia feminina como Criadora.

A preponderância do culto à Deusa em uma Tradição não é decorrente de um desequilíbrio religioso, nem muito menos faz parte de um grupo separatista ou radical. Como uma Tradição matrifocal, acreditamos que existem muitas outras formas de polaridade que não sejam baseadas em gênero. Bruxos com cosmovisão orientada para a Deusa preferem identificar as polaridades não somente como feminina e masculina, mas como muitas outras: dia-noite, bem-mal, criação-destruição, escuro-claro, ordem-caos. Desta forma, masculino-feminino seria apenas uma das ilimitadas possibilidades de polaridades. E é desta forma inclusiva que entendemos a divisão de polaridades.

A escolha do culto centrado exclusivamente na Deusa provém do conforto que o Sagrado Feminino nos proporciona, pois a Deusa celebra a diversidade e não impõe limites. Acreditamos que isto é um fator primordial para o restabelecimento do equilíbrio do Universo e a cura do Planeta, devastado por séculos de opressão patriarcal e cultura patrilinear.

Em nossa Tradição a Deusa recebe muitas vezes o título de "A Dançarina" enquanto o Deus é chamado por nós de "O Condutor da Dança Espiral do Êxtase". Eles são simbolizados pela Lua e pelo Sol respectivamente, representando a eterna dança da Criação iniciada no início dos tempos pela Grande Mãe. Juntos Eles dançam através dos céus nos mostrando suas muitas faces e formas.

A Tradição Diânica Nemorensis é um ramo da Wicca centrado na Deusa e sua supremacia, relegando ao Deus um papel secundário com participação e atuação limitadas nos mitos e ritos. Para nós a Deusa é a grande Criadora de tudo e todos. Ela contém tudo o que tem vida e carrega em si inclusive seu complemento masculino, o Deus.

Reconhecemos o Deus e o honramos com prazer quando necessário. Porém, isso não significa que o celebramos em todos os rituais para aparentar um pseudo equilíbrio quando não sentimos que isso é necessário.

Além do mais, se reconhecemos que existem muitas outras formas de polaridades e a masculina/feminina é apenas uma delas, não se faz necessário invocar o masculino num ritual quando existem faces da Deusa que tragam em seus atributos a energia da força, guerra, independência que teoricamente seriam associados ao masculino se adotássemos a classificação de polaridades Yin-Yang tão tradicionais e convencionais.

Percebe-se assim que o Dianismo é não só fundamentado e equilibrado quanto igualitário, além de ser uma questão de opção e preferência pessoal a escolha de uma prática mais orientada à Deusa.

A escolha do caminho Wiccaniano centrado exclusivamente na Deusa, é tão válido quanto qualquer outro e tem sua beleza e expressão. Talvez hoje seja a modalidade de Wicca mais difundida no mundo. Isto possibilita às mulheres o resgate de sua dignidade religiosa como Sacerdotisas e aos homens a conscientização dos conceitos corrompidos, trazidos pelos valores e pensamentos patriarcais dominantes.

A Tradição Diânica dá às mulheres possibilidade de compreender as manifestações naturais que ocorrem nos seus próprios corpos como sagradas, ensinando-as que são cheias de poderes como a própria Deusa. Todos os praticantes de uma Tradição Diânica são orientados a ver a mulher como representante da Deusa na Terra, a quem devemos respeito e reverência. Afinal todos viemos ao mundo através do ventre de uma mulher e só isso já é o suficiente para nos mostrar o quanto elas são importantes.

O Dianismo também ensina os homens a ver a mulher como a própria Deusa encarnada, respeitá-la, perceber que ela não é um objeto, vê-la como alguém importante para que haja vida e para a continuidade da vida. Isso não desmerece um homem em nada, muito pelo contrário, pois se ele conseguir se libertar dos grilhões patriarcais e dar a mulher o seu devido valor será muito mais valorizado por ela.

O Dianismo, com sua cosmovisão matrifocal, pode ser enriquecedor para aqueles que poderão encontrar na Deusa a cura para muitos dos seus males trazidos pelos séculos de patriarcado, trazendo conforto e respostas para várias indagações alma humana.

Apesar da palavra "Diânica" se referir à uma divindade romana(Diana), este é apenas um dos muitos nomes da Deusa reconhecidos em nossa Tradição e não a única face Dela reverenciada por nós. Na realidade, a Deusa principal da Tradição Diânica Nemorensis é Danu, também chamada de Dana, cujo nome pode ser associado a Dione na Grécia e também Diana em Roma.

COSMOVISÃO - TRADIÇÃO DIÂNICA NEMORENSIS

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

A MAIOR CAUSA FEMININA



O que é UMA BRUXA DIÂNICA?

Uma mulher que venera a Deusa em suas muitas faces. Diânicas não têm que ser leais a apenas um aspecto da Deusa, você pode se conectar a quaisquer deles, a qualquer hora.

Você pode pesquisar e encontrar aspectos do Princípio Feminino do Universo que nós nunca ouvimos antes. No final, vemos todos os aspectos da Deusa como um só. Diânicas não são inseguras se você atende alguma igreja patriarcal, se você venera quaisquer outros deuses, mesmo deuses masculinos, pois a prática pessoal delas é a Deusa e somente para mulheres. É importante que as mulheres tenham alguma coisa só delas, sua própria espiritualidade, sua própria cultura, seu valioso self interior. A Tradição Diânica promove a força nas mulheres e uma visão delas mesmas como divinas e completas/seres humanos inteiros.


Postado por Green Womyn

Manifesto Susan B. Anthony Coven Número 1


Nós acreditamos que bruxas feministas são mulheres que buscam dentro de si mesmas pelo princípio feminino do universo e que se relatam como filhas da Criadora.


Nós acreditamos que, assim como é tempo de lutar pelo direito de controlar nossos corpos, é também tempo de lutar pelas nossas doces almas de mulher.


Nós acreditamos que em ordem a lutar e vencer uma revolução que se estenderá por gerações futuras, nós devemos encontrar modos seguros para reforçar nossas energias. Acreditamos que sem uma base na força espiritual das mulheres não haverá vitória para nós.


Nós acreditamos que somos parte de uma consciência universal mutável que tem sido há muito tempo temida e profetizada pelos patriarcas.



Nós acreditamos que a consciência na Deusa deu à humanidade um período pacífico, duradouro e funcional durante o qual a Terra era tratada como Mãe e as mulheres eram tratadas como Suas sacerdotisas.


Nós acreditamos que as mulheres perderam a supremacia através das agressões dos homens que foram exilados das matriarcas e formaram as hordas patriarcais responsáveis pela invenção do estupro e da subjugação das mulheres.


Nós acreditamos que o controle feminino do princípio da morte permite a evolução humana.

Nós estamos comprometidas a vencer, sobreviver e a lutar contra a opressão patriarcal.


Nós estamos comprometidas a defender nossos interesses e aqueles de nossas irmãs através do conhecimento da bruxaria: de bênçãos, maldição, cura e de amarração com o poder enraizado na sabedoria identificada nas mulheres.

Nós estamos igualmente comprometidas a soluções políticas, comunais e pessoais.

Nós estamos comprometidas a ensinar as mulheres como se organizarem como bruxas e a compartilharem nossas tradições com as demais mulheres.

Nós nos opomos a ensinar nossa magia e nossa arte aos homens até que a igualdade dos sexos seja uma realidade

Nossa meta imediata é nos reunirmos umas as outras de acordo com nossas antigas leis femininas e lembrar nosso passado, renovar nossos poderes, e afirmar nossa Deusa de Dez Mil Nomes.

Z. Budapest
(Traduzido por Aphrodisiastes)


O QUE É

"A Tradição Diânica Feminista de Wicca/Bruxaria é a denominação da “Antiga Religião” Neopagã, centrada na mulher e na Deusa.


A Tradição Diânica foi fundada pela autora, ativista feminista e fundadora do Movimento de Espiritualidade das Mulheres Zsuzsanna “Z” Emese Budapest em 1971, em Venice Beach, Califórnia. (1)

No solstício de inverno de 1971, Z Budapest também fundou o primeiro coven Diânico, chamado Coven Susan B. Anthony Número Um. (1) Este coven ainda existe, e tem expandido suas influências globalmente assim como virtualmente com uma presença virtual dentro da Universidade Online de Wicca Diânica, de Z Budapest (2), um blog chamado “Deusa” (3) e uma revista mensal chamada “Deusa”. (4)


(...)


Tudo isso nos trás ao próximo tópico, qual delas é a tradição Diânica que não e nunca foi separatista, nem somente para lésbicas. O que tem ocorrido é uma teologia centrada nas mulheres que foca somente nos mistérios das mulheres. A tradição Diânica reconhece a existência dos mistérios dos homens e encoraja os homens a aceitá-los.

A tradição Diânica de Z Budapest é muito específica neste tópico. Ela pode ser citada assim como declara, “Nós sempre reconhecemos, quando nós dizemos “Deusa,” que Ela é a doadora da Vida, a sustentadora da Vida. Ela é a Mãe Natureza.” (7)

“Há somente dois tipos de pessoas no mundo: as mães e suas crianças. As Mães podem dar a vida a outro tão bem quanto os homens, que não são capazes de fazer o mesmo a eles mesmos. Isto constitui uma dependência na Força de Vida Feminina para a vida renovada, e isso foi aceito naturalmente nos tempos antigos por nossos antepassados como um dom sagrado da Deusa. Nos tempos patriarcais este dom sagrado foi usado contra as mulheres, usado para forçá-las a desistirem de seus papéis de independência e poder.” (8)

“Nossos filhos homens, nossas Crianças Sagradas, não eram criados como traidores [referência a palavra warlock], mas como amantes da vida, amantes das mulheres, irmãos ou amantes uns dos outros, ajudantes da Deusa em sua habilidade mais essencial de criação. Os Filhos de mães na veneração da Deusa tornaram-se Kouretes, membros do sacerdócio a serviço da Deusa.”(8)

Praticar a Bruxaria Diânica não impede qualquer mulher de também participar auspiciosamente de outras tradições com homens. Assim foi estabelecido por Z Budapest, no início da Tradição Diânica, que existia uma contra parte, uma tradição só de homens conhecida como Kouretes. A tradição Diânica não o separatismo, pelo contrário, ela aceita as diferenças entre masculino e feminino como dadas pela Deusa, a Mãe Natureza.

(traduzido por Aphrodisiastes)

1. Budapest, Zsuzsanna. The Holy Book of Women's Mysteries. Red Wheel/Weiser, 2007, page xvi.

domingo, 27 de dezembro de 2009

TRADIÇÃO DIÂNICA

Por Z Budapest

(Traduzido por Aphrodisiastes)


Eu tenho falado sobre o Nascimento do Movimento de Espiritualidade das Mulheres em meus discursos. Descrevi nosso primeiro Sabbath, no Solstício de Inverno, em 21 de Dezembro de 1971, em Hollywood, Califórnia; é deste ponto que eu dato o começo da espiritualidade das mulheres. Essa história está em meus livros, The Grandmother of Time (A Avó do Tempo) e Grandmother Moon (Avó Lua).

Um assunto sobre o qual eu nunca falei foi como eu estive lá. O que me fez levantar esta bandeira da Deusa? O que me mantém conduzindo-a por todos esses anos? O que eu tirei disto, pessoalmente? É mais difícil falar sobre mim do que falar sobre filosofia, teologia, política, feminismo, qualquer coisa exceto minha jornada pessoal. Por que tenho sido tão tímida? Estou com vergonha? Por que?

Mesmo agora, quando tento olhar pra trás e organizar minhas memórias, eu sinto uma pontada de “Humm, eu não importo, tudo que importa é a Causa.” Mas eu sei que estou mentindo. Esta mulher, eu, importava sim. Esta pessoa, a habitante deste corpo que é meu fiel esposo, merece um amoroso exame. Eu tenho que verter meu medo de minha própria humanidade e dizer toda a verdade que possa recordar.

Como um fenômeno começa? Leva-se a mudança dos ventos históricos, primeiro do que tudo. A sub-era de Aquário que começou em 1962 deu-nos os ventos, idéias, sentimentos, e os Beatles, que colocaram isto na música. A Música se tornou um ato político. Sim, aqueles decisivos ventos históricos, controlados por ninguém, tinham que começar soprando, decidindo quais canções se tornariam as primeiras nas paradas de sucesso. Forças coletivas invisíveis estão trabalhando quando os ventos mudam, e nós os inalamos como a doce fumaça das ervas sagradas, sentindo-os expandir nossas mentes e horizontes, sentindo o vento alcançar uma geração viva e erguê-la. Foi um vento, e foi uma onda. Surfar na história é uma experiência pesada, especialmente quando isto conduz uma geração inteira de jovens a um mundo novo.

Onde nós estávamos? Nós tínhamos acabado de sair dos anos Sessenta. A América estava mudando. Deus estava morto e as mulheres estavam marchando. Mulheres estavam marchando pela paz e liberdade para controlarem seus corpos, e eu estava marchando pela paz e pela liberdade da alma. Eu absorvi o passado feminista, li Susan B. Anthony, mas acima de tudo me modelei segundo Elisabeth Cady Stanton, a rebelde espiritual do século 19. Sua notável vida produtiva, um milagre por si só, fascinou-me. Esta mulher gerou sete crianças e escreveu todos os discursos para Susan B., sua melhor amiga. Uma solteirona, Tia Susan cozinhava e ajudava a cuidar de muitas crianças, apenas para deixar claro, ela fez com que um ótimo discurso sobre a luta pelos direitos de voto para as mulheres fosse levado às ruas. Eu li a respeito destas mulheres que tinham trabalhado muito por um direito que as demais mulheres deveriam agradecer agora, e gradativamente comecei a perceber que eu, também, tinha um destino.

Também se leva um ano fatídico para uma única mulher gerar mudança. Para continuar nesta jornada uma mulher precisa de um desejo que seja incontrolável, um profundo desejo que se alimente na mais profunda fonte da psique humana, nas cavernas das Moiras. Daí em diante ela deve desistir de tudo que não a conduz a sua meta. Ela deve ter uma mudança total das circunstâncias, deixando para trás família e casa. Ela deve encarnar esta alta meta, respirá-la, vivê-la, manifestá-la. E ao fazer isso, ela dá a luz a si mesma. Para mim, isso significou deixar meu casamento, a Costa Leste, e a Cidade de Nova York.

Eu tinha trinta anos de idade. A ignorância paralisante tinha feito do meu progresso através do meu primeiro Retorno de Saturno, uma batalha dolorosa. Eu não sabia que era normal na vida de alguém ficar preocupado aos vinte, pois todas as certezas se dissolvem. Eu não sabia nada do poder dos desígnios do destino. Eu estava mudando, mas não sabia como. Eu tive que deixar Nova York, a maravilha super-povoada, sem árvores e barulhenta na maioria das vezes. Nova York, aonde ir do ponto A ao ponto B era um esforço diário enorme, arremessando o corpo de alguém contra os tubos escuros de metal sob a estrondosa terra. No fedor de um lugar, onde os homens se aliviam na escuridão das ladeiras e corredores, qualquer um podia sentir o mau cheiro agressivo do patriarcado. O fato disto ser “normal”, permitido, e tolerado era profundamente ofensivo pra mim. Se mulheres tivessem urinado por todos os metrôs de Nova York, teria havia um protesto público por civilidade. Mas estava tudo bem para os homens. Não havia civilidade em Nova York. Ver um homem qualquer se expondo quando o trem se afasta, olhando diretamente em seu rosto, era quase preferível ao fedor de urina (especialmente no Verão).

Eu não achei ninguém que me amasse em Nova York. Estava preparada para ter relacionamentos amorosos, para ser satisfeita na cama. A cultura encorajava o sexo. Sexo era glorificado em canções e em peças. Eu estava no auge da minha beleza, e ainda não conseguia achar uma parceira para amar. Verdade, eu fui casada, mas era o tipo de casamento Europeu, um de conveniência, no qual nós eramos livres para fazer o que desejássemos, romanticamente e sexualmente. Na Europa isto teria sido ideal. Lá, ter casos era o que mantinha os cônjugues juntos. Eu estudei teatro na Academia Americana de Artes Dramáticas e estava lendo tudo do Young, Kerenyi, Adler. Gradualmente comecei a entender bastante o significado da magia popular que havia encontrado na Hungria quando era criança. Minha mãe foi uma psíquica, e eu percebi que eu era a herdeira de uma tradição de poder feminino. Fui lentamente descobrindo o princípio feminino em minha própria pessoa. Ser uma mulher nunca foi uma dúvida pra mim, eu era feminina e esperta. Mas agora eu pertencia a um grupo maior de mulheres, o qual seus destinos afetavam o meu. O que quer que tivesse acontecido a este grupo de mulheres certamente estava acontecendo a mim. Que estranho. Ser mulher era agora uma coisa complexa, de fato, era totalmente revolucionário. Quem teria pensado que esta coisa simples, minha identidade feminina, poderia tornar-se tanto! Eu fiquei encantada com isto, aproveitei a atenção, e senti que estava ganhando confiança.

Precisa-se de vontade comum de um pequeno grupo, que está de acordo com a mulher personificando a vontade, para criar uma “meta sagrada” ou uma “missão”. Mulheres são feitas para missões, ninguém pode advogar melhor do que uma mulher. Quando uma mulher começa alguma coisa, centenas de mulheres começam alguma coisa, milhares de mulheres começam alguma coisa, e isso cresce, e o fenômeno se revela. Uma missão é alimento para a vida – o alimento da alma. É quando a alma é reconhecida pela mulher vigorosa e é bem-vinda. Missões são história. Missões são necessárias. Se você não tem a energia para advogar por si mesma, ninguém mais o fará. É por isso que as mulheres devem advogar elas mesmas: os homens nunca farão isto (veja na própria história). Muitos pensam que nós já conseguimos ir muito longe com esta coisa de “liberação das mulheres”. Eu digo que não fomos longe o suficiente.

Qual era a missão? Quando todos aqueles fatores se uniram – o novo movimento de Liberação das mulheres, minhas leituras sobre o Movimento de Direitos das Mulheres, psicologia Jungiana e mitologia – eu percebi que o que o Movimento estava precisando era de uma dimensão espiritual. Nós precisavamos recuperar a Deusa para as mulheres e gerar uma nova cultura pacífica que incluísse as artes sagradas. Nós precisavamos suscitar os veneradores da natureza, devotos da Deusa, e encher essas atividades com energia. Trazer recurso para as mulheres assim como fazer das mulheres um importante recurso para o país. Trazer devolta a Senhora, a Grande Deusa que eu tinha venerado como a “Mulher Feliz” e “Boldogasszony” quando era criança.

Não poderia fazer isso em Nova York. Deixando tudo pra trás, eu parti para a Costa Oeste e terminei no Sul da Califórnia. Quando coloquei meus pés pela primeira vez no primeiro Centro de Mulheres (apenas com seis meses de inaugurado), em Crenshaw Boulevard em Los Angeles, um evento histórico e decisivo aconteceu. O Feminismo encontrou a Bruxaria. Deveria ter havia um rufar de tambor quando eu entrei , uma bruxa hereditária da Europa Central onde as fadas uma vez dançaram. A arte popular e as canções populares com as quais eu fui criada reverberaram em minha memória quando escutei música Mexicana nos arredores do Mission District no centro da cidade de Los Angeles. Esta fusão do antigo e do novo – da tradição da bruxa Européia e do feminismo do século vinte – foi uma audaciosa mistura. Isto deu dentes ao feminismo e relevância à bruxaria. Nunca houve uma bruxa feminista antes.

O conceito foi tão estranho, e ainda tão natural. Todos viam a bruxa como um arquétipo, uma megera com um chapéu pontudo voando em uma vassoura. O arquétipo feminista não era mais animador, a imagem de uma “Mulher Libertária” era a de uma mulher nada atraente com uma grande boca, um monte de palavras sabichonas, com confortáveis sapatos. Mulheres fora de controle. Irmandade, um grupo de lésbicas. Lugar onde os “espadas” vão para morrer. Primeiramente, Feminismo e Bruxaria não gostaram um do outro. As feministas diziam que elas não precisavam de nenhuma religião – que religião é sempre ruim. As bruxas diziam que elas não precisavam de políticas, muito obrigada. Eu estava ficando entre elas, internalizando ambas sem qualquer problema, e sabia que elas teriam que se misturar umas as outras se a revolução das mulheres desejasse durar.

Políticas/ativismo como um modo de vida é importante, mas acaba com as pessoas. É onde os movimentos mais erram. Conseqüentemente, há muito trabalho e nenhum divertimento, e as pessoas voltam para casa. O que uma mulher faz depois de panfletos e tumultos e de trabalho duro? Vai beber? Fumar um “baseado”? Isto vai preencher o vazio? Dificilmente.

Eu já tinha visto mais história de perto do que muitos. A Segunda Guerra Mundial aconteceu antes que eu aprendesse a andar. O ambiente sustentador de minha infância foi destruído. Eu aprendi a andar e a falar em um abrigo subterrâneo, o lugar onde nós habitualmente guardavamos nosso carvão para o inverno. Nós éramos bombardeados várias vezes ao dia. De manhã, eram os Alemães, de tarde os Russos. Por volta das 4:00 da madrugada, os pesados aviões Americanos de bombardeio voavam sobre nossa cidade como se fossem a própria morte com asas. Eu me deitei rezando para que eles não destruíssem nada na minha casa, para que então, um dia, pudessemos sair dali. Sim, eu conhecia a história e o que estas decisões significavam, humanos contra humanos, fogo e pobreza, mulheres arrastadas para serem estupradas, água suja, diarréia, pessoas como minha avó morrendo de fome. Eu estava muito ciente da história.

Eu cresci durante a Ocupação Comunista da Hungria. Quando a Revolução Húngara rompeu em 1956, eu tinha desesseis anos. Compartilhe da excitação extasiante de se erguer contra o oppressor e o horror de ver meus colegas de classe assassinados quando os Comunistas revidaram. Eu sai da Hungria e escapei pela fronteira, determinada a ser livre.

Embora muitas das pessoas que eu conheci em Los Angeles naqueles dias não tivessem tido uma infância tão excitante, nós fomos uma interessante geração. John Lennon, dos Beatles, nasceu no mesmo ano que eu, Ringo Starr também, foi um ano decisivo para muitos de nós. Nós éramos a Geração da Semente. Nossos pensamentos e sentimentos sobrevivem nas canções dos Baby Boomers¹. Foi esta geração semeadura que criou o conteúdo emocional para a vinda da enorme explosão musical, cultural e sexual.

Assim como muitas coisas, nosso movimento não foi planejado. Ele apenas brotou. Uma semente sabe que vai ser uma árvore quando brota no solo? Foi assim conosco. As mulheres que vieram à loja de velas Feminist Wicca estavam famintas por conhecimento, por poder, por ritual. Nós costumávamos converser sobre como seria celebrar os Mistérios das Mulheres do jeito que nossas antigas mães celebravam há muito tempo atrás. Pessoas diziam que não se podia mas fazer isto nos dias de hoje, mas por que não?

Eu decide que havia chegado a hora. Em 21 de Dezembro de 1971 eu disse que ia fazer um ritual para celebrar o retorno da luz. Mulheres que quisessem se juntar a mim deveriam ir ao meu flat em Hollywood ao pôr-do-sol. Eu não sabia quem apareceria, mas a Deusa sabia. Quando começou a escurecer havia seis mulheres na sala, seis ótimas amigas trançando as cintas das bruxas com lã vermelha, a cor da vida e do sangue. Minha mãe tinha me ensinado a fazer um círculo, a dar as mãos e deixar a energia crescer. Nós chamamos as ancestrais para se juntarem a nós. Uma das mulheres começou a cantar.

Juntas, nós rezamos e nós cantamos, chamando a Deusa para pegar a semente dos mistérios das mulheres do passado e cultivá-la como uma religião de mulheres indígenas. Nós rezávamos por justiça social e pelas bênçãos da terra. Queríamos alguma coisa que fosse ao mesmo tempo tradicional e revolucionária. Nós estávamos removendo o antigo poder do deus masculino sobre as mulheres. Quando tínhamos terminado de abençoar todas e tudo nós podíamos perceber que aquilo era necessário, nós saímos ao ar livre. Até então não tivemos nenhuma chuva naquele inverno, mas naquele momento conseguímos ver que as nuvens estavam sobre nossas cabeças. Eram lindas, girando com as formas de espíritos. Nós levantamos nossas mãos ao céu, e uma suave e saudável chuva começou a cair.

Depois disso, nós sabíamos que tivemos alguma coisa boa. Aquele primeiro ritual deixou-nos elevadas por dias. O que falavam era que bruxas davam ótimas festas, mas nós todas sabíamos que estavamos fazendo algo mais. Um pequeno grupo de nós começou a se reunir para rituais e cada vez que nos encontrávamos, haviam mais mulheres. Quando super-lotamos o apartamento, começamos a realizar rituais ao ar livre. Costumávamos nos encontrar na praia. Cavavamos a areia e colocavamos nossas velas lá, protegidas do vento. As mulheres trouxeram flores, cristais, fotos de antepassados falecidos.

A Deusa nos ensinou como venerá-la e nós ensinamos umas as outras. Eu aprendi como esclarecer o que era necessário, e a necessidade me ensinou como ser uma sacerdotisa. Nenhuma de nós queria uma hierarquia – este era o antigo estilo masculino do qual nós estavamos tentando nos livrar. Não seria bom se eu tentasse dizer a alguém o que fazer. Mas eu achei que podia conseguir com que todas participassem, observando a energia coletiva, aceitando o que as diferentes mulheres estavam fazendo e liderando o grupo para apoiá-las. “A Deusa está viva!” eu gritava, “A Magia está em ação!” A Religião não deveria ser séria; deveria ser extasiante. Deveria ser um poder que queima em seu ventre e canta em sua alma. Nós gritávamos, nós uivávamos, nós cantávamos. Sentíamos o poder da face feminina de Deus e Ela era impressionante. Tivemos um ótimo tempo, e nossos números cresceram e cresceram.

Este foi o começo. Muitos livros depois, publiquei Summoning the Fates (Convocando as Deusas do Destino²), no qual eu entendi muito mais sobre como a mão das Deusas do Destino organizam a vida de alguém de acordo com a missão destinada. Destinos e vida são conceitos permutáveis. Podemos fazer planos; as Deusas do Destinos vêm de qualquer jeito e finalizam.

Desde que eu entrei no terceiro destino em minha vida, as Deusas do Destino se tornaram entidades confortantes. Quanto mais você aprende sobre elas, mais você aprecia a si mesma, e mais felicidade e paz metal você alcança.

Nota da Tradução:

¹ Pessoas que nasceram durante o período democrático após a Segunda Guerra Mundial.

² Conhecidas em Inglês como Fates, Moiras na mitologia grega e Parcas na mitologia Romana, eram três Deusas mitológicas que regiam os destinos das pessoas e dos Deuses.


IN: http://escritosdezbudapest.blogspot.com/



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terça-feira, 16 de junho de 2009

A ROSA SABE...


Procura-se a identidade superior do SER MULHER
Por Rosa Leonor - Portugal

Ártemis era a Deusa grega protetora das mulheres, assim como dos animais, de qualquer fêmea grávida ou em trabalho de parto e símbolo da sua liberdade, sendo a "virgem" não porque intocada pelo homem, mas por ser senhora da sua vida e livre como o eram todas as Virgens de outrora, incluindo a Virgem Maria que foi mãe "solteira" - isto é, não se submetia a nenhum homem, mas a si mesma e à deusa de que Cristo nasceu.

Podemos invocar Ártemis se precisarmos da sua proteção e também a da terra e da Natureza, como podemos usar o seu nome para evocar a verdadeira natureza da mulher e o seu culto "pagão" que foi deturpado pela religião cristã.

Ártemis, na sua representação mítica, ocupa-se apenas de um espaço exclusivamente dedicado às mulheres. Seguindo esta senda de origem sagrada, as mulheres que sentem essa necessidade e só aceitam outras mulheres nas suas cerimônias religiosas designam-se em geral e a si próprias como Diânicas, segundo a deusa romana Diana, que era um outro nome de Ártemis - Artemísia (em português), dado mais tarde pelos romanos.

Hoje em dia, as mulheres de espírito "ártemis" defendem que as mulheres são de tal modo agredidas pela sociedade falocrática que precisam de espaços exclusivos para as mulheres para desse modo poderem ter voz e assim recuperar emocional e espiritualmente ao reencontrarem a sua identidade em contacto com o seu ser profundo.

Deste modo, considero que os espaços freqüentados só por mulheres que permutam a sua energia e conhecimento intuitivo usando "a voz do útero", podem ajudar-se umas às outras e conscientizar-se das suas muitas capacidades desprezadas pela sociedade de dominação masculina que as apelidaram de histéricas, e terem um efeito não só terapêutico como libertador nas suas vidas, almas e corpos "amputados" pela exigência dos conceitos vigentes e das estéticas ao serviço do imaginário masculino e de que são na sua grande maioria escravas.

Falo das mulheres em geral - independentemente da sua orientação sexual. Gostaria de ver as mulheres unidas e identificadas muito para além das suas pulsões sexuais! Ir para além das "Faces de Eva" ou das "lésbicas" que tão mal invocam a sua suposta Musa - a excelsa poetisa Safo -, para dar lugar apenas às expressões mais comuns da mulher e que deixam uma imagem parcial da própria mulher ao seguir estereótipos masculinos, como todas as mulheres o fazem, seja obedecendo-lhes, seja imitando-os...